Categoria: Agro

  • Água gelada no cocho: O segredo que derruba o ganho de peso do gado e aumenta os custos do produtor

    Água gelada no cocho: O segredo que derruba o ganho de peso do gado e aumenta os custos do produtor

    Nos confins do Brasil Central, onde o inverno transforma pastos em lençóis de geada e as madrugadas beiram os 5°C, os produtores rurais enfrentam um inimigo silencioso — e gelado. A água dos bebedouros, quando atinge temperaturas próximas ao ponto de congelamento, não apenas desafia o gado a beber menos: ela trava um dos motores da pecuária moderna, o ganho de peso.

    A matemática do gelo que derrete lucros

    Um estudo conduzido pela Embrapa Pecuária Sudeste revelou que, em condições de frio intenso, bovinos reduziram em até 30% o consumo de matéria seca quando expostos a água gelada. A razão? A fisiologia do rúmen, ambiente onde bactérias transformam fibras em energia, depende de uma temperatura estável próxima a 39°C. Quando o animal ingere água a 5°C, seu organismo direciona energia para reaquecer o líquido — energia que deixa de ser convertida em carne ou leite. O resultado é um Ganho Médio Diário (GMD) reduzido em até 18%, segundo dados compilados pela Associação dos Criadores de Gado Nelore do Brasil (ACNB).

    O mito do ‘água quente engorda’ e a ciência do conforto térmico

    Contrariando teses populares que circulam em fóruns de pecuária, especialistas são categóricos: fornecer água fervendo ao gado não apenas é desnecessário como pode causar lesões no trato digestivo. O equilíbrio está na temperatura ideal de consumo, entre 10°C e 20°C, faixa em que o animal mantém a ingestão voluntária sem gastar energia excessiva para regular sua temperatura corporal.

    ‘O problema não é o calor ou o frio em si, mas a variação brusca’, explica o zootecnista e consultor Ronaldo Lucas, da Nutripec Consultoria. ‘Em regiões como o Sul do país ou áreas de altitude elevada, onde geadas são frequentes, o uso de bebedouros aquecidos ou isolados pode ser a diferença entre um lote que engorda 1,2 kg/dia e outro que mal atinge 0,9 kg/dia’.

    Tecnologia simples, resultados comprovados

    A solução não exige revoluções tecnológicas. Desde sistemas de aquecimento solar passivo — que aproveitam a incidência de luz para manter a água em temperaturas amenas — até bebedouros com resistências elétricas de baixo consumo, o mercado oferece alternativas acessíveis. Em uma propriedade no Paraná, a adoção de bebedouros com controle térmico elevou o GMD de 0,8 kg/dia para 1,1 kg/dia em um lote de 200 animais, segundo relato do produtor João Batista Silva.

    ‘Antes, os animais evitavam ir ao cocho nos dias frios. Agora, eles consomem água com a mesma regularidade do verão’, conta Silva. ‘O investimento se paga em menos de um ano com a redução no tempo de abate’.

    O custo da ignorância térmica

    Para além do prejuízo imediato no ganho de peso, a água gelada afeta a saúde do rebanho. Animais desidratados têm maior predisposição a problemas metabólicos, como acidose ruminal, e reduzem a eficiência reprodutiva. ‘Um touro que bebe menos água ejacula menos volume de sêmen, e uma vaca com desidratação prolongada pode ter ciclos estrais irregulares’, alerta a veterinária Fernanda Mendes, da Universidade Federal de Lavras.

    Em um cenário de margens cada vez mais apertadas — onde o preço da arroba oscila entre R$ 300 e R$ 350 e os custos com ração e mão de obra pesam no bolso — detalhes como a temperatura da água podem significar a sobrevivência de um negócio rural.

    O futuro: Automação e dados para driblar o frio

    Startups brasileiras já desenvolvem sensores que monitoram em tempo real a temperatura da água nos bebedouros e alertam o produtor sobre quedas bruscas. Em parceria com a Embrapa, a AgTech BoiTech testou um sistema que, ao detectar temperaturas abaixo de 10°C, aciona automaticamente aquecedores de baixo consumo. ‘É a pecuária de precisão aplicada ao básico: dar ao animal o que ele precisa, na hora certa’, afirma o CEO da empresa, Gustavo Almeida.

