Categoria: Economia

  • Crédito rural a 3% ao ano: ConsulttAgro oferece alternativa viável ao Plano Safra para produtores

    Crédito rural a 3% ao ano: ConsulttAgro oferece alternativa viável ao Plano Safra para produtores

    O Brasil vive um paradoxo no campo: enquanto o agronegócio sustenta a economia e alimenta nações, os produtores rurais enfrentam um cenário adverso marcado pela escassez de crédito barato e pela incerteza climática. A alta dos juros nos financiamentos oficiais, como o Plano Safra, encarece o custo de produção e reduz a competitividade dos empreendimentos agrícolas, colocando em risco a capacidade de investimento do setor.

    A armadilha dos juros elevados: quando o crédito oficial não é suficiente

    Nos últimos anos, o crédito rural subsidiado pelo governo federal — principal fonte de financiamento para o agro — tornou-se cada vez mais restritivo e caro. A elevação das taxas de juros nos últimos meses agravou a situação, especialmente para pequenos e médios produtores, que dependem de recursos para custear safras e investir em tecnologia. Segundo dados do Banco Central, o custo médio do crédito rural no Brasil superou 8% ao ano em 2024, um patamar que inviabiliza projetos de longo prazo e pressiona margens já apertadas.

    Para complicar ainda mais, a irregularidade das chuvas em diversas regiões do país reduz a previsibilidade das colheitas, aumentando os riscos para quem contrai empréstimos. Nesse contexto, a busca por alternativas ao crédito oficial torna-se não apenas uma estratégia de sobrevivência, mas uma necessidade para manter a competitividade do setor.

    ConsulttAgro: uma ponte entre produtores e crédito acessível

    É nesse cenário que a ConsulttAgro, empresa especializada em captação de recursos para o agronegócio, surge como uma solução viável. Fundada pelas consultoras financeiras Gabriela Rodrigues e Tainara Casagrande, a consultoria oferece linhas de crédito com juros a partir de 3% ao ano e prazos de até 15 anos para pagamento — condições significativamente mais atraentes do que as praticadas pelos bancos tradicionais e pelo próprio Plano Safra em períodos de alta de juros.

    Até o momento, a ConsulttAgro já intermediou mais de R$ 700 milhões em financiamentos para produtores rurais, atuando em parceria com mais de 20 instituições financeiras, incluindo bancos, administradoras de crédito privadas e fundos de investimento. As empresárias, que somam mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, estruturam soluções personalizadas para diferentes perfis de produtores, desde a aquisição de áreas rurais até a compra de maquinário e insumos.

    Mais do que crédito: uma estratégia para o futuro do agro

    A oferta de taxas atrativas e condições facilitadas de pagamento não é apenas uma questão de custo-benefício, mas uma forma de garantir a continuidade das operações no campo. Em um setor onde a margem de lucro é cada vez mais estreita, a diferença entre um financiamento viável e outro insustentável pode definir o sucesso ou o fracasso de uma safra.

    Além disso, a ConsulttAgro atua como uma ponte entre os produtores e as instituições financeiras, simplificando o acesso a recursos que, muitas vezes, são difíceis de serem obtidos diretamente. Segundo Gabriela Rodrigues, “o agro precisa de soluções ágeis e adaptadas à realidade do produtor. Não adianta oferecer crédito com prazos curtos e juros elevados quando o produtor já enfrenta uma série de desafios. Nossa missão é justamente quebrar essa barreira”.

    O papel do agro além das fronteiras: segurança alimentar e economia

    Enquanto o Brasil debate políticas públicas e alternativas de financiamento, o agronegócio segue como um dos pilares da economia nacional. Responsável por cerca de 27% do PIB brasileiro, o setor não apenas gera empregos e atrai investimentos, mas também desempenha um papel estratégico na segurança alimentar global. Em um mundo onde a demanda por alimentos cresce a cada ano, a capacidade produtiva do Brasil — impulsionada por tecnologia e inovação — é fundamental para suprir as necessidades de bilhões de pessoas.

    No entanto, para que esse protagonismo se mantenha, é necessário que os produtores tenham acesso a recursos que permitam não apenas sobreviver, mas também inovar e expandir suas operações. Nesse sentido, iniciativas como a da ConsulttAgro representam um alento para um setor que, apesar das adversidades, continua a ser a força motriz do desenvolvimento brasileiro.

  • Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    O governo brasileiro formalizou nesta semana um pedido à União Europeia (UE) para um período de transição na aplicação de novas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, com foco exclusivo na cadeia de carne bovina. A medida busca evitar um colapso nas exportações do setor, um dos principais mercados para o Brasil, diante da iminente suspensão europeia de produtos brasileiros por descumprimento de normas sanitárias.

