Autor: Roberto Neves

  • Lada Niva Legend recebe airbag, motor 1.8 e resistência à ferrugem após quase meio século

    Lada Niva Legend recebe airbag, motor 1.8 e resistência à ferrugem após quase meio século

    Airbag chega tarde, mas chega: Niva Legend finalmente recebe equipamento de segurança

    Em uma virada histórica para um modelo que nasceu na década de 1970, a Lada Niva Legend estreia seu primeiro airbag na coluna de direção, equipamento herdado do sedã Lada Granta. A medida, embora tardia em comparação com padrões internacionais, representa um marco de modernização para o icônico SUV russo, que sempre foi associado à robustez, mas também a uma certa relutância em adotar tecnologias de segurança passiva.

    Motor 1.8 8V: mais potência e torque para um SUV que não quer envelhecer

    O coração da picape russa agora bate mais forte. Substituindo o antigo propulsor 1.7, o novo motor 1.8 8V entrega 89 cv e 15,6 kgfm de torque, um ganho de 7 cv e 2,45 kgfm em relação ao anterior. Essa atualização, inspirada no motor do Niva Travel, não apenas melhora o desempenho em retomadas e subidas, como também promete maior eficiência em longas viagens — algo essencial para um veículo que, desde sua estreia, foi concebido para enfrentar terrenos adversos.

    Ferrugem no passado: carroceria galvanizada e suspensão recalibrada

    Outra frente de modernização foi a adoção de aço galvanizado na carroceria, reduzindo significativamente a vulnerabilidade à ferrugem — um problema crônico nos modelos antigos. Além disso, a suspensão teve sua calibração revisada, a barra estabilizadora foi reposicionada e os freios passaram a contar com discos ventilados, melhorando a frenagem e a estabilidade em altas velocidades. Essas mudanças não apenas prolongam a vida útil do veículo, como também elevam seu conforto e segurança em uso cotidiano.

    Interior repaginado: central multimídia e ergonomia aprimorada

    No habitáculo, a Niva Legend ganha um painel mais moderno, com central multimídia integrada, isolamento acústico reforçado e uma nova disposição para a ignição — agora posicionada à direita — e para a alavanca de câmbio, que foi reposicionada para maior acessibilidade. Essas alterações, embora sutis, refletem uma preocupação em aliar a robustez tradicional do modelo ao conforto e praticidade exigidos pelos consumidores contemporâneos.

    O que isso significa para o futuro da Niva?

    A atualização da Niva Legend em 21 de junho de 2026 não é apenas uma reforma estética ou mecânica: é um sinal de que a AvtoVAZ, fabricante russa, finalmente reconhece a necessidade de competir em um mercado cada vez mais exigente. Embora a picape mantenha seu DNA off-road, as mudanças implementadas — especialmente o airbag e a maior resistência à ferrugem — aproximam o modelo de padrões internacionais de segurança e durabilidade. Resta saber se essas inovações serão suficientes para reacender o interesse global no veículo, que, apesar de seu legado, enfrenta concorrentes modernos e bem equipados.

  • Quagliato: O império oculto que sustenta o agro brasileiro com 250 mil cabeças de gado e bilhões em produção

    Quagliato: O império oculto que sustenta o agro brasileiro com 250 mil cabeças de gado e bilhões em produção

    Aos 21 de junho de 2026, o sobrenome Quagliato ressoa como um dos pilares invisíveis do agronegócio nacional. Por décadas, quatro irmãos — liderados por Roque Quagliato — construíram um império que abarca mais de 250 mil cabeças de gado, extensas áreas agrícolas e plantas industriais de açúcar e etanol, movimentando bilhões sem alarde midiático.

    Um colosso construído longe dos holofotes

    Enquanto gigantes como JBS ou Raízen dominam manchetes, a trajetória da família Quagliato ilustra como o agro brasileiro opera em segunda divisão — ainda assim, com uma relevância inegável. Com fazendas distribuídas por Goiás, Mato Grosso e São Paulo, o grupo consolidou-se na pecuária de corte e expandiu-se para a agricultura em larga escala, especialmente na produção de cana-de-açúcar para etanol e açúcar.

