Tag: exportação de veículos

  • Clássicos brasileiros à venda na Europa: por que SP2, TL e Karmann-Ghia TC valem ouro do outro lado do Atlântico?

    Clássicos brasileiros à venda na Europa: por que SP2, TL e Karmann-Ghia TC valem ouro do outro lado do Atlântico?

    Na última quarta-feira, dia 29 de julho de 2026, o trânsito de relíquias automotivas brasileiras para o exterior ganhou novo fôlego. Entre os modelos mais procurados estão os Volkswagen SP2, TL e Karmann-Ghia TC, esportivos refrigerados a ar que, décadas atrás, sequer desembarcaram na Europa, mas hoje são disputados como ouro entre colecionadores.

    Da Kombi ao SP2: como o Brasil virou exportador de clássicos

    A trajetória começou com as Volkswagen Kombis, enviadas para países como Alemanha e França ainda nos anos 1960 e 1970. Mas foi a evolução para os modelos de passeio — especialmente os esportivos — que consolidou o Brasil como uma espécie de “mina de ouro” de veículos cult para o mercado europeu. Luiz Goshima, diretor do Museu Carde, destaca que a curiosidade sobre os carros brasileiros sempre foi um fator determinante: “Sempre teve uma demanda muito grande por modelos que não saíram oficialmente de nossas fronteiras”.

    Design exclusivo e mecânica simples: os segredos da valorização

    O apelo dos clássicos brasileiros não se resume à raridade. O SP2, por exemplo, foi projetado pela divisão local da Volkswagen em 1972, com linhas arrojadas para a época e uma mecânica baseada no Fusca — robusta e fácil de consertar. Já o Karmann-Ghia TC (uma versão brasileira do cupê alemão) combina o charme europeu com a simplicidade tropical, atraindo até mesmo quem nunca dirigiu um Fusca na vida. No Brasil, muitos desses carros são vistos como “velhos e feios”; do outro lado do Atlântico, são considerados obras de arte sobre rodas.

    Preços inflacionados: quanto vale um SP2 na Europa?

    Enquanto um SP2 em condições excelentes pode ser encontrado no Brasil por cerca de R$ 150 mil, na Europa o valor dispara. Em leilões especializados no Reino Unido ou Alemanha, unidades bem conservadas chegam a três vezes o preço brasileiro — ou seja, algo entre € 30 mil e € 40 mil (equivalente a quase R$ 200 mil na cotação atual). O mesmo ocorre com os compactos TL e os cupês TC, que já ultrapassaram a barreira dos € 20 mil em mercados como a Itália e a Holanda.

    Um mercado em expansão — e os riscos da exportação

    O fenômeno não passa despercebido. Especialistas alertam que a saída massiva de veículos históricos pode esvaziar o acervo nacional, além de criar uma dependência do exterior para a preservação da memória automotiva brasileira. Por outro lado, colecionadores e revendedores europeus veem na tendência uma oportunidade de reviver modelos que, no Velho Continente, ganham status de “ícones perdidos”.

    Ainda resta saber se o Brasil, que já foi destino de carros europeus em décadas passadas, conseguirá equilibrar a equação entre exportar sua história ou mantê-la em solo nacional — onde, ironicamente, muitos desses clássicos ainda são chamados de “velhos”.

  • BYD mira exportação: fábrica na Bahia nacionaliza peças essenciais até 2026

    BYD mira exportação: fábrica na Bahia nacionaliza peças essenciais até 2026

    Fábrica de Camaçari vira polo de produção nacional

    A BYD segue firme no cronograma de nacionalização de sua unidade em Camaçari (BA), com previsão de entrega dos novos prédios de pintura, estamparia e soldagem até o final de 2026. A expansão, parte de um plano traçado no início do ano, permitirá à montadora brasileira produzir internamente componentes críticos — como pneus, vidros, tintas e aço — antes restritos a importações.

    150 fornecedores em negociação para cadeia local

    Para atingir a meta de 50% de conteúdo nacional nos modelos Dolphin Mini, King e Song Pro, a BYD negocia com 150 fornecedores a instalação de operações no entorno da fábrica. O objetivo é internalizar etapas como estamparia, soldagem e pintura, reduzindo custos e alinhando-se às exigências de exportação para mercados latino-americanos.

    Expansão de capacidade: de 150 mil para 600 mil unidades

    A planta baiana, atualmente com capacidade para 150 mil veículos anuais, será espelhada em uma nova unidade para elevar a produção a 600 mil unidades por ano. A nacionalização não só viabiliza a exportação mas também consolida a Bahia como hub estratégico da BYD no Brasil, ampliando sua participação em um mercado que deve liderar a transição elétrica na região.

  • Argentina elimina imposto de exportação para veículos: impacto no Brasil e na concorrência com a China

    Argentina elimina imposto de exportação para veículos: impacto no Brasil e na concorrência com a China

    A Argentina anunciou, em junho de 2026, a isenção total do imposto de exportação (hoje fixado em 4,5%) para veículos fabricados no país, incluindo picapes médias como a Toyota Hilux, Ford Ranger e Fiat Titano. A medida, válida até junho de 2027, busca reduzir custos e aumentar a competitividade dos produtos argentinos no exterior, especialmente no mercado brasileiro, principal destino dessas montadoras.

    Concorrência com China e Brasil

    O pedido pela isenção partiu da Adefa (Associação das Fabricantes de Automóveis da Argentina), que argumentou sobre a necessidade de equiparar os preços aos veículos chineses, cada vez mais presentes no mercado sul-americano com preços agressivos. No Brasil, a redução do custo de importação pode refletir em uma queda discreta nos preços finais — estimada em cerca de 2% —, mas a indústria local já sinaliza a necessidade de novos cortes tributários para manter sua vantagem.

    Estratégia comercial ou reação ao mercado?

    Historicamente, a Argentina mantinha uma política incomum de taxação sobre exportações automotivas, ao contrário da maioria dos países que isentam esses bens para não encarecer o produto final. A decisão de zerar a alíquota pode ser interpretada como uma resposta à queda nas vendas internas e à pressão dos carros chineses, que dominam segmentos de entrada e médio porte. Para o Brasil, a medida reforça a importância de políticas que equilibrem a competitividade entre as montadoras nacionais e as importações.