    A estratégia brasileira: adequação escalonada até 2029

    A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê um cronograma de adaptação progressiva. Inicialmente, os frigoríficos exportadores deveriam comprovar que os bovinos não receberam antimicrobianos nos nove meses anteriores ao abate — uma exigência viável para animais criados em confinamento. A restrição total ao uso de antimicrobianos ao longo de toda a vida do animal, entretanto, só passaria a vigorar em 2029, dando tempo para que o setor se reorganize.

    “A complexidade da cadeia bovina brasileira exige um tratamento diferenciado. Enquanto outras proteínas animais, como aves, têm ciclos curtos e maior controle, a bovinocultura envolve múltiplas etapas e propriedade rurais, o que dificulta a rastreabilidade integral”, afirmou um técnico do Mapa ouvido pela reportagem.

    O impasse com a União Europeia e o risco comercial

    A crise diplomática entre Brasília e Bruxelas ganhou contornos mais graves após a UE retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal em maio deste ano. A justificativa foi o descumprimento de normas europeias de segurança sanitária, especialmente no que tange ao uso de antimicrobianos na produção pecuária. Técnicos do Mapa admitem que os setores de aves, ovos e mel enfrentam desafios menores, graças a ciclos produtivos curtos e modelos integrados de produção. O problema central, no entanto, está na cadeia de carne bovina, onde a falta de rastreabilidade integral expõe o Brasil a sanções comerciais.

    “A legislação europeia, já regulamentada desde 2023, estabelece o dia 3 de setembro de 2026 como o prazo final para adequação internacional. Se não houver flexibilização, o Brasil pode perder acesso a um mercado que consome 20% das exportações de carne bovina brasileira”, alertou um analista de comércio exterior.

    A batalha logística: por que a bovinocultura é o calcanhar de Aquiles?

    Diferente da avicultura, onde um frango leva cerca de 45 dias para ser abatido e todo o processo é controlado por integradoras, a bovinocultura brasileira é marcada por uma cadeia fragmentada. Um boi pode passar por até três propriedades diferentes — cria, recria e engorda — antes de ser levado ao abate. Embora alguns frigoríficos já possuam sistemas avançados de rastreamento, o volume de animais com histórico documentado de ponta a ponta ainda é reduzido. Essa lacuna torna a implementação imediata das normas europeias praticamente inviável.

    “A proposta de transição é uma tentativa de ganhar tempo sem prejudicar as exportações. Sem ela, o setor sofreria um apagão comercial em um dos seus principais mercados”, avaliou um executivo do setor entrevistado.

    O que está em jogo e o que vem pela frente

    A negociação com a União Europeia será decisiva para o futuro das exportações brasileiras de carne bovina. Caso o pedido de prorrogação seja recusado, o Brasil terá de correr contra o tempo para adequar toda a cadeia produtiva em menos de dois anos — um desafio logístico e financeiro considerável. Enquanto isso, o Mapa trabalha em um plano de contingência que inclui a capacitação de pecuaristas, a expansão de sistemas de rastreamento e a negociação de acordos bilaterais com países europeus.

    “Não se trata apenas de cumprir uma norma. É sobre preservar um setor que movimenta R$ 300 bilhões por ano e sustenta milhões de empregos no campo”, destacou uma autoridade do governo, que pediu anonimato para tratar do tema sensível.

  • Conab projeta safra recorde de café em 2026: 66,7 milhões de sacas e alta de 18% no volume

    Conab projeta safra recorde de café em 2026: 66,7 milhões de sacas e alta de 18% no volume

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima sua projeção para a safra brasileira de café em 2026, anunciando um volume recorde de 66,7 milhões de sacas de 60 kg. O número representa um incremento de cerca de 500 mil sacas em relação à estimativa divulgada em fevereiro deste ano, consolidando as expectativas de um ano de superávit no setor.

    O motor por trás do crescimento: bem mais do que clima favorável

    A estatal atribui o salto de 18% na produção anual a um tripé de fatores decisivos. O primeiro deles é o ciclo de bienalidade positiva, fenômeno natural que alterna anos de alta e baixa produtividade nas lavouras de arábica, principal variedade cultivada no país. Em 2026, o ciclo estará em sua fase de alta, com plantas mais vigorosas e maior frutificação.

