Autor: Roberto Neves

  • Projeto nos EUA pode banir Mercedes-Benz por laços com China

    Projeto nos EUA pode banir Mercedes-Benz por laços com China

    A Mercedes-Benz enfrenta um cenário inédito nos Estados Unidos após um projeto de lei federal, ainda em discussão no Congresso, ameaçar banir empresas com vínculos a países considerados adversários — especialmente a China. Embora o texto não mencione diretamente a montadora alemã, a norma impactaria diretamente a empresa devido à participação acionária de dois gigantes chineses em seu capital: a BAIC e a Geely, que juntas detêm cerca de 19,7% da companhia.

    Por que a Mercedes-Benz está no centro da polêmica?

    A legislação, batizada de Defending American Industry Act, busca conter a influência econômica de nações rivais nos EUA, mas sua redação ampla abre brechas para interpretações que incluem até mesmo empresas europeias com operações em solo chinês. A Mercedes-Benz, que tem nos Estados Unidos seu segundo maior mercado — atrás apenas da China — e mantém uma das maiores fábricas de veículos premium do país em Tuscaloosa, Alabama, agora precisa negociar com parlamentares para evitar consequências severas.

    O jogo político por trás da lei

    O projeto, apresentado no dia 28 de maio de 2026 por membros do Partido Republicano, reflete uma escalada nas tensões comerciais entre Washington e Pequim. Analistas políticos veem na proposta não apenas uma questão de segurança nacional, mas também uma jogada para pressionar a União Europeia a alinhar suas políticas industriais às diretrizes americanas. A Mercedes-Benz, que já enfrenta desafios no mercado chinês devido à concorrência local, agora vê sua posição nos EUA ameaçada por um fator externo: a participação de acionistas chineses.

    Repercussão e próximos passos

    Em comunicado oficial, a montadora afirmou estar ‘monitorando ativamente’ o andamento da proposta e mantendo ‘diálogo construtivo’ com membros do Congresso. No entanto, o risco de uma proibição total — mesmo que improvável no curto prazo — já acendeu um alerta nas bolsas de valores. Ações da Daimler AG (controladora da Mercedes-Benz) caíram cerca de 3% nos últimos dias, enquanto analistas do setor automotivo preveem um efeito dominó em outras montadoras europeias com presença na China, como a BMW e a Volkswagen.

    Ainda não há previsão para votação do projeto, mas caso seja aprovado em sua versão atual, a lei poderia entrar em vigor já em 2027, obrigando empresas como a Mercedes-Benz a venderem suas participações chinesas ou enfrentarem sanções que vão desde multas até o bloqueio de operações nos EUA.

  • Geely acelera nacionalização do EX2 e mantém planos de produzir híbrido no Brasil ainda em 2026

    Geely acelera nacionalização do EX2 e mantém planos de produzir híbrido no Brasil ainda em 2026

    Demanda recorde obriga Geely a rever estratégia no Brasil

    A Geely, que chegou ao Brasil em novembro de 2025, registrou um marco inesperado para um modelo elétrico: 4.321 emplacamentos do EX2 em maio de 2026. O volume, bem acima das projeções iniciais, levou a empresa a abandonar os planos originais de focar apenas em modelos premium, como o EX5 DM-i, e incluir o EX2 na lista de veículos a serem produzidos nacionalmente ainda neste ano.

    EX5 híbrido plug-in avança em nacionalização mais rápida que BYD

    Enquanto o EX2 ganha fábrica no Paraná, o EX5 — híbrido plug-in com previsão de chegada ainda em 2026 — já apresenta um grau de nacionalização superior ao dos veículos BYD fabricados em Camaçari (BA). Segundo informações do engenheiro Montenegro, ouvido pelo Motor1.com, a Geely já domina processos como pintura e montagem de peças no Brasil, restando apenas etapas como soldagem, o que representa um avanço em relação ao sistema SKD (Semi-Knocked Down) adotado pela rival chinesa.

