Tag: Sustentabilidade

  • Brasil não tem cadeia de jumentos para abate: Mapa acende alerta sobre sustentabilidade e exportação

    Brasil não tem cadeia de jumentos para abate: Mapa acende alerta sobre sustentabilidade e exportação

    Sem infraestrutura, abate de jumentos se baseia em recolhimentos aleatórios

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou oficialmente que o Brasil não dispõe de uma cadeia produtiva organizada de jumentos voltada para o abate e exportação. Diferentemente de setores consolidados, como os de bovinos, suínos e aves, não há um sistema estruturado de criação, reprodução ou engorda desses animais. A maioria dos exemplares destinados ao abate chega por meio de recolhimentos em diversas regiões, sem um modelo produtivo definido — o que, segundo especialistas, compromete a sustentabilidade da atividade.

    Exportação de peles e ejiao: o dilema da demanda internacional

    A ausência de uma cadeia produtiva formal ganha relevância em meio às discussões sobre a exportação de peles de jumento para a produção de ejiao, um gel tradicional chinês amplamente usado na medicina alternativa. A crescente demanda internacional tem pressionado o mercado brasileiro, mas a falta de controle e planejamento levanta questionamentos sobre os impactos ecológicos e o bem-estar animal.

    Preservação da espécie ou lucro imediato?

    O posicionamento do Mapa, divulgado nesta quinta-feira (18/06/2026), reacende o embate entre preservação ambiental e interesses econômicos. Enquanto alguns defendem que a atividade pode se tornar sustentável com investimentos em pesquisa e manejo, ambientalistas alertam que a ausência de regulamentação pode levar à exploração predatória, colocando em risco populações já vulneráveis de jumentos no país.

  • Fenasucro & Agrocana 2026 inova com rastreio de emissões e gestão total de resíduos em Sertãozinho

    Fenasucro & Agrocana 2026 inova com rastreio de emissões e gestão total de resíduos em Sertãozinho

    A Fenasucro & Agrocana 2026, maior evento global do setor de bioenergia, consolida sua trajetória de inovação na última edição antes do marco de 2026, reforçando compromissos ambientais com duas frentes inéditas: a mensuração detalhada das emissões de gases de efeito estufa (GEE) desde a montagem até a desmontagem dos estandes, e a implementação de um modelo de gestão de resíduos que abrange todas as fases do evento.

    GHG Protocol como base para transparência nas emissões

    A metodologia adotada segue as diretrizes do GHG Protocol, padrão internacional para contabilização de emissões, garantindo rigor técnico e comparabilidade dos dados. O projeto, batizado de Canaoeste Green — desenvolvido em parceria com a Associação dos Plantadores de Cana do Oeste de São Paulo (Canaoeste) — será aplicado durante a feira, que ocorre de 11 a 14 de agosto no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP).

    Gestão de resíduos integrada do início ao fim

    A Biocoop, responsável pela estruturação do sistema, coordenará desde a coleta seletiva até a destinação final dos resíduos gerados, assegurando que menos de 1% dos materiais encerre em aterros sanitários. A iniciativa reflete a pressão crescente do mercado por práticas ESG (Environmental, Social and Governance), especialmente no agronegócio, que enfrenta desafios financeiros e regulatórios no campo.

    Sustentabilidade como diferencial competitivo

    Para o setor, que já opera com margens apertadas, a adoção dessas medidas não é apenas uma resposta a demandas ambientais, mas também um diferencial de mercado. A Fenasucro & Agrocana, ao alinhar suas operações ao GHG Protocol, sinaliza aos participantes — que incluem desde pequenos produtores até grandes indústrias — que a transição para modelos mais sustentáveis é viável e necessária para manter a competitividade global.

  • Rastreabilidade na pecuária: como a transparência virou aliada do produtor brasileiro em 2026

    Rastreabilidade na pecuária: como a transparência virou aliada do produtor brasileiro em 2026

    A pecuária brasileira enfrenta, em junho de 2026, um marco histórico: a transição da rastreabilidade como requisito burocrático para uma ferramenta estratégica de gestão e competitividade. Com o PNIB em fase avançada de implementação, produtores rurais passam a enxergar no monitoramento individual de animais não apenas um cumprimento de normas, mas uma oportunidade de alavancar negócios e conquistar consumidores cada vez mais exigentes por transparência.

