Tag: Nelore

  • Feicorte 2026: Leilões de genética superior e solidariedade movem pecuária brasileira em junho

    Feicorte 2026: Leilões de genética superior e solidariedade movem pecuária brasileira em junho

    Genética de elite em disputa: o que esperar dos leilões na Feicorte 2026

    A partir do dia 23 de junho, a Feicorte 2026 — maior evento da cadeia produtiva da carne brasileira — trará ao Recinto Jacob Tosello, em Presidente Prudente (SP), os principais nomes do setor para um dos momentos mais aguardados: os leilões de genética premium. Pecuaristas e investidores terão acesso a linhagens de alto desempenho, responsáveis por impulsionar a produtividade e a rentabilidade dos rebanhos nacionais. A programação promete ser um termômetro do futuro da pecuária brasileira, com animais avaliados não apenas pelo potencial comercial, mas pela capacidade de transformar médias de produtividade em todo o país.

    Solidariedade que move a cadeia: como os remates beneficiam a sociedade

    Além do aspecto comercial, a Feicorte 2026 reforça seu papel social. Os recursos arrecadados durante os leilões serão destinados a uma entidade focada na qualificação profissional e inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade, demonstrando que a união da cadeia pode ir além do campo. A iniciativa, inédita na magnitude da feira, evidencia como a inovação genética e a responsabilidade social podem caminhar lado a lado para fortalecer o agro brasileiro.

    Primeiro leilão da semana: Confraria da Carcaça Nelore abre as negociações em 23 de junho

    O 3º Leilão Confraria da Carcaça Nelore, previsto para começar às 19h30 do dia 23 de junho (terça-feira), será o primeiro grande evento de remate da Feicorte. Com transmissão ao vivo pelo Canal do Boi, o leilão coloca em pauta animais que representam o que há de melhor na raça Nelore, referência mundial em adaptabilidade e qualidade de carcaça. Para especialistas, a edição promete superar expectativas, com animais que já são sinônimo de eficiência reprodutiva e ganho de peso, dois pilares essenciais para o pecuarista moderno.

  • Exponel Ouro Vila Velha 2026: Pecuária de elite se reúne de 8 a 13 de junho para definir os melhores nelores do Espírito Santo

    Exponel Ouro Vila Velha 2026: Pecuária de elite se reúne de 8 a 13 de junho para definir os melhores nelores do Espírito Santo

    A pecuária capixaba receberá, entre os dias 8 e 13 de junho de 2026, uma das mais prestigiadas exposições da raça Nelore do Brasil: a 14ª Exponel Ouro Vila Velha. O evento, promovido pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) em parceria com a Associação Capixaba dos Criadores de Nelore (ACCN), é uma etapa Ouro dos Rankings Nacionais Nelore e Nelore Mocho, atraindo criadores, expositores e especialistas de todo o país.

    Programação técnica define os melhores animais do Estado

    A partir do dia 8 de junho, data-base do evento, será realizada a pesagem oficial dos animais, o diagnóstico de gestação das fêmeas e a mensuração do perímetro escrotal dos machos — etapas essenciais para a classificação nos rankings. Nos dias seguintes, de 9 a 13 de junho, os julgamentos técnicos irão eleger os Grandes Campeões, Melhores Expositores, Criadores e o Supremo Criador da exposição.

    Impulso econômico e genético para o setor

    Além de ser um termômetro da qualidade genética dos rebanhos nelore, a Exponel Ouro Vila Velha movimenta a economia local e fortalece o mercado de genética bovina no Espírito Santo. Com a presença de criadores de renome nacional, o evento não apenas premia os melhores exemplares, mas também fomenta a troca de tecnologias e boas práticas entre os participantes. Para o setor, trata-se de um investimento estratégico, especialmente em um cenário de desafios climáticos, como o alerta para os impactos do El Niño forte na safra 2026/27, que pode afetar regiões produtoras e exigir ainda mais resiliência dos criadores.

  • ANC comemora 120 anos como marco da genética pecuária brasileira: legado que moldou rebanhos nacionais

    ANC comemora 120 anos como marco da genética pecuária brasileira: legado que moldou rebanhos nacionais

    A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) chega aos 120 anos em 2026 não apenas como uma instituição centenária, mas como um alicerce invisível — e indispensável — da pecuária brasileira. Fundada em 1906, a entidade se tornou referência global no controle genealógico e melhoramento genético de raças bovinas, equinas e ovinas, impulsionando a evolução de rebanhos mais produtivos, resistentes e adaptados às demandas do campo.

