Tag: Ministério da Agricultura

  • Mapa lança campanha para mostrar que saúde do brasileiro começa na terra: o que muda com os orgânicos?

    Mapa lança campanha para mostrar que saúde do brasileiro começa na terra: o que muda com os orgânicos?

    Campanha do Mapa coloca o Brasil no centro da discussão sobre alimentação saudável e sustentável

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deu início, na última terça-feira (26), à XXII Campanha Nacional de Promoção do Produto Orgânico 2026, um movimento que busca redefinir a relação entre saúde, produção agrícola e consumo no país. Sob o lema “Saúde no Campo e na Mesa”, a campanha destaca que a qualidade dos alimentos começa muito antes de chegar à mesa do consumidor — ela se constrói no solo, na água, na biodiversidade e na dignidade dos trabalhadores rurais.

    Da política pública à prateleira: como a campanha quer mudar o jogo

    A iniciativa, lançada na sede do Mapa com a presença de autoridades, representantes da sociedade civil e produtores rurais, não se limita a promover o consumo de orgânicos. Ela propõe uma reorganização da cadeia produtiva, integrando governo e redes de produção orgânica para implementar políticas públicas que priorizem a sustentabilidade e a saúde. O objetivo é claro: mostrar que o Brasil pode ser protagonista na transformação global da alimentação, aliando produtividade, respeito ao meio ambiente e segurança alimentar.

    Saúde no campo: por que os orgânicos são mais do que uma tendência

    Segundo a campanha, os sistemas orgânicos de produção não apenas evitam agrotóxicos e aditivos químicos, mas também promovem práticas agrícolas que regeneram o solo, conservam recursos hídricos e preservam ecossistemas. Para os trabalhadores rurais, isso se traduz em menor exposição a substâncias nocivas e em melhores condições de vida. Para os consumidores, significa acesso a alimentos com maior valor nutricional e livre de resíduos tóxicos. Em um país onde a fome e a obesidade coexistem, a iniciativa chega como uma resposta estratégica.

    O que esperar da campanha em 2026?

    A XXII edição da campanha promete ir além dos discursos. Com foco em educação, incentivos fiscais e parcerias público-privadas, o Mapa busca criar um ambiente favorável para que produtores rurais possam migrar para modelos orgânicos sem perder competitividade. A expectativa é que, até o final do ano, haja um aumento significativo na oferta de alimentos orgânicos nas prateleiras do país, além de uma maior conscientização sobre os benefícios dessa produção para a saúde pública e o meio ambiente.

    Com o mundo cada vez mais atento à origem dos alimentos, o Brasil tem a chance de se posicionar não apenas como um grande produtor de commodities, mas como um líder em alimentação saudável e sustentável — e essa campanha é o primeiro passo.

  • Reciclagem animal ganha impulso: ministro André de Paula e Abra traçam estratégias para setor que já exporta 926,5 mil toneladas em 2025

    Reciclagem animal ganha impulso: ministro André de Paula e Abra traçam estratégias para setor que já exporta 926,5 mil toneladas em 2025

    União estratégica para um setor em expansão

    O ministro André de Paula e representantes da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) se reuniram na última terça-feira (26) na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, para debater políticas e parcerias voltadas ao fortalecimento da reciclagem animal no Brasil. O encontro marcou um esforço conjunto para alavancar um segmento que já representa 15% das exportações brasileiras do agronegócio.

    Números que revelam potencial

    Segundo dados da Abra, o Brasil exportou mais de 926,5 mil toneladas de produtos reciclados de origem animal em 2025, consolidando-se como o segundo maior coletor mundial de resíduos do setor — atrás apenas dos Estados Unidos. A reciclagem anual de 100% dos resíduos provenientes de abatedouros e varejo coloca o país em posição de destaque global, com um modelo de economia circular que reduz desperdícios e gera valor agregado.