    Do papel sanitário ao diferencial de mercado

    Até recentemente, a rastreabilidade era vista como um mero instrumento de controle sanitário, especialmente para exportações. No entanto, a realidade atual mostra que sistemas como o PNIB — que identifica e monitora bovinos e bubalinos desde o nascimento até o abate — agora funcionam como passaporte para a diferenciação no mercado. Produtores que aderem ao sistema conseguem acessar programas de bonificação por boas práticas, selos de sustentabilidade e até contratos com grandes redes varejistas, que pagam um prêmio por carne rastreada.

    Tecnologia e gestão: o binômio que revoluciona a fazenda

    A adoção de tecnologias embarcadas (como tags eletrônicas, softwares de gestão e blockchain) permite que o produtor monitore em tempo real a saúde, nutrição e movimentação do rebanho. Segundo a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, essa integração reduz em até 30% os custos com doenças animais, além de viabilizar a rastreabilidade reversa — quando o consumidor final pode verificar a origem do produto até a fazenda. É a prova de que transparência e lucratividade andam de mãos dadas.

    O desafio da adoção em massa

    Apesar dos benefícios, o setor ainda enfrenta resistência em algumas regiões, especialmente entre pequenos e médios produtores. A falta de incentivos fiscais e a burocracia para implementação de sistemas digitais são os principais entraves. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam a necessidade de políticas públicas que facilitem o acesso a financiamentos e treinamentos, como ocorre em países como Uruguai e Austrália, onde a rastreabilidade já é padrão há anos. Sem isso, o Brasil corre o risco de perder espaço para concorrentes que já consolidaram essa vantagem.

    Perspectivas para o futuro: mercados globais e consumidores exigentes

    Com a União Europeia endurecendo regras sobre desmatamento e bem-estar animal, a rastreabilidade se tornou condição sine qua non para exportações. Empresas como a JBS e a BRF já exigem certificações de origem para seus fornecedores, e a tendência é que essa pressão se intensifique. Para o produtor, o recado é claro: quem não se adaptar agora pode ficar para trás em um mercado cada vez mais segmentado e competitivo.

  • Fruta no cocho: a virada verde que corta 60% dos gastos de pecuaristas brasileiros

    Fruta no cocho: a virada verde que corta 60% dos gastos de pecuaristas brasileiros

    Do desperdício ao lucro: a virada da fruticultura no campo

    Na última quarta-feira, 3 de junho de 2026, a pecuária brasileira ganhou um novo aliado inesperado: as cascas de frutas. O que antes era descartado como resíduo em indústrias de sucos e polpas de laranja, abacaxi e maracujá — culturas onde o Brasil é líder global — agora se consolidou como uma solução de baixo custo para a alimentação animal. Em um momento em que a volatilidade dos preços do milho e do farelo de soja pressiona os custos de produção, pecuaristas de corte e leite encontraram na ensilagem de subprodutos uma alternativa que reduz gastos com o cocho em até 60%, segundo dados consolidados em polos citrícolas e fruticultores tropicais.

    Economia circular no campo: quando o lixo vira silagem

    A tecnologia por trás da transformação é simples, mas revolucionária. Resíduos orgânicos das indústrias de frutas, enriquecidos em açúcares e fibras, são compactados em silos anaeróbios, onde fermentam por 21 a 28 dias. O resultado é uma silagem de alta digestibilidade, com valor energético comparável a silagens de milho de média qualidade — desde que os protocolos de fermentação sejam rigorosamente seguidos. Levantamentos de campo indicam que, em propriedades onde a técnica já é adotada, a redução no custo da dieta total chega a 45%, enquanto a sustentabilidade do sistema ganha um novo patamar.