    Além disso, novas áreas entram em produção: a área total destinada à cafeicultura deve expandir 3,9%, totalizando 2,34 milhões de hectares — um recorde histórico. A incorporação de terras anteriormente não cultivadas, especialmente em estados como Minas Gerais e Espírito Santo, contribui para o aumento da capacidade produtiva nacional.

    As condições climáticas mais favoráveis também desempenham papel crucial. Após anos de adversidades como secas e geadas, a normalização das chuvas na principal região produtora — o Cerrado mineiro — e a ausência de eventos extremos permitem que as plantas expressem todo o seu potencial genético. A produtividade média das lavouras, por sua vez, deve atingir 34,4 sacas por hectare, um patamar superior à média histórica.

    Divisão por variedades: arábica lidera, mas robusta ganha espaço

    O café arábica, responsável por cerca de 69% da produção nacional, será o grande protagonista da safra. A Conab projeta 45,8 milhões de sacas, enquanto os canéforas (conilon/robusta) — cultivados majoritariamente no Espírito Santo, Rondônia e Bahia — devem render 20,9 milhões de sacas. Essa distribuição reflete a diversificação dos plantios brasileiros, com expansão acelerada do robusta em regiões antes dominadas pelo arábica, impulsionada pela demanda global por cafés de menor custo e blends mais acessíveis.

    O que muda para o mercado e os produtores?

    O anúncio da Conab não é apenas um dado estatístico: ele traz implicações imediatas para três elos da cadeia. Para os produtores rurais, a expectativa de maior rentabilidade pode acelerar investimentos em tecnificação e sustentabilidade, ainda que os custos de produção permaneçam elevados devido ao uso intensivo de insumos. A indústria de torrefação se prepara para um cenário de estoques mais folgados, o que pode pressionar os preços internacionais do café no curto prazo. Já os exportadores brasileiros ganham fôlego para disputar mercados como Estados Unidos e Europa, onde a demanda por cafés de qualidade premium segue em alta.

    Por outro lado, a bienalidade positiva é um lembrete de que o ciclo pode se inverter em 2027, quando a produção tende a cair novamente. Especialistas ouvidos pela Reuters destacam a necessidade de planejamento estratégico por parte dos cafeicultores, que devem aproveitar os anos de bonança para construir reservas financeiras e diversificar suas lavouras, reduzindo a dependência de um único produto.

    Brasil consolida liderança global sob olhares atentos

    Com a projeção da Conab, o Brasil reforça sua posição como maior produtor e exportador mundial de café, respondendo por cerca de 35% da oferta global. O país já domina o mercado de arábica, mas o crescimento do robusta ameaça a hegemonia de nações como Vietnã e Indonésia. A política agrícola brasileira, no entanto, segue como um ponto de atenção: enquanto a Conab aponta para um futuro promissor, setores ligados à reforma agrária e ao trabalho rural cobram mais investimentos em sustentabilidade e direitos trabalhistas. O debate ganhou novo fôlego nesta semana, com a tramitação no Senado de um projeto que visa modernizar as leis do trabalho no campo — tema que divide opiniões entre modernizadores e defensores de garantias históricas.

  • Fazenda e Congresso selam acordo para linha de crédito especial ao agro: como o Brasil tenta equilibrar socorro emergencial e responsabilidade fiscal

    Fazenda e Congresso selam acordo para linha de crédito especial ao agro: como o Brasil tenta equilibrar socorro emergencial e responsabilidade fiscal

    O governo federal e o Congresso Nacional deram um passo decisivo nesta quarta-feira (20/5) para destravar um socorro emergencial ao setor agropecuário brasileiro, duramente castigado por eventos climáticos extremos e impactos indiretos da guerra na Ucrânia e outros conflitos geopolíticos. Em reunião no Ministério da Fazenda, o ministro Dario Durigan, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), firmaram entendimentos preliminares para viabilizar uma linha especial de crédito aos produtores rurais em situação de vulnerabilidade financeira.

    A CAE adia votação para buscar consenso técnico e político

    A proposta, originalmente prevista para ser votada ainda nesta quarta-feira na CAE, teve sua análise suspensa justamente para permitir a costura de um texto que concilie as demandas do campo com as restrições orçamentárias do país. Segundo Durigan, o adiamento foi necessário para evitar que uma medida mal calibrada pudesse agravar a crise de crédito na agricultura ou, pior, gerar distorções no uso de recursos públicos. “Não adianta lançar uma linha de crédito sem critérios claros. Isso não resolve o problema e ainda pode criar uma crise fiscal desnecessária”, afirmou o ministro em coletiva de imprensa após o encontro.

