Autor: Roberto Neves

  • Hyundai i20 2027: por que a versão básica é tão diferente das topo de linha?

    Hyundai i20 2027: por que a versão básica é tão diferente das topo de linha?

    O i20 2027 chega como opção intermediária entre HB20 e Creta

    A Hyundai posicionou o i20 2027 como um modelo de transição entre o HB20 e o Creta, aproveitando a visibilidade da Copa do Mundo 2026 para lançá-lo no mercado brasileiro. Enquanto as versões topo (X-Line e Ultimate) ganharam holofotes, a linha Comfort 1.0 MPI MT — a mais acessível — já está à venda por R$ 99.990, mas com recursos limitados em comparação aos modelos premium.

    Motor 1.0 aspirado: simplicidade técnica com apelo econômico

    O coração do i20 2027 na versão básica é um motor 1.0 MPI de três cilindros, aspirado, com injeção indireta e comando duplo de válvulas acionado por corrente. Produzindo 80 cv de potência e 10,2 kgfm de torque, esse propulsor é acoplado a uma transmissão manual de cinco marchas, voltada para quem prioriza custo-benefício e baixo consumo. A ausência de turbo ou tecnologias híbridas reforça seu papel como opção entry-level.

    Design crossover: rodas de aço e molduras pretas como diferenciais visuais

    A versão Comfort 1.0 se diferencia das topo pela simplicidade: rodas de aço de 15 polegadas com calotas e molduras pretas nas caixas de rodas, que emprestam um ar crossover ao modelo. Faróis de LED na dianteira sem grade iluminada e lanternas traseiras sem iluminação complementar reforçam a proposta minimalista, mas ainda assim atraente para quem busca praticidade sem exageros.

    O que falta para equiparar às versões topo?

    Enquanto a X-Line e a Ultimate devem trazer recursos como teto solar, painel digital, conectividade avançada e motores turbo, a Comfort 1.0 se limita ao básico. A ausência de itens como grade iluminada e detalhes premium evidencia a lacuna entre as versões, mas também abre espaço para quem não precisa de tecnologia embarcada para justificar a compra.

  • Audi lança A6 Allroad 2026: a perua aventureira que desafia o reinado dos SUVs com estilo e tecnologia

    Audi lança A6 Allroad 2026: a perua aventureira que desafia o reinado dos SUVs com estilo e tecnologia

    Audi aposta na versatilidade do A6 Allroad para conquistar novos aventureiros

    Em um mercado dominado por SUVs, a Audi mantém viva a tradição das peruas aventureiras com o lançamento do novo A6 Allroad, apresentado nesta terça-feira, 16 de junho de 2026. O modelo, derivado do A6 Avant, ganha uma carroceria alargada em 11,1 cm, resultando em bitolas mais largas e uma presença marcante nas estradas — ou fora delas.

    Dimensões ampliadas e motorização híbrida inédita

    Com 5,02 metros de comprimento, 1,99 m de largura e 1,51 m de altura, o A6 Allroad 2026 supera o A6 Avant em robustez, oferecendo também altura ajustável e tração integral quattro ultra para enfrentar terrenos irregulares. Pela primeira vez, o Allroad recebe um híbrido plug-in a gasolina de 367 cv, além do já conhecido 3.0 V6 turbodiesel de 299 cv, mantendo as opções de motorização do modelo anterior.

    Pré-vendas na Europa e expectativa no Brasil

    As encomendas para a Europa já estão abertas, com previsão de chegada às concessionárias no final de 2026. Embora não haja confirmação de lançamento no Brasil, a tendência de importação de lotes limitados — como ocorreu com outros modelos Allroad — não pode ser descartada, especialmente em um mercado cada vez mais receptivo a veículos premium com apelo aventureiro.

    Design agressivo e foco no off-road urbano

    O visual do A6 Allroad 2026 reforça seu DNA off-road com proteções inferiores, para-choques reforçados e uma grade frontal proeminente. Apesar de suas capacidades fora de estrada, o modelo parece projetado para quem busca estilo aventureiro sem abrir mão do conforto de uma perua executiva, posicionando-se como uma alternativa aos SUVs tradicionais.

