Tag: Cepea

  • Custo da produção avícola dispara: poder de compra do frango cai 16% em um ano

    Custo da produção avícola dispara: poder de compra do frango cai 16% em um ano

    O produtor de frango em São Paulo amarga redução significativa no poder de compra em julho de 2026, com perdas de 16% frente ao farelo de soja e 12% em relação ao milho na comparação anual. A queda reflete a alta nos custos dos principais insumos da avicultura, impulsionada pela menor oferta nos mercados de Campinas (SP), onde as cotações do milho e do farelo de soja subiram entre junho e julho.

    Demanda enfraquecida e impactos sazonais

    Pesquisadores do Cepea destacam que a procura pela carne de frango recuou na ponta final do mercado neste mês, afetada pelo período de férias escolares. Como consequência, a demanda pelo animal vivo também diminuiu, agravando a pressão sobre os preços. A combinação de custos elevados e vendas enfraquecidas prejudica a margem dos avicultores, que já lidam com um cenário de rebanhos reduzidos nos EUA — estratégia adotada para compensar a queda na produção, resultando em carcaças que podem atingir até 420 kg.

    Perspectivas para o setor

    Enquanto os preços dos insumos seguem sustentados pela baixa oferta, a avicultura enfrenta um equilíbrio frágil entre produção, custos e demanda. A sazonalidade de julho, marcada por menor consumo, pode agravar ainda mais a situação, exigindo ajustes na cadeia produtiva para evitar prejuízos maiores aos produtores.

  • Algodão: queda nos preços domésticos e lentidão nas vendas pressionam mercado

    Algodão: queda nos preços domésticos e lentidão nas vendas pressionam mercado

    O mercado de algodão no Brasil enfrenta um cenário de ajustes nesta semana, com preços domésticos perdendo força diante da aproximação entre os valores internos e a paridade de exportação. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a desaceleração nos preços internos reflete tanto a dificuldade dos compradores em aprovar a qualidade de parte dos lotes ofertados quanto a lentidão nas vendas de produtos manufaturados pelas indústrias.

    Qualidade e liquidez no mercado spot

    As negociações no mercado spot seguem restritas, com comerciantes enfrentando resistência dos cotonicultores em liquidar estoques remanescentes da safra 2024/25. Enquanto uma parcela dos produtores mantém preços firmes, outra busca reduzir estoques, gerando pressões pontuais sobre as cotações. A lentidão nas vendas de fios e tecidos também contribui para a postura cautelosa dos compradores, que adiam novas aquisições na expectativa de melhores condições.

    Oferta e expectativas para a próxima safra

    Do lado da oferta, os produtores monitoram o desenvolvimento da safra 2025/26, com atenção ao cumprimento de contratos a termo já firmados. A colheita, prevista para os próximos meses, deve trazer mais clareza sobre a disponibilidade de pluma no mercado, mas, até lá, a incerteza mantém os preços em um patamar instável. A diferença entre os valores internos e de exportação, que vinha se ampliando, encolheu nos últimos dias, reduzindo margens para traders e indústrias.

    Consequências para o setor

    Para as indústrias têxteis, o cenário atual reforça a necessidade de gestão de estoques, já que a demanda por manufaturados segue desaquecida. A redução nos preços domésticos, embora possa beneficiar tecelagens e malharias, também sinaliza uma possível queda na rentabilidade dos cotonicultores, que enfrentam custos de produção elevados. Enquanto isso, a busca por liquidez no curto prazo pode levar a negociações com descontos, especialmente em lotes com problemas de qualidade reportados.

  • Milho mantém preços firmes com safra abaixo da média e pressões climáticas

    Milho mantém preços firmes com safra abaixo da média e pressões climáticas

    As cotações do milho mantêm-se firmes em diversas regiões monitoradas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em um mercado caracterizado pela baixa liquidez. A dinâmica reflete o equilíbrio entre uma oferta limitada e uma demanda retraída, com compradores aguardando o avanço da colheita da segunda safra para pressionar os preços.

    Pressões climáticas e oferta restrita

    Embora a colheita da segunda safra de milho esteja alinhada com os volumes do ano anterior, o ritmo segue inferior à média das últimas cinco safras. Condições climáticas adversas, como irregularidades na distribuição de chuvas, reduziram temporariamente a disponibilidade do grão, adiando a normalização do abastecimento. Além disso, parte dos produtores optou por priorizar a comercialização da soja, cujos preços também registram alta, o que contribui para a manutenção dos patamares atuais do milho.

