Tag: Cepea

  • Colheita recorde derruba preço do café arábica a patamar não visto desde outubro de 2004

    Colheita recorde derruba preço do café arábica a patamar não visto desde outubro de 2004

    O Brasil, líder global na produção de café arábica, enfrenta uma queda histórica nos preços do grão. Em maio de 2026, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 (bebida dura para melhor) atingiu média de R$ 1.653,92 por saca de 60 kg, recuo de 8,7% frente ao mês anterior (R$ 1.811,87/sc). Trata-se do menor valor real desde outubro de 2004, quando o preço corrigido pelo IGP-DI era de R$ 1.490,14/sc — um sinal claro da pressão deflacionária no setor.

    A colheita recorde joga água na fogueira do mercado

    O principal vetor dessa desvalorização é o avanço acelerado da safra 2026/27, que pesquisadores do Cepea projetam como recorde. Com o ritmo de colheita em alta, a oferta de grãos no mercado interno aumentou vertiginosamente, criando um cenário de superoferta. Isso não apenas derrubou os preços no atacado, mas também acendeu um alerta para a cadeia produtiva: a queda na rentabilidade pode agravar problemas já existentes, como a crise de saúde mental entre trabalhadores rurais — um tema que ganha cada vez mais espaço nas discussões sobre o futuro do agronegócio brasileiro.

    Impacto global e reflexos na economia rural

    O recuo dos preços do arábica não se limita ao mercado interno. Com o Brasil respondendo por cerca de 40% da produção mundial, a queda dos valores brasileiros tende a se refletir nos contratos futuros internacionais, pressionando ainda mais os produtores de outros grandes players, como Vietnã e Colômbia. Para os cafeicultores, a equação é perversa: enquanto os custos de produção (como mão de obra, insumos e logística) seguem em alta, a receita encolhe. Em um setor já fragilizado por crises climáticas recorrentes e instabilidade política, a combinação de preços baixos e safra recorde pode forçar muitos a reavaliar seus modelos de negócio — ou até mesmo abandonar a atividade.

    O que esperar nos próximos meses?

    Ainda há incertezas sobre como o mercado irá se comportar. Se a colheita prosseguir em ritmo acelerado, a tendência é de manutenção dos preços baixos, pelo menos até o escoamento dos estoques. Por outro lado, qualquer adversidade climática — como geadas ou secas — poderia reduzir a oferta e, consequentemente, estabilizar os valores. No entanto, especialistas do Cepea alertam que, mesmo nessas condições, a recuperação dos preços deve ser lenta e gradual, dada a magnitude do excedente atual. Para os produtores, a palavra de ordem agora é gestão de risco e diversificação — seja investindo em tecnologias que aumentem a produtividade, seja buscando alternativas como o café specialty ou a integração com outras culturas.

  • Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    A colheita da segunda safra de milho 2025/26, iniciada em maio, já começa a reverberar no mercado brasileiro. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a operação está concentrada em Mato Grosso e Paraná, principais estados produtores, mas os preços já recuam frente à expectativa de aumento da oferta.

    Pressão sobre os preços: queda de até 11% em comparação com 2025

    Nas regiões de Sorriso (MT) e Norte do Paraná, as médias parciais do grão em maio (até 28/05) registraram quedas de 11% e 8%, respectivamente, em termos nominais, em relação ao mesmo período de 2025. A retração reflete a ausência de demanda no mercado spot, onde compradores aguardam sinais mais claros de preços antes de fechar negócios.

    Expectativas para junho: mais oferta e influência externa

    Pesquisadores do Cepea indicam que, com o avanço da colheita a partir de meados de junho, a pressão sobre os preços deve se intensificar. Além disso, o bom desempenho da safra de milho nos Estados Unidos — principal produtor global — tem impactado os futuros da commodity, reforçando o cenário de baixa no curto prazo.

