Tag: Mato Grosso

  • Mato Grosso assume meta de eliminar lenha nativa em usinas de etanol até 2034

    Mato Grosso assume meta de eliminar lenha nativa em usinas de etanol até 2034

    Compromisso ambiental com prazo definido

    Na véspera do dia 8 de junho de 2026, o governo de Mato Grosso assinou um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) estabelecendo a eliminação total do uso de lenha nativa em caldeiras que abastecem agroindústrias — como usinas de etanol de milho — até o ano de 2034. O documento, obtido pela Reuters, prevê ainda uma redução gradual no consumo dessa matéria-prima nos próximos oito anos.

    Investigação motivou o acordo

    A medida surge após a abertura de um inquérito no final de 2025 pelo Ministério Público do Estado, que investigava possíveis ilegalidades na utilização de lenha nativa pelas indústrias locais. A preocupação central é evitar que o crescimento acelerado do setor de etanol de milho — impulsionado pela descarbonização — incentive práticas ambientalmente prejudiciais, como o desmatamento irregular.

    Impacto econômico e ambiental

    Mato Grosso é um dos principais polos de produção de etanol de milho no Brasil, e a transição para fontes energéticas alternativas — como biomassa certificada ou outros biocombustíveis — exigirá investimentos significativos em infraestrutura e inovação. O estado, que já enfrenta pressões por desmatamento na Amazônia Legal, busca alinhar sua matriz energética à sustentabilidade, mas a meta impõe desafios logísticos e financeiros para as agroindústrias.

    Cenário nacional e consequências

    A decisão de Mato Grosso pode servir de exemplo para outros estados brasileiros, especialmente aqueles com forte presença de agroindústrias dependentes de biomassa. No entanto, a viabilidade da meta depende da oferta de lenha certificada e do desenvolvimento de tecnologias alternativas para geração de energia térmica, ainda incipientes no setor sucroenergético.

  • Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Trégua obrigatória na maior fronteira agrícola do país

    A segunda-feira (8) marcou o início do vazio sanitário da soja em Mato Grosso, período de 91 dias em que nenhum cultivo da leguminosa é permitido no estado. A medida, coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Sedru) e fiscalizada pela Famato, tem como alvo principal as chamadas plantas voluntárias — aquelas que brotam espontaneamente após a colheita, também conhecidas como tigueras. O objetivo é erradicar esses focos verdes antes que sirvam de hospedeiros para a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), fungo que, segundo a Embrapa, pode reduzir a produtividade em até 90% em lavouras infectadas.

    Por que o vazio sanitário é a arma mais eficaz contra a ferrugem

    A ferrugem asiática, detectada pela primeira vez no Brasil em 2001, já causou prejuízos superiores a R$ 28 bilhões à agricultura nacional, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Em Mato Grosso — maior produtor nacional, responsável por 35% da safra brasileira — a doença é monitorada 24 horas por dia pela rede de alerta fitossanitário. Durante o vazio sanitário, que se estende até 7 de setembro, drones, técnicos da Emater-MT e fiscais estaduais percorrerão plantações, beiras de estradas e armazéns para garantir que não reste nenhum vestígio de soja viva. A multa por descumprimento pode chegar a R$ 100 mil por hectare irregular.

    Impacto econômico: proteger R$ 60 bilhões em 2026

    A safra 2025/26 de Mato Grosso, estimada em 46 milhões de toneladas de soja, gerou receitas de R$ 60 bilhões aos produtores. Com a ferrugem asiática em expansão — já registrada em 15 estados brasileiros — o vazio sanitário torna-se ainda mais crítico. “Eliminar as plantas voluntárias é a única forma de quebrar o ciclo do fungo. Se não fizermos isso, a próxima safra pode ser dizimada antes mesmo de começar”, alerta o engenheiro agrônomo José Fernando Pimentel, da Famato. Além da ferrugem, o vazio sanitário também reduz a pressão de outras pragas, como o percevejo e a lagarta da soja, otimizando o uso de defensivos agrícolas na próxima temporada.

