A disparidade regional na pecuária leiteira brasileira ficou ainda mais evidente no último ano. Dados oficiais mostram que a Região Sul não apenas superou a média nacional de 2.362 litros por vaca ordenhada — registrada em 2024 — como também estabeleceu um novo patamar de excelência produtiva, ultrapassando a marca dos 4 mil litros anuais por animal.
A supremacia sulista no leite brasileiro
Santa Catarina assumiu a primeira posição no ranking, com uma produtividade de 4.074 litros por vaca ao ano, seguido de perto pelo Paraná (4.052 litros) e Rio Grande do Sul (4.032 litros). A distância para a média nacional, de 2.362 litros, evidencia não apenas um modelo de produção mais eficiente, mas também investimentos em genética, manejo e tecnologia nas propriedades rurais da região.
Eficiência em meio à redução do rebanho
O Brasil encerrou 2024 com um recorde histórico: 35,7 bilhões de litros de leite produzidos, ainda que o número de vacas ordenhadas tenha caído 2,8% em relação a 2023, totalizando 15,1 milhões de animais. A produtividade, no entanto, cresceu 4,3%, sinalizando uma transformação estrutural no setor. Enquanto a redução do efetivo pode indicar uma seleção mais rigorosa de animais — priorizando aqueles com maior potencial genético — , o aumento da produção por cabeça reflete ganhos de escala e inovações no manejo alimentar e sanitário das fazendas.
O que explica a diferença?
Especialistas apontam que o clima subtropical da Região Sul, combinado a sistemas de produção mais tecnificados, contribui para a alta produtividade. Além disso, a presença de cooperativas fortes e programas de melhoramento genético — como o uso de touros provados em raças como Holstein e Girolando — aceleram o ganho de eficiência. Em contraste, estados como Minas Gerais e Goiás, embora líderes absolutos em volume total de leite produzido, ainda enfrentam desafios como estacionalidade da produção e menor adoção de tecnologias reprodutivas.









