Categoria: Economia

  • Brasil e China selam nova era no agro: ministro André de Paula abre portas para US$ 100 bilhões em negócios

    Brasil e China selam nova era no agro: ministro André de Paula abre portas para US$ 100 bilhões em negócios

    Xangai, China — O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou neste domingo (17) uma missão histórica na China com um objetivo claro: transformar a relação comercial entre os dois maiores players do agronegócio mundial em uma parceria ainda mais estratégica. Liderado pelo ministro André de Paula, a comitiva brasileira participou do Seminário Brasil-China de Agronegócio, um fórum que reuniu mais de 300 empresários, autoridades e especialistas para discutir não apenas o volume atual de US$ 100 bilhões em negócios anuais, mas também as oportunidades para dobrar esse fluxo nos próximos cinco anos.

    O Brasil como solução para a segurança alimentar chinesa

    Em um discurso que ecoou como um manifesto da nova diplomacia agrobrasileira, o ministro André de Paula não poupou adjetivos para definir o potencial do Brasil no cenário global. “Nós não somos apenas um fornecedor de commodities; somos a resposta para a equação que a China busca: qualidade, escala e previsibilidade”, declarou, destacando que o país já fornece 70% da soja e 50% do açúcar importados pela China, além de ser o segundo maior fornecedor de carne bovina.

    A China, que importa US$ 140 bilhões em alimentos por ano — sendo o Brasil seu principal parceiro na América Latina —, enfrenta pressões para diversificar suas fontes de abastecimento devido a crises climáticas e conflitos geopolíticos. Nesse contexto, o Brasil surge como um parceiro estável e confiável, como reiterou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua: “Temos sanidade comprovada, infraestrutura logística robusta e uma capacidade de produção que pode ser ampliada sem comprometer a sustentabilidade — diferencial que nenhum outro país oferece no mesmo patamar.”

    Projeto de Lei dos Fertilizantes: a jogada dupla que pode mudar o jogo

    Paralelamente às negociações em Xangai, o Governo Federal enviou ao Congresso um Projeto de Lei que promete reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados — um dos maiores gargalos da agropecuária nacional. A proposta, que deve ser votada ainda este ano, prevê incentivos fiscais e linhas de crédito para empresas que investirem em produção nacional de insumos, com foco em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK).

    Segundo dados do Mapa, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome, com a China sendo o principal fornecedor. “Essa dependência nos torna vulneráveis a crises de preços e até a embargos políticos. A lei não só vai baratear os custos de produção como também fortalecer a balança comercial“, explicou Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil, presente no seminário. “É uma estratégia de longo prazo que alinha segurança alimentar com soberania produtiva.”

    A diplomacia do agro: por que a China foi a primeira parada

    André de Paula foi categórico ao justificar a escolha da China como destino da sua primeira missão internacional: “Não há outro mercado que ofereça tanto potencial de crescimento imediato. A China já é nosso maior parceiro comercial, mas podemos ir além. Nos últimos 20 anos, o comércio bilateral cresceu 1.200%, e agora estamos na fase de upgrade — passando de fornecedor de matérias-primas para parceiro em tecnologia e inovação agropecuária”, afirmou.

    Durante o seminário, foram assinados 12 memorandos de entendimento entre empresas brasileiras (como JBS, BRF e Cargill) e chinesas, abrangendo desde exportação de carne cultivada até parcerias em agricultura de precisão. “O Brasil não está pedindo favores; estamos oferecendo soluções para um dos maiores desafios do século XXI: alimentar 1,4 bilhão de pessoas com sustentabilidade”, resumiu o ministro.

    O que muda para o produtor rural e o consumidor chinês?

    Para o agro brasileiro, as mudanças são estruturais:

    • Novos protocolos sanitários: O Mapa anunciou a conclusão de acordos para exportação de carne suína brasileira com certificação de ausência de peste suína africana, um entrave histórico para o setor.
    • Diversificação de mercados: Além da soja e da carne, o Brasil busca abrir frentes para frutas tropicais, café e até vinhos, aproveitando a crescente classe média chinesa que demanda produtos premium.
    • Tecnologia como diferencial: Empresas chinesas demonstraram interesse em adquirir tecnologia brasileira de rastreabilidade e bioinsumos, como o uso de drones e inteligência artificial na agricultura.