    O recuo nos preços, no entanto, pode trazer alívio para setores dependentes do grão, como a pecuária de corte, que utiliza o milho como insumo na engorda de animais. Contudo, produtores brasileiros já sinalizam cautela, especialmente em regiões onde a safra local enfrenta atrasos ou problemas climáticos.

  • Ovos mais baratos em 4 anos: oferta equilibrada derruba preços mesmo com queda nas vendas

    Ovos mais baratos em 4 anos: oferta equilibrada derruba preços mesmo com queda nas vendas

    Preços recuam mesmo com estoques controlados

    Apesar da leve alta registrada na primeira quinzena de maio de 2026, os preços dos ovos não conseguiram sustentar uma recuperação significativa. Segundo dados do Cepea, a média mensal até o dia 27 apresentou queda em relação a abril nas principais regiões monitoradas, atingindo o menor patamar real para o período desde 2022.

    Demanda fraca e estratégias de comercialização

    A desaceleração nas vendas, observada a partir da segunda quinzena do mês, não foi suficiente para pressionar os preços devido à oferta equilibrada nas granjas. No entanto, descontos pontuais começaram a surgir em algumas regiões, com produtores reduzindo margens para garantir a liquidez dos estoques diante do encerramento de mês, tradicionalmente marcado por menor procura.

    Perspectivas para junho: quando a demanda deve reagir?

    Pesquisadores do Cepea indicam que a liquidez do produto só deve aumentar significativamente com a virada do mês, período em que a demanda costuma se recuperar. Até lá, a estratégia de preços baixos deve persistir, beneficiando consumidores, mas desafiando produtores em um cenário de margens já apertadas.

  • Chuvas atrasam colheita de café e pressionam preços no mercado nacional

    Na última quarta-feira, 27 de maio de 2026, a colheita de café no Brasil segue em ritmo significativamente abaixo do esperado para o período, com as recentes precipitações atrapalhando o avanço das atividades nas lavouras. Segundo analistas do Cepea, a expectativa era de intensificação dos trabalhos a partir da segunda quinzena de maio, mas as chuvas — que costumam derrubar grãos e comprometer a qualidade — mantêm os produtores em alerta.

    Arábica derrete 8% em maio e robusta registra leve alta

    O cenário climático adverso tem reflexo direto nos preços. Até o dia 25 de maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica recuou 8% no mês, com média de R$ 1.666,98 por saca de 60 kg. A pressão vem do avanço da nova safra, que, mesmo com volume inferior ao projetado, já afeta as cotações. Para o robusta, a média do Indicador CEPEA/ESALQ (tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo) atingiu R$ 929,24 por saca, registrando alta de 1,33% no período — um movimento contrário ao observado no arábica.

    Oferta excessiva em abril ainda pesa no mercado

    Em abril, os preços do café haviam sofrido queda mais acentuada devido à maior oferta da safra 2025/26, mas agora passam por um processo de correção. A combinação de chuvas persistentes e estoques ainda elevados mantém o mercado volátil, com produtores e indústrias monitorando de perto a evolução das colheitas e os impactos na qualidade dos grãos.

  • Chuvas em SP interrompem oito semanas de queda no etanol hidratado e pressionam preços

    Chuvas em SP interrompem oito semanas de queda no etanol hidratado e pressionam preços

    Interrupção na queda após oito semanas

    Os preços do etanol hidratado em São Paulo subiram na semana passada, após oito semanas consecutivas de redução, impulsionados pelas chuvas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do estado.

    Impacto na moagem e estratégias das usinas

    As precipitações causaram paralisações pontuais na moagem, diminuindo o ritmo de processamento. Enquanto algumas usinas se afastaram temporariamente das negociações, outras mantiveram ofertas firmes, sustentando valores mais elevados, segundo dados do Cepea.

