Tag: El Niño

  • Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, dados revelaram que a irrigação no Brasil pode se tornar um dos principais motores de transformação do agronegócio nos próximos anos. Um levantamento conjunto entre a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e pesquisadores da USP/Esalq indicou que a área irrigada no país poderia saltar dos atuais 8,2 milhões de hectares para impressionantes 55,8 milhões de hectares — um crescimento de mais de cinco vezes.

    Oportunidade estrutural para o agro brasileiro

    A irrigação surge como uma solução estratégica para mitigar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em regiões como o Centro-Oeste e Nordeste, onde fenômenos como o El Niño ameaçam colheitas. Segundo especialistas, a expansão da área irrigada não só aumentaria a produtividade como também reduziria riscos sazonais, garantindo safras mais estáveis e previsíveis.

    Impacto econômico e social

    A projeção de 55,8 milhões de hectares irrigados não é apenas uma questão de escala, mas de impacto econômico. O estudo estima que a medida poderia gerar milhares de novos empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a segurança alimentar do país, reduzindo a dependência de importações e consolidando o Brasil como um dos maiores produtores globais de grãos e commodities.

    Integração com inovação tecnológica

    Para atingir esse potencial, a expansão da irrigação exigirá não apenas investimentos em infraestrutura, mas também a adoção de tecnologias avançadas, como sistemas de irrigação de precisão e monitoramento por satélite. A ABIMAQ já sinalizou a necessidade de políticas públicas que fomentem o setor, incluindo linhas de crédito específicas e incentivos fiscais para produtores rurais.

    Enquanto o Brasil debate formas de driblar a crise hídrica e climática, a irrigação se apresenta como uma resposta concreta — e urgente — para garantir o futuro do agro nacional.

  • Lula lança pacote ambiental com foco em prevenção de queimadas e recuperação de biomas

    Lula lança pacote ambiental com foco em prevenção de queimadas e recuperação de biomas

    Brasil assume protagonismo global em agenda ambiental

    Em 10 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou, no Palácio do Planalto, um pacote ambicioso de iniciativas para consolidar o Brasil como líder na proteção de biomas e no enfrentamento das mudanças climáticas. A iniciativa, apresentada durante celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), chega em um momento crítico: com a previsão de um El Niño intenso para os próximos meses, a agenda de prevenção a queimadas e desmatamento ganha urgência inédita.

    Medidas anunciadas: do concreto ao simbólico

    Entre as ações mais emblemáticas está a assinatura de decretos que ampliam áreas de conservação em todos os biomas brasileiros, além da sanção da Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga — primeira legislação específica para o bioma, que cobre 11% do território nacional. Outro ponto central é a reformulação do Fundo Nacional do Meio Ambiente, cujos repasses para estados e municípios foram simplificados para acelerar ações de prevenção a incêndios, especialmente no Cerrado e na Amazônia.

    Credibilidade internacional em jogo

    O discurso de Lula, que destacou a “credibilidade” do Brasil no cenário global, reflete a pressão sofrida pelo país nos últimos anos. Com a volta da fiscalização ambiental após um período de desmonte, o governo busca reverter críticas internacionais — como as sanções impostas por blocos econômicos em 2024 — e atrair investimentos verdes. Especialistas, no entanto, alertam: o desafio agora é garantir que as medidas não fiquem apenas no papel, sobretudo em um contexto de orçamento enxuto e resistência de setores agroindustriais.

    O que falta para virar realidade?

    A implementação do pacote depende de uma combinação de fatores: vontade política, recursos e fiscalização rigorosa. A previsão de um El Niño mais severo exige agilidade, pois a tendência é de seca prolongada em regiões já vulneráveis. Enquanto a sociedade civil comemora os avanços, ambientalistas cobram transparência nos critérios de criação das unidades de conservação e garantias de que os recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente não sejam contingenciados.

  • Inadimplência no campo explode: leilões de propriedades rurais batem recorde com crise de crédito e clima adverso

    Inadimplência no campo explode: leilões de propriedades rurais batem recorde com crise de crédito e clima adverso

    Crédito rural em colapso: 20% dos empréstimos já estão inadimplentes

    Dados compilados pela Reuters revelam que a inadimplência no crédito rural brasileiro disparou para quase 20% dos empréstimos em circulação até 15 de junho de 2026, um recorde histórico. A escalada da crise tem levado credores a acelerar a execução de garantias — sobretudo propriedades rurais —, que agora são leiloadas em ritmo acelerado em todo o país. Produtores e analistas do setor apontam para um cenário de ‘tempestade perfeita’, onde fatores econômicos, financeiros e climáticos se combinam para asfixiar o agro nacional.