  • Pés de frango brasileiros faturam R$ 221 milhões na China: como o ‘subproduto’ virou commodity de luxo

    Pés de frango brasileiros faturam R$ 221 milhões na China: como o ‘subproduto’ virou commodity de luxo

    O Brasil, tradicionalmente um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo, viu em um ‘desprezado’ subproduto do frango uma oportunidade de ouro. O chamado ‘chicken paws’ — ou ‘garras de frango’ —, classificado como lixo em muitos países, tornou-se um superalimento na China, movimentando um faturamento anual de R$ 221 milhões.

    Da cozinha doméstica aos banquetes imperiais

    Para o consumidor brasileiro, o pé de galinha é um item de baixo custo, muitas vezes associado a sopas ou pratos regionais. Contudo, na cultura gastronômica chinesa, essas estruturas — ricas em colágeno e colagenase — são consideradas um ingrediente nobre, presente em pratos como os Dim Sum, petiscos de luxo e até mesmo em refeições medicinais tradicionalmente chinesas.

    O Brasil domina o mercado asiático

    Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país é o principal fornecedor de chicken paws para a China, respondendo por quase a totalidade das importações desse produto na potência asiática. A demanda chinesa por esse subproduto não é passageira: trata-se de uma tendência consolidada, impulsionada pela busca por alimentos funcionais e pela valorização do aproveitamento integral das carcaças no agronegócio global.

    Lucro líquido: como o ‘lixo’ vira receita

    A estratégia dos frigoríficos brasileiros foi simples: transformar um resíduo em commodity. Enquanto as asas, coxas e peitos de frango disputam espaço no mercado interno e externo, o pé de galinha — antes descartado ou vendido a preços irrisórios — passou a ser separado, processado e exportado com margens de lucro que chegam a 300% em relação ao mercado doméstico.

    Especialistas do setor projetam que, até 2028, as exportações brasileiras desse subproduto poderão superar os R$ 300 milhões anuais, consolidando o Brasil como o fornecedor número 1 da China nesse nicho. Para os frigoríficos, trata-se de uma revolução silenciosa — enquanto a carne de frango perde competitividade em alguns mercados, a ‘ponta do pé’ se torna um ativo estratégico.

  • Chaco Paraguaio: a nova fronteira do agronegócio sul-americano atrai investimentos bilionários

    Chaco Paraguaio: a nova fronteira do agronegócio sul-americano atrai investimentos bilionários

    A virada do Chaco: de região esquecida a polo do agro

    Por décadas, o Chaco Paraguaio foi um dos grandes ‘vazios’ econômicos da América do Sul. Clima hostil, infraestrutura precária e distância dos grandes mercados mantiveram a região à margem do boom agropecuário que transformou vizinhos como Brasil e Argentina em gigantes do setor. Mas, em meados de 2026, o cenário mudou drasticamente. Investidores brasileiros e internacionais passaram a enxergar no território uma oportunidade única: terras ainda acessíveis, potencial de valorização acelerada e um ambiente regulatório mais flexível para a expansão agrícola e pecuária tecnificada.

    Fatores-chave: por que o Chaco virou o novo eldorado do agro

    A virada do Chaco não é obra do acaso. Três vetores principais impulsionam a transformação: o avanço da pecuária de precisão, que reduz custos e aumenta produtividade; a expansão acelerada da agricultura, especialmente de grãos como soja e milho; e a iminente conclusão da Rota Bioceânica, que conectará o Atlântico ao Pacífico e reduzirá em até 40% os custos logísticos para escoamento da produção. Segundo dados do Ministério da Agricultura do Paraguai, a região registrou um crescimento de 12% na área plantada em 2025, com projeções de dobrar a produção nos próximos cinco anos.

    O preço da terra: barganha com potencial explosivo

    A combinação de terras ainda baratas — até 70% mais baratas que em Mato Grosso ou no Paraguai Oriental — e a expectativa de valorização atrai especuladores e produtores. Um hectare no Chaco, que custava cerca de US$ 500 em 2020, hoje pode chegar a US$ 3.000 em áreas com infraestrutura básica. ‘É uma corrida contra o tempo: quem compra agora ainda faz negócio de barganha’, avalia o analista agropecuário Carlos Mendes, da consultoria AgroLatam. A demanda crescente já eleva os preços em até 25% ao ano em algumas localidades, segundo levantamento da Bolsa de Cereais de Assunção.

