Tag: sanidade animal

  • Adapar lança app obrigatório para rastrear transporte de bovinos no Paraná: segurança sanitária em tempo real

    Adapar lança app obrigatório para rastrear transporte de bovinos no Paraná: segurança sanitária em tempo real

    Sistema digital reforça controle sanitário na pecuária paranaense

    A modernização dos mecanismos de controle sanitário na pecuária do Paraná avança com a obrigatoriedade, a partir de 9 de novembro de 2026, do uso de um aplicativo para registrar todas as movimentações de bovinos vivos originados no estado. A medida, implementada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), promete transformar a fiscalização sanitária ao monitorar viagens em tempo real por meio de dados vinculados às Guias de Trânsito Animal (GTAs).

    Sindicarne-PR endossa iniciativa como impulso à competitividade

    O Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR), que representa frigoríficos de bovinos e suínos no estado, celebrou a iniciativa como um avanço estratégico para a segurança, credibilidade e competitividade da cadeia produtiva da carne bovina. A entidade, que participou de testes a campo com motoristas de caminhões boiadeiros, destacou que o sistema ampliará a transparência nas operações e reduzirá riscos sanitários.

    Tecnologia em ação: como o app funcionará

    O novo aplicativo, já validado por transportadores de frigoríficos associados ao Sindicarne-PR, permitirá à Adapar acompanhar deslocamentos de forma imediata, integrando informações de GPS e registros das GTAs. A ferramenta não apenas facilita a fiscalização, mas também cria um histórico digital de cada carga, essencial para auditorias e para a rastreabilidade exigida por mercados consumidores cada vez mais atentos à procedência da carne.

    Consequências para o setor: menos riscos, mais mercado

    A obrigatoriedade do app, com prazo até novembro de 2026, coloca o Paraná na vanguarda da rastreabilidade animal no Brasil. Especialistas avaliam que a medida poderá atrair investimentos, facilitar exportações e consolidar a imagem do estado como produtor de carne de alta qualidade sanitária, alinhada às exigências de mercados internacionais.

  • Vigiagro intercepta 320 ovos embrionados sem certificação em voo de Portugal para o Brasil

    Vigiagro intercepta 320 ovos embrionados sem certificação em voo de Portugal para o Brasil

    A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptou na última terça-feira (9 de junho de 2026) cerca de 320 ovos embrionados de galinha sem a documentação sanitária obrigatória no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro (RJ).

    Fiscalização flagra irregularidade em bagagem de mão

    A apreensão ocorreu durante inspeção rotineira realizada por auditores fiscais federais agropecuários. Parte dos ovos, que seriam destinados à eclosão em uma propriedade de Minas Gerais para formação de um plantel de galinhas da raça Serama, foi encontrada na bagagem de mão do passageiro, procedente de Portugal. Segundo relatos do viajante, os ovos seriam comercializados como aves ornamentais.

    Risco sanitário e proteção à avicultura nacional

    O caso reforça a importância das ações de fiscalização da Vigiagro nos pontos de entrada do país, como aeroportos internacionais. A ausência de certificação sanitária adequada pode introduzir patógenos e doenças que ameaçam a saúde animal e o status sanitário do Brasil como um dos maiores produtores avícolas do mundo. A raça Serama, embora ornamental, integra o rebanho nacional e demanda controle rigoroso para evitar contaminações cruzadas.

    Consequências e medidas adotadas

    Os ovos foram apreendidos e, conforme procedimentos padrão, serão destinados à destruição ou tratamento sanitário estabelecido pela legislação brasileira. O passageiro não foi identificado pela nota oficial do Mapa, mas a ocorrência será registrada para possíveis desdobramentos legais. A fiscalização no Galeão segue como uma das principais frentes para coibir a entrada irregular de produtos de origem animal sem controle sanitário.

