Tag: Rio Grande do Sul

  • ABCC aposta em dados e genética para revolucionar a ovinocultura Corriedale no RS

    ABCC aposta em dados e genética para revolucionar a ovinocultura Corriedale no RS

    A Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), com sede no Rio Grande do Sul, deu início a uma agenda estratégica para aproximar dados produtivos e genéticos da realidade das cabanhas da raça Corriedale. A iniciativa, lançada em junho de 2026, busca qualificar os processos de seleção dentro das propriedades, usando informações técnicas como base para decisões de acasalamento e evolução dos plantéis.

    Da tradição à inovação: como os dados podem transformar a ovinocultura

    A raça Corriedale, conhecida por sua dupla aptidão para produção de lã e carne, tem uma trajetória histórica no estado gaúcho. No entanto, a ABCC identificou a necessidade de modernizar a gestão das cabanhas, combinando a experiência secular dos criadores com ferramentas tecnológicas para medir desempenho, comparar resultados e oferecer parâmetros objetivos aos produtores.

    Seleção inteligente: o futuro do plantel passa pela genética

    Segundo a entidade, a seleção da raça Corriedale já não se baseia apenas em observação visual ou intuição. A proposta é criar um ecossistema onde dados de genealogia, desempenho produtivo e saúde dos animais sejam acessíveis e padronizados, permitindo que os criadores façam escolhas mais assertivas na hora de definir reprodutores e matrizes. O objetivo é aumentar a produtividade e a rentabilidade dos rebanhos, além de fortalecer a reputação da raça no mercado.

    Impacto no mercado e na cadeia produtiva

    A iniciativa da ABCC surge em um momento em que o agronegócio brasileiro enfrenta pressões por sustentabilidade e eficiência. Ao disponibilizar informações qualificadas, a associação espera não apenas valorizar os plantéis, mas também atrair novos investimentos para o setor. Para os produtores, a adoção dessas ferramentas pode significar uma virada na competitividade, especialmente em um cenário de crescente demanda por produtos de qualidade no mercado interno e externo.

  • Leilões de terras rurais batem recorde: dívidas agrícolas explodem com crise climática e juros altos

    Leilões de terras rurais batem recorde: dívidas agrícolas explodem com crise climática e juros altos

    Crédito rural em colapso: um quinto dos empréstimos já é problemático

    Dados compilados pela Reuters revelam que os leilões de fazendas confiscadas por credores atingiram patamares inéditos no país, com o crédito rural problemático representando quase 20% do total de empréstimos em aberto. A escalada da inadimplência, impulsionada por juros fixados em 15% ao ano, expõe a fragilidade do setor diante de uma crise que já dura anos. Produtores e analistas associam o fenômeno ao encarecimento do crédito, à queda nos preços das commodities e aos custos de produção cada vez mais insustentáveis.

    Rio Grande do Sul: o estado que afunda junto ao agronegócio

    O Rio Grande do Sul, que sofreu inundações catastróficas em 2024 — agravadas pelas mudanças climáticas e pelo El Niño —, é hoje um dos epicentros da crise. A combinação de perdas agrícolas, dívidas acumuladas e a perspectiva de um ‘super El Niño’ em 2026 ameaça reduzir ainda mais a renda dos agricultores, que já enfrentam margens de lucro cada vez mais apertadas. Segundo relatos de produtores ouvidos pela Reuters, muitos já não conseguem honrar seus compromissos, acelerando o processo de leilões judiciais.

    Agricultura em xeque: fertilizantes caros e plantios reduzidos

    A alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pelos conflitos geopolíticos — como a guerra no Irã —, forçou muitos agricultores a reduzirem seus planos de plantio. Com a renda em queda livre e os custos em disparada, a capacidade de investimento no setor encolhe, deixando o Brasil em uma encruzilhada: ou o governo intervém com políticas de renegociação de dívidas e subsídios, ou o número de propriedades leiloadas continuará batendo recordes.

    O futuro do agro: entre a renegociação e o colapso

    Especialistas alertam que, sem medidas urgentes, a crise pode se aprofundar até o final de 2026. A perspectiva de um fenômeno climático ainda mais intenso — o ‘super El Niño’ — ameaça destruir safras inteiras, enquanto os juros altos mantêm o crédito agrícola inacessível para a maioria. A pergunta que fica é: até quando o agronegócio brasileiro, pilar da economia nacional, resistirá sem um plano de socorro concreto?

