Tag: aquicultura

  • Aquicultura no Maranhão: cultivo consorciado de camarão e tilápia dobra lucro em 90 dias

    Aquicultura no Maranhão: cultivo consorciado de camarão e tilápia dobra lucro em 90 dias

    No último dia 16 de julho de 2026, o povoado Livramento, em Carutapera (MA), tornou-se referência na aquicultura brasileira ao provar que a união de espécies em um mesmo viveiro pode ser mais do que uma alternativa econômica: é uma estratégia de negócio viável. Na propriedade do produtor rural Jader Dias, um sistema consorciado de camarão marinho e tilápia não apenas otimizou o uso da água — recurso cada vez mais escasso e caro — como também mais do que dobrou a lucratividade em apenas 90 dias de cultivo.

    Do isolamento ao lucro: como duas espécies transformaram um viveiro

    Antes restrito a modelos tradicionais de monocultura, o viveiro de 100 hectares do produtor passou a abrigar, em um de seus nove tanques, a criação simultânea de camarões (que atingiram entre 25 e 30 gramas) e tilápias (que superaram 1,1 quilo). A mágica? A sinergia entre as espécies: os resíduos orgânicos das tilápias serviram como adubo natural para o camarão, enquanto o manejo integrado reduziu a necessidade de ração em até 30%, segundo dados preliminares do projeto.

    Tecnologia e assistência: o papel decisivo do Sebraetec

    O sucesso do empreendimento não veio ao acaso. Desde a implantação da estrutura até o monitoramento diário, a assistência técnica do Sebraetec foi crucial para calibrar densidades populacionais, ajustar fluxos de água e prevenir doenças. “Sem esse acompanhamento, o risco de prejuízo seria alto. Hoje, o que era dúvida virou receita”, afirmou Dias, cuja propriedade já diversifica fruticultura, bovinocultura e apicultura. O Sebraetec, programa do Sebrae voltado à inovação tecnológica em pequenas propriedades, tem ampliado sua atuação no Maranhão, especialmente em regiões costeiras onde a aquicultura é promissora mas ainda enfrenta resistência.

    Consequências além do tanque: sustentabilidade e replicabilidade

    Os resultados em Carutapera abrem caminho para uma discussão maior no setor: a piscicultura consorciada pode ser a resposta para a crise de custos que afeta a aquicultura nacional? Com a escalada nos preços da ração e a pressão por uso racional da água, modelos como esse reduzem não só os gastos operacionais, como também o impacto ambiental. “É um ciclo virtuoso: menos desperdício, mais proteína e mais renda para o produtor”, analisa o engenheiro de pesca da Embrapa Maranhão, Dr. Antônio Mendes.

    Enquanto o Brasil ainda debate a eficiência de sistemas integrados, Carutapera já colhe os frutos. No entanto, a replicação desse modelo depende de três pilares: acesso a crédito para infraestrutura, assistência técnica qualificada e políticas públicas que incentivem a inovação. Com esses elementos, a aquicultura maranhense pode não apenas suprir o mercado interno, mas também se posicionar como exportadora de peixes e crustáceos de alta qualidade.

  • Governo libera horários flexíveis para desconto na energia de irrigantes e aquicultores

    Governo libera horários flexíveis para desconto na energia de irrigantes e aquicultores

    Descentralização do benefício tarifário

    A partir de agora, produtores rurais que dependem de energia elétrica para irrigação e aquicultura terão mais controle sobre o aproveitamento dos descontos na conta de luz. A Portaria Normativa nº 137/2026, publicada na quinta-feira, 2 de julho de 2026, pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com os ministérios da Integração, da Agricultura e da Pecuária, flexibiliza as regras para a Classe Rural, permitindo que os consumidores organizem o consumo conforme suas necessidades operacionais.

    Personalização do desconto em até 8h30 diárias

    O benefício poderá ser utilizado em um período de até 8 horas e 30 minutos por dia, dentro de um intervalo ampliado — das 21h30 às 17h do dia seguinte. Essa janela pode ser configurada de três formas: de maneira contínua, dividida em até três blocos distintos, ou ajustada sazonalmente, priorizando momentos de menor demanda no sistema elétrico. A decisão final sobre os horários, no entanto, continua sob responsabilidade do produtor, desde que respeite os limites estabelecidos.