    Um século e vinte anos reescrevendo o DNA da pecuária nacional

    Desde sua criação, a ANC atua como guardiã de padrões genéticos, certificando linhagens que definiram o perfil de raças como Nelore, Angus e Hereford no Brasil. Mas seu legado vai além dos registros: a entidade foi pioneira em tecnologias como a inseminação artificial e a seleção genômica, acelerando a transformação de rebanhos brasileiros em modelos de eficiência. Hoje, estima-se que mais de 60% do gado de corte nacional tenha algum grau de influência genética certificada pela ANC.

    Fenagen 2026: a ANC celebra seu passado enquanto projeta o futuro

    A comemoração dos 120 anos ganha destaque no lançamento da 3ª edição da Fenagen Promebo, realizada em Pelotas (RS) na terça-feira, 26 de maio de 2026. O evento, que ocorrerá entre 1º e 4 de julho no Parque da Associação Rural de Pelotas, promete reunir julgamentos zootécnicos, exposições de animais premiados, leilões de genética de elite e palestras técnicas com especialistas internacionais. Será um espaço onde o passado da ANC — marcado por pioneirismo — dialoga com as inovações do século XXI, como a edição genética CRISPR e a pecuária de precisão.

    Joaquin Villegas, presidente da ANC, destacou em entrevista exclusiva a relevância simbólica do aniversário: “Completar 120 anos não é apenas celebrar uma trajetória, mas reafirmar nosso compromisso com uma pecuária cada vez mais sustentável e tecnológica. Este marco nos lembra que, desde 1906, estamos escrevendo a história genética do Brasil — e isso não para hoje”.

    Legado que transcende fronteiras

    O impacto da ANC vai além dos números de rebanhos. A entidade foi fundamental para a internacionalização da pecuária brasileira, permitindo que genética nacional fosse exportada para países como Argentina, Uruguai e Paraguai. Além disso, sua atuação no controle sanitário e na rastreabilidade contribuiu para que o Brasil se tornasse o maior exportador de carne bovina do mundo, com padrões que atendem às exigências dos mercados mais rigorosos.

    Com a pecuária enfrentando novos desafios — como a pressão por sustentabilidade e a demanda por proteínas com menor impacto ambiental — a ANC se posiciona como um player estratégico. “Nosso próximo desafio é usar a genética para reduzir a emissão de metano no gado e aumentar a eficiência alimentar, sem perder produtividade”, afirma Villegas. A comemoração dos 120 anos, portanto, não é apenas uma celebração de conquistas, mas um convite para repensar o futuro da produção animal no país.

  • César Menotti e Fabiano compram 50% de vaca Nelore premiada por R$ 1,98 milhão em leilão do agro goiano

    César Menotti e Fabiano compram 50% de vaca Nelore premiada por R$ 1,98 milhão em leilão do agro goiano

    A genética Nelore, carro-chefe da pecuária brasileira, voltou a ser destaque no agro nacional — e agora com a participação de nomes do entretenimento. Na última sexta-feira (23/05/2026), durante a 5ª edição do Leilão Fazenda Terra Prometida & Convidados Especiais, promovido pelos cantores Henrique & Juliano em Porto Nacional (TO), a vaca ‘Ísis Valverde FIV da RS’ foi arrematada pela dupla César Menotti e Fabiano. O negócio, de R$ 1,98 milhão — pago em 30 parcelas de R$ 66 mil —, representa mais um passo na escalada de investimentos em matrizes premiadas, que se tornam ativos estratégicos no setor.

    Um negócio que une agro, fama e alto valor

    A compra de 50% da matriz, que já acumula oito premiações, não se limita a um lance milionário: ela simboliza o cruzamento cada vez mais frequente entre celebridades, grandes investidores e o mercado de genética bovina de ponta. A raça Nelore, responsável por cerca de 80% do rebanho de corte do país, tem visto suas matrizes mais valorizadas como ativos de alto rendimento, atraindo nomes como os de Menotti e Fabiano para o setor.

    Genética Nelore: o ouro do agro brasileiro

    O valor recorde da ‘Ísis Valverde’ reflete uma tendência consolidada no agro nacional. Em 2025, leilões de animais geneticamente superiores chegaram a superar a marca de R$ 5 milhões por matriz, impulsionados pela demanda por touros e vacas capazes de garantir melhorias genéticas rápidas no rebanho. A disputa pela vaca, que durou pouco mais de cinco minutos, foi acirrada, mas o lance final não apenas garantiu a parceria entre os investidores e os novos donos, como também elevou o prestígio da matriz no mercado.

    O que esperar desse movimento?