    Cenário internacional e expectativas

    O suporte aos preços domésticos também vem de elevações nas cotações internacionais, especialmente em mercados como o dos Estados Unidos, onde a seca afeta as lavouras. No entanto, a cautela dos agentes locais — tanto vendedores, focados em atividades operacionais, quanto compradores, em espera por maior liquidez — mantém o mercado em um impasse. Analistas do Cepea destacam que, mesmo com a proximidade da colheita, a preferência por negócios com a soja pode adiar o aumento da oferta de milho, prolongando a estabilidade dos preços.

  • Colheita de café segue abaixo da média em julho de 2026: atrasos e El Niño ameaçam safra

    Colheita de café segue abaixo da média em julho de 2026: atrasos e El Niño ameaçam safra

    A colheita de café no Brasil, embora tenha ganhado impulso nas últimas semanas com a melhora do clima seco, ainda patina abaixo das médias históricas para esta época do ano. Segundo dados do Cepea, as atividades seguem atrasadas em comparação a 2025, quando muitas regiões já haviam superado a marca de 50% da safra colhida em julho.

    Chuvas em junho frearam o ritmo, e El Niño pode piorar

    Os atrasos acumulados em junho, quando chuvas atípicas atingiram áreas produtoras como Minas Gerais e Espírito Santo, ainda refletem nos números atuais. Pesquisadores do Cepea alertam que o fenômeno El Niño, que tende a elevar as temperaturas nas regiões cafeeiras, pode agravar a situação, comprometendo tanto a quantidade quanto a qualidade dos grãos nos próximos meses.

    Qualidade dos cafés colhidos é a nova preocupação

    Além da lentidão na colheita, o setor enfrenta incertezas quanto à qualidade dos cafés já colhidos. A combinação de umidade residual e calor antecipado pode favorecer a proliferação de doenças fúngicas, reduzindo o valor comercial dos grãos. Produtores consultados pelo Cepea relatam que várias praças sequer alcançaram metade da colheita, um cenário que contrasta com o ritmo acelerado do ano passado.

  • Exportações recorde de arroz em 2026 impulsionam preços no Rio Grande do Sul

    Exportações recorde de arroz em 2026 impulsionam preços no Rio Grande do Sul

    Na última quarta-feira, 8 de julho de 2026, o Brasil consolidou o recorde histórico nas exportações de arroz, com o maior volume embarcado desde que os dados passaram a ser registrados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O desempenho, impulsionado pela demanda internacional crescente, reverteu a trajetória de queda nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no país.

    Demanda externa derruba estoques e eleva cotações

    Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a ampliação das vendas externas — registrada em 2026 — contribuiu para uma reação nos preços do produto no mercado doméstico. A restrição na oferta, somada às expectativas de novas valorizações, criou um cenário de escassez relativa, mesmo com a safra em andamento.

    Preços internacionais também sobem com o movimento brasileiro

    No mercado global, as cotações do arroz apresentaram recuperação nas últimas semanas, alinhadas ao aumento das exportações brasileiras. Dados da indústria local, no entanto, ainda refletem um período anterior ao atual fortalecimento, conforme aponta o Cepea. A combinação entre exportações recorde e perspectivas de safra menor do que a esperada mantém o setor em alerta para possíveis novas altas.

  • Chuvas e alta nos preços externos impulsionam recuperação do açúcar em SP

    Chuvas e alta nos preços externos impulsionam recuperação do açúcar em SP

    Ainda no começo de julho de 2026, o mercado de açúcar cristal branco em São Paulo mostra sinais de recuperação pontual no segmento spot. Segundo dados do Cepea, o movimento ascendente é atribuído, em grande parte, às chuvas recentes, que interromperam as atividades nas lavouras e reduziram a oferta imediata do produto.

    Reação externa e incertezas no mercado

    Além do fator climático, a retomada nos preços externos da commodity também contribuiu para a reação dos valores internos. No entanto, a média de preços da última semana ainda registrou queda em comparação ao período anterior, segundo o Centro de Pesquisas. Isso indica que a tendência de curto prazo segue incerta, com analistas monitorando tanto as condições climáticas quanto as oscilações nos mercados globais.