    O Brasil como laboratório da inovação: números que falam

    Com uma produção anual superior a 18 milhões de toneladas de laranjas — maior do mundo — e participação de destaque em abacaxi e maracujá, o país tem potencial para liderar essa revolução. Segundo a Embrapa, o desperdício anual de bagaços e cascas nessas cadeias supera as 3 milhões de toneladas, volume suficiente para alimentar milhões de cabeças de gado sem competir com culturas alimentícias. A estratégia não apenas mitiga prejuízos ambientais, mas também alinha a pecuária à agenda ESG, cada vez mais exigida por consumidores e investidores.

    Riscos e desafios: o que os pecuaristas precisam saber

    Apesar do potencial, a técnica exige manejo cuidadoso. A acidez natural das frutas pode prejudicar a fermentação se não houver controle de pH, e a umidade excessiva pode comprometer a conservação. Especialistas recomendam a mistura com outros volumosos — como cana-de-açúcar ou capim — para equilibrar a dieta e evitar distúrbios metabólicos nos animais. Além disso, a logística de coleta e transporte dos resíduos ainda é um gargalo em regiões menos estruturadas, o que pode limitar a adoção em larga escala.

    O futuro da alimentação animal: para onde vamos?

    A ensilagem de resíduos de frutas é apenas o começo. Com a pressão por redução de custos e a urgência climática, o setor agropecuário caminha para modelos cada vez mais circulares. Projetos piloto em Goiás e São Paulo já testam a inclusão de outros subprodutos, como bagaços de cana e resíduos de cervejarias, enquanto startups desenvolvem tecnologias para otimizar o processo. Para pecuaristas, a mensagem é clara: inovar não é mais opcional — é questão de competitividade.

  • Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Posicionamento estratégico do Rio Grande do Sul no mercado global

    O Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) consolidou seu papel como protagonista no comércio internacional de arroz durante a Rice Market & Technology Convention (RMTC) 2026, realizada entre os dias 27 e 30 de maio em Cartagena, na Colômbia. A missão oficial do órgão gaúcho, liderada pelo presidente Alexandre Azevedo Velho e pelo diretor comercial Juandres Antunes, reforçou a pauta do arroz do Mercosul como alternativa competitiva em um cenário marcado por flutuações na oferta asiática e pressões por sustentabilidade.

    Debates que definem o futuro do setor

    O evento — considerado a principal vitrine do setor nas Américas — reuniu mais de 1.200 participantes, entre produtores, indústrias e pesquisadores, para discutir tendências como inovações no pós-colheita, logística portuária e certificações ambientais. Segundo dados preliminares da RMTC, a América Latina respondeu por 18% das exportações globais de arroz em 2025, com o Brasil (especialmente o Rio Grande do Sul) como terceiro maior exportador, atrás apenas da Índia e do Vietnã.

    O desafio da sustentabilidade no agronegócio

    Entre os temas centrais do congresso, a crise hídrica e as emissões de carbono no cultivo do arroz ganharam destaque após a apresentação de um estudo da Embrapa que aponta o aumento de 22% nas áreas afetadas por secas no Sul do Brasil desde 2020. “Precisamos urgentemente integrar tecnologias de irrigação inteligente e variedades mais resilientes”, afirmou Velho durante painel sobre segurança alimentar. A delegação gaúcha ainda anunciou parcerias com universidades colombianas para desenvolver pesquisa conjunta em manejo sustentável.

    Perspectivas para o Mercosul

    Com a demanda global projetada para crescer 3% ao ano até 2030 (segundo a FAO), o Irga defendeu a criação de um bloco unificado de comercialização para o Mercosul, aproveitando acordos como o Mercosul-União Europeia. “A Colômbia se tornou um hub estratégico para escoar nossas exportações para a América Central e Caribe”, destacou Antunes. A próxima edição da RMTC será realizada em 2028 no Uruguai, consolidando a região como polo de inovação no setor.

  • Plano Inova Cacau 2030 é publicado pelo Mapa para alavancar produção sustentável até 2030

    Plano Inova Cacau 2030 é publicado pelo Mapa para alavancar produção sustentável até 2030

    Portaria formaliza governança e monitoramento do plano

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (26 de maio de 2026), a Portaria nº 909, que institui oficialmente o Plano Inova Cacau 2030. A norma define a estrutura de governança, coordenação, monitoramento e transparência da iniciativa, com vigência até 31 de dezembro de 2030.