    Do lado chinês, a população deve sentir os reflexos nos preços dos alimentos a médio prazo. Com a diversificação das fontes de importação, a China poderá reduzir sua dependência de países como Austrália e Canadá, que tiveram safras afetadas por secas recentes. “A estabilidade de preços é uma vitória para os 1,4 bilhão de consumidores chineses“, destacou um analista do setor ouvido pela ClickNews.

    O que vem pela frente: o roadmap até 2030

    O Mapa não escondeu as metas ambiciosas: até 2030, o Brasil quer aumentar suas exportações agropecuárias para a China em 50%, chegando a US$ 150 bilhões anuais. Para isso, três frentes serão priorizadas:

    1. Expansão de mercados: Abertura de novos protocolos para carne bovina com osso, leite em pó e produtos orgânicos.
    2. Infraestrutura logística: Investimentos em portos e ferrovias para reduzir o custo Brasil, como o Corredor Bioceânico, que ligará o Porto de Santos ao Chile.
    3. Sustentabilidade: O Brasil se comprometeu a reduzir em 30% as emissões de gases do efeito estufa na agropecuária até 2030, um requisito cada vez mais exigido pelo mercado chinês.

    “A China não quer apenas comprar do Brasil; ela quer comprar do Brasil do futuro“, concluiu o ministro André de Paula, encerrando o seminário com um apelo aos empresários: “Este não é um momento de oportunidade; é um momento de decisão. Ou nós lideramos essa transformação, ou perdemos a chance de sermos protagonistas da próxima década.”

  • Crédito rural empresarial encolhe 5% no Plano Safra 2025/2026: CPR avança enquanto investimentos recuam 29%

    Crédito rural empresarial encolhe 5% no Plano Safra 2025/2026: CPR avança enquanto investimentos recuam 29%

    A guinada do crédito rural: onde o dinheiro está e por que o setor hesita

    O Plano Safra 2025/2026 trouxe um paradoxo para o crédito rural empresarial brasileiro. Enquanto a Cédula de Produto Rural (CPR) — um instrumento de mercado — ganha espaço como alternativa às linhas tradicionais, os investimentos estruturais encolheram 29%, sinalizando um setor em transição, mas também em alerta. O volume total de R$ 391,2 bilhões para agricultura empresarial representa uma queda de 5% em relação aos R$ 409,8 bilhões da safra anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura (Mapa).

    A CPR como salva-vidas do agronegócio: 43% dos recursos em um ano

    A CPR é hoje o grande termômetro da confiança do mercado no crédito rural. Com crescimento de 10% e volume de R$ 167 bilhões, o instrumento responde por 43% dos recursos totais alocados na safra 2025/2026 — ante 37% no ciclo anterior. Essa migração reflete uma estratégia clara: produtores e tradings buscam alternativas frente ao custo financeiro elevado e às restrições ambientais que pesam sobre os financiamentos convencionais. Quando somados aos recursos de custeio tradicional, os R$ 292,6 bilhões para produção agrícola representam um recuo de apenas 1,6%, mostrando que a CPR está compensando parcialmente a queda.

    Industrialização dispara, mas investimentos murcham: o que isso diz sobre o futuro do agro

    Enquanto os números da CPR brilham, outro dado chama a atenção: o crédito para industrialização cresceu 66%, saltando de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões. Esse movimento não é casual. Ele reflete a busca do setor por agregar valor à produção, alinhando-se a uma estratégia nacional de modernização. No entanto, o mesmo período viu os investimentos caírem drasticamente: de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões. Todos os programas de investimento registraram quedas, com destaques negativos para o Prodecoop (-57%), Proirriga (-56%) e Moderfrota (-54%).

    Juros altos, inadimplência e clima: o que trava o crédito rural

    A análise do Mapa não deixa dúvidas: a retração nos investimentos é resultado de um cenário adverso. Entre os fatores citados estão as elevadas taxas de juros, a instabilidade internacional, o aumento da inadimplência, os altos custos de produção, os riscos climáticos e a maior seletividade dos bancos. Produtores e cooperativas, diante desse quadro, optam por adiar expansões ou modernizações, priorizando o custeio imediato em detrimento de projetos de longo prazo.