    Mercado brasileiro se torna prioridade para a Geely

    A mudança de planos reflete a confiança da Geely no potencial do mercado brasileiro, especialmente após o sucesso do EX2. Com a produção nacional do EX2 já confirmada para 2026, a montadora sinaliza que pretende competir de igual para igual com BYD e outras marcas que apostam em elétricos no país. O EX5, por sua vez, chega como uma alternativa híbrida, combinando eficiência energética com menor dependência de recarga, um ponto crucial diante da ainda limitada infraestrutura de estações de carregamento no Brasil.

  • Geely EX2 começa a ser produzido no Brasil até dezembro de 2026: hatch elétrico chega com motor de 116 cv e autonomia de 289 km

    Geely EX2 começa a ser produzido no Brasil até dezembro de 2026: hatch elétrico chega com motor de 116 cv e autonomia de 289 km

    Após meses de especulações, a Geely confirmou oficialmente que o EX2 — seu hatch elétrico compacto — será produzido no Brasil até dezembro de 2026. A decisão estratégica de fabricar o modelo no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), compartilhado com a Renault, visa contornar a alta de alíquotas de importação e suprir a crescente demanda por veículos elétricos no mercado nacional.

    Plataforma modular GEA: o segredo por trás do EX2

    A produção do EX2 no Paraná será realizada sobre a plataforma GEA (Global Intelligent Electric Architecture), desenvolvida exclusivamente para veículos a bateria. Essa arquitetura permite uma cabine mais espaçosa e otimizada, sem a necessidade de adaptações estruturais para motores a combustão — um diferencial que reduz custos e aumenta a eficiência energética do modelo.

    Especificações técnicas: performance e autonomia

    O hatch elétrico chega ao Brasil com um motor de 116 cavalos e tração traseira, garantindo melhor arrancada em comparação a modelos com tração dianteira. Segundo o Inmetro, a autonomia declarada atinge 289 km por carga, um patamar competitivo no segmento de elétricos leves. Duas versões serão oferecidas:

    • EX2 Pro: R$ 123.800;
    • EX2 Max: R$ 136.800, com pacote ADAS (sistemas avançados de assistência à direção).

    Preços que desafiam o mercado: elétricos vs. combustão

    Os valores anunciados colocam o EX2 em pé de igualdade com SUVs compactos a combustão, como o Renault Kwid ou o Fiat Strada, mas com a vantagem de ser 100% elétrico. A estratégia da Geely de produzir localmente não apenas reduz custos logísticos, como também atende a uma demanda crescente por opções sustentáveis no Brasil — onde a frota de elétricos cresceu 120% em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).

    Impacto no mercado e perspectivas

    A chegada do EX2 reforça a movimentação das montadoras para nacionalizar a produção de elétricos, evitando barreiras tarifárias e aproximando os consumidores de tecnologias mais acessíveis. Com a fabricação prevista para começar ainda em 2026, o modelo promete aquecer a competição no segmento, pressionando concorrentes como BYD, JAC e Tesla a acelerarem seus planos de produção local.

  • Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Posicionamento estratégico do Rio Grande do Sul no mercado global

    O Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) consolidou seu papel como protagonista no comércio internacional de arroz durante a Rice Market & Technology Convention (RMTC) 2026, realizada entre os dias 27 e 30 de maio em Cartagena, na Colômbia. A missão oficial do órgão gaúcho, liderada pelo presidente Alexandre Azevedo Velho e pelo diretor comercial Juandres Antunes, reforçou a pauta do arroz do Mercosul como alternativa competitiva em um cenário marcado por flutuações na oferta asiática e pressões por sustentabilidade.

    Debates que definem o futuro do setor

    O evento — considerado a principal vitrine do setor nas Américas — reuniu mais de 1.200 participantes, entre produtores, indústrias e pesquisadores, para discutir tendências como inovações no pós-colheita, logística portuária e certificações ambientais. Segundo dados preliminares da RMTC, a América Latina respondeu por 18% das exportações globais de arroz em 2025, com o Brasil (especialmente o Rio Grande do Sul) como terceiro maior exportador, atrás apenas da Índia e do Vietnã.