  • Diferencial de preços do boi gordo entre MT e SP encolhe em maio: Mato Grosso resiste melhor à queda

    Diferencial de preços do boi gordo entre MT e SP encolhe em maio: Mato Grosso resiste melhor à queda

    Mercado do boi gordo: Mato Grosso perde menos ritmo que São Paulo

    O mercado do boi gordo encerrou maio com um movimento que evidencia a resiliência de Mato Grosso frente à pressão de preços. Enquanto a arroba em São Paulo recuou 4,01% no comparativo mensal, a cotação em Mato Grosso registrou baixa de 2,58%, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

    Diferencial de preços encolhe pela primeira vez em 2026

    O resultado reduziu o diferencial de base entre as duas principais praças pecuárias do país para 3,39% em maio, uma queda de 1,42 ponto percentual em relação a abril. Em números absolutos, a arroba mato-grossense fechou cotada a R$ 340,43, enquanto a paulista atingiu R$ 352,39 — valores livres de Funrural.

    O que explica a performance de Mato Grosso?

    Analistas do setor apontam que a menor queda em Mato Grosso está relacionada à maior oferta de animais terminados e à demanda mais aquecida nos frigoríficos do estado. Além disso, a logística favorável de Mato Grosso — com escoamento facilitado para o Norte e Nordeste — reduz custos de transporte, amenizando a pressão sobre os preços locais. Já São Paulo, com maior dependência do mercado interno e custos operacionais mais altos, sofreu mais com a retração da demanda.

    Impacto para os pecuaristas

    A redução do diferencial de preços é um alívio para os produtores mato-grossenses, que passam a competir em condições mais equilibradas com os paulistas. No entanto, o cenário ainda é de instabilidade: a queda de preços em ambas as praças reflete a sazonalidade típica do segundo trimestre, além de incertezas no mercado externo — especialmente com a volatilidade nos preços da carne bovina no exterior.

    Perspectivas para junho

    Para junho, a expectativa é de estabilização nos preços, com possível retomada lenta da demanda. O Imea projeta que, caso não haja novos choques de oferta ou demanda, o diferencial entre MT e SP deve se manter abaixo de 4%. No entanto, a volatilidade climática — com risco de seca no Centro-Oeste — e a política monetária (que afeta o poder de compra do consumidor) seguem como fatores de atenção.

  • Mato Grosso: a receita mato-grossense que o Brasil ignora — prosperidade baseada em números e gestão

    Mato Grosso: a receita mato-grossense que o Brasil ignora — prosperidade baseada em números e gestão

    Do campo ao PIB: como o agro moldou a economia mato-grossense

    Se o Mato Grosso fosse um país independente, ocuparia o pódio mundial da soja — atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos, mas à frente de nações como a Argentina. Essa projeção, embora impressionante, é apenas a ponta do iceberg de uma transformação que o estado concretizou nas últimas duas décadas. O agronegócio, com sua cadeia de grãos, carnes e algodão, não apenas injetou bilhões na economia local, mas também redefiniu o perfil produtivo de uma região outrora conhecida por seu isolamento geográfico. Entre 2001 e 2026, o PIB per capita de Mato Grosso saltou de R$ 12 mil para mais de R$ 50 mil, segundo dados do IBGE ajustados pela inflação.

    Gestão pública e responsabilidade fiscal: os pilares esquecidos do sucesso

    Em artigo publicado no Poder360 nesta semana, intitulado “A lição do Mato Grosso sobre a prosperidade”, Xico Graziano — engenheiro agrônomo e ex-deputado federal — vai além dos números da produção agrícola para destacar o que, segundo ele, é o verdadeiro diferencial do estado: a gestão pública eficiente e a responsabilidade fiscal. Graziano argumenta que a combinação entre a riqueza gerada pelo campo e investimentos públicos estratégicos se refletiu diretamente na qualidade de vida da população, com melhorias expressivas em indicadores sociais e educacionais. “A palavra que mais escuto ao visitar Mato Grosso é ‘prosperidade’”, escreve o articulista. “E não é apenas prosperidade econômica: é uma prosperidade que se traduz em escolas, hospitais e oportunidades”.

    De 2001 à 2026: a trajetória de um estado que aprendeu a crescer

    Há 25 anos, Mato Grosso ainda lutava contra o estigma de uma região atrasada, dependente de recursos federais e com infraestrutura precária. Hoje, o estado é referência nacional em logística, com portos secos que conectam o Centro-Oeste ao mercado global, e em políticas públicas que priorizam educação e saúde. O salto qualitativo foi possível graças a um modelo que uniu três elementos-chave: (1) a diversificação da produção rural, com foco em tecnificação e sustentabilidade; (2) a manutenção de superávits fiscais consecutivos, mesmo em períodos de crise; e (3) a alocação de recursos em setores estratégicos, como a Rede Estadual de Ensino, que hoje atinge índices de aprovação superiores à média nacional.

