Tag: agroindústria

  • Bioinova: Embrapa une cinco unidades para acelerar transição energética com biomassa e resíduos agroindustriais

    Bioinova: Embrapa une cinco unidades para acelerar transição energética com biomassa e resíduos agroindustriais

    A Embrapa consolidou, em 25 de maio de 2026, uma frente unificada de pesquisa para enfrentar um dos maiores desafios do século: a transição energética. O Bioinova, projeto coordenado pela Embrapa Agroenergia (DF) e que integra cinco centros de excelência da estatal, promete acelerar a conversão de biomassa e resíduos agroindustriais em soluções energéticas limpas.

    Rede de inovação com aporte de R$ 14 milhões para modernizar a pesquisa

    O Bioinova reúne, além da sede em Brasília, unidades nos estados do Ceará (Embrapa Agroindústria Tropical), Minas Gerais (Embrapa Milho e Sorgo), Rio Grande do Sul (Embrapa Trigo) e o laboratório de Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF). A iniciativa, financiada pela Finep com R$ 14 milhões, terá duração de 36 meses e busca atingir 10 metas científicas até 2029. O objetivo é claro: ampliar a participação do agronegócio brasileiro na redução das emissões globais, com foco em energia renovável, combustíveis de base biológica e insumos sustentáveis.

    De resíduos a recursos: a biomassa como vetor da descarbonização

    A estratégia da Embrapa foca em dois pilares: a otimização de processos para transformar materiais antes descartados — como palha de milho, bagaço de cana ou esterco animal — em fontes de energia e produtos de alto valor agregado. Segundo o coordenador do projeto, essa abordagem não apenas reduz o impacto ambiental, mas também cria novas cadeias de valor para o produtor rural. “Estamos falando de uma revolução silenciosa, onde o que era custo passa a ser oportunidade”, afirmou o pesquisador.

    Impacto econômico e ambiental para o Brasil

    Com a agricultura responsável por cerca de 25% das emissões nacionais de gases do efeito estufa, segundo dados do Observatório do Clima de 2025, iniciativas como o Bioinova ganham relevância estratégica. Além de diminuir a dependência de combustíveis fósseis, o projeto pode posicionar o Brasil como líder global na produção de bioenergia, aproveitando sua matriz agroindustrial diversificada. Especialistas destacam que, até 2030, soluções como as desenvolvidas pela rede Embrapa poderão reduzir em até 15% as emissões do setor, conforme projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O que esperar até 2029?

    Entre as entregas previstas estão a criação de cinco tecnologias patenteadas, a capacitação de 200 profissionais e a implementação de três plantas-piloto para testes em escala real. A Embrapa também planeja parcerias com universidades e empresas privadas para escalar as soluções. “Não se trata apenas de ciência, mas de transformar conhecimento em negócios que façam sentido para o campo e para a indústria”, declarou a diretora da Embrapa Agroenergia.

  • Rio Grande do Sul cria centro de inovação para alavancar produção de azeite e enfrentar desafios climáticos

    Rio Grande do Sul cria centro de inovação para alavancar produção de azeite e enfrentar desafios climáticos

    A assinatura de um protocolo para a criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul marca um ponto de virada para um setor que, embora promissor, ainda enfrenta barreiras estruturais. A iniciativa, formalizada durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva em Triunfo (RS), reúne o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), três universidades federais (UFSM, Ufpel e UFCSPA), além de secretarias estaduais de Inovação e Agricultura e produtores locais. O objetivo é claro: transformar o estado no epicentro da produção nacional de azeites de alta qualidade, superando gargalos como a baixa regularidade produtiva e a dependência de cultivares importadas.

    A queda de braço com o clima e a busca pela estabilidade produtiva

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, não esconde a urgência do projeto. Em entrevista exclusiva, ele destacou que o Brasil produz “o melhor azeite do mundo”, mas a falta de fruta — agravada por eventos climáticos extremos como geadas e estiagens — compromete a competitividade do setor. “Precisamos voltar para dentro da porteira e investir fortemente em pesquisa para entender o que fizemos de certo e o que ainda precisamos corrigir”, afirmou. A fala reflete um paradoxo nacional: enquanto a demanda por azeite extra virgem cresce — impulsionada por um mercado que valoriza produtos premium —, a produção brasileira ainda oscila entre 20% e 30% da capacidade instalada, segundo dados do setor.

    Universidades e governo unidos pela inovação no campo

    A proposta do centro vai além do tradicional modelo acadêmico. O diretor da Agência de Inovação (Inova) da UFCSPA, Hélio Leães Hey, define o projeto como uma “estratégia de cooperação permanente” para conectar o conhecimento científico às demandas reais do campo e da indústria. “Não se trata de apenas gerar papers ou projetos isolados, mas de criar um ecossistema onde a pesquisa aplicada dialogue diretamente com as necessidades dos olivicultores”, explicou. Entre as frentes de atuação estão a adaptação de cultivares ao clima gaúcho, a otimização de técnicas de manejo e a implementação de sistemas de certificação que garantam a rastreabilidade e a qualidade dos azeites produzidos.