    Demanda retraída e estoques controlados

    Distribuidoras reduziram a retirada de volumes adquiridos anteriormente, limitando novas negociações. O número de transações permaneceu baixo, indicando que os estoques formados nas semanas anteriores foram suficientes para atender à demanda imediata. Compradores atuaram de forma pontual, evitando grandes recomposições diante da expectativa de maior oferta com o avanço da safra 2026/27.

  • Feijão preto bate novos recordes em maio: entenda o que sustenta a alta histórica dos grãos

    Feijão preto bate novos recordes em maio: entenda o que sustenta a alta histórica dos grãos

    Demanda por grãos recém-colhidos mantém pressão altista

    O mercado de feijão preto segue em trajetória de valorização acentuada na reta final de maio, com preços batendo novos recordes históricos segundo dados do Cepea. A sustentação do movimento, conforme analistas do centro de pesquisas, decorre da forte demanda por lotes recém-colhidos, somada a um contexto de menor disponibilidade de grãos de qualidade superior no Sul do País – região impactada por condições climáticas adversas ao longo do ciclo produtivo.

    Menor área cultivada e clima adverso reduzem estoques

    A combinação de uma área plantada significativamente menor nesta temporada — reflexo da migração de produtores para culturas mais rentáveis — com problemas climáticos recorrentes no Paraná e em Santa Catarina, principais polos de produção de feijão preto, agravou a escassez de grãos no mercado. Segundo o Cepea, a restrição na oferta de lotes premium continua exercendo pressão sobre as cotações, que, a cada semana, superam os patamares registrados desde setembro de 2024, quando a série histórica teve início.

    Feijão carioca resiste, mas com negociações cautelosas

    Enquanto o feijão preto domina os holofotes, a comercialização do carioca segue marcada por cautela dos compradores. Embora a qualidade limitada dos grãos disponíveis mantenha os preços em patamares elevados, a demanda mais retraída tem contido a escalada de valores para esta variedade, que, ainda assim, permanece acima dos patamares médios históricos.

  • Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Na segunda quinzena de maio, período tradicional de queda no ritmo de vendas de ovos, o mercado vem surpreendendo ao manter as cotações estáveis na maioria das regiões brasileiras. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a combinação entre estoques controlados nas granjas e uma demanda já enfraquecida tem evitado recuos mais expressivos nos preços.

    Ajuste fino entre oferta e procura sustenta o mercado

    O equilíbrio observado não é mera coincidência. Enquanto as vendas desaceleram naturalmente com o avanço do mês, os estoques nas granjas são mantidos em níveis estratégicos para evitar excessos que possam pressionar as cotações para baixo. Essa dinâmica reflete uma estratégia setorial de gestão, segundo analistas do Cepea.

    Frente fria acende alerta no setor

    Em paralelo, pesquisadores do Cepea destacam que a atual onda de frio que atinge algumas das principais regiões produtoras de ovos no Brasil tem gerado preocupação quanto aos possíveis impactos na produção. A queda de temperatura pode afetar o desempenho das aves, reduzindo a oferta e, consequentemente, pressionando os preços em caso de escassez. No entanto, até o momento, os estoques controlados têm sido capazes de absorver eventuais perdas.

    Perspectivas para os próximos dias

    Para os próximos dias, a expectativa do setor é de que o ritmo das vendas continue desacelerando, alinhado ao comportamento histórico de maio. No entanto, a estabilidade dos preços dependerá não apenas da manutenção dos estoques, mas também da evolução das condições climáticas. Caso a frente fria se prolongue, o impacto sobre a produção poderá se tornar mais evidente nas próximas semanas.

  • Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    O mercado de proteínas animais assiste a uma reviravolta em maio. Enquanto as cotações do frango registram leve alta, as concorrentes suína e bovina ganham vantagem competitiva, invertendo uma dinâmica que vinha favorecendo a avicultura brasileira nos últimos meses.