    Critérios de enquadramento: o desafio de não beneficiar quem não precisa

    Um dos nós górdios do projeto é justamente definir quem realmente se enquadra na linha de crédito especial. Durigan revelou que as equipes técnicas da Fazenda e do Congresso estão trabalhando em um modelo que priorize produtores com perda de renda comprovada — seja por seca prolongada, enchentes, ou queda nos preços internacionais de commodities em decorrência de conflitos externos. “Estamos discutindo mecanismos para evitar que a linha se torne um ‘cheque em branco’ para quem não está em situação crítica”, explicou o ministro, sem detalhar os indicadores que serão usados para aferir a elegibilidade dos beneficiários.

    Responsabilidade fiscal versus urgência do agro: a equação impossível?

    O equilíbrio entre aliviar a pressão sobre o setor — que responde por quase 30% das exportações brasileiras — e manter austeridade fiscal foi o tema central da reunião. Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e uma das principais articuladoras da proposta, defendeu que a linha deve ser temporária e focada em casos excepcionais. “Não podemos repetir erros do passado, quando programas de renegociação de dívidas acabaram beneficiando quem não precisava”, disse a senadora, em referência a programas como o Pronaf nos anos 2000. Durigan, por sua vez, garantiu que o governo não vai abrir mão do controle sobre os recursos: “Vamos ter um pente-fino rigoroso. Se não for assim, a linha vira um problema para o próprio agro no futuro”.

    Próximos passos: texto final até a próxima semana e votação imediata

    Apesar do otimismo do ministro, a definição dos termos finais da linha de crédito ainda depende de ajustes técnicos, especialmente em relação às condições de pagamento. Embora o conteúdo da proposta ainda não tenha sido divulgado, Durigan adiantou que as taxas de juros devem ser subsidiadas, mas com prazos de carência e amortização que não sobrecarreguem os cofres públicos. “O objetivo é que o produtor consiga respirar agora, mas pagando depois de forma sustentável”, declarou.

    A expectativa é que o texto consensual seja apresentado até a próxima segunda-feira (27/5), quando a CAE deve retomar a votação. Caso aprovado, a linha será encaminhada ao Plenário do Senado e, posteriormente, à Câmara dos Deputados. A pressão por celeridade é grande: o setor agro, que já enfrenta perdas bilionárias em safras recentes, corre contra o relógio para evitar uma quebra generalizada de pequenos e médios produtores, muitos deles endividados e sem acesso a novas linhas de financiamento.

  • Stellantis e Jaguar Land Rover selam aliança estratégica para dominar o mercado automotivo dos EUA com carros elétricos

    Stellantis e Jaguar Land Rover selam aliança estratégica para dominar o mercado automotivo dos EUA com carros elétricos

    A Stellantis e a Jaguar Land Rover (JLR) deram um passo decisivo rumo a uma aliança estratégica no mercado automotivo norte-americano, com foco em mobilidade elétrica e redução de custos. As negociações, formalizadas por meio de um memorando de entendimento, visam o desenvolvimento conjunto de produtos eletrificados, compartilhamento de arquiteturas e unificação de plataformas, como as bases STLA (Stellantis) e MLA (JLR).

    A batalha contra os chineses e a guerra das tarifas

    A iniciativa surge como uma resposta direta ao avanço avassalador das montadoras chinesas nos EUA, que dominam o segmento de veículos elétricos com preços competitivos e tecnologias avançadas. Ao dividir os altos custos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em arquiteturas eletrificadas, as empresas pretendem acelerar lançamentos sem comprometer suas margens de lucro. Além disso, a JLR ganha uma rota crítica: produzir localmente nas fábricas da Stellantis, esquivando-se das tarifas de importação impostas pelo governo americano, que podem chegar a 27,5% para veículos estrangeiros.

    Tecnologia de luxo para marcas premium

    Para a Stellantis — que controla 14 marcas, incluindo Maserati e Alfa Romeo — o acordo representa acesso a pacotes tecnológicos de ponta desenvolvidos pela JLR. A fabricante britânica, controlada pela indiana Tata Motors, já detém plataformas avançadas, como a do recém-lançado Jaguar Type 01, e sistemas de assistência ao motorista (ADAS) de última geração. Essas tecnologias são essenciais para que as marcas de nicho da Stellantis possam competir em pé de igualdade com rivais europeus como BMW e Mercedes-Benz.

    O xadrez das plataformas e a estratégia da Stellantis

    O uso integrado de plataformas como STLA (Stellantis) e MLA (JLR) permitirá a criação de veículos elétricos com maior eficiência energética e menor custo de produção. A Stellantis, que já possui forte presença na América do Norte com picapes Ram e SUVs Jeep, enfrenta desafios para adaptar sua linha de motores a combustão às rigorosas normas de emissões americanas. A parceria pode acelerar a transição para a eletrificação, reduzindo gastos com engenharia individual para cada marca do grupo.

