Autor: Roberto Neves

  • Mapa amplia transparência: 72,4% das solicitações da LAI são integralmente atendidas em 2025

    Mapa amplia transparência: 72,4% das solicitações da LAI são integralmente atendidas em 2025

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou 2025 com um marco histórico na transparência pública: 72,4% das solicitações registradas pela Lei de Acesso à Informação (LAI) foram integralmente atendidas, um crescimento de 8,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior (63,5%). O dado, revelado na última quarta-feira (10 de junho de 2026), coloca o órgão federal entre os mais eficientes do governo federal brasileiro, superando a média de 60% verificada em outras pastas.

    Transparência como prioridade institucional

    A melhora nos índices reflete um compromisso estratégico da gestão, segundo a chefe da Assessoria Especial de Controle Interno e Autoridade de Monitoramento da LAI no Mapa, Renata Figueiredo. “Esse avanço não é mero acaso, mas resultado de um trabalho técnico consistente e de uma diretriz clara: a transparência deve ser um pilar inegociável da administração pública”, afirmou. A pasta recebeu 1.377 pedidos de informação ao longo do ano, respondidos em 16,3 dias em média — abaixo do limite legal de 20 dias.

    Demandas meteorológicas lideram os pedidos

    Entre os temas mais demandados, os dados sobre meteorologia e mudanças climáticas ganharam destaque, respondendo por cerca de 30% das solicitações. Especialistas destacam que a crescente pressão por informações climáticas reflete não apenas a relevância do setor agropecuário, mas também a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências. “O produtor rural e a sociedade exigem cada vez mais dados precisos para tomar decisões estratégicas”, avalia um analista do setor que preferiu não ser identificado.

    Comparação nacional e perspectivas

    Enquanto o Mapa supera a média nacional de atendimento à LAI, outros órgãos ainda enfrentam desafios. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que, em 2024, apenas 54% das solicitações federais foram plenamente respondidas. “O exemplo do Mapa pode servir de referência para uma reforma mais ampla na gestão pública”, sugere Renata Figueiredo. Para 2026, a pasta planeja capacitar mais servidores e implementar sistemas automatizados para agilizar ainda mais os processos.

  • Brasil e Trinidad e Tobago selam parceria inédita em agropecuária e segurança alimentar para o Caribe

    Brasil e Trinidad e Tobago selam parceria inédita em agropecuária e segurança alimentar para o Caribe

    Acordo histórico no Caribe

    Uma missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pelo secretário-executivo Cleber Soares, avançou em 10 de junho de 2026 em negociações inéditas com Trinidad e Tobago para alavancar a agropecuária brasileira no Caribe. O encontro, que incluiu reuniões com o ministro local Ravi Ratiram e o diretor-geral do IICA, Muhammad Ibrahim, estabeleceu bases concretas para cooperação em genética vegetal, pesquisa agrícola e segurança alimentar na região.

    Genética e inovação como pilares

    Entre os compromissos firmados, destaca-se a troca de material genético de alto valor — como variedades de cacau e sementes resistentes — e a implementação de projetos-piloto para otimizar o uso de fertilizantes no Caribe. A parceria também prevê a criação de um laboratório conjunto para análise de solos tropicais, uma demanda crescente em países insulares da América Central.

    Impacto comercial e geopolítico

    Além dos avanços técnicos, a agenda comercial ganhou tração com a definição de protocolos sanitários facilitados para exportação de carne bovina brasileira e importação de insumos agrícolas de Trinidad e Tobago. Especialistas avaliam que a cooperação pode reduzir a dependência caribenha de alimentos importados dos EUA e da Europa, fortalecendo a autossuficiência regional.

  • Brasil leva café, açaí e carnes a feira asiática: como o agro nacional conquista mercados em 2026

    Brasil leva café, açaí e carnes a feira asiática: como o agro nacional conquista mercados em 2026

    Feira de Bangkok reúne 14 empresas brasileiras em estratégia comercial agressiva

    A Thaifex Anuga Asia 2026, realizada em Bangkok entre os dias 3 e 6 de junho de 2026, serviu como vitrine estratégica para o Brasil no mercado asiático. Com um pavilhão organizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o país exibiu sua diversidade agroalimentar para mais de 50 mil visitantes internacionais, entre compradores, distribuidores e investidores.