    Preços em queda, custos em alta: a armadilha da soja e do milho

    O preço dos grãos, principal fonte de receita dos agricultores, não acompanha os custos de produção. Para a safra atual, produtores já desembolsam até R$ 8 mil por hectare antes mesmo da colheita — valor que inclui fertilizantes, defensivos, diesel e mão de obra. Enquanto isso, a cotação da soja e do milho segue em patamares baixos, pressionados pela supersafra global e pela demanda enfraquecida da China. ‘É como vender ouro a preço de ferro velho’, resume um produtor do Mato Grosso ouvido pela reportagem.

    Juros estratosféricos e El Niño: o golpe final nos cofres das fazendas

    As taxas de financiamento rural, que já beiram os 14% ao ano — patamar próximo ao histórico de 2003 —, somam-se à inflação de insumos agravada pelo conflito no Irã, que elevou o preço dos fertilizantes em mais de 40% desde 2024. Para piorar, meteorologistas alertam para a possibilidade de um ‘super El Niño’ entre agosto e dezembro de 2026, fenômeno que pode reduzir a produtividade das lavouras em até 30% nas regiões Centro-Oeste e Sul, segundo a Embrapa. ‘Se o clima colaborar, ainda há chance de recuperação. Mas, com esse cenário, a sobrevivência das médias e pequenas propriedades está em xeque’, avalia o economista agrícola José Roberto Mendonça de Barros.

    Leilões em alta: o que esperar do mercado de terras rurais

    O volume de propriedades rurais leiloadas em 2026 já supera em 120% o registrado em 2023, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A maioria dos imóveis à venda pertence a produtores endividados que não conseguiram honrar seus empréstimos. Especialistas do setor imobiliário rural preveem uma queda média de 25% nos preços das terras até o final do ano, especialmente nas regiões de fronteira agrícola, como o Matopiba. ‘Compradores institucionais e fundos de investimento estão aproveitando para acumular ativos a preços de liquidação’, explica a analista de agronegócios Fernanda Lima.

    Perspectivas: há saída para o setor?

    Apesar do cenário desolador, algumas alternativas emergem. O governo federal estuda a criação de um programa de renegociação de dívidas com prazos estendidos e taxas subsidiadas, semelhante ao que foi feito após a crise de 2008. Paralelamente, cooperativas e produtores apostam em diversificação de culturas — como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) — para reduzir riscos. ‘O agro brasileiro sempre foi resiliente, mas essa crise exige reformas estruturais. Não adianta apenas injetar crédito; é preciso resolver a equação de preços e custos’, alerta o presidente da CNA, João Martins.

  • El Niño e seca agravam risco de incêndios no campo: FAEP intensifica treinamentos para produtores rurais

    El Niño e seca agravam risco de incêndios no campo: FAEP intensifica treinamentos para produtores rurais

    O Paraná enfrenta um cenário preocupante com a chegada do inverno, marcado por temperaturas acima da média — fenômeno potencializado pelo El Niño, conforme alerta o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A tendência é de aumento no risco de incêndios em áreas rurais, colocando em xeque não apenas a produção agropecuária, mas também a segurança de famílias inteiras que vivem no campo.

    Queimadas já mostram trajetória crítica em 2026

    Dados da rede MapBiomas revelam que, mesmo antes da chegada oficial do inverno, o Paraná já registrava números alarmantes de incêndios entre janeiro e março de 2026. A situação exige atenção redobrada dos produtores rurais, que precisam estar preparados para um período crítico — especialmente até outubro, quando o risco tende a se agravar.

    FAEP investe em treinamentos para salvar safras e vidas

    Diante do cenário, o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) intensifica os treinamentos voltados para prevenção, combate e controle de incêndios. A iniciativa busca equipar os agricultores e pecuaristas com técnicas essenciais para evitar danos irreversíveis às lavouras, florestas e, sobretudo, à integridade física das comunidades rurais.

    Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, faz um apelo à classe: “Não dá para relaxar. O perigo maior vai até outubro, e todos precisam estar em alerta total”. A capacitação não apenas minimiza prejuízos econômicos — que podem atingir milhões — como também protege ecossistemas e a saúde pública, afetada pela fumaça e partículas tóxicas liberadas nas queimadas.

    El Niño: o vilão climático que potencializa a crise

    O fenômeno climático El Niño, responsável pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, está diretamente ligado ao aumento das temperaturas no Sul do Brasil. Segundo o Simepar, a estação seca tende a ser mais intensa, com baixa umidade relativa do ar e ventos fortes, fatores que elevam exponencialmente a probabilidade de focos de incêndio — mesmo em áreas não tradicionalmente afetadas.

    A combinação de condições climáticas adversas e a falta de preparo técnico pode transformar 2026 em um ano de perdas irreparáveis para o agronegócio paranaense. Por isso, a palavra de ordem é prevenção.

  • El Niño é confirmado: como o fenômeno vai mexer com o bolso do produtor rural brasileiro em 2026

    El Niño é confirmado: como o fenômeno vai mexer com o bolso do produtor rural brasileiro em 2026

    Na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou a chegada do El Niño, fenômeno que trará consequências diretas para o planejamento agrícola do país. Com o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, a circulação atmosférica será alterada, redistribuindo drasticamente os padrões de chuva no território nacional.

    Sul enfrenta chuvas excessivas, enquanto outras regiões temem seca

    Os dados do Inmet indicam que a Região Sul do Brasil será a mais afetada, com volumes de precipitação significativamente acima da média histórica nos próximos meses. Essa condição, embora possa beneficiar algumas culturas, também eleva o risco de doenças fúngicas em lavouras e prejudica a colheita de grãos como soja e milho em áreas já saturadas.

    Centro-Oeste, Norte e Nordeste em alerta máximo para estiagem

    Por outro lado, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem enfrentar um cenário oposto: a estiagem prolongada. A falta de chuvas, típica desse fenômeno, pode reduzir a produtividade de culturas como milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar, além de comprometer a safra de grãos 2026/2027. Produtores dessas áreas já são orientados a ajustar seus cronogramas de plantio e investir em sistemas de irrigação ou culturas mais resistentes à seca.

    Impacto econômico: como se preparar para o El Niño

    O agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 27% do PIB do país, não escapará das repercussões do El Niño. Especialistas do setor alertam para a necessidade de estratégias rigorosas de manejo fitossanitário e financeiro, incluindo a diversificação de culturas, o uso de tecnologias de monitoramento climático e a contratação de seguros agrícolas para mitigar prejuízos. A volatilidade nos preços de commodities agrícolas, como a soja e o café, deve se acentuar, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores.

    Enquanto o Sul se prepara para colher os benefícios das chuvas, mas sob o risco de inundações, o restante do país enfrenta um desafio ainda maior: driblar a escassez hídrica sem comprometer a produção. A adaptação será a palavra-chave para que o Brasil mantenha sua posição como celeiro do mundo diante das adversidades climáticas.

  • Super El Niño em 2026: Como o fenômeno pode redefinir a safra e a economia brasileira

    Super El Niño em 2026: Como o fenômeno pode redefinir a safra e a economia brasileira

    O Brasil enfrenta um cenário climático de alto risco para 2026. Segundo a NOAA, as águas do Oceano Pacífico Equatorial registraram um aquecimento acelerado, com anomalias absolutas de temperatura já em +1,3°C na região monitorada (Niño 3.4) no dia 8 de junho. O dado, que subiu de +0,5°C para +0,7°C em apenas uma semana, sinaliza a intensificação de um Super El Niño — fenômeno capaz de reconfigurar padrões de chuva e temperatura em todo o mundo.

    Impactos no campo: safra 2026/27 em xeque

    Para o agronegócio, as projeções são preocupantes. O El Niño tende a provocar efeitos opostos no território nacional: enquanto o Sul do país pode sofrer com excesso de chuvas e enchentes, áreas do Norte e Nordeste enfrentam seca prolongada. Regiões estratégicas para a produção de grãos, como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), ficam especialmente vulneráveis, com potencial redução de produtividade.

