Frente a cotas chinesas, frigoríficos testam queda nos preços do boi gordo no Brasil

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China trava exportações e derruba expectativas no mercado

Desde a última quarta-feira (17/06), o mercado físico do boi gordo no Brasil entrou em uma espiral de incertezas após a China — principal comprador da carne bovina brasileira — intensificar o controle sobre as cotas de importação. A medida, que limita o volume de embarques, fez com que frigoríficos recuassem em até 3% nos preços da arroba em praças como São Paulo e Goiás, segundo dados preliminares da Safras & Mercado.

Cautela dos frigoríficos: entre a queda de braço e a busca por equilíbrio

O analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, destaca que a postura dos frigoríficos reflete uma tentativa de “desaquecer a demanda interna sem desestimular a oferta de gado”. A estratégia, contudo, esbarra na resistência dos pecuaristas, que mantêm lotes retidos na expectativa de manutenção dos preços. “Os frigoríficos estão testando preços menores para forçar a comercialização, mas o produtor, vendo a China como um mercado instável, prefere esperar”, explica Iglesias.

Consequências para o setor: preços em xeque e projeções para 2026

Com a oferta de animais terminados ainda enxuta — reflexo de ciclos anteriores de baixa rentabilidade —, a pressão sobre os frigoríficos aumenta. A queda nos preços da arroba, mesmo que temporária, pode desincentivar investimentos em terminação, agravando a escassez futura. Analistas projetam que, se as cotas chinesas não forem flexibilizadas até julho, o mercado brasileiro pode enfrentar uma nova rodada de alta nos preços, desta vez puxada pela demanda doméstica.

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