    Do campo à indústria: a integração que define o modelo Quagliato

    O diferencial do modelo Quagliato está na verticalização. Ao controlar desde a criação de gado até a transformação da cana em biocombustível, a família reduziu custos e maximizou lucros, criando uma cadeia produtiva autossuficiente. Roque Quagliato, figura central do grupo, é reconhecido não apenas pelo porte de sua operação, mas pela estratégia de longo prazo — que inclui a aquisição de terras em momentos estratégicos e a diversificação para amenizar crises setoriais.

    Legado e impactos: o que está em jogo

    Em um setor cada vez mais pressionado por questões ambientais e regulatórias, o modelo Quagliato serve de estudo de caso. A gestão de terras em larga escala, embora eficiente economicamente, enfrenta escrutínio quanto ao uso de recursos hídricos e emissões de carbono. Além disso, a concentração de terras nas mãos de poucos grupos — como os Quagliato — reforça debates sobre a democratização do acesso à propriedade rural no Brasil.

    O que vem pela frente?

    Com a demanda global por alimentos e energia renovável em ascensão, o grupo deve enfrentar novos desafios: modernização tecnológica para aumentar produtividade, adaptação às exigências ESG (sustentabilidade) e concorrência com conglomerados internacionais. Seja como for, a história dos Quagliato prova que, no agro brasileiro, o poder muitas vezes caminha sob o radar — mas suas decisões ecoam por toda a cadeia produtiva.

  • Câmbio automático: 5 erros que podem destruir a transmissão e custar R$ 10 mil na oficina

    Câmbio automático: 5 erros que podem destruir a transmissão e custar R$ 10 mil na oficina

    O câmbio automático deixou de ser um privilégio para se tornar o padrão nas ruas brasileiras, mas sua operação exige mais atenção do que muitos motoristas imaginam. Em um levantamento da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), 62% dos proprietários de veículos automáticos admitem cometer pelo menos um erro crítico na condução, colocando em risco a vida útil da transmissão.

    Trocar a marcha com o carro em movimento: o tiro no pé do câmbio

    O erro mais comum e também o mais destrutivo é acionar a ré ou o drive com o veículo ainda em movimento. Segundo o engenheiro automotivo Carlos Lima, da SAE Brasil, cada mudança brusca nessas condições gera um impacto equivalente a uma colisão de baixa intensidade no interior da transmissão. “O dano não é imediato, mas a cada manobra desse tipo, as engrenagens e o conversor de torque sofrem desgaste acelerado”, explica Lima. Em casos extremos, a reparação pode custar entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, dependendo do modelo do veículo.

    Descer serra em ponto morto: mito que só prejudica o automóvel

    Outro equívoco enraizado no imaginário popular é a crença de que descer ladeiras em ponto morto poupa combustível e reduz o desgaste do freio. Além de ser ilegal no Brasil (infração grave com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na CNH), a prática sobrecarrega o sistema de freios e, surpreendentemente, aumenta o consumo de combustível. “O motor em marcha lenta consome mais combustível do que em uma descida controlada com o câmbio em drive”, revela Lima. A manutenção preventiva, por sua vez, é a grande aliada: trocas de óleo a cada 60 mil km podem prolongar a vida útil da transmissão em até 50%.

    Entendendo os modos do câmbio automático: cada letra tem uma função

    Dominar os significados das letras no seletor do câmbio é fundamental para evitar danos. Veja o que cada uma representa:

    • P (Park): Trava as rodas e o sistema de transmissão. Deve ser usado apenas quando o veículo estiver parado e com o freio de mão acionado.
    • D (Drive): Modo de condução normal, ideal para ruas e estradas planas.
    • R (Reverse): Ré, acionada apenas com o carro parado para evitar danos ao sistema.
    • N (Neutro): Posição neutra, usada em paradas breves no trânsito, mas nunca para empurrar ou reboque.
    • L (Low): Tração reduzida, recomendada para subidas íngremes ou reboque.
    • S (Sport): Modo esportivo, que mantém as marchas em rotações mais altas para desempenho máximo.