    O desafio da sustentabilidade no agronegócio

    Entre os temas centrais do congresso, a crise hídrica e as emissões de carbono no cultivo do arroz ganharam destaque após a apresentação de um estudo da Embrapa que aponta o aumento de 22% nas áreas afetadas por secas no Sul do Brasil desde 2020. “Precisamos urgentemente integrar tecnologias de irrigação inteligente e variedades mais resilientes”, afirmou Velho durante painel sobre segurança alimentar. A delegação gaúcha ainda anunciou parcerias com universidades colombianas para desenvolver pesquisa conjunta em manejo sustentável.

    Perspectivas para o Mercosul

    Com a demanda global projetada para crescer 3% ao ano até 2030 (segundo a FAO), o Irga defendeu a criação de um bloco unificado de comercialização para o Mercosul, aproveitando acordos como o Mercosul-União Europeia. “A Colômbia se tornou um hub estratégico para escoar nossas exportações para a América Central e Caribe”, destacou Antunes. A próxima edição da RMTC será realizada em 2028 no Uruguai, consolidando a região como polo de inovação no setor.

  • Plano Safra 2026-2027: Governo anuncia R$ 550 bilhões com juros reduzidos e adiamento de exigências ambientais

    Plano Safra 2026-2027: Governo anuncia R$ 550 bilhões com juros reduzidos e adiamento de exigências ambientais

    O governo federal entregará ao agronegócio um dos maiores pacotes de incentivos de sua história. Em evento realizado na Associação Comercial de São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, anunciou que o Plano Safra 2026-2027 disporá de R$ 550 bilhões, montante 10% superior aos R$ 516 bilhões liberados na temporada anterior.

    Juros reduzidos e foco na viabilidade financeira

    O destaque do programa não é apenas o volume de recursos, mas a estratégia de tornar o crédito rural mais acessível. Segundo o ministro, a redução das taxas de juros será prioridade para garantir que os produtores consigam honrar os compromissos sem comprometer a saúde financeira de suas operações. “O mais importante do que o número é proporcionar uma taxa de juros que caiba no bolso do produtor”, afirmou André de Paula.

    Flexibilização ambiental: adiamento do Prodes no crédito rural

    A nova edição do Plano Safra também adia temporariamente a exigência de quitação do Programa de Regularização Ambiental (Prodes) para a concessão de financiamentos. A medida, embora não seja definitiva, visa aliviar a pressão sobre os produtores que enfrentam dificuldades para se adequar às normas ambientais, especialmente em regiões com conflitos fundiários ou limitações técnicas.

    Impactos no setor e expectativas para julho

    O lançamento oficial do Plano Safra 2026-2027 está marcado para 1º de julho de 2026, quando o governo apresentará as regras detalhadas e os critérios para distribuição dos recursos. Analistas do setor aguardam com expectativa como a combinação de mais recursos e juros menores impactará a produtividade e a sustentabilidade do agro brasileiro, setor responsável por cerca de 30% das exportações nacionais.

  • GWM Wey 07 Dark Edition: SUV premium ganha versão esportiva por R$ 432 mil com detalhes exclusivos

    GWM Wey 07 Dark Edition: SUV premium ganha versão esportiva por R$ 432 mil com detalhes exclusivos

    Linha Wey 07 ganha reforço premium com toque esportivo

    A GWM ampliou sua aposta no segmento premium brasileiro com o lançamento da versão Dark Edition do Wey 07, SUV que já é referência no mercado. Por R$ 432 mil — apenas R$ 3 mil a mais que a versão convencional —, o modelo incorpora detalhes escurecidos que reforçam sua sofisticação, como rodas de aro 21 polegadas em preto e pinças de freio pintadas em vermelho, além de um visual mais agressivo sem perder a elegância.