    Pronamp resiste: médios produtores apostam em políticas estáveis

    Nem tudo são más notícias. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) registrou crescimento de 3%, totalizando R$ 52,1 bilhões. O desempenho sugere que políticas públicas direcionadas — como o Pronamp — ainda conseguem manter o fôlego de médios produtores, mesmo em um ambiente de incertezas. A resiliência desse segmento pode ser um sinal de que, com incentivos adequados, o setor ainda tem fôlego para se adaptar.

    O que esperar das próximas safras?

    O cenário desenhado pelo Plano Safra 2025/2026 é de transição dolorosa para o crédito rural. A CPR, embora dinâmica, não substitui integralmente os investimentos estruturais — essenciais para a modernização e sustentabilidade do agro. Enquanto o governo não sinalizar redução consistente de juros ou novas linhas de financiamento com condições mais atrativas, a tendência é de manutenção desse equilíbrio instável: crescimento pontual em segmentos específicos, mas retração generalizada em áreas críticas. Para o produtor, a lição é clara: adaptar-se ao mercado ou correr riscos cada vez maiores.

  • Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    A competitividade e a sanidade animal emergem como pilares fundamentais para que o Brasil consolide sua presença no mercado internacional de lácteos. Em um momento crítico para o setor, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella, alertou durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira – Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14), em Esteio (RS), que o país precisa superar gargalos estruturais para transformar seu potencial produtivo em vantagem comercial.

    A armadilha da sanidade sem competitividade

    “Sanidade é condição *sine qua non* para exportar, mas a competitividade é o que define a permanência no mercado”, afirmou Portella. O dirigente destacou que, embora o Brasil já seja o quarto maior produtor mundial de leite — atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China —, sua participação nas exportações globais ainda é tímida. Para reverter esse cenário, o setor precisa de políticas públicas integradas que aliem saúde animal a redução de custos, infraestrutura logística eficiente e estabilidade cambial.

    Rio Grande do Sul: o celeiro lácteo que quer voar mais alto

    O estado gaúcho, terceira maior bacia leiteira do Brasil, tem sido um laboratório de crescimento para o setor. Entre 2004 e 2024, a produção saltou de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais — um avanço de 70% em duas décadas. Em 2024, o leite representou 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando R$ 19,86 bilhões. “Esse crescimento não pode ser freado pela falta de incentivos ou pela concorrência predatória”, ressaltou Portella.

    As importações do Mercosul: uma sombra sobre o mercado interno

    Um dos principais riscos ao setor, segundo o Sindilat, é o avanço das importações de lácteos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Dados apresentados durante o seminário mostram que, apenas entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo — volumes equivalentes a 709 milhões de litros de leite, ou seja, 60 dias da produção gaúcha. “Precisamos de medidas urgentes para proteger o mercado interno, como barreiras não tarifárias ou ajustes na política de câmbio”, defendeu Portella.

    Política pública como investimento, não como custo

    O dirigente cobrou do governo federal ações concretas, como a retomada do Programa Mais Leite Saudável, que oferece incentivos à produção nacional. “Políticas públicas eficientes não são gastos, são investimentos que se convertem em competitividade”, afirmou. Ele também destacou a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica aos produtores, além da simplificação do sistema tributário e da redução do custo logístico — que, segundo ele, consome até 20% do preço final do produto.

    O seminário, realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, reuniu representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), indústrias, pecuaristas e entidades do setor. A pauta central foi a integração entre os elos da cadeia produtiva para enfrentar os desafios impostos por um mercado global cada vez mais competitivo.

  • Chocolate nacional em xeque: lei de pureza eleva conflitos entre produtores e indústria

    Chocolate nacional em xeque: lei de pureza eleva conflitos entre produtores e indústria

    A sanção da Lei nº 15.404 redefine as bases do mercado brasileiro de chocolate ao elevar o teor mínimo de sólidos de cacau para 35% em produtos nacionais, uma mudança que acirra a disputa entre agricultores e indústrias alimentícias. Enquanto os primeiros comemoram a valorização da amêndoa local, os fabricantes alertam para os riscos de desabastecimento e o impacto imediato nos preços ao consumidor.

    O que muda na composição dos chocolates brasileiros?

