Autor: Roberto Neves

  • USDA decreta emergência sanitária: mosca-da-bicheira avança no Texas e ameaça pecuária e animais domésticos

    USDA decreta emergência sanitária: mosca-da-bicheira avança no Texas e ameaça pecuária e animais domésticos

    EUA em alerta: parasita mortal salta de bovinos para cães no Texas

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em comunicado oficial emitido na última semana, confirmou a disseminação da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax), um parasita de alto poder destrutivo para a pecuária, em novos focos no estado do Texas. A praga, que já dizimava rebanhos bovinos, registrou seu primeiro caso em um cachorro doméstico, elevando o alerta sanitário a um patamar crítico.

    Até esta segunda-feira (8 de junho de 2026), as autoridades texanas contabilizam quatro ocorrências ativas da doença desde o início do mês, com vítimas em dois condados distantes entre si: La Salle e Andrews. A infecção mais recente, registrada em um bezerro de três semanas, acendeu o sinal vermelho para a cadeia produtiva de carne americana, já fragilizada por surtos anteriores.

    Plano emergencial contra a mosca-da-bicheira: o que está em jogo?

    Diante do cenário, o USDA anunciou um plano de erradicação biológica, que inclui o uso de tecnologias de controle populacional do inseto — como a liberação de machos estéreis — e monitoramento intensivo em propriedades rurais. A praga, que deposita ovos em feridas abertas de animais, pode matar hospedeiros em até 10 dias, gerando prejuízos milionários.

    O risco de alastramento para outros estados americanos, como Oklahoma e Louisiana — regiões com forte atividade pecuária —, mantém a Casa Branca em estado de alerta. Especialistas alertam que, sem ações imediatas, a mosca-da-bicheira pode se tornar uma ameaça nacional, similar ao surto de febre aftosa na década de 2000.

    Impacto econômico e consequências para donos de animais

    O caso do cachorro infectado em Andrews, único registro em pet no país, expõe uma nova frente de batalha para veterinários e tutores. Embora raro, a transmissão para cães — que também podem ser hospedeiros — exige atenção redobrada em áreas afetadas. A doença, conhecida por causar necrose tecidual, já levou à eutanásia de animais em surtos anteriores no México e na América Central.

    Produtores rurais do Texas, por sua vez, enfrentam um duplo desafio: proteger o rebanho e evitar embargos internacionais. Países como China e Japão, principais importadores de carne americana, já haviam elevado barreiras sanitárias após casos esporádicos da praga em 2024. Agora, com a confirmação de novos focos, o temor é de restrições comerciais ainda mais severas.

  • Felipe Juares domina Desafio Indoor no Villagemall com tempo recorde de 38s60

    Felipe Juares domina Desafio Indoor no Villagemall com tempo recorde de 38s60

    O Desafio Indoor, realizado em 6 de junho de 2026, marcou mais uma etapa da novidade trazida pelo Circuito Indoor 2026, que soma quatro provas ao longo do ano. Desta vez, a disputa a 1.40 metros no Concurso de Salto Nacional 5* Villagemall — sediado na Sociedade Hípica Brasileira (SHB), no Rio — serviu também como qualificativa para o Clássico 1.45m, realizado no dia seguinte (7/6).

    Traçado de alto nível impõe desafios inéditos

    A course-designer internacional Marina Azevedo idealizou um percurso técnico que exigiu precisão dos 36 conjuntos inscritos. Dos dez que avançaram ao desempate, oito zeraram a prova, evidenciando a qualidade do plantel e a dificuldade do traçado. A estreia do circuito já sinaliza um salto de qualidade na temporada hípica brasileira.

    Felipe Juares e HVM Zaha JC: união vencedora

    Felipe Juares de Lima, montando a égua HVM Zaha JC (11 anos, filha de Zirocco Blue VDL em Landjonker), cravou o tempo de 38s60 — único a concluir a prova abaixo dos 39 segundos. A parceria, propriedade de Romero Costa de Albuquerque, mostrou-se imbatível em um dos momentos mais disputados da prova. A vitória reforça a competitividade do esporte nacional e o potencial da pecuária brasileira no mercado global.

  • Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Mais recursos para o campo: crédito de R$ 14 bilhões em máquinas agrícolas

    O governo federal anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a ampliação do programa Move Agrícola de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões. A medida, divulgada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a abertura da 20ª Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), tem como objetivo facilitar o acesso de produtores rurais a tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas. Os financiamentos já estão disponíveis no sistema bancário e oferecem juros de 9,5% ao ano, além de um ano de carência e prazo de até cinco anos para pagamento.

    Frota de veículos também recebe R$ 21 bilhões em crédito

    Em paralelo, o governo lançou uma nova etapa do programa de renovação de frota, agora com R$ 21 bilhões em crédito. Desse montante, R$ 2 bilhões serão destinados à renovação de veículos usados, enquanto os R$ 19 bilhões restantes financiarão a aquisição de caminhões e implementos rodoviários. Alckmin destacou que a primeira fase do programa já contratou recursos em cerca de 30 dias, demonstrando a agilidade na execução.

    Impacto econômico e expectativas do setor

    A ampliação dos recursos chega em um momento crítico para o agronegócio brasileiro, que enfrenta pressões por modernização e redução de custos. Com a oferta de crédito a juros atrativos, o governo busca impulsionar a produtividade no campo e reduzir a dependência de maquinário obsoleto. Analistas do setor apontam que a medida pode acelerar a recuperação de investimentos no setor, especialmente em regiões com forte presença agrícola, como o Centro-Oeste e o Matopiba. A expectativa é de que os novos recursos também beneficiem a indústria nacional de máquinas e equipamentos, que tem sofrido com a concorrência de importações.

  • Yaris Cross blindado supera preço de Corolla Cross híbrido: o que explica a disparada de R$ 80 mil?

    Yaris Cross blindado supera preço de Corolla Cross híbrido: o que explica a disparada de R$ 80 mil?

    Blindagem do Yaris Cross: luxo ou armadilha?

    Na data de hoje, um anúncio na plataforma Webmotors chamou a atenção por apresentar um Toyota Yaris Cross modelo XRE blindado por R$ 240.888 — um salto de quase R$ 80 mil em relação ao preço de fábrica, que varia entre R$ 149.990 e R$ 189.990. A justificativa para o valor elevado está clara: a blindagem, oferecida pela Toyota em parceria com a empresa Carbon. No entanto, há um detalhe que pode surpreender muitos compradores: essa modificação anula a garantia oficial da fabricante.

    Por que a blindagem afeta a garantia do Yaris Cross?

    A Toyota permite alterações na carroceria em apenas quatro modelos: Corolla, Corolla Cross, SW4 e Hilux. O Yaris Cross, lançado no Brasil no início de 2026, não está nessa lista, o que significa que qualquer intervenção estrutural — como a blindagem — é feita por conta e risco do proprietário. Segundo especialistas, a blindagem, que custa mais de R$ 100 mil na Carbon, também impacta no desempenho do veículo, aumentando o peso e, consequentemente, o consumo de combustível e reduzindo a potência.

    Alternativas no mesmo valor: o que os R$ 240 mil podem comprar?

    Com o valor gasto em um Yaris Cross blindado, o consumidor poderia optar por opções mais potentes ou espaçosas, como o GWM Haval H6, Jeep Compass ou até mesmo o Toyota Corolla Cross híbrido, que, embora seja um modelo oficial da fabricante, não tem garantia afetada por blindagem. Essa discrepância de preços levanta uma questão: a blindagem do Yaris Cross é um investimento seguro ou um gasto desnecessário?

    O que os especialistas dizem?

    Engenheiros automotivos alertam que, além da perda de garantia, a blindagem pode comprometer a segurança passiva do veículo, uma vez que as estruturas originais são projetadas para absorver impactos de forma específica. A Toyota, por sua vez, não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes internas da Carbon confirmam que o serviço é realizado com materiais certificados, embora não haja garantia sobre a integridade da carroceria após a instalação.

  • Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Trégua obrigatória na maior fronteira agrícola do país

    A segunda-feira (8) marcou o início do vazio sanitário da soja em Mato Grosso, período de 91 dias em que nenhum cultivo da leguminosa é permitido no estado. A medida, coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Sedru) e fiscalizada pela Famato, tem como alvo principal as chamadas plantas voluntárias — aquelas que brotam espontaneamente após a colheita, também conhecidas como tigueras. O objetivo é erradicar esses focos verdes antes que sirvam de hospedeiros para a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), fungo que, segundo a Embrapa, pode reduzir a produtividade em até 90% em lavouras infectadas.

