Paralisia nos portos derruba projeção de soja em junho
Na última terça-feira, 1º de julho de 2026, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) confirmou que as chuvas intermitentes nos principais portos brasileiros — como Santos e Paranaguá — reduziram as exportações de soja em junho para 14,05 milhões de toneladas, volume 1 milhão inferior ao projetado na semana anterior. A queda, que interrompeu operações por quase 10 dias em alguns terminais, jogou por terra a expectativa de embarques recorde para o ano.
Meta de 110 milhões de toneladas em risco
Para alcançar a projeção inicial da Anec de 110 milhões de toneladas na safra 2026, o Brasil precisaria embarcar, em média, 6,2 milhões de toneladas de soja por mês nos próximos seis meses. No entanto, o ritmo atual — com queda de 7% no primeiro semestre em comparação a 2025 (72,8 milhões de toneladas) — exige um esforço 25% maior no segundo semestre. A associação já havia alertado em maio sobre volumes recordes, mas a conjuntura climática e logística impõe novos desafios.
Consequências para o agronegócio e o milho
A desaceleração na soja abre espaço para o milho, que vem ganhando protagonismo nas exportações brasileiras. Com a colheita de soja batendo recorde histórico em 2026, os agentes do mercado temem que a redução nos embarques gere pressões nos preços internos do grão, especialmente com a demanda chinesa ainda aquecida. Além disso, o encarecimento dos insumos — como o adubo fosfatado, que subiu 18% neste ano — pode agravar os custos de produção para a próxima safra.
Cenário 2026: colheita recorde, mas exportações em xeque
Apesar do volume recorde na colheita (estimado em 155 milhões de toneladas), a logística portuária segue como gargalo. A Anec revisará suas projeções nas próximas semanas, mas analistas já apontam para um cenário de ajustes: ou os embarques aceleram drasticamente no segundo semestre, ou o Brasil terá de revisar suas exportações totais para baixo, com impactos na balança comercial e nos preços globais da soja.

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