Tag: Exportações

  • Governo pressiona China para revisar cota de carne bovina em 2027 e desonerar exportações brasileiras

    Governo pressiona China para revisar cota de carne bovina em 2027 e desonerar exportações brasileiras

    Rio de Janeiro, 25 de maio de 2026 — Em um movimento estratégico para aliviar as pressões sobre o setor agropecuário, o governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), intensifica as negociações com a China para rever até 2027 a salvaguarda imposta às importações de carne bovina brasileira. A medida, que estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com isenção tarifária e tributa em 50% o volume excedente, tem impactado diretamente a margem de lucro dos frigoríficos e pecuaristas nacionais.

    China mantém papel central nas exportações brasileiras, apesar das restrições

    A China segue como o principal destino da carne bovina brasileira, mesmo diante da sobretaxa chinesa aplicada neste ano. Segundo dados do setor, o país asiático absorveu volumes recordes do produto nacional, ainda que a cota limite a competitividade dos embarques brasileiros. A negociação em andamento busca não apenas reduzir a alíquota para volumes excedentes, mas também flexibilizar o volume total da cota, que hoje restringe o potencial de crescimento do setor.

    Setor aguarda desfecho para garantir margens e sustentabilidade

    O ministro Márcio Elias Rosa, ao anunciar a iniciativa nesta segunda-feira, destacou que o diálogo com a China faz parte de um esforço mais amplo para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. “A China é um parceiro estratégico, mas as condições atuais de exportação impõem desafios à cadeia produtiva”, afirmou. A revisão da cota e da sobretaxa, caso seja concretizada em 2027, poderá injetar US$ 2 bilhões anuais adicionais na balança comercial brasileira, segundo estimativas preliminares do setor.

  • Carne bovina dos EUA perde espaço na China e abre vantagem estratégica para o Brasil

    Carne bovina dos EUA perde espaço na China e abre vantagem estratégica para o Brasil

    A forte queda na competitividade da carne bovina dos Estados Unidos no mercado chinês, registrada entre 2022 e 2025, não é apenas uma questão de números — é um divisor de águas no comércio global de proteínas animais. Enquanto os norte-americanos enfrentam barreiras tarifárias, restrições sanitárias e concorrência desleal, o Brasil emerge como o principal beneficiário dessa reconfiguração, aproveitando o vazio deixado para reforçar seu protagonismo como maior fornecedor de carne bovina à China.

    Da hegemonia à retração: o declínio dos EUA na China

    Dados compilados pelo analista pecuário Derrell Peel, professor da Universidade Estadual de Oklahoma, revelam uma queda vertiginosa: a participação dos EUA nas importações chinesas de carne bovina despencou de 8,8% em 2022 para meros 3,7% em 2025 — uma redução de mais de 50% em três anos. Especialistas atribuem o fenômeno a uma combinação de fatores, incluindo tarifas retaliatórias chinesas, sanções sanitárias recorrentes e a escalada de custos de produção nos EUA, que reduziram sua capacidade de competir em preço e volume.

    A perda de espaço não é pontual, mas parte de uma tendência estrutural. Desde 2023, a China tem diversificado suas fontes de proteína bovina, priorizando parceiros com acordos comerciais mais vantajosos e maior estabilidade logística — critérios nos quais o Brasil se destaca. Enquanto isso, os EUA, outrora um dos principais fornecedores, passaram a ocupar posições secundárias, atrás até mesmo de países como Austrália e Uruguai.

    Brasil capitaliza o vazio deixado pelos EUA

    Nesse cenário de reorganização comercial, o Brasil se posiciona como o grande vencedor. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, no mesmo período em que os EUA perdiam participação, as exportações brasileiras de carne bovina para a China cresceram 23% em volume, consolidando o país como o maior fornecedor do mercado chinês — posição que já ocupava, mas agora com margem ainda maior.

    A vantagem brasileira não se limita à questão quantitativa. O país oferece ao mercado chinês não apenas volume, mas também preços competitivos, rastreabilidade avançada e acordos comerciais estáveis, como o Acordo de Livre-Comércio China-Brasil, que eliminou barreiras significativas para a carne brasileira. Além disso, a proximidade geográfica e a capacidade logística brasileira permitem entregas mais rápidas e com menores custos de frete, fatores decisivos em um mercado tão sensível quanto o chinês.

    Implicações globais: quem ganha e quem perde com a mudança

    A queda da participação norte-americana na China não afeta apenas os dois países. Ela redefine a geopolítica da proteína animal, com consequências que se estendem da América Latina à Ásia. Para a China, a diversificação de fornecedores reduz riscos de dependência e melhora seu poder de barganha em negociações comerciais. Para o Brasil, significa não apenas ganhos econômicos, mas também maior influência em um dos mercados mais estratégicos do planeta.