    Diálogo aberto como ferramenta de progresso

    Em sua fala, o ministro André de Paula destacou a importância de manter um canal permanente de diálogo com o setor. “Desde o início da gestão, buscamos estabelecer parcerias e abrir portas para construir os melhores caminhos para o segmento”, afirmou. A iniciativa reflete a estratégia do governo de integrar políticas públicas ao dinamismo do mercado, impulsionando inovações e sustentabilidade na cadeia produtiva.

  • Fraude em azeite San Paolo: lote é recolhido por misturar óleos vegetais impróprios

    Fraude em azeite San Paolo: lote é recolhido por misturar óleos vegetais impróprios

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou, na última segunda-feira (25/05), o recolhimento imediato do lote 260289 do azeite extravirgem San Paolo por conter óleos vegetais não declarados na composição, o que o torna impróprio para consumo humano.

    Ação de fiscalização identificou fraude em produto importado

    A operação foi conduzida pela Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP), com apoio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) em Goiás. As análises laboratoriais confirmaram a presença de mistura de óleos vegetais no azeite, caracterizando desclassificação do produto e possível adulteração intencional.

    Empresa investigada por irregularidades na comercialização

    Além do recolhimento do lote, o Mapa apurou irregularidades na empresa responsável pela importação e distribuição do produto. O endereço e o CNPJ do importador estão sob análise para averiguação de possíveis infrações sanitárias e comerciais. A fiscalização alerta que o consumo do lote irregular pode oferecer riscos à saúde, como intoxicação ou alergias, devido à presença de componentes não autorizados.

    Consequências e orientações aos consumidores

    A recomendação é que os consumidores que tiverem o produto em casa devolvam o lote irregular nos pontos de venda ou entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da marca. O Mapa reforça que a fraude fere normas sanitárias brasileiras e pode resultar em penalidades para a empresa, como multas ou interdição de lotes futuros.

  • Mapa lança Sispa: Revolução digital no registro de defensivos agrícolas no Brasil

    Mapa lança Sispa: Revolução digital no registro de defensivos agrícolas no Brasil

    Modernização regulatória com impacto nacional

    O lançamento do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (Sispa), nesta terça-feira (26), marca um ponto de virada na gestão de defensivos agrícolas no Brasil. A ferramenta, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), centraliza e digitaliza o processo de registro de agrotóxicos e produtos afins, substituindo o antigo modelo fragmentado por um protocolo único e eletrônico. A medida reforça o compromisso do governo com eficiência e transparência, conforme estabelecido pela Lei nº 14.785/2023, que transferiu ao Mapa a responsabilidade pelo registro desses produtos.

    Parcerias estratégicas e investimento milionário

    O desenvolvimento do Sispa contou com a colaboração de entidades do setor privado, como a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), que aportaram mais de US$ 6 milhões no projeto. O financiamento teve apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), demonstrando a integração entre setor público, privado e cooperação internacional para modernizar a agricultura brasileira.

    Consequências para o agronegócio e o meio ambiente

    A implementação do Sispa promete reduzir prazos e custos para produtores e empresas, além de aumentar a segurança jurídica nos processos de registro. Para o meio ambiente, a ferramenta pode aprimorar a fiscalização e o controle de defensivos, alinhando-se às exigências de sustentabilidade do setor. A expectativa é que a digitalização acelere a chegada de novas tecnologias ao campo, beneficiando especialmente culturas como soja, milho e algodão, que dependem de insumos regulamentados para garantir produtividade e competitividade global.

  • Ministério da Agricultura reconhece nova raça ovina: entenda o impacto para o agronegócio brasileiro

    Ministério da Agricultura reconhece nova raça ovina: entenda o impacto para o agronegócio brasileiro

    A raça ovina Berganês acaba de ganhar reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após a publicação da Portaria nº 1.630 na última sexta-feira (22). A medida autoriza a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) — com sede em Bagé (RS) — a realizar o registro genealógico dos animais, garantindo controle zootécnico e preservação de características raciais essenciais para o setor.

    A decisão marca um avanço estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente em um momento em que a ovinocultura nacional busca ampliar sua competitividade. Até então, a Berganês integrava o conjunto de raças não regulamentadas pelo Mapa, o que limitava seu desenvolvimento comercial e genético. Agora, com o registro oficial, produtores poderão documentar a linhagem dos animais, facilitando a comercialização e a participação em programas de melhoramento.

