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  • Consumo de café dispara 2,44% em 2026 após queda nos preços e safra recorde no horizonte

    Consumo de café dispara 2,44% em 2026 após queda nos preços e safra recorde no horizonte

    A retomada do consumo de café no Brasil ganhou força em março de 2026, quando o mercado começou a sentir os efeitos da redução nos preços da commodity. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o crescimento de 2,44% no consumo nos primeiros quatro meses do ano — totalizando 4,9 milhões de sacas de 60 kg — encerra um ciclo de retração iniciado ainda em 2025, quando os valores do produto atingiram patamares históricos.

    O estopim da recuperação: preços em queda e confiança do consumidor

    O ano de 2025 foi marcado por uma crise no setor cafeeiro. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo caiu 2,31% na comparação com o período anterior, reflexo de um pico de preços que chegou a assustar até mesmo os consumidores mais fiéis. No entanto, a partir de março de 2026, a situação começou a se inverter. O preço do café tradicional recuou 15,51% em abril na comparação anual, com o quilo sendo comercializado por cerca de R$ 55,34 — uma redução que, segundo analistas, foi decisiva para a virada no mercado.

    A Abic projeta safra recorde: o que isso significa para os preços e o bolso do brasileiro?

    O presidente da Abic, Pavel Cardoso, não esconde o otimismo. Ele afirma que 2026 pode registrar uma safra maior do que a de 2025 — e possivelmente até superior à de 2020, quando o Brasil colheu o maior volume de café de sua história. “Se essa expectativa se confirmar, a tendência é que os preços continuem caindo e se estabilizem”, declarou Cardoso em entrevista. A lógica é simples: com mais café disponível no mercado, a indústria tende a repassar a redução dos custos para o varejo, o que, por sua vez, pode atrair ainda mais consumidores.

    Nem tudo são flores: especialidades e solúveis resistem à baixa geral

    Enquanto o café tradicional liderou a queda nos preços, três categorias monitoradas pela Abic registraram alta: cafés especiais (16,9%), descafeinados (21%) e café solúvel (0,55%). Segundo o diretor executivo da entidade, Celírio Inácio, esses produtos mantêm uma dinâmica própria, menos sensível às flutuações sazonais da commodity. “O consumidor que busca qualidade ou praticidade continua disposto a pagar mais”, explica. Ainda assim, a tendência geral aponta para uma normalização dos valores, com benefícios para o mercado como um todo.

    O que esperar do futuro? Consumo deve seguir em alta, mas com cautela

    A combinação de preços mais acessíveis, safra robusta e uma possível estabilização da oferta deve manter o ritmo de crescimento do consumo. No entanto, especialistas alertam que o setor ainda enfrenta desafios, como a volatilidade climática e a concorrência internacional. “O mercado está otimista, mas não podemos esquecer que a cafeicultura brasileira depende de fatores que fogem ao nosso controle”, pondera Cardoso. Enquanto isso, os brasileiros já começam a notar a diferença: menos cafezinhos pela metade e mais xícaras cheias de esperança — e de café — no cotidiano.

  • Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Na segunda quinzena de maio, período tradicional de queda no ritmo de vendas de ovos, o mercado vem surpreendendo ao manter as cotações estáveis na maioria das regiões brasileiras. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a combinação entre estoques controlados nas granjas e uma demanda já enfraquecida tem evitado recuos mais expressivos nos preços.

    Ajuste fino entre oferta e procura sustenta o mercado

    O equilíbrio observado não é mera coincidência. Enquanto as vendas desaceleram naturalmente com o avanço do mês, os estoques nas granjas são mantidos em níveis estratégicos para evitar excessos que possam pressionar as cotações para baixo. Essa dinâmica reflete uma estratégia setorial de gestão, segundo analistas do Cepea.