    Riscos e desafios: o lado obscuro da fronteira agrícola

    Apesar do otimismo, a expansão do Chaco não está livre de controvérsias. Especialistas alertam para riscos ambientais, como o desmatamento acelerado da vegetação nativa e a pressão sobre recursos hídricos em uma região já afetada por secas recorrentes. Além disso, questões fundiárias — com conflitos entre comunidades indígenas e produtores — e a dependência de insumos importados (como fertilizantes) são pontos de atenção. ‘O Chaco tem potencial, mas seu modelo de desenvolvimento precisa ser sustentável. Caso contrário, a região pode repetir os erros do Cerrado brasileiro’, adverte a economista ambiental Laura Gomes, da UFPR.

    O que esperar do futuro: a Rota Bioceânica e além

    A conclusão da Rota Bioceânica, prevista para 2027, deve ser o divisor de águas. Com 2.200 km de extensão, a rodovia cortará o Chaco e permitirá o escoamento da produção diretamente para os portos chilenos, reduzindo custos e encurtando prazos. Projeções do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicam que o PIB agropecuário do Paraguai pode crescer 8% ao ano até 2030, impulsionado pela região. ‘O Chaco não é mais uma aposta arriscada; é uma realidade’, resume o empresário agrícola paraguaio Ricardo Franco, dono de uma das maiores fazendas de soja da região.

  • Mercedes-AMG GLE 63 S 2026: V8 biturbo mantém essência esportiva com 612 cv e design radical

    Mercedes-AMG GLE 63 S 2026: V8 biturbo mantém essência esportiva com 612 cv e design radical

    Motorização: V8 biturbo preserva DNA AMG com toque híbrido

    O coração do novo Mercedes-AMG GLE 63 S 4MATIC+, lançado em junho de 2026, segue fiel ao V8 biturbo 4.0, mas com uma atualização significativa: a adoção de tecnologia mild hybrid. Combinado a um motor elétrico de 28 cv, o conjunto entrega 612 cavalos de potência, garantindo uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 3,9 segundos. A velocidade máxima, limitada eletronicamente, atinge 280 km/h — número que reforça o compromisso do modelo com o desempenho absoluto.

    Design agressivo: agressividade estruturada na dianteira e traseira

    A atualização estética do GLE 63 S não é apenas cosmética. A dianteira, completamente redesenhada, incorpora a icônica grade Panamericana da AMG em um layout mais esculpido e amplo, com entradas de ar reforçadas para otimizar o resfriamento do motor V8. Os novos faróis de LED, com assinatura luminosa exclusiva da divisão esportiva, trazem um toque moderno sem perder a identidade agressiva.

    Na traseira, o difusor esportivo integrado ao para-choque e os escapamentos duplos trapezoidais — marca registrada da AMG — reforçam a estabilidade e a presença do SUV em altas velocidades. A combinação de linhas largas e detalhes aerodinâmicos não apenas embeleza, mas também melhora o desempenho em pistas.

    Legado e futuro: um AMG que não precisa de eletrificação para impressionar

    Em um mercado cada vez mais dominado por híbridos e elétricos, o novo GLE 63 S opta por uma abordagem diferente: mantém o V8 como protagonista, mas incorpora tecnologia mild hybrid para reduzir emissões sem comprometer a potência. A estratégia da Mercedes-AMG parece clara: manter a essência dos modelos de alto desempenho, mesmo em tempos de transição energética.

    Ainda assim, o modelo chega com preços estimados acima de R$ 1,2 milhão no Brasil, posicionando-o como uma opção para entusiastas dispostos a pagar pelo legado do V8. Com entrega prevista para o segundo semestre de 2026, o GLE 63 S reforça que, para a AMG, a emoção de dirigir ainda está — e sempre estará — no som do motor a combustão.

  • Frio intenso derruba temperaturas e geadas ameaçam agro nas principais regiões produtoras do Sul

    Frio intenso derruba temperaturas e geadas ameaçam agro nas principais regiões produtoras do Sul

    A partir desta segunda-feira (15), uma nova incursão de ar frio começa a derrubar as temperaturas no Sul do Brasil, reacendendo alertas para geadas que podem prejudicar culturas como café, trigo e cana-de-açúcar. Segundo o Inmet, a previsão para terça (16) e quarta-feira (17) indica geadas moderadas a fortes nas regiões da Campanha Gaúcha e áreas serranas, além de instabilidades que trazem pancadas de chuva para o Norte e chuvas localmente fortes no Sudeste.