    Especialistas do setor apontam que a entrada de celebridades no agro pode ser um divisor de águas para a profissionalização do mercado. Além de injetar capital, nomes como os de César Menotti e Fabiano ajudam a popularizar a discussão sobre genética animal, atraindo novos investidores e até mesmo jovens pecuaristas. No entanto, o desafio permanece: garantir que os investimentos em genética se traduzam em ganhos reais para o setor, evitando bolhas especulativas.

    Enquanto isso, a ‘Ísis Valverde’ já entra para a história como um dos exemplos mais emblemáticos dessa nova era do agro brasileiro, onde fama, tecnologia e pecuária se encontram para redefinir os padrões de valor no campo.

  • Novilhas Nelore aos 12 meses: o tripé de precisão que revoluciona a pecuária brasileira

    Novilhas Nelore aos 12 meses: o tripé de precisão que revoluciona a pecuária brasileira

    A pecuária de corte brasileira vive uma revolução silenciosa, mas implacável. Enquanto os rebanhos nacionais batem recordes de produção, uma fronteira antes impensável se consolida: a inseminação de novilhas Nelore aos 12 meses, com peso médio de 300 kg. A prática, que há uma década parecia um devaneio de técnicos otimistas, hoje é realidade em fazendas modelo — mas não sem riscos.

    A engenharia genética por trás do desafio: quando a precocidade vira regra

    O sucesso nesse empreendimento começa antes mesmo do nascimento do animal. Segundo o professor José Bento Ferraz, da USP Pirassununga e uma das maiores autoridades em genética bovina do país, a base da operação é 100% genética. “Não adianta querer forçar uma novilha se a carga genética não for voltada para precocidade sexual”, alerta o especialista. As fêmeas devem ser filhas e netas de touros e matrizes com DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) comprovadas para fertilidade e puberdade precoce. Sem esse lastro, os protocolos de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) transformam-se em armadilhas dispendiosas, com taxas de prenhez abaixo do esperado e estragos no balanço reprodutivo da propriedade.

    Ferraz, que há mais de 40 anos pesquisa melhoramento genético, destaca que a seleção deve ser implacável. “O criador precisa entender que está lidando com um organismo que ainda não atingiu sua maturidade completa. A genética deve ser a bússola, não a justificativa para gambiarras”, afirma. A Embrapa, em estudos recentes, aponta que rebanhos com alta pressão de seleção para precocidade apresentam ganhos de até 20% na taxa de prenhez em programas de IATF, quando comparados a grupos sem essa característica.

    O sêmen como fator decisivo: low birth weight como aliado, não como inimigo

    A escolha do touro para inseminação não é mera formalidade — é uma decisão crítica. Em novilhas de 12 meses, ainda em pleno desenvolvimento ósseo e muscular, o peso ao nascer do bezerro é um ponto de atenção. Ferraz recomenda a utilização de touros com DEP para baixo peso ao nascer, uma estratégia que, paradoxalmente, protege a saúde da matriz jovem. “Um bezerro grande demais pode não apenas complicar o parto, mas também retardar o retorno da novilha à ciclicidade reprodutiva”, explica o professor.

    Além disso, a seleção deve priorizar touros provados para facilidade de parto, reduzindo o risco de distocia — complicação que pode levar à morte da fêmea ou do bezerro, além de custos veterinários elevados. Dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) mostram que rebanhos que adotam essa prática apresentam queda de 30% nos casos de partos distócicos em matrizes precoces. “É uma equação simples: um touro ruim pode arruinar anos de seleção genética”, resume Ferraz.

    Nutrição de precisão: o combustível invisível da revolução reprodutiva

    Mas genética sozinha não garante o sucesso. A nutrição das novilhas superprecoces exige um cálculo cirúrgico, onde cada grama de proteína, energia e minerais é estrategicamente planejada. A Embrapa Gado de Corte, em parceria com universidades federais, desenvolveu protocolos nutricionais específicos para fêmeas Nelore em programas de IATF, com foco em três pilares:

    • Proteína bruta acima de 14% na dieta: Essencial para o desenvolvimento do trato reprodutivo e síntese de hormônios como o estradiol, crucial para a manifestação do cio.
    • Energia balanceada via concentrados de alta digestibilidade: Evita acúmulos de gordura excessiva (que prejudica a fertilidade) e fornece energia sem sobrecarregar o sistema digestivo em formação.
    • Minerais e vitaminas em doses terapêuticas: Especialmente o selênio, zinco e vitamina E, que atuam como antioxidantes e reguladores do ciclo estral.