    Do laboratório à mesa: o impacto econômico e social da olivicultura

    O Rio Grande do Sul já responde por cerca de 90% da produção nacional de azeite, com destaque para regiões como Serra Gaúcha e Campanha. No entanto, o potencial econômico do setor — que movimenta mais de R$ 500 milhões anuais segundo estimativas do Ibraoliva — ainda é limitado pela falta de escala e pela dependência de importações de azeitonas para processamento. O novo centro busca reverter esse cenário ao fomentar inovações que permitam a expansão dos olivais, a diversificação de produtos e a conquista de novos mercados, inclusive internacionais.

    Para especialistas, a iniciativa chega em um momento crucial. “O Brasil tem todas as condições para se tornar um player global no segmento, mas isso requer investimentos consistentes em tecnologia e capital humano”, avalia um analista do setor agroindustrial. A equipe do centro, que incluirá pesquisadores, técnicos e estudantes, será responsável por mapear as principais vulnerabilidades da cadeia produtiva e propor soluções baseadas em ciência — desde o melhoramento genético de oliveiras até a implementação de práticas sustentáveis de irrigação.

    O que muda com o centro e quais os próximos passos?

    Nos próximos meses, o foco será estruturar a equipe multidisciplinar e definir as linhas prioritárias de pesquisa. Entre os projetos já em análise estão a criação de um banco de germoplasma com cultivares adaptadas ao clima subtropical, a desenvolvimento de protocolos para controle de pragas e doenças, e a capacitação de mão de obra especializada. Além disso, o centro planeja parcerias internacionais para troca de tecnologias, com foco em países como Espanha, Itália e Portugal — referências globais na produção de azeite.

    O desafio, contudo, não é apenas técnico. “É preciso também trabalhar na percepção do consumidor”, alerta Obino. “Muitos ainda associam o azeite brasileiro a produtos de baixa qualidade, quando na verdade já temos casos de excelência reconhecidos mundialmente.” A estratégia inclui ações de marketing e educação para destacar a origem e os diferenciais dos azeites gaúchos, como o terroir único da região e as práticas agrícolas sustentáveis adotadas pelos produtores locais. O centro, nesse sentido, será um aliado na construção de uma identidade forte para o setor, capaz de atrair investimentos e consolidar a marca “Azeite do Rio Grande do Sul” no mercado nacional e internacional.

  • ABIOVE projeta recorde histórico: Brasil processará 62,5 milhões de toneladas de soja em 2026

    ABIOVE projeta recorde histórico: Brasil processará 62,5 milhões de toneladas de soja em 2026

    O salto industrial que redefine o complexo soja brasileiro

    A ABIOVE anunciou nesta semana a revisão de suas projeções para o esmagamento interno de soja, elevando as estimativas para 2026 a um patamar recorde de 62,5 milhões de toneladas. O volume representa não apenas um crescimento expressivo frente às previsões anteriores, mas também um marco na trajetória de consolidação do Brasil como potência agroindustrial. Os dados, atualizados em março de 2026, mostram um processamento de 4,995 milhões de toneladas no terceiro mês do ano — alta de 25,8% em relação a fevereiro e de 5,9% na comparação anual ajustada pelo percentual amostral.

    Derivados em alta: farelo e óleo impulsionam a cadeia

    O reflexo direto do aumento do esmagamento é a ampliação da oferta de produtos de maior valor agregado. A produção estimada para 2026 inclui 48,1 milhões de toneladas de farelo de soja e 12,55 milhões de toneladas de óleo de soja. No acumulado do ano até março, o processamento totalizou 12,840 milhões de toneladas, um avanço de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a ABIOVE, esses números evidenciam a resiliência e o amadurecimento da indústria nacional, que tem concentrado esforços em agregar valor à produção agrícola com eficiência técnica e estabilidade operacional.

    Exportações mantêm liderança global do Brasil no complexo soja

    No front externo, o Brasil reforça sua posição como maior exportador mundial de soja em grão, com projeção de 114,1 milhões de toneladas para 2026 — um crescimento modesto de 0,4% em relação às estimativas anteriores. Nos coprodutos, as vendas externas de farelo devem atingir 24,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações de óleo de soja crescem para 1,6 milhão de toneladas. Esses dados reforçam a importância estratégica do agronegócio brasileiro não apenas para o suprimento alimentar interno, mas também para a transição energética global, dada a crescente demanda por biocombustíveis e óleos vegetais.