    Pecuária e energia: consequências em cascata

    Além da agricultura, a pecuária também deve ser afetada. Pastagens no centro-norte do Brasil podem sofrer com o calor intenso, reduzindo a disponibilidade de alimento para o gado. No setor energético, a seca no Norte pode impactar diretamente os níveis dos reservatórios das hidrelétricas, pressionando o Sistema Interligado Nacional (SIN) e aumentando os riscos de racionamento em estados dependentes de energia renovável.

    Preparação em tempo recorde

    Produtores e cooperativas já começam a ajustar seus planejamentos, investindo em tecnologias de irrigação, diversificação de culturas e seguros agrícolas. “O El Niño não é uma ameaça abstrata. Ele já está aqui, e seus efeitos serão sentidos em poucos meses”, alerta o meteorologista Marcelo Seluchi, do INMET. A safra 2026/27, que começa a ser semeada em julho, pode ser a primeira a enfrentar os impactos diretos do fenômeno.

    O que esperar nos próximos meses?

    Entre julho e setembro de 2026, as projeções indicam um padrão climático mais definido. A tendência é de chuvas abaixo da média no semiárido nordestino e no norte de Minas Gerais, enquanto o Sul e partes do Sudeste podem registrar volumes acima do normal. O calor extremo deve se concentrar no centro-norte, com temperaturas até 3°C acima da média histórica para o período.

  • El Niño: 25 anos de safras de soja revelam padrões que vão além do ‘risco climático’

    El Niño: 25 anos de safras de soja revelam padrões que vão além do ‘risco climático’

    O Sul lucra com o fenômeno; o Centro-Oeste, nem tanto

    Uma análise inédita compilando 25 safras de soja no Brasil (2000-2025) revela um El Niño com dois rostos distintos. No Sul — Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina —, o fenômeno tende a trazer chuvas mais regulares na primavera e início do verão, reduzindo os riscos de seca e impulsionando a produtividade. Segundo dados da Conab e Embrapa, em anos de El Niño forte (como 2009/2010 e 2015/2016), as lavouras sulistas registraram até 12% de aumento na produtividade média em comparação com safras neutras. O clima, nesse caso, é um aliado.

    Mato Grosso e Goiás: onde o El Niño vira ameaça

    Já no Centro-Oeste, a história é inversa. Em Mato Grosso e Goiás, o fenômeno costuma intensificar a seca no verão, período crítico para a soja, e reduzir a umidade do solo em até 30% durante a floração — fase decisiva para a formação de vagens. Os dados mostram que, nesses estados, as perdas médias em safras de El Niño chegam a 8% na produtividade. Em 2015/2016, por exemplo, Mato Grosso registrou uma quebra de 15% na safra de soja, enquanto o Rio Grande do Sul colheu números recorde. A assimetria não é casual: o El Niño altera os padrões de ventos e umidade de forma regional, favorecendo o Sul e prejudicando o Centro-Oeste.

    O mercado já precifica o risco — e o produtor precisa fazer o mesmo

    A dependência do Brasil como maior exportador global de soja (37% do mercado em 2025) faz com que os impactos do El Niño transcendam as lavouras. Em anos de fenômeno forte, como 2026, analistas projetam uma queda de até 5% nas exportações brasileiras, pressionando os preços internacionais. Para o produtor, isso significa: 1) hedge financeiro para proteger a margem; 2) diversificação de culturas em áreas de risco; e 3) investimento em tecnologias de irrigação ou sementes tolerantes à seca, especialmente em Goiás e Mato Grosso. A lição dos últimos 25 anos é clara: ignorar o El Niño não é uma opção.

    O que esperar da safra 2026?

    Até 2 de junho de 2026, os modelos climáticos indicam um El Niño de intensidade moderada a forte, com pico entre outubro de 2026 e janeiro de 2027 — justamente o período da safra. Para o Sul, as perspectivas são positivas: chuvas mais distribuídas e menor risco de geadas tardias. Já para o Centro-Oeste, o alerta é para o manejo do déficit hídrico. A Embrapa recomenda aos produtores da região que antecipem o plantio (evitando a janela de maior risco) e monitorem constantemente os boletins da Climatempo. Afinal, como mostra a história, o El Niño não é um fenômeno abstrato — é um player decisivo na economia brasileira.

