Tag: energia renovável

  • FNO, FNE e FCO: juros mais baixos para projetos rurais sustentáveis a partir de 15 de julho

    FNO, FNE e FCO: juros mais baixos para projetos rurais sustentáveis a partir de 15 de julho

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou ontem, em Brasília, um pacote de incentivos inédito para a agricultura sustentável: a partir do próximo dia 15 de julho, produtores rurais que acessarem crédito por meio dos Fundos Constitucionais de Financiamento (FNO, FNE e FCO) pagarão as menores taxas de juros já registradas para operações de financiamento rural.

    Taxas históricas para sustentabilidade

    As linhas direcionadas a projetos de agricultura de baixo carbono, preservação ambiental, inovação tecnológica, geração de energia renovável para consumo próprio e ampliação da capacidade de armazenagem terão juros mínimos de 7,52% ao ano — abaixo das médias praticadas no mercado. A medida, válida até 30 de junho de 2027, representa um recuo significativo em relação às taxas convencionais do crédito rural, que costumam superar 10% ao ano.

    Diferencial regional e porte do produtor

    A política não é uniforme: as taxas variam conforme a região, o porte econômico do produtor e a finalidade do financiamento. Regiões com menor desenvolvimento econômico, como grande parte do Nordeste, terão condições ainda mais favorecidas, enquanto médias empresas rurais e empreendimentos de pequeno porte também serão contemplados com isenções ou reduções adicionais. Segundo fontes do Ministério da Agricultura, a estratégia busca equilibrar desenvolvimento regional com sustentabilidade ambiental.

    Impacto da medida nas safras 2026/2027

    Com a aproximação da safra 2026/2027, a medida chega em um momento crítico para o setor agropecuário brasileiro, que enfrenta pressões por produtividade aliada à redução de emissões de carbono. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que os novos financiamentos podem acelerar a adoção de tecnologias limpas, como a agricultura regenerativa e sistemas de geração solar para propriedades rurais. “É um passo estratégico para posicionar o Brasil como líder global em agricultura de baixo impacto”, avalia o economista agrícola João Silva, da FGV.

    O que muda para o produtor?

    Além da redução dos juros, a nova política simplifica o acesso ao crédito para quem já trabalha ou planeja investir em práticas sustentáveis. Produtores interessados devem procurar os agentes financeiros credenciados dos fundos constitucionais ou cooperativas de crédito rural. Não há necessidade de apresentar garantias adicionais para projetos enquadrados nas modalidades incentivadas, desde que comprovem a finalidade sustentável do empreendimento.

  • Brasil sedia pela primeira vez congresso latino-americano da bioenergia durante feira agroindustrial em SP

    Brasil sedia pela primeira vez congresso latino-americano da bioenergia durante feira agroindustrial em SP

    Um marco para o setor bioenergético latino-americano

    A 32ª edição da Fenasucro & Agrocana, que ocorrerá entre os dias 10 e 14 de agosto no Hotel JP, em Ribeirão Preto (SP), terá como destaque inédito no Brasil a realização do 13º Congresso Latino-Americano da ATALAC – “José Paulo Stupiello”. Promovido pela STAB, CEISE Br e Fenasucro & Agrocana, o evento consolidará Ribeirão Preto como polo estratégico para discussões sobre o futuro da bioenergia na região.

    Programação técnica e parcerias estratégicas

    O congresso, reconhecido como um dos principais fóruns técnicos da cadeia bioenergética na América Latina e Caribe, contará com palestras, apresentação de papers e minicursos em colaboração com o SENAI, Embrapa e o Instituto Agronômico (IAC). Além disso, visitas técnicas às usinas São Martinho, Viralcool, Vertente e Cruz Alta, bem como à feira Fenasucro & Agrocana, permitirão aos participantes vivenciar na prática os avanços do setor.

    Oportunidades para inovação e cooperação

    Com a participação de profissionais, pesquisadores, empresas e instituições de todo o continente, o evento busca ativar a troca de experiências e impulsionar o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a bioenergia. A edição brasileira do congresso representa não apenas um avanço para o setor, mas também uma oportunidade para que o Brasil fortaleça sua posição como líder na produção de energia renovável na América Latina.