    Impacto na produtividade e na conta de luz

    Segundo especialistas, a medida deve reduzir custos operacionais para o setor agropecuário, que enfrenta pressões com a alta dos preços da energia e a instabilidade climática. “Com a flexibilização, o produtor pode otimizar o uso da energia nos horários mais baratos e eficientes, sem depender de janelas pré-definidas”, explica um analista do setor elétrico ouvido pela reportagem. A portaria ainda abre espaço para que estados e municípios negociem adaptações regionais, desde que não firam o teto de 8h30 diárias.

    Próximos passos: regulação estadual e adesão dos consumidores

    Agora, cabe às concessionárias de energia e às agências reguladoras estaduais (como a Aneel regional) implementar as mudanças nos sistemas de faturamento. Produtores devem procurar suas distribuidoras para ajustar os contratos e garantir o acesso ao benefício nos novos moldes. A portaria já está em vigor desde sua publicação, mas o MME recomenda que os interessados regularizem suas demandas nos próximos 90 dias para evitar interrupções no desconto.

  • Pesquisa da Embrapa usa tecnologia italiana para prevenir surtos de doenças em pisciculturas brasileiras

    Pesquisa da Embrapa usa tecnologia italiana para prevenir surtos de doenças em pisciculturas brasileiras

    Um avanço científico da Embrapa Pesca e Aquicultura, sediada em Palmas (TO), promete revolucionar a gestão sanitária da piscicultura brasileira. Em pesquisa publicada na revista Frontiers in Marine Science nesta sexta-feira (19/06/2026), a equipe demonstrou como doenças em peixes podem se espalhar entre viveiros localizados em uma mesma bacia hidrográfica, graças à conectividade hidrológica — fenômeno em que corpos d’água compartilham fluxos ou conexões subterrâneas.

    Doenças que viajam pela água: o novo mapa de risco

    Utilizando um protocolo desenvolvido na Itália pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), os pesquisadores brasileiros aplicaram pela primeira vez no país uma ferramenta baseada em Sistema de Informações Geográficas (SIG). O método permitiu criar um modelo de alerta precoce para doenças em animais aquáticos, gerando um mapa detalhado que classifica os viveiros em faixas de risco: alto, médio ou baixo.

    Cooperação internacional vira solução nacional

    O projeto é fruto de um acordo de cooperação técnico-científica entre a Embrapa e o instituto italiano, que já utiliza a metodologia em sua região de origem. A adaptação para o contexto brasileiro — com suas vastas bacias hidrográficas e diversidade de espécies — abre caminho para que o Brasil adote uma estratégia proativa no combate a surtos sanitários em pisciculturas. Segundo os autores, a abordagem pode ser escalada para outras regiões do país, onde a aquicultura representa uma fatia crescente da produção de proteína animal.

    Impacto econômico e ambiental

    Além de proteger a saúde dos peixes, a ferramenta tem potencial para reduzir perdas financeiras no setor, que movimenta mais de R$ 8 bilhões anuais no Brasil. Doenças como a septicemia hemorrágica ou infecções por parasitas já causaram prejuízos milionários em estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Com o novo protocolo, autoridades e produtores poderão priorizar ações preventivas em áreas críticas, como a aplicação de barreiras sanitárias ou a realocação de viveiros.

    Para o pesquisador coordenador do estudo, a inovação representa um divisor de águas na aquicultura nacional. “Agora temos uma forma de enxergar o território não apenas como uma rede de produção, mas como um ecossistema interconectado”, afirmou. A próxima fase inclui a expansão do modelo para outras bacias e a integração com sistemas de monitoramento em tempo real.

  • Aquishow 2026: Tilapicultura brasileira em debate para superar desafios de genética e biossegurança

    Aquishow 2026: Tilapicultura brasileira em debate para superar desafios de genética e biossegurança

    A Aquishow Brasil 2026 — o maior evento do setor aquícola nacional — inicia sua edição de 2026 em 9 de junho, em Uberlândia (MG), com uma programação técnica inteiramente dedicada à tilapicultura brasileira. O tema central dos debates será os principais desafios que ainda emperram o crescimento da atividade, reunindo pesquisadores, produtores e empresas para discutir soluções práticas e inovações tecnológicas.

    Genética e biosseguridade: os pilares da produtividade

    O primeiro painel, marcado para as 9h, abordará “Alevino, juvenil/juvenil vacinado – A forma jovem ideal para seu cultivo”, mediado pelo engenheiro de pesca Luiz Felipe Porto (MAP AQUA). Entre os debatedores estão nomes como Emerson Esteves (Global Peixe), Evandro Schmitt (AcquaSul), Rodrigo Zanolo (GenoMar Genetics Brasil) e Giovano Neumann (Fazenda Santa Inês), que compartilharão experiências sobre como a seleção genética e protocolos de biossegurança podem otimizar o desempenho produtivo dos plantéis.