    Safra robusta e demanda aquecida: os pilares do crescimento

    A base do otimismo da ABIOVE está na combinação entre uma safra nacional estimada em 180,13 milhões de toneladas — conforme dados da Conab — e a crescente demanda interna e externa por derivados de soja. As importações projetadas para 2026 são de 900 mil toneladas de grão e 125 mil toneladas de óleo, valores que refletem a dependência estratégica de insumos em momentos de pico produtivo. A entidade destaca que o dinamismo industrial é fundamental para assegurar previsibilidade ao mercado, reduzindo oscilações de preço e garantindo segurança alimentar.

  • Crédito rural empresarial encolhe 5% no Plano Safra 2025/2026: CPR avança enquanto investimentos recuam 29%

    Crédito rural empresarial encolhe 5% no Plano Safra 2025/2026: CPR avança enquanto investimentos recuam 29%

    A guinada do crédito rural: onde o dinheiro está e por que o setor hesita

    O Plano Safra 2025/2026 trouxe um paradoxo para o crédito rural empresarial brasileiro. Enquanto a Cédula de Produto Rural (CPR) — um instrumento de mercado — ganha espaço como alternativa às linhas tradicionais, os investimentos estruturais encolheram 29%, sinalizando um setor em transição, mas também em alerta. O volume total de R$ 391,2 bilhões para agricultura empresarial representa uma queda de 5% em relação aos R$ 409,8 bilhões da safra anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura (Mapa).

    A CPR como salva-vidas do agronegócio: 43% dos recursos em um ano

    A CPR é hoje o grande termômetro da confiança do mercado no crédito rural. Com crescimento de 10% e volume de R$ 167 bilhões, o instrumento responde por 43% dos recursos totais alocados na safra 2025/2026 — ante 37% no ciclo anterior. Essa migração reflete uma estratégia clara: produtores e tradings buscam alternativas frente ao custo financeiro elevado e às restrições ambientais que pesam sobre os financiamentos convencionais. Quando somados aos recursos de custeio tradicional, os R$ 292,6 bilhões para produção agrícola representam um recuo de apenas 1,6%, mostrando que a CPR está compensando parcialmente a queda.

    Industrialização dispara, mas investimentos murcham: o que isso diz sobre o futuro do agro

    Enquanto os números da CPR brilham, outro dado chama a atenção: o crédito para industrialização cresceu 66%, saltando de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões. Esse movimento não é casual. Ele reflete a busca do setor por agregar valor à produção, alinhando-se a uma estratégia nacional de modernização. No entanto, o mesmo período viu os investimentos caírem drasticamente: de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões. Todos os programas de investimento registraram quedas, com destaques negativos para o Prodecoop (-57%), Proirriga (-56%) e Moderfrota (-54%).

    Juros altos, inadimplência e clima: o que trava o crédito rural

    A análise do Mapa não deixa dúvidas: a retração nos investimentos é resultado de um cenário adverso. Entre os fatores citados estão as elevadas taxas de juros, a instabilidade internacional, o aumento da inadimplência, os altos custos de produção, os riscos climáticos e a maior seletividade dos bancos. Produtores e cooperativas, diante desse quadro, optam por adiar expansões ou modernizações, priorizando o custeio imediato em detrimento de projetos de longo prazo.

    Pronamp resiste: médios produtores apostam em políticas estáveis

    Nem tudo são más notícias. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) registrou crescimento de 3%, totalizando R$ 52,1 bilhões. O desempenho sugere que políticas públicas direcionadas — como o Pronamp — ainda conseguem manter o fôlego de médios produtores, mesmo em um ambiente de incertezas. A resiliência desse segmento pode ser um sinal de que, com incentivos adequados, o setor ainda tem fôlego para se adaptar.

    O que esperar das próximas safras?

    O cenário desenhado pelo Plano Safra 2025/2026 é de transição dolorosa para o crédito rural. A CPR, embora dinâmica, não substitui integralmente os investimentos estruturais — essenciais para a modernização e sustentabilidade do agro. Enquanto o governo não sinalizar redução consistente de juros ou novas linhas de financiamento com condições mais atrativas, a tendência é de manutenção desse equilíbrio instável: crescimento pontual em segmentos específicos, mas retração generalizada em áreas críticas. Para o produtor, a lição é clara: adaptar-se ao mercado ou correr riscos cada vez maiores.

  • Europa impõe veto a aditivos na nutrição do gado: como o Brasil reage à tempestade sanitária e comercial

    Europa impõe veto a aditivos na nutrição do gado: como o Brasil reage à tempestade sanitária e comercial

    A pecuária brasileira de corte enfrenta um dos seus maiores desafios diplomáticos e técnicos dos últimos anos. A União Europeia, principal destino da carne in natura do país — que exportou US$ 5,2 bilhões em 2023 —, anunciou a proibição total do uso de certos aditivos antimicrobianos em sistemas intensivos de produção, como confinamentos. A medida, que entra em vigor gradualmente a partir de 2025, coloca em xeque uma estratégia nutricional consolidada há mais de duas décadas no Brasil, ameaçando a competitividade do setor e exigindo uma reestruturação urgente em um dos pilares da agroindústria nacional.