    Objetivos ambiciosos para o setor cacaueiro

    O plano tem como foco o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do cacau, com metas claras: elevar a produtividade, melhorar a qualidade dos grãos, ampliar a renda dos produtores e consolidar o Brasil como referência em origem sustentável no mercado global. A execução seguirá diretrizes e eixos estratégicos estabelecidos em documento técnico já aprovado em 2023, passível de atualizações periódicas sem alterar seus objetivos centrais.

    Ceplac liderará a coordenação interinstitucional

    A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) será responsável pela articulação entre os diversos atores envolvidos, garantindo a implementação das ações previstas. A portaria reforça a necessidade de transparência e acompanhamento contínuo dos resultados, alinhados às demandas do setor e às exigências do mercado internacional por produtos sustentáveis.

  • Bioinova: Embrapa une cinco unidades para acelerar transição energética com biomassa e resíduos agroindustriais

    Bioinova: Embrapa une cinco unidades para acelerar transição energética com biomassa e resíduos agroindustriais

    A Embrapa consolidou, em 25 de maio de 2026, uma frente unificada de pesquisa para enfrentar um dos maiores desafios do século: a transição energética. O Bioinova, projeto coordenado pela Embrapa Agroenergia (DF) e que integra cinco centros de excelência da estatal, promete acelerar a conversão de biomassa e resíduos agroindustriais em soluções energéticas limpas.

    Rede de inovação com aporte de R$ 14 milhões para modernizar a pesquisa

    O Bioinova reúne, além da sede em Brasília, unidades nos estados do Ceará (Embrapa Agroindústria Tropical), Minas Gerais (Embrapa Milho e Sorgo), Rio Grande do Sul (Embrapa Trigo) e o laboratório de Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF). A iniciativa, financiada pela Finep com R$ 14 milhões, terá duração de 36 meses e busca atingir 10 metas científicas até 2029. O objetivo é claro: ampliar a participação do agronegócio brasileiro na redução das emissões globais, com foco em energia renovável, combustíveis de base biológica e insumos sustentáveis.

    De resíduos a recursos: a biomassa como vetor da descarbonização

    A estratégia da Embrapa foca em dois pilares: a otimização de processos para transformar materiais antes descartados — como palha de milho, bagaço de cana ou esterco animal — em fontes de energia e produtos de alto valor agregado. Segundo o coordenador do projeto, essa abordagem não apenas reduz o impacto ambiental, mas também cria novas cadeias de valor para o produtor rural. “Estamos falando de uma revolução silenciosa, onde o que era custo passa a ser oportunidade”, afirmou o pesquisador.

    Impacto econômico e ambiental para o Brasil

    Com a agricultura responsável por cerca de 25% das emissões nacionais de gases do efeito estufa, segundo dados do Observatório do Clima de 2025, iniciativas como o Bioinova ganham relevância estratégica. Além de diminuir a dependência de combustíveis fósseis, o projeto pode posicionar o Brasil como líder global na produção de bioenergia, aproveitando sua matriz agroindustrial diversificada. Especialistas destacam que, até 2030, soluções como as desenvolvidas pela rede Embrapa poderão reduzir em até 15% as emissões do setor, conforme projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O que esperar até 2029?

    Entre as entregas previstas estão a criação de cinco tecnologias patenteadas, a capacitação de 200 profissionais e a implementação de três plantas-piloto para testes em escala real. A Embrapa também planeja parcerias com universidades e empresas privadas para escalar as soluções. “Não se trata apenas de ciência, mas de transformar conhecimento em negócios que façam sentido para o campo e para a indústria”, declarou a diretora da Embrapa Agroenergia.