    O que muda com o registro genealógico?

    O registro genealógico é um instrumento fundamental para a organização da cadeia produtiva ovina. Com ele, a Arco poderá:

    • Identificar e rastrear os animais por linhagem, assegurando a pureza da raça;
    • Monitorar o desempenho zootécnico, como ganho de peso e resistência a doenças, para seleção de matrizes e reprodutores;
    • Criar programas de melhoramento genético, alinhados às demandas do mercado, como produção de carne ou lã;
    • Facilitar a comercialização, com certificação oficial que agrega valor aos animais e produtos derivados.

    Berganês: uma raça com potencial comercial no Sul do Brasil

    A raça Berganês, tradicionalmente criada no Rio Grande do Sul, é conhecida por sua adaptabilidade a climas frios e sua resistência a doenças, características que a tornam atraente para a pecuária familiar e empresarial. Com o reconhecimento oficial, espera-se que sua valorização no mercado cresça, impulsionando investimentos em genética e tecnologia na região.

    Segundo dados da Arco, a ovinocultura no Sul do Brasil movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em 2023, com forte participação de raças como Texel e Suffolk. A inclusão da Berganês nesse cenário pode diversificar a oferta e atender nichos específicos, como a produção de carne premium ou lã de alta qualidade.

    Próximos passos: regulação e mercado

    O próximo desafio será a implementação prática do registro genealógico, que demandará colaboração entre a Arco, produtores e o Mapa. A expectativa é que, em até 12 meses, o sistema esteja plenamente operacional, com bancos de dados atualizados e critérios claros para a certificação dos animais.

    Para a cadeia ovina nacional, a medida representa um passo importante rumo à profissionalização do setor. “O reconhecimento da Berganês é um sinal de que o Brasil está atento às oportunidades no mercado de ovinos, onde ainda há espaço para crescimento”, avalia um especialista ouvido pela reportagem.

    A portaria do Mapa entra em vigor imediatamente, mas sua eficácia dependerá da adesão dos produtores e da agilidade na estruturação dos serviços pela Arco. Enquanto isso, o setor aguarda com expectativa os primeiros resultados do registro, que poderão redefinir o panorama da ovinocultura brasileira.

  • Ministério da Agricultura libera 12,3 milhões de doses de vacinas contra clostridioses para evitar prejuízos milionários na pecuária

    Ministério da Agricultura libera 12,3 milhões de doses de vacinas contra clostridioses para evitar prejuízos milionários na pecuária

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) intensificou as ações para evitar um colapso sanitário nas fazendas brasileiras. Entre os dias 18 e 22 de maio, o governo liberou mais 12,37 milhões de doses de vacinas contra clostridioses, um grupo de doenças que, segundo especialistas, pode dizimar rebanhos inteiros em questão de dias. A medida chega em um momento crítico, com a chegada das chuvas e o aumento das atividades de manejo no campo, quando os animais estão mais suscetíveis a infecções.

    A parceria governo-indústria para recompor estoques em crise

    Dos 12,37 milhões de doses liberadas nesta semana, 6,4 milhões foram produzidas nacionalmente e outras 5,96 milhões importadas — um esforço conjunto para recompor os estoques que haviam chegado a níveis críticos. Desde março, o Mapa já disponibilizou 39 milhões de doses, mas a demanda reprimida ainda preocupa produtores e veterinários. “A escassez não está resolvida, mas essa liberação alivia a pressão imediata”, afirmou um técnico da pasta que preferiu não ser identificado.

    Clostridioses: o inimigo silencioso que pode fechar fazendas

    As clostridioses são causadas por bactérias do gênero Clostridium, presentes no solo, na água e até no trato digestivo dos animais. Doenças como tétano, botulismo e enterotoxemia têm progressão rápida e mortalidade altíssima, gerando prejuízos que vão além da perda de animais: redução na produtividade, aumento de custos veterinários e riscos sanitários que afetam toda a cadeia pecuária.

