Autor: Roberto Neves

  • Bahia Farm Show 2026: R$ 14 bilhões em crédito e modernização do agro com programa Move Brasil

    Bahia Farm Show 2026: R$ 14 bilhões em crédito e modernização do agro com programa Move Brasil

    A Bahia Farm Show, principal vitrine de inovação no agronegócio do Norte e Nordeste, iniciou sua 20ª edição na segunda-feira, 8 de junho de 2026, em Luís Eduardo Magalhães (BA), com um discurso de renovação para o setor. O evento, que se estende até esta terça-feira (9), reuniu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o governador Jerônimo Rodrigues, além dos ministros André de Paula (Agricultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), para anunciar medidas estruturantes para o campo.

    Move Brasil: R$ 14 bilhões para modernizar a agricultura

    O destaque da programação foi o lançamento oficial do programa Move Brasil, iniciativa do Ministério da Agricultura que disponibilizará R$ 14 bilhões em crédito para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas. A medida tem como objetivo reduzir a defasagem tecnológica no campo, permitindo que produtores rurais atualizem suas frotas — como tratores, colheitadeiras e sistemas de irrigação — com juros subsidiados e prazos alongados.

    A estratégia busca atacar um gargalo histórico do agro nacional: a baixa mecanização em regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a produtividade ainda sofre com a falta de infraestrutura moderna. Segundo projeções do governo, a iniciativa pode elevar em até 20% a eficiência média das lavouras nos próximos três anos, além de impulsionar a indústria de máquinas agrícolas, gerando empregos indiretos no setor.

    Políticas públicas e o futuro do agronegócio baiano

    A abertura da feira também serviu como palco para reforçar compromissos do governo estadual com o desenvolvimento rural. Jerônimo Rodrigues anunciou a ampliação de R$ 2 bilhões em investimentos para infraestrutura hídrica no Oeste da Bahia, região crítica para a produção de soja e milho. A medida inclui recursos para construção de barragens e recuperação de aquíferos, essenciais para mitigar os efeitos das secas recorrentes.

    Para especialistas ouvidos pela reportagem, os anúncios refletem uma mudança de estratégia do governo federal, que passa a priorizar o crédito como ferramenta de política agrícola, em vez de apenas subsídios diretos. “O Move Brasil é um sinal de que o Estado finalmente entendeu que a modernização do campo passa pela atualização tecnológica, não apenas pela ajuda financeira”, avalia a economista rural Sônia Mendes, da Universidade Federal da Bahia.

    Feira como termômetro do agro nacional

    Com mais de 300 expositores e 50 mil visitantes esperados, a Bahia Farm Show 2026 se consolida como um termômetro do setor. A edição deste ano destaca tecnologias como agricultura de precisão, uso de drones na pulverização e sistemas de irrigação inteligentes, que prometem reduzir o desperdício de água em até 30%. Empresas como John Deere, Case IH e a brasileira Stara apresentam soluções voltadas para a sustentabilidade, alinhadas às exigências do mercado europeu e asiático.

    Enquanto o Brasil busca se firmar como maior exportador global de alimentos, eventos como este reforçam a necessidade de políticas públicas que acompanhem a velocidade das inovações. “A Bahia Farm Show não é apenas uma feira; é um laboratório vivo do agro do futuro”, resume o secretário de Agricultura da Bahia, Paulo Câmera. A edição de 2026 termina nesta terça-feira (9), mas os impactos dos anúncios já começam a ser sentidos nas cadeias produtivas do país.

  • Programa Brasil Soberano facilita crédito: redução de 5% para 1% amplia acesso a empresas afetadas por conflitos e tarifas

    Programa Brasil Soberano facilita crédito: redução de 5% para 1% amplia acesso a empresas afetadas por conflitos e tarifas

    Crédito mais acessível para empresas em crise

    O governo federal colocou em vigor, ontem (8), as novas regras do Plano Brasil Soberano, reduzindo de 5% para 1% o percentual mínimo de impacto no faturamento exigido para empresas acessarem linhas de crédito. A mudança, anunciada na última semana, entrou em vigor excepcionalmente no início de junho para agilizar o apoio a setores pressionados por tarifas estrangeiras ou conflitos globais.

    Quem será beneficiado — e como

    Os grupos 1 e 3 do programa foram priorizados na reforma. No grupo 1, entram exportadores de bens industriais e fornecedores prejudicados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Já o grupo 3 abrange empresas afetadas pelos impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio, desde que comprovem perdas financeiras mínimas de 1% em seu faturamento anual.