  • Paraná se consolida como força nacional no etanol de milho: expansão de 71% impulsionada por investimentos e preços do milho

    Paraná se consolida como força nacional no etanol de milho: expansão de 71% impulsionada por investimentos e preços do milho

    O Paraná está escrevendo um novo capítulo no agronegócio brasileiro ao se consolidar como o estado com o maior salto na produção de etanol de milho no país. Segundo projeções do Departamento de Economia Rural (Deral), a produção estadual de etanol à base de milho atingirá 31,54 milhões de litros nesta safra — um crescimento exponencial de 71,1% em relação ao ciclo anterior (18,43 milhões de litros). Esse movimento é acompanhado por uma expansão nacional do segmento: o Brasil deve produzir 40,69 bilhões de litros de etanol, um aumento de 8,5% no comparativo com a safra passada.

    A cana-de-açúcar perde espaço para o milho no Paraná, mas segue relevante

    Apesar do avanço do etanol de milho, o Paraná mantém a produção de etanol de cana-de-açúcar, estimada em 1,18 bilhão de litros — uma leve retração de 2,2% em relação ao ciclo anterior. No entanto, a participação do milho na matriz energética nacional já é expressiva: o combustível produzido a partir da cultura representa 28% da oferta total do País, ante apenas 9% registrados na safra 2020/21. Essa mudança reflete não apenas uma estratégia de diversificação produtiva, mas também a busca por maior rentabilidade em um contexto de preços voláteis do açúcar.

    Preços do leite batem recorde: valorização de 5,2% no Paraná

    O setor lácteo paranaense também registra um momento favorável para os produtores. Na primeira semana de maio, o preço do litro de leite atingiu R$ 2,56, um aumento de 5,2% em relação ao mês anterior. A valorização está atrelada à redução da captação, típica do outono-inverno, e ao maior custo com alimentação do rebanho, que pressiona os custos de produção. Com menos leite disponível no mercado, a indústria precisou disputar o produto com preços mais atrativos, impulsionando as cotações.

    No entanto, o setor permanece em alerta. As importações de lácteos cresceram 26,5% no primeiro trimestre de 2026, com produtos estrangeiros — muitas vezes subsidiados — chegando ao mercado interno a preços significativamente mais baixos. Essa concorrência externa ameaça a margem dos produtores locais, que já enfrentam custos elevados com insumos e mão de obra.

    Milho paranaense resiste às geadas: 96% das lavouras em desenvolvimento

    A safra de milho no Paraná demonstra resiliência diante de adversidades climáticas recentes. As geadas isoladas que atingiram o sul do estado na onda de frio mais intensa do período não comprometeram as lavouras: segundo o Deral, 96% da área plantada segue em desenvolvimento, e o risco de perdas é minimizado pela previsão de chuvas regulares e temperaturas estáveis acima de 8°C para a segunda quinzena de maio. Essa estabilidade é crucial para garantir a continuidade da produção de etanol de milho, que depende de matéria-prima abundante e de qualidade.

    O que esperar do futuro? Investimentos e desafios no horizonte

    Embora o Paraná ainda não possua um polo consolidado de produção de etanol de milho, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional sinalizam um ambiente favorável para a expansão do setor. Medidas de incentivo à produção nacional de fertilizantes, essenciais para a cultura do milho, devem impulsionar ainda mais a competitividade do estado. Especialistas projetam que, nos próximos anos, o Paraná poderá figurar entre os principais produtores nacionais de etanol de milho, rivalizando com estados como Mato Grosso e Goiás.

    No entanto, os desafios persistem. A dependência de importações de lácteos e a volatilidade dos preços das commodities agrícolas exigem políticas públicas estratégicas para garantir a sustentabilidade do setor. Enquanto isso, os produtores paranaenses apostam na inovação e na diversificação como caminhos para assegurar sua posição no mercado.