    A nova legislação impõe um piso rigoroso: 35% de sólidos de cacau para chocolates comuns, 20% de manteiga de cacau para versões brancas (com acréscimo de 14% de sólidos lácteos) e teto de 5% para gorduras vegetais alternativas. A medida busca combater produtos de baixa qualidade, como os rotulados como “sabor chocolate”, que mesclam aromatizantes, corantes e gorduras hidrogenadas para simular o sabor autêntico.

    A batalha dos custos: por que a indústria teme a lei?

    As empresas do setor têm 360 dias para se adaptar, um prazo considerado insuficiente por especialistas. A reformulação de receitas, embalagens e cadeias de suprimentos exige investimentos bilionários, além de depender da disponibilidade de cacau nacional — que enfrenta gargalos de produção. “O desafio não é apenas técnico, mas logístico”, afirma Carlos Menezes, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (ABICAB). “A lei é necessária, mas o timing é cruel: o mercado ainda não se recuperou da crise de 2022.”

    O campo comemora, mas o futuro é incerto

    Para os produtores de cacau, a legislação representa um marco histórico. “Finalmente, o consumidor terá acesso a um produto de qualidade, sem adulterações”, comemora João Silva, coordenador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). No entanto, a euforia é temperada por uma realidade preocupante: a produção nacional de cacau cobre apenas 30% da demanda industrial, forçando a importação de amêndoas — que terão de cumprir os novos padrões.

    Reação do mercado: o que os índices mostram?

    Desde a publicação da lei, as ações de empresas de chocolate caíram até 8% na Bolsa de Valores, enquanto o preço da amêndoa de cacau disparou 12% nas cotações internacionais. Analistas do setor projetam um cenário de preços mais altos para o consumidor final, especialmente em produtos premium. “A lei é justa, mas o impacto será distribuído de forma desigual”, avalia a economista Fernanda Oliveira, da FGV. “As marcas populares serão as mais afetadas, reduzindo ainda mais o acesso ao chocolate de qualidade.”

    O que esperar nos próximos meses?

    O governo anuncia um pacote de incentivos para aumentar a produção nacional de cacau, incluindo crédito subsidiado e assistência técnica. Enquanto isso, a indústria pressiona por revisão dos prazos e flexibilização das regras. “Não adianta criar uma lei sem garantir condições para cumpri-la”, alerta Menezes. O debate está longe de terminar — e o chocolate brasileiro nunca esteve tão em pauta.

  • Exportações de ovos do Rio Grande do Sul explodem 30% no quadrimestre e se destacam em meio à instabilidade global

    Exportações de ovos do Rio Grande do Sul explodem 30% no quadrimestre e se destacam em meio à instabilidade global

    O Rio Grande do Sul consolidou-se como um dos principais players do Brasil no mercado internacional de ovos nos primeiros quatro meses de 2025. Os dados revelam um salto expressivo: 2.154 toneladas exportadas, volume 30,4% superior ao mesmo período de 2024, quando foram embarcadas 1.652 toneladas. A receita acompanhou o ritmo, atingindo US$ 7,8 milhões — um crescimento de 40,3% frente aos US$ 5,6 milhões registrados no ano anterior.

    A virada do setor avícola gaúcho: por que os ovos ganharam o mundo?

    Segundo José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), o desempenho reflete não apenas a capacidade produtiva do estado, mas também sua adaptação a um cenário global marcado por conflitos e instabilidades. “A crescente exportação de ovos e derivados do Rio Grande do Sul demonstra nossa relevância em manter o abastecimento internacional em tempos de crise”, explica. A afirmação ganha peso diante de projeções que indicam uma demanda firme, especialmente em mercados europeus e asiáticos, onde a proteína animal enfrenta pressões inflacionárias e restrições sanitárias.

    Frango segue estável, mas enfrenta obstáculos logísticos

    Paralelamente, o segmento de carne de frango — tradicional carro-chefe das exportações brasileiras — manteve-se estável no quadrimestre. O volume total exportado pelo estado foi de 254,9 mil toneladas, queda marginal de 0,4% em relação a 2024 (256 mil toneladas). Em abril, a retração foi de 0,7%, com 64,3 mil toneladas embarcadas. No entanto, a receita não acompanhou a mesma tendência: o faturamento avançou 5,1% em abril (US$ 125,8 milhões) e 6% no acumulado do período (US$ 488,1 milhões), totalizando US$ 460,6 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.