    Em sistemas intensivos de produção, como confinamentos e recria a pasto, a vacinação é a principal — e muitas vezes única — ferramenta de prevenção. “Um surto de clostridiose em uma propriedade pode significar a quebra da safra anual de leite ou carne”, explica um zootecnista ouvido pela reportagem. Segundo estimativas do setor, cada caso não controlado pode gerar perdas de até R$ 50 mil por animal em casos graves.

    O alerta que não pode esperar

    A crise atual foi agravada pela combinação de fatores: a demanda sazonal por vacinas no início do ano, a falta de planejamento em algumas indústrias e a dependência de insumos importados. “Alguns produtores estão adiando vacinações por não encontrarem os imunizantes. Isso é um tiro no pé”, alerta um médico veterinário de Goiás, estado que registrou aumento de 20% nas notificações de doenças clostridiais nos últimos seis meses.

    Para os próximos meses, o Mapa promete manter o ritmo de liberações, mas especialistas cobram soluções estruturais. “É preciso investir em produção nacional e estoques estratégicos. A pecuária brasileira não pode ficar refém de crises pontuais”, defende um representante da Associação Brasileira de Pecuária de Corte (ABCC).

  • Funcafé direciona R$ 7,3 bilhões para a safra 2026/2027: recursos garantem fôlego ao setor cafeeiro diante de crises climáticas e de mercado

    Funcafé direciona R$ 7,3 bilhões para a safra 2026/2027: recursos garantem fôlego ao setor cafeeiro diante de crises climáticas e de mercado

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou, na edição desta quinta-feira (21) do Diário Oficial da União (DOU), a portaria que define a destinação de R$ 7,368 bilhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o financiamento da safra 2026/2027. O montante, aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em março de 2026, representa um reforço estratégico para um dos setores mais relevantes da agropecuária brasileira: a cafeicultura.

    A divisão dos recursos: prioridades do Funcafé para o setor

    Dos R$ 7,368 bilhões liberados, a linha de Comercialização lidera os investimentos, com R$ 2,713 bilhões (37% do total). Essa modalidade é crucial para sustentar os preços do café no mercado interno e externo, evitando prejuízos decorrentes de oscilações de oferta e demanda. Em seguida, a Aquisição de Café — destinada a todos os elos da cadeia, da produção ao consumo — recebeu R$ 1,708 bilhão (23%), garantindo liquidez ao setor.

    Para o Custeio das lavouras, foram alocados R$ 1,616 bilhão (22%), cobrindo despesas operacionais como adubos, defensivos e mão de obra. O Capital de Giro dos produtores foi contemplado com R$ 1,150 bilhão (16%), enquanto a Recuperação de Cafezais — essencial para a manutenção da produtividade — teve R$ 180 milhões (2%).

    O papel do Funcafé como esteio da cafeicultura brasileira

    Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, os recursos do Funcafé são fundamentais para assegurar liquidez, previsibilidade e resiliência ao setor. Em um cenário global marcado por mudanças climáticas e pressões de mercado, o Fundo atua como um colchão financeiro para os cafeicultores, permitindo que enfrentem crises sem comprometer a produção. Além disso, parte dos recursos é investida em pesquisa, capacitação e promoção do café brasileiro por meio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

    Essas iniciativas visam elevar a qualidade, sustentabilidade e competitividade do café nacional no exterior, consolidando o Brasil como maior produtor e exportador mundial do grão. A estratégia inclui o desenvolvimento de variedades mais resistentes, técnicas de manejo sustentável e ações de marketing internacional.

    Chamamento público: seleção de agentes financeiros

    Além da portaria com os valores, o Mapa publicou edital para a contratação de instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural. Essas entidades serão responsáveis por operacionalizar os financiamentos, distribuindo os recursos conforme critérios a serem definidos em ato normativo próprio. A seleção priorizará bancos com expertise em agropecuária, capazes de agilizar o acesso dos produtores aos valores.

