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  • Surto de mosca-varejeira avança nos EUA: 41 casos em um mês e risco à pecuária do Texas

    Surto de mosca-varejeira avança nos EUA: 41 casos em um mês e risco à pecuária do Texas

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou, entre 3 de junho e 20 de julho de 2026, um total de 41 infestações por mosca-varejeira (*Cochliomyia hominivorax*), com 97,5% dos casos concentrados no sul do Texas — um dos principais polos da pecuária bovina norte-americana. A disseminação acelerada do parasita, que ataca tecidos vivos de animais, tem mobilizado equipes de vigilância sanitária, que já encerraram 29 ocorrências e mantêm outras 12 sob monitoramento.

    Texas se torna epicentro da crise sanitária

    Dos 41 registros, 40 foram confirmados no Texas, enquanto uma única ocorrência foi identificada no sudeste do Novo México. A proximidade com a fronteira mexicana aumenta o risco de entrada do vetor em territórios com alta concentração de rebanhos, segundo alertas do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do USDA.

    Risco global e barreiras sanitárias

    O avanço da mosca-varejeira na América Central e seu recente retorno ao México — onde o parasita havia sido erradicado em 2006 — eleva o grau de preocupação das autoridades americanas. O movimento de animais entre os países, especialmente gado e equinos, é monitorado de perto para evitar a introdução do vetor em regiões ainda livres da praga, como os estados do sul dos EUA.

    Controle biológico e desafios logísticos

    Diante da crise, o USDA ampliou o uso de técnicas de controle biológico, como a liberação de machos estéreis para reduzir a população do inseto, além de inspeções sistemáticas em propriedades rurais. No entanto, especialistas destacam que a eficácia dessas medidas depende da rápida identificação dos focos, uma vez que a mosca-varejeira pode causar danos irreversíveis ao gado, incluindo mortes e queda na produtividade.

  • Bicheira-do-novo-mundo ressurge nos EUA: 15 casos confirmados e alerta de US$ 1,8 bi na pecuária

    Bicheira-do-novo-mundo ressurge nos EUA: 15 casos confirmados e alerta de US$ 1,8 bi na pecuária

    O cenário sanitário na América do Norte segue em alerta máximo após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmar, no último dia 21 de junho, três novos diagnósticos de bicheira-do-novo-mundo em rebanhos do Texas. Com isso, os casos registrados no país já somam 15, segundo boletim oficial emitido pela agência federal.

    O retorno de um patógeno letal

    A parasitose, causada pela *Cochliomyia hominivorax*, estava erradicada das criações comerciais norte-americanas desde meados dos anos 1960 — um marco histórico para a biosseguridade do setor. A detecção recente, no entanto, representa uma ruptura crítica na cadeia de controle sanitário, com potencial para gerar prejuízos estimados em US$ 1,8 bilhão ao setor pecuário, conforme projeções preliminares da Associação de Pecuaristas dos EUA.

    Primeiro caso doméstico e cronologia do surto

    O foco inicial da doença surgiu há quase três semanas, quando um bezerro do Texas foi diagnosticado com a parasitose — o primeiro caso doméstico em seis décadas. Desde então, as autoridades sanitárias intensificaram fiscalizações e monitoramentos, mas a rápida disseminação do parasita carnívoro, que se alimenta de tecidos vivos, já compromete a eficácia de medidas isoladas. A Agência de Defesa Agropecuária do Texas (TDA) alertou que a praga pode se alastrar para outros estados se não houver coordenação imediata entre os governos estaduais e federal.

    Risco multidisciplinar: da pecuária ao comércio global

    Os impactos da bicheira-do-novo-mundo vão além das perdas financeiras diretas. Caso a doença escape do controle atual, o USDA poderá impor restrições à exportação de carne bovina norte-americana, afetando mercados como China e União Europeia — principais compradores do produto. Além disso, a letalidade do parasita (que ataca animais vivos, inclusive humanos em casos raros) exige protocolos rigorosos de quarentena e sacrifício sanitário, onerando ainda mais os produtores rurais.