    Por que o vazio sanitário é a arma mais eficaz contra a ferrugem

    A ferrugem asiática, detectada pela primeira vez no Brasil em 2001, já causou prejuízos superiores a R$ 28 bilhões à agricultura nacional, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Em Mato Grosso — maior produtor nacional, responsável por 35% da safra brasileira — a doença é monitorada 24 horas por dia pela rede de alerta fitossanitário. Durante o vazio sanitário, que se estende até 7 de setembro, drones, técnicos da Emater-MT e fiscais estaduais percorrerão plantações, beiras de estradas e armazéns para garantir que não reste nenhum vestígio de soja viva. A multa por descumprimento pode chegar a R$ 100 mil por hectare irregular.

    Impacto econômico: proteger R$ 60 bilhões em 2026

    A safra 2025/26 de Mato Grosso, estimada em 46 milhões de toneladas de soja, gerou receitas de R$ 60 bilhões aos produtores. Com a ferrugem asiática em expansão — já registrada em 15 estados brasileiros — o vazio sanitário torna-se ainda mais crítico. “Eliminar as plantas voluntárias é a única forma de quebrar o ciclo do fungo. Se não fizermos isso, a próxima safra pode ser dizimada antes mesmo de começar”, alerta o engenheiro agrônomo José Fernando Pimentel, da Famato. Além da ferrugem, o vazio sanitário também reduz a pressão de outras pragas, como o percevejo e a lagarta da soja, otimizando o uso de defensivos agrícolas na próxima temporada.

  • Reynoso domina GP VillageMall e acelera busca por vaga no Odesur 2026

    Reynoso domina GP VillageMall e acelera busca por vaga no Odesur 2026

    Em meio a 29 conjuntos participantes, o GP VillageMall (1,55m) realizado no último dia 6 de julho consolidou José Roberto Reynoso Fernandez Filho como o grande nome da competição. Com apenas 8 anos de idade, seu cavalo Cornet Shot JMen II superou desafios técnicos e cronométricos para fechar a prova em 50s04, dois segundos à frente do vice-campeão Ricardo Coelho Junior com Deviana 3K.

    Seletiva sul-americana e foco no Odesur 2026

    A vitória não se limitou ao pódio: o GP VillageMall serviu como a 3ª seletiva para o Sul-Americano de Hipismo 2026, evento que determinará os representantes brasileiros nos Jogos Odesur. Reynoso, hexacampeão brasileiro Senior Top e campeão do Odesur 2022, reforçou seu protagonismo ao zerar os dois percursos idealizados por Marina Azevedo na Sociedade Hípica Brasileira, no Rio de Janeiro.

    Planos ambiciosos para a temporada internacional

    Após a conquista, Reynoso não escondeu suas ambições: “Nos Jogos do Odesur, sem dúvida, é um prazer representar o país. Se Deus quiser, após o torneio, fecharemos uma temporada na Europa para buscar classificação em um Pan-Americano”, declarou o atleta. A declaração reflete não apenas uma trajetória vitoriosa, mas também a estratégia do hipismo brasileiro em escalar posições no cenário global.

  • Após desabamento de aviário e fraudes, produtor de Bragança Paulista reconstrói negócio com biosseguridade e sucessão familiar

    Após desabamento de aviário e fraudes, produtor de Bragança Paulista reconstrói negócio com biosseguridade e sucessão familiar

    Do fracasso na fruticultura ao desafio na avicultura: uma trajetória de resiliência

    Odair Tofanin, natural de Jarinu (SP), carregava na memória as tardes passadas entre os parreirais de uva da infância, onde ele e os irmãos ajudavam os pais nos tempos de colheita. Em 1996, assumiu sozinho o Sítio Santa Luzia, uma propriedade que, à época, mal dava para sustentar a família. A virada veio com a transição para a avicultura de corte em 2005, quando o produtor percebeu o potencial da atividade em uma região com infraestrutura favorável e demanda crescente por proteína animal.