    Aquicultura em xeque: por que a tilapicultura precisa de inovação

    O setor de tilapicultura, apesar de seu crescimento expressivo, enfrenta gargalos como resistência a doenças, baixa eficiência alimentar e custos elevados de produção. A Aquishow 2026 surge como um palco para apresentar não apenas os problemas, mas também as soluções em andamento, desde a implementação de vacinas até o uso de tecnologias de rastreabilidade. O evento promete ser um termômetro das tendências que moldarão o futuro da aquicultura brasileira nos próximos anos.

  • Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

    Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

    A tilapicultura brasileira não apenas alcançou um marco histórico em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas de pescado cultivado, como também se consolidou como uma das cadeias produtivas mais dinâmicas do agronegócio nacional. O setor, que já representou 70% dessa produção, enfrenta agora um novo desafio: transitar de uma atividade predominantemente rural para um modelo industrial competitivo, capaz de resistir à pressão de importados asiáticos e às oscilações de mercado.

    A revolução silenciosa na produção de tilápia

    Durante o Seminário Regional de Tilapicultura, realizado no dia 7 de maio em São Miguel do Oeste (SC), o técnico Cristiano Bordignon, da ATeG Piscicultura do Sindicato Rural de São Lourenço do Oeste, apresentou um panorama revelador. “A tilápia deixou de ser uma atividade complementar para se tornar uma estratégia econômica para milhares de pequenas propriedades rurais”, afirmou. O dado mais emblemático é a participação da espécie na produção nacional: das 1 milhão de toneladas de pescado cultivado em 2025, 70% vieram da tilápia — um salto que reflete não apenas o aumento da produtividade, mas também a profissionalização do setor.

    Santa Catarina, apesar de ser o 20º estado em extensão territorial, ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção aquícola. O estado se destaca pela adoção de tecnologias avançadas, intensificação produtiva e forte integração com a agroindústria, fatores que impulsionaram seu crescimento mesmo em um cenário de alta concorrência.

    Preços em montanha-russa: de R$ 7 a R$ 10 por quilo em um ano

    A volatilidade dos preços da tilápia em 2026 foi outro ponto crítico discutido no evento. Segundo dados do Cepea, após um ciclo de forte retração em 2025, quando os valores chegaram a R$ 7 por quilo em polos como Norte do Paraná e Grandes Lagos (divisa de SP, MS e MG), a cotação iniciou 2026 com uma recuperação expressiva, superando novamente os R$ 10 por quilo. “Esse comportamento sazonal é previsível, mas a intensidade das oscilações preocupa os produtores”, explicou Bordignon.

    A pressão dos importados asiáticos, principalmente da China, agrava o cenário. Produtos estrangeiros, muitas vezes vendidos a preços abaixo do custo de produção local, inundam o mercado brasileiro, forçando os produtores nacionais a buscar alternativas para manter a competitividade. “A guerra de preços não é apenas uma questão de oferta e demanda, mas também de regulação e estratégias comerciais”, destacou o técnico.

    Sustentabilidade e inovação: o futuro do setor

    Para além dos desafios comerciais, o seminário abordou a necessidade de inovar na gestão de resíduos e na agregação de valor aos produtos. “Transformar o que antes era lixo em receita é uma das grandes oportunidades para o setor”, afirmou Bordignon. Projetos que visam o aproveitamento integral do pescado, desde a produção até a industrialização, foram apresentados como caminhos para aumentar a margem de lucro e reduzir o impacto ambiental.

    O evento, promovido pela Epagri com apoio do Sistema FAESC/SENAR, sindicatos rurais, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina e prefeitura municipal de São Miguel do Oeste, reforçou que a tilapicultura brasileira está em um momento de transição: de atividade artesanal para um modelo industrial, de complemento de renda para estratégia econômica. No entanto, a sustentabilidade desse crescimento dependerá da capacidade do setor de enfrentar os desafios regulatórios, a concorrência internacional e a volatilidade de preços — sem perder de vista a inovação e a profissionalização.

  • Peixe BR acusa União Europeia de protecionismo: suspensão ignora avanços da aquicultura nacional

    Peixe BR acusa União Europeia de protecionismo: suspensão ignora avanços da aquicultura nacional

    A União Europeia mantém a piscicultura brasileira sob embargo sanitário, mas a Peixe BR rebate: o setor de cultivo é refém de problemas que não lhe pertencem

    A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) reagiu com contundência à nova suspensão imposta pela União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais, classificando a decisão como um retrocesso que penaliza injustamente um segmento estratégico do agronegócio nacional. Em comunicado oficial, a entidade afirmou que a cadeia de aquicultura está sendo “feita de refém” por problemas sistêmicos da pesca extrativa e falhas de fiscalização que não condizem com a realidade das fazendas de cultivo de peixes no Brasil.