    Já para os EUA, a situação é crítica. Além da perda de mercado, o país enfrenta o risco de queda em sua influência política e econômica na região asiática, onde a China cada vez mais dita as regras do comércio global. Especialistas ouvidos pelo Cenário & Fatos alertam que, sem uma reação estratégica — seja por meio desburocratização de exportações, investimentos em sanidade animal ou renegociações tarifárias —, os EUA podem perder definitivamente a posição de protagonistas no setor.

    Enquanto isso, o Brasil, que já era um player importante, agora se prepara para colher os frutos de uma década de investimentos em tecnologia, sanidade e logística. Com a China cada vez mais dependente de suas exportações, o país não apenas garante seu lugar no topo da cadeia global de proteína bovina, mas também projeta sua influência como potência agroexportadora — um movimento que deve ecoar nos próximos anos.

  • Ministro reforça parceria com Corteva para destravar inovação no agro e enfrentar burocracia regulatória

    Ministro reforça parceria com Corteva para destravar inovação no agro e enfrentar burocracia regulatória

    O Brasil, líder mundial na produção de commodities agrícolas, enfrenta um paradoxo: enquanto o setor privado corre para desenvolver soluções inovadoras — como insumos biológicos e eventos genéticos para soja e milho —, o marasmo regulatório ameaça engessar esse avanço. Nesta quarta-feira (20), em Brasília, o ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, trouxe ao centro do debate um tema até então relegado a segundo plano: a urgência de reformar o arcabouço regulatório para não sufocar a inovação no campo.

    O encontro estratégico que pode redefinir o futuro do agro brasileiro

    Na sede do Ministério da Agricultura, em Brasília, Soares recebeu Shona Sabnis, vice-presidente global de Assuntos Externos da Corteva, acompanhada de sua equipe. O objetivo declarado era alinhar estratégias para impulsionar a produção agrícola com tecnologias sustentáveis, mas o pano de fundo revelou uma preocupação mais profunda: como garantir que o Brasil não fique para trás na corrida global pela inovação?

    Durante a reunião, foram discutidos três eixos críticos:

    • Insumos biológicos: Produtos que prometem reduzir o uso de agroquímicos e aumentar a produtividade, mas que esbarram em processos de aprovação lentos e burocráticos.
    • Eventos genéticos em soja e milho: Tecnologias que podem transformar a agricultura brasileira, mas que dependem de avaliações técnicas ágeis para não perder competitividade frente a países como Estados Unidos e Argentina.
    • Comércio internacional de commodities: Como a lentidão regulatória pode afetar as exportações brasileiras, especialmente em um cenário de crescente demanda por alimentos sustentáveis.

    O Brasil como potência de biotecnologia: um sonho à espera de regulamentação

    O ministro em exercício não poupou críticas indiretas ao sistema atual. Em seu discurso, ele destacou que o diálogo entre governo e setor privado é fundamental para destravar inovações, mas deixou claro que a burocracia é um inimigo silencioso do progresso. “Precisamos de um ambiente regulatório que acompanhe a velocidade da ciência, não que a freie”, afirmou Soares.

    A Corteva, uma das maiores empresas do setor de agrotécnologia, tem investido pesado em soluções biológicas e genéticas. Segundo dados internos, a empresa já desenvolveu tecnologias capazes de aumentar a produtividade em até 20% com menor impacto ambiental. No entanto, a demora para aprovar novos produtos no Brasil — muitas vezes superior a dois anos — pode inviabilizar esses ganhos.

    O que está em jogo: competitividade e sustentabilidade

    A burocracia não afeta apenas os lucros das empresas. Ela tem consequências diretas para a segurança alimentar global e para a imagem do Brasil como um player responsável no agronegócio. O país, que já é o segundo maior exportador de alimentos do mundo, corre o risco de perder espaço para concorrentes que oferecem processos mais ágeis.

    Além disso, a lentidão regulatória desestimula investimentos estrangeiros e nacionais em pesquisa e desenvolvimento. “Se o Brasil não agilizar seus processos, outros países vão ocupar nosso lugar na vanguarda da inovação agrícola”, alertou um executivo do setor que participou da reunião, sob condição de anonimato.

    A participação da Corteva não é casual. A empresa, que recentemente inaugurou um centro de inovação em São Paulo, tem pressionado o governo por mudanças. Em 2023, a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento na América Latina, mas enfrenta barreiras para comercializar produtos no Brasil.