    Lições para o Brasil: o que outros estados podem — e devem — copiar

    A trajetória de Mato Grosso oferece um manual de boas práticas para estados que buscam replicar seu sucesso. O primeiro passo, segundo Graziano, é entender que prosperidade não se constrói apenas com incentivos fiscais ao setor privado, mas com uma política pública que enxergue o desenvolvimento como um processo cíclico: riqueza gerada no campo financia melhorias na cidade, que, por sua vez, retroalimentam o crescimento. O segundo é a transparência fiscal, que permitiu ao estado atrair investimentos sem comprometer sua saúde financeira. Por fim, há a aposta em capital humano — desde a formação técnica de agricultores até a universalização do acesso à educação básica. “Mato Grosso não é uma exceção, é um laboratório”, conclui o articulista. “O Brasil precisa aprender com seus erros e acertos — e, acima de tudo, parar de ignorar o que funciona”.

  • El Niño: 25 anos de safras de soja revelam padrões que vão além do ‘risco climático’

    El Niño: 25 anos de safras de soja revelam padrões que vão além do ‘risco climático’

    O Sul lucra com o fenômeno; o Centro-Oeste, nem tanto

    Uma análise inédita compilando 25 safras de soja no Brasil (2000-2025) revela um El Niño com dois rostos distintos. No Sul — Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina —, o fenômeno tende a trazer chuvas mais regulares na primavera e início do verão, reduzindo os riscos de seca e impulsionando a produtividade. Segundo dados da Conab e Embrapa, em anos de El Niño forte (como 2009/2010 e 2015/2016), as lavouras sulistas registraram até 12% de aumento na produtividade média em comparação com safras neutras. O clima, nesse caso, é um aliado.

    Mato Grosso e Goiás: onde o El Niño vira ameaça

    Já no Centro-Oeste, a história é inversa. Em Mato Grosso e Goiás, o fenômeno costuma intensificar a seca no verão, período crítico para a soja, e reduzir a umidade do solo em até 30% durante a floração — fase decisiva para a formação de vagens. Os dados mostram que, nesses estados, as perdas médias em safras de El Niño chegam a 8% na produtividade. Em 2015/2016, por exemplo, Mato Grosso registrou uma quebra de 15% na safra de soja, enquanto o Rio Grande do Sul colheu números recorde. A assimetria não é casual: o El Niño altera os padrões de ventos e umidade de forma regional, favorecendo o Sul e prejudicando o Centro-Oeste.

    O mercado já precifica o risco — e o produtor precisa fazer o mesmo

    A dependência do Brasil como maior exportador global de soja (37% do mercado em 2025) faz com que os impactos do El Niño transcendam as lavouras. Em anos de fenômeno forte, como 2026, analistas projetam uma queda de até 5% nas exportações brasileiras, pressionando os preços internacionais. Para o produtor, isso significa: 1) hedge financeiro para proteger a margem; 2) diversificação de culturas em áreas de risco; e 3) investimento em tecnologias de irrigação ou sementes tolerantes à seca, especialmente em Goiás e Mato Grosso. A lição dos últimos 25 anos é clara: ignorar o El Niño não é uma opção.

    O que esperar da safra 2026?

    Até 2 de junho de 2026, os modelos climáticos indicam um El Niño de intensidade moderada a forte, com pico entre outubro de 2026 e janeiro de 2027 — justamente o período da safra. Para o Sul, as perspectivas são positivas: chuvas mais distribuídas e menor risco de geadas tardias. Já para o Centro-Oeste, o alerta é para o manejo do déficit hídrico. A Embrapa recomenda aos produtores da região que antecipem o plantio (evitando a janela de maior risco) e monitorem constantemente os boletins da Climatempo. Afinal, como mostra a história, o El Niño não é um fenômeno abstrato — é um player decisivo na economia brasileira.

  • Falta de sal mineral no Brasil em 2026: Famato alerta para risco de desabastecimento que pode paralisar a pecuária nacional

    Falta de sal mineral no Brasil em 2026: Famato alerta para risco de desabastecimento que pode paralisar a pecuária nacional

    A pecuária brasileira enfrenta mais um desafio estrutural em 31 de maio de 2026. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) soou o alarme sobre o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, componente essencial para a fabricação de suplementos minerais que sustentam a alimentação de cerca de 250 milhões de cabeças de gado no país.

