Tag: segurança alimentar

  • Mapa usa tecnologia britânica para fiscalizar micotoxinas em alimentos em tempo real

    Mapa usa tecnologia britânica para fiscalizar micotoxinas em alimentos em tempo real

    Na última quarta-feira, 27 de maio de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) inaugurou uma nova era na fiscalização de micotoxinas em São Paulo. Com a chegada de um equipamento portátil de origem britânica — importado da Áustria —, as equipes da defesa agropecuária ganharam agilidade para analisar amostras de alimentos como amendoim, café, feijão, arroz e uva-passa in loco, reduzindo o tempo de resposta de dias para minutos.

    Tecnologia que revoluciona a inspeção de alimentos

    O dispositivo, cedido em comodato por uma empresa especializada, permite identificar rapidamente a presença de micotoxinas críticas, como aflatoxina (comum em amendoim) e ocratoxina (presente em café). Antes, as análises dependiam de laboratórios centralizados, com prazos de até uma semana. Agora, os fiscais do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal em São Paulo (Sipov-SP) podem tomar decisões imediatas durante as operações, bloqueando lotes contaminados antes mesmo de deixarem o local de produção.

    Demonstração técnica já em andamento

    Na semana passada, técnicos da empresa responsável conduziram treinamentos práticos para servidores do Mapa em São Paulo. A capacitação incluiu simulações de coleta e análise de amostras, garantindo que os profissionais estejam aptos a operar o equipamento com precisão. Segundo fontes do ministério, a ferramenta será integrada a um plano piloto que pode ser expandido para outros estados, dependendo dos resultados obtidos.

    Impacto na saúde pública e na economia

    A introdução dessa tecnologia chega em um momento crucial para o agronegócio brasileiro. Micotoxinas são compostos tóxicos produzidos por fungos que contaminam alimentos armazenados de forma inadequada, representando riscos à saúde humana e barreiras sanitárias em mercados internacionais. Com a detecção prévia, o Brasil reforça sua posição como fornecedor confiável de commodities, evitando perdas econômicas por recalls ou rejeição de produtos exportados.

  • Chapecó: o gigante invisível do agro brasileiro que alimenta o mundo

    Chapecó: o gigante invisível do agro brasileiro que alimenta o mundo

    No extremo oeste de Santa Catarina, a 550 km de Florianópolis, Chapecó opera como uma engrenagem silenciosa da economia brasileira. Enquanto metrópoles discutem inflação ou crises setoriais, a cidade — com seus 220 mil habitantes — é o epicentro de um modelo agroindustrial que transformou o Brasil em uma potência global na produção de proteína animal. E o protagonista desse cenário é o Frigorífico Aurora Chapecó 1 (FACH 1), unidade da Aurora Coop, reconhecido como o maior parque industrial de processamento de suínos do país.

    O motor econômico que alimenta o Brasil e o mundo

    Desde a última segunda-feira, 25 de maio de 2026, Chapecó segue sua rotina de exportar milhares de toneladas diárias de carne suína e de aves, destinadas a mais de 50 países. O município não apenas sustenta o mercado interno — responsável por cerca de 90% da demanda nacional por suínos — como também se consolidou como um dos maiores polos agroindustriais do planeta. A expansão da Aurora Coop, com investimentos bilionários em tecnologia e capacidade produtiva, foi o divisor de águas: o FACH 1 não é apenas uma fábrica, mas um ecossistema que emprega diretamente 15 mil pessoas e indiretamente sustenta centenas de outras atividades, desde transporte até insumos agrícolas.

    A invisibilidade estratégica de um gigante

    Apesar de sua relevância, Chapecó permanece desconhecida para a maioria dos brasileiros de grandes centros urbanos. Enquanto São Paulo ou Rio de Janeiro discutem preços no supermercado, poucos associam a carne suína ou o frango que compram aos complexos industriais do Sul do país. Essa desconexão é, paradoxalmente, um dos pilares do sucesso de Chapecó: a eficiência logística e a integração vertical do agro catarinense permitem entregas rápidas e competitivas, tanto para o mercado interno quanto para exportações. Em 2026, o estado respondeu por 27% do PIB agropecuário brasileiro, com Chapecó como seu principal cartão-postal industrial.

    Os desafios de um modelo em transformação

    O sucesso de Chapecó não esconde os desafios que o setor enfrenta. A escalada dos custos de produção — com insumos como milho e soja pressionados pela demanda global — e as exigências crescentes de sustentabilidade (redução de emissões, bem-estar animal) colocam o modelo agroindustrial sob escrutínio. Além disso, a concorrência internacional, especialmente da China e da União Europeia, exige inovação constante. A Aurora Coop, por exemplo, investiu R$ 1,2 bilhão em 2025 para modernizar suas plantas e atender às normas ambientais mais rigorosas. Mas o que está em jogo não é apenas a competitividade: é a manutenção da segurança alimentar de milhões de pessoas.