  • Mosca-varejeira avança nos EUA e ameaça rebanho bovino já reduzido pela seca

    Mosca-varejeira avança nos EUA e ameaça rebanho bovino já reduzido pela seca

    A mosca-varejeira do Novo Mundo, um dos parasitas mais temidos pela pecuária global, voltou a assombrar os Estados Unidos. Desde a detecção dos primeiros casos no sul do Texas, o avanço do inseto tem superado as expectativas das autoridades sanitárias, com 12 infecções confirmadas até esta semana — incluindo bovinos, ovelhas, caprinos e até animais domésticos.

    Focos se espalham além da zona inicial

    O alerta ganhou proporções maiores após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) identificar novos focos a cerca de 320 km do epicentro inicial no Texas. Até então, a estratégia de contenção previa um controle mais restrito, mas a dispersão do parasita sinaliza que a crise pode se prolongar por anos, segundo especialistas.

    Cenário crítico: seca e rebanho encolhido

    O problema ocorre num momento delicado para a pecuária americana, que enfrenta o menor rebanho bovino em 75 anos, resultado de uma seca prolongada que reduziu pastagens e elevou os custos de produção. A combinação de fatores — parasita, estiagem e estrutura fragilizada — deixa o setor em alerta máximo, com risco de impactar não só os EUA, mas também o mercado global de proteína animal.

    Efeitos em cadeia para a agricultura

    Além dos prejuízos diretos aos animais infectados — que podem sofrer com miíases (larvas que se alimentam de tecidos vivos) —, a disseminação do parasita representa uma ameaça indireta a culturas agrícolas que dependem de pecuária, como a produção de grãos para ração. A situação exige respostas rápidas, mas a velocidade do avanço da mosca-varejeira desafia as medidas de contenção atuais.

  • Soja dispara no Brasil com dólar fraco e demanda global, mas safra recorde freia alta de preços

    Soja dispara no Brasil com dólar fraco e demanda global, mas safra recorde freia alta de preços

    Demanda aquecida e Real fraco impulsionam cotações

    As negociações de soja em grão no Brasil mantêm ritmo intenso, com alta de preços nos últimos dias. A demanda externa robusta e a intensificação das compras por indústrias nacionais foram os principais vetores da valorização. Segundo pesquisadores do Cepea, a depreciação do Real frente ao dólar também contribuiu para tornar a soja brasileira mais competitiva no mercado global.

    Safra recorde global, mas Brasil mantém produção estável

    O USDA elevou a estimativa de produção mundial de soja para a safra 2025/26 a 429,2 milhões de toneladas, um novo recorde e 0,4% acima da projeção anterior. No entanto, a oferta ampla — especialmente nos principais produtores — tem atuado como um freio para altas mais expressivas nos preços. O Brasil, segundo maior produtor global, deve colher 180 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo dos 180,25 milhões projetados pela Conab. Já a Argentina teve sua projeção revisada para cima, chegando a 50 milhões de toneladas, mas ainda 2,2% inferior à safra passada.

    O que esperar para os próximos meses?

    A combinação de uma safra recorde com demanda aquecida cria um cenário de volatilidade nos preços da soja. Enquanto a desvalorização do Real mantém as exportações brasileiras competitivas, a abundância de oferta no mercado internacional deve conter pressões inflacionárias no grão. Produtores e traders devem monitorar de perto os desdobramentos cambiais e as políticas comerciais globais, que podem redefinir a dinâmica de preços nos próximos meses.

  • Bicheira-do-Novo-Mundo avança no Texas: parasita erradicado há 50 anos volta a assombrar a pecuária norte-americana

    Bicheira-do-Novo-Mundo avança no Texas: parasita erradicado há 50 anos volta a assombrar a pecuária norte-americana

    Um velho inimigo ressurge: a praga que já aterrorizou a América

    A confirmação de casos da bicheira-do-novo-mundo (New World Screwworm) no Texas reacendeu o alerta sanitário nos Estados Unidos. Três bezerros, uma cabra e um cão foram diagnosticados com a Cochliomyia hominivorax, mosca cujas larvas se alimentam de tecidos vivos, provocando lesões graves, perdas produtivas e, em casos extremos, a morte dos animais.

