A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) chega aos 120 anos em 2026 não apenas como uma instituição centenária, mas como um alicerce invisível — e indispensável — da pecuária brasileira. Fundada em 1906, a entidade se tornou referência global no controle genealógico e melhoramento genético de raças bovinas, equinas e ovinas, impulsionando a evolução de rebanhos mais produtivos, resistentes e adaptados às demandas do campo.
Um século e vinte anos reescrevendo o DNA da pecuária nacional
Desde sua criação, a ANC atua como guardiã de padrões genéticos, certificando linhagens que definiram o perfil de raças como Nelore, Angus e Hereford no Brasil. Mas seu legado vai além dos registros: a entidade foi pioneira em tecnologias como a inseminação artificial e a seleção genômica, acelerando a transformação de rebanhos brasileiros em modelos de eficiência. Hoje, estima-se que mais de 60% do gado de corte nacional tenha algum grau de influência genética certificada pela ANC.
Fenagen 2026: a ANC celebra seu passado enquanto projeta o futuro
A comemoração dos 120 anos ganha destaque no lançamento da 3ª edição da Fenagen Promebo, realizada em Pelotas (RS) na terça-feira, 26 de maio de 2026. O evento, que ocorrerá entre 1º e 4 de julho no Parque da Associação Rural de Pelotas, promete reunir julgamentos zootécnicos, exposições de animais premiados, leilões de genética de elite e palestras técnicas com especialistas internacionais. Será um espaço onde o passado da ANC — marcado por pioneirismo — dialoga com as inovações do século XXI, como a edição genética CRISPR e a pecuária de precisão.
Joaquin Villegas, presidente da ANC, destacou em entrevista exclusiva a relevância simbólica do aniversário: “Completar 120 anos não é apenas celebrar uma trajetória, mas reafirmar nosso compromisso com uma pecuária cada vez mais sustentável e tecnológica. Este marco nos lembra que, desde 1906, estamos escrevendo a história genética do Brasil — e isso não para hoje”.
Legado que transcende fronteiras
O impacto da ANC vai além dos números de rebanhos. A entidade foi fundamental para a internacionalização da pecuária brasileira, permitindo que genética nacional fosse exportada para países como Argentina, Uruguai e Paraguai. Além disso, sua atuação no controle sanitário e na rastreabilidade contribuiu para que o Brasil se tornasse o maior exportador de carne bovina do mundo, com padrões que atendem às exigências dos mercados mais rigorosos.
Com a pecuária enfrentando novos desafios — como a pressão por sustentabilidade e a demanda por proteínas com menor impacto ambiental — a ANC se posiciona como um player estratégico. “Nosso próximo desafio é usar a genética para reduzir a emissão de metano no gado e aumentar a eficiência alimentar, sem perder produtividade”, afirma Villegas. A comemoração dos 120 anos, portanto, não é apenas uma celebração de conquistas, mas um convite para repensar o futuro da produção animal no país.

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