    O que o futuro reserva para Chapecó?

    Para os próximos anos, a cidade deve continuar como peça-chave no tabuleiro do agro brasileiro. Projeções indicam que, até 2030, o Brasil poderá se tornar o maior exportador mundial de carne suína, com Chapecó liderando o crescimento. No entanto, o caminho não será fácil. A pressão por transparência na cadeia produtiva, a transição energética e a adaptação às mudanças climáticas exigirão mais do que investimentos: demandarão uma reinvenção do modelo atual. Enquanto isso, milhões de brasileiros seguirão consumindo proteínas sem saber que, em um canto remoto do país, uma cidade de porte médio mantém o Brasil — e o mundo — alimentado.

  • Super El Niño: Brasil na mira de seca histórica e colapso no agro em 2026-2027

    Super El Niño: Brasil na mira de seca histórica e colapso no agro em 2026-2027

    O Brasil enfrenta um novo alerta climático que pode redefinir o futuro do agronegócio, da energia e até dos preços globais de alimentos. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da NOAA (agência climática dos EUA) indicam que o fenômeno El Niño deve atingir intensidade recorde entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. Os modelos climáticos calculam 37% de probabilidade de um evento classificado como ‘muito forte’ — um ‘Super El Niño’ —, com impactos diretos sobre o clima, a economia e a sociedade brasileira.

    O que o Cemaden e a NOAA preveem para o Brasil?

    A nota técnica do Cemaden, divulgada recentemente, destaca que os efeitos mais severos devem ocorrer durante a primavera e o verão, com maior intensidade nas regiões Norte e Nordeste, onde seca extrema e ondas de calor podem se tornar recorrentes. Já o Centro-Sul do país, historicamente mais afetado por enchentes durante eventos de El Niño, corre o risco de registrar precipitações acima da média, o que pode prejudicar a colheita de grãos como soja e milho.

    O fantasma da seca de 2023/24 retorna com força

    O alerta atual chega em um momento delicado para o Brasil. A última ocorrência intensa do El Niño, entre 2023 e 2024, deixou marcas profundas: 80% dos municípios brasileiros enfrentaram algum nível de estiagem, rios da Amazônia atingiram níveis críticos, e a logística do agronegócio — responsável por transportar milhões de toneladas de grãos e combustíveis — foi severamente prejudicada. As perdas agrícolas foram estimadas em bilhões de reais, e os reservatórios hidrelétricos, como o de Itaipu, operaram em níveis críticos, forçando a acionamento de termelétricas e aumentando o custo da energia.

    Agora, os especialistas temem que o cenário de 2026/27 seja ainda mais dramático. Cientistas internacionais, como aqueles ligados ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), já classificam o próximo El Niño como potencialmente ‘histórico’, com potencial para alterar padrões climáticos globais por anos.

    Agro, energia e inflação: os pilares que podem ruir

    O impacto econômico do ‘Super El Niño’ deve ser sentido em várias frentes:

    • Agronegócio: A seca no Norte e Nordeste pode reduzir a produtividade de culturas como soja, milho e café, afetando as exportações brasileiras — o país é o maior exportador mundial de soja e carne bovina. Produtores rurais já começam a se preparar para possíveis perdas, enquanto analistas do mercado futuro monitoram os preços das commodities.
    • Energia: Com a redução dos níveis dos rios e reservatórios, a geração hidrelétrica — que responde por cerca de 60% da matriz energética brasileira — pode ser comprometida. O governo já estuda alternativas, como o aumento de térmicas, o que pressionaria ainda mais a inflação.
    • Inflação e segurança alimentar: A quebra na produção agrícola tende a elevar os preços dos alimentos, impactando diretamente o bolso do consumidor. Em 2023, a inflação de alimentos já foi impulsionada pela seca, e um novo episódio pode agravar a crise, especialmente em regiões dependentes de produtos como arroz e feijão.
    • Logística e transportes: A estiagem pode reduzir a navegação em rios como o Madeira e o Amazonas, essenciais para o escoamento da produção do Centro-Oeste. Em 2023, empresas de transporte já relataram prejuízos milionários devido à baixa dos rios.

    Além disso, a combinação de seca e ondas de calor pode aumentar o risco de queimadas na Amazônia e no Cerrado, agravando a crise climática e a poluição do ar em grandes cidades como Manaus e São Paulo.

    Governos e setores se preparam — mas é suficiente?

    Diante do cenário, o governo federal anunciou a ativação de um plano de contingência para mitigar os efeitos do El Niño, incluindo ações como a liberação de recursos para agricultura familiar e a ampliação de reservas estratégicas de água e energia. No entanto, especialistas questionam se as medidas serão suficientes para evitar uma crise de proporções históricas.