    Ainda há quem aposte em soluções low-tech, como a pintura de bebedouros de preto para absorver calor solar ou a utilização de palhas como isolante térmico. ‘Não importa o método: o que vale é entender que o conforto do animal é o primeiro passo para a lucratividade’, resume Lucas.

    Enquanto o debate sobre aditivos, genética e suplementação segue acalorado, uma verdade se impõe: em um país tropical, o frio pode ser o maior vilão invisível da pecuária. E a água, um recurso tão simples quanto estratégico, pode ser a chave para virar o jogo.

  • Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Na segunda quinzena de maio, período tradicional de queda no ritmo de vendas de ovos, o mercado vem surpreendendo ao manter as cotações estáveis na maioria das regiões brasileiras. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a combinação entre estoques controlados nas granjas e uma demanda já enfraquecida tem evitado recuos mais expressivos nos preços.

    Ajuste fino entre oferta e procura sustenta o mercado

    O equilíbrio observado não é mera coincidência. Enquanto as vendas desaceleram naturalmente com o avanço do mês, os estoques nas granjas são mantidos em níveis estratégicos para evitar excessos que possam pressionar as cotações para baixo. Essa dinâmica reflete uma estratégia setorial de gestão, segundo analistas do Cepea.

    Frente fria acende alerta no setor

    Em paralelo, pesquisadores do Cepea destacam que a atual onda de frio que atinge algumas das principais regiões produtoras de ovos no Brasil tem gerado preocupação quanto aos possíveis impactos na produção. A queda de temperatura pode afetar o desempenho das aves, reduzindo a oferta e, consequentemente, pressionando os preços em caso de escassez. No entanto, até o momento, os estoques controlados têm sido capazes de absorver eventuais perdas.

    Perspectivas para os próximos dias

    Para os próximos dias, a expectativa do setor é de que o ritmo das vendas continue desacelerando, alinhado ao comportamento histórico de maio. No entanto, a estabilidade dos preços dependerá não apenas da manutenção dos estoques, mas também da evolução das condições climáticas. Caso a frente fria se prolongue, o impacto sobre a produção poderá se tornar mais evidente nas próximas semanas.

  • Fulminante FIV CAL: O legado de um titã que revolucionou a genética do Gir Leiteiro

    Fulminante FIV CAL: O legado de um titã que revolucionou a genética do Gir Leiteiro

    O Gir Leiteiro não é apenas uma raça zebuína; é um símbolo de resiliência adaptada à terra brasileira. Originário da Índia e introduzido no Brasil ainda no século XIX, o animal encontrou no clima tropical o ambiente ideal para florescer. Sua rusticidade, resistência ao calor e capacidade produtiva transformaram a pecuária leiteira nacional, culminando na criação do Girolando — um cruzamento entre Gir e Holandês que hoje responde por cerca de 80% do leite produzido no país. Mas, por trás dessa revolução, está um nome que se tornou referência absoluta: Fulminante FIV CAL.

    A ascensão de um gigante: como Fulminante redefiniu os parâmetros genéticos

    Nascido em 21 de setembro de 2012, Fulminante FIV CAL (registrado como CAL 10671) carregava em seus genes a herança de um dos maiores nomes da genética zebuína leiteira: C.A. Sansão. Desde cedo, ficou claro que o animal não seria apenas mais um reprodutor — ele seria um marco. Seu destaque veio não apenas pela linhagem nobre, mas por suas características genéticas excepcionais, especialmente a presença da beta-caseína A2A2, um traço cada vez mais valorizado pelo mercado por seus benefícios à saúde.

    Nas principais pistas de avaliação genética do país, Fulminante não decepcionou. No 30º grupo do PNMGL (Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro), conduzido pela ABCGIL e Embrapa, o touro alcançou um PTA Leite de 706 kg, ocupando a 2ª colocação em seu grupo contemporâneo e a 11ª posição no ranking geral do PNMGL 2026. Na avaliação genômica do PMGZ Leite (ABCZ), seu PTA chegou a 496 kg, consolidando-o entre os principais reprodutores da raça em um universo de centenas de animais avaliados.