  • Ex-banqueiro da Faria Lima vira ‘caçador de pastos improdutivos’ e revoluciona agro com modelo bilionário

    Ex-banqueiro da Faria Lima vira ‘caçador de pastos improdutivos’ e revoluciona agro com modelo bilionário

    A engenharia financeira que transformou o agro brasileiro

    No dia 24 de maio de 2026, a AGBI — gestora fundada pelo economista Luciano Lewandowski — comemora uma década de operações com um modelo que se tornou referência no mercado agro: comprar fazendas degradadas e devolvê-las ao ciclo produtivo como lavouras de alta performance. A estratégia, que já recuperou três propriedades e gerou lucros totais distribuídos aos investidores, alia a expertise de executivo de bancos de investimento à operação no campo, onde a botina suja de terra dialoga com planilhas de Excel.

    Lewandowski, que atuou no topo da Faria Lima, identificou no interior do Brasil a maior oportunidade de lucro do país: solos esgotados ou mal geridos. Ao invés de apostar em terras já produtivas — disputadas por grandes grupos —, ele optou por imóveis rurais em estado de degradação, adquirindo-os por valores abaixo do mercado e aplicando um modelo exclusivo de equity. A tese não é apenas comprar terras, mas transformá-las por meio de um rigoroso sistema de engenharia financeira, que inclui manejo sustentável, tecnologia e gestão profissional.

    De R$ 60 milhões em 4 anos a R$ 1 bilhão em 2026: a escalada da AGBI

    Os números da AGBI falam por si. Entre 2013 e 2017, a gestora captou R$ 60 milhões após anos de operação. Em 2026, com o mercado agro cada vez mais atento à sustentabilidade e à produtividade, a meta é ambiciosa: captar R$ 1 bilhão até o final do ano. A expansão não é apenas quantitativa, mas qualitativa: a AGBI já estruturou operações em Goiás, Mato Grosso e Bahia, estados que concentram parte dos 100 milhões de hectares de pastagens degradadas no Brasil, segundo dados da Embrapa.

    O sucesso do modelo se deve à sua capacidade de atrair investidores institucionais — fundos de pensão, family offices e gestoras de agronegócio —, que enxergam na recuperação de terras degradadas um ativo com potencial de valorização superior a 30% ao ano. Lewandowski argumenta que o agro brasileiro não precisa mais expandir sua fronteira agrícola, mas sim otimizar o que já existe: “Não é sobre derrubar mais mata, é sobre fazer o que já está desmatado voltar a produzir”, afirmou em entrevista ao Cenário & Fatos na última semana.

    O equilíbrio entre lucro e sustentabilidade

    A AGBI não vende apenas fazendas recuperadas, mas um modelo de negócio que se alinha às demandas do mercado por práticas ESG (ambientais, sociais e de governança). Ao revitalizar solos degradados, a gestora contribui para a redução do desmatamento, a captura de carbono e a geração de empregos no campo. Para Lewandowski, o agro do futuro não será mais associado apenas à soja ou ao boi, mas à inovação financeira e à sustentabilidade.

    “O desafio não é técnico, é de gestão. Temos tecnologia, temos capital, mas precisamos de visão estratégica para escalar”, declarou. A AGBI já mapeou mais de 500 fazendas degradadas em todo o país, com potencial de adensamento produtivo. Com a data-base de 24 de maio de 2026, a gestora se prepara para lançar três novas captações este ano, cada uma com foco em diferentes biomas — cerrado, amazônia e pampa.

  • AGBI: a engenharia da Faria Lima no campo que transformou pastos degradados em minas de ouro do agro brasileiro

    AGBI: a engenharia da Faria Lima no campo que transformou pastos degradados em minas de ouro do agro brasileiro

    Luciano Lewandowski conhece o poder dos números como poucos. Durante anos, ele geriu bilhões em fundos de investimento nos escritórios refrigerados da Faria Lima, onde os gráficos de rentabilidade eram projetados em telões de última geração. Mas foi no interior empoeirado, onde o solo cansado de décadas de exploração mal consegue sustentar um pé de soja, que ele enxergou o verdadeiro filão: terras baratas que poderiam ser transformadas em ativos milionários com o toque certo de engenharia financeira e agronômica.