    Estacionar corretamente: mais do que segurança, proteção ao câmbio

    O momento de estacionar também é crítico. Antes de engatar o P, é essencial acionar o freio de mão e, em veículos com transmissão de duplo clutch, esperar alguns segundos para que os componentes internos se acomodem. “Engatar o P sem o freio de mão acionado pode danificar os coxins e o pinhão da transmissão”, alerta Lima. Além disso, em ladeiras, sempre vire as rodas para o meio-fio para evitar que o carro role em caso de falha no freio de mão.

  • Toyota encerra produção do Corolla em Indaiatuba e transfere sedã para Sorocaba

    Toyota encerra produção do Corolla em Indaiatuba e transfere sedã para Sorocaba

    Fim de uma era para o Corolla e Indaiatuba

    A Toyota encerrou, no último sábado (17 de junho de 2026), a produção do sedã Corolla em sua fábrica de Indaiatuba (SP), após 28 anos ininterruptos desde a inauguração da unidade em setembro de 1998. O último exemplar, um Corolla Altis Premium HEV, foi produzido sob aplausos de funcionários, marcando o fim de um ciclo que transformou a cidade em um polo automotivo brasileiro.

    Reestruturação industrial: Sorocaba assume a dianteira

    A transferência da produção do Corolla — que se juntará ao Corolla Cross e Yaris Cross em Sorocaba — é parte de uma estratégia de concentração fabril. A unidade de Sorocaba, mais moderna, receberá em novembro uma nova fase de operação, com investimento de R$ 11 bilhões anunciados pela montadora. A decisão reflete a busca por eficiência e preparação para a próxima geração de modelos, prevista para chegar ao mercado em poucos anos.

    O que vem pela frente para Indaiatuba?

    Com a desativação da planta, o futuro do complexo industrial permanece em aberto. Especialistas não descartam a possibilidade de uma montadora chinesa assumir o espaço, seguindo o exemplo de casos recentes como a Ford em Camaçari (BA), hoje operada pela BYD, e a Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP), atualmente sob gestão da GWM. O Brasil tem se tornado um alvo estratégico para fabricantes asiáticas, que buscam expandir sua presença no mercado sul-americano.

  • Bélgica x Irã no Grupo G da Copa do Mundo 2026: onde e como assistir ao vivo no Brasil

    Bélgica x Irã no Grupo G da Copa do Mundo 2026: onde e como assistir ao vivo no Brasil

    A Bélgica e o Irã entram em campo neste domingo, 21 de junho de 2026, às 16h (horário de Brasília), no SoFi Stadium, em Inglewood, para um duelo que pode definir o rumo do Grupo G da Copa do Mundo.

    Um grupo em aberto: a batalha por classificação

    O Grupo G está totalmente aberto após as primeiras rodadas. A Bélgica empatou com o Egito por 1 a 1, enquanto o Irã também empatou, com a Nova Zelândia, por 2 a 2. Com isso, uma vitória de qualquer das equipes pode garantir a liderança ou, pelo menos, abrir vantagem decisiva na briga por uma vaga nas oitavas de final.

    Transmissão ao vivo: como acompanhar o jogo no Brasil

    Os brasileiros poderão assistir ao jogo ao vivo exclusivamente pela CazéTV, plataforma que detém os direitos de transmissão de todos os jogos da Copa do Mundo 2026. Outras emissoras e plataformas podem exibir partidas selecionadas conforme a grade do dia, mas a CazéTV é a principal opção para os torcedores.

    O que está em jogo no Grupo G

    Além da Bélgica e do Irã, o grupo conta ainda com o Egito e a Nova Zelândia. A classificação dependerá não só do resultado deste domingo, mas também do desempenho das outras seleções. Uma vitória hoje pode significar não apenas três pontos, mas também a tranquilidade de saber que o time está um passo à frente na disputa por uma vaga nas fases finais do Mundial.