    Perspectivas para o setor

    Apesar da alta pontual, a volatilidade persiste no mercado do açúcar, refletindo os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros. O Cepea destaca que a normalização das operações agrícolas e a evolução dos preços internacionais serão determinantes para a definição dos valores nos próximos meses. Enquanto isso, o setor permanece atento às condições climáticas e às políticas comerciais que possam impactar a produção e a comercialização da commodity.

  • Etanol derrete: preços caem 13,1% no 1º trimestre da safra 2026/27 com alta oferta e chuvas atrapalhando usinas

    Etanol derrete: preços caem 13,1% no 1º trimestre da safra 2026/27 com alta oferta e chuvas atrapalhando usinas

    A safra 2026/27 começou com um baque nos preços do etanol no mercado paulista. Segundo dados do Cepea, as cotações do hidratado e do anidro recuaram de forma significativa no primeiro trimestre (abril a junho/26), refletindo um cenário de alta oferta de matéria-prima e pressões sazonais.

    Hidratado despenca 13,1% em termos reais

    A média do etanol hidratado nos três primeiros meses da safra atingiu R$ 2,3510 por litro, uma queda de 13,1% em termos reais (ajustada pelo IGP-M de junho/26) em comparação ao mesmo período da safra anterior. O recuo é puxado pela safra mais volumosa de cana-de-açúcar e milho, que aumentou a disponibilidade do biocombustível no mercado.

    Anidro também recua, mas com menor intensidade

    No caso do etanol anidro, a retração foi de 12,4% em termos reais, com média de R$ 2,6868 por litro no mercado spot. A diferença em relação ao hidratado reflete a demanda específica do anidro, usado como aditivo na gasolina, que manteve certa estabilidade mesmo com a pressão da oferta.

    Chuvas em junho atrapalharam produção e criaram picos de alta

    Em junho, o setor enfrentou um paradoxo: enquanto a safra avançava e aumentava a oferta, as chuvas reduziram a atividade industrial em algumas usinas. Segundo o Cepea, os preços chegaram a subir em momentos pontuais devido a essas paralisações, mas a tendência de queda prevaleceu no acumulado do trimestre. Algumas unidades produtoras, por sua vez, registraram dificuldades de liquidez, agravando a volatilidade do mercado.

    Perspectivas: queda pode se estender?

    Analistas do setor indicam que a tendência de preços baixos deve continuar enquanto a safra 2026/27 não mostrar sinais de redução na oferta. A combinação de safra farta, estoques elevados e demanda incerta — especialmente com o comportamento do mercado de combustíveis — mantém o setor em alerta. No entanto, eventos climáticos ou mudanças na política de preços da gasolina poderiam reverter esse quadro rapidamente.

  • Dólar valorizado impulsiona soja brasileira e antecipa negócios para novembro

    Dólar valorizado impulsiona soja brasileira e antecipa negócios para novembro

    Valorização do dólar dá fôlego à soja brasileira

    Desde junho, a demanda por soja no Brasil tem permanecido em patamar elevado, mas foi nos primeiros dias de julho que o setor sentiu o impacto mais forte da valorização do dólar frente ao real. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a moeda americana mais forte eleva os prêmios de exportação e torna o grão brasileiro mais atraente para importadores, mesmo com a limitação de cotas portuárias para embarques imediatos.

    Negócios antecipados: tendência global favorece o Brasil

    Os contratos para embarque de soja em novembro já estão sendo fechados, um movimento que, na temporada passada, só começou em agosto — e ainda assim de forma menos intensa. O Brasil, além de se beneficiar do câmbio favorável, segue a tendência global de valorização de produtos naturais na alimentação animal, como leveduras, o que reforça a posição do país como principal fornecedor do grão no mundo.

    Preços domésticos sob pressão, mas com perspectivas positivas

    Apesar das restrições logísticas, os preços da soja em grão no mercado doméstico vêm subindo, impulsionados pela demanda externa e pela expectativa de safras menores em outras regiões produtoras. Analistas do Cepea indicam que, até o final do ano, a combinação de dólar forte e estoques ajustados pode manter os valores em alta, beneficiando diretamente os produtores brasileiros.