    Tecnologia e conforto em seis lugares exclusivos

    Mesmo mantendo os itens de série da versão tradicional, o Wey 07 Dark Edition se diferencia por ser o único SUV em sua faixa de preço a oferecer seis bancos individuais com ajustes elétricos, todos equipados com aquecimento, ventilação e função de massagem. Outras características mantidas incluem a central multimídia de 14,6 polegadas com som Hi-Fi de 1.670 W RMS e 16 alto-falantes, além de uma câmera de 360° para maior segurança e praticidade.

    Segurança de ponta com assistência semiautônoma

    O modelo segue equipado com recursos avançados de segurança, incluindo sistema de assistência semiautônoma nível 2+, com controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, estacionamento automático e frenagem autônoma de emergência. Esses diferenciais reforçam a posição do Wey 07 como uma opção robusta no segmento premium brasileiro, mesmo com a chegada de novos concorrentes nos últimos anos.

    Diferencial competitivo em um mercado em transformação

    Em um cenário onde SUVs premium enfrentam crescente concorrência — como o recém-lançado Volvo EX30 e o BMW X3 — a GWM busca consolidar o Wey 07 como uma alternativa atraente, combinando luxo, tecnologia e preço competitivo. A versão Dark Edition chega em um momento estratégico, quando os consumidores brasileiros buscam cada vez mais por veículos que aliem status e inovação, mesmo em um contexto de juros ainda elevados e instabilidade econômica.

  • Reforma Tributária: o desafio oculto do agro além do aumento de impostos

    Reforma Tributária: o desafio oculto do agro além do aumento de impostos

    A armadilha da complexidade herdada

    Por décadas, o agronegócio brasileiro navegou em um mar de regimes especiais, benefícios fiscais e regras estaduais distintas, construindo modelos de negócios adaptados a essa complexidade. Na prática, a Reforma Tributária de 2026 não apenas altera alíquotas, mas desmonta essa estrutura, forçando uma adaptação urgente em gestão, contratos e planejamento patrimonial.

    O custo invisível da desorganização

    A crença generalizada de que a discussão se resume a “pagar mais ou menos impostos” é um erro estratégico. Produtores que não ajustarem seus sistemas de crédito tributário, fluxo de caixa e contratos à nova realidade enfrentarão prejuízos indiretos — como perdas na recuperação de créditos ou multas por descumprimento de regras transitórias —, que podem superar o impacto direto do aumento de tributos.

    A nova matemática do agro: gestão como diferencial

    O sistema simplificado, embora mais transparente, exige precisão na apuração de créditos e na alocação de recursos. Cooperativas e agroindústrias, acostumadas a regimes como o do ICMS agrícola, terão de migrar para um modelo unificado, onde a eficiência na gestão tributária será tão crítica quanto a produtividade da lavoura. Aquele produtor que não atualizar seus contratos de compra/venda de insumos ou não revisar sua estrutura patrimonial corre o risco de ver seus custos operacionais explodirem.

    O que muda nos bastidores do negócio rural

    Do planejamento de safras à venda da produção, cada etapa passará a ser auditada sob novas lentes. Sistemas de controle interno terão de ser redesenhados para rastrear créditos em tempo real, enquanto acordos comerciais precisarão incorporar cláusulas específicas sobre a transição tributária. Para os menos preparados, a conta pode vir não do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), mas da falta de alinhamento à sua lógica.

    Consequências para o setor até 2027

    Especialistas projetam que, nos primeiros 18 meses após a implementação, os produtores que não se adaptarem sofrerão com: (1) bloqueios em recuperação de créditos; (2) penalidades por erros de enquadramento em regimes transitórios; e (3) desvalorização de ativos patrimoniais mal estruturados. Aquelas propriedades que investirem em consultoria tributária e automação de processos, por outro lado, poderão até reduzir custos — mas o tempo para essa virada é curto.