    A AGBI, gestora fundada por Lewandowski, tornou-se a prova viva de que o Brasil agrário pode ser tão rentável quanto as maiores bolsas de valores. Em vez de apostar em terras já consolidadas, a empresa especializou-se em adquirir pastagens degradadas — aquelas onde o gado mal consegue sobreviver e o solo está tão empobrecido que nem adubo tradicional funciona mais. Com um modelo exclusivo de equity, a AGBI compra essas áreas por preços de “pecuária” (muito abaixo do valor de mercado para agricultura moderna) e aplica uma estratégia agressiva de recuperação: correção química agressiva, plantio de culturas de alto retorno e, em seguida, revenda pelo valor de “soja” ou até mesmo de áreas destinadas a projetos de reflorestamento ou bioenergia.

    Do papel à realidade: como uma pastagem vira uma mina de ouro em três anos

    O processo começa com uma análise criteriosa de localização. A AGBI não busca terras aleatórias: prioriza regiões com clima favorável, logística de escoamento eficiente e, principalmente, solo que responda bem à recuperação. “Não adianta comprar uma fazenda degradada no meio do nada, por mais barata que seja”, explica Lewandowski em entrevista exclusiva. “O segredo está em identificar áreas onde, com investimentos relativamente baixos — mas altamente técnicos —, podemos multiplicar o valor da terra em poucos ciclos produtivos.”

    O passo seguinte é o que Lewandowski chama de “engenharia reversa do solo”: aplicação massiva de calcário e gesso para reequilibrar o pH, seguido de plantio de culturas de cobertura que sequestram carbono e melhoram a estrutura do solo. Em seguida, vem a lavoura principal — geralmente soja ou milho, dependendo da região. Em dois ou três anos, a área que antes produzia menos de 2.000 kg de carne por hectare passa a gerar 4.000 kg de grãos, com potencial de venda pelo dobro ou triplo do preço de compra.

    Os números comprovam a tese. Enquanto os dois primeiros fundos da AGBI (lançados entre 2013 e 2017) levaram quatro anos para captar R$ 60 milhões, o Fundo IV atingiu a mesma marca em apenas duas semanas. “Isso mostra que o mercado finalmente entendeu que o valor real da terra brasileira não está na sua extensão, mas na sua capacidade de transformação”, analisa o executivo. Para 2024, a meta é chegar ao volume de R$ 500 milhões em ativos sob gestão, com previsão de mais três fundos até 2026.

    Oportunidade ou bolha? O risco por trás de um modelo que vende sonhos de lucro rápido

    Críticos do modelo apontam que a estratégia da AGBI depende de condições ideais — clima favorável, preços estáveis das commodities e acesso a crédito barato — para funcionar. “Não é um negócio para amadores”, admite Lewandowski. “Exige capital paciente, gestão técnica impecável e, acima de tudo, timing. Comprar na alta do mercado ou vender na baixa pode transformar o que parece um acerto em um desastre.”

    Outro ponto de atenção é o impacto ambiental. Embora a AGBI se apresente como uma solução para terras degradadas, ambientalistas questionam se a recuperação agressiva de solos não pode, em alguns casos, agravar problemas como a erosão ou a contaminação por agroquímicos. “A degradação não é apenas uma questão de prejuízo econômico, mas também ambiental”, alerta a doutora em agronomia Maria Fernanda Diniz, da Universidade Federal de Viçosa. “Recuperar uma pastagem degradada não pode ser sinônimo de esgotar ainda mais o solo.”

    Lewandowski rebate as críticas com dados: segundo ele, 60% das áreas recuperadas pela AGBI são convertidas em sistemas integrados (lavoura-pecuária-floresta), que aumentam a biodiversidade local. Além disso, a empresa afirma que mais de 70% dos seus investimentos já foram auditados por órgãos ambientais, com selos de sustentabilidade como o CAR (Cadastro Ambiental Rural) e o Protocolo de Sustentabilidade do Agronegócio (PSA).