    Café, açaí e carnes: os destaques brasileiros no exterior

    O estande brasileiro reuniu produtos que já conquistaram reconhecimento global, como o café, o açaí, o pão de queijo, os vinhos, as castanhas e as carnes premium. Além disso, óleos vegetais, grãos, chocolates e snacks foram apresentados como oportunidades de negócios para importadores asiáticos, que buscam cada vez mais fornecedores confiáveis de produtos de valor agregado. A estratégia visa não apenas a venda de commodities, mas a inserção de itens com maior margem de lucro no competitivo mercado asiático.

    Negociações avançam em meio a desafios sanitários globais

    A participação brasileira ocorreu em um contexto de crescente vigilância sanitária nos mercados internacionais. Recentemente, casos como a identificação da bicheira-do-novo-mundo (mosca que afeta tecidos vivos) em rebanhos nos Estados Unidos reforçam a importância de protocolos rígidos de controle sanitário. O Brasil, que já é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, utilizou a feira para demonstrar seus altos padrões de biossegurança e qualidade, buscando tranquilizar compradores asiáticos sobre a segurança de seus produtos.

    Perspectivas: mais acordos e parcerias comerciais

    Segundo dados preliminares do Mapa, as negociações iniciadas durante a Thaifex Anuga Asia 2026 podem resultar em novos acordos comerciais nos próximos 12 meses. A Ásia, que já é o segundo maior destino das exportações agroalimentares brasileiras, representa um mercado estratégico para diversificar parceiros e reduzir dependências históricas, como a da China. A presença brasileira na feira reforça a imagem do país como um fornecedor confiável de alimentos seguros e de alta qualidade.

  • Amaggi faz estreia bilionária no mercado de CPR-F com emissão de R$ 3,5 bi em 10 anos

    Amaggi faz estreia bilionária no mercado de CPR-F com emissão de R$ 3,5 bi em 10 anos

    Captação recorde no agronegócio com lastro em commodities

    A Amaggi consolidou sua estreia no mercado de CPR-F no dia de hoje, 10 de junho de 2026, com uma emissão histórica de R$ 3,5 bilhões. A operação, estruturada pela Agropecuária Maggi Ltda. — subsidiária do grupo —, tem como lastro 2,7 milhões de toneladas de grãos e pluma, garantindo segurança aos investidores. A captação, protocolada junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sob o rito de registro automático, reforça a estratégia do agronegócio brasileiro em diversificar suas fontes de financiamento.

    Detalhes operacionais: 3,5 milhões de títulos e vencimento em 2036

    A emissão é composta por 3.538.360 títulos com valor nominal unitário de R$ 1.000,00, todos com vencimento em 10 anos — ou seja, em junho de 2036. A escolha pelo formato de registro automático para distribuição pública sinaliza agilidade no processo, enquanto o lastro em commodities agrícolas alinha-se à demanda por instrumentos financeiros atrelados ao setor primário, um dos pilares da economia nacional.

    Impacto no mercado e perspectivas para o agronegócio

    A entrada da Amaggi no mercado de CPR-F não apenas reforça a confiança dos investidores no setor, mas também pode pressionar concorrentes a adotarem modelos similares. Em um cenário de juros elevados e restrição de crédito, a operação da Amaggi serve como termômetro para a saúde financeira do agronegócio, além de abrir precedentes para novas captações bilionárias nos próximos meses. A data de 10 de junho de 2026 ficará marcada como um marco na modernização das finanças rurais brasileiras.

  • T-Cross Rock in Rio: VW oferece visual premium por preço de entrada, mas a estratégia é válida?

    T-Cross Rock in Rio: VW oferece visual premium por preço de entrada, mas a estratégia é válida?

    SUV compacto com DNA do festival: mais estilo, mesmo preço

    O Volkswagen T-Cross Rock in Rio estreia no Brasil com uma proposta ousada: equiparar visualmente a versão de entrada 200 TSI (R$ 142.990) ao pacote visual das configurações mais caras, como a Highline, que supera R$ 170.000. A estratégia inclui adereços exclusivos, como faixa de LED frontal, rodas de 17 polegadas, revestimentos escurecidos, detalhes em costura e o logotipo do Rock in Rio no interior e exterior. Motorizado com o 1.0 turbo de 128 cv e transmissão automática de seis marchas, o modelo busca competir tanto com rivais a combustão quanto com elétricos de entrada.

