Tag: crise automotiva

  • Lecar recua e devolve dinheiro de 90% dos clientes do 459; parceria com Dongfeng fracassa

    Lecar recua e devolve dinheiro de 90% dos clientes do 459; parceria com Dongfeng fracassa

    A Lecar, startup brasileira de mobilidade, enfrenta uma crise após devolver os valores de cerca de 90% das pré-reservas do seu primeiro modelo, o híbrido Lecar 459, ainda sem versão final produzida. Segundo o fundador da empresa, Flávio Figueiredo Assis, os reembolsos já foram concluídos para a maioria dos clientes que haviam depositado valores para garantir a compra.

    Fracasso na parceria com a Dongfeng

    Além da devolução dos valores, a Lecar também viu fracassar uma negociação para lançar um veículo elétrico em parceria com a fabricante chinesa Dongfeng. O acordo previa a comercialização do Dongfeng Box (Nammi 01) no Brasil sob a marca Lecar, como um modelo white label chamado Lecar Pop. A proposta incluía até três viagens da equipe brasileira à China para alinhamento de detalhes.

    Futuro incerto para a startup

    O fundador da Lecar não detalhou os próximos passos da empresa, mas a devolução dos valores indica um recuo estratégico diante das dificuldades em viabilizar os projetos anunciados. A falta de um veículo finalizado para o 459 e o insucesso na parceria com a Dongfeng levantam dúvidas sobre a capacidade da startup de se consolidar no competitivo mercado automotivo brasileiro.

  • Geely EX2 dispara na China enquanto BYD e Tesla sofrem quedas históricas em maio de 2026

    Geely EX2 dispara na China enquanto BYD e Tesla sofrem quedas históricas em maio de 2026

    O mercado automotivo chinês, maior do mundo, segue em trajetória de baixa. Segundo dados da CAAM (Associação de Fabricantes Automobilísticos da China), as vendas atacadistas de maio de 2026 somaram 2,629 milhões de unidades, uma queda de 2,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este é o quinto mês seguido de retração, acendendo alertas sobre a saúde do setor no ano mais desafiador desde a pandemia.

    Geely EX2 lidera crescimento enquanto BYD e Honda afundam

    No acumulado de 2026, as vendas somam 12,205 milhões de veículos, com queda de 4,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A batalha pelo topo do ranking revela um cenário de contrastes: a BYD, apesar de manter a liderança pelo terceiro mês consecutivo com 165.105 unidades vendidas, registrou queda de 37,9% nas vendas. Já a Geely, com 126.104 unidades e retração de 21,7%, consolida-se como a principal rival da BYD, superando marcas internacionais tradicionais.

    Tesla e Leapmotor têm desempenho positivo; Honda e Changan despencam

    A Tesla registrou 47.281 unidades vendidas em maio, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, enquanto a Leapmotor surpreendeu com 61.401 unidades — um salto de quase 50% na comparação anual. Em contrapartida, a Honda enfrentou um colapso de 48% nas vendas (28.165 unidades), e a Changan recuou 64%, fechando o top 20 do mês.

    Volkswagen recupera o terceiro lugar; Toyota perde posição

    Após dois meses sendo superada pela Toyota, a Volkswagen reassumiu o terceiro lugar do ranking com 97.700 unidades vendidas em maio, enquanto a Toyota registrou 90.011. A disputa entre as montadoras estrangeiras evidencia a pressão sobre marcas tradicionais frente ao avanço das chinesas, que dominam os primeiros lugares com modelos elétricos e híbridos.

  • Maserati abandona identidade italiana e entrega futuro elétrico aos chineses: parceria com Huawei e JAC revela estratégia de sobrevivência da marca

    Maserati abandona identidade italiana e entrega futuro elétrico aos chineses: parceria com Huawei e JAC revela estratégia de sobrevivência da marca

    A Maserati, outrora sinônimo de luxo e performance italiana, enfrenta agora uma encruzilhada histórica. Com vendas globais despencando de mais de 51 mil unidades em 2017 para míseros 7,9 mil em 2025 — queda de 85% em oito anos —, a fabricante de carros premium corre contra o tempo para redefinir seu futuro. A solução? Entregar o controle de seu próximo modelo elétrico aos chineses.

    A crise que forçou a virada radical

    A situação é tão crítica que a Stellantis, dona da Maserati, estuda todas as alternativas, inclusive a radical: terceirizar a produção de um carro elétrico para a China, seu principal mercado asiático — onde as vendas caíram de 14,5 mil unidades em 2017 para pouco mais de 1 mil em 2025. A estratégia não é apenas uma resposta à queda de demanda, mas uma tentativa desesperada de reduzir custos em um segmento cada vez mais dominado por gigantes chineses como BYD e NIO.

    A divisão do trabalho: o que cada empresa fará no projeto

    A parceria com a Huawei e a JAC Motors não é um mero acordo comercial, mas uma reengenharia de processos. Segundo informações da publicação chinesa Yunjian Insight, a Huawei ficará responsável pela arquitetura eletrônica, central multimídia e sistemas de condução autônoma, enquanto a JAC Motors assumirá a fabricação, estamparia e validação de P&D. A Maserati, por sua vez, ficará restrita ao design externo, interior e ajustes dinâmicos — basicamente, o mínimo necessário para manter a identidade da marca.

    O resultado será um veículo com dupla identidade: chamado Maextro no mercado chinês e Maserati para exportação. A plataforma usada será a Harmony Intelligent Mobility Alliance (HIMA), desenvolvida em colaboração com a Huawei, que promete integrar inteligência artificial e conectividade avançada — algo que a Maserati, sozinha, não teria condições de desenvolver.

    O paradoxo da sobrevivência: vender a alma para não morrer

    A decisão de delegar o futuro da marca a parceiros chineses expõe uma contradição dolorosa. A Maserati, que já foi sinônimo de engenharia de ponta e design inconfundível, agora precisa se render à realidade: sem uma linha de elétricos competitivos, ela está condenada à irrelevância. Os números não mentem. Seus atuais modelos elétricos, como o GranTurismo e o Grecale, não estão vendendo — tanto que a marca chegou a oferecer descontos de até US$ 85 mil (R$ 425 mil) nos Estados Unidos para tentar esvaziar estoques.

    Ainda assim, a estratégia tem riscos. Entregar o controle técnico e produtivo a parceiros asiáticos pode diluir a imagem de exclusividade da marca. Afinal, como justificar preços premium com uma plataforma chinesa e sistemas desenvolvidos por uma empresa que também compete com outras marcas de luxo? A resposta pode estar no marketing: vender a ideia de um “Maserati chinês” como um produto premium, mas com custos reduzidos.

    2026: o ano da virada ou da capitulação?

    Se a parceria for oficializada, o protótipo do novo modelo deve estrear em 2026 — um prazo curto para um projeto tão ambicioso. A pergunta que fica é: a Maserati conseguirá se reinventar a tempo, ou estará selando um acordo que, em poucos anos, transformará a marca em mais um apêndice asiático, perdendo sua essência italiana? Uma coisa é certa: em um mundo onde os elétricos chineses dominam o mercado, a sobrevivência pode custar muito mais do que dinheiro — pode custar a alma de uma das marcas mais emblemáticas do automobilismo.