    O desastre que quase paralisou a história familiar

    Na tarde de 22 de maio de 2026 — há menos de vinte dias —, um desabamento parcial do aviário principal do Sítio Santa Luzia não apenas ceifou a vida de 42 mil aves como também expôs uma fraude cometida pela construtora responsável pela obra. O acidente, que poderia ter vitimado funcionários e animais, deixou um prejuízo estimado em R$ 1,8 milhão, incluindo perdas com a produção interrompida e danos à infraestrutura. “Foi um golpe duro, mas não o suficiente para nos derrubar”, relata Diego Tofanin, filho de Odair e atual gerente da propriedade.

    Biosseguridade e sucessão familiar: os pilares do recomeço

    Enquanto a construtora tentava se eximir da responsabilidade, Odair e Diego investiram em um plano de recuperação baseado em dois pilares: biosseguridade rigorosa e planejamento sucessório. A biosseguridade, hoje, é tratada como prioridade absoluta no Sítio Santa Luzia, com protocolos de higienização revisados e instalações adaptadas para evitar novos incidentes. Paralelamente, a sucessão familiar ganhou contornos estratégicos: Diego, que já atuava na gestão, assumiu formalmente a liderança do negócio, enquanto Odair focou na capacitação da equipe e na busca por parcerias com universidades para inovação em genética aviária.

    Lições para o agronegócio: crise como oportunidade

    O caso do Sítio Santa Luzia ressoa como um alerta para o setor avícola brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade de preços e pressões ambientais. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a crise enfrentada pela família Tofanin evidencia a importância de planos de contingência robustos e de uma governança familiar clara. “A avicultura moderna exige mais do que técnica; exige resiliência e visão de longo prazo”, afirma a engenheira agrônoma Marina Silva, consultora em gestão rural. Para Odair, a lição é simples: “A gente não planta só grãos ou cria só galinhas. A gente planta confiança e colhe futuro”.

  • Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Uma missão técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pela ministra Izabella Teixeira e realizada entre os dias 2 e 6 de junho de 2026, resultou em avanços concretos nas relações comerciais entre o Brasil e o Panamá. O objetivo central foi fortalecer a logística de fertilizantes — insumo crítico para a agricultura brasileira — e ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado centro-americano.

    Fertilizantes: Nova rota para reduzir dependência de fornecedores asiáticos

    A comitiva brasileira identificou oportunidades para diversificar as rotas de importação de fertilizantes, atualmente concentradas em países como Rússia e China. Segundo dados do Mapa, o Brasil importa cerca de 60% dos fertilizantes que consome, o que torna a segurança no abastecimento um pilar da estratégia governamental. O Panamá, por sua localização estratégica no Canal do Panamá, pode se tornar um hub logístico alternativo para a distribuição de insumos agrícolas para o Mercosul e demais países da América Latina.

    Sementes brasileiras de coco e café ganham mercado no Panamá

    Além da pauta de fertilizantes, a missão obteve sucesso na abertura do mercado panamenho para sementes brasileiras de coco e café. Até então, o Panamá restringia a entrada desses produtos por questões fitossanitárias. Agora, com a formalização do acordo, os produtores brasileiros poderão exportar essas culturas para o país centro-americano, onde a demanda por café de qualidade e derivados do coco tem crescido nos últimos anos. A medida deve impulsionar as exportações do setor, que já faturam mais de US$ 5 bilhões anuais com café e coco.

    Agropecuária brasileira: Competitividade em xeque

    O acordo com o Panamá integra uma série de iniciativas do Plano Safra 2026/2027, que prevê investimentos de R$ 300 bilhões em crédito rural, pesquisa agropecuária e infraestrutura logística. Segundo analistas, a diversificação de parceiros comerciais é fundamental para reduzir os custos de produção e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade nos preços internacionais de insumos. “O Brasil precisa reduzir sua dependência de rotas logísticas concentradas e explorar mercados como o panamenho, que oferecem vantagens competitivas”, avalia o economista agrícola Carlos Eduardo Fredo, da FGV Agro.

    O que vem pela frente?

    Nos próximos meses, equipes técnicas do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) negociarão a implementação prática do acordo, incluindo a definição de protocolos fitossanitários para a entrada de sementes e a construção de terminais logísticos no Porto de Colón, principal porta de entrada de mercadorias no Panamá. Além disso, está prevista a realização de uma feira agropecuária bilateral ainda em 2026, com participação de empresas brasileiras e panamenhas.