    A virginiamicina no olho do furacão: por que a Europa mira um pilar da pecuária brasileira

    A decisão europeia tem como alvo principal a virginiamicina, um antimicrobiano amplamente utilizado em combinação com a monensina nos confinamentos brasileiros. Segundo Dhones Rodrigues de Andrade, doutor em zootecnia e supervisor técnico da Facholi Sementes e Nutrição, a associação desses dois aditivos é responsável por até 20% de ganho de eficiência produtiva em sistemas intensivos. Em dietas de alto grão — como aquelas baseadas em milho e soja —, a combinação garante não apenas maior ganho de peso, mas também reduz distúrbios metabólicos como acidose ruminal, um problema comum em animais alimentados com alta energia.

    “A monensina já é permitida na Europa, mas a virginiamicina não. Quando a gente fala em dietas desafiadoras, essa associação é quase que obrigatória para manter a performance animal e a saúde do rebanho”, explica Andrade. Sem alternativas imediatas, o setor enfrenta um cenário de perda de produtividade e aumento de custos — uma equação que pode inviabilizar economicamente muitos confinamentos, especialmente aqueles que dependem de financiamentos internacionais ou de contratos de exportação com a UE.

    Corrida contra o relógio: Uruguai, Chile e Argentina já se adiantaram — e o Brasil corre atrás

    Enquanto o Brasil ainda debate alternativas técnicas e negociações diplomáticas, países como Uruguai, Chile e Argentina já implementaram protocolos mais rígidos de rastreabilidade e restrição ao uso de antimicrobianos. A Argentina, por exemplo, proibiu a virginiamicina em 2021 e já exporta carne certificada como “livre de promotores de crescimento”. O Uruguai, por sua vez, investiu em sistemas de rastreabilidade blockchain para garantir a conformidade com as normas europeias, conquistando vantagens comerciais no mercado premium.

    “Os europeus já têm uma lista de países que já se adequaram. O Brasil está na fila de espera, e isso é perigoso”, alerta Andrade. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o bloco europeu responde por 25% das exportações brasileiras de carne bovina, com destaque para cortes premium como filé mignon e picanha. A perda desse mercado não só reduziria receitas como também poderia desvalorizar a carne brasileira no mercado global, já que os EUA e a China, principais concorrentes, já vêm ajustando suas práticas para atender às exigências europeias.

    O custo da transição: quem paga a conta da nova era na pecuária?

    A transição para um modelo sem antimicrobianos como a virginiamicina não será barata. Estima-se que o custo de produção possa aumentar entre 10% e 15% nos primeiros anos, devido à necessidade de reformular dietas, investir em probióticos e óleos essenciais como substitutos, e reforçar controles sanitários. Além disso, a rastreabilidade exigida pela UE — que inclui testes laboratoriais em 100% das partidas exportadas — adiciona mais um ponto de pressão sobre os frigoríficos e confinadores.

    “Não é só uma questão de substituir um aditivo por outro. É uma mudança de paradigma na nutrição animal”, afirma Andrade. Ele destaca que, em um primeiro momento, a produtividade pode cair entre 10% e 20% até que novas estratégias sejam validadas. Para os pequenos e médios confinadores, que já operam com margens apertadas, essa queda pode significar a inviabilização do negócio. Já as grandes indústrias, como JBS, Marfrig e Minerva, estão acelerando pesquisas com alternativas, como extratos vegetais e leveduras específicas, mas os resultados ainda estão em fase de testes.

    Diplomacia em jogo: o Brasil tem tempo suficiente para evitar o colapso?

    O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e da Apex-Brasil, tenta negociar prazos mais flexíveis com a Comissão Europeia. A estratégia inclui apresentar estudos científicos que comprovem a segurança do uso controlado da virginiamicina — algo que a UE já rejeitou em outras ocasiões. Enquanto isso, o setor privado corre contra o tempo para desenvolver soluções técnicas viáveis.

    “A gente precisa mostrar que o Brasil tem um plano de transição, mas a Europa não costuma ceder. Eles querem erradicar qualquer uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, e isso é uma realidade”, comenta Andrade. A pressão também vem de dentro: organizações de proteção animal e consumidores europeus, cada vez mais exigentes, veem com maus olhos a utilização de qualquer substância que possa ser associada ao desenvolvimento de resistência bacteriana — um tema sensível no Velho Continente.

    O que muda para o consumidor brasileiro e global?