  • Café em crise: estoques mundiais minguados e safra brasileira em xeque elevam preços e incertezas globais

    Café em crise: estoques mundiais minguados e safra brasileira em xeque elevam preços e incertezas globais

    O mundo do café está em estado de alerta. Nos próximos dois meses, as cotações da commodity devem oscilar globalmente, pressionadas por um cenário de escassez histórica e incertezas logísticas. Enquanto o Brasil, maior produtor mundial, se prepara para liberar sua nova colheita, o mercado opera em modo de espera — e cada dia de atraso na distribuição dos grãos nas bolsas internacionais multiplica as especulações e os riscos para países dependentes da importação.

    A tempestade perfeita: estoques deprimidos, clima hostil e custos logísticos em disparada

    A fragilidade da oferta global foi o tema central do Seminário Nacional do Café, onde lideranças do setor destacaram três fatores que sustentam os preços em patamares elevados: estoques mundiais severamente reduzidos, a ameaça do fenômeno El Niño — que prejudica safras na América Latina e África — e o encarecimento do frete marítimo, agravado pela crise no Canal do Panamá e conflitos no Mar Vermelho.

    Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos futuros já refletem essa tensão. O vencimento para julho do café arábica subiu 1,9% na última semana, fechando a US$ 2,7340 por libra-peso, enquanto os contratos de setembro avançaram 1,92%, atingindo US$ 2,6550. “Até que os grãos brasileiros cheguem aos terminais marítimos, as cotações não terão um rumo definido”, alerta Alex Perk, diretor de café para a Europa da Comexim Trade Group. “Mesmo com a previsão de uma safra robusta, os primeiros lotes serão prioritariamente usados para recompor estoques locais, não para equilibrar o mercado global.”

    Conab vs. Comexim: quem está certo na guerra das projeções?

    A divergência entre as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Comexim Trade Group — dois dos principais órgãos de referência do setor — só agrava a instabilidade. Enquanto a Comexim projeta uma safra de 71 milhões de sacas de 60 kg para 2024 (com 48 milhões de arábica e 23 milhões de conilon/robusta), a Conab calcula um volume menor: 66,7 milhões de sacas (45,8 milhões de arábica e 20,9 milhões de robusta).

    “A margem de erro é mínima”, explica um analista ouvido pela reportagem. “Se a safra for menor do que o esperado, os preços podem disparar ainda mais. Se for maior, mas com qualidade inferior devido ao clima, o impacto será similar. O mercado não perdoará nenhum deslize.” A incerteza afeta não só traders e exportadores, mas também cafeicultores, que precisam tomar decisões de plantio e venda em um ambiente de extrema volatilidade.

    O que esperar do Brasil: a hora da virada (ou da decepção)

    O Brasil, responsável por cerca de 40% da produção mundial, é o grande ponto de virada neste tabuleiro. A janela de transição entre a safra velha e a nova — estimada entre 30 e 60 dias — será crítica. “Os primeiros carregamentos serão direcionados para países com estoques críticos, como Estados Unidos e União Europeia”, comenta Perk. “Isso significa que os mercados emergentes, dependentes de importações, sofrerão com a alta de preços e a escassez relativa.”

    Enquanto isso, os custos logísticos seguem pressionando. O frete marítimo, que já subiu 20% desde o início do ano devido às rotas alternativas ao Canal do Panamá, pode piorar ainda mais se o El Niño intensificar eventos climáticos extremos no Oceano Pacífico. “Produtores menores, especialmente na África Oriental e no Vietnã, já relatam dificuldades para escoar a produção devido ao clima adverso”, destaca um relatório da Organização Internacional do Café (ICO).

    Consequências para o consumidor: o preço do café no cotidiano

    A escalada dos preços da commodity inevitavelmente se refletirá nos valores finais ao consumidor. Em países como os EUA, onde o café é um item cotidiano, a alta poderá acelerar a migração de marcas premium para blends mais baratos ou até mesmo para substitutos. Na Europa, tradicional mercado de cafés especiais, a pressão será ainda maior: “Cafés 100% arábica podem ficar fora do alcance de muitos consumidores”, prevê um executivo de uma grande torrefadora europeia.