    Mato Grosso na linha de frente: o estado que não pode parar

    Com o maior rebanho bovino do Brasil, Mato Grosso — responsável por 15% da produção nacional de carne — será um dos estados mais afetados pela possível ruptura na cadeia de suplementos. A dependência do insumo importado, combinada à alta dos custos internacionais desde 2024, já pressiona os estoques e acende alertas para produtores de gado de corte e leite. Segundo dados da Famato, a falta de fosfato bicálcico pode reduzir em até 20% a oferta de sal mineral nos próximos 90 dias, impactando diretamente o ganho de peso, fertilidade e sanidade dos rebanhos.

    Efeitos dominó: do pasto à prateleira

    A quebra no fornecimento não se limita ao campo. A cadeia produtiva da carne brasileira, que faturou R$ 415 bilhões em 2025, depende de rebanhos saudáveis para manter sua competitividade global. Em um mercado já ajustado pela inflação de insumos e pela queda de 8% no consumo interno de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, a escassez de suplementos minerais pode agravar a crise de abastecimento e elevar os preços para o consumidor final. “Não é apenas uma questão de custo, mas de sobrevivência do setor”, afirmou a entidade em comunicado oficial.

    O que vem por aí?

    Enquanto o governo federal avalia medidas emergenciais — como a redução de tarifas de importação ou incentivos à produção nacional de fosfato — os produtores buscam alternativas paliativas, como a substituição parcial por outros minerais ou a redução das doses fornecidas ao gado. No entanto, especialistas alertam que tais soluções temporárias podem comprometer a produtividade a longo prazo, especialmente em regiões como o Centro-Oeste, onde o pasto natural já enfrenta estresse hídrico recorrente.

    O cenário exige ação coordenada entre setor privado e poder público para evitar um colapso na pecuária, setor que, sozinho, representa 8,4% do PIB agropecuário brasileiro. A data de 31 de maio de 2026 pode marcar o início de uma nova crise ou o ponto de virada para soluções sustentáveis.

  • Muyuan Foods avança no Brasil: gigante chinesa de suínos mira Mato Grosso e Goiás para reestruturar cadeia de proteína animal

    Muyuan Foods avança no Brasil: gigante chinesa de suínos mira Mato Grosso e Goiás para reestruturar cadeia de proteína animal

    A chinesa Muyuan Foods, detentora do título de maior granja de suínos do mundo, acelera os planos de entrada no Brasil e já dialoga com os governos de Mato Grosso e Goiás para viabilizar sua operação no país, segundo informações exclusivas do Compre Rural apuradas na última sexta-feira, 29 de maio de 2026.

    A estratégia da gigante asiática ocorre em um contexto de pressão chinesa por segurança alimentar, com a busca por diversificar fornecedores globais e reduzir vulnerabilidades sanitárias e geopolíticas em sua cadeia de proteína animal. A empresa já realizou missões técnicas no Brasil para avaliar não apenas o mercado suinícola nacional, mas também a infraestrutura logística, a disponibilidade de grãos — insumo crítico para a suinocultura — e o desempenho produtivo das granjas brasileiras.

    Diálogo com estados-chave: Por que Mato Grosso e Goiás?

    Os estados do Centro-Oeste brasileiro emergem como alvos prioritários da Muyuan Foods devido à combinação de fatores estratégicos: disponibilidade de terras férteis, logística favorável para escoamento da produção e proximidade com a produção de grãos, especialmente soja e milho, essenciais para a alimentação dos animais. Além disso, ambos os estados já possuem cadeias suinícolas consolidadas, o que facilitaria a integração da empresa aos processos produtivos locais.

    Impacto na cadeia nacional: O que muda com a chegada da gigante chinesa?

    A eventual instalação da Muyuan Foods no Brasil não se restringiria a um mero investimento estrangeiro no setor. Especialistas do segmento projetam um efeito dominó na cadeia produtiva, com potenciais reflexos em:

    • Preços e competitividade: A entrada de um player global com escala massiva poderia pressionar os custos de produção e redefinir preços no mercado interno.
    • Tecnologia e biossegurança: A adoção de padrões internacionais de biossegurança e inovação tecnológica poderia elevar o patamar sanitário do setor brasileiro, mas também impor desafios aos pequenos e médios produtores.
    • Exportações e relações comerciais: A China, maior consumidora global de carne suína, poderia priorizar fornecedores brasileiros como alternativa em um cenário de tensões comerciais com outros blocos econômicos.