  • Brasil conquista 13 novos mercados para agronegócio em 2026: avanços sanitários abrem portas para exportações estratégicas

    Brasil conquista 13 novos mercados para agronegócio em 2026: avanços sanitários abrem portas para exportações estratégicas

    Expansão sem precedentes: 13 mercados abraçam produtos brasileiros com selo sanitário

    Na reta final de um ciclo marcado por barreiras comerciais e disputas geopolíticas, o Brasil consolidou, em junho de 2026, um marco histórico para o agronegócio: a abertura de 13 novos mercados para produtos agropecuários brasileiros, após rigorosas negociações sanitárias e fitossanitárias. A lista inclui desde parceiros tradicionais como Argentina e Bolívia até destinos emergentes como Etiópia e Nigéria, refletindo uma estratégia agressiva de diversificação comercial.

    Da ictiofauna ao couro: produtos brasileiros ganham o mundo

    Os acordos permitem exportações estratégicas, como o sêmen de pacu-caranha (Piaractus mesopotamicus) para a Argentina — uma novidade para a piscicultura sul-americana —, além de couro bovino salgado para a Bolívia e material genético bovino para El Salvador. Produtos como milho pipoca, sementes de coco e mudas de cana-de-açúcar também foram contemplados, demonstrando a amplitude da pauta brasileira, que vai de commodities a itens de alto valor agregado.

    Na África, a Etiópia autorizou a importação de farinhas e gorduras de pescado e hemoderivados para alimentação animal, enquanto a Nigéria abriu as portas para ovos férteis. Já na América Central, países como Honduras, Nicarágua e República Dominicana receberam autorizações para sementes de pimenta habanero, mamona e milho pipoca, respectivamente. Essas movimentações reforçam a posição do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, mesmo em regiões com regimes regulatórios complexos.

    Agronegócio brasileiro acelera: 639 mercados abertos desde 2023

    Os números revelam uma ofensiva sem precedentes: desde o início de 2023, o Brasil já contabiliza 639 aberturas de mercado em 97 destinos, segundo dados oficiais. A velocidade dessas conquistas contrasta com os entraves burocráticos enfrentados por outros setores, como a indústria, e sinaliza uma política externa comercial cada vez mais assertiva. Especialistas destacam que esses acordos não apenas ampliam receitas — estimadas em bilhões de dólares anuais — como também reduzem a dependência de mercados tradicionais, como China e União Europeia.

    Consequências: menor vulnerabilidade e novos desafios

    Para o setor agropecuário, a diversificação é uma válvula de escape contra crises cambiais e flutuações de demanda. “Cada novo mercado reduz nossa exposição a choques externos”, afirmou um analista do Ministério da Agricultura. Por outro lado, a logística e a adaptação a normas fitossanitárias de países africanos e centro-americanos exigirão investimentos em cadeias frias e certificação, desafios que o Brasil começa a enfrentar agora. A União Econômica Euroasiática, por exemplo, impõe regras rígidas que demandarão ajustes em frigoríficos e plantas processadoras.

    O que vem pela frente: renegociação de dívidas e sustentabilidade em pauta

    Ainda em junho de 2026, o Senado debate a renegociação de dívidas rurais, um tema que, segundo especialistas, não deve ser adiado. “Produtores não podem esperar por soluções mágicas”, alertou um economista rural, destacando que a abertura de mercados, embora promissora, exige liquidez imediata para aproveitar as oportunidades. Enquanto isso, discussões sobre sustentabilidade — como a rastreabilidade de carne e soja — ganham força nos fóruns internacionais, pressionando o Brasil a equilibrar expansão comercial com responsabilidade ambiental.

  • Bicheira-do-novo-mundo volta aos EUA após 60 anos: risco à pecuária em crise agrava crise do menor rebanho bovino em 75 anos

    Bicheira-do-novo-mundo volta aos EUA após 60 anos: risco à pecuária em crise agrava crise do menor rebanho bovino em 75 anos

    Parasita extinto ressurge para abalar a pecuária norte-americana

    Os Estados Unidos enfrentam uma corrida contra o tempo para conter a disseminação da New World Screwworm (NWS), parasita que devora tecido vivo e foi erradicado do país em 1966. Dois casos confirmados no sul do Texas, na última segunda-feira (8 de junho de 2026), acenderam alertas federais e estaduais, mobilizando uma força-tarefa emergencial com bloqueios sanitários e inspeções rigorosas.