    Riscos da flexibilização: controle para evitar abusos

    Apesar da ampliação do acesso, o governo manteve critérios para evitar que a medida se torne um mero subsídio sem controle. As empresas interessadas devem apresentar laudos técnicos que comprovem o impacto real, além de passarem por análise de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela gestão dos recursos.

    Contexto: por que agora?

    A reformulação do Plano Brasil Soberano reflete um cenário de incertezas externas. Nos últimos 12 meses, as exportações brasileiras sofreram com barreiras comerciais impostas por parceiros estratégicos e a volatilidade nos mercados de commodities, agravada pela guerra na Ucrânia e tensões no Mar Vermelho. Segundo dados do Ministério da Economia, o volume de exportações de produtos industrializados caiu 3,2% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações de insumos para a indústria cresceram 2,7%.

    Próximos passos: fiscalização e ajustes

    O Ministério da Fazenda anunciou que monitorará trimestralmente os resultados da medida, com possibilidade de revisão dos critérios em dezembro de 2026. Caso os recursos sejam esgotados antes do esperado ou haja indícios de fraude, o governo poderá restringir novamente os requisitos ou aumentar a fiscalização sobre as empresas beneficiadas.

  • Toyota Corolla sobe até R$ 3.100 em junho de 2026 e ultrapassa R$ 210 mil na versão híbrida

    Toyota Corolla sobe até R$ 3.100 em junho de 2026 e ultrapassa R$ 210 mil na versão híbrida

    Corolla sobe de patamar: preços inflados em meio à queda de participação

    A Toyota anunciou em junho de 2026 um reajuste nos preços do Corolla, elevando os valores em até R$ 3.100. Enquanto a versão de entrada XEi agora começa em R$ 177.590, a versão híbrida topo de linha Altis Premium atinge R$ 210.090. O movimento ocorre em um momento delicado para o modelo, que, apesar de ainda liderar o segmento com mais de 2.200 unidades emplacadas mensalmente, viu sua participação de mercado cair de 57,6% em maio de 2025 para 54,7% atualmente.

    Concorrência eletrificada pressiona o tradicional

    O aumento de preços do Corolla coincide com a crescente oferta de sedãs eletrificados no mercado brasileiro, como o BYD King, que apresentam preços mais acessíveis e tecnologia de propulsão moderna. Enquanto o Corolla mantém sua motorização tradicional e equipamentos inalterados, a estratégia de reajuste pode acelerar a perda de mercado para rivais que apostam em soluções elétricas ou híbridas.

    Liderança ameaçada por novos hábitos de consumo

    Apesar da queda na participação, o Corolla ainda é o sedã mais vendido do Brasil, mas a pressão dos modelos eletrificados — muitas vezes mais baratos e com custo operacional reduzido — pode redefinir o mercado nos próximos meses. A pergunta que fica é: até quando o tradicionalismo do Corolla resistirá à onda de inovação que já domina outros segmentos automotivos?

  • Move Brasil: Descontos de até R$ 60 mil antecipam revolução no mercado de carros elétricos

    Move Brasil: Descontos de até R$ 60 mil antecipam revolução no mercado de carros elétricos

    Programa Move Brasil acelera adesão aos elétricos com juros atrativos

    O Programa Move Brasil, que entra em vigor em 19 de junho de 2026, promete redefinir o mercado de veículos para profissionais autônomos ao replicar o modelo de financiamento já aplicado aos caminhões. Com taxas subsidiadas e prazos estendidos a 72 meses, a iniciativa foca em taxistas e motoristas de aplicativo, exigindo apenas regularidade fiscal e histórico de 12 meses nas plataformas. O valor máximo para modelos elegíveis é de R$ 150 mil, abrindo caminho para a eletrificação de frotas em um segmento historicamente dominado por veículos a combustão.

    Peugeot lidera a ofensiva com descontos estratosféricos

    A francesa Peugeot já antecipou a estratégia e oferece os maiores abatimentos do mercado. Para motoristas de aplicativo, o 2008 Allure — SUV compacto intermediário — tem desconto de R$ 35.657, enquanto taxistas podem abater até R$ 57.368 com isenções especiais. A marca também prepara ofertas em hatchbacks e sedãs cadastrados no programa, sinalizando uma disputa agressiva pela preferência dos profissionais.