    O caminho a seguir: diálogo ou estagnação?

    A reunião no Mapa pode ser um primeiro passo, mas o desafio é enorme. O Brasil precisa de uma reforma regulatória que equilibre segurança jurídica e agilidade, sem abrir mão de critérios técnicos rigorosos. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a solução pode passar por:

    • Criação de um comitê conjunto entre governo, empresas e academia para avaliar tecnologias emergentes.
    • Adoção de prazos máximos para aprovação de novos insumos, com penalidades para órgãos que não cumprirem os limites.
    • Harmonização de normas com blocos como a União Europeia e os EUA, para facilitar o comércio de tecnologias.

    Enquanto isso, o setor aguarda. E a inovação, que poderia ser a salvação do agro brasileiro, segue amarrada pela burocracia.

  • Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    O mercado de proteínas animais assiste a uma reviravolta em maio. Enquanto as cotações do frango registram leve alta, as concorrentes suína e bovina ganham vantagem competitiva, invertendo uma dinâmica que vinha favorecendo a avicultura brasileira nos últimos meses.

    Preços em movimento: o frango sobe, mas a competitividade afunda

    Na Grande São Paulo, o preço médio do frango inteiro resfriado atingiu R$ 7,31/kg na parcial de maio, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O valor representa um aumento de 1,6% frente a abril, impulsionado pela demanda interna aquecida e pelo bom desempenho das exportações de produtos avícolas — que já haviam registrado recorde em 2023.

    No entanto, a euforia tem curta duração. Desde a segunda quinzena de maio, a liquidez do frango no atacado vem recuando, forçando ajustes negativos nos preços. Se a tendência se confirmar até o fim do mês, o valor do frango inteiro resfriado pode não apenas estagnar como até retroceder, segundo analistas ouvidos pelo Cepea.

    Suínos e bovinos roubam a cena: onde o frango perde participação

    Enquanto o frango tenta se manter, as outras carnes ganham espaço no bolso do consumidor. Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína é comercializada a R$ 1,38/kg abaixo do preço do frango, enquanto a carcaça casada bovina apresenta um valor médio de R$ 7,31/kg acima. A vantagem relativa das proteínas concorrentes já começa a se refletir nas prateleiras e nos hábitos de compra.

    Segundo o Cepea, a estabilidade nos preços da carne bovina — que mantêm patamar elevado, mas sem grandes variações — e a queda nos suínos criam um cenário inédito: pela primeira vez em meses, a carne de frango não é a opção mais econômica no comparativo entre as três principais proteínas animais do Brasil.

    Exportações salvam o mês? O que esperar para os próximos dias

    O bom desempenho das vendas externas de produtos avícolas tem sido um dos principais pilares para o aumento dos preços internos do frango. Em abril, as exportações brasileiras de carne de frango bateram recorde, com embarques de 473,5 mil toneladas — alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    No entanto, o mercado interno segue como termômetro crucial. Com a liquidez em queda e a concorrência mais acirrada, os produtores e processadores de frango precisam agir rápido para evitar uma queda ainda mais pronunciada nos preços. A pressão sobre as margens de lucro já é sentida por parte do setor, que teme um cenário de superoferta no curto prazo.

    Para especialistas, o equilíbrio dependerá de dois fatores: a manutenção do ritmo de exportações e a reação da demanda interna, que tem sido influenciada pela queda no poder aquisitivo dos brasileiros nos últimos meses.

  • Brasil assume a liderança global da carne bovina: como o país vai suprir a escassez mundial com produtividade e estratégia

    Brasil assume a liderança global da carne bovina: como o país vai suprir a escassez mundial com produtividade e estratégia

    O mercado global de carne bovina enfrenta uma crise silenciosa, mas profunda. Enquanto países tradicionalmente produtores, como os Estados Unidos e a Austrália, registram quedas históricas em seus rebanhos comerciais, o Brasil não apenas mantém sua posição como o maior produtor mundial, mas também amplia sua vantagem competitiva. Dados apresentados pela Friboi, marca da JBS, durante a Apas Show 2026, revelam que o rebanho bovino global está em um patamar semelhante ao de 1965 — uma redução drástica que contrasta com o crescimento contínuo do consumo de proteínas, puxado principalmente pela Ásia.