    A discrepância entre volume e faturamento, segundo dos Santos, está ligada a fatores externos. “A crise no Oriente Médio impactou diretamente os embarques, obrigando a adoção de rotas alternativas e gerando atrasos. Mesmo assim, a demanda pelos nossos produtos permanece sólida na região”, comenta. As entidades do setor garantem que o Brasil continua cumprindo as exigências da União Europeia, mantendo o acesso a um dos mercados mais competitivos do mundo.

    O que esperar para o futuro?

    O avanço das exportações de ovos do Rio Grande do Sul não é um fenômeno isolado. Especialistas apontam para um movimento mais amplo no agro brasileiro, impulsionado pela busca de países por fornecedores estáveis em meio a crises de abastecimento. “A diversificação da pauta exportadora é estratégica. Enquanto o frango enfrenta desafios logísticos, os ovos ganham espaço por sua versatilidade e menor complexidade de armazenamento”, analisa um analista do setor, que preferiu não ser identificado.

    Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção do ritmo, desde que não haja novos choques geopolíticos. Com investimentos em sanidade animal e logística, o Rio Grande do Sul pode não apenas sustentar, mas ampliar sua participação no mercado internacional — um sinal claro de que o agro brasileiro, mesmo em tempos turbulentos, continua a inovar e se adaptar.

  • Rio negocia queda de até 6,5% no preço do gás e alivia pressão inflacionária no estado

    Rio negocia queda de até 6,5% no preço do gás e alivia pressão inflacionária no estado

    O governo do Rio de Janeiro fechou um acordo histórico com a Petrobras e a concessionária Naturgy para reduzir o preço do gás natural no estado, beneficiando cerca de 1,5 milhão de motoristas, indústrias e consumidores residenciais. A redução média de 6% no custo do gás industrial e de 2,5% no gás de cozinha (GLP) — aliada à queda de 6,5% no GNV — chega em um momento crítico, marcado pela escalada internacional dos preços de derivados de petróleo.

    Um alívio para o bolso do consumidor e para a inflação estadual

    A medida, homologada pela Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa) no dia 14 de julho, será publicada no Diário Oficial na próxima semana e entrou em vigor após o cálculo final das tarifas pela Naturgy, que considerou variáveis como custo de produção, demanda e regulamentação. Segundo a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, o acordo tem “efeito potencial de política pública energética”, capaz de conter pressões inflacionárias no estado.

    Rio: a capital brasileira do gás natural

    O estado não apenas lidera a produção nacional de gás natural — responsável por 76,9% da oferta brasileira em 2025, segundo a ANP — como também concentra a maior frota de veículos movidos a GNV do país. Atributos como a concessão de descontos no IPVA para esses motoristas e a proximidade com as principais bacias produtoras (como a de Santos e Bacia de Campos) tornam o Rio um laboratório para políticas de preço de energia. A redução dos custos agora é vista como um estímulo à competitividade industrial e ao poder de compra da população.

    A geopolítica do petróleo pesa no preço final

    A negociação ocorre em um cenário de tensão global: a guerra no Irã, que afeta o Estreito de Ormuz — passagem de 20% do petróleo e gás mundial — já elevou os preços internacionais de derivados. No Brasil, a Petrobras, maior player do setor, tem sofrido pressões para segurar os custos, especialmente após o governo federal reduzir impostos sobre combustíveis em 2022. No Rio, a estratégia é clara: usar o peso da produção local para negociar condições mais vantajosas, mesmo em meio à instabilidade externa.

    Próximos passos: transparência e fiscalização

    Antes de a nova tarifa entrar em vigor, a Agenersa deve validar os cálculos da Naturgy, garantindo que a redução seja efetivamente repassada aos consumidores. A secretaria estadual destacou que o acordo é um “exemplo de regulação inteligente”, mas especialistas alertam: o impacto real dependerá da manutenção dos preços internacionais e da capacidade de o estado equilibrar incentivos fiscais com a sustentabilidade do setor.