    O que esperar do Move Brasil e seu impacto no mercado

    Com o programa ainda não em vigor, mas já com montadoras em ação, a expectativa é de uma corrida por modelos elétricos antes mesmo de 19 de junho. Especialistas avaliam que a medida pode reduzir em até 40% o custo total de propriedade para taxistas e motoristas de aplicativo, comparado aos veículos a combustão convencionais. Além disso, a flexibilização de prazos e taxas pode impulsionar a demanda por SUVs, hatchbacks e sedãs elétricos, alinhando-se à meta nacional de descarbonização do transporte.

    Como participar e quais modelos já estão elegíveis

    Para aderir ao Move Brasil, os profissionais devem comprovar 12 meses de atividade ininterrupta em plataformas como Uber ou 99, além de manter a regularidade fiscal. As montadoras já divulgaram listas preliminares de modelos elegíveis, com destaque para:

    • Peugeot 2008 Allure (elétrico)
    • Outros hatchbacks, sedãs e SUVs cadastrados pelas fabricantes

    A expectativa é que mais marcas anunciem descontos nos próximos dias, intensificando a competição por clientes antes da data oficial de lançamento.

  • Opel Astra abandona hatch e vira SUV na Europa: Stellantis aposta em eletrificação e novo perfil de mercado

    Opel Astra abandona hatch e vira SUV na Europa: Stellantis aposta em eletrificação e novo perfil de mercado

    Fim de uma era: Astra deixa o hatch tradicional

    A próxima geração do Opel Astra, prevista para 2026, marcará o fim de uma era ao abandonar a carroceria hatch — característica desde os anos 1990 — para adotar um perfil de SUV ou crossover. A decisão reflete a estratégia da Stellantis, dona da marca, de realinhar seu portfólio ao gosto do mercado europeu, onde os consumidores privilegiam veículos mais altos e versáteis, mesmo em segmentos antes dominados por hatches como o Astra.

    Eletrificação e plataforma STLA: o futuro do modelo

    A transição não se limita ao design. O novo Astra será construído sobre a plataforma STLA Medium, projetada para modelos elétricos de médio porte, permitindo a adoção de baterias LFP (Lítio Ferro Fosfato) e uma arquitetura elétrica de 800V, que promete recargas ultra-rápidas e maior autonomia. Além disso, opções híbridas serão mantidas para atender a mercados onde a eletrificação total ainda não é viável.

    Perua Sports Tourer: o último resquício de uma era

    Apesar da guinada para o SUV, a Stellantis optou por preservar a versão perua, conhecida como Sports Tourer, especialmente para o mercado alemão, onde esse nicho ainda tem relevância. A decisão reforça a dualidade da marca: inovar sem perder completamente seus laços com o passado.

    Consequências para o mercado e para o Brasil

    A mudança no Astra europeu não deve impactar diretamente o Brasil, onde o modelo ainda é comercializado pela Chevrolet. No entanto, ela sinaliza uma tendência global: a migração de modelos tradicionais para soluções mais altas e tecnológicas, impulsionada pela eletrificação e pela queda de popularidade de hatches e sedãs. Para a Stellantis, trata-se de uma jogada arriscada, mas necessária para manter a competitividade em um segmento cada vez mais dominado por SUVs.

  • Conflitos no Oriente Médio forçam agricultores brasileiros a repensar estratégia de fertilizantes

    Conflitos no Oriente Médio forçam agricultores brasileiros a repensar estratégia de fertilizantes

    Pressão geopolítica derruba importações e eleva preços

    Na data de hoje, 9 de junho de 2026, os conflitos no Oriente Médio seguem criando um efeito dominó no agronegócio brasileiro. Dados da consultoria StoneX revelam que, entre janeiro e maio, o Brasil importou 14,6 milhões de toneladas de fertilizantes — um recuo de 5% em comparação ao mesmo período de 2025. A queda reflete não apenas a redução da oferta em mercados-chave, mas também a precaução de agricultores e importadores diante da volatilidade dos preços internacionais.

    Custos em alta e incerteza definem novas estratégias

    O analista de fertilizantes da StoneX, Tomás Pernías, destaca que a retração não é exclusividade do Brasil. Desde o agravamento dos conflitos na região, o mercado global tem reagido com cautela, limitando negociações e empurrando os custos para patamares menos atrativos. Produtores brasileiros, já acostumados a depender de insumos importados, agora precisam reavaliar suas estratégias, reduzindo compras de fertilizantes tradicionais e buscando alternativas mais competitivas ou nacionais.