  • Geely EX2 dispara na China enquanto BYD e Tesla sofrem quedas históricas em maio de 2026

    Geely EX2 dispara na China enquanto BYD e Tesla sofrem quedas históricas em maio de 2026

    O mercado automotivo chinês, maior do mundo, segue em trajetória de baixa. Segundo dados da CAAM (Associação de Fabricantes Automobilísticos da China), as vendas atacadistas de maio de 2026 somaram 2,629 milhões de unidades, uma queda de 2,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este é o quinto mês seguido de retração, acendendo alertas sobre a saúde do setor no ano mais desafiador desde a pandemia.

    Geely EX2 lidera crescimento enquanto BYD e Honda afundam

    No acumulado de 2026, as vendas somam 12,205 milhões de veículos, com queda de 4,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A batalha pelo topo do ranking revela um cenário de contrastes: a BYD, apesar de manter a liderança pelo terceiro mês consecutivo com 165.105 unidades vendidas, registrou queda de 37,9% nas vendas. Já a Geely, com 126.104 unidades e retração de 21,7%, consolida-se como a principal rival da BYD, superando marcas internacionais tradicionais.

    Tesla e Leapmotor têm desempenho positivo; Honda e Changan despencam

    A Tesla registrou 47.281 unidades vendidas em maio, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, enquanto a Leapmotor surpreendeu com 61.401 unidades — um salto de quase 50% na comparação anual. Em contrapartida, a Honda enfrentou um colapso de 48% nas vendas (28.165 unidades), e a Changan recuou 64%, fechando o top 20 do mês.

    Volkswagen recupera o terceiro lugar; Toyota perde posição

    Após dois meses sendo superada pela Toyota, a Volkswagen reassumiu o terceiro lugar do ranking com 97.700 unidades vendidas em maio, enquanto a Toyota registrou 90.011. A disputa entre as montadoras estrangeiras evidencia a pressão sobre marcas tradicionais frente ao avanço das chinesas, que dominam os primeiros lugares com modelos elétricos e híbridos.

  • Feijão-carioca: a mutação que transformou o agronegócio brasileiro e virou símbolo nacional

    Feijão-carioca: a mutação que transformou o agronegócio brasileiro e virou símbolo nacional

    Em 21 de junho de 2026, o feijão-carioca não é apenas um ingrediente rotineiro nas refeições dos brasileiros — é um marco da engenharia genética nacional. Responsável por abastecer 60% dos pratos do país, segundo a Embrapa, essa variedade de feijão, com suas listras escuras sobre um fundo marrom-claro, nasceu de uma mutação natural nos anos 1960 e se tornou a rainha das lavouras brasileiras.

    A revolução silenciosa que mudou as lavouras

    Até meados da década de 1960, o Brasil cultivava uma diversidade de feijões regionais, como o bico-de-ouro, rosinha e jalo, cada um com seus nichos de mercado. No entanto, a descoberta acidental de uma variedade mais produtiva e adaptável — o feijão-carioca — desencadeou uma mudança irreversível. Com maior resistência a pragas e uma capacidade de adaptação ao clima tropical, o grão rapidamente ganhou espaço nas lavouras, substituindo variedades tradicionais e unificando o mercado.

    Do acaso à liderança: como a ciência impulsiona o campo

    A Embrapa, referência mundial em pesquisa agropecuária, foi fundamental para consolidar o feijão-carioca como protagonista. Por meio de melhoramento genético, a instituição não apenas selecionou as melhores sementes, mas também desenvolveu técnicas para aumentar a produtividade e reduzir o uso de defensivos agrícolas. Hoje, o grão não é apenas um sucesso comercial, mas também um símbolo de inovação sustentável no agronegócio brasileiro.

    O feijão que move a economia e a cultura

    Além de seu impacto econômico — com uma cadeia produtiva que movimenta bilhões anualmente —, o feijão-carioca também moldou hábitos culturais. Do arroz com feijão ao feijoada, sua presença é onipresente, tornando-se um elemento de identidade nacional. Com a crescente demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis, o feijão-carioca se posiciona como uma solução estratégica para o futuro da segurança alimentar no Brasil.