    Riscos e desafios: O que a Muyuan Foods precisa superar?

    Apesar do otimismo, a empresa enfrenta obstáculos significativos, como a resistência de produtores locais à concorrência de uma gigante estrangeira, a necessidade de adaptação às normas sanitárias brasileiras — mais rígidas que as chinesas — e a instabilidade logística em algumas regiões do país. Além disso, há incertezas sobre o ritmo de aprovação de projetos ambientais e a viabilidade de parcerias com cooperativas locais para garantir o fornecimento de grãos.

  • IDH acelera rastreabilidade para evitar embargo europeu: apenas 4% do gado brasileiro é monitorado individualmente

    IDH acelera rastreabilidade para evitar embargo europeu: apenas 4% do gado brasileiro é monitorado individualmente

    Um gargalo que ameaça as exportações

    O Brasil, detentor do maior rebanho bovino do mundo com 238 milhões de cabeças, enfrenta um desafio urgente: apenas entre 2% e 4% do gado possui rastreabilidade individual. A lacuna coloca em risco as exportações para a União Europeia, que a partir de 2026 proibirá a importação de produtos agropecuários oriundos de áreas desmatadas ou com irregularidades ambientais por meio do Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR). Até lá, o país precisa expandir rapidamente sua capacidade de monitoramento para evitar embargos comerciais.

    Ação da Fundação IDH: conectando campo e capital sustentável

    A Fundação IDH, desde 2019, tem liderado iniciativas para preencher essa brecha, especialmente em estados-chave como Mato Grosso — responsável por 14% do rebanho nacional — onde a cobertura de rastreamento individual mal chega a 17%. Seus programas já beneficiaram mais de mil pequenos criadores com assistência técnica, além de ter rastreado mais de 250 mil animais nos estados de Mato Grosso e Pará. Em paralelo, a fundação promoveu a conservação de 290 mil hectares de florestas e a regularização ambiental de centenas de propriedades, alinhando produtividade com práticas sustentáveis.

    O que está em jogo: exportações e soberania do agronegócio

    As exigências da EUDR não são apenas uma barreira comercial, mas uma transformação estrutural. Produtores que não comprovarem origem limpa de suas áreas estarão automaticamente fora do principal mercado consumidor de carne brasileira. Nesse contexto, a rastreabilidade deixa de ser um diferencial para tornar-se um pré-requisito. A IDH surge como um elo entre pequenos e médios criadores e o acesso ao capital sustentável, oferecendo ferramentas para que atendam às novas normas sem perder competitividade.

    O futuro do agro brasileiro depende de dados confiáveis

    O cenário atual exige mais do que boas intenções: é necessário um sistema robusto de rastreabilidade que una tecnologia, fiscalização e adesão voluntária dos produtores. Enquanto o governo federal discute estratégias, iniciativas como a da IDH mostram que soluções locais podem acelerar a transição para um modelo de produção transparente. O risco de perder mercados como a UE é real, mas o Brasil tem até dezembro de 2026 para se adequar — um prazo que, na escala do agronegócio, é curto demais para improvisos.

  • Custos da safra 2026/27 disparam em Mato Grosso: fertilizantes explodem 2.733% e pressionam produtores

    Custos da safra 2026/27 disparam em Mato Grosso: fertilizantes explodem 2.733% e pressionam produtores

    Fertilizantes e defensivos puxam a alta dos custos

    Os números divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e pelo Senar MT no dia 25 de maio de 2026 revelam um cenário preocupante para os agricultores mato-grossenses. O custo de produção da soja para a safra 2026/27 atingiu R$ 4.286,89 por hectare, um acréscimo de 1,88% em relação a março. O principal vilão desse aumento foi a disparada nos gastos com fertilizantes, que subiram 2.733,09% no período, enquanto os defensivos agrícolas avançaram 2,17%.

    Incertezas internacionais agravam a pressão

    As incertezas no comércio global desde março de 2026, combinadas à escalada dos preços dos insumos, estão comprometendo a viabilidade econômica de culturas estratégicas para Mato Grosso. Especialistas do Projeto CPA-MT (Custo de Produção Agropecuária) destacam que a aquisição de insumos para a próxima safra ainda está em andamento, o que pode agravar ainda mais os custos nos próximos meses.