    O que muda na safra 2026/2027?

    A pressão sobre os fertilizantes — insumos críticos para a produtividade agrícola — pode gerar dois cenários distintos: ou os produtores optam por reduzir áreas plantadas para conter custos, ou investem em tecnologias e insumos alternativos, como biofertilizantes ou fertilizantes produzidos localmente. Independentemente da escolha, a adaptação será inevitável em um mercado onde a segurança alimentar global já está em jogo.

  • FAEP defende plano emergencial para erradicar brucelose no Paraná até 2026

    FAEP defende plano emergencial para erradicar brucelose no Paraná até 2026

    Brucelose volta à pauta: Paraná mira erradicação após controle da aftosa

    O Paraná, que recentemente superou desafios como a febre aftosa, agora enfrenta um novo front: a brucelose. Na última quarta-feira (4/6), representantes do Sistema FAEP, comissões técnicas de bovinocultura, associações rurais e órgãos reguladores se reuniram para reativar o comitê estadual de combate à doença. O objetivo é traçar um plano de ação concreto, com metas a curto e médio prazos, para evitar prejuízos à pecuária paranaense — cuja sanidade é fundamental para a economia local.

    Plano emergencial: da inércia à ação coordenada

    Durante o encontro, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, classificou a brucelose como “nova missão” após a erradicação da aftosa. “Precisamos sair da inércia. Temos a estrutura, os recursos e o conhecimento para erradicar essa doença de vez”, declarou. A entidade se comprometeu a apoiar órgãos oficiais em frentes como fiscalização, vacinação e conscientização de produtores, mas cobrou agilidade na implementação das medidas.

    Risco econômico: o que está em jogo

    A brucelose, doença bacteriana que afeta bovinos e bubalinos, causa abortos espontâneos, queda na produção leiteira e inviabiliza a comercialização de animais infectados. Segundo especialistas, a falta de controle pode gerar perdas superiores a R$ 50 milhões anuais no Paraná, além de barreiras sanitárias que prejudicariam as exportações de carne e lácteos. “O Paraná não pode repetir erros do passado. A doença já foi controlada em outros estados, e temos todas as condições para fazer o mesmo”, afirmou um técnico do MAPA presente na reunião.

    Próximos passos: cobrança por resultados

    O comitê reativado terá até agosto para apresentar um cronograma detalhado, com etapas como mapeamento de propriedades com casos confirmados, treinamento de veterinários e campanhas de vacinação massiva. A expectativa é que o plano seja integrado ao Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), coordenado pelo Ministério da Agricultura. “Não adianta só discutir. Precisamos de ações concretas, com prazos e responsabilidades claras”, enfatizou Meneguette.

  • Polícia descobre 32 cabeças de gado e ossadas de cavalos em Aracruz: esquema clandestino de carne no ES mira Grande Vitória

    Polícia descobre 32 cabeças de gado e ossadas de cavalos em Aracruz: esquema clandestino de carne no ES mira Grande Vitória

    A descoberta de dezenas de carcaças de animais em uma área rural de Aracruz acendeu o alerta das autoridades para um esquema de comércio clandestino de carne no Espírito Santo. Segundo investigações, o material — composto por 32 cabeças de gado bovino e restos mortais de cavalos — seria transportado e abatido sem fiscalização, direcionando produtos potencialmente perigosos à Grande Vitória.

    Cenário suspeito em eucaliptal: denúncia leva polícia ao local

    A Polícia Civil do ES foi acionada por uma denúncia anônima e, em ação realizada na última sexta-feira (5), localizou as dezenas de carcaças espalhadas em uma plantação de eucaliptos às margens da rodovia ES-010, na Vila do Riacho. O local, isolado e de difícil acesso, sugeria a intenção de ocultar as evidências de um possível abate irregular.

    Investigação aponta para rede criminosa com alcance na Região Metropolitana

    Os delegados Leandro Piquet e Leandro Sperandio, responsáveis pelo caso, afirmam que as investigações preliminares indicam a existência de uma organização que atuaria na aquisição, transporte e abate de animais sem registros sanitários. O destino dos produtos, segundo as autoridades, seria feiras livres e estabelecimentos comerciais da Grande Vitória, onde a fiscalização é mais escassa. O comércio de carne sem inspeção representa risco à saúde pública, uma vez que não há garantia de origem ou condições higiênicas dos animais.