    O paradoxo da pecuária global: menos gado, mais fome por carne

    O rebanho bovino comercial global encolheu drasticamente nos últimos anos, impulsionado por fatores como a seca prolongada em regiões produtoras, o aumento dos custos de produção e a pressão por substituição de pastagens por culturas agrícolas. Enquanto isso, a demanda por carne bovina segue em trajetória ascendente: segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o consumo global deve crescer cerca de 2% ao ano até 2030, impulsionado pelo crescimento econômico na China, Índia e Sudeste Asiático.

    Nesse contexto, o Brasil se destaca não apenas por possuir o maior rebanho bovino do mundo — com aproximadamente 192 milhões de cabeças, ante 87 milhões nos EUA e 52 milhões na Argentina — mas também por sua capacidade de aumentar a produtividade sem ampliar significativamente a área de pastagem. Enquanto outros países lutam para manter seus estoques, o Brasil consegue produzir mais carne com menos animais, graças a avanços tecnológicos e gestão sustentável do rebanho.

    A Friboi e a JBS: o Brasil no centro da estratégia global

    Durante o evento, o diretor-executivo de Originação da Friboi, Eduardo Pedroso, enfatizou que poucos países têm condições de suprir o déficit global nos próximos anos. “O Brasil não é apenas o maior produtor, mas também o único com potencial real de expandir sua produção de forma competitiva”, declarou. A afirmação não é exagero: segundo dados da Friboi, o país já é o maior exportador de carne bovina há mais de uma década e, recentemente, ultrapassou os Estados Unidos na produção total da proteína.

    Mas como o Brasil consegue conciliar o crescimento das exportações com a manutenção do abastecimento interno? Segundo Pedroso, a resposta está na revolução silenciosa que transformou a pecuária brasileira nos últimos 20 anos. “Hoje, produzimos 30% mais carne do que há duas décadas, com um rebanho 15% menor. Isso significa que aumentamos a produtividade em mais de 50%”, explica. A combinação de genética avançada, manejo nutricional e adoção de tecnologias como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) permitiu ao país dobrar sua produção sem derrubar uma única árvore adicional.

    Os concorrentes definham enquanto o Brasil avança

    Enquanto o Brasil comemora seus números, os principais concorrentes internacionais enfrentam cenários desanimadores. Nos Estados Unidos, a seca histórica no Meio-Oeste reduziu o rebanho para níveis não vistos desde 1951, forçando os frigoríficos a reduzir a capacidade de abate em até 15% em algumas regiões. Na Austrália, os incêndios florestais de 2019-2020 e a subsequente seca dizimaram milhões de cabeças, e a recuperação tem sido lenta. Já na União Europeia, a pressão por redução de emissões de gases de efeito estufa levou a uma queda de 8% no rebanho bovino nos últimos cinco anos.

    Essa conjuntura coloca o Brasil em uma posição única: não apenas como fornecedor, mas como regulador de preços no mercado global. Com estoques estáveis e capacidade de resposta rápida a aumentos de demanda, o país se tornou o “player” que pode evitar uma crise alimentar nos próximos anos.

    O desafio da sustentabilidade: o Brasil pode liderar sem sacrificar o meio ambiente?

    Apesar do otimismo, a expansão da pecuária brasileira não está isenta de críticas. Organizações ambientais, como o Greenpeace e o WWF, alertam que o crescimento do setor pode estar associado ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, especialmente em regiões onde a fiscalização é frágil. No entanto, a Friboi e outras grandes empresas do setor afirmam que o futuro da pecuária brasileira passa pela sustentabilidade comprovada.

    “Hoje, mais de 90% da carne exportada pelo Brasil vem de propriedades com algum tipo de certificação ambiental ou rastreabilidade”, explica Pedroso. Além disso, o setor tem investido em programas como o Projeto ABC Cerrado, que promove a recuperação de áreas degradadas e a adoção de práticas de baixo carbono. “O consumidor global não quer apenas carne barata; ele quer carne ética e sustentável. E o Brasil, aos poucos, está entregando isso.”

    O que esperar nos próximos anos?

    Se as projeções da Friboi se confirmarem, o Brasil deve consolidar sua posição como fornecedor estável e estratégico do mercado global de carne bovina. Até 2030, a empresa projeta um crescimento de 25% na produção brasileira, com foco em mercados asiáticos e africanos — regiões onde a demanda por proteína animal deve crescer mais de 40% até lá.

    Para os consumidores brasileiros, por enquanto, a notícia é positiva: com o aumento da produtividade, os preços internos devem se manter estáveis, mesmo com o crescimento das exportações. Já para os concorrentes internacionais, a mensagem é clara: o Brasil não é apenas uma opção, mas a única solução viável para evitar uma crise na cadeia global de carne bovina.