    Para a JLR, o acordo não apenas garante produção local nos EUA, mas também expande seu portfólio em um mercado estratégico. A fabricante britânica tem registrado prejuízos recorrentes e busca reerguer suas marcas (Jaguar e Land Rover) com modelos mais competitivos e alinhados às tendências globais de sustentabilidade.

    Próximos passos e riscos do negócio

    Antes de se tornarem realidade, os termos finais da parceria precisam ser aprovados pelos conselhos de administração de ambas as empresas. Se concretizada, a colaboração poderá se estender para além dos EUA, com potenciais sinergias em outros mercados. No entanto, desafios como a integração de culturas corporativas distintas — Stellantis (multinacional com sede na Holanda) e JLR (marca britânica com controle indiano) — e a concorrência acirrada no setor de EVs (veículos elétricos) ainda pairam sobre o projeto.

  • China sinaliza flexibilização de cotas: boi gordo tem futuro em alta com chance de recuperar preços

    China sinaliza flexibilização de cotas: boi gordo tem futuro em alta com chance de recuperar preços

    A perspectiva de flexibilização das salvaguardas chinesas sobre a importação de carne bovina reacendeu as esperanças do setor pecuário brasileiro. Durante a SIAL Xangai — a maior feira de alimentos do mundo —, sinais de que o gigante asiático pode abrir espaço adicional em suas cotas para o Brasil começaram a sustentar os preços futuros da arroba, mesmo diante de um mercado físico pressionado pela alta oferta de animais.

    A China pode ser a tábua de salvação para o boi gordo?

    Fontes do setor avaliam que o Brasil tem condições de preencher volumes não aproveitados por outros exportadores, como Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Nova Zelândia. A possibilidade de absorver essas cotas remanescentes não só aumentaria a competitividade brasileira no mercado asiático, como também poderia aliviar a pressão sobre os preços internos. Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as negociações estão focadas na construção de um modelo que permita ao Brasil ganhar mais espaço nas importações chinesas.

    Mercado físico segue em queda livre, mas futuro já sinaliza recuperação

    Apesar do otimismo externo, o cenário interno ainda não deu sinais de alívio. O avanço das escalas de abate e o aumento da oferta de animais terminados continuam pressionando os preços no mercado físico. Na praça paulista, a Scot Consultoria registrou queda de R$ 3/@ tanto para o boi gordo comum quanto para o “boi-China”, com cotações girando em torno de R$ 345/@ e R$ 350/@, respectivamente.

    No entanto, a Agrifatto aponta certa estabilidade em algumas regiões: o boi comum manteve-se em R$ 345/@, enquanto o boi-China alcançou R$ 355/@ em negociações a prazo. O consumo doméstico fraco também contribui para a pressão baixista, mas o setor enxerga na China uma chance de reverter o cenário.

    Quem ganha com a possível flexibilização chinesa?

    Se o acordo se concretizar, os principais beneficiados serão os pecuaristas brasileiros, que poderão escoar seus estoques com mais facilidade. Além disso, a indústria frigorífica também pode se beneficiar, uma vez que a demanda externa tende a reduzir o excesso de oferta no mercado interno. A expectativa é que, mesmo com a pressão atual, os contratos futuros da arroba na B3 já reflitam esse otimismo, com alta sustentada nas últimas sessões.

  • Cooperativismo 2.0: Como Mato Grosso inova para quebrar o gargalo de máquinas agrícolas

    Cooperativismo 2.0: Como Mato Grosso inova para quebrar o gargalo de máquinas agrícolas

    A crise de rentabilidade que assola o agronegócio brasileiro, agravada pela escalada dos preços de máquinas agrícolas durante e após a pandemia, encontrou uma resposta inovadora no Mato Grosso. A Cooprosoja, cooperativa que já reúne mais de 1,3 mil cooperados em 93 municípios do estado, propõe um modelo de compra coletiva sem transferir riscos financeiros. Enquanto grandes grupos negociam volumes milionários com fabricantes, os médios e pequenos produtores — historicamente alijados dessa vantagem — agora podem acessar condições similares sem precisar se submeter a contratos de terceiros.