  • Mato Grosso: a receita mato-grossense que o Brasil ignora — prosperidade baseada em números e gestão

    Mato Grosso: a receita mato-grossense que o Brasil ignora — prosperidade baseada em números e gestão

    Do campo ao PIB: como o agro moldou a economia mato-grossense

    Se o Mato Grosso fosse um país independente, ocuparia o pódio mundial da soja — atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos, mas à frente de nações como a Argentina. Essa projeção, embora impressionante, é apenas a ponta do iceberg de uma transformação que o estado concretizou nas últimas duas décadas. O agronegócio, com sua cadeia de grãos, carnes e algodão, não apenas injetou bilhões na economia local, mas também redefiniu o perfil produtivo de uma região outrora conhecida por seu isolamento geográfico. Entre 2001 e 2026, o PIB per capita de Mato Grosso saltou de R$ 12 mil para mais de R$ 50 mil, segundo dados do IBGE ajustados pela inflação.

    Gestão pública e responsabilidade fiscal: os pilares esquecidos do sucesso

    Em artigo publicado no Poder360 nesta semana, intitulado “A lição do Mato Grosso sobre a prosperidade”, Xico Graziano — engenheiro agrônomo e ex-deputado federal — vai além dos números da produção agrícola para destacar o que, segundo ele, é o verdadeiro diferencial do estado: a gestão pública eficiente e a responsabilidade fiscal. Graziano argumenta que a combinação entre a riqueza gerada pelo campo e investimentos públicos estratégicos se refletiu diretamente na qualidade de vida da população, com melhorias expressivas em indicadores sociais e educacionais. “A palavra que mais escuto ao visitar Mato Grosso é ‘prosperidade’”, escreve o articulista. “E não é apenas prosperidade econômica: é uma prosperidade que se traduz em escolas, hospitais e oportunidades”.

    De 2001 à 2026: a trajetória de um estado que aprendeu a crescer

    Há 25 anos, Mato Grosso ainda lutava contra o estigma de uma região atrasada, dependente de recursos federais e com infraestrutura precária. Hoje, o estado é referência nacional em logística, com portos secos que conectam o Centro-Oeste ao mercado global, e em políticas públicas que priorizam educação e saúde. O salto qualitativo foi possível graças a um modelo que uniu três elementos-chave: (1) a diversificação da produção rural, com foco em tecnificação e sustentabilidade; (2) a manutenção de superávits fiscais consecutivos, mesmo em períodos de crise; e (3) a alocação de recursos em setores estratégicos, como a Rede Estadual de Ensino, que hoje atinge índices de aprovação superiores à média nacional.

    Lições para o Brasil: o que outros estados podem — e devem — copiar

    A trajetória de Mato Grosso oferece um manual de boas práticas para estados que buscam replicar seu sucesso. O primeiro passo, segundo Graziano, é entender que prosperidade não se constrói apenas com incentivos fiscais ao setor privado, mas com uma política pública que enxergue o desenvolvimento como um processo cíclico: riqueza gerada no campo financia melhorias na cidade, que, por sua vez, retroalimentam o crescimento. O segundo é a transparência fiscal, que permitiu ao estado atrair investimentos sem comprometer sua saúde financeira. Por fim, há a aposta em capital humano — desde a formação técnica de agricultores até a universalização do acesso à educação básica. “Mato Grosso não é uma exceção, é um laboratório”, conclui o articulista. “O Brasil precisa aprender com seus erros e acertos — e, acima de tudo, parar de ignorar o que funciona”.

  • Fiat Strada e VW Polo lideram vendas em maio, mas chineses ganham espaço com BYD Dolphin Mini no top 10

    Fiat Strada e VW Polo lideram vendas em maio, mas chineses ganham espaço com BYD Dolphin Mini no top 10

    Dominância da Strada e Polo no mercado brasileiro

    No último mês de maio, a Fiat Strada consolidou sua hegemonia no pódio das vendas, com 15.395 unidades comercializadas, enquanto o Volkswagen Polo manteve o segundo lugar, somando 10.523 unidades. Os dados, divulgados pela K.Lume Consultoria Automobilística, refletem a preferência dos consumidores brasileiros por modelos compactos e versáteis, mesmo em um cenário de alta concorrência.