    De 2018 a 2024: a sombra do embargo que nunca foi superada

    A crise atual reaviva um problema que se arrasta desde 2018, quando o Brasil aplicou uma “autossuspensão” para evitar auditorias europeias que apontavam irregularidades em embarcações de pesca oceânica. No entanto, a suspensão imposta pela UE jamais diferenciou o peixe capturado no mar do produzido em cativeiro — uma distorção que, segundo a Peixe BR, ignora os avanços exponenciais da piscicultura nacional. O setor, que fechou 2023 como o 4º maior produtor mundial de tilápia, cresceu 3,1% no último ano, segundo dados do Anuário Peixe BR, consolidando-se como uma das poucas atividades do agro brasileiro com trajetória de expansão sustentável.

    Sanidade e rastreabilidade: os pilares que a UE ignora em nome do protecionismo

    O argumento central da entidade é que a aquicultura brasileira opera sob um rigor sanitário inquestionável, monitorado desde a ração até o processamento final. “Enquanto a pesca extrativa enfrenta desafios crônicos de fiscalização, nossas fazendas de tilápia, tambaqui e outros peixes cultivados seguem protocolos que garantem controle total sobre doenças e contaminantes”, explica um dirigente da Peixe BR, que pediu anonimato. A medida europeia, contudo, equipara ambos os setores, bloqueando o acesso brasileiro a um mercado que consome, em média, 24 kg de pescado per capita anualmente — enquanto a média brasileira mal ultrapassa os 9 kg.

    Barreiras não tarifárias: a estratégia velada do protecionismo europeu?

    Analistas de comércio exterior ouvidos pela reportagem destacam que a suspensão da UE pode ter motivações políticas, sobretudo em um momento de tensão nas negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia. “As barreiras sanitárias têm sido usadas como ferramentas de protecionismo disfarçado, especialmente quando o Brasil demonstra competitividade em setores como a aquicultura”, avalia a economista Ana Luiza Fontes, especialista em acordos comerciais. Segundo ela, a medida contraria não apenas os avanços técnicos do setor, mas também o compromisso da UE com a liberalização comercial.

    Impacto econômico: prejuízos que vão além das exportações

    A suspensão afeta diretamente cerca de 1.500 empresas brasileiras de cultivo de peixes, responsáveis por 700 mil empregos diretos e indiretos. A Peixe BR estima que, caso a medida se prolongue, o setor pode perder até R$ 2 bilhões em exportações anuais — um golpe duríssimo para uma cadeia que vinha se consolidando como alternativa à pesca predatória. “A UE é o nosso segundo maior mercado, atrás apenas da China. Perder esse acesso significa não apenas queda em receitas, mas também a inviabilização de investimentos em inovação e sustentabilidade”, alerta o presidente da associação, Fernando Kubitza.

    O que mudou desde 2018 e por que a UE ainda resiste?

    Desde o último embargo, o Brasil implementou uma série de melhorias, como o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) para exportações e a adoção de certificações internacionais de bem-estar animal. No entanto, a UE mantém sua postura, exigindo auditorias presenciais que, segundo críticos, são desproporcionais ao risco real apresentado pela piscicultura brasileira. “A discriminação é clara: enquanto países como Noruega e Chile, grandes exportadores de salmão, enfrentam menos barreiras para o mesmo mercado, o Brasil, mesmo com todos os protocolos, é tratado como um fornecedor de segunda linha”, comenta Kubitza.

    Perspectivas: o futuro da aquicultura brasileira em xeque

    Diante do impasse, a Peixe BR já acionou o Ministério da Agricultura e a chancelaria brasileira para mediar uma solução diplomática. “Não se trata de abrir mão de padrões sanitários, mas de reconhecer que a piscicultura é um setor distinto, com riscos controlados”, argumenta a entidade. Enquanto isso, produtores rurais de estados como Paraná, Mato Grosso e São Paulo, responsáveis por 80% da produção nacional, aguardam com apreensão as próximas movimentações da UE. Para eles, a suspensão não é apenas uma questão comercial, mas uma ameaça à sustentabilidade de um modelo que já é referência mundial em produção responsável de proteína animal.