  • Ministro André de Paula firma agenda histórica na China: parcerias agropecuárias e redução de dependência química ganham destaque

    Ministro André de Paula firma agenda histórica na China: parcerias agropecuárias e redução de dependência química ganham destaque

    A primeira viagem internacional do ministro André de Paula à China não foi apenas simbólica, mas um marco na diplomacia agropecuária brasileira. Em Pequim, o titular do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou uma missão intensiva de diálogos com o Ministério do Comércio (MOFCOM) e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais (MARA), consolidando acordos que prometem redefinir as relações comerciais entre os dois países.

    Do discurso à ação: como o Brasil se posiciona como fornecedor estratégico da China

    No MOFCOM, André de Paula destacou a escolha da China como destino prioritário de sua gestão, justificando que o gigante asiático não é apenas o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro, mas também um interlocutor indispensável para o futuro da agropecuária nacional. “Esta missão reflete o compromisso do governo brasileiro em fortalecer uma relação que já é histórica, mas que agora ganha novos contornos de cooperação técnica e inovação”, declarou o ministro.

    O vice-ministro chinês Jiang Chenghua não poupou elogios ao Brasil, classificando o país como o principal fornecedor de carne, soja, algodão, açúcar e frango para a China. Além disso, ele destacou o crescente protagonismo de empresas chinesas no Brasil, especialmente em setores como infraestrutura, melhoramento genético de sementes e tecnologias agrícolas. “Nos últimos dois anos, vimos um salto qualitativo na participação chinesa em feiras e exposições brasileiras, o que reforça a confiança mútua”, afirmou.

    Tecnologia e sustentabilidade: o novo eixo da parceria Brasil-China

    Um dos pontos altos da agenda foi a discussão sobre soluções inovadoras para reduzir a dependência de produtos químicos na agricultura. Durante as negociações, representantes brasileiros e chineses exploraram alternativas como o uso de ozônio no tratamento de água para irrigação, que poderia reduzir em até 95% o uso de agrotóxicos — uma pauta alinhada às metas globais de sustentabilidade.

    Segundo informações preliminares, a China também se comprometeu a ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento conjunto, com foco em culturas como soja e milho, além de fortalecer as cadeias de proteína animal. “A cooperação técnica será um divisor de águas para o agronegócio brasileiro, especialmente em um momento em que a demanda chinesa por alimentos segue em trajetória ascendente”, analisou um especialista ouvido pela reportagem.

    Diplomacia de décadas: como a relação Brasil-China evoluiu sob Lula e Xi

    No MARA, o ministro André de Paula reafirmou que a parceria Brasil-China é fruto de mais de 50 anos de diplomacia, desde o estabelecimento das relações em 1974. Ele citou o papel decisivo dos presidentes Lula e Xi Jinping na elevação do diálogo a um novo patamar de confiança e integração.

    O ministro chinês Zhang Zhu, por sua vez, enfatizou a importância da recente visita de Lula à China, que resultou em uma agenda bilateral ambiciosa, incluindo acordos de cooperação científica e comercial. “O Brasil e a China não são apenas parceiros comerciais; somos aliados estratégicos na busca por segurança alimentar global”, declarou.

    O que muda agora? Impactos para produtores brasileiros e consumidores chineses

    Para o setor produtivo brasileiro, os desdobramentos da missão incluem:

    • Abertura de novos mercados: Produtos como carne bovina e suína devem ter barreiras sanitárias reduzidas, facilitando exportações.
    • Investimentos em inovação: Empresas chinesas poderão aportar recursos em startups e cooperativas brasileiras, especialmente na região Centro-Oeste.
    • Sustentabilidade como diferencial: A adoção de tecnologias limpas, como o ozônio, pode se tornar um ativo comercial, atraindo compradores dispostos a pagar mais por produtos eco-friendly.

    Do lado chinês, a prioridade é garantir suprimentos estáveis e de alta qualidade para uma população de 1,4 bilhão de habitantes, cada vez mais exigente em segurança alimentar. “A China precisa diversificar suas fontes de importação, e o Brasil é a resposta mais confiável”, resumiu um analista do setor.

    Próximos passos: quando os acordos virarão realidade?

    Embora os resultados concretos ainda dependam de assinaturas formais, a expectativa é que os compromissos sejam formalizados até o final de 2024. O ministro André de Paula já anunciou que uma comitiva chinesa visitará o Brasil em setembro para acompanhar a implementação das medidas. “Este é apenas o começo de uma nova era na relação agropecuária entre nossos países”, afirmou.