    O nutricionista Pedro Paulo Pires, consultor de fazendas no Mato Grosso, relata casos onde a correção nutricional elevou as taxas de prenhez de 45% para 78% em novilhas de 12 meses. “O erro mais comum é tratar essas fêmeas como vacas adultas. Elas precisam de um cardápio sob medida, com ingredientes que não agridam o rúmen em formação”, explica. Segundo ele, o uso de probióticos e leveduras vivas também tem se mostrado eficaz na redução do estresse metabólico durante a IATF.

    O custo da pressa: quando a ambição supera a ciência

    Apesar dos números promissores, especialistas são unânimes em alertar para os riscos de se aplicar essa estratégia de forma indiscriminada. O zootecnista Marcelo Selistre, da empresa de genética CRV Lagoa, estima que cerca de 30% das fazendas que tentam inseminar novilhas aos 12 meses acabam abandonando a prática nos primeiros dois anos. “Os prejuízos não vêm apenas da baixa prenhez, mas também do aumento da mortalidade de bezerros e da queda na vida útil reprodutiva das matrizes”, revela.

    Para Selistre, o erro mais frequente é ignorar o período de adaptação. Novilhas precoces precisam de pelo menos 60 dias de manejo diferenciado antes da IATF, com dieta controlada e ambiente livre de estresse. “Muitas propriedades tentam ‘queimar etapas’, achando que a genética resolverá tudo. Mas a pecuária de precisão não perdoa improvisos”, afirma.

    Outro ponto crítico é o gerenciamento do estresse térmico. Em regiões como o Pantanal e o Centro-Oeste, as altas temperaturas durante a estação de monta podem reduzir em até 40% as taxas de concepção. Soluções como sombra artificial, ventilação forçada e até mesmo o uso de aditivos antiestresse (como o óleo essencial de orégano) têm sido testadas com resultados positivos.

    O futuro já começou: casos de sucesso que ditam o novo padrão

    Empresas como a Agropecuária Jacarezinho, no Mato Grosso do Sul, e a Fazenda Água Limpa, em Goiás, já colhem os frutos dessa revolução. Na Jacarezinho, 85% das novilhas Nelore inseminadas aos 12 meses emprenham na primeira estação de monta, com bezerros nascendo com peso médio de 32 kg — dentro do padrão seguro para as matrizes. Na Água Limpa, o índice chega a 92%, graças a um programa de seleção genética que já dura oito anos.

    Para o professor Ferraz, esses casos não são exceção, mas a prova de que a pecuária brasileira está ingressando em uma nova era. “Antes, os produtores tinham que escolher entre precocidade e longevidade. Hoje, com as ferramentas disponíveis, é possível ter ambos”, conclui. A chave, como sempre, está no tripé: genética + nutrição + gestão — um equilíbrio que separa os inovadores dos meros repetidores de técnicas.

  • Boran chega ao Brasil: raça africana de elite promete revolucionar pecuária nacional

    Boran chega ao Brasil: raça africana de elite promete revolucionar pecuária nacional

    Um marco histórico para a pecuária brasileira

    A pecuária nacional acaba de registrar um feito inédito. Nasceram, na Fazenda GT, localizada em Mato Grosso do Sul, os primeiros bezerros puro-sangue da raça Boran produzidos em território brasileiro. O evento, resultado de mais de vinte anos de tentativas, investimentos e negociações internacionais, não apenas comemora o nascimento de animais, mas inauguura uma nova era na bovinocultura nacional. A raça, originária do leste africano — especialmente do Quênia e do Chifre da África — é reconhecida globalmente por sua rusticidade excepcional, fertilidade elevada e capacidade de manter altos índices produtivos mesmo em condições adversas, como pastagens escassas e climas extremos.

    Do Quênia ao Brasil: trajetória de um zebuíno de elite

    O Boran é considerado um dos zebuínos mais adaptados a ambientes tropicais e subtropicais, uma característica que sempre chamou a atenção de pecuaristas brasileiros. Durante décadas, criadores e pesquisadores brasileiros tentaram introduzir a raça no país, mas barreiras sanitárias, regulatórias e logísticas adiaram o sonho. A virada ocorreu recentemente, com a importação histórica de embriões do Paraguai, país que já havia consolidado o Boran em seu território. Essa operação, detalhada anteriormente pelo Compre Rural, removeu os últimos obstáculos burocráticos e abriu caminho para a chegada oficial do Boran ao Brasil.