    Perspectivas para o setor: entre desafios e oportunidades

    Os números anunciados chegam em um momento crítico para a cafeicultura. A quebra de safras em regiões como o Cerrado Mineiro, afetadas pela seca e geadas, e a volatilidade dos preços internacionais exigem ações rápidas do governo. Os R$ 7,368 bilhões do Funcafé chegam como um alívio para produtores endividados e uma aposta na retomada do crescimento do setor.

    Para especialistas, o sucesso da medida dependerá da agilidade na liberação dos recursos e da transparência na fiscalização de seu uso. A expectativa é que, com o financiamento garantido, os cafeicultores possam investir em tecnologias de irrigação, manejo integrado de pragas e práticas agroecológicas, alinhando produtividade e sustentabilidade.

  • China trava exportações: quatro frigoríficos brasileiros têm compras de carne bovina suspensas em 2024 por resíduo proibido

    China trava exportações: quatro frigoríficos brasileiros têm compras de carne bovina suspensas em 2024 por resíduo proibido

    A China intensificou seus protocolos sanitários sobre a carne bovina brasileira e, em apenas quatro meses de 2024, já suspendeu as importações de quatro frigoríficos nacionais — três deles na última semana. A decisão da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) abrange unidades da JBS (MT), PrimaFoods (MG) e Frialto (MT), todas acusadas de exportar cargas com resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético proibido no mercado chinês.

    A desabilitação imediata e o estrago na cadeia exportadora

    A medida entrou em vigor na quarta-feira (20) e foi registrada no sistema Ciferquery SingleWindow, plataforma oficial da GACC que controla as empresas autorizadas a vender alimentos ao país. O ofício com a notificação foi enviado à adidância agrícola brasileira em Pequim e, posteriormente, ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), vinculado ao Ministério da Agricultura. Segundo fontes do setor consultadas pelo Broadcast Agro, a suspensão é automática e não há previsão de prazo para retomada das exportações pelas unidades afetadas.

    O hormônio vetado e a reincidência do problema

    O acetato de medroxiprogesterona é um composto utilizado em medicamentos veterinários para controle reprodutivo de bovinos, mas sua presença em tecidos animais destinados ao consumo humano é vedada pela legislação chinesa. O mesmo motivo já havia levado à suspensão, em abril, das compras da Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes (MT), do grupo Frigosul (SulBeef), elevando para quatro o número de frigoríficos brasileiros desabilitados pelo gigante asiático em 2024.

    Dependência do mercado chinês agrava o impacto

    A China é o principal destino da carne bovina brasileira, responsável por 60% das exportações do setor em 2023. Com a suspensão de unidades estratégicas — incluindo duas da JBS, gigante do segmento —, o setor teme um efeito dominó nas vendas. “É um golpe duro em um momento de alta nos custos de produção e queda nos preços internacionais”, afirmou um executivo de frigorífico não identificado, que pediu anonimato para tratar do tema sensível. Analistas do mercado projetam que a medida pode reduzir em até 5% o volume de carne exportada pelo Brasil no primeiro semestre, caso não haja solução rápida.

    Pressão sobre o governo brasileiro e cobranças por soluções

    O Ministério da Agricultura já iniciou contatos com a GACC para entender os critérios da suspensão e buscar alternativas. “Estamos avaliando se há irregularidades nos processos internos ou se trata-se de um rigor excessivo”, declarou uma fonte do Mapa. Enquanto isso, associações setoriais como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) convocaram reuniões emergenciais para mapear os riscos e pressionar por mudanças na fiscalização brasileira. “A China não está brincando. Se não corrigirmos os processos, mais unidades podem ser afetadas”, alertou um representante da entidade.

    O caso reacende debates sobre a fragilidade do modelo brasileiro de exportação, que ainda enfrenta desafios em rastreabilidade e controle de resíduos, mesmo após investimentos recentes em tecnologia. Para especialistas, a crise atual expõe a necessidade de o Brasil diversificar seus mercados ou, ao menos, robustecer seus protocolos sanitários para evitar novos episódios como este.