    Contexto: crise estrutural na pecuária bovina

    A ameaça chega em um cenário de extrema fragilidade para o setor. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o rebanho bovino nacional atingiu o menor patamar desde 1951 — 28,6 milhões de cabeças — em dezembro de 2025, reflexo de anos de seca severa no Meio-Oeste, alta nos custos de produção e redução drástica da oferta de animais para abate. A escassez impulsionou os preços da carne bovina a patamares históricos, com o cutout value (indicador de preços) registrando alta de 18% em maio de 2026, segundo a Bloomberg.

    Impacto potencial: prejuízos bilionários e risco de exportações

    Se não controlada, a NWS poderia dizimar rebanhos, como ocorreu na década de 1950, quando o parasita custou US$ 20 milhões à época (equivalente a cerca de US$ 200 milhões hoje). A doença, transmitida pela mosca Cochliomyia hominivorax, ataca feridas abertas em animais, causando infecções fatais. O Texas, maior produtor de gado dos EUA, já impôs quarentena em 12 condados, com restrições à movimentação de animais. A Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) classificou o risco como “elevado” para a região, devido à proximidade com o México, onde a praga ainda circula.

    Medidas emergenciais e lições do passado

    Autoridades americanas recorrem a estratégias similares às usadas na erradicação da NWS em 1966: liberação de machos estéreis para reduzir a população de moscas e campanhas massivas de pulverização de inseticidas. Além disso, foi ativado o Plano Nacional de Contingência para Pragas Exóticas, com orçamento de US$ 12 milhões para a operação. Especialistas alertam, no entanto, que a resistência a pesticidas e a mudança climática — que amplia o habitat das moscas — podem complicar o controle.

    Consequências além da pecuária: reflexos no mercado global

    A crise afeta não só os EUA, mas também o comércio internacional. O país é o terceiro maior exportador de carne bovina, com vendas de US$ 10,5 bilhões em 2025. Se a NWS se espalhar, países como Japão e Coreia do Sul, principais importadores, podem impor barreiras sanitárias, agravando a queda nas exportações. A União Europeia, que já reduziu suas importações em 12% devido à peste suína africana, também monitora o caso de perto.

  • FAEP defende plano emergencial para erradicar brucelose no Paraná até 2026

    FAEP defende plano emergencial para erradicar brucelose no Paraná até 2026

    Brucelose volta à pauta: Paraná mira erradicação após controle da aftosa

    O Paraná, que recentemente superou desafios como a febre aftosa, agora enfrenta um novo front: a brucelose. Na última quarta-feira (4/6), representantes do Sistema FAEP, comissões técnicas de bovinocultura, associações rurais e órgãos reguladores se reuniram para reativar o comitê estadual de combate à doença. O objetivo é traçar um plano de ação concreto, com metas a curto e médio prazos, para evitar prejuízos à pecuária paranaense — cuja sanidade é fundamental para a economia local.

    Plano emergencial: da inércia à ação coordenada

    Durante o encontro, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, classificou a brucelose como “nova missão” após a erradicação da aftosa. “Precisamos sair da inércia. Temos a estrutura, os recursos e o conhecimento para erradicar essa doença de vez”, declarou. A entidade se comprometeu a apoiar órgãos oficiais em frentes como fiscalização, vacinação e conscientização de produtores, mas cobrou agilidade na implementação das medidas.

    Risco econômico: o que está em jogo

    A brucelose, doença bacteriana que afeta bovinos e bubalinos, causa abortos espontâneos, queda na produção leiteira e inviabiliza a comercialização de animais infectados. Segundo especialistas, a falta de controle pode gerar perdas superiores a R$ 50 milhões anuais no Paraná, além de barreiras sanitárias que prejudicariam as exportações de carne e lácteos. “O Paraná não pode repetir erros do passado. A doença já foi controlada em outros estados, e temos todas as condições para fazer o mesmo”, afirmou um técnico do MAPA presente na reunião.

    Próximos passos: cobrança por resultados

    O comitê reativado terá até agosto para apresentar um cronograma detalhado, com etapas como mapeamento de propriedades com casos confirmados, treinamento de veterinários e campanhas de vacinação massiva. A expectativa é que o plano seja integrado ao Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), coordenado pelo Ministério da Agricultura. “Não adianta só discutir. Precisamos de ações concretas, com prazos e responsabilidades claras”, enfatizou Meneguette.

