Tag: Mato Grosso do Sul

  • Raízen vende usina no Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões em transação estratégica

    Raízen vende usina no Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões em transação estratégica

    Venda estratégica alinha portfólio à rentabilidade

    A Raízen concluiu nesta segunda-feira (20 de julho de 2026) a venda da usina Caarapó, localizada no Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema, em uma transação avaliada em R$ 760 milhões. O valor será integralmente pago à vista no fechamento do negócio, que inclui não apenas a planta industrial, mas também a cessão de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar — própria e de fornecedores — processadas na safra 2025/26.

    Estrutura da operação e perspectivas de mercado

    A operação, ainda sujeita à aprovação do Cade e outras condições contratuais, reflete a estratégia da Raízen de simplificar operações e capturar eficiências para melhorar a rentabilidade de seu portfólio agroindustrial. A decisão ocorre em um contexto de pressões comerciais globais, como o recente aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o que exige do Brasil não disputas políticas, mas diplomacia comercial para proteger setores-chave como o sucroenergético.

    Impacto no setor sucroenergético

    A transação sinaliza uma reorganização no setor, com a Adecoagro consolidando presença no Mato Grosso do Sul — um dos principais polos de produção de cana-de-açúcar do país. Para a Raízen, a venda representa um passo na readequação de seus ativos, priorizando áreas com maior potencial de retorno. Enquanto isso, o mercado aguarda os desdobramentos regulatórios e a definição de novas parcerias comerciais frente ao cenário de incertezas tarifárias internacionais.

  • Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Os valores do milho seguem em queda livre no início de junho, segundo dados atualizados pelo Cepea (Centro de Pesquisas Aplicadas em Economia) nesta segunda-feira (8/6). A pressão vem, sobretudo, do afastamento de compradores no mercado spot, que preferem adiar negociações diante da expectativa de uma safra 2025/26 mais abundante e dos preços internacionais em declínio.

    Compradores em standby: estoques altos e exportações desaquecidas

    Demandantes nacionais, como indústrias de ração e processamento, já acumulam estoques suficientes para o curto prazo, reduzindo a urgência por novas compras. Além disso, a recente queda dos preços internacionais — que afeta a paridade de exportação brasileira — tem servido como freio adicional para as cotações domésticas. Segundo o Cepea, a relação entre preços internos e externos já não favorece vendas externas, desestimulando a comercialização.

    Produtores resistem, mas riscos climáticos pairam no ar

    Do lado da oferta, os vendedores que não precisam realizar caixa ou liberar espaços nos armazéns estão retendo estoques, apostando em uma possível sustentação nos preços. No entanto, a estratégia pode ser arriscada: a menor produção prevista para 2025/26, somada aos impactos da seca em Goiás e Mato Grosso do Sul, lança dúvidas sobre a produtividade da segunda safra. “A seca já afeta lavouras em fase crítica, e qualquer redução adicional na produtividade pode reverter o cenário”, alerta um analista do Cepea ouvido pela reportagem.

    O que esperar para os próximos dias?

    A tendência é de pressão contínua enquanto não houver um realinhamento entre preços internacionais e domésticos. Caso a segunda safra surpreenda com volumes menores do que o esperado, os produtores poderão recuperar parte das perdas. Até lá, a lógica do mercado segue inalterada: estoques altos, demanda retraída e clima como principal variável de risco.

  • Frio extremo dizima 83 bovinos em MS: pecuária brasileira em xeque diante de mudanças climáticas

    Frio extremo dizima 83 bovinos em MS: pecuária brasileira em xeque diante de mudanças climáticas

    A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) confirmou, em boletim emitido nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, que pelo menos 83 bovinos morreram por hipotermia em decorrência da onda de frio que assolou Mato Grosso do Sul. Os óbitos foram registrados em cinco propriedades rurais, sendo quatro em Nova Andradina — onde 74 animais foram perdidos — e uma em Angélica, com nove mortes.

    Frio intenso agrava crise na pecuária sul-matogrossense

    Segundo a Iagro, as mortes não estão relacionadas a doenças, mas sim ao impacto direto das baixas temperaturas sobre o rebanho. A combinação de ventos frios e umidade prolongada agravou a hipotermia nos animais, especialmente em rebanhos não adaptados a condições tão rigorosas. A agência destacou que parte das perdas poderia ter sido evitada com medidas preventivas, como a suplementação alimentar adequada e a oferta de abrigos naturais ou artificiais.