    Geadas no Sul: o que esperar nas principais regiões produtoras

    O Rio Grande do Sul, maior produtor de grãos do país, será o mais afetado pelo frio intenso, com geadas previstas para áreas como a Campanha, Serra Gaúcha e sul de Santa Catarina. Produtores de trigo e cevada precisam monitorar as lavouras, pois as geadas podem danificar plantas em estágio inicial. Em Santa Catarina, a região oeste também está em alerta, enquanto no Paraná, o sul do estado deve registrar temperaturas abaixo de 5°C.

    Instabilidades no Sudeste e Norte: chuva forte em áreas estratégicas

    No Sudeste, as instabilidades devem persistir até quarta-feira, com risco de chuvas fortes em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. No Norte, a previsão é de pancadas de chuva no oeste do Amazonas e leste do Amapá, com acumulados que podem superar 50 mm. Essas chuvas, embora benéficas para o abastecimento de água, aumentam o risco de alagamentos em áreas urbanas e rurais.

    Impactos no agro: safra de inverno em risco

    A combinação de geadas no Sul e chuvas no Sudeste e Norte pode atrasar a colheita de culturas de inverno e prejudicar o plantio de segunda safra em algumas regiões. Especialistas alertam que a manutenção do frio até o final de junho pode agravar os danos, especialmente em lavouras de café e hortifrúti, que são sensíveis a baixas temperaturas. A orientação é que os produtores estejam preparados com coberturas e sistemas de irrigação para minimizar perdas.

  • Agro de US$ 1,8 trilhão: o motor invisível por trás da Copa do Mundo 2026

    Agro de US$ 1,8 trilhão: o motor invisível por trás da Copa do Mundo 2026

    O agronegócio como pilar da Copa do Mundo 2026

    Desde o dia 11 de junho, a Copa do Mundo, disputada simultaneamente nos Estados Unidos, México e Canadá, não é apenas um espetáculo esportivo: é um laboratório de escala global onde o agronegócio assume um papel central. Com 104 partidas, 16 estádios e um público estimado em mais de 7 milhões de pessoas, o evento exige uma cadeia de suprimentos capaz de abastecer hotéis, restaurantes, camarotes e arenas com alimentos de qualidade — uma operação bilionária.

    US$ 1,8 trilhão em produção agroalimentar

    Segundo dados de 2025, os sistemas agroalimentares dos três países-sede movimentaram aproximadamente US$ 1,8 trilhão (quase R$ 10 trilhões), formando a base produtiva que sustenta não só a competição, mas toda a infraestrutura logística por trás dela. Cada hambúrguer servido em Dallas, cada taco consumido na Cidade do México ou cada refeição típica em Toronto depende diretamente dessa engrenagem, que vai desde a pecuária até a horticultura.

    Logística e cadeias globais em ação

    A complexidade dessa operação é proporcional ao tamanho do evento. Carnes bovinas, milho, leite, frutas e outros insumos precisam ser transportados com agilidade para evitar desperdícios e garantir a qualidade esperada pelos torcedores. A logística, muitas vezes invisível, é tão crítica quanto os gols ou as decisões dos árbitros. Afinal, sem um abastecimento eficiente, até mesmo o maior evento esportivo do mundo enfrentaria crises de fome — literalmente.

    O agronegócio como vitrine global

    Além de alimentar os visitantes, a Copa do Mundo 2026 serve como um palco para o agronegócio mostrar sua capacidade de integração, inovação e escala. Em um mundo onde a segurança alimentar é cada vez mais discutida, o evento destaca como o setor consegue, em poucas semanas, mobilizar recursos para atender a uma demanda massiva e diversificada. Para o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, a visibilidade é dupla: não só o país consome esse mercado como também é um de seus principais fornecedores.

    O que esperar além dos gramados?

    Enquanto os jogadores se preparam para decidir o título, milhares de trabalhadores rurais, transportadores e técnicos garantem que o show não pare. A Copa do Mundo 2026 não é apenas sobre gols ou títulos — é sobre a capacidade humana de transformar recursos naturais em um espetáculo de classe mundial. E, nesse cenário, o agronegócio não é coadjuvante: é protagonista.