    A médio prazo, a carne brasileira exportada para a Europa tende a se tornar mais cara — reflexo dos custos adicionais de produção e certificação. No mercado interno, a tendência é que os preços se ajustem conforme a demanda internacional, mas especialistas descartam uma escassez imediata. No entanto, a qualidade da carne pode ser impactada: sem os aditivos, o ganho de peso dos animais pode ser menor, e a textura da carne, menos macia — fatores que influem diretamente no valor percebido pelo consumidor.

    Para o Brasil, o cenário é de alerta máximo. A pecuária, que já enfrenta desafios como desmatamento e mudanças climáticas, agora precisa lidar com uma nova barreira não tarifária que pode redefinir as regras do jogo. “Se a gente não se preparar agora, a Europa vai fechar as portas para a nossa carne premium. E aí, quem perde não é só o pecuarista, é todo o agro brasileiro”, conclui Andrade.

  • Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

    Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

    A tilapicultura brasileira não apenas alcançou um marco histórico em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas de pescado cultivado, como também se consolidou como uma das cadeias produtivas mais dinâmicas do agronegócio nacional. O setor, que já representou 70% dessa produção, enfrenta agora um novo desafio: transitar de uma atividade predominantemente rural para um modelo industrial competitivo, capaz de resistir à pressão de importados asiáticos e às oscilações de mercado.

    A revolução silenciosa na produção de tilápia

    Durante o Seminário Regional de Tilapicultura, realizado no dia 7 de maio em São Miguel do Oeste (SC), o técnico Cristiano Bordignon, da ATeG Piscicultura do Sindicato Rural de São Lourenço do Oeste, apresentou um panorama revelador. “A tilápia deixou de ser uma atividade complementar para se tornar uma estratégia econômica para milhares de pequenas propriedades rurais”, afirmou. O dado mais emblemático é a participação da espécie na produção nacional: das 1 milhão de toneladas de pescado cultivado em 2025, 70% vieram da tilápia — um salto que reflete não apenas o aumento da produtividade, mas também a profissionalização do setor.

    Santa Catarina, apesar de ser o 20º estado em extensão territorial, ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção aquícola. O estado se destaca pela adoção de tecnologias avançadas, intensificação produtiva e forte integração com a agroindústria, fatores que impulsionaram seu crescimento mesmo em um cenário de alta concorrência.

    Preços em montanha-russa: de R$ 7 a R$ 10 por quilo em um ano

    A volatilidade dos preços da tilápia em 2026 foi outro ponto crítico discutido no evento. Segundo dados do Cepea, após um ciclo de forte retração em 2025, quando os valores chegaram a R$ 7 por quilo em polos como Norte do Paraná e Grandes Lagos (divisa de SP, MS e MG), a cotação iniciou 2026 com uma recuperação expressiva, superando novamente os R$ 10 por quilo. “Esse comportamento sazonal é previsível, mas a intensidade das oscilações preocupa os produtores”, explicou Bordignon.

    A pressão dos importados asiáticos, principalmente da China, agrava o cenário. Produtos estrangeiros, muitas vezes vendidos a preços abaixo do custo de produção local, inundam o mercado brasileiro, forçando os produtores nacionais a buscar alternativas para manter a competitividade. “A guerra de preços não é apenas uma questão de oferta e demanda, mas também de regulação e estratégias comerciais”, destacou o técnico.

    Sustentabilidade e inovação: o futuro do setor

    Para além dos desafios comerciais, o seminário abordou a necessidade de inovar na gestão de resíduos e na agregação de valor aos produtos. “Transformar o que antes era lixo em receita é uma das grandes oportunidades para o setor”, afirmou Bordignon. Projetos que visam o aproveitamento integral do pescado, desde a produção até a industrialização, foram apresentados como caminhos para aumentar a margem de lucro e reduzir o impacto ambiental.

    O evento, promovido pela Epagri com apoio do Sistema FAESC/SENAR, sindicatos rurais, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina e prefeitura municipal de São Miguel do Oeste, reforçou que a tilapicultura brasileira está em um momento de transição: de atividade artesanal para um modelo industrial, de complemento de renda para estratégia econômica. No entanto, a sustentabilidade desse crescimento dependerá da capacidade do setor de enfrentar os desafios regulatórios, a concorrência internacional e a volatilidade de preços — sem perder de vista a inovação e a profissionalização.

  • Menor safra de laranja em 2026/27 pode reduzir pressão sobre estoques globais de suco

    Menor safra de laranja em 2026/27 pode reduzir pressão sobre estoques globais de suco

    A primeira estimativa da safra 2026/27 de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, divulgada pelo Fundecitrus neste mês, projeta uma produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 kg — volume 13% inferior ao da temporada anterior. Essa redução na oferta brasileira emerge como um fator-chave para aliviar parte da pressão sobre os estoques globais de suco de laranja, que vinham sendo pressionados desde o choque de escassez de 2024.