    Consequências: sanções e fiscalização reforçada

    O caso deve intensificar as ações da Vigilância Sanitária e da Polícia Ambiental, além de reforçar a fiscalização em pontos estratégicos da Região Metropolitana. Autoridades alertam que o comércio ilegal de carne não apenas fere a legislação sanitária, mas também pode estar ligado a outros crimes ambientais, como o transporte irregular de animais. A investigação segue em sigilo, com a expectativa de novas prisões e apreensões nos próximos dias.

  • Girolando lança IPG na Megaleite 2026: nova era na genética leiteira brasileira

    Girolando lança IPG na Megaleite 2026: nova era na genética leiteira brasileira

    Revolução na pecuária leiteira: IPG chega para transformar a seleção genética

    A pecuária leiteira brasileira ganha um aliado de peso a partir de hoje (9/06/2026). Durante a Megaleite 2026, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, em parceria com a Embrapa Gado de Leite, apresentou a nova edição dos Sumários de Touros e Vacas da raça — documentos que reúnem as mais avançadas avaliações genéticas e genômicas do setor. A grande inovação, no entanto, está no Índice de Performance do Girolando (IPG), um indicador inédito que promete revolucionar a forma como os criadores selecionam seus animais.

    Girolando: a espinha dorsal do leite brasileiro

    Responsável por cerca de 80% da produção nacional de leite, o Girolando — resultado do cruzamento entre a rusticidade do Gir e a alta produção da Holandesa — já é consolidado como a principal raça leiteira do país. Agora, com o IPG, os criadores terão acesso a uma ferramenta capaz de integrar em uma única métrica dados como produtividade, adaptabilidade tropical e longevidade, facilitando decisões estratégicas para o futuro dos rebanhos.

    Como o IPG vai mudar o jogo

    O novo índice não se limita a classificar animais por produção. Ele combina múltiplas variáveis — desde a eficiência reprodutiva até a resistência a doenças — em um score único, permitindo que os pecuaristas identifiquem rapidamente quais touros e vacas oferecem o melhor retorno econômico e zootécnico. Para a Embrapa Gado de Leite, essa é uma evolução natural em um setor que já é referência global, mas que precisa continuar se adaptando às demandas de um mercado cada vez mais competitivo.

    Impacto imediato para o setor

    A adoção do IPG representa mais do que uma atualização técnica: é um passo rumo à profissionalização da pecuária leiteira brasileira. Criadores de todo o país, que já utilizam os Sumários como guia para suas decisões, agora têm em mãos um instrumento capaz de maximizar a rentabilidade dos rebanhos. Além disso, a ferramenta chega em um momento crucial, quando a demanda por leite de qualidade deve crescer nos próximos anos, exigindo rebanhos cada vez mais eficientes.

  • Brasil pode cortar 92,6% das emissões da pecuária até 2050, revela estudo na ONU

    Brasil pode cortar 92,6% das emissões da pecuária até 2050, revela estudo na ONU

    A pecuária brasileira conquista um protagonismo inesperado em meio às discussões sobre clima: um estudo inédito revelado na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, aponta que o setor pode reduzir em até 92,6% a intensidade de suas emissões de carbono até 2050 — sem abrir mão do crescimento da produção.

    Da teoria à prática: como o Brasil pode zerar o impacto climático na pecuária

    Desenvolvido pela FGV Agro e intitulado “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil 2025 a 2050”, o levantamento foi apresentado durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária da FAO. A proposta é clara: demonstrar, com dados robustos, que o país pode atender à crescente demanda global por proteína animal enquanto lidera a agenda climática.

    Eficiência que desmonta o mito da incompatibilidade entre produção e sustentabilidade

    O estudo não se limita a projeções teóricas. Ele detalha estratégias concretas para reduzir a área de pastagens — sem prejudicar a oferta de carne bovina — e otimizar a eficiência do sistema produtivo. Entre as soluções propostas estão a adoção de sistemas integrados (como ILPF), melhorias genéticas no rebanho e a expansão de tecnologias de baixo carbono, como a biogestão de dejetos.

    FAO valida caminho brasileiro, mas cobra urgência na implementação

    A apresentação contou com a participação de representantes da FAO, que destacaram a importância do Brasil como “laboratório global para a pecuária sustentável”. No entanto, especialistas alertam: os resultados dependem de políticas públicas eficazes, investimentos em inovação e cooperação entre setor privado e governo. Sem ação imediata, o potencial de redução de emissões — que já é ambicioso — pode se tornar inalcançável.