  • Super El Niño em 2026: Como o fenômeno pode redefinir a safra e a economia brasileira

    Super El Niño em 2026: Como o fenômeno pode redefinir a safra e a economia brasileira

    O Brasil enfrenta um cenário climático de alto risco para 2026. Segundo a NOAA, as águas do Oceano Pacífico Equatorial registraram um aquecimento acelerado, com anomalias absolutas de temperatura já em +1,3°C na região monitorada (Niño 3.4) no dia 8 de junho. O dado, que subiu de +0,5°C para +0,7°C em apenas uma semana, sinaliza a intensificação de um Super El Niño — fenômeno capaz de reconfigurar padrões de chuva e temperatura em todo o mundo.

    Impactos no campo: safra 2026/27 em xeque

    Para o agronegócio, as projeções são preocupantes. O El Niño tende a provocar efeitos opostos no território nacional: enquanto o Sul do país pode sofrer com excesso de chuvas e enchentes, áreas do Norte e Nordeste enfrentam seca prolongada. Regiões estratégicas para a produção de grãos, como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), ficam especialmente vulneráveis, com potencial redução de produtividade.

    Pecuária e energia: consequências em cascata

    Além da agricultura, a pecuária também deve ser afetada. Pastagens no centro-norte do Brasil podem sofrer com o calor intenso, reduzindo a disponibilidade de alimento para o gado. No setor energético, a seca no Norte pode impactar diretamente os níveis dos reservatórios das hidrelétricas, pressionando o Sistema Interligado Nacional (SIN) e aumentando os riscos de racionamento em estados dependentes de energia renovável.

    Preparação em tempo recorde

    Produtores e cooperativas já começam a ajustar seus planejamentos, investindo em tecnologias de irrigação, diversificação de culturas e seguros agrícolas. “O El Niño não é uma ameaça abstrata. Ele já está aqui, e seus efeitos serão sentidos em poucos meses”, alerta o meteorologista Marcelo Seluchi, do INMET. A safra 2026/27, que começa a ser semeada em julho, pode ser a primeira a enfrentar os impactos diretos do fenômeno.

    O que esperar nos próximos meses?

    Entre julho e setembro de 2026, as projeções indicam um padrão climático mais definido. A tendência é de chuvas abaixo da média no semiárido nordestino e no norte de Minas Gerais, enquanto o Sul e partes do Sudeste podem registrar volumes acima do normal. O calor extremo deve se concentrar no centro-norte, com temperaturas até 3°C acima da média histórica para o período.

  • Audi resgata legado Nuvolari: de protótipo lendário de Le Mans a supercarro de 1.001 cv

    Audi resgata legado Nuvolari: de protótipo lendário de Le Mans a supercarro de 1.001 cv

    De Le Mans a Italdesign: a gênese do Nuvolari

    Em 8 de junho de 2003, a Audi chocou o mundo do automobilismo ao apresentar o Nuvolari quattro na lendária 24 Horas de Le Mans. O protótipo, também chamado de Audi Lisvina, não era apenas um estudo de design — era uma homenagem ao ícone italiano Tazio Nuvolari, que havia vencido a prova 70 anos antes, em 1933. Ao volante, a lenda do rally Michèle Mouton e Walter de Silva, então diretor de design da Audi, recriaram a magia sobre asfalto.

    Entre Genebra e Le Mans: a trajetória do conceito

    Inicialmente revelado no Salão do Automóvel de Genebra como parte de uma tríade de estudos (ao lado do Pikes Peak quattro e do Le Mans quattro), o Nuvolari quattro rapidamente ganhou status de ícone. Seu design agressivo, com linhas inspiradas nos carros de turismo (TT) e um motor V10 derivado do Audi R8, antecipou a obsessão da marca pela performance e inovação. Na época, o veículo não era apenas um conceito estático: foi testado nas pistas, provando que a Audi não brincava em seu laboratório de ideias.

    O legado que volta com força total em 2026

    Duas décadas depois, a Audi ressuscita o nome Nuvolari para um novo supercarro: um modelo de 1.001 cv, baseado na plataforma do Lamborghini Huracán, mas com assinatura visual pura da marca de Ingolstadt. A série limitada promete manter a essência do original — performance extrema aliada a um design que desafia o tempo. Enquanto o mundo discute se o novo Nuvolari será apenas um exercício de nostalgia ou uma revolução, uma coisa é certa: a Audi prova que os conceitos do passado podem, sim, renascer com potência total.