    Ascensão chinesa: BYD Dolphin Mini brilha entre importados

    Os carros chineses registraram um crescimento expressivo em maio de 2026, atingindo 15,5% de participação no mercado nacional — um aumento de 17,9% em relação a abril. Destaque para o BYD Dolphin Mini, que não só liderou as vendas entre os chineses como também alcançou a 7ª posição no ranking geral, com 48.266 unidades vendidas. O modelo se destacou pela combinação de preço competitivo e tecnologia embarcada, atraindo consumidores em busca de inovação.

    Chevrolet Sonic estreia e supera o Renault Kardian

    O mercado viu a estreia do Chevrolet Sonic no top 100 de maio, ocupando a 38ª posição com 2.778 unidades vendidas. O modelo, que chega ao Brasil com apelo esportivo, superou o Renault Kardian (55ª posição, 1.266 unidades), demonstrando que a estratégia da General Motors de apostar em um hatch médio compacto pode render frutos no médio prazo. Outros modelos como o VW Tera (7.574), Fiat Pulse (4.763) e Nissan Kait (3.352) também se mantiveram relevantes no período.

    Crescimento de 22,7% no mercado automotivo

    O setor automotivo brasileiro fechou maio de 2026 com um crescimento de 22,7% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado pela retomada do poder de compra, incentivos fiscais e pela diversificação da oferta, especialmente com a entrada de novos players chineses. Especialistas apontam que, se mantido esse ritmo, 2026 pode registrar um dos melhores desempenhos da década, com potencial para superar a marca de 2 milhões de unidades vendidas até dezembro.

  • Saúde mental no agro: 36% dos trabalhadores rurais brasileiros sofrem com depressão

    Saúde mental no agro: 36% dos trabalhadores rurais brasileiros sofrem com depressão

    Depressão no campo supera média nacional em mais de 100%

    Levantamento da Great People Mental Health, intitulado “Saúde Mental no Agronegócio: uma crise silenciosa”, revela que 36% dos trabalhadores rurais brasileiros relatam sintomas de depressão, enquanto a média nacional é de 15%. O estudo estima ainda que cerca de 9 milhões de pessoas no setor agropecuário enfrentam algum transtorno mental, colocando em risco não apenas a saúde individual, mas a produtividade do setor — responsável por 27% do PIB nacional em 2025.

    Cultura de resistência: o tabu que alimenta a crise

    Segundo a psicóloga Janaína Fidelis, especialista em saúde mental no trabalho, a resistência em discutir o tema no meio rural é histórica. “Existe uma crença arraigada de que buscar ajuda é sinal de fraqueza, o que leva ao sofrimento em silêncio”, explica. Essa mentalidade, aliada à isolamento geográfico de muitas propriedades e à pressão por resultados, agrava o problema. Em 2024, dados do Ministério da Saúde já haviam identificado o agro como o terceiro setor com maior incidência de transtornos mentais, atrás apenas da construção civil e do transporte.

    Agro em expansão, mas saúde mental em queda

    Com o Brasil projetado para se tornar o maior mercado agrícola mundial até 2030, a crise de saúde mental no campo ganha contornos ainda mais críticos. O levantamento aponta que 68% dos trabalhadores rurais entrevistados afirmam não ter acesso a profissionais de psicologia ou psiquiatria nas proximidades de suas propriedades. “O setor precisa urgentemente de políticas públicas e programas de prevenção, pois a falta de tratamento agrava não só a vida dos trabalhadores, mas também a sustentabilidade da produção”, alerta Fidelis. Enquanto a irrigação e a tecnologia prometem expandir a fronteira agrícola, a saúde mental dos que alimentam o país segue à deriva.