    Rodrigo Berthet, climatologista do Cemaden, alerta: “Um ‘Super El Niño’ não é apenas uma questão de chuva ou seca. É um evento que pode reconfigurar ecossistemas, afetar safras por anos e criar um efeito dominó na economia global. O Brasil precisa se preparar não só para 2026, mas para as consequências que virão depois.”

    Gilberto Cunha, analista de mercado da Safras & Mercado, destaca: “O agro brasileiro já mostrou resiliência em crises anteriores, mas um evento dessa magnitude pode testar os limites do setor. A alta dos custos de produção, combinada com a queda na produtividade, pode levar à redução de áreas plantadas e até à saída de pequenos produtores do mercado.”

    O que esperar nos próximos meses?

    Nos próximos trimestres, meteorologistas e institutos de pesquisa devem lançar novas projeções sobre a intensidade do El Niño. Enquanto isso, o Brasil se vê diante de um paradoxo: apesar de ser uma potência agrícola, o país ainda depende demais de condições climáticas favoráveis — e um único evento extremo pode desestabilizar toda a cadeia produtiva.

    A lição de 2023/24 serve como aviso: o tempo para agir é agora. Se as previsões se confirmarem, 2026 não será apenas um ano de eleições municipais — será o ano em que o Brasil terá que enfrentar, mais uma vez, os efeitos de um fenômeno climático que não escolhe lados, mas que pode dividir a história do país entre antes e depois do ‘Super El Niño’.”

  • Lula acende alerta: Brasil corre risco de perder raças nativas de galinhas, dizem especialistas

    Lula acende alerta: Brasil corre risco de perder raças nativas de galinhas, dizem especialistas

    A recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a existência de apenas uma raça de galinha nativa oficialmente registrada no Brasil — a Canela-Preta — colocou sob os holofotes um problema há muito ignorado: a erosão genética na avicultura brasileira. Enquanto o chefe do Executivo chamou atenção para a biodiversidade nacional, especialistas alertam que dezenas de linhagens crioulas, adaptadas a diferentes biomas, estão à beira do desaparecimento, ameaçadas pela padronização industrial e pela substituição por aves de alta produtividade.

    O mito da ‘única raça nativa’ e a realidade das linhagens crioulas

    Contrariando a crença disseminada de que a Canela-Preta é a única raça genuinamente brasileira, pesquisadores da Embrapa e de universidades federais destacam a existência de centenas de variedades crioulas, desenvolvidas ao longo de séculos por comunidades rurais em todo o território nacional. Essas aves, conhecidas por nomes como ‘Framengo’, ‘Pelada’, ‘Carijó’ ou ‘Preta Piauí’, carregam características únicas: resistência a doenças, adaptação a climas extremos e carne com sabor diferenciado, valorizado em mercados de produtos artesanais e orgânicos.

    Segundo o geneticista da Embrapa Suínos e Aves, Fernando Pilotto, ‘a diversidade genética dessas linhagens é um ativo estratégico para o Brasil’. Ele explica que, em um contexto de mudanças climáticas e emergência de novas doenças aviárias, as raças crioulas podem ser a chave para evitar colapsos na produção avícola nacional. ‘Elas são como um seguro biológico: enquanto as linhagens comerciais são otimizadas para produtividade em ambientes controlados, as crioulos carregam genes de resistência que, se perdidos, jamais poderão ser recuperados’, alerta.

    Avanço da indústria e o desaparecimento das aves tradicionais

    O fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas ganha contornos dramáticos no país devido à concentração do mercado avícola. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais de 90% da produção nacional de frangos de corte é dominada por apenas três linhagens comerciais. A padronização genética, embora eficiente em termos de ganho de peso e conversão alimentar, reduz drasticamente a variabilidade das aves, deixando o setor vulnerável a crises.

    Um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) publicado em 2023 mapeou 47 linhagens crioulas em risco de extinção no estado de Minas Gerais, onde comunidades rurais ainda mantêm criações de aves como a ‘Galinha Carijó do Sul’ ou a ‘Pelada de Uberaba’. ‘Muitas dessas raças já não são encontradas em seu habitat natural’, diz a zootecnista e pesquisadora da UFLA, Carla Molento. ‘Elas sobreviveram por séculos graças ao manejo tradicional, mas hoje são substituídas por matrizes industriais, que exigem menos mão de obra e garantem lucros rápidos’.