    No Brasil, apesar de ser produtor, o impacto não será menor. “O preço interno já subiu 15% nos últimos seis meses”, revela um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). “Se a safra brasileira não for suficiente para suprir a demanda global, o governo pode precisar acionar estoques estratégicos ou até mesmo promover importações emergenciais — o que, por sua vez, pressionaria ainda mais o câmbio e a inflação.”

    Enquanto o mercado aguarda ansiosamente a colheita brasileira, uma coisa é certa: até lá, o café não será apenas uma bebida, mas um termômetro da saúde econômica global.

  • Super El Niño: Brasil na mira de seca histórica e colapso no agro em 2026-2027

    Super El Niño: Brasil na mira de seca histórica e colapso no agro em 2026-2027

    O Brasil enfrenta um novo alerta climático que pode redefinir o futuro do agronegócio, da energia e até dos preços globais de alimentos. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da NOAA (agência climática dos EUA) indicam que o fenômeno El Niño deve atingir intensidade recorde entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. Os modelos climáticos calculam 37% de probabilidade de um evento classificado como ‘muito forte’ — um ‘Super El Niño’ —, com impactos diretos sobre o clima, a economia e a sociedade brasileira.

    O que o Cemaden e a NOAA preveem para o Brasil?

    A nota técnica do Cemaden, divulgada recentemente, destaca que os efeitos mais severos devem ocorrer durante a primavera e o verão, com maior intensidade nas regiões Norte e Nordeste, onde seca extrema e ondas de calor podem se tornar recorrentes. Já o Centro-Sul do país, historicamente mais afetado por enchentes durante eventos de El Niño, corre o risco de registrar precipitações acima da média, o que pode prejudicar a colheita de grãos como soja e milho.

    O fantasma da seca de 2023/24 retorna com força

    O alerta atual chega em um momento delicado para o Brasil. A última ocorrência intensa do El Niño, entre 2023 e 2024, deixou marcas profundas: 80% dos municípios brasileiros enfrentaram algum nível de estiagem, rios da Amazônia atingiram níveis críticos, e a logística do agronegócio — responsável por transportar milhões de toneladas de grãos e combustíveis — foi severamente prejudicada. As perdas agrícolas foram estimadas em bilhões de reais, e os reservatórios hidrelétricos, como o de Itaipu, operaram em níveis críticos, forçando a acionamento de termelétricas e aumentando o custo da energia.

    Agora, os especialistas temem que o cenário de 2026/27 seja ainda mais dramático. Cientistas internacionais, como aqueles ligados ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), já classificam o próximo El Niño como potencialmente ‘histórico’, com potencial para alterar padrões climáticos globais por anos.

    Agro, energia e inflação: os pilares que podem ruir

    O impacto econômico do ‘Super El Niño’ deve ser sentido em várias frentes:

    • Agronegócio: A seca no Norte e Nordeste pode reduzir a produtividade de culturas como soja, milho e café, afetando as exportações brasileiras — o país é o maior exportador mundial de soja e carne bovina. Produtores rurais já começam a se preparar para possíveis perdas, enquanto analistas do mercado futuro monitoram os preços das commodities.
    • Energia: Com a redução dos níveis dos rios e reservatórios, a geração hidrelétrica — que responde por cerca de 60% da matriz energética brasileira — pode ser comprometida. O governo já estuda alternativas, como o aumento de térmicas, o que pressionaria ainda mais a inflação.
    • Inflação e segurança alimentar: A quebra na produção agrícola tende a elevar os preços dos alimentos, impactando diretamente o bolso do consumidor. Em 2023, a inflação de alimentos já foi impulsionada pela seca, e um novo episódio pode agravar a crise, especialmente em regiões dependentes de produtos como arroz e feijão.
    • Logística e transportes: A estiagem pode reduzir a navegação em rios como o Madeira e o Amazonas, essenciais para o escoamento da produção do Centro-Oeste. Em 2023, empresas de transporte já relataram prejuízos milionários devido à baixa dos rios.

    Além disso, a combinação de seca e ondas de calor pode aumentar o risco de queimadas na Amazônia e no Cerrado, agravando a crise climática e a poluição do ar em grandes cidades como Manaus e São Paulo.

    Governos e setores se preparam — mas é suficiente?

    Diante do cenário, o governo federal anunciou a ativação de um plano de contingência para mitigar os efeitos do El Niño, incluindo ações como a liberação de recursos para agricultura familiar e a ampliação de reservas estratégicas de água e energia. No entanto, especialistas questionam se as medidas serão suficientes para evitar uma crise de proporções históricas.

