Brasil mira qualidade premium: tecnologias na pecuária podem dobrar valor da carne até 2030

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A pecuária brasileira, líder mundial em exportações de carne bovina, enfrenta um paradoxo: produz em escala global, mas vende a preços de commodity. Na quarta-feira, 1 de julho de 2026, durante a Feicorte 2026 em Presidente Prudente (SP), a Dra. Liliane Suguisawa, diretora técnica da DGT Brasil, jogou luz sobre a solução para esse gargalo: tecnologias de seleção genética e biotecnologia reprodutiva que prometem padronizar a qualidade da carne nacional — e, consequentemente, seus preços.

A virada que falta: do volume à diferenciação

Enquanto países como Austrália e Estados Unidos já remuneram cortes premium (como o Wagyu ou Angus) até 3 vezes mais que a média global, o Brasil vende sua carne a valores próximos ao da commodity. Segundo dados apresentados na feira, a adoção de ferramentas como a ultrassonografia de carcaça — que identifica marmoreio, área de olho de lombo e gordura em animais vivos — poderia reduzir em até 40% o tempo de identificação de animais superiores. “O mercado premium não aceita mais incertezas. Precisamos de carne previsível, com características reprodutíveis”, afirmou Suguisawa.

Biotecnologia como alavanca: embriões e genômica na mira

Outra frente em expansão é a biotecnologia reprodutiva. Empresas do setor já trabalham com transferência de embriões sexados (para garantir maior proporção de fêmeas) e programas de melhoramento genético com marcadores moleculares. O objetivo é acelerar a disseminação de touros com genética comprovada para marmoreio e maciez, duas características-chave nos mercados asiáticos e europeus, onde o Brasil ainda luta para penetrar com preços premium. “Hoje, um animal com genética superior pode gerar uma cadeia de valor 20% maior”, calcula um produtor presente na feira.

O risco de ficar para trás

O atraso brasileiro nesse quesito não é apenas econômico: é estratégico. Enquanto a pecuária nacional depende de 1,5% de animais rastreados geneticamente, países concorrentes como Uruguai e Argentina já superam 10%. “Se não investirmos agora, perderemos espaço para concorrentes que já dominam a narrativa de qualidade”, alertou um painelista. A boa notícia é que, segundo projeções da Embrapa, a adoção massiva dessas tecnologias poderia aumentar o valor da carne brasileira em até 150% até 2030 — mas o tempo para agir é curto.

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