    A raça possui atributos raros no cenário da pecuária moderna. Além da notável resistência a doenças e parasitas, o Boran se destaca pela eficiência alimentar — convertendo pastagens de baixa qualidade em ganho de peso com impressionante eficiência —, precocidade sexual, longevidade produtiva e, sobretudo, docilidade. Essas características o tornam ideal para sistemas extensivos, onde a manutenção de índices zootécnicos elevados é constantemente desafiada por fatores ambientais. Especialistas do setor já apontam o Boran como uma ferramenta estratégica para programas de cruzamento industrial e para a produção sustentável de proteína animal, especialmente em regiões onde a pecuária enfrenta limitações climáticas.

    Primeiros nascimentos: vitalidade que supera expectativas

    Os primeiros animais puro-sangue da raça Boran nasceram na Fazenda GT, propriedade do pecuarista Guilherme Gervásio, um dos principais articuladores da introdução da raça no Brasil. Os bezerros, fruto de fertilização in vitro (FIV), já surpreenderam pela vitalidade e peso ao nascer, variando entre 29 e 35 quilos — valores comparáveis aos tradicionalmente observados em bezerros Nelore, raça dominante no país. “Os bezerros nasceram com saúde. Tipo Nelore mesmo. Apesar de ser FIV, notamos a mesma vitalidade”, afirmou Gervásio ao Compre Rural.

    O produtor destacou que o nascimento desses animais é o coroamento de um planejamento de longo prazo, que envolveu desde a seleção genética até a adequação das instalações da propriedade. “Foi um processo de mais de 20 anos, com idas e vindas, mas hoje podemos dizer que o Boran chegou para ficar”, declarou. A Fazenda GT já prepara a próxima etapa: o acompanhamento do desenvolvimento dos bezerros e o início de um programa de melhoramento genético para consolidar a presença da raça no rebanho nacional.

    Potencial revolucionário para a pecuária tropical

    O sucesso da introdução do Boran no Brasil pode representar um divisor de águas para a pecuária nacional, especialmente em um cenário onde a sustentabilidade e a eficiência produtiva são cada vez mais exigidas. Segundo dados da Embrapa, o Brasil abriga o maior rebanho bovino comercial do mundo, com cerca de 250 milhões de cabeças, mas enfrenta desafios como a sazonalidade das pastagens, a pressão por redução do desmatamento e a necessidade de aumentar a produtividade sem expandir a fronteira agrícola.

    Nesse contexto, o Boran surge como uma alternativa promissora. Sua capacidade de produzir carne de qualidade em sistemas extensivos, com menor dependência de insumos externos, alinha-se às demandas por uma pecuária mais resiliente e ambientalmente responsável. Além disso, a raça tem potencial para ser utilizada em cruzamentos com raças locais, como o Nelore, visando a obtenção de animais com maior adaptabilidade e performance em diferentes biomas brasileiros.

    Desafios e perspectivas para o futuro

    Apesar do otimismo, especialistas alertam que a consolidação do Boran no Brasil ainda depende de alguns fatores-chave. O primeiro é a ampliação do plantel inicial, que atualmente conta com poucos animais puro-sangue. A Fazenda GT e outros criadores envolvidos no projeto já trabalham para expandir o número de fêmeas Boran, essenciais para a perpetuação da genética. Além disso, é necessário investir em pesquisas que comprovem o desempenho da raça em diferentes regiões do país, desde o Pantanal até a Amazônia.

    Outro ponto crítico é a aceitação do mercado. Embora o Boran seja conhecido internacionalmente, muitos pecuaristas brasileiros ainda têm dúvidas sobre sua adaptação a longo prazo. “A raça tem tudo para dar certo, mas precisamos mostrar resultados concretos em escala comercial”, afirmou um zootecnista que preferiu não se identificar. A realização de dias de campo, palestras técnicas e a publicação de dados zootécnicos serão fundamentais para disseminar o conhecimento sobre o Boran entre os produtores.

    Um novo capítulo na história da pecuária brasileira

    Com o nascimento dos primeiros bezerros Boran no Brasil, o país dá um passo significativo rumo à diversificação de seu rebanho bovino. A raça, que já provou seu valor em outros continentes, chega ao território nacional em um momento em que a inovação e a sustentabilidade são palavras de ordem. Se os resultados se confirmarem, o Boran poderá se tornar uma das grandes apostas da pecuária brasileira nas próximas décadas, contribuindo para a produção de carne de qualidade, a redução de impactos ambientais e a geração de renda para milhares de famílias rurais.

    Enquanto os bezerros da Fazenda GT mamam e ganham força, o setor aguarda ansiosamente pelos próximos capítulos dessa história. Uma coisa é certa: o Boran não veio para competir com as raças já estabelecidas, mas para somar. E, nesse jogo, todos saem ganhando.