    Iniciativas de conservação ganham fôlego, mas ainda são insuficientes

    Nos últimos anos, universidades, ONGs e programas governamentais têm lançado projetos para resgatar e preservar as raças crioulas. Um exemplo é o Programa de Conservação de Recursos Genéticos Animais da Embrapa, que mantém um banco de germoplasma com amostras de DNA de aves brasileiras e promove feiras para incentivar a criação sustentável. Outra iniciativa é o Projeto Galinha Carijó, desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná, que distribui matrizes crioulas para pequenos produtores e capacita-os em técnicas de manejo tradicional.

    Entretanto, especialistas destacam que os esforços ainda são pontuais e enfrentam obstáculos como a falta de políticas públicas estruturantes e a baixa valorização comercial das aves crioulas. ‘O mercado paga melhor por um frango industrial do que por uma galinha caipira, mesmo que esta tenha qualidade superior’, critica o engenheiro agrônomo e produtor rural, Antônio Carlos Macêdo. ‘Sem incentivos econômicos ou subsídios, os criadores tradicionais não têm como competir’.

    Oportunidade para a agricultura familiar e a segurança alimentar

    Apesar dos desafios, há um movimento crescente de valorização das raças crioulas, especialmente entre produtores orgânicos e de agricultura familiar. Sistemas como a avicultura caipira e a criação agroecológica apostam nessas aves para atender a nichos de mercado dispostos a pagar mais por produtos diferenciados — seja por sabor, bem-estar animal ou sustentabilidade.

    Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) de 2022 classificou as raças crioulas como patrimônio genético estratégico, essencial para garantir a segurança alimentar em um cenário de crises climáticas e escassez de recursos. No Brasil, estados como Paraná e Santa Catarina já incluem essas aves em programas de desenvolvimento rural, vinculando-as a políticas de conservação ambiental e inovação agropecuária.

    O que falta para virar o jogo?

    Para os pesquisadores ouvidos pela reportagem, a solução passa por três frentes: regulamentação, incentivos e educação. Em primeiro lugar, é necessário ampliar o registro oficial de raças crioulas, como já ocorre com a ‘Canela-Preta’, mas para outras variedades. Em segundo, criar linhas de crédito específicas para pequenos produtores que queiram preservar essas linhagens, além de estabelecer preços mínimos garantidos nos mercados institucionais (como o PAA e o PNAE). Por fim, disseminar o conhecimento sobre as vantagens das aves crioulas entre consumidores e técnicos agrícolas, desmistificando a ideia de que elas são ‘menos produtivas’.

    ‘O Brasil tem a chance de liderar um movimento global de preservação genética na avicultura’, avalia Fernando Pilotto. ‘Mas isso depende de vontade política e de reconhecer que a diversidade não é um luxo, e sim uma necessidade’.

  • Mapa usa ‘scanner molecular’ para flagrar fraudes em azeites no DF e retira 5 marcas suspeitas das prateleiras

    Mapa usa ‘scanner molecular’ para flagrar fraudes em azeites no DF e retira 5 marcas suspeitas das prateleiras

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou na última quinta-feira (14) uma operação inédita no Distrito Federal para combater fraudes em azeites de oliva. Utilizando tecnologia de ponta, auditores fiscais federais agropecuários flagraram indícios de adulteração em cinco marcas entre as 45 analisadas em quatro grandes redes atacadistas da capital. As amostras suspeitas foram encaminhadas para análise laboratorial, enquanto o equipamento portátil de espectroscopia no infravermelho médio (MIR) — apelidado de “scanner molecular” — permitiu identificar, em tempo real, possíveis misturas com óleos vegetais de menor valor, como soja e girassol.

    A fiscalização que enxerga além da embalagem

    A ação, coordenada pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), representa um marco na fiscalização de alimentos no Brasil. O equipamento MIR funciona como um “scanner molecular”, emitindo feixes de luz infravermelha que analisam a composição química do produto sem necessidade de abertura da embalagem. Em questão de segundos, a tecnologia detecta irregularidades como a adição de óleos vegetais baratos ou a diluição com solventes, prática comum em fraudes que prejudicam tanto o consumidor quanto os produtores legítimos de azeite.

    O que muda para os consumidores e o mercado

    As cinco marcas com suspeitas de não conformidade foram retiradas das prateleiras para análise laboratorial complementar no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA). Caso confirmadas as irregularidades, os produtos poderão ser interditados e os responsáveis, responsabilizados. A iniciativa integra um monitoramento contínuo do Mapa para garantir que os azeites comercializados no país atendam aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos pela legislação brasileira — um passo crucial para proteger a saúde pública e a economia do setor.

    Segundo especialistas, a adulteração de azeites é um problema global, mas no Brasil, onde o consumo do produto tem crescido significativamente, a fiscalização com tecnologia avançada chega em um momento crítico. “A população está cada vez mais atenta à qualidade dos alimentos, e ferramentas como essa reforçam a transparência e a confiança no mercado”, afirmou um analista do setor, que preferiu não se identificar.