  • Carros elétricos na China: preços disparam após colapso na cadeia de suprimentos e guerra de chips

    Carros elétricos na China: preços disparam após colapso na cadeia de suprimentos e guerra de chips

    A China, epicentro da revolução dos carros elétricos, enfrenta um paradoxo: após uma brutal guerra de preços que obrigou o governo a intervir, os consumidores agora pagam mais caro pelos veículos. Mais de 15 montadoras, incluindo gigantes como BYD, Xiaomi, Volkswagen e Toyota, anunciaram reajustes nas tabelas ou em pacotes de equipamentos opcionais. A justificativa é unânime: o encarecimento abrupto na cadeia de suprimentos, agravado pela disputa por recursos escassos no mercado global.

    A guerra dos chips e o desvio da IA: como a inteligência artificial afundou a indústria automotiva

    A explosão da demanda por servidores de inteligência artificial generativa — impulsionada pela corrida tecnológica entre EUA, China e Europa — desviou o foco da produção de semicondutores para setores mais rentáveis. O resultado foi uma escassez histórica de chips, com reflexos diretos na fabricação de veículos conectados. Segundo dados da SemiAnalysis, os preços de componentes como memória RAM DDR5 subiram até 300% em três meses, enquanto os custos de armazenamento em chips de alto desempenho dispararam 180%.

    Para as montadoras, essa conta é brutal: um veículo elétrico moderno depende de dezenas de chips para funções como ADAS (sistemas avançados de assistência), conectividade 5G e gerenciamento de baterias. A BYD, por exemplo, repassou parte desse custo ao consumidor no pacote opcional de assistência à condução (ADAS), que saltou de US$ 1.500 para US$ 1.800. Já o sedã Xiaomi SU7, lançado em 2024, teve um aumento linear de US$ 600 em todas as versões, segundo anúncio da empresa em outubro de 2025.

    Lítio, cobre e alumínio: o custo escondido das baterias

    Enquanto a crise dos semicondutores abala a produção, a alta do lítio — matéria-prima indispensável para as baterias — atinge patamares recordes. A tonelada do mineral, que custava US$ 11.000 em julho de 2025, chegou a US$ 29.400 em outubro (alta de 167%), segundo a Benchmark Mineral Intelligence. O cobre e o alumínio, essenciais para fios e estruturas dos veículos, também registraram recordes: o cobre atingiu US$ 12.000 por tonelada, enquanto o alumínio superou US$ 3.500.

    Juntos, esses metais adicionam US$ 300 (R$ 1.500) ao custo de fabricação de um carro elétrico de porte médio. Fabricantes como NIO e Geely já confirmaram que os aumentos serão repassados integralmente aos preços finais, enquanto outras, como a Tesla China, ainda avaliam estratégias para evitar perdas nas margens — que, segundo a Goldman Sachs, já estão em 3,2%, o menor patamar da década.

    O paradoxo chinês: de preços mínimos a inflação forçada

    A escalada dos custos surge após uma guerra de preços sem precedentes no mercado chinês, que levou várias montadoras a venderem veículos abaixo do custo para ganhar participação de mercado. Em 2024, a BYD chegou a oferecer descontos de até 20% em modelos como o Seal, enquanto a Xiaomi entrou no setor com preços agressivos, como o SU7 a US$ 25.000 — metade do valor de um equivalente europeu.

    O governo chinês, preocupado com a saúde financeira do setor, pressionou as empresas a reduzirem os descontos e estabilizarem os preços. Agora, com os custos em disparada, as montadoras não têm escolha: ou aceitam margens de lucro cada vez menores ou repassam os aumentos. A Volkswagen China, por exemplo, anunciou que seus modelos ID.4 e ID. Buzz terão reajustes entre 8% e 12% a partir de novembro, enquanto a Toyota confirmou aumento de US$ 1.200 em seu modelo elétrico bZ4X.

    Efeitos dominó: como a China afeta o Brasil e o mundo

    A inflação nos preços dos carros elétricos chineses não se limita ao mercado local. Com a China dominando 60% da produção global de veículos elétricos e 80% das baterias, os reflexos são inevitáveis. Em setembro de 2025, a BYD já reduziu em 15% os descontos oferecidos no Brasil para seus modelos Dolphin e Atto 3, enquanto a Changan anunciou que os preços dos veículos importados serão reajustados em até 10% até o final do ano.