    Milho e algodão seguem a mesma tendência

    Embora a soja seja a cultura mais afetada, o milho e o algodão também registram elevações significativas em seus custos de produção. A dependência de insumos importados e a volatilidade dos mercados internacionais tornam o setor vulnerável a novos choques, colocando em risco a competitividade do agronegócio mato-grossense na próxima safra.

  • Pecuária de corte em Mato Grosso: recuperação tímida da arroba mas custos ainda sufocam produtores

    Pecuária de corte em Mato Grosso: recuperação tímida da arroba mas custos ainda sufocam produtores

    Mato Grosso, estado que abriga o maior rebanho bovino do Brasil, começa a respirar aliviado após três anos de uma das piores crises da pecuária de corte nacional. A arroba do boi gordo, que chegou a ser comercializada a R$ 170 em momentos críticos — preço considerado insustentável diante da disparada dos custos —, agora volta a ganhar fôlego. No entanto, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Nando Conte, faz um alerta: a recuperação é real, mas ainda insuficiente para apagar os prejuízos acumulados.

    A crise que quase quebrou a pecuária mato-grossense

    Entre 2023 e 2025, a pecuária de corte enfrentou uma tempestade perfeita: preços aviltantes da arroba, custos de produção nas alturas e crédito escasso. “Vivemos, na verdade, nos últimos três anos, anos sombrios para a atividade pecuária”, declarou Conte em entrevista ao canal Compre Rural. Para sobreviver, muitos produtores foram obrigados a enxugar despesas essenciais, cortando até mesmo insumos básicos como mineralização e suplementação — medidas que, no longo prazo, comprometeram a qualidade dos rebanhos e a produtividade das fazendas.

    A situação foi agravada pela combinação de fatores externos e internos: a queda da demanda internacional, a inflação galopante nos insumos (como diesel, fertilizantes e rações) e a pressão sobre o consumo interno. “Foi um período negro não só para Mato Grosso, mas para toda a pecuária brasileira”, reforçou o dirigente. Segundo ele, a arroba da vaca, negociada abaixo dos custos de produção, tornou a atividade inviável para muitos criadores.

    Sinais de recuperação: o que mudou?

    A virada começou a se desenhar em 2026, impulsionada por três fatores principais: a redução da oferta de animais, a retomada do consumo interno e a força das exportações brasileiras. O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, vem se beneficiando de um encolhimento global nos rebanhos — especialmente em países como Austrália e Estados Unidos —, o que elevou a demanda por carne brasileira.

    Em Mato Grosso, a arroba do boi gordo já recuperou parte das perdas, mas ainda não empolga os produtores. “Está melhor de trabalhar, é fato. Mas ainda existe muita recuperação pela frente”, admitiu Conte. Segundo analistas do setor, o atual momento abre espaço para um ciclo mais positivo, mas os custos elevados — que não recuaram na mesma proporção dos preços da arroba — continuam pressionando as margens dos pecuaristas.

    Os custos que ainda sufocam o produtor

    Apesar do alívio nos preços da arroba, os custos de produção permanecem em patamares alarmantes. Mineralização, combustível, suplementação e mão de obra seguem caros, corroendo a rentabilidade da atividade. “Os produtores estão operando no limite, e qualquer nova alta nos insumos pode jogar os cofres de volta ao vermelho”, alerta um analista do setor, que pediu anonimato.

    Além disso, a retomada do consumo interno, embora benéfica, ainda não é suficiente para absorver toda a oferta de carne, especialmente em um cenário de rebanhos enxutos. A exportação, portanto, segue como o principal motor da recuperação — mas depende, em grande medida, da manutenção da competitividade brasileira no mercado global.

    O que esperar para os próximos meses?

    O presidente da Acrimat projeta um 2026 mais estável, mas com cautela. “A recuperação é gradual, e o setor precisa de tempo para se recompor”, afirmou. Para os pecuaristas, a palavra de ordem é gerir caixa com inteligência, evitando novos endividamentos e apostando em tecnologias que possam reduzir custos a longo prazo.

    Enquanto isso, o mercado internacional continua sendo o grande termômetro. Se a tendência de encolhimento dos rebanhos globais se confirmar, o Brasil poderá consolidar sua posição como fornecedor de carne premium — mas, para isso, os custos internos precisam ceder. Até lá, os produtores mato-grossenses seguem em um equilíbrio delicado: entre a esperança de dias melhores e o medo de novos tropeços.