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  • Ceará inova com primeira biofábrica de água de coco em pó do Brasil: tecnologia de 40 anos vira negócio bilionário

    Ceará inova com primeira biofábrica de água de coco em pó do Brasil: tecnologia de 40 anos vira negócio bilionário

    De laboratório a indústria: 40 anos de ciência cearense ganham escala pioneira

    A biofábrica instalada em Jaguaretama (CE) não é apenas uma unidade industrial, mas o desfecho de um ciclo de inovação que começou há mais de 40 anos nos laboratórios da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Liderados pelo professor emérito José Fer, os estudos iniciais na Faculdade de Veterinária da instituição evoluíram para tecnologias disruptivas de desidratação e formulação nutricional, culminando em dois produtos-chave: a água de coco em pó — de alto valor agregado e longa vida útil — e o ACP Lacte, um composto nutricional à base de leite de cabra enriquecido com proteínas e minerais.

    Ação em 2 mil litros por dia: como o Ceará virou polo de biotecnologia tropical

    A planta operada pela ACP Nutrition tem capacidade para processar até 2 mil litros de água de coco por dia, utilizando técnicas avançadas de liofilização e encapsulamento que preservam nutrientes essenciais como potássio, magnésio e vitaminas do complexo B. A iniciativa, além de fortalecer a cadeia produtiva do coco no semiárido cearense, abre frentes em setores estratégicos: suplementos esportivos, fórmulas infantis e até dietas hospitalares. “É um salto tecnológico que coloca o Nordeste no mapa global das biofábricas”, afirma o coordenador do projeto na Uece, que preferiu não ser identificado.

    Agroindústria e caprinocultura: o efeito multiplicador do interior cearense

    O empreendimento vai além da água de coco. Ao integrar a caprinocultura — setor tradicional no Nordeste e forte na agricultura familiar — ao processamento industrial, o projeto cria um ecossistema sinérgico. Produtores rurais da região passam a fornecer leite de cabra para o ACP Lacte, enquanto as agroindústrias de coco garantem matéria-prima para a desidratação. Especialistas calculam que a biofábrica pode movimentar R$ 500 milhões anuais até 2030, com impacto direto em 300 empregos formais e indiretos em 1,2 mil famílias da região.

    Saúde pública e esportes: os novos mercados para a água de coco em pó

    O produto final tem propriedades que o tornam atrativo para políticas públicas. Em formato de pó, a água de coco pode ser utilizada em merendas escolares de forma prática e nutritiva, especialmente em regiões com dificuldade de acesso a alimentos frescos. Além disso, sua composição rica em eletrólitos a posiciona como suplemento ideal para atletas de alto rendimento, substituindo bebidas isotônicas industrializadas. “Estamos falando de um alimento funcional com custo competitivo e potencial para substituir importações”, destaca um nutricionista envolvido na validação do produto.

    O que vem pela frente: exportação e parcerias internacionais

    Com a biofábrica já em operação desde a última terça-feira (8/7), a ACP Nutrition negocia acordos com distribuidores na Ásia e Europa para exportar o pó de água de coco a partir de 2027. A expectativa é de que o Ceará se torne um hub de biotecnologia tropical, replicando o modelo em outros estados do Nordeste. Enquanto isso, a Uece já estuda novas aplicações para as tecnologias desenvolvidas, incluindo a produção de extratos vegetais para a indústria farmacêutica.