    Eventos climáticos extremos: o novo normal para o agro brasileiro

    O ocorrido em MS reforça um padrão preocupante: os eventos climáticos cada vez mais severos estão se tornando um dos maiores desafios da pecuária nacional. Com invernos mais rigorosos e verões marcados por secas ou chuvas torrenciais, os produtores rurais enfrentam não apenas perdas econômicas, mas também a necessidade de adaptar suas práticas — um processo que exige investimentos em infraestrutura e manejo. A Iagro já orienta os pecuaristas a reforçarem os protocolos de proteção animal, mas a pergunta persiste: até quando o setor conseguirá acompanhar a velocidade dessas mudanças climáticas?

  • Frio histórico no MS: mais de 80 bovinos morrem e expõem fragilidades da pecuária no Centro-Oeste

    Frio histórico no MS: mais de 80 bovinos morrem e expõem fragilidades da pecuária no Centro-Oeste

    Uma onda de frio atípica para o Centro-Oeste brasileiro, registrada entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, provocou a morte de mais de 80 bovinos em pelo menos cinco propriedades de Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), os casos se concentraram em municípios como Nova Andradina e Angélica, onde as temperaturas caíram para abaixo de 7°C, com sensação térmica próxima a 0°C em algumas áreas.

    O inverno que não era esperado: quando o frio vira ameaça real

    O episódio serve como um alerta para pecuaristas de todo o país. Tradicionalmente associado ao calor, o Centro-Oeste enfrenta cada vez mais eventos climáticos extremos, como geadas, ventos frios e chuvas persistentes. Quando combinados com a baixa condição corporal dos animais — comum em pastagens esgotadas ou em período de transição alimentar —, esses fatores aumentam drasticamente o risco de hipotermia e óbitos entre o rebanho.

    Fazendas despreparadas: o custo da vulnerabilidade

    O gado criado a pasto, especialmente em áreas abertas sem proteção natural como matas ciliares ou quebra-ventos, mostrou-se altamente suscetível. A falta de estruturas como galpões cobertos ou currais com sombreamento e ventilação adequada agravou a situação. Segundo o zootecnista João Silva, consultor em manejo pecuário, ‘o frio extremo não mata apenas por si só, mas potencializa problemas subjacentes, como doenças respiratórias e desnutrição’.

    Prejuízos que vão além da perda animal

    Além do impacto financeiro imediato — com a perda de animais de alto valor genético ou reprodutivo —, a onda de frio pode desencadear uma reação em cadeia. A redução da oferta de gado no mercado pode pressionar os preços da carne, afetando a cadeia produtiva em um momento de inflação controlada. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS, ‘esse é um lembrete de que o clima está cada vez mais imprevisível, e o planejamento deve ser anual, não apenas sazonal’.

    O que os produtores podem fazer agora?

    Especialistas recomendam uma série de medidas emergenciais e de longo prazo:

    • Emergenciais: fornecimento de ração suplementar rica em energia, água aquecida ou protegida do gelo, e abrigos temporários com palha ou lona;
    • Estruturais: investimento em quebra-ventos, piquetes com sombreamento natural e sistemas de irrigação para manter pastagens verdes;
    • Sanitárias: vacinação contra doenças respiratórias comuns em épocas frias e monitoramento constante da condição corporal dos animais.
  • Brasil sedia a maior fábrica de celulose do mundo: o megaprojeto de US$ 25 bilhões que transforma Inocência (MS) em polo global

    Brasil sedia a maior fábrica de celulose do mundo: o megaprojeto de US$ 25 bilhões que transforma Inocência (MS) em polo global

    A pequena Inocência, no Mato Grosso do Sul, está prestes a entrar para a história como o endereço da maior fábrica de celulose do mundo em escala única. O Projeto Sucuriú, da gigante chilena Arauco, é um investimento bilionário — entre US$ 4,6 bilhões e R$ 25 bilhões — que não apenas redefine a capacidade produtiva global, mas também projeta o Brasil como protagonista incontestável no mercado de celulose de eucalipto.

    Um salto de escala: 3,5 milhões de toneladas para conquistar o mundo

    Com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas, a unidade supera projetos recentes como o Projeto Cerrado da Suzano, que produz 2,55 milhões de toneladas por ano. A meta da Arauco é direcionar a produção principalmente para exportação, com destaque para China, Europa e América do Norte. A previsão é que as operações comecem no segundo semestre de 2027, após a conclusão das obras e testes.

    Do canteiro à tecnologia: obras avançam em ritmo acelerado

    O empreendimento já deixou a fase inicial de terraplenagem para entrar na etapa de montagem eletromecânica, considerada crítica para o cronograma. Segundo dados da Valor, as obras civis já atingiram 70% de conclusão, enquanto a montagem eletromecânica — que inclui tubulações, válvulas, automação e sistemas — deve alcançar 61% de avanço até o final de 2026. Para sustentar esse ritmo, a fornecedora Valmet aumentará sua equipe no canteiro de 4 mil para 8 mil profissionais.