    Desafios e o futuro do grão que alimenta o país

    Apesar do sucesso, o setor enfrenta desafios, como a necessidade de combater pragas cada vez mais resistentes e garantir a competitividade frente a grãos importados. A Embrapa e parceiros do setor privado trabalham em novas tecnologias, como sementes transgênicas e sistemas de irrigação inteligentes, para manter a liderança brasileira no mercado global de feijão. Com um olho no passado e outro no futuro, o feijão-carioca continua a ser um exemplo de como a ciência pode transformar não apenas a agricultura, mas também a cultura e a economia de um país.

  • Move Brasil financia divisórias e rastreadores: o que taxistas e apps podem incluir no financiamento

    Move Brasil financia divisórias e rastreadores: o que taxistas e apps podem incluir no financiamento

    O Move Brasil além dos carros: acessórios que entram no financiamento

    Desde o lançamento do Move Brasil — programa federal que facilita a compra de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo —, a atenção do público se concentrou nos modelos elegíveis à iniciativa. No entanto, uma novidade pouco discutida ganha destaque: o financiamento também abrange itens essenciais para a segurança e operação profissional. Segundo as regras do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), até 10% do valor total financiado pode ser direcionado para equipamentos que, até então, eram adquiridos exclusivamente por conta própria pelos profissionais.

    Da divisória à câmera: itens que prometem transformar a rotina no trânsito

    A lista oficial de bens financiáveis inclui desde dispositivos consolidados no mercado, como rastreadores GPS e câmeras embarcadas, até soluções mais específicas — como a taxi partition, uma divisória entre os bancos dianteiros e traseiros. Popular em cidades como Nova York e Londres, esse equipamento, que havia praticamente desaparecido dos táxis brasileiros nas últimas décadas, volta a ganhar relevância em um contexto de crescente preocupação com segurança e higiene.

    Durante a pandemia, a divisória teve um revival temporário entre motoristas que buscavam isolar passageiros e motoristas em um mesmo ambiente. Agora, com o financiamento do Move Brasil, o item pode se tornar uma opção acessível para profissionais que querem modernizar sua frota e, ao mesmo tempo, oferecer mais segurança aos usuários.

    Consequências para taxistas e apps: mais segurança, menos custos

    A inclusão desses itens no financiamento pode representar um divisor de águas para os profissionais do setor. Além de reduzir o investimento inicial necessário para equipar um veículo, a medida amplia o acesso a tecnologias que, historicamente, ficavam restritas a quem podia pagar à vista. Para os usuários de apps de transporte, a novidade pode se traduzir em viagens mais seguras, com a possibilidade de monitoramento em tempo real e maior proteção contra assaltos ou situações de risco.

    O programa, que já é visto como uma alavanca para a renovação da frota de táxis no país, agora ganha um novo capítulo: o de democratizar o acesso a soluções que há anos são discutidas, mas raramente implementadas em larga escala. Resta saber se os motoristas e empresas de aplicativo aproveitarão essa oportunidade — e se o mercado de acessórios para transporte profissional será capaz de absorver a demanda crescente.

  • Leilões de veículos de 21 a 27 de junho: como comprar carro ou moto com descontos de até 50%

    Leilões de veículos de 21 a 27 de junho: como comprar carro ou moto com descontos de até 50%

    Pregões presenciais e digitais em todo o país

    Os leilões de veículos retomados por instituições financeiras e seguradoras seguem intensos até o próximo dia 27 de junho. Dentre as plataformas mais ativas estão a Sodré Santoro, que realiza pregões em quatro datas distintas, e a Vip Leilões, que concentra a maior variedade de lances em órgãos públicos, bancos e financeiras de todas as regiões brasileiras. A Copart também mantém sua programação regular, com opções tanto para quem prefere o modelo presencial quanto para quem busca praticidade nos lances online.

    Oportunidade ou armadilha? Entenda os riscos da compra

    O grande atrativo dos leilões é o preço: veículos podem ser arrematados por valores até 50% inferiores aos praticados no mercado tradicional. No entanto, a ausência de test drive e a compra no estado em que o bem se encontra transferem toda a responsabilidade para o comprador. Erros na documentação ou problemas mecânicos não detectados podem resultar em prejuízos significativos. Por isso, especialistas recomendam visitas prévias aos pátios, análise minuciosa do histórico do veículo e, se possível, contratação de vistoria profissional antes do lance.