    Tecnologia a serviço da segurança alimentar

    A espectroscopia no infravermelho médio não é novidade em laboratórios, mas sua aplicação em fiscalizações de campo é recente no Brasil. O equipamento portátil permite que os auditores analisem dezenas de amostras por dia diretamente nas gôndolas, sem a necessidade de deslocamento para laboratórios. Isso não apenas agiliza o processo, como também aumenta a capacidade de fiscalização, possibilitando o monitoramento de um número maior de marcas e lotes.

    “Antes, dependíamos de análises laboratoriais demoradas. Agora, com essa tecnologia, podemos identificar fraudes instantaneamente e agir de forma preventiva”, explicou um auditor fiscal do Mapa. A operação no DF faz parte de um projeto mais amplo de modernização das fiscalizações agropecuárias, com investimentos em equipamentos e capacitação de equipes.

    O impacto no agronegócio e na economia

    O combate às fraudes em azeites tem reflexos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente para os produtores nacionais que seguem os padrões de qualidade. Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Azeite (Abpa), o Brasil importa cerca de 90% do azeite consumido no país, o que torna o controle de qualidade ainda mais urgente. “Fraudes desvalorizam o produto legítimo e prejudicam toda a cadeia, desde o agricultor até o consumidor final”, afirmou um representante da Abpa.

    A iniciativa do Mapa também alinha-se a políticas públicas que visam reduzir a dependência de importações e incentivar a produção nacional. Recentemente, o governo federal anunciou um projeto de lei para ampliar incentivos à produção de fertilizantes, outro insumo estratégico para a agricultura brasileira. “Combater fraudes é também uma forma de fortalecer a economia local e garantir a segurança alimentar”, destacou um técnico do ministério.

  • Aprosoja MT cobra soluções urgentes para logística e armazenamento no 4º Congresso da Abramilho

    Aprosoja MT cobra soluções urgentes para logística e armazenamento no 4º Congresso da Abramilho

    O 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), realizado em Brasília nesta terça-feira (13.05), reuniu as principais lideranças do agronegócio brasileiro para discutir os desafios que colocam em xeque a competitividade da agricultura nacional. Entre os temas centrais, destacaram-se a logística deficiente, a falta de armazenamento adequado e os impactos da geopolítica mundial, que vêm pressionando os custos de produção e a rentabilidade dos produtores.

    O agro em xeque: como a logística e o armazenamento sabotam a liderança de Mato Grosso

    Mato Grosso, estado que responde por mais de 30% da produção nacional de milho, enfrenta um paradoxo: apesar da escala produtiva, os gargalos logísticos e a carência de estruturas de armazenamento transformam a commodity em um desafio econômico para os agricultores. Durante o painel “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, não poupou críticas aos entraves que freiam o potencial do estado.

    “O Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, mas enfrenta dificuldades crônicas de logística e armazenamento. Esses gargalos precisam ser resolvidos urgentemente para que o milho se torne economicamente viável safra após safra”, afirmou Bier, que participou do debate ao lado de figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin, a senadora Tereza Cristina e o ministro da Agricultura, André de Paula.

    Do subproduto à peça-chave: o milho como sustentáculo da agricultura mato-grossense

    O cenário atual contrasta com o passado, quando o milho era visto apenas como uma alternativa de renda complementar. Hoje, a cultura se tornou fundamental para a viabilidade econômica das fazendas, especialmente em um estado onde a soja, embora dominante, depende cada vez mais de sistemas integrados para manter a produtividade. “Com o avanço da segunda safra, o milho deixou de ser um subproduto para se tornar um elo indispensável na cadeia produtiva”, explicou Bier.

    No entanto, a falta de ferrovias eficientes, terminais portuários adequados e silos suficientes eleva os custos e reduz a margem de lucro dos produtores. Segundo dados da Aprosoja MT, cerca de 30% da produção estadual de milho é perdida ou vendida a preços aviltados devido à ausência de estruturas para escoamento e armazenagem.

    Geopolítica e segurança alimentar: o agro brasileiro na mira das incertezas globais

    Além dos problemas estruturais, os participantes do congresso destacaram como tensões internacionais, como a guerra na Ucrânia e as políticas de protecionismo de nações concorrentes, impactam diretamente o mercado de milho. A presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella, alertou para a necessidade de políticas públicas que garantam segurança jurídica e econômica aos produtores, em um cenário onde a concorrência com países como Argentina e Estados Unidos se intensifica.

    O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, reforçou que o Brasil, mesmo com todo o seu potencial, ainda depende de investimentos em inovação e infraestrutura para não perder espaço no mercado global. “Precisamos de um agro mais competitivo, com menos burocracia e mais agilidade para responder às demandas internacionais”, afirmou.