    Rodrigo Berthet, climatologista do Cemaden, alerta: “Um ‘Super El Niño’ não é apenas uma questão de chuva ou seca. É um evento que pode reconfigurar ecossistemas, afetar safras por anos e criar um efeito dominó na economia global. O Brasil precisa se preparar não só para 2026, mas para as consequências que virão depois.”

    Gilberto Cunha, analista de mercado da Safras & Mercado, destaca: “O agro brasileiro já mostrou resiliência em crises anteriores, mas um evento dessa magnitude pode testar os limites do setor. A alta dos custos de produção, combinada com a queda na produtividade, pode levar à redução de áreas plantadas e até à saída de pequenos produtores do mercado.”

    O que esperar nos próximos meses?

    Nos próximos trimestres, meteorologistas e institutos de pesquisa devem lançar novas projeções sobre a intensidade do El Niño. Enquanto isso, o Brasil se vê diante de um paradoxo: apesar de ser uma potência agrícola, o país ainda depende demais de condições climáticas favoráveis — e um único evento extremo pode desestabilizar toda a cadeia produtiva.

    A lição de 2023/24 serve como aviso: o tempo para agir é agora. Se as previsões se confirmarem, 2026 não será apenas um ano de eleições municipais — será o ano em que o Brasil terá que enfrentar, mais uma vez, os efeitos de um fenômeno climático que não escolhe lados, mas que pode dividir a história do país entre antes e depois do ‘Super El Niño’.”

  • Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

    Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

    Com a chegada do El Niño mais intenso, a safra de trigo 2024/25 começa sob um clima de incertezas. A irregularidade das chuvas, oscilações bruscas de temperatura e períodos de restrição hídrica desafiam os produtores desde o plantio, exigindo estratégias mais precisas para evitar perdas no potencial produtivo.

    O impacto do clima no desenvolvimento da cultura

    O trigo é especialmente sensível às variações climáticas, principalmente nas fases iniciais de estabelecimento e perfilhamento. Segundo Felipe Sulzbach, responsável pelas operações da Elicit Plant Brasil, a combinação de chuva concentrada, estresse hídrico e temperaturas instáveis pode reduzir drasticamente o desenvolvimento das plantas. “O planejamento da safra já considera o cenário climático desde o início. A planta sente muito essas mudanças, especialmente quando o estresse abiótico se soma a momentos críticos do ciclo”, explica o executivo.

    Tecnologias que antecipam respostas da planta

    A empresa tem monitorado lavouras que adotam manejos fisiológicos avançados, com foco em elicitação — técnica que estimula respostas naturais das plantas para enfrentar condições adversas. O resultado é notável: enquanto o manejo padrão apresenta um incremento médio de 266 kg/ha, tecnologias em desenvolvimento alcançam ganhos de até 423 kg/ha, o equivalente a sete sacas por hectare e um aumento de 11% na produtividade.

    Manejo estratégico: o segredo para manter a estabilidade

    O diferencial está na aplicação de produtos que atuam entre o alongamento do colmo e a fase pré-reprodutiva. Essa janela é crucial para o trigo, pois é quando a planta define seu potencial de enchimento de grãos. “Manter a área foliar ativa por mais tempo, otimizar o uso de água e nutrientes e reduzir perdas por estresse são os pilares desse manejo”, detalha Sulzbach. Nas áreas acompanhadas, as lavouras tratadas apresentaram emergência mais uniforme, vigor inicial superior e maior estabilidade ao longo do ciclo — características que se tornam vitais em anos de maior pressão climática.

    Um passo além: o futuro do manejo do trigo

    Os dados da Elicit Plant Brasil reforçam que a adoção de tecnologias fisiológicas não é apenas uma resposta pontual, mas uma evolução no modo de produzir. Com a intensificação dos fenômenos climáticos, a busca por soluções que preservem o potencial produtivo das culturas ganha protagonismo. “Os produtores estão cada vez mais proativos. Não esperam os danos acontecerem para agir”, observa o executivo. Nesse contexto, o trigo deixa de ser apenas uma cultura de rotação e se consolida como um termômetro da resiliência do agronegócio brasileiro diante das mudanças climáticas.