    Mais do que números: o impacto de Fulminante na pecuária tropical

    O legado de Fulminante vai muito além das estatísticas. Durante sua vida produtiva, ele comercializou mais de 65 mil doses de sêmen, disseminando sua genética não apenas no Brasil, mas em países como Estados Unidos, Argentina e Colômbia. Seu material genético foi responsável por melhorar a produtividade de rebanhos inteiros, reduzir a incidência de doenças e aumentar a eficiência reprodutiva — fatores críticos em um setor cada vez mais pressionado pela demanda por sustentabilidade e rentabilidade.

    Em eventos como a ExpoZebu e a Megaleite, vacas descendentes de Fulminante vêm quebrando recordes históricos. Em 2023, por exemplo, uma de suas filhas produziu mais de 9.000 kg de leite em 305 dias, uma marca antes considerada inatingível para a raça. Esses números não são apenas conquistas individuais; eles representam uma revolução silenciosa no melhoramento genético tropical, onde a genética nacional deixou de ser coadjuvante para se tornar protagonista.

    O futuro da genética zebuína: o que Fulminante deixa para trás

    A morte de Fulminante FIV CAL, ocorrida recentemente, marca o fim de uma era, mas também o início de um novo ciclo. Seu material genético continua vivo nos rebanhos que ele ajudou a formar, e seu legado servirá de base para as próximas gerações de reprodutores. Para a pecuária brasileira, ele representa muito mais do que um touro de elite: é a prova de que, quando ciência e tradição se unem, os resultados transcendem fronteiras.

    A pergunta que fica é: quem será o próximo Fulminante? Com a genética zebuína brasileira cada vez mais reconhecida internacionalmente, a competição por espaço no topo do ranking está acirrada. Mas uma coisa é certa: o nome Fulminante FIV CAL já está escrito na história da pecuária como um dos grandes transformadores do setor.

  • Máquina brasileira revoluciona colheita de pimenta-do-reino: fim da mão de obra manual?

    Máquina brasileira revoluciona colheita de pimenta-do-reino: fim da mão de obra manual?

    A pimenta-do-reino, especiaria que movimenta uma cadeia global de bilhões de dólares, acaba de ganhar um aliado revolucionário no campo: a primeira colhedora mecânica do mundo dedicada exclusivamente a essa cultura. Desenvolvida pela MIAC, braço tecnológico da Indústrias Colombo, a BP Master foi apresentada na Agrishow 2026 como uma solução para um dos maiores gargalos da agricultura brasileira — a escassez de mão de obra rural durante a colheita.

    O desafio que motivou a inovação: mão de obra cada vez mais rara

    Enquanto o Brasil se consolida como o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino — com cerca de 125 mil toneladas anuais, segundo o IBGE —, a cultura ainda depende quase que inteiramente do trabalho manual. Luiz Vizeu, gerente de Relações Institucionais da Colombo, revelou que, durante o pico da safra, algumas propriedades chegam a contratar até 100 trabalhadores por dia para garantir a colheita. “Esse modelo não é mais sustentável. A mão de obra está cada vez mais escassa e cara, e a mecanização se tornou uma questão de sobrevivência para os produtores”, afirmou Vizeu durante entrevista exclusiva ao CompreRural.

    Tecnologia herdada do café conilon para uma cultura promissora

    A BP Master não surgiu do zero. A empresa adaptou a tecnologia já consolidada em colhedoras de café conilon — cultura na qual o Brasil é líder mundial — para atender às particularidades da pimenta-do-reino. A máquina promete reduzir significativamente o tempo de colheita e os custos operacionais, além de mitigar problemas como a sazonalidade da mão de obra. “Nós aproveitamos nossa expertise em mecanização agrícola para criar uma solução que, antes, parecia impossível”, explicou Vizeu.