    Do choque de 2024 à nova realidade do mercado em 2026/27

    O cenário atual contrasta fortemente com o período de escassez vivido há dois anos, quando a oferta restrita disparou os preços internacionais do suco de laranja em um ambiente de estoques extremamente baixos. Conforme dados do Cepea, a safra 2025/26 já sinaliza uma recomposição parcial dos estoques globais e uma demanda mais cautelosa, especialmente nos mercados maduros, como Estados Unidos e União Europeia.

    Demanda em xeque: o que define o futuro dos preços?

    Analistas do Cepea destacam que o potencial de recuperação das cotações internacionais do suco de laranja não dependerá apenas do ajuste quantitativo da produção brasileira. O fator determinante será a capacidade de retomada da demanda nos principais centros consumidores, atualmente em um ritmo de recuperação hesitante. A sensibilidade dos preços às oscilações da oferta tende a ser menor do que no passado, dada a maior disponibilidade relativa de produto no mercado.

    Impacto da safra reduzida: um alívio temporário ou um novo equilíbrio?

    Enquanto a safra brasileira menor pode amenizar a pressão sobre os estoques globais, o setor enfrenta um desafio duplo: equilibrar a oferta com uma demanda ainda instável. A queda na produção brasileira, embora relevante, não deve ser interpretada como um fator isolado de recuperação de preços. A conjuntura exige uma análise mais ampla, que considere não só a oferta, mas também as dinâmicas de consumo em um mercado cada vez mais volátil.

  • Incêndio em torre de resfriamento da Coamo é controlado por brigada interna em Campo Mourão

    Incêndio em torre de resfriamento da Coamo é controlado por brigada interna em Campo Mourão

    Um incêndio de curta duração, mas potencialmente perigoso, atingiu as instalações da Coamo — uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil — na manhã desta quinta-feira (14), em Campo Mourão, no centro-oeste paranaense.

    Fogo consumiu torre desativada durante manutenção preventiva

    O sinistros teve início em uma das torres de resfriamento do complexo industrial da cooperativa, que estava temporariamente desativada para reparos. Segundo a diretoria da Coamo, o incidente foi classificado como um princípio de incêndio, mas a rápida intervenção da brigada interna evitou danos maiores.

    A fumaça preta, visível em toda a região, chamou a atenção da vizinhança, mas não houve vítimas. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) foi acionado e chegou ao local quando as chamas já haviam sido controladas. O soldado Belotto, da comunicação do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, destacou o papel crucial da brigada da cooperativa: “O treinamento da equipe foi o diferencial para que o fogo não ganhasse proporções maiores”.

    Material inflamável e manutenção em andamento: as hipóteses do sinistro

    A hipótese preliminar das autoridades aponta para um acidente durante os serviços de manutenção. A suspeita recai sobre uma fagulha de solda ou corte que teria atingido o revestimento de fibra de vidro da torre — um material conhecido por sua alta inflamabilidade, o que explica o volume de fumaça observado.

    A Coamo informou que todas as áreas de processamento estavam isoladas e que os protocolos de segurança foram integralmente cumpridos. A empresa não registrou interrupções significativas nas operações, garantindo que o cronograma agroindustrial segue inalterado.

    Segurança e continuidade operacional: os desdobramentos

    Em comunicado oficial, a cooperativa reafirmou seu compromisso com a segurança dos trabalhadores e a estabilidade da produção. A torre afetada permanece sob avaliação técnica para determinar a extensão dos danos materiais, mas a unidade segue operando normalmente.

    O incidente reforça a importância dos programas internos de prevenção em grandes complexos industriais, especialmente em um setor estratégico como o agro, que responde por cerca de 27% do PIB brasileiro. A Coamo, com mais de 15 mil associados e atuação em 200 municípios, destacou que o treinamento de suas brigadas é constantemente atualizado para lidar com emergências desse tipo.

  • Nova lei do chocolate eleva teor mínimo de cacau para 35% e redefine mercado brasileiro

    Nova lei do chocolate eleva teor mínimo de cacau para 35% e redefine mercado brasileiro

    A revolução regulatória que sacode a indústria do chocolate

    A sanção da nova lei que diferencia chocolate de “sabor chocolate” marca um ponto de inflexão na indústria alimentícia brasileira. Publicada após anos de discussão no Congresso e pressão de produtores nacionais, a legislação eleva o teor mínimo de sólidos de cacau para 35%, eliminando a ambiguidade que permitia que produtos com apenas 25% de cacau fossem comercializados como chocolate. A medida, que entrará em vigor em 12 meses, alinha o Brasil às normas internacionais mais rigorosas — como as da União Europeia e dos Estados Unidos — e representa uma resposta estratégica à crise global do cacau, cujos preços atingiram patamares históricos nos últimos dois anos.