  • Fórum na Fenagen debate como genética e rastreabilidade impulsionam a produção de terneiros no Brasil

    Fórum na Fenagen debate como genética e rastreabilidade impulsionam a produção de terneiros no Brasil

    A produção de terneiros de qualidade será o epicentro do debate no Fórum Promebo na Prática, evento integrante da 3ª Feira Nacional de Genética Promebo – Fenagen, marcada para ocorrer entre 1º e 4 de julho de 2026 na sede da Associação Rural de Pelotas (RS). Organizado pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), o encontro promete reunir técnicos, produtores e pesquisadores para analisar o papel da genética na transformação da pecuária de corte brasileira, com foco em eficiência produtiva e competitividade.

    Genética como pilar da pecuária moderna: desafios e oportunidades

    O fórum, que terá sua programação concentrada na manhã do dia 1° de julho, abordará temas estratégicos para a cadeia produtiva. Entre os destaques, a palestra sobre padronização e produção de terneiros, ministrada por Jacques Brasil de Souza, presidente da Associação dos Núcleos de Terneiros de Corte, promete esclarecer como a seleção genética pode reduzir custos e aumentar a produtividade dos rebanhos. Além disso, o evento debaterá o mercado de exportação de terneiros, um nicho em expansão que exige animais geneticamente superiores e rastreáveis.

    Rastreabilidade obrigatória no RS: o que muda para os produtores

    Outro ponto crítico do evento será a discussão sobre a rastreabilidade bovina, que se tornará obrigatória no Rio Grande do Sul ainda em 2026. A medida, que visa garantir a qualidade da carne e atender às exigências de mercados internacionais, será detalhada por especialistas durante o fórum. A implementação dessa política exigirá dos pecuaristas adaptações nos sistemas de gestão, com potencial impacto nos custos e na logística das propriedades.

    Demonstrações práticas: da teoria à aplicação no campo

    Além das palestras, o Fórum Promebo na Prática oferecerá demonstrações de campo que mostrarão na prática como o melhoramento genético pode ser aplicado em diferentes sistemas de produção. Produtores terão a oportunidade de interagir com tecnologias inovadoras e técnicas de manejo que já estão transformando rebanhos em propriedades brasileiras. O evento reforça a ANC como protagonista na disseminação de boas práticas para a pecuária de corte, consolidando a Fenagen como um dos principais espaços de inovação genética do país.

  • Greening avança no Sul: Rio Grande do Sul registra primeiros casos da doença em cítricos

    Greening avança no Sul: Rio Grande do Sul registra primeiros casos da doença em cítricos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, confirmou em 8 de junho de 2026 os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no estado. A doença, transmitida pelo inseto Diaphorina citri e causada pela bactéria Candidatus Liberibacter, foi detectada em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próxima à divisa com Santa Catarina.

    Monitoramento de décadas e alerta regional

    A vigilância que identificou os casos é resultado de um programa conjunto entre o Mapa e a Secretaria da Agricultura gaúcha, em operação desde 2004. Nos últimos anos, as ações foram intensificadas devido à expansão da doença em países vizinhos, como Argentina, Uruguai e Santa Catarina, onde a doença já causou prejuízos significativos à citricultura.

    Medidas fitossanitárias já em vigor

    Diante da confirmação, o estado já adotou protocolos de contenção, incluindo a erradicação das plantas infectadas e o controle do vetor. A Secretaria de Agricultura do RS orienta produtores e moradores a relatarem sintomas suspeitos, como folhas amareladas com manchas assimétricas e frutos deformados, em áreas comerciais ou residenciais.

    Impacto econômico e desafios para o setor

    A entrada do greening no Rio Grande do Sul representa um risco para a cadeia produtiva de cítricos, que movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão anualmente no estado. A doença, incurável, pode dizimar pomares se não controlada, exigindo investimentos em fiscalização e conscientização. Especialistas alertam que a proximidade com Santa Catarina, onde a doença já é endêmica, exige atenção redobrada para evitar uma crise semelhante.

  • Rio Grande do Sul ganha novo indexador do Boi Gordo com projeto da Angus para ampliar rastreabilidade

    Rio Grande do Sul ganha novo indexador do Boi Gordo com projeto da Angus para ampliar rastreabilidade

    O Indicador do Boi Datagro, referência de preços do boi gordo em nove estados brasileiros, chega ao Rio Grande do Sul (RS) por meio de um projeto liderado pela Associação Brasileira de Angus e seu Programa Carne Angus Certificada. A iniciativa, que será oficialmente apresentada no dia 9 de junho durante a 6ª etapa do circuito do Indicador DATAGRO na Estrada 2026, marca a expansão do sistema para uma das regiões mais estratégicas da pecuária nacional: o Sul do país.