    O paradoxo do ‘poder de barganha’ no agronegócio

    O problema não é novo, mas se intensificou nos últimos anos. Fernando Cadore, presidente da Cooprosoja, lembra que a pandemia não apenas interrompeu cadeias produtivas como também aumentou as margens de intermediários, especialmente no setor de máquinas e insumos. “Os grandes grupos continuaram pagando preços menores em função do volume. Nós percebemos que precisávamos nos unir para formar escala e buscar viabilidade”, afirmou em entrevista exclusiva.

    O modelo tradicional de cooperativas, entretanto, nem sempre atende às necessidades de pequeno e médio produtor. Muitas entidades acabam centralizando faturamentos e assumindo responsabilidades financeiras que extrapolam a função de intermediação. A Cooprosoja inverte essa lógica: atua como uma ponte entre fabricante e produtor, sem jamais se tornar a titular da operação. O faturamento permanece no CPF de cada cooperado, garantindo segurança jurídica e evitando que um produtor responda por dívidas de outro.

    Segurança jurídica e escala sem burocracia

    Cadore resume a proposta da cooperativa em uma frase: “O foco é deixar a renda dentro da porteira”. Para ilustrar, ele cita o exemplo de um produtor de Sorriso (MT) que, ao associar-se à Cooprosoja, conseguiu negociar a compra de um trator com 20% de desconto em relação ao preço de mercado — sem precisar recorrer a financiamentos bancários ou garantir a operação com bens próprios. “Em um estado de dimensões continentais como o Mato Grosso, isso dá segurança para quem entra. Ele não terá responsabilidade financeira sobre a compra de outro produtor”, explica.

    A cooperativa, que nasceu oficialmente em 2023 mas já acumula resultados práticos, trabalha com três eixos principais: negociação centralizada de máquinas, insumos e peças; acesso a linhas de crédito exclusivas; e capacitação gerencial para que os associados otimizem seus custos. Segundo dados internos, a Cooprosoja já intermediou mais de R$ 50 milhões em compras desde sua fundação, com ticket médio de R$ 350 mil por máquina negociada.

    Um novo capítulo para o cooperativismo agrícola

    O modelo da Cooprosoja representa uma evolução do cooperativismo tradicional, que historicamente se concentra em exportação ou processamento de commodities. Ao focar na aquisição de ativos — e não na comercialização da produção —, a entidade se alinha a uma tendência global de cooperativas como facilitadoras de acesso a tecnologia.

    Para especialistas do setor, a iniciativa pode ser replicada em outras regiões do Brasil, especialmente em estados com forte presença de médios produtores, como Paraná e Rio Grande do Sul. “O desafio agora é escalar sem perder a essência da cooperativa: o controle democrático e a transparência”, avalia o economista agrícola Marcelo Chalita, da FGV Agro. “Cooperativas que não assumem riscos alheios tendem a ter menor inadimplência e maior adesão.”

    A Cooprosoja, que já negocia com gigantes como John Deere e Case IH, planeja expandir suas operações para Mato Grosso do Sul ainda este ano. Com 80% de seus associados classificados como pequenos e médios produtores, a cooperativa surge como um laboratório de inovação no agro brasileiro — onde o tamanho da porteira não define mais o poder de barganha.

  • MEPEL amplia fábrica com R$ 20 mi: como um investimento local se tornou estratégia nacional e internacional

    MEPEL amplia fábrica com R$ 20 mi: como um investimento local se tornou estratégia nacional e internacional

    A MEPEL Máquinas e Equipamentos acaba de marcar um capítulo decisivo em sua trajetória de 60 anos: a inauguração de uma nova unidade industrial em Estação (RS), estrategicamente localizada às margens da RS-135. O investimento de R$ 20 milhões não apenas amplia a capacidade produtiva da empresa em mais de 100%, mas também reafirma seu compromisso com a inovação, a eficiência operacional e a expansão para mercados nacionais e internacionais.

    A fábrica que nasceu de um sonho familiar e se tornou um legado

    A nova unidade, construída em um terreno de 66 mil metros quadrados adquirido em 2008, ocupa 8.250 m² de área construída nesta primeira fase, com potencial de expansão para o dobro desse tamanho. Segundo Hugo Mario Boff, diretor administrativo da MEPEL, a concretização do projeto é o resultado de anos de planejamento, persistência e visão estratégica. “Construir essa fábrica sempre foi um sonho da família. Hoje, celebrar essa conquista é reconhecer o esforço de gerações, dos nossos colaboradores e de todos que caminharam conosco ao longo dessa história”, declarou Boff, destacando a importância do legado familiar na construção do empreendimento.