    Do esvaziamento do cacau à valorização da produção nacional

    A nova regra não é apenas uma questão de nomenclatura, mas uma estratégia para reverter décadas de ‘ultraprocessualização’ do chocolate brasileiro. Durante anos, fabricantes reduziram a quantidade de cacau em suas receitas, substituindo-a por gorduras vegetais, açúcares e aditivos para manter margens de lucro diante da volatilidade dos preços da commodity. Segundo dados da Associação Bean to Bar Brasil, a participação média de cacau nos chocolates brasileiros caiu de 50% na década de 1990 para menos de 30% em 2023. A nova lei que diferencia chocolate de “sabor chocolate” impõe um piso mínimo de 35%, obrigando a indústria a repensar suas fórmulas e a investir em cacau de qualidade, beneficiando diretamente os produtores brasileiros — especialmente aqueles que adotam práticas sustentáveis, como o sistema Cabruca na Bahia ou a agricultura familiar no Pará.

    A crise do cacau e o nascimento de uma legislação tardia, mas necessária

    A sanção da lei ocorre em um cenário de ‘tempestade perfeita’ para o setor. Desde 2022, o preço do cacau na Bolsa de Nova York e Londres disparou, superando US$ 10.000 por tonelada em fevereiro de 2024 — um recorde histórico impulsionado por quebras de safra na Costa do Marfim e Gana, principais produtores mundiais, devido a fenômenos climáticos extremos (como secas prolongadas) e doenças como a ‘vassoura-de-bruxa’ e o ‘vírus do broto inchado’. Essa crise levou muitos fabricantes a optar por alternativas mais baratas, como o ‘sabor chocolate’, que não exige cacau na composição. A nova lei que diferencia chocolate de “sabor chocolate” surge como uma ferramenta para combater essa prática, garantindo que o consumidor saiba exatamente o que está comprando — e, ao mesmo tempo, incentivando a produção local de cacau de qualidade.

    O impacto no bolso do consumidor e nas indústrias

    Para o consumidor, a mudança trará mais clareza nas prateleiras. Produtos que antes eram vendidos como ‘chocolate’ mas continham menos de 35% de cacau agora deverão ser rotulados como ‘sabor chocolate’ ou ‘chocolate comestível’, com advertências claras sobre sua composição. A indústria, por sua vez, enfrentará um desafio de adaptação. Empresas que não tinham cadeias de fornecimento estruturadas para o cacau nacional terão que buscar parcerias com cooperativas ou investir em novas tecnologias de processamento. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (ABICAB), cerca de 40% das indústrias do setor terão que rever suas fórmulas ou negociar novos contratos com fornecedores até o prazo de adequação, em março de 2025. ‘A lei é um marco, mas exigirá um esforço conjunto de todos os elos da cadeia’, avalia o diretor-executivo da ABICAB, José Carlos de Souza.

    O Brasil na geopolítica do cacau: oportunidades e desafios

    A nova legislação também posiciona o Brasil como um player estratégico no mercado global de cacau. Com a África Ocidental em crise, o país tem a chance de se tornar um fornecedor alternativo de amêndoas de alta qualidade. A Bahia, maior produtor nacional, já responde por 80% da produção brasileira e tem potencial para expandir sua área cultivada em até 30% nos próximos cinco anos, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). ‘O momento é único para o Brasil. Não só pela demanda externa, mas pela necessidade interna de reduzir nossa dependência de importações’, afirma a pesquisadora da Embrapa Cacau, Maria Fernanda Lins.

    Críticas e resistências: o debate sobre o futuro do chocolate brasileiro

    Apesar do consenso sobre a necessidade de transparência, a lei não é isenta de críticas. Pequenos produtores de ‘sabor chocolate’ — muitos deles artesanais ou regionais — temem que a nova regra os exclua do mercado ou os obrigue a aumentar preços, prejudicando sua competitividade. ‘Não somos contra a qualidade, mas a legislação não levou em conta os custos de produção de quem não tem escala’, argumenta o dono de uma fábrica de chocolates finos em Minas Gerais, que preferiu não se identificar. Outro ponto de tensão é a definição do que pode ser considerado ‘chocolate’. A lei estabelece que apenas produtos com 35% de sólidos de cacau (incluindo manteiga e massa) podem usar a denominação, mas deixa margem para interpretações, como a inclusão de outros ingredientes como leite em pó ou açúcares.

    O que vem pela frente: fiscalização e inovação

    Com a lei sancionada, o próximo passo é a fiscalização. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) serão responsáveis por monitorar o cumprimento das novas regras, com punições que incluem multas e apreensão de produtos irregulares. Além disso, o setor privado já começa a se preparar. Empresas como Nestlé e Mondelez anunciaram investimentos em programas de rastreabilidade da cadeia de cacau, enquanto startups brasileiras desenvolvem tecnologias para otimizar o processamento de amêndoas. ‘O futuro do chocolate brasileiro passa pela inovação e pela valorização do produtor local’, destaca o diretor de sustentabilidade da Mondelez Brasil, André Lima. ‘Só assim poderemos garantir um produto de qualidade, acessível e sustentável.’

