Suspensão do Mover: cobrança de contrapartidas
A Lecar, que busca viabilizar o lançamento do elétrico Lecar 459, teve sua habilitação no programa Mover suspensa pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Servícios (MDIC). A medida, publicada na data de hoje (5 de junho de 2026), decorre da ausência de relatórios técnicos que comprovem investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados pela empresa em 2025. O programa, criado para fomentar a inovação no setor automotivo, exige que as fabricantes apresentem documentação detalhada sobre projetos de engenharia e tecnologias desenvolvidas localmente como contrapartida aos benefícios fiscais.
Investigação do MPF e modelo de negócios questionado
A decisão do governo federal ocorre em um momento crítico para a Lecar, cuja operação já é investigada pelo Ministério Público Federal sob suspeita de operação irregular de pirâmide financeira. O modelo de ‘Compra Programada’ da empresa, que prometia entregas de veículos mediante pagamentos antecipados, tem sido alvo de questionamentos sobre a existência de lastro real para as operações. Até o momento, a fábrica prometida para março de 2026 no Espírito Santo segue sem obras iniciadas ou licenças ambientais emitidas, levantando dúvidas sobre a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos.
Estratégia de sobrevivência: busca por parceiros asiáticos
Em meio à crise, a Lecar tem buscado alternativas para manter suas operações. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a empresa estuda parcerias com fabricantes asiáticas para viabilizar uma linha de montagem multimarcas no Brasil. A estratégia, no entanto, ainda não garantiu a retomada dos investimentos necessários para reaver os benefícios do programa Mover ou a credibilidade junto ao mercado e aos órgãos reguladores.

Deixe um comentário