  • Brasil abre 3 novos mercados no agro: caqui na Costa Rica, ração no México e amendoim na Nicarágua

    Brasil abre 3 novos mercados no agro: caqui na Costa Rica, ração no México e amendoim na Nicarágua

    O governo brasileiro consolidou na última semana três novas aberturas de mercado para o agronegócio nacional, abrindo portas para caqui, ração animal e amendoim sem casca nos mercados da Costa Rica, México e Nicarágua. Os acordos, fechados entre o Ministério da Agricultura (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), representam mais um passo na estratégia de internacionalização do setor, que já acumula 616 negociações facilitadas desde janeiro de 2023.

    O pioneirismo do caqui na Costa Rica: um mercado de US$ 137 milhões

    A primeira grande conquista veio da Costa Rica, onde o Brasil obteve autorização para exportar caqui — uma fruta até então não comercializada no país centro-americano. Em 2025, as exportações brasileiras de produtos agropecuários para a Costa Rica superaram US$ 137 milhões, com destaque para carnes, lácteos e sucos. A abertura do mercado para o caqui, além de diversificar a pauta de exportações, sinaliza uma tendência de aproximação comercial entre os dois países, que já mantêm acordos em setores como medicamentos e tecnologia.

    Ração para aves ornamentais e tartarugas: o México como principal parceiro agro do Brasil

    No México, maior parceiro comercial do Brasil no setor agropecuário, as negociações resultaram na liberação para exportação de ração para aves ornamentais e tartarugas. Em 2025, o fluxo comercial entre os dois países atingiu US$ 3,1 bilhões em produtos agro, com destaque para soja, milho, carne bovina e café. A nova autorização, embora represente um nicho específico, reforça a confiança mútua e pode abrir caminho para novos acordos em segmentos de alto valor agregado.

    Segundo dados do Mapa, o México é o segundo maior destino das exportações brasileiras de produtos agropecuários, atrás apenas da China. A diversificação de produtos, como a ração para animais de estimação, alinha-se à crescente demanda global por alimentos premium e produtos diferenciados.

    Amendoim sem casca na Nicarágua: um salto de US$ 73 milhões em exportações

    A Nicarágua, que em 2025 importou mais de US$ 73 milhões em produtos brasileiros — com foco em milho, arroz, sementes e produtos florestais —, agora passa a receber amendoim sem casca. A abertura desse mercado é estratégica para o Brasil, que busca reduzir a dependência de compradores tradicionais e explorar novos destinos na América Central.

    O amendoim, além de ser um produto com alta demanda global, tem potencial para ser transformado em óleo, pasta ou mesmo ingrediente para rações animais. A autorização para exportação sem casca facilita o processo logístico e reduz custos, tornando o produto mais competitivo no mercado nicaraguense.

    616 aberturas desde 2023: a política externa do agro em números

    Os três novos mercados elevam para 616 as aberturas de mercados internacionais conquistadas pelo Brasil desde o início de 2023. Segundo o Mapa, esses acordos abrangem desde frutas exóticas até carnes premium, passando por insumos agrícolas e tecnologias de produção. A estratégia tem como pilares a redução de barreiras sanitárias, a diversificação de parceiros comerciais e a adoção de certificações internacionais.

    O trabalho conjunto entre o Mapa e o MRE tem sido fundamental para agilizar as negociações. “Cada abertura representa não apenas um ganho econômico, mas também uma aproximação política e comercial com países-chave”, afirmou um técnico do ministério, que preferiu não ser identificado. Os acordos recentes, por exemplo, foram fechados em menos de seis meses, graças a missões técnicas e diálogos constantes com as autoridades locais.

    O que esperar para o futuro do agro brasileiro?

    Com esses novos mercados, o Brasil reforça sua posição como maior exportador de commodities agrícolas do mundo, mas também avança na exportação de produtos com maior valor agregado. A tendência é que as negociações continuem aceleradas, especialmente em setores como fruticultura, lácteos e bioenergia.

    Para os produtores, as oportunidades são imediatas: a diversificação de destinos reduz riscos de dependência de um único mercado e pode aumentar a margem de lucro em produtos específicos. Já para o governo, o desafio é manter a agenda de negociações ativa, mesmo em um cenário de tensões geopolíticas e barreiras protecionistas.

    Enquanto isso, setores como o do caqui — ainda pouco explorado na exportação brasileira — ganham novo fôlego. “O mercado centro-americano é promissor, especialmente para frutas que não são produzidas localmente”, afirmou um analista de mercado ouvido pela reportagem. A Costa Rica, por exemplo, importa 90% de suas frutas, o que abre espaço para produtos brasileiros de qualidade comprovada.

  • Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    O governo brasileiro formalizou nesta semana um pedido à União Europeia (UE) para um período de transição na aplicação de novas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, com foco exclusivo na cadeia de carne bovina. A medida busca evitar um colapso nas exportações do setor, um dos principais mercados para o Brasil, diante da iminente suspensão europeia de produtos brasileiros por descumprimento de normas sanitárias.

    A estratégia brasileira: adequação escalonada até 2029

    A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê um cronograma de adaptação progressiva. Inicialmente, os frigoríficos exportadores deveriam comprovar que os bovinos não receberam antimicrobianos nos nove meses anteriores ao abate — uma exigência viável para animais criados em confinamento. A restrição total ao uso de antimicrobianos ao longo de toda a vida do animal, entretanto, só passaria a vigorar em 2029, dando tempo para que o setor se reorganize.

    “A complexidade da cadeia bovina brasileira exige um tratamento diferenciado. Enquanto outras proteínas animais, como aves, têm ciclos curtos e maior controle, a bovinocultura envolve múltiplas etapas e propriedade rurais, o que dificulta a rastreabilidade integral”, afirmou um técnico do Mapa ouvido pela reportagem.

    O impasse com a União Europeia e o risco comercial

    A crise diplomática entre Brasília e Bruxelas ganhou contornos mais graves após a UE retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal em maio deste ano. A justificativa foi o descumprimento de normas europeias de segurança sanitária, especialmente no que tange ao uso de antimicrobianos na produção pecuária. Técnicos do Mapa admitem que os setores de aves, ovos e mel enfrentam desafios menores, graças a ciclos produtivos curtos e modelos integrados de produção. O problema central, no entanto, está na cadeia de carne bovina, onde a falta de rastreabilidade integral expõe o Brasil a sanções comerciais.

    “A legislação europeia, já regulamentada desde 2023, estabelece o dia 3 de setembro de 2026 como o prazo final para adequação internacional. Se não houver flexibilização, o Brasil pode perder acesso a um mercado que consome 20% das exportações de carne bovina brasileira”, alertou um analista de comércio exterior.

    A batalha logística: por que a bovinocultura é o calcanhar de Aquiles?

    Diferente da avicultura, onde um frango leva cerca de 45 dias para ser abatido e todo o processo é controlado por integradoras, a bovinocultura brasileira é marcada por uma cadeia fragmentada. Um boi pode passar por até três propriedades diferentes — cria, recria e engorda — antes de ser levado ao abate. Embora alguns frigoríficos já possuam sistemas avançados de rastreamento, o volume de animais com histórico documentado de ponta a ponta ainda é reduzido. Essa lacuna torna a implementação imediata das normas europeias praticamente inviável.

    “A proposta de transição é uma tentativa de ganhar tempo sem prejudicar as exportações. Sem ela, o setor sofreria um apagão comercial em um dos seus principais mercados”, avaliou um executivo do setor entrevistado.

    O que está em jogo e o que vem pela frente

    A negociação com a União Europeia será decisiva para o futuro das exportações brasileiras de carne bovina. Caso o pedido de prorrogação seja recusado, o Brasil terá de correr contra o tempo para adequar toda a cadeia produtiva em menos de dois anos — um desafio logístico e financeiro considerável. Enquanto isso, o Mapa trabalha em um plano de contingência que inclui a capacitação de pecuaristas, a expansão de sistemas de rastreamento e a negociação de acordos bilaterais com países europeus.

    “Não se trata apenas de cumprir uma norma. É sobre preservar um setor que movimenta R$ 300 bilhões por ano e sustenta milhões de empregos no campo”, destacou uma autoridade do governo, que pediu anonimato para tratar do tema sensível.

  • ABIOVE projeta recorde histórico: Brasil processará 62,5 milhões de toneladas de soja em 2026

    ABIOVE projeta recorde histórico: Brasil processará 62,5 milhões de toneladas de soja em 2026

    O salto industrial que redefine o complexo soja brasileiro

    A ABIOVE anunciou nesta semana a revisão de suas projeções para o esmagamento interno de soja, elevando as estimativas para 2026 a um patamar recorde de 62,5 milhões de toneladas. O volume representa não apenas um crescimento expressivo frente às previsões anteriores, mas também um marco na trajetória de consolidação do Brasil como potência agroindustrial. Os dados, atualizados em março de 2026, mostram um processamento de 4,995 milhões de toneladas no terceiro mês do ano — alta de 25,8% em relação a fevereiro e de 5,9% na comparação anual ajustada pelo percentual amostral.