  • Lula lança pacote ambiental com foco em prevenção de queimadas e recuperação de biomas

    Lula lança pacote ambiental com foco em prevenção de queimadas e recuperação de biomas

    Brasil assume protagonismo global em agenda ambiental

    Em 10 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou, no Palácio do Planalto, um pacote ambicioso de iniciativas para consolidar o Brasil como líder na proteção de biomas e no enfrentamento das mudanças climáticas. A iniciativa, apresentada durante celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), chega em um momento crítico: com a previsão de um El Niño intenso para os próximos meses, a agenda de prevenção a queimadas e desmatamento ganha urgência inédita.

    Medidas anunciadas: do concreto ao simbólico

    Entre as ações mais emblemáticas está a assinatura de decretos que ampliam áreas de conservação em todos os biomas brasileiros, além da sanção da Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga — primeira legislação específica para o bioma, que cobre 11% do território nacional. Outro ponto central é a reformulação do Fundo Nacional do Meio Ambiente, cujos repasses para estados e municípios foram simplificados para acelerar ações de prevenção a incêndios, especialmente no Cerrado e na Amazônia.

    Credibilidade internacional em jogo

    O discurso de Lula, que destacou a “credibilidade” do Brasil no cenário global, reflete a pressão sofrida pelo país nos últimos anos. Com a volta da fiscalização ambiental após um período de desmonte, o governo busca reverter críticas internacionais — como as sanções impostas por blocos econômicos em 2024 — e atrair investimentos verdes. Especialistas, no entanto, alertam: o desafio agora é garantir que as medidas não fiquem apenas no papel, sobretudo em um contexto de orçamento enxuto e resistência de setores agroindustriais.

    O que falta para virar realidade?

    A implementação do pacote depende de uma combinação de fatores: vontade política, recursos e fiscalização rigorosa. A previsão de um El Niño mais severo exige agilidade, pois a tendência é de seca prolongada em regiões já vulneráveis. Enquanto a sociedade civil comemora os avanços, ambientalistas cobram transparência nos critérios de criação das unidades de conservação e garantias de que os recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente não sejam contingenciados.

  • Inadimplência no campo explode: leilões de propriedades rurais batem recorde com crise de crédito e clima adverso

    Inadimplência no campo explode: leilões de propriedades rurais batem recorde com crise de crédito e clima adverso

    Crédito rural em colapso: 20% dos empréstimos já estão inadimplentes

    Dados compilados pela Reuters revelam que a inadimplência no crédito rural brasileiro disparou para quase 20% dos empréstimos em circulação até 15 de junho de 2026, um recorde histórico. A escalada da crise tem levado credores a acelerar a execução de garantias — sobretudo propriedades rurais —, que agora são leiloadas em ritmo acelerado em todo o país. Produtores e analistas do setor apontam para um cenário de ‘tempestade perfeita’, onde fatores econômicos, financeiros e climáticos se combinam para asfixiar o agro nacional.

    Preços em queda, custos em alta: a armadilha da soja e do milho

    O preço dos grãos, principal fonte de receita dos agricultores, não acompanha os custos de produção. Para a safra atual, produtores já desembolsam até R$ 8 mil por hectare antes mesmo da colheita — valor que inclui fertilizantes, defensivos, diesel e mão de obra. Enquanto isso, a cotação da soja e do milho segue em patamares baixos, pressionados pela supersafra global e pela demanda enfraquecida da China. ‘É como vender ouro a preço de ferro velho’, resume um produtor do Mato Grosso ouvido pela reportagem.

    Juros estratosféricos e El Niño: o golpe final nos cofres das fazendas

    As taxas de financiamento rural, que já beiram os 14% ao ano — patamar próximo ao histórico de 2003 —, somam-se à inflação de insumos agravada pelo conflito no Irã, que elevou o preço dos fertilizantes em mais de 40% desde 2024. Para piorar, meteorologistas alertam para a possibilidade de um ‘super El Niño’ entre agosto e dezembro de 2026, fenômeno que pode reduzir a produtividade das lavouras em até 30% nas regiões Centro-Oeste e Sul, segundo a Embrapa. ‘Se o clima colaborar, ainda há chance de recuperação. Mas, com esse cenário, a sobrevivência das médias e pequenas propriedades está em xeque’, avalia o economista agrícola José Roberto Mendonça de Barros.