    Estande da Aprosoja MT: transparência e diálogo com o setor

    Durante o evento, a Aprosoja MT manteve um estande institucional onde apresentou cartilhas com projetos da entidade e esclareceu dúvidas de produtores e autoridades sobre iniciativas como o Programa de Qualidade de Grãos e ações de defesa sanitária vegetal. A iniciativa, segundo a entidade, busca aproximar o setor produtivo das políticas públicas e das inovações tecnológicas que podem mitigar os gargalos discutidos nos painéis.

    Para Bier, o congresso foi uma oportunidade para mobilizar o setor em torno de pautas comuns, como a criação de um plano nacional de armazenagem e a retomada de investimentos em modais ferroviários. “Não adianta produzirmos tanto se não conseguirmos escoar essa produção com eficiência. Precisamos de soluções estruturais, não de paliativos”, concluiu.

  • Lavar carne crua antes do cozimento? USP alerta: hábito pode causar intoxicação alimentar

    Lavar carne crua antes do cozimento? USP alerta: hábito pode causar intoxicação alimentar

    Contaminação cruzada: o perigo escondido na pia da cozinha

    Um gesto aparentemente inofensivo, repetido em milhões de lares brasileiros todos os dias, pode estar colocando a saúde de famílias inteiras em risco. Lavar carnes cruas, especialmente frango, antes de cozinhá-las não só não elimina bactérias como as espalha pela cozinha por meio da contaminação cruzada. A conclusão é de uma pesquisa pioneira realizada pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), que analisou os hábitos de manipulação de alimentos em mais de 5 mil residências brasileiras. Os resultados, que incluem dados alarmantes sobre o consumo de ovos crus e carnes malpassadas, reforçam a necessidade de reeducação alimentar nas cozinhas domésticas.

    O mito da higiene: por que lavar carne é contraproducente

    Segundo a pesquisadora Daniele Maffei, coordenadora do estudo, o hábito de lavar carnes cruas antes do cozimento é um dos principais responsáveis pela disseminação de doenças transmitidas por alimentos (DTAs). “Quando você lava a carne sob água corrente, as bactérias presentes em sua superfície são transportadas pela água e se depositam em superfícies como pias, tábuas de corte e utensílios”, explica Maffei. “Esse processo contamina alimentos que não serão cozidos, como saladas ou legumes, criando um ciclo perigoso de intoxicação.”

    A Salmonella e o Campylobacter, duas das principais bactérias associadas a casos de diarreia, febre e vômitos, são frequentemente encontradas em carnes de frango mal manipuladas. Dados do Ministério da Saúde indicam que, anualmente, cerca de 1,3 milhão de brasileiros são afetados por DTAs, com hospitalizações e óbitos registrados em casos graves. Em 2022, foram notificados mais de 10 mil surtos de doenças transmitidas por alimentos no país, segundo a Anvisa.

    Temperatura e tempo: a ciência por trás da segurança alimentar

    Os pesquisadores da USP foram categóricos: o cozimento adequado é a única forma segura de eliminar micro-organismos patogênicos. Alimentos de origem animal devem atingir, no mínimo, 74°C em seu interior para garantir a destruição de bactérias e vírus. “Mesmo que a carne externa esteja bem cozida, o centro deve estar quente o suficiente. Um termômetro culinário é a ferramenta mais confiável para verificar isso”, recomenda Maffei.

    Outro dado preocupante da pesquisa diz respeito ao consumo de ovos crus ou malpassados, prática comum em receitas como maioneses caseiras ou tiramisu. Segundo o estudo, 17% dos brasileiros admitem consumir ovos nessas condições, expondo-se ao risco de infecção por Salmonella. “Ovos cozidos devem permanecer em água fervente por pelo menos 12 minutos para garantir que gema e clara estejam totalmente solidificadas. Qualquer temperatura inferior a 70°C não é suficiente para eliminar o risco”, alerta a especialista.

    Carnes malpassadas: um hábito que expõe a população

    O levantamento da USP também identificou que 24% dos entrevistados consomem carnes sem cozimento completo, uma prática que, além de aumentar o risco de DTAs, pode estar associada a casos de parasitoses como a teníase. A carne suína, por exemplo, deve ser cozida até atingir 63°C internamente, enquanto a carne bovina pode ser consumida malpassada desde que atinja 55°C (para cortes como filé mignon). “O problema não é apenas o gosto, mas a saúde. Cada tipo de carne tem seu ponto seguro de cozimento”, esclarece a pesquisadora.

    O descongelamento inadequado de alimentos também foi apontado como um fator de risco. Muitos brasileiros deixam carnes descongelando em temperatura ambiente ou na pia, o que permite que bactérias se multipliquem rapidamente. A orientação é descongelar os alimentos na geladeira ou no micro-ondas, sempre mantendo-os em recipientes fechados para evitar vazamentos de líquidos contaminados.