  • Ministro André de Paula firma agenda histórica na China: parcerias agropecuárias e redução de dependência química ganham destaque

    Ministro André de Paula firma agenda histórica na China: parcerias agropecuárias e redução de dependência química ganham destaque

    A primeira viagem internacional do ministro André de Paula à China não foi apenas simbólica, mas um marco na diplomacia agropecuária brasileira. Em Pequim, o titular do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou uma missão intensiva de diálogos com o Ministério do Comércio (MOFCOM) e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais (MARA), consolidando acordos que prometem redefinir as relações comerciais entre os dois países.

    Do discurso à ação: como o Brasil se posiciona como fornecedor estratégico da China

    No MOFCOM, André de Paula destacou a escolha da China como destino prioritário de sua gestão, justificando que o gigante asiático não é apenas o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro, mas também um interlocutor indispensável para o futuro da agropecuária nacional. “Esta missão reflete o compromisso do governo brasileiro em fortalecer uma relação que já é histórica, mas que agora ganha novos contornos de cooperação técnica e inovação”, declarou o ministro.

    O vice-ministro chinês Jiang Chenghua não poupou elogios ao Brasil, classificando o país como o principal fornecedor de carne, soja, algodão, açúcar e frango para a China. Além disso, ele destacou o crescente protagonismo de empresas chinesas no Brasil, especialmente em setores como infraestrutura, melhoramento genético de sementes e tecnologias agrícolas. “Nos últimos dois anos, vimos um salto qualitativo na participação chinesa em feiras e exposições brasileiras, o que reforça a confiança mútua”, afirmou.

    Tecnologia e sustentabilidade: o novo eixo da parceria Brasil-China

    Um dos pontos altos da agenda foi a discussão sobre soluções inovadoras para reduzir a dependência de produtos químicos na agricultura. Durante as negociações, representantes brasileiros e chineses exploraram alternativas como o uso de ozônio no tratamento de água para irrigação, que poderia reduzir em até 95% o uso de agrotóxicos — uma pauta alinhada às metas globais de sustentabilidade.

    Segundo informações preliminares, a China também se comprometeu a ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento conjunto, com foco em culturas como soja e milho, além de fortalecer as cadeias de proteína animal. “A cooperação técnica será um divisor de águas para o agronegócio brasileiro, especialmente em um momento em que a demanda chinesa por alimentos segue em trajetória ascendente”, analisou um especialista ouvido pela reportagem.

    Diplomacia de décadas: como a relação Brasil-China evoluiu sob Lula e Xi

    No MARA, o ministro André de Paula reafirmou que a parceria Brasil-China é fruto de mais de 50 anos de diplomacia, desde o estabelecimento das relações em 1974. Ele citou o papel decisivo dos presidentes Lula e Xi Jinping na elevação do diálogo a um novo patamar de confiança e integração.

    O ministro chinês Zhang Zhu, por sua vez, enfatizou a importância da recente visita de Lula à China, que resultou em uma agenda bilateral ambiciosa, incluindo acordos de cooperação científica e comercial. “O Brasil e a China não são apenas parceiros comerciais; somos aliados estratégicos na busca por segurança alimentar global”, declarou.

    O que muda agora? Impactos para produtores brasileiros e consumidores chineses

    Para o setor produtivo brasileiro, os desdobramentos da missão incluem:

    • Abertura de novos mercados: Produtos como carne bovina e suína devem ter barreiras sanitárias reduzidas, facilitando exportações.
    • Investimentos em inovação: Empresas chinesas poderão aportar recursos em startups e cooperativas brasileiras, especialmente na região Centro-Oeste.
    • Sustentabilidade como diferencial: A adoção de tecnologias limpas, como o ozônio, pode se tornar um ativo comercial, atraindo compradores dispostos a pagar mais por produtos eco-friendly.

    Do lado chinês, a prioridade é garantir suprimentos estáveis e de alta qualidade para uma população de 1,4 bilhão de habitantes, cada vez mais exigente em segurança alimentar. “A China precisa diversificar suas fontes de importação, e o Brasil é a resposta mais confiável”, resumiu um analista do setor.

    Próximos passos: quando os acordos virarão realidade?