    A presença do parasita no país, erradicado desde 1966, surpreende por reverter décadas de controle rigoroso. O USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) já iniciou ações de contenção, mas a situação evidencia uma ameaça que o Brasil e outros países tropicais enfrentam há anos: a dificuldade de monitorar rebanhos em larga escala.

    Da erradicação ao caos: como a praga escapou do controle

    A Cochliomyia hominivorax não é uma doença nova, mas sua volta aos EUA após 50 anos de ausência revela falhas críticas na vigilância sanitária. A mosca, que deposita ovos em feridas ou áreas úmidas do animal, tem larvas que se alimentam vorazmente de carne viva — um processo conhecido no Brasil como “bicheira”.

    Nos EUA, a notícia gerou pânico entre pecuaristas, que não estão acostumados a lidar com a praga. No entanto, para o Brasil, onde a infestação é endêmica em regiões como a Amazônia e o Centro-Oeste, o cenário é familiar. A falta de controle pode levar a prejuízos milionários, já que a doença reduz a produtividade leiteira e de carne, além de aumentar os custos com veterinários e medicamentos.

    Consequências e lições: o que os EUA podem aprender com o Brasil

    A situação no Texas serve como um alerta global. Enquanto os EUA tentam conter a praga com armadilhas, inspeções e sacrifício de animais infectados, o Brasil desenvolveu estratégias como o Programa Nacional de Combate à Bicheira, que inclui controle químico, biológico e educação rural.

    A volta da Cochliomyia hominivorax aos EUA não é apenas um problema local, mas um reflexo de como a globalização e as mudanças climáticas podem facilitar a disseminação de pragas. A pecuária norte-americana, acostumada a padrões sanitários elevados, agora enfrenta um desafio que muitos países em desenvolvimento já dominam — ou pelo menos tentam.

  • USDA decreta emergência sanitária: mosca-da-bicheira avança no Texas e ameaça pecuária e animais domésticos

    USDA decreta emergência sanitária: mosca-da-bicheira avança no Texas e ameaça pecuária e animais domésticos

    EUA em alerta: parasita mortal salta de bovinos para cães no Texas

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em comunicado oficial emitido na última semana, confirmou a disseminação da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax), um parasita de alto poder destrutivo para a pecuária, em novos focos no estado do Texas. A praga, que já dizimava rebanhos bovinos, registrou seu primeiro caso em um cachorro doméstico, elevando o alerta sanitário a um patamar crítico.

    Até esta segunda-feira (8 de junho de 2026), as autoridades texanas contabilizam quatro ocorrências ativas da doença desde o início do mês, com vítimas em dois condados distantes entre si: La Salle e Andrews. A infecção mais recente, registrada em um bezerro de três semanas, acendeu o sinal vermelho para a cadeia produtiva de carne americana, já fragilizada por surtos anteriores.

    Plano emergencial contra a mosca-da-bicheira: o que está em jogo?

    Diante do cenário, o USDA anunciou um plano de erradicação biológica, que inclui o uso de tecnologias de controle populacional do inseto — como a liberação de machos estéreis — e monitoramento intensivo em propriedades rurais. A praga, que deposita ovos em feridas abertas de animais, pode matar hospedeiros em até 10 dias, gerando prejuízos milionários.

    O risco de alastramento para outros estados americanos, como Oklahoma e Louisiana — regiões com forte atividade pecuária —, mantém a Casa Branca em estado de alerta. Especialistas alertam que, sem ações imediatas, a mosca-da-bicheira pode se tornar uma ameaça nacional, similar ao surto de febre aftosa na década de 2000.

    Impacto econômico e consequências para donos de animais

    O caso do cachorro infectado em Andrews, único registro em pet no país, expõe uma nova frente de batalha para veterinários e tutores. Embora raro, a transmissão para cães — que também podem ser hospedeiros — exige atenção redobrada em áreas afetadas. A doença, conhecida por causar necrose tecidual, já levou à eutanásia de animais em surtos anteriores no México e na América Central.

    Produtores rurais do Texas, por sua vez, enfrentam um duplo desafio: proteger o rebanho e evitar embargos internacionais. Países como China e Japão, principais importadores de carne americana, já haviam elevado barreiras sanitárias após casos esporádicos da praga em 2024. Agora, com a confirmação de novos focos, o temor é de restrições comerciais ainda mais severas.