  • Cafés especiais brasileiros faturam US$ 188 milhões em missão comercial nos EUA

    Cafés especiais brasileiros faturam US$ 188 milhões em missão comercial nos EUA

    A expansão dos cafés especiais brasileiros no maior mercado consumidor do mundo

    Uma delegação de 35 empresas brasileiras do setor de cafés especiais alcançou resultados históricos durante missão comercial e participação na feira World of Coffee, realizada entre 8 e 13 de abril em San Diego, Califórnia. O evento consolidou o Brasil como protagonista no mercado global de cafés premium, gerando US$ 66,09 milhões em negócios imediatos e projetando mais US$ 122,12 milhões em transações nos próximos 12 meses. Os números, oficialmente divulgados pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), representam não apenas um recorde de faturamento, mas um marco na estratégia de internacionalização do café brasileiro de alta qualidade.

    O projeto “Brazil. The Coffee Nation”, desenvolvido pela BSCA em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), teve como objetivo central ampliar a presença brasileira no competitivo mercado norte-americano, principal importador de café do mundo. Segundo dados da Organização Internacional do Café (ICO), os Estados Unidos consomem aproximadamente 25% da produção global de café, sendo o maior mercado individual para o produto brasileiro. “Os americanos não são apenas nossos principais compradores, mas também formadores de opinião que influenciam tendências em outros mercados”, afirmou Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA, em entrevista exclusiva.

    A feira que define tendências e a estratégia de conquista

    A participação brasileira na World of Coffee San Diego – considerada a principal feira B2B de cafés especiais nos Estados Unidos – foi marcada por um estande de destaque que reuniu produtores de diversas regiões do Brasil. Além de apresentar variedades exclusivas, o espaço promoveu sessões de degustação de cafés certificados pela BSCA, incluindo produtos do projeto “Produzidos por Elas”, iniciativa que valoriza o protagonismo feminino no setor cafeeiro por meio de parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA). “Essa presença não apenas fortalece nossa marca, mas também demonstra a diversidade e a inovação do café brasileiro”, destacou Estrela.

    Os 1.209 contatos comerciais realizados durante o evento, dos quais 884 novos, evidenciam o crescente interesse internacional pelos blends brasileiros. A missão comercial antecedeu a feira e possibilitou encontros prévios com importadores estratégicos, ampliando o potencial de negócios. “Expandimos nossa rede de contatos em mercados-chave como a Costa Oeste americana, onde a demanda por cafés de origem única e sustentável tem crescido exponencialmente”, explicou o diretor da BSCA.

    O Brasil como referência global em cafés premium

    O sucesso da missão comercial nos EUA reflete uma tendência mais ampla: o Brasil tem consolidado sua posição como líder na produção de cafés especiais, respondendo por aproximadamente 40% do mercado global desse segmento. Segundo relatório da BSCA, as exportações brasileiras de cafés especiais cresceram 15% em 2023, com destaque para mercados como Alemanha, Japão e, agora, os Estados Unidos. “O café brasileiro não é apenas uma commodity; é um produto de valor agregado que agrega cultura, sustentabilidade e inovação”, afirmou Estrela.

    O projeto “Brazil. The Coffee Nation” segue uma estratégia de longo prazo que inclui qualificação de produtores, certificação de origem e promoção de marcas brasileiras no exterior. “Nosso objetivo é transformar o café brasileiro em um símbolo de excelência, assim como o vinho francês ou o queijo italiano”, declarou. A missão em San Diego representou mais um passo concreto nessa direção, com a assinatura de acordos comerciais com distribuidores da Costa Leste e do Meio-Oeste americano, regiões tradicionalmente exigentes quanto à qualidade e rastreabilidade dos grãos.

    Desafios e perspectivas para o setor

    Apesar dos resultados positivos, o setor enfrenta desafios como a volatilidade dos preços internacionais, a concorrência de outros produtores como Colômbia e Etiópia, e a necessidade de investimentos em tecnologia para garantir a sustentabilidade da produção. “O café especial brasileiro precisa de políticas públicas que incentivem a inovação e a diferenciação de produtos”, afirmou Estrela. A BSCA tem trabalhado em parceria com o governo federal para ampliar o acesso a linhas de crédito e programas de apoio à exportação.

    Para 2024, a agenda do “Brazil. The Coffee Nation” inclui missões comerciais na Europa e na Ásia, além de participação em feiras especializadas como a SCA Expo em Chicago. “O mercado global está cada vez mais receptivo aos cafés brasileiros, mas precisamos manter o ritmo de inovação e qualidade para sustentar esse crescimento”, concluiu o diretor da BSCA.