    Parceria com B3 e apoio institucional reforçam a estratégia

    A estreia do novo indexador na Farsul (Federação da Agricultura do Estado do RS), em Porto Alegre, conta com o apoio oficial da B3 e do Programa Carne Angus Certificada. O objetivo é ampliar a capilaridade do projeto, conectando produtores gaúchos a um mercado mais transparente e competitivo, além de fortalecer a rastreabilidade — um diferencial cada vez mais exigido por importadores e consumidores internacionais.

    Rastreabilidade como diferencial de mercado

    A pecuária brasileira, especialmente no RS, enfrenta pressões por sustentabilidade e transparência. O novo indexador, que já opera em estados como São Paulo, Mato Grosso e Bahia, chega para integrar produtores gaúchos ao mesmo padrão de precificação e certificação, alinhado às demandas globais por carne de qualidade. Com isso, o setor ganha não apenas em previsibilidade de preços, mas também em valorização da carne brasileira no exterior.

    O evento de lançamento, que acontece no dia seguinte ao marco atual (9/6), simboliza um passo decisivo para a modernização da pecuária gaúcha e sua integração a um sistema nacional de preços, rastreio e certificação — elementos-chave para a competitividade do setor.

  • Incêndio destrói carga de soja em carreta na BR-392: bombeiros evitam tragédia no sul do RS

    Incêndio destrói carga de soja em carreta na BR-392: bombeiros evitam tragédia no sul do RS

    Fogo na madrugada interrompe transporte de soja

    Um incêndio atingiu a parte traseira de uma carreta carregada com soja na BR-392, em Rio Grande (RS), por volta das 5h12 deste domingo (7). As chamas, que começaram na traseira do veículo, danificaram parcialmente a estrutura do caminhão e parte da carga, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

    Equipes agiram rápido para evitar prejuízos maiores

    O 3º Batalhão de Bombeiros de Pelotas foi acionado devido à proximidade do local. Os militares atuaram rapidamente para conter as chamas, impedindo que o fogo se alastrasse por toda a carreta e reduzindo os danos à carga. Segundo informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros, não houve feridos no incidente.

    BR-392 segue operacional após ocorrência

    A rodovia não registrou interdições prolongadas, e o tráfego foi normalizado assim que o incêndio foi controlado. Imagens divulgadas pelo Batalhão mostram os danos na carreta e a atuação dos bombeiros no local. O prejuízo exato à carga ainda não foi divulgado.

  • Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Posicionamento estratégico do Rio Grande do Sul no mercado global

    O Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) consolidou seu papel como protagonista no comércio internacional de arroz durante a Rice Market & Technology Convention (RMTC) 2026, realizada entre os dias 27 e 30 de maio em Cartagena, na Colômbia. A missão oficial do órgão gaúcho, liderada pelo presidente Alexandre Azevedo Velho e pelo diretor comercial Juandres Antunes, reforçou a pauta do arroz do Mercosul como alternativa competitiva em um cenário marcado por flutuações na oferta asiática e pressões por sustentabilidade.

    Debates que definem o futuro do setor

    O evento — considerado a principal vitrine do setor nas Américas — reuniu mais de 1.200 participantes, entre produtores, indústrias e pesquisadores, para discutir tendências como inovações no pós-colheita, logística portuária e certificações ambientais. Segundo dados preliminares da RMTC, a América Latina respondeu por 18% das exportações globais de arroz em 2025, com o Brasil (especialmente o Rio Grande do Sul) como terceiro maior exportador, atrás apenas da Índia e do Vietnã.

    O desafio da sustentabilidade no agronegócio

    Entre os temas centrais do congresso, a crise hídrica e as emissões de carbono no cultivo do arroz ganharam destaque após a apresentação de um estudo da Embrapa que aponta o aumento de 22% nas áreas afetadas por secas no Sul do Brasil desde 2020. “Precisamos urgentemente integrar tecnologias de irrigação inteligente e variedades mais resilientes”, afirmou Velho durante painel sobre segurança alimentar. A delegação gaúcha ainda anunciou parcerias com universidades colombianas para desenvolver pesquisa conjunta em manejo sustentável.

    Perspectivas para o Mercosul

    Com a demanda global projetada para crescer 3% ao ano até 2030 (segundo a FAO), o Irga defendeu a criação de um bloco unificado de comercialização para o Mercosul, aproveitando acordos como o Mercosul-União Europeia. “A Colômbia se tornou um hub estratégico para escoar nossas exportações para a América Central e Caribe”, destacou Antunes. A próxima edição da RMTC será realizada em 2028 no Uruguai, consolidando a região como polo de inovação no setor.

