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  • Ruf apresenta motor boxer de 8 cilindros com mais de 1.000 cv no Goodwood 2026

    Ruf apresenta motor boxer de 8 cilindros com mais de 1.000 cv no Goodwood 2026

    A Ruf Automobile, conhecida por suas criações baseadas em plataformas Porsche, surpreendeu o público no Goodwood Festival of Speed 2026 com o lançamento do motor B8. Trata-se do primeiro propulsor boxer de oito cilindros desenvolvido integralmente pela marca alemã, um marco para a engenharia automotiva.

    Um flat-8 puro-sangue: 1.000 cv sem eletrônica assistida

    Com 4,8 litros de deslocamento e dois turbocompressores, o B8 entrega impressionantes 1.000 cv de potência e um torque superior a 1.000 Nm. O detalhe técnico mais interessante é a ausência de sistemas híbridos ou eletrônicos avançados, provando que a performance extrema ainda pode ser alcançada com mecânica tradicional. Segundo a Ruf, o torque de 102 kgfm é atingido já nos baixos regimes, garantindo uma entrega linear e brutal.

    Protótipo Erprober: o laboratório sobre rodas

    Instalado em um chassi baseado no Ruf CTR3 — batizado como Erprober („testador“ em alemão) —, o motor B8 será submetido a um rigoroso programa de testes durante o festival. O carro, que já está sendo usado para desenvolvimento, percorrerá milhares de quilômetros antes de qualquer nova tecnologia ser liberada para produção. Ao volante, Tanner Foust, ex-apresentador do Top Gear USA e especialista em rallycross, encarregará o flat-8 em duas subidas diárias na icônica pista de 1,86 km de Goodwood.

    Goodwood como palco de inovação

    O Goodwood Festival of Speed não é apenas um evento para exibições. Para a Ruf, a estreia pública do B8 serve como vitrine de sua capacidade de inovar sem depender de gigantes da indústria. Enquanto concorrentes apostam em hibridização ou eletrificação, a marca alemã reforça que o motor boxer ainda tem muito a oferecer — especialmente quando se trata de som visceral e pura emoção ao dirigir.

  • Super Fuscão 1600 S: como o Fusca virou um esportivo de 65 cv e marcou a história automotiva brasileira

    Super Fuscão 1600 S: como o Fusca virou um esportivo de 65 cv e marcou a história automotiva brasileira

    O Volkswagen Fusca sempre foi sinônimo de resistência e popularidade no Brasil, mas em 1974, a marca alemã decidiu ir além da simplicidade. Com o lançamento do Super Fuscão 1600 S — apelidado carinhosamente de Bizorrão —, a Volkswagen criou uma versão esportiva que não só impressionou nas ruas, mas também nas pistas.

    O motor 1.6 boxer: a alma do Super Fuscão

    A evolução do Fusca no Brasil sempre esteve ligada ao motor. Se em 1959 o modelo vinha com um modestíssimo 1.2 boxer de 36 cv, a demanda por mais potência levou a Volkswagen a aumentar a cilindrada ao longo dos anos. Em 1967, o Tigre trouxe 1.3 litro, e em 1970, o Fuscão chegou com 1.5 litro. Mas foi com o motor 1.6 litro — herdado do Brasília — que o Fusca finalmente se tornou competitivo.

    Com 65 cv de potência, o Super Fuscão superava até mesmo modelos como o VW SP-2, que entregava apenas 58 cv. A mágica estava na dupla carburação, que otimizava o rendimento e reduzia o consumo. Enquanto os donos de Fuscas comuns dependiam de kits importados para alcançar esse patamar, a Volkswagen ofereceu uma solução oficial, provando que o ‘carro do povo’ poderia ser rápido e confiável.

    Do autódromo para a fábrica: a gênese do Bizorrão

    A trajetória do Super Fuscão começou nas pistas. Em 1973, o então presidente da Volkswagen, Wolfgang Sauer, anunciou a criação da SuperVê, uma categoria de monopostos equipados com o motor 1.6. A vitória do Fusca nessas competições chamou a atenção da engenharia, que decidiu desenvolver uma versão esportiva para as ruas. Nascia, assim, o Super Fuscão 1600 S.

    A campanha de lançamento focou no público jovem, que abraçou o apelido Bizorrão — uma referência ao visual robusto e ao desempenho surpreendente. A estratégia de marketing foi tão eficaz que o modelo se tornou um ícone, representando a união entre a simplicidade do Fusca e a adrenalina dos esportivos.

    Design e performance: o que tornava o Super Fuscão único

    Externamente, o Super Fuscão se destacava por detalhes que iam além do motor. O capô traseiro ganhou uma tomada de ar preta, um visual agressivo que lembrava os carros de competição. As rodas de 14 polegadas com bitolas mais largas — semelhantes às do Brasília — davam ao modelo uma postura mais esportiva, enquanto a suspensão reforçada melhorava a dirigibilidade.

    No interior, a Volkswagen apostou em um acabamento superior ao padrão. O carpete substituía o assoalho convencional, e os bancos dianteiros reclináveis ofereciam mais conforto. O volante de três raios Walrod e a alavanca de câmbio encurtada davam um toque premium, enquanto o painel mantinha a simplicidade funcional do Fusca original.

    Legado: o fim de uma era icônica

    O Super Fuscão 1600 S foi produzido por um curto período, mas seu impacto foi duradouro. Ele representou um momento em que a Volkswagen ousou ao apostar em um Fusca que não era apenas um carro popular, mas também um esportivo acessível. Enquanto modelos como o SP-2 e o Opala dominavam as pistas, o Bizorrão mostrava que o Fusca tinha potencial para competir em outro patamar.

    Hoje, o Super Fuscão é um dos modelos mais cobiçados pelos colecionadores. Sua combinação de design retrô, motorização robusta e história nas pistas o torna uma peça única no automobilismo brasileiro. Para os fãs do Fusca, o Bizorrão não foi apenas um carro — foi uma revolução.