    Mais do que máquinas: um motor de desenvolvimento para a Região Norte do RS

    Além de impulsionar a produtividade da empresa, a nova fábrica promete gerar um impacto significativo na economia local. Com potencial para criar centenas de novos postos de trabalho, a unidade deve atrair profissionais qualificados para a região, fortalecendo o mercado de trabalho em municípios menores e oferecendo alternativas atrativas em cidades com forte senso de comunidade, como Estação, Erechim e Passo Fundo. “Temos muito orgulho da nossa origem e somos gratos por tudo que construímos aqui. Crescer junto com a comunidade sempre fez parte dos nossos valores”, afirmou o diretor administrativo, reforçando o compromisso social da MEPEL com a região.

    Eficiência operacional e qualidade: os pilares da expansão

    A nova unidade industrial foi projetada para modernizar processos, otimizar fluxos e elevar o padrão de qualidade dos produtos. Com investimentos em tecnologia e infraestrutura, a MEPEL busca não apenas atender à demanda crescente do mercado, mas também se consolidar como referência em máquinas e equipamentos no Brasil e no exterior. A fábrica, que faz parte de um plano de expansão mais amplo, reflete a ambição da empresa em se posicionar como um player global, sem perder de vista suas raízes regionais.

    Um legado que transcende gerações

    Com 60 anos de história, a MEPEL se consolida como um exemplo de resiliência e visão estratégica no setor industrial brasileiro. A inauguração da nova unidade em Estação (RS) não é apenas um marco na trajetória da empresa, mas também um testemunho de como investimentos locais podem se transformar em oportunidades nacionais e internacionais. À medida que a MEPEL avança, a região Norte do Rio Grande do Sul ganha um novo impulso econômico, reafirmando a importância de empreendimentos familiares que apostam no crescimento sustentável e na inovação.

  • CAE adiia votação de crédito rural: governo trava batalha por convergência no Congresso

    CAE adiia votação de crédito rural: governo trava batalha por convergência no Congresso

    A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou, nesta quarta-feira (20), a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe uma linha especial de crédito para produtores rurais atingidos por eventos climáticos ou impactos econômicos de conflitos internacionais. A decisão veio após pedido do Ministério da Fazenda, que buscava mais tempo para costurar um acordo com parlamentares sobre o texto.

    Negociações em alta após pressão do Palácio do Planalto

    O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou o adiamento após receber “reiterados telefonemas” do ministro da Fazenda, Dario Durigan, pedindo uma última tentativa de conciliação. Segundo Calheiros, o governo propôs novas alterações no relatório para incorporar emendas e, em seguida, solicitou um diálogo direto com a equipe econômica.

    — Nós estamos transferindo essa votação para após a reunião com o ministro da Fazenda — declarou o senador, destacando que o processo legislativo flui melhor pela negociação do que pela imposição. Uma reunião foi marcada para as 14h no Ministério da Fazenda, onde se espera um desfecho para o impasse.

    O que está em jogo? Conflito entre desenvolvimento rural e restrição fiscal

    A proposta, apresentada pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de superávits de outros fundos do Ministério da Fazenda para financiar produtores rurais em crise. O texto prevê taxas de juros reduzidas, prazos de até dez anos com carência de três anos e critérios flexíveis para enquadramento de agricultores, cooperativas e associações afetados por calamidades ou perdas produtivas.

    No entanto, o adiamento reflete a tensão entre a necessidade de injetar liquidez no campo e as restrições fiscais do governo. O Ministério da Fazenda, que já enfrenta pressões para conter o déficit, vê no projeto um risco de desequilíbrio em suas contas, enquanto parlamentares do agro defendem a urgência da medida.

    Consequências para o agronegócio: entre a sobrevivência e a burocracia

    A postergação da votação mantém incerto o destino de milhares de produtores rurais que dependem do crédito para recuperar perdas. Sem a aprovação do PL, o acesso a recursos emergenciais segue restrito aos programas já existentes, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), cujos limites e condições nem sempre atendem às demandas dos pequenos e médios produtores.

    Para o setor, a proposta representa uma oportunidade de aliviar os prejuízos causados por secas, enchentes ou conflitos como a guerra na Ucrânia, que elevaram os custos de insumos e reduziram a competitividade. Já para o governo, trata-se de um desafio orçamentário em um ano de metas fiscais apertadas, especialmente após a flexibilização das regras do Arcabouço Fiscal.

    Próximos passos: o que esperar da reunião no Ministério da Fazenda?

    A expectativa agora é que a reunião desta tarde entre o relator, parlamentares e a equipe econômica defina o rumo do texto. Fontes ouvidas pela reportagem sugerem que o governo pode propor um substitutivo com fontes de financiamento alternativas ou até mesmo um sistema de garantias públicas para viabilizar os empréstimos.