  • MORTE DO CASAL CARVALHO: A tragédia que abala a pecuária brasileira e enterra um legado de 50 anos na genética Braford

    MORTE DO CASAL CARVALHO: A tragédia que abala a pecuária brasileira e enterra um legado de 50 anos na genética Braford

    A pecuária brasileira amanheceu de luto nesta quinta-feira (21) com a confirmação de uma das tragédias mais dolorosas para o setor: a morte de João Maurício Faria Carvalho, de 84 anos, e Valdelei Silva Carvalho, de 78, casal que comandava a histórica Cabanha Platáno, referência nacional na criação da raça Braford. O incêndio, que teve início por volta das 2h da madrugada em sua propriedade em São Sepé (RS), não só ceifou vidas, mas também apagou décadas de um legado que moldou a genética bovina brasileira.

    A Cabanha Platáno e a saga de uma família que revolucionou a pecuária nacional

    A Cabanha Platáno não era apenas um nome no mapa do agronegócio gaúcho — era um símbolo. Fundada pela família Carvalho, a propriedade tornou-se sinônimo de excelência na seleção de touros e matrizes Braford, uma raça híbrida que combina as melhores características da Hereford e da Nelore, adaptando-se ao clima tropical brasileiro. Durante mais de 50 anos, a Cabanha foi palco de inovações que elevaram a produtividade e a qualidade genética do rebanho nacional, atraindo criadores de todo o país.

    João Maurício e Valdelei não apenas mantiveram a tradição familiar, mas expandiram-na. Sua paixão pela pecuária os levou a se tornarem referências não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil. A morte do casal, contudo, deixa um vazio impossível de preencher: não apenas pela perda humana, mas pela interrupção abrupta de um laboratório vivo de genética.

    O incêndio e as suspeitas que pairam no ar

    O fogo que consumiu a residência da família Carvalho teve início na madrugada de quarta-feira (20), quando as chamas já haviam se alastrado rapidamente. As equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local em minutos, mas não foi suficiente para salvar os dois proprietários da Cabanha Platáno.

    As investigações preliminares, conduzidas pela polícia e pelo Corpo de Bombeiros, levantam duas hipóteses principais: um possível curto-circuito em uma lareira acesa durante a noite ou o superaquecimento de um aparelho celular conectado à tomada sobre um sofá. A perícia técnica deve emitir um laudo nos próximos dias, mas a dor da perda já é irreversível.

    Um familiar sobreviveu à tragédia: Álvaro Garcia, genro do casal e de 44 anos, estava em outro cômodo da casa e foi resgatado por vizinhos. Ele permanece internado em observação no Hospital de São Sepé, embora sem risco de vida.

    A reação do setor: choque e homenagens a uma lenda do agronegócio

    A notícia da morte do casal Carvalho ecoou como um abalo sísmico no setor pecuário. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) externou “profundo pesar” e destacou a “imensurável contribuição” da família para o fortalecimento da raça Braford no Brasil.

    Símbolos da resiliência e do pioneirismo no campo, João Maurício e Valdelei deixam um legado que transcende gerações. Sua trajetória, marcada pela dedicação incansável à seleção genética, será lembrada como um marco na história da pecuária brasileira — mesmo que agora carregue o peso de uma despedida prematura.

    O que o futuro reserva para a Cabanha Platáno?

    Com a morte do casal Carvalho, a continuidade da Cabanha Platáno torna-se incerta. A propriedade, que já foi um polo de inovação, agora enfrenta um futuro nebuloso. Familiares e colaboradores da fazenda buscam alternativas para preservar o patrimônio genético acumulado ao longo de décadas, mas a tarefa é árdua em meio à dor da perda.

    Enquanto isso, o setor pecuário gaúcho e brasileiro se une em solidariedade, mas também em reflexão: como honrar o legado de quem dedicou a vida a transformar a pecuária nacional? A resposta, por enquanto, ainda é um mistério.

  • RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) alerta para a baixa adesão à Declaração Anual de Rebanho, que até maio registrava apenas 29,86% das 358 mil declarações esperadas para 2024. Com o prazo se encerrando em 30 de junho, o estado corre contra o tempo para evitar prejuízos à sanidade agropecuária — fundamental para a exportação de carnes e lácteos, setores-chave da economia gaúcha.

    O peso da declaração: por que 30% não são suficientes?

    A Declaração de Rebanho não é mera burocracia: ela mapeia a saúde animal no estado, permitindo à Seapi rastrear doenças como febre aftosa, brucelose ou tuberculose. Sem dados atualizados, o RS pode enfrentar barreiras comerciais, já que mercados internacionais exigem certificados sanitários baseados nesses registros. A baixa adesão, especialmente em regiões como a Supervisão de Alegrete (apenas 9,95% via digital), expõe fragilidades na fiscalização e na conscientização dos produtores.