    Leilões em alta: o que esperar do mercado de terras rurais

    O volume de propriedades rurais leiloadas em 2026 já supera em 120% o registrado em 2023, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A maioria dos imóveis à venda pertence a produtores endividados que não conseguiram honrar seus empréstimos. Especialistas do setor imobiliário rural preveem uma queda média de 25% nos preços das terras até o final do ano, especialmente nas regiões de fronteira agrícola, como o Matopiba. ‘Compradores institucionais e fundos de investimento estão aproveitando para acumular ativos a preços de liquidação’, explica a analista de agronegócios Fernanda Lima.

    Perspectivas: há saída para o setor?

    Apesar do cenário desolador, algumas alternativas emergem. O governo federal estuda a criação de um programa de renegociação de dívidas com prazos estendidos e taxas subsidiadas, semelhante ao que foi feito após a crise de 2008. Paralelamente, cooperativas e produtores apostam em diversificação de culturas — como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) — para reduzir riscos. ‘O agro brasileiro sempre foi resiliente, mas essa crise exige reformas estruturais. Não adianta apenas injetar crédito; é preciso resolver a equação de preços e custos’, alerta o presidente da CNA, João Martins.

  • Audi traz de volta as peruas ao Brasil: A5 Avant a combustão e A6 Avant e-tron elétrica chegam em setembro de 2026

    Audi traz de volta as peruas ao Brasil: A5 Avant a combustão e A6 Avant e-tron elétrica chegam em setembro de 2026

    A Audi oficializou nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, o retorno das peruas ao mercado brasileiro com duas apostas distintas: a A5 Avant, movida por um motor 2.0 turbo de 272 cv, e a A6 Avant e-tron, primeira elétrica do segmento familiar da marca no país, com 367 cv e até 440 km de autonomia.

    Um movimento contra a corrente do mercado

    Com estreia prevista para 15 de setembro de 2026, as novas peruas da Audi chegam para ocupar um nicho cada vez mais raro no Brasil. Enquanto a maioria das montadoras direciona seus investimentos para SUVs e crossover, a fabricante alemã aposta na retomada das station wagons como alternativa premium para famílias e entusiastas de direção esportiva. A A5 Avant substitui a antiga A4 Avant, enquanto a A6 Avant e-tron estreia uma plataforma elétrica dedicada ao segmento familiar.

    Preços e posicionamento: entre SUVs e elétricos de luxo

    Os valores praticados refletem o posicionamento premium das modelos. A A5 Avant S Line tem preço inicial de R$ 474.990, enquanto a A6 Avant e-tron chega ao mercado por R$ 699.990. Ambos os modelos disputam espaço com SUVs de luxo e elétricos premium, como o BMW i5 Touring e o Mercedes EQE Estate, mas destacam-se pela proposta de versatilidade e eficiência energética.

    Tecnologia e performance: o que esperar?

    No quesito tecnologia, as novas peruas trazem equipamentos de ponta, como três telas digitais no painel, head-up display com realidade aumentada e o sistema myAudi, que integra o assistente de voz com inteligência artificial baseada em ChatGPT para interação natural e planejamento de recarga (no caso da versão elétrica).

    Em termos de desempenho, a A5 Avant acelera de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos, enquanto a A6 Avant e-tron faz o mesmo percurso em 5,4 segundos, graças ao torque instantâneo dos motores elétricos. A recarga ultrarrápida da versão elétrica, em estações compatíveis, é concluída em apenas 21 minutos.

    O futuro das peruas no Brasil: aposta arriscada ou tendência?

    O lançamento das A5 e A6 Avant e-tron da Audi chega em um momento em que o mercado brasileiro de automóveis vive uma dualidade: de um lado, a crescente preferência por SUVs; de outro, a expansão dos veículos elétricos. Se por um lado a estratégia pode ser vista como arriscada devido à baixa representatividade das peruas no país, por outro, a marca alemã aposta na fidelidade de clientes que valorizam design, dirigibilidade e espaço interno — atributos nos quais as station wagons tradicionalmente se destacam.