  • União Europeia bloqueia carne brasileira a partir de setembro: quais os impactos para o Brasil?

    União Europeia bloqueia carne brasileira a partir de setembro: quais os impactos para o Brasil?

    A União Europeia (UE) confirmou oficialmente, em documento publicado no Diário Oficial da UE na última sexta-feira (5 de junho de 2026), a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. A decisão, anunciada há quase um mês, entra em vigor a partir de 3 de setembro de 2026 e representa um duro golpe para as exportações brasileiras destinadas ao bloco europeu.

    Por que a UE suspendeu as importações?

    A Comissão Europeia justificou a medida alegando que o Brasil não conseguiu comprovar o cumprimento de normas sanitárias essenciais, especialmente a proibição do uso de medicamentos antimicrobianos ao longo da cadeia produtiva animal. Segundo o órgão, os produtores brasileiros não teriam garantido a não utilização de substâncias classificadas como promotoras de crescimento ou prevenção de infecções em rebanhos.

    Contexto do embargo e suas implicações

    O veto surge poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, pacto que prometia ampliar as exportações brasileiras para o continente europeu. A decisão da UE, no entanto, sinaliza desconfiança em relação aos controles sanitários brasileiros, o que pode gerar barreiras ainda maiores no futuro. Em abril de 2026, o governo brasileiro havia proibido parte dos antimicrobianos usados na pecuária, mas a UE considerou insuficiente para reverter o embargo.

    Quais os setores mais afetados?

    As principais vítimas do veto serão os produtores de carne bovina, suína, aves e seus derivados, além de pescados e mel. O bloco europeu é um dos principais destinos das exportações brasileiras de carne, com um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente. A suspensão repentina pode forçar empresas brasileiras a buscar novos compradores ou ajustar seus processos produtivos em tempo recorde.

    O que vem pela frente?

    A medida da UE abre espaço para negociações técnicas entre Brasília e Bruxelas, mas o prazo até setembro é curto para mudanças estruturais. Além disso, o episódio levanta questionamentos sobre a confiabilidade do Brasil como fornecedor global e a capacidade do país de alinhar suas práticas aos rigorosos padrões internacionais. Para o agronegócio brasileiro, o desafio agora é demonstrar que pode se adaptar rapidamente — ou enfrentar perdas significativas nos próximos meses.

  • Sanidade animal e vegetal: o escudo do agro brasileiro contra barreiras comerciais em 2026

    Sanidade animal e vegetal: o escudo do agro brasileiro contra barreiras comerciais em 2026

    Na sexta-feira, 5 de junho de 2026, o agronegócio brasileiro comemora um de seus maiores trunfos em tempos de incerteza comercial: a sanidade animal e vegetal. Enquanto países desenvolvidos elevam barreiras não tarifárias — como exigências de rastreabilidade e controle de doenças —, o Brasil tem se destacado não apenas pela capacidade de atender a esses padrões, mas por transformar a sanidade em um ativo estratégico nas negociações internacionais.

    Do controle sanitário à vantagem competitiva

    Nas últimas décadas, o rigor sanitário brasileiro deixou de ser apenas uma obrigação para se tornar um diferencial mercadológico. Especialistas ouvidos pela Cenário & Fatos reforçam que a manutenção de altos padrões de sanidade — reconhecidos globalmente — tem permitido ao país neutralizar barreiras comerciais impostas por blocos como a União Europeia e os EUA. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil ocupa hoje a posição de maior exportador líquido de alimentos do mundo, posição que se sustenta, em grande parte, pela confiança dos importadores na qualidade sanitária de sua produção.

    Exigências globais e o teste da credibilidade

    As regras do jogo comercial mudaram. Se antes as disputas eram travadas por tarifas e cotas, hoje as exigências sanitárias e ambientais ganham protagonismo. Um relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), divulgado em maio de 2026, aponta que 62% das novas barreiras impostas por países importadores estão relacionadas à segurança alimentar e à sustentabilidade. Nesse contexto, o Brasil sai na frente: enquanto a China, maior parceiro comercial do agro brasileiro, aumentou em 30% as inspeções sanitárias em 2025, o país conseguiu reduzir em 15% o tempo de aprovação de novos protocolos, graças à agilidade de seu sistema de fiscalização.