    Enquanto isso, o adiamento da CAE deixa o setor agropecuário em estado de alerta. “Sem esse crédito, muitos produtores não terão como se reerguer”, afirmou um representante de cooperativa de Mato Grosso, estado que tem sofrido com a seca nos últimos meses. A pauta deve retornar à comissão após a decisão do Palácio do Planalto, mas o tempo urge para milhares de famílias que dependem da safra.

  • JBJ Agropecuária: Como o herdeiro da Friboi constrói um império de R$ 10 bilhões no agro brasileiro

    JBJ Agropecuária: Como o herdeiro da Friboi constrói um império de R$ 10 bilhões no agro brasileiro

    A JBJ Agropecuária não é apenas mais um nome no cenário do agronegócio brasileiro. É o retrato de uma transformação radical: de três fazendas em Goiás a um conglomerado bilionário que já movimenta R$ 6 bilhões anuais e mira a marca de R$ 10 bilhões até 2027. Por trás dessa ascensão está Fabrício Batista, filho de José Batista Júnior (Júnior Friboi), herdeiro da família que fundou a JBS, mas que optou por trilhar seu próprio caminho quando deixou a gigante frigorífica em 2012.

    A ruptura familiar que deu origem a um império

    A história da JBJ começa não no campo, mas na estruturação de uma família que já dominava o mercado de proteína animal no Brasil. Após a saída de Júnior Friboi da JBS — herdada de seu pai, José Batista Sobrinho (Friboi) —, parte dos ativos rurais permaneceu com a família. Foi desses hectares que Fabrício Batista ergueu, em 2012, uma operação que hoje se espalha por quatro estados brasileiros: Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. São 14 fazendas, 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado estáticas, segundo dados da própria empresa.

    Do boi ao cavalo: a diversificação que virou estratégia

    A JBJ não se contentou em ser apenas mais uma empresa de pecuária. Ela se tornou um player integrado, atuando em toda a cadeia produtiva do boi — da cria ao frigorífico — e ainda fincou estacas no mercado premium do cavalo Quarto de Milhão, responsável por um dos maiores leilões da raça no mundo. Essa diversificação não é mero capricho: é uma resposta à demanda global por proteína de qualidade e por animais de elite, dois segmentos onde o Brasil já se consolidou como potência.

    O grupo não para por aí. Em 2025, já registrava receita consolidada de R$ 6 bilhões, com operações que incluem exportações para mercados exigentes. Segundo Fabrício Batista, em entrevista ao Compre Rural durante a cobertura do leilão da raça, o agro segue como “o grande motor que move a economia brasileira”. A frase não é retórica: é a essência de um setor que, mesmo em meio a crises climáticas e pressões ambientais, continua batendo recordes de produção e exportação.

    Tecnologia e genética: os pilares do crescimento exponencial

    A JBJ investe pesadamente em genética bovina e equina, com programas de melhoramento que garantem animais de alta performance. Nos frigoríficos, a empresa adota padrões internacionais de qualidade, enquanto nos confinamentos — que somam dezenas de milhares de cabeças — a eficiência produtiva é levada ao limite. Essa abordagem integrada permite que a JBJ não apenas produza, mas também agregue valor em cada elo da cadeia.

    O auge dessa estratégia foi a realização do maior leilão de Quarto de Milhão do mundo, evento que reuniu compradores de diversos países e mostrou o poder de atração do agro brasileiro não só como fornecedor de carne, mas também como polo de inovação e sofisticação no mundo animal. Para Fabrício Batista, o sucesso da JBJ reflete uma tendência global: a busca por qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, mesmo em segmentos tradicionalmente avessos a mudanças.

    O futuro: R$ 10 bilhões e além

    Com projeções audaciosas para 2027, a JBJ Agropecuária não está apenas mirando um faturamento de R$ 10 bilhões. Ela está redefinindo o que significa ser uma empresa do agro brasileiro na era da globalização. Em um mercado cada vez mais competitivo, onde a China e outros gigantes asiáticos ditam as regras da demanda por proteína, a JBJ aposta em três pilares: escala, tecnologia e acesso a mercados premium.

    Se o plano se concretizar, a empresa não só se consolidará como um dos maiores grupos do setor no país, mas também como um exemplo de como o agronegócio brasileiro pode — e deve — evoluir: saindo da commodity bruta para se tornar um player de ponta em segmentos de alto valor agregado. Afinal, como lembra Fabrício Batista, o agro não é apenas o passado do Brasil. É o seu futuro.