    A disparidade regional: onde a adesão avança — e onde trava

    Enquanto a Supervisão de Palmeira das Missões lidera em entregas (37,37%), Vanini se destaca como único município com 100% de cumprimento. A diferença reflete desde a estrutura de assistência técnica local até o acesso à internet no campo. A Seapi, no entanto, comemora o crescimento do Produtor Online — 9,95% das declarações já usam o canal digital, um salto frente aos 5% do ano passado. “A modernização do sistema é irreversível”, afirma um técnico da secretaria.

    O desafio do campo: burocracia ou descaso?

    Para o produtor rural, o processo envolve mais do que preencher formulários. São horas dedicadas a detalhes como tipo de manejo, classificação da propriedade e áreas de pastagem. “Muitos não entendem a importância da declaração até serem multados”, explica um pecuarista de Bagé, que só regularizou a situação após uma fiscalização. A Seapi oferece tutoriais e atendimento presencial, mas a resistência persiste — especialmente entre pequenos produtores, que alegam falta de tempo ou de conhecimento técnico.

    Riscos além das multas: o impacto na economia gaúcha

    O RS é o 4º maior produtor de carne bovina do Brasil, com exportações que superam US$ 1 bilhão anuais. A baixa cobertura da declaração pode comprometer certificados sanitários, paralisando embarques para a União Europeia ou China. “Sem dados precisos, o estado corre o risco de ter que testar todo o rebanho antes de exportar, gerando custos extras e atrasos”, alerta um analista do setor. A Seapi já estuda penalidades mais rígidas, como restrições para acesso a programas de incentivo.

    Como declarar antes do prazo — e evitar dores de cabeça

    A declaração pode ser feita online pelo Produtor Online, com ou sem assinatura digital. Quem preferir o método tradicional preenche formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias da Seapi. Para quem precisa de ajuda, a secretaria disponibiliza tutoriais e suporte técnico nas unidades regionais. “O ideal é não deixar para a última hora”, recomenda um servidor da Seapi, após registrar um aumento de 20% nas solicitações de auxílio na última semana de maio.

  • Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    A competitividade e a sanidade animal emergem como pilares fundamentais para que o Brasil consolide sua presença no mercado internacional de lácteos. Em um momento crítico para o setor, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella, alertou durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira – Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14), em Esteio (RS), que o país precisa superar gargalos estruturais para transformar seu potencial produtivo em vantagem comercial.

    A armadilha da sanidade sem competitividade

    “Sanidade é condição *sine qua non* para exportar, mas a competitividade é o que define a permanência no mercado”, afirmou Portella. O dirigente destacou que, embora o Brasil já seja o quarto maior produtor mundial de leite — atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China —, sua participação nas exportações globais ainda é tímida. Para reverter esse cenário, o setor precisa de políticas públicas integradas que aliem saúde animal a redução de custos, infraestrutura logística eficiente e estabilidade cambial.

    Rio Grande do Sul: o celeiro lácteo que quer voar mais alto

    O estado gaúcho, terceira maior bacia leiteira do Brasil, tem sido um laboratório de crescimento para o setor. Entre 2004 e 2024, a produção saltou de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais — um avanço de 70% em duas décadas. Em 2024, o leite representou 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando R$ 19,86 bilhões. “Esse crescimento não pode ser freado pela falta de incentivos ou pela concorrência predatória”, ressaltou Portella.

    As importações do Mercosul: uma sombra sobre o mercado interno

    Um dos principais riscos ao setor, segundo o Sindilat, é o avanço das importações de lácteos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Dados apresentados durante o seminário mostram que, apenas entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo — volumes equivalentes a 709 milhões de litros de leite, ou seja, 60 dias da produção gaúcha. “Precisamos de medidas urgentes para proteger o mercado interno, como barreiras não tarifárias ou ajustes na política de câmbio”, defendeu Portella.

    Política pública como investimento, não como custo

    O dirigente cobrou do governo federal ações concretas, como a retomada do Programa Mais Leite Saudável, que oferece incentivos à produção nacional. “Políticas públicas eficientes não são gastos, são investimentos que se convertem em competitividade”, afirmou. Ele também destacou a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica aos produtores, além da simplificação do sistema tributário e da redução do custo logístico — que, segundo ele, consome até 20% do preço final do produto.

    O seminário, realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, reuniu representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), indústrias, pecuaristas e entidades do setor. A pauta central foi a integração entre os elos da cadeia produtiva para enfrentar os desafios impostos por um mercado global cada vez mais competitivo.