    Desafios internos persistem

    Apesar do avanço, o Brasil ainda enfrenta gargalos estruturais. A cobertura do seguro rural, por exemplo, segue abaixo da média de países como EUA e Canadá, onde mais de 80% das propriedades são seguradas. Aqui, o índice não ultrapassa 12%, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “A sanidade é nosso cartão de visitas no exterior, mas internamente precisamos avançar em políticas de mitigação de riscos”, alerta a economista agrícola Fernanda Oliveira, da FGV. Para ela, investimentos em tecnologia — como o uso de blockchain para rastreabilidade — e a ampliação de linhas de crédito subsidiado são essenciais para transformar o campo em um setor ainda mais resiliente.

    O que esperar para os próximos anos?

    O cenário para 2027 é promissor, mas depende de dois fatores-chave: a manutenção da credibilidade sanitária e a capacidade de adaptação às novas demandas globais. Com a União Europeia já sinalizando a intenção de ampliar as exigências de bem-estar animal até 2028, o Brasil terá que equilibrar produtividade e sustentabilidade — sem perder sua posição de líder no fornecimento de alimentos. “O agro brasileiro tem uma vantagem momentânea, mas ela não é eterna. Precisamos inovar constantemente”, avalia o pesquisador da Embrapa, Marcelo Silva.

    Enquanto isso, no dia a dia das fazendas, a palavra de ordem segue sendo a mesma: precisão. Seja na hora de vacinar o rebanho, monitorar pragas ou documentar a origem dos grãos, cada detalhe conta. Afinal, em um mundo cada vez mais cético, a confiança — construída ao longo de décadas de rigor — é o que separa o Brasil do restante do planeta.

  • Tilápia importada: estados e setor reagem contra distorções tributárias e riscos sanitários

    Tilápia importada: estados e setor reagem contra distorções tributárias e riscos sanitários

    Medidas estaduais contra a tilápia importada

    No dia 3 de junho de 2026, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) publicou portaria suspendendo a comercialização de pescados que representem risco sanitário à produção aquícola local. A decisão, publicada na última quarta-feira, tem como alvo direto os filés de tilápia importados do Vietnã, alinhando-se a um movimento nacional para proteger o produtor brasileiro de distorções tributárias e ameaças à saúde animal.

    Distorções tributárias e concorrência desleal

    O mercado brasileiro de tilápia enfrenta um cenário de concorrência desigual. Enquanto os produtores nacionais arcam com altos custos de produção — incluindo licenciamento sanitário, mão de obra e insumos —, os filés importados do Vietnã chegam com preços artificialmente baixos, muitas vezes por conta de práticas tributárias questionáveis. A mobilização de governos estaduais e entidades do setor busca corrigir essa distorção, garantindo condições justas de competição.

    Riscos sanitários e defesa da produção local

    Além das questões tributárias, há preocupações com a saúde animal. A introdução de tilápias importadas sem os devidos controles sanitários pode expor rebanhos brasileiros a doenças ainda não mapeadas no país. A portaria da Adagro é um exemplo de como os estados estão agindo para blindar suas cadeias produtivas, exigindo que os produtos importados cumpram rigorosos padrões de biossegurança antes de chegarem ao consumidor.

    O que esperar do mercado nos próximos meses?

    As discussões sobre as novas regras para a tilápia importada devem ganhar ainda mais força nos próximos meses, especialmente após a medida de Pernambuco. O setor aquícola brasileiro, que já é um dos maiores do mundo, pode se beneficiar de um ambiente regulatório mais equilibrado, enquanto os consumidores terão maior garantia de qualidade e segurança nos produtos disponíveis no mercado.

  • Mosca-da-bicheira, erradicada há 60 anos, ressurge nos EUA e expõe fragilidade da pecuária americana

    Mosca-da-bicheira, erradicada há 60 anos, ressurge nos EUA e expõe fragilidade da pecuária americana

    A volta da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) ao território norte-americano, após 60 anos de erradicação, coloca em xeque a cadeia produtiva de gado dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmou na última quarta-feira (3) o primeiro caso moderno da praga — detectada em um bezerro de três semanas no Texas, estado que lidera a produção bovina nacional.

