O mercado físico do boi gordo registrou mais uma rodada de altas nesta quarta-feira (23 de julho de 2026), com a arroba atingindo R$ 343,60 em São Paulo — principal referência nacional. O movimento reforça a tendência de recuperação observada nas últimas semanas, impulsionada pela dificuldade dos frigoríficos em formar escalas de abate completas.
Oferta restrita e demanda seletiva: os pilares da valorização
A pressão altista persiste mesmo diante de um cenário de demanda doméstica menos aquecida, especialmente nesta segunda quinzena do mês, e de um ritmo mais lento nas exportações para a China. Segundo analistas, o esgotamento antecipado da cota tarifária chinesa já impactou as vendas externas, mas não foi suficiente para conter a escalada de preços no mercado interno.
Terminação de animais em baixa e poder de barganha dos pecuaristas
Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que a oferta limitada de bovinos prontos para abate — combinada à resistência dos produtores em negociar — segue como o principal fator de sustentação do mercado. “Os frigoríficos enfrentam dificuldade para fechar suas escalas, e essa escassez estrutural mantém as cotações em patamares elevados”, explica.

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