A queda nas cotações do açúcar cristal branco no mercado paulista não dá trégua. Segundo pesquisadores do Cepea, a baixa liquidez e a oferta ainda suficiente — mesmo com recuo de 25% na produção do Centro-Sul na segunda quinzena de maio — mantêm os preços em trajetória descendente.
Produção em queda, mas oferta não escasseia
Dados do Ministério da Agricultura (Mapa) revelam que a produção de açúcar na região Centro-Sul caiu para 2,19 milhões de toneladas no período, um recuo de 25% frente ao mesmo intervalo de 2025. No entanto, as chuvas acima da média em São Paulo e Mato Grosso do Sul, aliadas ao maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol, têm garantido volumes suficientes para o mercado.
Chuvas atrapalham colheita, mas não freiam a baixa
As precipitações intensas reduziram o ritmo das colheitas, mas não foram capazes de interromper a queda nos preços. “O volume disponível tem sido suficiente para manter o movimento baixista, especialmente porque os compradores permanecem retraídos”, explicam os analistas do Cepea. A combinação de oferta estável e demanda enfraquecida reforça a pressão sobre as cotações, que já refletem um cenário de excesso de produto no mercado.
Sinal de alerta para produtores
Para os produtores, a situação acende um alerta: mesmo com a redução na produção, a manutenção dos preços em patamares baixos pode comprometer a rentabilidade do setor no curto prazo. A dependência da exportação e a concorrência com o etanol tornam o cenário ainda mais desafiador em um mercado global já saturado.