  • Mosca-da-bicheira, erradicada há 60 anos, ressurge nos EUA e expõe fragilidade da pecuária americana

    Mosca-da-bicheira, erradicada há 60 anos, ressurge nos EUA e expõe fragilidade da pecuária americana

    A volta da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) ao território norte-americano, após 60 anos de erradicação, coloca em xeque a cadeia produtiva de gado dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou na última quarta-feira (3) o primeiro caso moderno da praga — detectada em um bezerro de três semanas no Texas, estado que lidera a produção bovina nacional.

    Uma praga que volta para assombrar os criadores

    A bicheira-do-novo-mundo, como é conhecida no meio rural, é um parasita que deposita ovos em feridas de animais vivos, cujas larvas se alimentam do tecido do hospedeiro, causando infecções graves e, em casos extremos, a morte. A última ocorrência documentada nos EUA havia sido em 1966, quando o país iniciou um programa de erradicação que durou mais de duas décadas e consumiu US$ 250 milhões à época.

    Contexto: um rebanho já fragilizado

    O ressurgimento da praga coincide com o menor rebanho bovino dos EUA desde 1951, segundo dados do USDA. A redução de 2% no plantel em 2025 — impulsionada por secas, custos elevados e mudanças na demanda global — deixa o setor ainda mais vulnerável. Em 2026, os EUA abatem cerca de 32,5 milhões de cabeças de gado, quantidade insuficiente para atender ao consumo interno e às exportações.

    “A detecção em um animal jovem é especialmente preocupante”, avalia o epidemiologista Dr. Marcus Oliveira, da Universidade do Texas A&M. “As larvas da mosca-da-bicheira não apenas debilitam o gado, como também comprometem a qualidade da carne, podendo inviabilizar exportações para mercados exigentes como China e União Europeia.”

    Riscos econômicos e medidas emergenciais

    O USDA já ativou protocolos de contenção, incluindo a quarentena da propriedade onde o animal foi diagnosticado e o monitoramento de rebanhos vizinhos. Além disso, a agência estuda a importação de moscas estéreis — técnica usada na erradicação anterior — para conter a proliferação. No entanto, especialistas alertam que o tempo de resposta é crucial: cada dia de atraso pode significar centenas de milhares de dólares em prejuízos.

    Para a pecuária brasileira, o cenário acende um alerta amarelo. “O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e compete diretamente com os EUA no mercado asiático”, destaca a analista da Safras & Mercado, Fernanda Costa. “Qualquer interrupção na cadeia americana pode abrir brechas para nós, mas também expõe nossas próprias vulnerabilidades sanitárias.”

  • Mercado de algodão afrouxa: pressão externa derruba cotações e acende alerta no agro

    A escalada dos preços do algodão em pluma, que vinha sustentando a rentabilidade dos produtores rurais desde o início do ano, encontrou um obstáculo inesperado nos últimos dias. A pressão externa, combinada com a hesitação de compradores globais, forçou uma correção nas cotações, ainda que os valores permaneçam em patamar elevado na comparação mensal.

    O que derrubou as cotações na semana passada?

    A queda dos preços internacionais, especialmente na Bolsa de Nova York (ICE Futures), foi o estopim para a retração local. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a desvalorização externa levou parte dos agentes de mercado a postergações de negócios, aguardando definições mais concretas. Enquanto alguns vendedores flexibilizaram suas ofertas, outros mantiveram firmes suas tabelas de preços, criando um cenário de incerteza.

    Compradores retraem: indústria reduz valores para fechar novos contratos

    Do lado da demanda, as indústrias têxteis passaram a oferecer valores mais baixos para novas aquisições. A justificativa, segundo analistas do Cepea, está na dificuldade de repassar os custos aos produtos finais — como tecidos e fios — em um mercado já pressionado pelo poder aquisitivo reduzido dos consumidores. Essa postura enfraqueceu ainda mais as cotações, que vinham se sustentando artificialmente pela escassez de oferta.

