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  • Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, dados revelaram que a irrigação no Brasil pode se tornar um dos principais motores de transformação do agronegócio nos próximos anos. Um levantamento conjunto entre a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e pesquisadores da USP/Esalq indicou que a área irrigada no país poderia saltar dos atuais 8,2 milhões de hectares para impressionantes 55,8 milhões de hectares — um crescimento de mais de cinco vezes.

    Oportunidade estrutural para o agro brasileiro

    A irrigação surge como uma solução estratégica para mitigar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em regiões como o Centro-Oeste e Nordeste, onde fenômenos como o El Niño ameaçam colheitas. Segundo especialistas, a expansão da área irrigada não só aumentaria a produtividade como também reduziria riscos sazonais, garantindo safras mais estáveis e previsíveis.

    Impacto econômico e social

    A projeção de 55,8 milhões de hectares irrigados não é apenas uma questão de escala, mas de impacto econômico. O estudo estima que a medida poderia gerar milhares de novos empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a segurança alimentar do país, reduzindo a dependência de importações e consolidando o Brasil como um dos maiores produtores globais de grãos e commodities.

    Integração com inovação tecnológica

    Para atingir esse potencial, a expansão da irrigação exigirá não apenas investimentos em infraestrutura, mas também a adoção de tecnologias avançadas, como sistemas de irrigação de precisão e monitoramento por satélite. A ABIMAQ já sinalizou a necessidade de políticas públicas que fomentem o setor, incluindo linhas de crédito específicas e incentivos fiscais para produtores rurais.

    Enquanto o Brasil debate formas de driblar a crise hídrica e climática, a irrigação se apresenta como uma resposta concreta — e urgente — para garantir o futuro do agro nacional.

  • Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada e impulsionar agro com US$ 120 bi em investimentos

    Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada e impulsionar agro com US$ 120 bi em investimentos

    A fronteira agrícola brasileira, uma das maiores do mundo, ainda opera com apenas uma fração do seu potencial em irrigação. Segundo o levantamento “Brasil Irrigado 2035: O Futuro que a Água Pode Regar”, divulgado nesta quarta-feira (17/06/2026) pela ABIMAQ em parceria com a USP/ESALQ, o país detém capacidade técnica e territorial para multiplicar por cinco a área atualmente irrigada — um salto de 8,2 milhões para 55,8 milhões de hectares.

    De pastagens a celeiros: onde está o ouro verde do Brasil

    O estudo mapeou que 48% do potencial identificado — cerca de 27 milhões de hectares — está em áreas hoje ocupadas por pastagens degradadas ou de baixa produtividade. Regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Centro-Oeste e partes do Nordeste aparecem como prioridades para essa transição, que poderia gerar um acréscimo de até R$ 120 bilhões anuais ao PIB agropecuário brasileiro até 2035.

    Irrigação além da safra: os efeitos multiplicadores

    A ampliação do uso da água não se limita a aumentar a produtividade das culturas já existentes. O estudo aponta três impactos estruturais: 1) Redução das desigualdades regionais, ao permitir que pequenos e médios produtores ingressem em cadeias de valor antes dominadas por grandes empresas; 2) Estabilização da produção em períodos de seca, diminuindo perdas anuais de R$ 15 bilhões causadas por estiagens; 3) Criação de 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos na cadeia de insumos, máquinas agrícolas e logística.

    Os nós que precisam ser desatados

    Para concretizar o cenário, o levantamento elenca três gargalos principais: a) Financiamento: Apenas 15% dos recursos necessários (estimados em R$ 450 bilhões até 2035) estão assegurados via programas públicos como o Moderfrota e o ABC+. b) Infraestrutura: 60% das áreas com potencial irrigável não possuem acesso a fontes hídricas confiáveis ou redes de distribuição adequadas. c) Capacitação: Falta de mão de obra qualificada para operação e manutenção dos sistemas, especialmente em regiões como o Semiárido Nordestino.

    O que dizem os especialistas

    Para o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Lazarini, da USP/ESALQ, a irrigação é “a única forma de tornar a agricultura brasileira verdadeiramente competitiva frente a países como Austrália e Estados Unidos”. Já o presidente da ABIMAQ, José Velloso, alerta: “Sem políticas públicas coordenadas e investimentos privados, o Brasil corre o risco de perder uma década de oportunidades enquanto a Índia e a China aceleram seus programas de irrigação”.

    Enquanto o país discute reforma tributária e controle de gastos, o estudo sugere que a irrigação poderia ser incluída como prioridade nacional em acordos de clima, já que cada hectare irrigado evita a emissão de até 3 toneladas de CO₂ equivalente por ano — um ativo ambiental para o Brasil perante o mercado de carbono.