    Impacto econômico: de 125 mil toneladas para um futuro mecanizado

    A pimenta-do-reino é um pilar do agronegócio brasileiro, com produção concentrada no Espírito Santo e Pará — responsáveis por mais de 90% da safra nacional — e também em áreas relevantes da Bahia. Além de abastecer o mercado interno, o Brasil exporta cerca de 60% de sua produção, principalmente para países asiáticos e europeus, onde a demanda pela especiaria segue em alta. Com a mecanização, especialistas preveem um aumento na competitividade do produto brasileiro no exterior, além de uma possível expansão das áreas cultivadas.

    Ainda segundo dados do setor, a cultura tem ganhado espaço como alternativa de diversificação agrícola, especialmente em regiões antes dominadas pela cafeicultura. Produtores de café conilon, por exemplo, têm visto na pimenta-do-reino uma opção para reduzir riscos climáticos e otimizar o uso de terras.

    O que muda para o consumidor final?

    Embora a inovação prometa reduzir custos para os produtores, ainda não há previsão de impacto imediato no preço final do produto para o consumidor. No entanto, a mecanização pode garantir uma oferta mais estável da especiaria, evitando oscilações sazonais que, historicamente, afetam o mercado. Além disso, a produção em larga escala tende a baratear os custos a médio prazo.

    Por enquanto, a BP Master está em fase de testes em propriedades pilotos, mas a expectativa é que ela esteja disponível comercialmente ainda em 2026. O lançamento representa não apenas um avanço tecnológico, mas um marco na modernização do agronegócio brasileiro, que há décadas busca alternativas para reduzir a dependência de mão de obra manual no campo.

  • El Niño 2026: Embrapa alerta produtores do Sul sobre riscos climáticos e prejuízos na safra de inverno

    El Niño 2026: Embrapa alerta produtores do Sul sobre riscos climáticos e prejuízos na safra de inverno

    A confirmação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 acendeu o alerta entre os produtores rurais da Região Sul do Brasil. Com a previsão de aumento significativo no volume de chuvas nos próximos meses, a Embrapa Trigo reforça a necessidade de planejamento técnico para mitigar riscos nas lavouras de inverno e verão, evitando prejuízos semelhantes aos enfrentados em 2023.

    O que o El Niño reserva para as lavouras do Sul?

    Segundo o pesquisador João Leonardo Pires, da Embrapa Trigo, os efeitos do El Niño sobre a agricultura são diretos e severos. “Em anos de El Niño, a oferta ambiental é menor do que em anos de La Niña, o que exige um investimento em insumos baseado no potencial real de rendimento de grãos”, explica. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera os padrões climáticos globais, intensificando as chuvas na Região Sul e reduzindo as precipitações nas regiões Norte e Nordeste.

    Lições amargas da safra de 2023

    Pires relembra que muitos produtores sofreram com a safra de inverno de 2023, marcada pelo El Niño. “Após uma safra histórica em 2022, com clima favorável e alta nos preços internacionais do trigo, muitos investiram em busca de novos recordes de produtividade. No entanto, em 2023, o ambiente limitante do El Niño reduziu o potencial das lavouras, aumentou os gastos com controle de doenças fúngicas e elevou o risco de danos na pré-colheita”, detalha. A combinação de custos elevados com produtividade reduzida resultou em prejuízos significativos para o setor.

    Estratégias para minimizar perdas

    Gilberto Cunha, também pesquisador da Embrapa Trigo, destaca que o El Niño pode durar mais de um ano, exigindo um manejo diferenciado das culturas. “No Sul do Brasil, o fenômeno provoca temperaturas mais elevadas no inverno e um aumento expressivo na quantidade de chuvas, especialmente na primavera. Isso impacta diretamente a produtividade das lavouras de inverno, como trigo e cevada”, afirma. Entre as recomendações da Embrapa estão:

    • Redução do investimento em insumos para níveis compatíveis com o potencial ambiental;
    • Adoção de técnicas de manejo integrado para controle de doenças fúngicas;
    • Monitoramento constante das condições climáticas para ajustar o calendário de plantio e colheita;
    • Uso de cultivares mais resistentes a doenças e adaptadas a ambientes com excesso de umidade.

