Chaco Paraguaio: a nova fronteira do agronegócio sul-americano atrai investimentos bilionários

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A virada do Chaco: de região esquecida a polo do agro

Por décadas, o Chaco Paraguaio foi um dos grandes ‘vazios’ econômicos da América do Sul. Clima hostil, infraestrutura precária e distância dos grandes mercados mantiveram a região à margem do boom agropecuário que transformou vizinhos como Brasil e Argentina em gigantes do setor. Mas, em meados de 2026, o cenário mudou drasticamente. Investidores brasileiros e internacionais passaram a enxergar no território uma oportunidade única: terras ainda acessíveis, potencial de valorização acelerada e um ambiente regulatório mais flexível para a expansão agrícola e pecuária tecnificada.

Fatores-chave: por que o Chaco virou o novo eldorado do agro

A virada do Chaco não é obra do acaso. Três vetores principais impulsionam a transformação: o avanço da pecuária de precisão, que reduz custos e aumenta produtividade; a expansão acelerada da agricultura, especialmente de grãos como soja e milho; e a iminente conclusão da Rota Bioceânica, que conectará o Atlântico ao Pacífico e reduzirá em até 40% os custos logísticos para escoamento da produção. Segundo dados do Ministério da Agricultura do Paraguai, a região registrou um crescimento de 12% na área plantada em 2025, com projeções de dobrar a produção nos próximos cinco anos.

O preço da terra: barganha com potencial explosivo

A combinação de terras ainda baratas — até 70% mais baratas que em Mato Grosso ou no Paraguai Oriental — e a expectativa de valorização atrai especuladores e produtores. Um hectare no Chaco, que custava cerca de US$ 500 em 2020, hoje pode chegar a US$ 3.000 em áreas com infraestrutura básica. ‘É uma corrida contra o tempo: quem compra agora ainda faz negócio de barganha’, avalia o analista agropecuário Carlos Mendes, da consultoria AgroLatam. A demanda crescente já eleva os preços em até 25% ao ano em algumas localidades, segundo levantamento da Bolsa de Cereais de Assunção.

Riscos e desafios: o lado obscuro da fronteira agrícola

Apesar do otimismo, a expansão do Chaco não está livre de controvérsias. Especialistas alertam para riscos ambientais, como o desmatamento acelerado da vegetação nativa e a pressão sobre recursos hídricos em uma região já afetada por secas recorrentes. Além disso, questões fundiárias — com conflitos entre comunidades indígenas e produtores — e a dependência de insumos importados (como fertilizantes) são pontos de atenção. ‘O Chaco tem potencial, mas seu modelo de desenvolvimento precisa ser sustentável. Caso contrário, a região pode repetir os erros do Cerrado brasileiro’, adverte a economista ambiental Laura Gomes, da UFPR.

O que esperar do futuro: a Rota Bioceânica e além

A conclusão da Rota Bioceânica, prevista para 2027, deve ser o divisor de águas. Com 2.200 km de extensão, a rodovia cortará o Chaco e permitirá o escoamento da produção diretamente para os portos chilenos, reduzindo custos e encurtando prazos. Projeções do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicam que o PIB agropecuário do Paraguai pode crescer 8% ao ano até 2030, impulsionado pela região. ‘O Chaco não é mais uma aposta arriscada; é uma realidade’, resume o empresário agrícola paraguaio Ricardo Franco, dono de uma das maiores fazendas de soja da região.

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