    Preços em movimento: o frango sobe, mas a competitividade afunda

    Na Grande São Paulo, o preço médio do frango inteiro resfriado atingiu R$ 7,31/kg na parcial de maio, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O valor representa um aumento de 1,6% frente a abril, impulsionado pela demanda interna aquecida e pelo bom desempenho das exportações de produtos avícolas — que já haviam registrado recorde em 2023.

    No entanto, a euforia tem curta duração. Desde a segunda quinzena de maio, a liquidez do frango no atacado vem recuando, forçando ajustes negativos nos preços. Se a tendência se confirmar até o fim do mês, o valor do frango inteiro resfriado pode não apenas estagnar como até retroceder, segundo analistas ouvidos pelo Cepea.

    Suínos e bovinos roubam a cena: onde o frango perde participação

    Enquanto o frango tenta se manter, as outras carnes ganham espaço no bolso do consumidor. Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína é comercializada a R$ 1,38/kg abaixo do preço do frango, enquanto a carcaça casada bovina apresenta um valor médio de R$ 7,31/kg acima. A vantagem relativa das proteínas concorrentes já começa a se refletir nas prateleiras e nos hábitos de compra.

    Segundo o Cepea, a estabilidade nos preços da carne bovina — que mantêm patamar elevado, mas sem grandes variações — e a queda nos suínos criam um cenário inédito: pela primeira vez em meses, a carne de frango não é a opção mais econômica no comparativo entre as três principais proteínas animais do Brasil.

    Exportações salvam o mês? O que esperar para os próximos dias

    O bom desempenho das vendas externas de produtos avícolas tem sido um dos principais pilares para o aumento dos preços internos do frango. Em abril, as exportações brasileiras de carne de frango bateram recorde, com embarques de 473,5 mil toneladas — alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    No entanto, o mercado interno segue como termômetro crucial. Com a liquidez em queda e a concorrência mais acirrada, os produtores e processadores de frango precisam agir rápido para evitar uma queda ainda mais pronunciada nos preços. A pressão sobre as margens de lucro já é sentida por parte do setor, que teme um cenário de superoferta no curto prazo.

    Para especialistas, o equilíbrio dependerá de dois fatores: a manutenção do ritmo de exportações e a reação da demanda interna, que tem sido influenciada pela queda no poder aquisitivo dos brasileiros nos últimos meses.

  • Leite em crise: oferta encolhe, preços batem R$ 2,15 por litro e déficit comercial do setor lácteo dispara em 2026

    Leite em crise: oferta encolhe, preços batem R$ 2,15 por litro e déficit comercial do setor lácteo dispara em 2026

    O Boletim do Leite do Cepea/Esalq-USP, divulgado nesta semana, escancara a crise que assola o setor lácteo brasileiro em 2026. Com uma oferta de leite no campo reduzida e a disputa por matéria-prima cada vez mais acirrada entre indústrias, os preços ao produtor atingiram patamares históricos: a Média Brasil fechou fevereiro a R$ 2,1464 por litro, alta de 5,2% em apenas um mês, e março registrou novo avanço, acumulando mais de 10% de valorização desde o início do ano.

    Menor oferta no campo: sazonalidade e cautela dos produtores alimentam a alta

    Segundo os pesquisadores do Cepea, a redução na captação de leite decorre de dois fatores principais: a sazonalidade natural da produção — típica dos meses de outono, quando as pastagens perdem produtividade — e a retração dos investimentos por parte dos pecuaristas. Medo de endividamento e incertezas econômicas levaram muitos a segurar a expansão de rebanhos e a modernização das propriedades, agravando a escassez de matéria-prima.

    Derivados também sobem: UHT e mussarela lideram a valorização

    Não é apenas o leite in natura que sofre com a pressão. O leite UHT e o queijo muçarela — produtos-chave no cardápio do brasileiro — registraram alta expressiva nas negociações entre indústrias e atacado paulista. A necessidade de recompor estoques, aliada à menor disponibilidade de leite cru, impulsionou os preços, embora ainda permaneçam abaixo dos patamares de 2025 em termos reais, descontada a inflação acumulada no período.