    Incertezas e planejamento de longo prazo

    Apesar das projeções indicarem o retorno do El Niño em 2026, os especialistas destacam que ainda há incertezas sobre a intensidade do fenômeno. “A agricultura é um dos setores mais sensíveis aos efeitos climáticos associados ao El Niño. Por isso, é fundamental que os produtores adotem uma postura proativa, baseada em conhecimento técnico e não apenas em expectativas de mercado”, alerta Cunha. A Embrapa recomenda que os agricultores busquem orientação junto às cooperativas e assistência técnica para ajustar seus planos de safra de forma realista e sustentável.

  • Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

    Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

    Com a chegada do El Niño mais intenso, a safra de trigo 2024/25 começa sob um clima de incertezas. A irregularidade das chuvas, oscilações bruscas de temperatura e períodos de restrição hídrica desafiam os produtores desde o plantio, exigindo estratégias mais precisas para evitar perdas no potencial produtivo.

    O impacto do clima no desenvolvimento da cultura

    O trigo é especialmente sensível às variações climáticas, principalmente nas fases iniciais de estabelecimento e perfilhamento. Segundo Felipe Sulzbach, responsável pelas operações da Elicit Plant Brasil, a combinação de chuva concentrada, estresse hídrico e temperaturas instáveis pode reduzir drasticamente o desenvolvimento das plantas. “O planejamento da safra já considera o cenário climático desde o início. A planta sente muito essas mudanças, especialmente quando o estresse abiótico se soma a momentos críticos do ciclo”, explica o executivo.

    Tecnologias que antecipam respostas da planta

    A empresa tem monitorado lavouras que adotam manejos fisiológicos avançados, com foco em elicitação — técnica que estimula respostas naturais das plantas para enfrentar condições adversas. O resultado é notável: enquanto o manejo padrão apresenta um incremento médio de 266 kg/ha, tecnologias em desenvolvimento alcançam ganhos de até 423 kg/ha, o equivalente a sete sacas por hectare e um aumento de 11% na produtividade.

    Manejo estratégico: o segredo para manter a estabilidade

    O diferencial está na aplicação de produtos que atuam entre o alongamento do colmo e a fase pré-reprodutiva. Essa janela é crucial para o trigo, pois é quando a planta define seu potencial de enchimento de grãos. “Manter a área foliar ativa por mais tempo, otimizar o uso de água e nutrientes e reduzir perdas por estresse são os pilares desse manejo”, detalha Sulzbach. Nas áreas acompanhadas, as lavouras tratadas apresentaram emergência mais uniforme, vigor inicial superior e maior estabilidade ao longo do ciclo — características que se tornam vitais em anos de maior pressão climática.

    Um passo além: o futuro do manejo do trigo

    Os dados da Elicit Plant Brasil reforçam que a adoção de tecnologias fisiológicas não é apenas uma resposta pontual, mas uma evolução no modo de produzir. Com a intensificação dos fenômenos climáticos, a busca por soluções que preservem o potencial produtivo das culturas ganha protagonismo. “Os produtores estão cada vez mais proativos. Não esperam os danos acontecerem para agir”, observa o executivo. Nesse contexto, o trigo deixa de ser apenas uma cultura de rotação e se consolida como um termômetro da resiliência do agronegócio brasileiro diante das mudanças climáticas.

  • Angatuba sedia prova de avaliação genética que projeta a raça Canchim no Brasil e no exterior

    Angatuba sedia prova de avaliação genética que projeta a raça Canchim no Brasil e no exterior

    A Fazenda Santo Antônio, do Grupo ILMA, em Angatuba (SP), se transformou no último dia 5 de maio em um palco estratégico para o futuro da pecuária tropical brasileira. O encerramento da Prova de Avaliação de Touros a Campo (PCAD ILMA) não foi apenas um marco técnico, mas um divisor de águas para a raça Canchim, reunindo um público de elite: criadores locais e internacionais, pesquisadores renomados, representantes de centrais genéticas de peso e uma comitiva de mais de 20 pecuaristas da Costa Rica, país que busca no Brasil soluções para sua pecuária.