    Educação alimentar: o desafio de mudar hábitos enraizados

    Apesar dos riscos comprovados, a cultura de lavar carnes antes do cozimento persiste no Brasil. Em países como os Estados Unidos e Reino Unido, campanhas governamentais e ONGs há anos alertam sobre os perigos dessa prática. “É uma questão de educação. Muitas pessoas acreditam que estão agindo de forma higiênica, mas na verdade estão propagando contaminações”, comenta o engenheiro de alimentos João Pedro Santos, da Anvisa.

    A pesquisadora Daniele Maffei destaca que a mudança de comportamento deve começar nas escolas, com a inclusão de disciplinas sobre segurança alimentar desde a infância. “Crianças que aprendem desde cedo a importância da manipulação correta dos alimentos tendem a repassar esses hábitos para suas famílias”, argumenta. Além disso, restaurantes e serviços de alimentação devem ser fiscalizados rigorosamente para garantir que os protocolos de higiene sejam seguidos à risca.

    Recomendações essenciais para uma cozinha segura

    Para reduzir os riscos de intoxicação alimentar em casa, os especialistas da USP e da Anvisa listam algumas medidas fundamentais:

    • Não lave carnes cruas: utilize papel toalha ou limpe a superfície com desinfetante após o manuseio.
    • Use tábuas separadas: uma para carnes e outra para vegetais, evitando contaminação cruzada.
    • Lave as mãos constantemente: antes e após manipular alimentos, especialmente carnes cruas.
    • Cozinhe os alimentos corretamente: utilize um termômetro para verificar a temperatura interna.
    • Descongele com segurança: na geladeira, no micro-ondas ou em água fria corrente, nunca em temperatura ambiente.
    • Lave bem vegetais: frutas e legumes devem ser higienizados com água corrente e, se possível, com solução de hipoclorito de sódio.

    O papel das políticas públicas e da mídia

    O estudo da USP reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes para combater as DTAs no Brasil. Embora a Anvisa já tenha regulamentações rigorosas para estabelecimentos comerciais, a fiscalização em lares e pequenos comércios ainda é insuficiente. “A mídia tem um papel crucial na disseminação de informações confiáveis. Muitas vezes, as pessoas ainda seguem receitas de família ou crenças populares que não têm base científica”, observa Roberto Lúcio, coordenador do Programa Nacional de Vigilância de Doenças Transmitidas por Alimentos.

    Iniciativas como a Semana Nacional da Alimentação Segura, promovida pelo Ministério da Saúde, e parcerias com influenciadores digitais que abordam saúde e nutrição também podem contribuir para a mudança de comportamento. “Não se trata de demonizar o frango ou o ovo, mas de conscientizar as pessoas sobre os riscos e as formas corretas de preparo”, conclui Daniele Maffei.

  • UE amplia veto a produtos brasileiros: aves, ovos e mel entram na mira dos antimicrobianos até 2026

    UE amplia veto a produtos brasileiros: aves, ovos e mel entram na mira dos antimicrobianos até 2026

    A União Europeia endurece as regras para as exportações brasileiras

    A decisão da Comissão Europeia de excluir o Brasil do rol de países autorizados a comercializar animais vivos e derivados de origem animal com o bloco marca um ponto de inflexão nas relações comerciais entre as duas economias. Publicado no final de 2023, o Regulamento Delegado (UE) 2023/905 estabelece critérios intransigentes para o uso de antimicrobianos, proibindo práticas como o emprego de antibióticos como promotores de crescimento — já banidas na UE desde 2022. O cronograma, que entra em vigor em 3 de setembro de 2026, não representa um fechamento definitivo de mercado, mas uma exigência de paridade técnica que o Brasil ainda não conseguiu atestar plenamente.

    Segundo a porta-voz da Comissão para Saúde e Segurança Alimentar, Eva Hrncirova, o principal gargalo reside na rastreabilidade. A Europa demanda garantias auditáveis que cubram todo o ciclo de vida do animal, desde a criação até o abate, algo que o sistema brasileiro ainda não consegue comprovar de forma irrefutável. “Não se trata de uma punição, mas de alinhamento às normas europeias”, declarou Hrncirova em comunicado oficial. No entanto, especialistas ouvidos pela reportagem alertam que a ausência de equivalência técnica pode resultar em barreiras comerciais disfarçadas, com impactos significativos em setores-chave da balança comercial brasileira.

