Oferta restrita mantém pressão altista no mercado
As cotações da arroba do boi gordo ganharam fôlego na última semana em estados como Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, após semanas de pressão da indústria frigorífica. A combinação de escalas de abate enxutas e redução na oferta de animais terminados voltou a ser o principal pilar do mercado, revertendo temporariamente a tendência de queda observada em junho de 2026. Frigoríficos relataram dificuldades para manter os níveis de abate, o que elevou os preços em até 4% em algumas praças, segundo dados da Cepea.
Exportações para a China podem definir o ritmo do mercado
O ritmo das vendas externas ao principal comprador do Brasil — a China — tornou-se o grande ponto de interrogação para os próximos meses. Após a antecipação do esgotamento da cota de exportação chinesa para 2026, analistas do setor alertam que o volume de embarques nas próximas semanas será decisivo. “Até agora, as exportações seguiram firmes, mas o limite de 2026 pode fechar mais cedo do que o esperado. Se isso ocorrer, a pressão sobre os preços pode se intensificar”, avalia um consultor da Safras & Mercado ouvido pela reportagem.
Demanda interna: o calcanhar de aquiles do setor?
Enquanto o mercado externo mostra sinais de cautela, o consumo interno de carne bovina enfrenta desafios. O poder aquisitivo do brasileiro, ainda impactado pela inflação persistente em setores como energia e combustíveis, tem limitado a expansão da demanda doméstica. “O setor precisa urgentemente de uma recuperação do consumo interno para evitar que a alta dos preços se torne insustentável a médio prazo”, destaca um analista de mercado.
Cenário de incertezas: até quando a alta vai durar?
O atual ciclo de valorização da arroba do boi gordo, iniciado em maio de 2026, traz consigo uma dualidade: enquanto a oferta curta sustenta preços elevados, a dependência do mercado chinês e a fragilidade do consumo interno criam um cenário de alta volatilidade. Para os próximos 30 dias, as projeções indicam que os preços podem oscilar entre R$ 320 e R$ 350/@, dependendo da capacidade da indústria em ajustar escalas de abate e da reação dos chineses às novas negociações comerciais.