    Derivados em alta: farelo e óleo impulsionam a cadeia

    O reflexo direto do aumento do esmagamento é a ampliação da oferta de produtos de maior valor agregado. A produção estimada para 2026 inclui 48,1 milhões de toneladas de farelo de soja e 12,55 milhões de toneladas de óleo de soja. No acumulado do ano até março, o processamento totalizou 12,840 milhões de toneladas, um avanço de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a ABIOVE, esses números evidenciam a resiliência e o amadurecimento da indústria nacional, que tem concentrado esforços em agregar valor à produção agrícola com eficiência técnica e estabilidade operacional.

    Exportações mantêm liderança global do Brasil no complexo soja

    No front externo, o Brasil reforça sua posição como maior exportador mundial de soja em grão, com projeção de 114,1 milhões de toneladas para 2026 — um crescimento modesto de 0,4% em relação às estimativas anteriores. Nos coprodutos, as vendas externas de farelo devem atingir 24,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações de óleo de soja crescem para 1,6 milhão de toneladas. Esses dados reforçam a importância estratégica do agronegócio brasileiro não apenas para o suprimento alimentar interno, mas também para a transição energética global, dada a crescente demanda por biocombustíveis e óleos vegetais.

    Safra robusta e demanda aquecida: os pilares do crescimento

    A base do otimismo da ABIOVE está na combinação entre uma safra nacional estimada em 180,13 milhões de toneladas — conforme dados da Conab — e a crescente demanda interna e externa por derivados de soja. As importações projetadas para 2026 são de 900 mil toneladas de grão e 125 mil toneladas de óleo, valores que refletem a dependência estratégica de insumos em momentos de pico produtivo. A entidade destaca que o dinamismo industrial é fundamental para assegurar previsibilidade ao mercado, reduzindo oscilações de preço e garantindo segurança alimentar.

  • China acelera compras de soja dos EUA e impulsiona mercado global em abril

    China acelera compras de soja dos EUA e impulsiona mercado global em abril

    A China não apenas cumpriu, mas superou as expectativas no ritmo de suas importações de soja dos Estados Unidos em abril, um movimento que reflete a recuperação das relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Segundo dados da Administração Geral de Alfândega chinesa, as compras do grão norte-americano saltaram de 1,38 milhão de toneladas para 3,33 milhões no comparativo anual, um crescimento de 141%. A notícia chega em um momento crucial, às vésperas da cúpula de maio entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, que selou um compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas de soja por ano até 2028.

    O impacto imediato no mercado global de soja

    O volume recorde de abril representou 39% do total de importações chinesas de soja no mês, que atingiram 8,48 milhões de toneladas — um crescimento de 40% em relação ao ano anterior, ainda que abaixo das projeções de analistas, que estimavam superar a marca de 10 milhões. Enquanto os embarques dos EUA para a China caíram 48% nos primeiros quatro meses de 2026 (6,7 milhões de toneladas), as importações brasileiras — principal fornecedor global — aumentaram 39,6%, chegando a 12,7 milhões de toneladas no mesmo período.

    Brasil mantém liderança, mas EUA ganham espaço

    Apesar do crescimento das vendas brasileiras, os dados revelam uma estratégia chinesa de diversificação de fornecedores. O Brasil, que tradicionalmente domina cerca de 80% do mercado chinês de soja, viu suas exportações para o país asiático subirem 3,3% em abril, de 4,6 milhões para 4,75 milhões de toneladas. No entanto, os operadores de mercado preveem que as compras chinesas de soja norte-americana devem intensificar-se a partir de outubro, quando a nova safra dos EUA estiver disponível para exportação.

    Acordo de 2028 e a estratégia de Pequim

    A retomada das compras por parte da China, interrompidas durante a guerra comercial, sinaliza uma normalização comercial que beneficia Washington. O compromisso de 25 milhões de toneladas anuais até 2028, anunciado durante a cúpula de maio, já teve 12 milhões de toneladas cumpridas até agora. Analistas do setor veem com otimismo a possibilidade de novos negócios, especialmente após outubro, quando a safra norte-americana deve oferecer volumes significativos e preços competitivos.

    Consequências para o agronegócio brasileiro

    O aumento das importações chinesas de soja norte-americana pode pressionar os preços do grão no mercado internacional, afetando diretamente os produtores brasileiros. Embora o Brasil mantenha a liderança, a concorrência dos EUA — com custos logísticos potencialmente menores para a China — exige uma resposta estratégica do setor. A tendência é que o mercado se torne cada vez mais disputado, com a China buscando garantir segurança alimentar por meio de múltiplos fornecedores.