    Custos em alta: margens do produtor encolhem apesar dos preços melhores

    Enquanto os preços do leite ensaiam recuperação, os custos de produção não param de subir. O Custo Operacional Efetivo (COE) das propriedades acumula alta superior a 2% no primeiro trimestre de 2026, puxado principalmente pelo aumento das despesas com adubos, corretivos agrícolas e operações de campo. Mesmo com relativa estabilidade no preço da ração em alguns estados, o saldo final para os pecuaristas segue apertado, reduzindo parte dos ganhos obtidos com a valorização do leite.

    Déficit comercial explode: importações do Mercosul batem recorde e sufocam o setor

    Um dos pontos mais críticos do boletim é o crescimento vertiginoso das importações de lácteos. Dados analisados pelo Cepea revelam que as compras externas — especialmente de produtos vindos do Uruguai e Argentina — avançaram em ritmo superior às exportações brasileiras, ampliando o déficit da balança comercial do setor em 2026. Pesquisadores alertam que, sem medidas para conter a entrada de produtos estrangeiros ou estimular a produção local, o desequilíbrio comercial tende a piorar, pressionando ainda mais os preços internos.

    O que esperar para os próximos meses?

    Com a safra de outono já em andamento e a expectativa de retomada gradual do crescimento da produção a partir do inverno, o Cepea projeta que os preços ao produtor podem estabilizar-se ou até recuar levemente nos próximos meses. No entanto, a dependência das importações e os custos estruturais da pecuária leiteira — como energia, mão de obra e insumos — devem continuar pressionando o setor. Para os consumidores, a perspectiva é de manutenção dos preços elevados nos derivados, enquanto os produtores enfrentam uma luta diária para manter suas margens.

  • Bois gordos sob pressão: clima seco eleva oferta e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

    Bois gordos sob pressão: clima seco eleva oferta e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

    O mercado de boi gordo enfrenta um dos momentos mais tensos dos últimos meses. A combinação de clima seco, pastagens degradadas e uma queda brusca na demanda tem gerado um cenário de estagnação nas negociações, com reflexos imediatos nos preços e na relação entre pecuaristas e frigoríficos.

    A seca que aperta os cochos e os bolsos

    Desde o final de abril, a redução nas chuvas e as temperaturas mais baixas aceleraram a degradação das pastagens em várias regiões produtoras. Com menos forragem disponível, os animais ganham peso mais lentamente, mas a oferta de boi gordo aumenta justamente pela necessidade de desocupar as pastagens antes que a seca piore. O resultado é uma pressão adicional sobre os preços, que já acumulam queda de 2,72% no indicador CEPEA/ESALQ na parcial de maio, atingindo cerca de R$ 340 por arroba.

    Negociações travadas: escalas alongadas e baixa liquidez

    Pecuaristas consultados pelo Cepea relatam que muitos estão fora do mercado após cumprirem escalas de entrega já preenchidas, que agora variam de 8 a 15 dias. Enquanto isso, os frigoríficos, cientes da conjuntura, mantêm posturas reticentes nas cotações, aguardando uma possível queda maior nos preços antes de fechar novos negócios. Em São Paulo, principal polo de comercialização, o volume de transações segue contido, sem sinais de recuperação a curto prazo.

    O que esperar para os próximos meses?

    A depender da evolução do clima, a oferta de boi gordo pode se intensificar ainda mais, especialmente se as chuvas não retornarem em volume suficiente para recompor as pastagens. Nesse cenário, a tendência é de manutenção da pressão baixista nos preços, com possíveis reflexos na rentabilidade dos pecuaristas e nos custos da indústria frigorífica. A falta de liquidez, no entanto, pode dificultar a realização de negócios, mesmo com preços atrativos, devido à incerteza sobre a continuidade da seca.