    Além da carne bovina: a abrangência inesperada dos vetos

    Embora a mídia internacional tenha concentrado suas atenções no setor de carne bovina — responsável por 60% dos US$ 10,5 bilhões exportados pelo Brasil para a UE em 2023 — os novos limites impostos pela regulamentação europeia atingem uma gama muito mais diversificada de produtos. A lista de alvos inclui:

    • Proteína animal: Carnes de aves (frango e peru), bovinos e equinos;
    • Setor apícola: Mel, cera e própolis;
    • Aquicultura: Peixes de cativeiro (como tilápia e salmão) e frutos do mar;
    • Derivados: Ovos in natura e processados, além de envoltórios naturais (tripas).

    Esse leque de produtos expõe a vulnerabilidade de cadeias produtivas que, embora menos volumosas em termos financeiros, são vitais para a economia nacional. O Brasil lidera o ranking global de exportação de carne de frango, com 4,7 milhões de toneladas comercializadas anualmente, das quais 18% têm como destino a União Europeia. A perda desse mercado obrigaria uma reestruturação logística de proporções inéditas, incluindo realocação de estoques e renegociação de contratos com países asiáticos e africanos.

    O custo da não conformidade: um desafio para o setor produtivo

    Para os produtores brasileiros, a adequação às exigências europeias implica investimentos milionários em tecnologia e gestão. A rastreabilidade total — um dos pilares da norma — requer a implementação de sistemas de identificação individual de animais, registros digitais imutáveis e auditorias externas periódicas. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o setor avícola precisaria desembolsar cerca de R$ 1,2 bilhão anuais para se adequar às novas regras, um valor que pressionaria especialmente pequenas e médias empresas.

    “O prazo até setembro de 2026 é curto para uma mudança desse porte”, avalia o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Moreira, consultor em segurança alimentar. “Embora o Brasil tenha avançado na redução do uso de antibióticos na última década, a Europa exige não apenas a redução, mas a comprovação documental de cada etapa do processo.” Moreira destaca que, em países como a Dinamarca, pioneira no tema, a transição levou quase 15 anos e contou com forte apoio governamental. No Brasil, a ausência de políticas públicas coordenadas agrava o cenário.

    Impacto geopolítico: a UE como espelho para outros mercados

    A decisão europeia não é isolada. Nos últimos dois anos, países como Estados Unidos, China e Japão também intensificaram suas exigências sanitárias para importações brasileiras, em especial no que tange ao uso de antimicrobianos e pesticidas. “A União Europeia está se posicionando como um hub regulatório global”, observa a economista Fernanda Lima, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Ao estabelecer padrões tão rígidos, ela influencia indiretamente outros blocos, criando um efeito dominó que pode isolar o Brasil em mercados de alto valor agregado.”

    O risco é de que, mesmo após a adequação técnica, o Brasil enfrente barreiras não tarifárias em outros continentes. A União Europeia, que já representa 17% das exportações brasileiras de proteína animal, pode se tornar um case para que parceiros comerciais adotem medidas semelhantes. “Não é apenas uma questão de saúde pública, mas de poder geoeconômico”, acrescenta Lima. “A Europa está usando a regulamentação como ferramenta de influência.”

    Perspectivas para o futuro: há caminho para a adequação?

    Apesar do pessimismo inicial, especialistas apontam caminhos para que o Brasil minimize os impactos. A adoção de tecnologias blockchain para rastreabilidade e a certificação de propriedades livres de antibióticos não terapêuticos são mencionadas como alternativas viáveis. Além disso, a negociação diplomática para estender prazos ou flexibilizar exigências em setores menos críticos poderia ganhar fôlego nos próximos meses.

    “O Brasil tem condições de se adequar, mas isso exigirá uma mobilização sem precedentes entre governo, indústria e academia”, afirma o diretor da Embrapa Suínos e Aves, Marcelo Miele. “Precisamos de um plano nacional, com metas claras e financiamento público-privado. Não dá para deixar essa responsabilidade apenas para o setor produtivo.” Miele lembra que, em 2020, a avicultura brasileira conseguiu reduzir em 40% o uso de antibióticos graças a programas voluntários — um sinal de que a transição é possível, embora lenta.

    Conclusão: um teste para a competitividade brasileira

    A crise deflagrada pelos novos vetos da UE ao Brasil transcende a esfera comercial. Ela coloca em xeque a capacidade do país de se inserir em cadeias globais de alto padrão, onde a segurança alimentar e a sustentabilidade não são apenas valores, mas pré-requisitos. Com um prazo apertado e pressões de múltiplos fronts, o setor produtivo brasileiro enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente: adequar-se a normas que não foram desenhadas para a realidade nacional, mas que, se ignoradas, podem selar o isolamento do país em mercados estratégicos.

    Às vésperas de uma nova rodada de negociações comerciais com a UE, a pergunta que fica é: o Brasil terá fôlego para virar esse jogo, ou os vetos serão apenas o primeiro capítulo de uma longa batalha pela manutenção de sua posição como gigante agroalimentar global?