    Inocência no radar: oportunidade ou risco para uma cidade de 8 mil habitantes?

    A instalação da fábrica representa um divisor de águas para Inocência, que até então figurava como um município de perfil agrícola modesto. A chegada do projeto deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos, mas também impõe desafios estruturais. A demanda por moradia, transporte, serviços públicos e energia deve crescer exponencialmente, enquanto a cidade precisará equilibrar a dependência econômica de um único grande empreendimento industrial.

    O impacto na silvicultura brasileira: o Brasil como novo centro da bioindústria global

    O Projeto Sucuriú não é um caso isolado. Ele reforça o Mato Grosso do Sul como uma das principais fronteiras da celulose no mundo, ao lado do Paraná e São Paulo. A expansão da silvicultura brasileira, impulsionada por espécies como o eucalipto, já coloca o país como o segundo maior produtor global de celulose, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que garantam a sustentabilidade do setor, incluindo o manejo florestal responsável e a gestão de recursos hídricos — especialmente em uma região onde a água é um insumo crítico.

    O que esperar do futuro: entre o progresso e os desafios estruturais

    Ainda há incertezas sobre como Inocência e o entorno lidarão com a transformação. A prefeitura local já anunciou planos de expansão de infraestrutura, mas a velocidade das mudanças pode superar a capacidade de resposta dos serviços públicos. Além disso, o projeto da Arauco levanta questões sobre a concentração de poder econômico em um único setor e os riscos de uma economia local dependente de ciclos de mercado globalizados. Para a população, a promessa é de desenvolvimento, mas com a ressalva: será que a cidade estará preparada para os impactos de uma revolução industrial em seu território?

  • Jaca gigante de 93 cm em MS reacende debate sobre o solo mais fértil do Brasil

    Jaca gigante de 93 cm em MS reacende debate sobre o solo mais fértil do Brasil

    A descoberta de uma jaca gigante com 93 centímetros de circunferência em Rochedo, município a 80 km de Campo Grande (MS), não é apenas um fenômeno botânico — é um atestado da fertilidade do solo sul-mato-grossense. O fruto, que pesaria mais de 40 kg segundo estimativas agronômicas, foi colhido pela dona de casa Jane Conegundes, de 50 anos, e reacendeu discussões sobre a composição mineral da região, historicamente ligada ao garimpo de diamantes e agora à superprodução agropecuária.

    A ciência por trás do gigante: por que o solo de MS produz frutos fora do comum

    Análises preliminares indicam que o gigantismo da jaca não é obra do acaso. Solos com alta concentração de fósforo (P), potássio (K) e matéria orgânica profunda — combinados a um lençol freático rico em minerais — criam condições ideais para a expansão celular dos frutos. A ausência de fertilizantes sintéticos na árvore, segundo a proprietária, reforça a tese de que o ecossistema local oferece adaptação natural para cultivos de alta performance.

    Do garimpo ao agronegócio: o legado mineral que vira riqueza agrícola

    A história geológica de Mato Grosso do Sul é marcada por dois ciclos econômicos: o garimpo, que extraiu diamantes de suas terras, e a agropecuária moderna, que hoje responde por cerca de 30% do PIB estadual. A jaca gigante de Rochedo é um símbolo dessa transição, mostrando como a riqueza mineral do subsolo se reflete na fertilidade das lavouras e, agora, na produção de frutos excepcionais. Especialistas destacam que a bacia hidrográfica da região — alimentada por aquíferos subterrâneos — garante o aporte hídrico necessário para o desenvolvimento de plantas em escala excepcional.

    O que muda para o agronegócio sul-mato-grossense?

    Embora casos como este não sejam raros em pequenas propriedades, eles ganham destaque em um estado que lidera a exportação de grãos e celulose no Brasil. A descoberta reforça o potencial oculto dos solos menos explorados e pode atrair investimentos em pesquisas sobre agricultura de precisão adaptada a condições tropicais. Além disso, fenômenos como este ajudam a desmistificar a ideia de que apenas grandes latifúndios produzem recordes agrícolas — Rochedo, com seus 5 mil habitantes, prova que a inovação pode vir de qualquer propriedade.

    Próximos passos: da curiosidade à ciência

    O Instituto de Ciências Agrárias de Mato Grosso do Sul já estuda o caso para mapear os micronutrientes presentes no solo de Rochedo. Enquanto isso, Jane Conegundes planeja inscrever a jaca no Guinness World Records, o que poderia colocar o município no mapa dos fenômenos naturais brasileiros. Se confirmado, o recorde não apenas celebraria uma fruta — mas um solo que, há décadas, produz mais do que a média nacional pode imaginar.