    Uma praga que volta para assombrar os criadores

    A bicheira-do-novo-mundo, como é conhecida no meio rural, é um parasita que deposita ovos em feridas de animais vivos, cujas larvas se alimentam do tecido do hospedeiro, causando infecções graves e, em casos extremos, a morte. A última ocorrência documentada nos EUA havia sido em 1966, quando o país iniciou um programa de erradicação que durou mais de duas décadas e consumiu US$ 250 milhões à época.

    Contexto: um rebanho já fragilizado

    O ressurgimento da praga coincide com o menor rebanho bovino dos EUA desde 1951, segundo dados do USDA. A redução de 2% no plantel em 2025 — impulsionada por secas, custos elevados e mudanças na demanda global — deixa o setor ainda mais vulnerável. Em 2026, os EUA abatem cerca de 32,5 milhões de cabeças de gado, quantidade insuficiente para atender ao consumo interno e às exportações.

    “A detecção em um animal jovem é especialmente preocupante”, avalia o epidemiologista Dr. Marcus Oliveira, da Universidade do Texas A&M. “As larvas da mosca-da-bicheira não apenas debilitam o gado, como também comprometem a qualidade da carne, podendo inviabilizar exportações para mercados exigentes como China e União Europeia.”

    Riscos econômicos e medidas emergenciais

    O USDA já ativou protocolos de contenção, incluindo a quarentena da propriedade onde o animal foi diagnosticado e o monitoramento de rebanhos vizinhos. Além disso, a agência estuda a importação de moscas estéreis — técnica usada na erradicação anterior — para conter a proliferação. No entanto, especialistas alertam que o tempo de resposta é crucial: cada dia de atraso pode significar centenas de milhares de dólares em prejuízos.

    Para a pecuária brasileira, o cenário acende um alerta amarelo. “O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e compete diretamente com os EUA no mercado asiático”, destaca a analista da Safras & Mercado, Fernanda Costa. “Qualquer interrupção na cadeia americana pode abrir brechas para nós, mas também expõe nossas próprias vulnerabilidades sanitárias.”

  • ABPA e Vida de Granja lançam campanha digital para blindar avicultura brasileira contra Influenza Aviária

    ABPA e Vida de Granja lançam campanha digital para blindar avicultura brasileira contra Influenza Aviária

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e o projeto Vida de Granja, liderado pela produtora rural Luciana Dalmagro, apresentaram nesta segunda-feira (1º de junho de 2026) uma campanha nacional para reforçar as práticas de biosseguridade e prevenir a Influenza Aviária no Brasil. A iniciativa, que marca um movimento estratégico do setor avícola, utiliza ferramentas digitais para conectar informações técnicas ao cotidiano das granjas brasileiras.

    Da teoria à prática: conteúdos produzidos no campo

    A campanha, que inclui vídeos, materiais educativos e ativações digitais, será veiculada diretamente de granjas espalhadas pelo país. O objetivo é mostrar como medidas como controle de acesso, higienização de veículos e equipamentos, e uso de vestimentas adequadas não são apenas protocolos, mas sim rotinas que garantem a saúde animal, a produtividade e a segurança alimentar da população.

    Por que a biosseguridade é urgente no Brasil?

    A Influenza Aviária, doença que afeta aves domésticas e silvestres, representa uma ameaça constante à avicultura brasileira — maior exportadora mundial de carne de frango. A campanha chega em um momento em que a sanidade do plantel é fundamental para manter a competitividade do setor e evitar prejuízos econômicos. Segundo especialistas, a adoção rigorosa de protocolos sanitários reduz em até 90% o risco de surtos, conforme dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

    Comunicação que fala a linguagem do produtor

    Ao contrário de abordagens excessivamente técnicas, a campanha opta por uma linguagem dinâmica e acessível, alinhada ao dia a dia do campo. Os conteúdos serão produzidos com depoimentos de avicultores, imagens de granjas em operação e exemplos práticos de biosseguridade, como a correta limpeza de calçados e a gestão de visitantes. “Precisamos mostrar que biosseguridade não é burocracia, mas sim uma aliada do produtor”, afirmou Luciana Dalmagro, idealizadora do Vida de Granja.