    O que verificar antes de participar

    Antes de participar de qualquer leilão, é fundamental conferir a documentação do veículo, como o Certificado de Registro de Veículo (CRV), comprovante de quitação de débitos e histórico de sinistros. Plataformas como Sodré Santoro e Vip Leilões disponibilizam relatórios detalhados, mas cabe ao comprador avaliar se as informações são suficientes. Em casos de leilões de bancos, é comum que os veículos tenham sido utilizados como garantia de financiamentos não quitados, o que pode afetar a regularidade da transferência futura.

    Como não errar na hora do lance

    Para maximizar as chances de negócio sem perder dinheiro, defina um teto de gastos antes de participar. Pesquise os valores de mercado dos modelos ofertados e acompanhe as médias de arremate em edições anteriores dos mesmos leilões. Em pregões presenciais, chegue cedo para avaliar os veículos pessoalmente; nos digitais, utilize ferramentas de lances automáticos para evitar emoções no momento da compra. Lembre-se: a pressa nunca deve sobrepor a análise criteriosa.

  • Carro elétrico em enchentes: riscos ocultos na alta tensão e na física da água

    Carro elétrico em enchentes: riscos ocultos na alta tensão e na física da água

    Segurança elétrica: a engenharia que neutraliza a alta tensão

    Ao contrário do que sugere o imaginário popular, um carro elétrico submerso não transforma suas ruas alagadas em câmaras de choque. A arquitetura das baterias de alta tensão — como as de íon-lítio presentes em modelos como o Tesla Model 3 ou o BYD Dolphin — é projetada com selos herméticos e sistemas de corte automático de energia em caso de infiltração. “A corrente elétrica só flui em circuitos fechados, e a água, por si só, não fecha esses circuitos”, explica o engenheiro automotivo Ricardo Souza, especialista em mobilidade elétrica. No entanto, a integridade desses sistemas depende da profundidade e duração do alagamento: um mergulho prolongado pode danificar os selos, expondo os cabos à umidade residual e gerando curto-circuito meses depois.

    Flutuabilidade vs. controle: o paradoxo da leveza elétrica

    A mesma física que torna os elétricos menos propensos a incêndios — pela ausência de combustível líquido — os torna vulneráveis à força da água. Por terem um centro de gravidade mais baixo (graças às baterias posicionadas no assoalho) e estruturas mais leves, eles tendem a flutuar em alagamentos profundos. “Isso pode desestabilizar o veículo, mesmo em velocidades baixas, levando à perda de direção ou até capotamento”, alerta Souza. Enquanto um carro a combustão, mais pesado, afunda rapidamente e mantém contato com o solo, o elétrico pode ser arrastado pela corrente como um barco improvisado — um risco subestimado em áreas urbanas com má drenagem, como as registradas nesta domingo, 21 de junho de 2026.

    Danos pós-enchente: a corrosão que não aparece no momento

    Os estragos mais perigosos de uma enchente não são visíveis na hora. Componentes como freios, suspensão e até o sistema de ar-condicionado — itens não diretamente ligados à bateria — são os primeiros a sucumbir à umidade. “A água salgada ou contaminada acelera a oxidação dos terminais elétricos não protegidos, e a lama pode entupir dutos de refrigeração do motor, mesmo em híbridos”, destaca o mecânico Carlos Mendes. Em casos extremos, a corrosão avança para a fiação interna, gerando falhas intermitentes meses depois. Já os híbridos, embora menos suscetíveis à flutuabilidade, mantêm o risco do calço hidráulico nos motores a combustão, quando a água entra nos cilindros e danifica peças como bielas e pistões.

    Para quem vive em regiões com alertas de enchente recorrentes — como a Região Metropolitana de Goiânia, onde Wanessa Alves cobre ocorrências locais —, a recomendação é clara: evite atravessar ruas alagadas, mesmo em veículos elétricos. A segurança não está apenas na ausência de faíscas, mas na física implacável da água. E, como mostra a engenharia moderna, nem toda tecnologia é à prova de engenharia humana.