    Para os consumidores brasileiros, a notícia é ruim: além da alta dos preços, a oferta de financiamentos com juros zero — um dos principais atrativos do mercado — está sendo reduzida. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, já limitou os prazos de financiamento de 84 para 60 meses, o que encarece as parcelas mensais. Especialistas como Luiz Carlos Moraes, analista da XP Investimentos, alertam: “Se a China mantiver essa tendência, os carros elétricos podem perder competitividade frente aos modelos a combustão, mesmo com os incentivos governamentais”.

  • Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    O coração da pecuária brasileira bate forte neste domingo em Cuiabá. A Estância Bahia realiza seu Mega Leilão, um dos maiores eventos do setor no país, reunindo mais de 20 mil animais — entre machos e fêmeas de diversas categorias — que prometem movimentar milhões em negócios.

    O Brasil na vitrine global: por que Mato Grosso é o palco do momento

    O evento não poderia ocorrer em melhor timing. Com mercados estratégicos como Estados Unidos e China enfrentando desabastecimento de carne bovina, a pecuária mato-grossense surge como uma solução de volume, qualidade e preço competitivo. Segundo especialistas, o Brasil, maior exportador mundial do produto, consolida sua posição como fornecedor confiável em um cenário de incertezas globais.

    De Cáceres a Paranatinga: a diversidade que define o leilão

    Os animais ofertados vêm de praticamente todas as regiões produtoras de Mato Grosso, como Baixada Cuiabana, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Bugre, Vale do Guaporé, Primavera do Leste e Paranatinga. A distribuição estratégica reflete a robustez do estado, que abriga desde rebanhos de corte até animais de genética avançada.

    Entre os 11 mil machos e 9 mil fêmeas previstos, a oferta é dividida em faixas etárias e categorias: 25% são bezerros, prontos para recria; 50% são garrotes próximos da terminação em confinamento; e o restante inclui animais intermediários, essenciais para a engorda. Um dado que chama atenção é a presença de mais de mil animais Angus — uma evidência do avanço da genética na pecuária nacional e da busca por maior produtividade.

    Perspectivas 2026: o setor respira aliviado

    Em entrevista exclusiva ao Compre Rural, Guilherme Tonhá, gestor comercial da Estância Bahia Leilões, traçou um panorama otimista para a pecuária de corte. “Nós passamos por momentos difíceis nos últimos anos, mas 2026 está sendo um ano firme. Existem ajustes normais de mercado, mas a demanda global — especialmente em mercados que estão desabastecidos — está sustentando os preços e incentivando os investimentos”, afirmou.

    Tonhá destacou ainda que o leilão não é apenas uma vitrine de animais, mas um termômetro do setor. “Eventos como este mostram a resiliência da pecuária brasileira. Mesmo com oscilações, o Brasil mantém sua capacidade de produzir em escala e com qualidade, o que atrai compradores de todo o mundo”, completou.

    O que esperar dos negócios?

    Com a combinação de alta demanda internacional, preços firmes e oferta qualificada, o Mega Leilão promete superar a marca de R$ 100 milhões em negócios. Além disso, o evento reforça a importância de Mato Grosso não apenas como um estado produtor, mas como um hub de inovação e tecnologia pecuária, capaz de ditar tendências para o restante do país.

    Para os pecuaristas, trata-se de uma oportunidade para renovar rebanhos com genética superior e, para os compradores, a chance de adquirir animais com potencial para alavancar a produtividade. Tudo isso em um ambiente onde a transparência e a rastreabilidade são prioridades — um reflexo da crescente exigência dos mercados consumidores.

  • Caixa prevê impacto nas provisões de crédito rural ainda este ano, enquanto inadimplência agro salta a 18,29%

    Caixa prevê impacto nas provisões de crédito rural ainda este ano, enquanto inadimplência agro salta a 18,29%

    A Caixa Econômica Federal monitora com atenção os sinais de deterioração no crédito rural, segmento que já registra inadimplência de 18,29% — alta de 4,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Em coletiva sobre o balanço do primeiro trimestre de 2025, a vice-presidente de riscos da instituição, Henriete Sartori, admitiu que o banco espera impactos nas provisões relacionadas ao agro ainda este ano, apesar de uma desaceleração percebida na curva de crescimento da inadimplência.