    Quando a genética vira negócio: o que realmente mudou na pecuária Canchim

    A PCAD ILMA não nasceu como um evento de fachada. Segundo Adriano Lopes, responsável pela seleção genética do Canchim ILMA, o projeto é resultado de 14 anos de investimento contínuo em avaliação genética, desempenho a campo e parcerias com instituições como Embrapa, ANC, Associação Brasileira de Criadores de Canchim e PROMEBO. “Estamos construindo touros melhoradores”, afirmou Lopes, destacando que a prova se consolidou como uma das principais vitrines da raça no país por um motivo simples: ela mostra resultados concretos em campo.

    Os números desse trabalho não são meras promessas. Nos últimos anos, a ILMA conseguiu desenvolver touros que não apenas atendem aos padrões de produtividade, mas também apresentam resistência a pragas como o carrapato — um dos maiores desafios da pecuária tropical. Além disso, os animais selecionados passaram por avaliações funcionais rigorosas, cruzamentos industriais testados e tecnologias de produção de embriões de alta performance, tudo com foco em sustentabilidade e rentabilidade.

    O Brasil exporta genética: como a Costa Rica se tornou um player global

    A presença da comitiva internacional não foi mera coincidência. A Costa Rica, conhecida por sua pecuária leiteira, enfrenta pressões para aumentar a produtividade sem perder a qualidade — e o Brasil, com seu domínio em genética tropical, oferece exatamente o que o país precisa. “Os criadores estrangeiros vieram aqui para entender como podemos adaptar essa genética às realidades deles”, explicou Lopes. “Não é apenas comprar touros ou sêmen, mas levar um modelo de seleção que já foi testado e aprovado no campo brasileiro.”

    O evento também serviu como plataforma para o lançamento oficial do Projeto Genética: Touros, Sêmen e Embriões, uma iniciativa que promete ampliar a disseminação da raça Canchim não só no Brasil, mas também em mercados estratégicos. A ideia é simples: tornar a genética brasileira um produto de exportação, com foco em países que buscam alternativas para seus rebanhos.

    A parceria que faz a diferença: quem são os aliados da revolução Canchim

    O sucesso da PCAD ILMA não seria possível sem a colaboração de gigantes do setor. Além da Embrapa, que fornece suporte técnico e científico, a iniciativa contou com o apoio da ANC (Associação Nacional de Criadores), PROMEBO (Programa de Melhoramento de Bovinos de Corte), e de centrais genéticas como Alta Genetics, CRV Lagoa e Genex. O Instituto de Zootecnia e a Agrária Nutrição Animal também fizeram parte da rede de parceiros, mostrando que, quando se fala em inovação na pecuária, a união entre pesquisa, indústria e produtores é indispensável.

    “Essa prova é um termômetro do que está acontecendo no setor”, afirmou um dos organizadores. “Não é só sobre mostrar animais bonitos, mas sim sobre demonstrar que, com trabalho sério e tecnologia, é possível produzir carne de qualidade de forma sustentável e economicamente viável.”

    O futuro da raça: o que esperar daqui para frente

    A PCAD ILMA 2026 não foi apenas um encerramento de ciclo, mas o início de uma nova fase para a raça Canchim. Com o lançamento do projeto de embriões e a internacionalização da genética brasileira, o setor ganha um novo fôlego. “O mercado está cada vez mais exigente”, avaliou Lopes. “Os criadores querem touros que não só produzam bem, mas que também sejam resistentes, adaptáveis e que deixem descendentes de alta performance.”

    Para os pecuaristas da Costa Rica e de outros países interessados, o evento foi uma aula prática de como a genética pode ser um vetor de desenvolvimento. Já para os brasileiros, foi a confirmação de que, quando se investe em ciência, parcerias e campo, os resultados não demoram a chegar. O churrasco final, com carne Canchim servida aos participantes, não foi apenas um encerramento festivo, mas um símbolo do que essa raça representa: qualidade, inovação e futuro.