    Frente fria acende alerta no setor

    Em paralelo, pesquisadores do Cepea destacam que a atual onda de frio que atinge algumas das principais regiões produtoras de ovos no Brasil tem gerado preocupação quanto aos possíveis impactos na produção. A queda de temperatura pode afetar o desempenho das aves, reduzindo a oferta e, consequentemente, pressionando os preços em caso de escassez. No entanto, até o momento, os estoques controlados têm sido capazes de absorver eventuais perdas.

    Perspectivas para os próximos dias

    Para os próximos dias, a expectativa do setor é de que o ritmo das vendas continue desacelerando, alinhado ao comportamento histórico de maio. No entanto, a estabilidade dos preços dependerá não apenas da manutenção dos estoques, mas também da evolução das condições climáticas. Caso a frente fria se prolongue, o impacto sobre a produção poderá se tornar mais evidente nas próximas semanas.

  • Chocolate nacional em xeque: lei de pureza eleva conflitos entre produtores e indústria

    Chocolate nacional em xeque: lei de pureza eleva conflitos entre produtores e indústria

    A sanção da Lei nº 15.404 redefine as bases do mercado brasileiro de chocolate ao elevar o teor mínimo de sólidos de cacau para 35% em produtos nacionais, uma mudança que acirra a disputa entre agricultores e indústrias alimentícias. Enquanto os primeiros comemoram a valorização da amêndoa local, os fabricantes alertam para os riscos de desabastecimento e o impacto imediato nos preços ao consumidor.

    O que muda na composição dos chocolates brasileiros?

    A nova legislação impõe um piso rigoroso: 35% de sólidos de cacau para chocolates comuns, 20% de manteiga de cacau para versões brancas (com acréscimo de 14% de sólidos lácteos) e teto de 5% para gorduras vegetais alternativas. A medida busca combater produtos de baixa qualidade, como os rotulados como “sabor chocolate”, que mesclam aromatizantes, corantes e gorduras hidrogenadas para simular o sabor autêntico.

    A batalha dos custos: por que a indústria teme a lei?

    As empresas do setor têm 360 dias para se adaptar, um prazo considerado insuficiente por especialistas. A reformulação de receitas, embalagens e cadeias de suprimentos exige investimentos bilionários, além de depender da disponibilidade de cacau nacional — que enfrenta gargalos de produção. “O desafio não é apenas técnico, mas logístico”, afirma Carlos Menezes, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (ABICAB). “A lei é necessária, mas o timing é cruel: o mercado ainda não se recuperou da crise de 2022.”

    O campo comemora, mas o futuro é incerto

    Para os produtores de cacau, a legislação representa um marco histórico. “Finalmente, o consumidor terá acesso a um produto de qualidade, sem adulterações”, comemora João Silva, coordenador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). No entanto, a euforia é temperada por uma realidade preocupante: a produção nacional de cacau cobre apenas 30% da demanda industrial, forçando a importação de amêndoas — que terão de cumprir os novos padrões.

    Reação do mercado: o que os índices mostram?

    Desde a publicação da lei, as ações de empresas de chocolate caíram até 8% na Bolsa de Valores, enquanto o preço da amêndoa de cacau disparou 12% nas cotações internacionais. Analistas do setor projetam um cenário de preços mais altos para o consumidor final, especialmente em produtos premium. “A lei é justa, mas o impacto será distribuído de forma desigual”, avalia a economista Fernanda Oliveira, da FGV. “As marcas populares serão as mais afetadas, reduzindo ainda mais o acesso ao chocolate de qualidade.”

    O que esperar nos próximos meses?

    O governo anuncia um pacote de incentivos para aumentar a produção nacional de cacau, incluindo crédito subsidiado e assistência técnica. Enquanto isso, a indústria pressiona por revisão dos prazos e flexibilização das regras. “Não adianta criar uma lei sem garantir condições para cumpri-la”, alerta Menezes. O debate está longe de terminar — e o chocolate brasileiro nunca esteve tão em pauta.