    Embora os resultados concretos ainda dependam de assinaturas formais, a expectativa é que os compromissos sejam formalizados até o final de 2024. O ministro André de Paula já anunciou que uma comitiva chinesa visitará o Brasil em setembro para acompanhar a implementação das medidas. “Este é apenas o começo de uma nova era na relação agropecuária entre nossos países”, afirmou.

  • Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    O governo brasileiro formalizou nesta semana um pedido à União Europeia (UE) para um período de transição na aplicação de novas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, com foco exclusivo na cadeia de carne bovina. A medida busca evitar um colapso nas exportações do setor, um dos principais mercados para o Brasil, diante da iminente suspensão europeia de produtos brasileiros por descumprimento de normas sanitárias.

    A estratégia brasileira: adequação escalonada até 2029

    A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê um cronograma de adaptação progressiva. Inicialmente, os frigoríficos exportadores deveriam comprovar que os bovinos não receberam antimicrobianos nos nove meses anteriores ao abate — uma exigência viável para animais criados em confinamento. A restrição total ao uso de antimicrobianos ao longo de toda a vida do animal, entretanto, só passaria a vigorar em 2029, dando tempo para que o setor se reorganize.

    “A complexidade da cadeia bovina brasileira exige um tratamento diferenciado. Enquanto outras proteínas animais, como aves, têm ciclos curtos e maior controle, a bovinocultura envolve múltiplas etapas e propriedade rurais, o que dificulta a rastreabilidade integral”, afirmou um técnico do Mapa ouvido pela reportagem.

    O impasse com a União Europeia e o risco comercial

    A crise diplomática entre Brasília e Bruxelas ganhou contornos mais graves após a UE retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal em maio deste ano. A justificativa foi o descumprimento de normas europeias de segurança sanitária, especialmente no que tange ao uso de antimicrobianos na produção pecuária. Técnicos do Mapa admitem que os setores de aves, ovos e mel enfrentam desafios menores, graças a ciclos produtivos curtos e modelos integrados de produção. O problema central, no entanto, está na cadeia de carne bovina, onde a falta de rastreabilidade integral expõe o Brasil a sanções comerciais.

    “A legislação europeia, já regulamentada desde 2023, estabelece o dia 3 de setembro de 2026 como o prazo final para adequação internacional. Se não houver flexibilização, o Brasil pode perder acesso a um mercado que consome 20% das exportações de carne bovina brasileira”, alertou um analista de comércio exterior.

    A batalha logística: por que a bovinocultura é o calcanhar de Aquiles?

    Diferente da avicultura, onde um frango leva cerca de 45 dias para ser abatido e todo o processo é controlado por integradoras, a bovinocultura brasileira é marcada por uma cadeia fragmentada. Um boi pode passar por até três propriedades diferentes — cria, recria e engorda — antes de ser levado ao abate. Embora alguns frigoríficos já possuam sistemas avançados de rastreamento, o volume de animais com histórico documentado de ponta a ponta ainda é reduzido. Essa lacuna torna a implementação imediata das normas europeias praticamente inviável.

    “A proposta de transição é uma tentativa de ganhar tempo sem prejudicar as exportações. Sem ela, o setor sofreria um apagão comercial em um dos seus principais mercados”, avaliou um executivo do setor entrevistado.

    O que está em jogo e o que vem pela frente

    A negociação com a União Europeia será decisiva para o futuro das exportações brasileiras de carne bovina. Caso o pedido de prorrogação seja recusado, o Brasil terá de correr contra o tempo para adequar toda a cadeia produtiva em menos de dois anos — um desafio logístico e financeiro considerável. Enquanto isso, o Mapa trabalha em um plano de contingência que inclui a capacitação de pecuaristas, a expansão de sistemas de rastreamento e a negociação de acordos bilaterais com países europeus.

    “Não se trata apenas de cumprir uma norma. É sobre preservar um setor que movimenta R$ 300 bilhões por ano e sustenta milhões de empregos no campo”, destacou uma autoridade do governo, que pediu anonimato para tratar do tema sensível.