  • Arroz: preços seguem abaixo da rentabilidade, mesmo com demanda aquecida

    Arroz: preços seguem abaixo da rentabilidade, mesmo com demanda aquecida

    Preços em queda e custos em alta: o paradoxo do arroz brasileiro

    Na última semana de junho de 2026, o mercado de arroz no Brasil enfrentou um impasse: enquanto a produção no Rio Grande do Sul — principal estado produtor — segue limitada pelo tempo seco, os preços praticados no mercado interno e externo não conseguem repor a rentabilidade dos produtores. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as cotações do cereal não acompanham a inflação dos insumos agrícolas, mantendo os orizicultores em um ciclo de prejuízos.

    Demanda por crédito não é solução isolada, dizem produtores

    Representantes do setor, reunidos na última quarta-feira (1º de julho de 2026), defenderam que o novo Plano Safra — anunciado pelo governo federal — deve incluir medidas de renegociação de dívidas para os produtores, não apenas ampliar a oferta de crédito. A justificativa é que, sozinha, a injeção de recursos não resolve a fragilidade financeira do segmento, agravada pela queda nos preços e pela alta dos custos de produção.

    Risco de endividamento e queda na produção

    O cenário preocupa porque, mesmo com a demanda industrial e externa aquecida, os preços do arroz em casca permanecem abaixo do patamar necessário para cobrir os custos operacionais. Além disso, a saúde financeira dos produtores é ameaçada pelo endividamento crescente, que pode levar a uma redução ainda maior na área plantada nos próximos ciclos. Segundo o Cepea, a pressão sobre os orizicultores só deve aumentar se não houver intervenção governamental.

  • Futures de soja sobem com demanda recorde nos EUA e turbulência no comércio global

    Futures de soja sobem com demanda recorde nos EUA e turbulência no comércio global

    A cotação dos derivados de soja no mercado norte-americano atingiu patamares inéditos na CME Group (Bolsa de Chicago) na última semana de junho de 2026, com o farelo e o óleo registrando valorizações superiores a 12% em relação ao início do mês. Segundo analistas do Cepea, o movimento reflete um cenário de demanda global em expansão, tanto por parte de consumidores domésticos quanto de importadores asiáticos e europeus, que buscam alternativas ao óleo de palma e ao azeite devido a restrições logísticas.

    Conflitos no Oriente e crise argentina impulsionam exportações norte-americanas

    A escalada nos preços dos derivados de soja nos EUA foi acentuada por dois fatores externos: a persistência de tensões no Estreito de Ormuz, que reduziu os fluxos de óleo cru da região, e a ameaça de paralisação portuária na Argentina, segundo maior exportador de soja do Mercosul. Esses eventos deslocaram parte da demanda para os EUA, cujos estoques de farelo e óleo de soja passaram a ser vistos como opções estratégicas para garantir segurança alimentar.

    Brasil capitaliza momento com prêmios de exportação em alta

    Enquanto os norte-americanos ampliam sua participação no mercado internacional, o Brasil também colhe resultados. A disputa por soja para exportação no mercado doméstico elevou os prêmios de exportação para níveis não observados desde 2023, segundo dados do Cepea. A valorização reflete não apenas a demanda externa, mas também o período de entressafra no Hemisfério Norte, que tradicionalmente aumenta a dependência das importações. Além disso, o clima adverso no inverno brasileiro — marcado por geadas e chuvas irregulares — reforçou a necessidade de estoques estratégicos, pressionando os preços internos.

    Perspectivas: até quando o otimismo persiste?

    Ainda que a conjuntura atual favoreça os produtores de soja, analistas alertam para riscos de curto prazo. A chegada do inverno no Hemisfério Sul pode impactar a produtividade das lavouras brasileiras, enquanto a estabilização política na Argentina — ainda incerta — poderia reverter parte da demanda perdida pelo país vizinho. Nos EUA, a política monetária da Fed, que influencia o câmbio do dólar, também será um fator determinante para a manutenção dos preços elevados. Por ora, o mercado opera com a expectativa de que os contratos futuros da soja em grão sigam sustentados até pelo menos o primeiro trimestre de 2027, quando novos ciclos de safra começam a se desenhar.