    Provisões batem recorde: R$ 6,51 bilhões provisionados no trimestre

    Nos três primeiros meses de 2025, a Caixa constituiu provisões para créditos de liquidação duvidosa no montante de R$ 6,51 bilhões, um salto de 21,7% na comparação com o trimestre anterior. O índice de inadimplência acima de 90 dias, que subiu de 3,07% para 3,71% no período, permanece sob controle nos segmentos de crédito imobiliário e comercial (pessoa física e jurídica), segundo Sartori, que classificou a situação como “não preocupante”.

    Crédito rural representa 5% da carteira, mas concentra 60% da inadimplência

    Apesar de representar apenas 5% da carteira total da Caixa, o crédito rural responde por uma parcela desproporcional dos riscos: o índice de 18,29% de inadimplência supera em mais de cinco vezes a média dos outros segmentos. A executiva destacou que o banco já iniciou um modelo mais rigoroso de concessão de crédito no segmento, alinhado ao cenário de alta de juros e queda nos preços das commodities agrícolas.

    Recuperações judiciais e sinais de estabilização

    Sartori apontou indícios de que a curva de crescimento da inadimplência no agro pode estar se estabilizando, com redução no ritmo de novas recuperações judiciais. No entanto, ela ressaltou que o cenário permanece desafiador: “O cenário não é simples. Temos percebido um arrefecimento, mas a situação ainda requer cautela”, afirmou. O banco também mantém o foco em renegociações de dívidas e apoio a produtores enquadrados em programas de renegociação federal.

    Cenário externo e políticas públicas

    A expectativa da Caixa ocorre em um contexto de pressões no setor agropecuário, marcado por custos elevados de insumos — como fertilizantes — e dependência de financiamentos. Enquanto o governo federal discute um Projeto de Lei para ampliar incentivos à produção nacional de fertilizantes, a instituição reforça sua estratégia de contenção de riscos no crédito rural, que inclui limites mais estreitos para concessão e revisão periódica de carteiras.

  • IBGE: setor de serviços cai 1,2% em março e acende sinal amarelo na economia

    IBGE: setor de serviços cai 1,2% em março e acende sinal amarelo na economia

    A economia brasileira deu um passo atrás em março de 2026. Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de serviços no país recuou 1,2% em relação a fevereiro, interrompendo uma sequência de estabilidade no mês anterior. A queda, a quarta em cinco meses, acende um alerta sobre a saúde do setor, que acumula perda de 1,7% desde outubro de 2025.

    A onda de queda atinge todas as frentes do setor

    Desta vez, não houve exceção: todas as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram retração na comparação mensal. O transporte, segmento mais impactado, registrou queda de 1,7% — impulsionado pela queda no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros. Segundo o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior, o cenário é preocupante: “Nos últimos cinco meses, tivemos um mês de estabilidade e quatro de queda. Isso reflete uma tendência de enfraquecimento do setor”.

    Transportes lidera a derrocada, mas outros setores também sangram

    O transporte não foi o único a amargar prejuízos. Os serviços profissionais, administrativos e complementares caíram 1,1%, enquanto informações e comunicação recuaram 0,9%. Os segmentos de “outros serviços” e “serviços prestados às famílias” também registraram quedas de 2% e 1,5%, respectivamente. A única exceção foi a expansão de 3% na comparação anual (março de 2026 vs. março de 2025), mas o dado anual não esconde a fragilidade do momento atual.

    O que esperar para os próximos meses?

    No acumulado do ano, o setor ainda registra crescimento de 2,3% frente ao mesmo período de 2025, e os últimos 12 meses mostram expansão de 2,8%. No entanto, especialistas avaliam que os números positivos anuais são um efeito rebote da recuperação pós-pandemia, enquanto a tendência recente aponta para uma desaceleração. A queda generalizada em março, somada à perspectiva de juros altos e inflação controlada, pode sinalizar um freio na atividade econômica nos próximos trimestres.

    Setor de serviços: o termômetro da economia?

    O desempenho do setor de serviços é frequentemente considerado um termômetro da economia brasileira, por sua abrangência e diversidade. Com a queda de março, o mercado passa a monitorar de perto possíveis impactos em emprego, renda e confiança do consumidor. Enquanto o governo federal debate Projetos de Lei para incentivar a produção nacional de fertilizantes — que também afetam o setor agropecuário —, o recuo nos serviços reacende debates sobre políticas de estímulo à retomada do crescimento.