    China e EUA: dois fatores-chave no tabuleiro do algodão

    O mercado internacional segue de olho nas tratativas comerciais entre China e Estados Unidos. Qualquer anúncio de redução nas compras chinesas de algodão norte-americano — principal produtor global — poderia agravar a queda dos preços. Além disso, o recente relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revelou uma desaceleração nas exportações do país, sinalizando que a demanda internacional não consegue absorver os estoques atuais a preços elevados.

    O que muda para o produtor rural brasileiro?

    Para os cotonicultores brasileiros, a volatilidade recente é um lembrete de que a alta dos preços pode ser efêmera. Com a colheita da safra 2023/24 em andamento, muitos apostavam em preços atrativos para cobrir os custos de produção, que incluem insumos caros e mão de obra. Agora, o cenário exige cautela: a queda temporária pode se tornar permanente se a demanda global não se recuperar rapidamente. Especialistas do Cepea recomendam que os produtores avaliem estratégias de hedge para proteger suas receitas.

    Perspectivas: até onde pode ir essa queda?

    Ainda é cedo para cravar um novo patamar para o algodão, mas os sinais são de que o mercado está em fase de ajustes. A combinação de estoques altos nos EUA, incerteza na China e a postura retraída dos compradores pode levar a cotações mais próximas das médias históricas nos próximos meses. No entanto, fatores climáticos — como a seca em regiões produtoras — ainda podem interferir nas projeções.

  • Arroz: queda nos preços e alerta global; estoques recuam enquanto consumo bate recorde

    Arroz: queda nos preços e alerta global; estoques recuam enquanto consumo bate recorde

    A cotação do arroz em casca no Rio Grande do Sul segue em queda, mergulhando o setor em um cenário de baixa liquidez, cautela dos compradores e resistência dos produtores. Segundo o Cepea, a desvalorização do dólar frente ao real enfraqueceu ainda mais as cotações ao reduzir a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, desacelerando a demanda externa — que até então sustentava os preços.

    O que dizem os dados globais: produção em queda e consumo em alta

    Novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra mundial 2026/27 revelam um cenário de equilíbrio frágil. A produção global de arroz beneficiado deve atingir 537,9 milhões de toneladas, 0,9% menor do que na temporada 2025/26. Enquanto isso, o consumo global bate recorde: 541,3 milhões de toneladas, um aumento de 0,7% em relação ao período anterior.

    Estoques mundiais em declínio: a pressão sobre os preços

    Os estoques finais de arroz devem recuar 1,8%, fechando a safra 2026/27 em 192,7 milhões de toneladas. A relação estoque final/consumo cairá para 35,6% — contra 36,5% em 2025/26 —, um indicador que reforça a tensão nos mercados. Para o Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já revisou para baixo a estimativa da safra 2025/26, embora em patamar menos acentuado que o cenário global.

    Dólar fraco e exportações: o Brasil perde fôlego

    A valorização do real frente ao dólar, somada à queda das cotações internacionais, prejudicou as exportações brasileiras. Com o produto nacional ficando mais caro no exterior, os compradores estrangeiros passaram a buscar alternativas em países como Índia e Tailândia, tradicionais fornecedores. A redução da demanda internacional, que antes ajudava a segurar os preços, agora contribui para a pressão baixista no mercado doméstico.

    Perspectivas para o produtor: vender agora ou esperar?

    No Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país, os agricultores enfrentam um dilema. Com os preços em queda e a incerteza sobre a próxima safra, muitos optam por adiar vendas na expectativa de uma recuperação. No entanto, especialistas alertam que, diante do cenário de estoques apertados e consumo crescente, a pressão pode se intensificar nos próximos meses. A estratégia de guardar a produção pode não ser suficiente para conter as perdas, caso a safra global confirme as projeções de retração.

    Um setor em transformação: o que esperar a médio prazo?

    O mercado de arroz vive um momento de reavaliação de estratégias. Para os consumidores, a tendência é de preços mais estáveis ou até ligeiramente altos, devido à redução dos estoques. Já para os produtores, a adaptação será essencial: seja investindo em tecnologia para aumentar a produtividade, seja diversificando culturas para mitigar riscos. Enquanto o USDA projeta um equilíbrio delicado entre oferta e demanda, o Brasil precisa urgentemente recuperar competitividade para não perder espaço no comércio global.