    O futuro do agro brasileiro passa pela terra que ninguém quer

    Se a AGBI está certa, o Brasil tem nas mãos uma solução para dois problemas simultâneos: a crise de produtividade das pastagens — que já ocupam 25% do território nacional — e a necessidade de atrair capital estrangeiro para o agro, cada vez mais cobiçado por fundos de private equity e investidores institucionais. “O agro não é mais o setor do improviso”, diz Lewandowski. “Hoje, é um laboratório de inovação financeira, onde a terra é tratada como um ativo líquido, negociado em ciclos cada vez mais curtos.”

    Para os cotistas da AGBI, o apelo é claro: trata-se de um investimento tangível, ancorado em ativos reais que, diferentemente das ações ou criptomoedas, não desaparecem em uma crise. Nos últimos cinco anos, os fundos da gestora registraram rentabilidade média de 25% ao ano, com picos de 35% em anos de safra excepcional. “Estamos falando de um modelo que não é especulativo, mas sim de engenharia de valor”, resume Lewandowski. “E nesse jogo, quem coloca a botina no chão e a planilha no bolso sai na frente.”

  • Milho roxo na Amazônia: como a agricultura familiar transformou um grão andino em negócio milionário com sabor da floresta

    Milho roxo na Amazônia: como a agricultura familiar transformou um grão andino em negócio milionário com sabor da floresta

    Do alto dos Andes às águas amazônicas: uma cultura que se reinventa

    O que começou como uma tradição culinária nos Andes peruanos agora ganha raízes na Amazônia, onde as várzeas férteis — solos alagadiços que secam sazonalmente — tornam-se o novo palco para o cultivo do milho roxo. Esta adaptação não é apenas uma curiosidade agrícola, mas um movimento estratégico que une dois biomas sul-americanos em torno de uma cadeia produtiva sustentável e economicamente viável para famílias rurais.

    Agricultura familiar como motor da transformação

    A virada no jogo veio com o suporte do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), que desenvolveu técnicas para cultivar variedades andinas em condições amazônicas. O projeto, inicialmente focado no milho roxo, logo expandiu-se para incluir a produção de derivados, como a ‘Camuchicha’ — uma releitura amazônica da tradicional chicha morada, agora enriquecida com camu-camu, um fruto local com alto teor de vitamina C. A iniciativa não só diversificou a renda dos agricultores, como também atraiu olhares para um modelo de negócio alinhado à bioeconomia e à agricultura regenerativa.

    Cleydis Murayari e o pioneirismo que mudou uma comunidade

    Na comunidade 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha, a agricultora Cleydis Murayari Ihuaraqui decidiu, em 2022, romper com a rotina local ao plantar milho roxo em uma área antes improdutiva. Seus resultados — colheitas estáveis e solos menos dependentes de fertilizantes químicos — serviram de inspiração para outros produtores. Hoje, sua experiência é citada como caso de sucesso pelo IIAP, provando que a sinergia entre conhecimento tradicional e ciência pode reconfigurar economias regionais.

    Sustentabilidade que vai além do campo

    A adoção do milho roxo nas várzeas amazônicas traz benefícios ambientais tangíveis: a redução do uso de agrotóxicos, a recuperação de áreas degradadas e a geração de emprego em comunidades isoladas. Além disso, a ‘Camuchicha’ — bebida que já desponta como produto de nicho no mercado internacional — representa uma ponte entre a cultura nativa e o consumo moderno, com apelo para mercados gourmet e health food. Especialistas destacam que o modelo pode ser replicado em outras regiões da Amazônia, inclusive no Brasil, onde a busca por produtos sustentáveis cresce a cada ano.

    O futuro da produção: desafios e oportunidades

    Apesar do sucesso inicial, o projeto enfrenta obstáculos como a logística de distribuição em áreas remotas e a necessidade de investimentos em processamento industrial para escalar a produção da ‘Camuchicha’. No entanto, o potencial econômico é inegável: o milho roxo, antes um grão de nicho, agora figura em projeções de crescimento para a agricultura familiar amazônica. Com a demanda global por ingredientes funcionais e sustentáveis em alta, a Amazônia pode não apenas se tornar a nova fronteira do milho roxo, mas também um laboratório vivo de inovação rural.