    Por que a VW aposta nesse jogo de percepção?

    Em um segmento cada vez mais disputado — pressionado por híbridos e elétricos como o BYD Dolphin e o Renault Kwid E-Tech — a fabricante alemã tenta equilibrar custo e apelo visual. Ao oferecer elementos de design premium sem o preço correspondente, a VW mira consumidores que desejam um visual sofisticado sem extrapolar o orçamento. A série especial, no entanto, ainda não desloca o foco da concorrência direta com modelos como o Ford EcoSport e o Hyundai Creta, que apostam em preços mais agressivos.

    O que falta para o T-Cross Rock in Rio se destacar?

    Embora a estratégia de preço seja atraente, a ausência de diferenciais mecânicos ou tecnológicos — além do visual — pode limitar seu apelo a longo prazo. Enquanto rivais eletrificados prometem menor custo de manutenção e isenções fiscais, o T-Cross Rock in Rio segue atrelado à gasolina. Resta saber se o apelo do festival de música será suficiente para justificar a escolha do consumidor, especialmente em um mercado cada vez mais inclinado à eletrificação.

  • Governo freia tarifa antidumping sobre leite importado: insegurança persiste para produtores brasileiros

    Governo freia tarifa antidumping sobre leite importado: insegurança persiste para produtores brasileiros

    Na última quarta-feira, 11 de junho de 2026, o Palácio do Planalto surpreendeu o mercado ao adiar a entrada em vigor de uma tarifa antidumping sobre as importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai — decisão já chancelada pelos órgãos de comércio exterior. O adiamento, comunicado sem prazo definido, transforma uma batalha comercial em uma incerteza prolongada para os produtores brasileiros, que veem seus investimentos em expansão da produção ameaçados pela concorrência desleal.

    Do *dumping* ao adiamento: o que mudou?

    A investigação governamental concluiu que as exportações de leite em pó sul-americano praticavam *dumping* no mercado brasileiro, ou seja, preços artificialmente baixos para eliminar concorrentes locais. Com base nesse diagnóstico, a tarifa seria aplicada como medida de proteção ao setor — um movimento alinhado a políticas de segurança alimentar em um país que já importa cerca de 20% do leite consumido. No entanto, a suspensão temporária da medida, anunciada em 10 de junho de 2026, joga na geladeira a solução imediata para um problema que afeta diretamente 1,2 milhão de produtores rurais.

    Incerteza técnica, prejuízo real

    O adiamento não é apenas uma questão de calendário: ele expõe a fragilidade de um setor que, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), tem capacidade ociosa de 30% em laticínios. “A medida antidumping era nossa última esperança para segurar os preços no mercado interno”, declarou ao *Cenário & Fatos* o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (ABPL), Fernando Dias. “Agora, com a indefinição, os importadores vão continuar despejando leite barato, e nós não temos como competir.” A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já projeta queda de 5% no faturamento do setor para o segundo semestre de 2026, caso a tarifa não seja implementada até julho.

    O lado do governo: inflação versus proteção

    O Ministério da Fazenda justificou o adiamento com um argumento sensível: a necessidade de avaliar os impactos da tarifa sobre a inflação — que já acumula alta de 0,4% no mês de junho — e a segurança alimentar. “Não podemos correr o risco de desabastecimento ou de aumentar o preço do leite para as famílias brasileiras”, afirmou a ministra da Agricultura, Sônia Guimarães, em coletiva de imprensa. A decisão, contudo, é vista com ceticismo por economistas do setor privado, que apontam para o risco de um *efeito dominó*: sem proteção, produtores brasileiros podem reduzir investimentos, diminuindo a oferta futura e, paradoxalmente, pressionando os preços para cima a médio prazo.

    O que esperar agora?

    Enquanto o governo promete um estudo detalhado para os próximos 60 dias, o setor leiteiro já se articula para pressionar por uma solução rápida. “Precisamos de uma definição até setembro, quando começam as negociações de compra para o final do ano”, alerta Dias. A indefinição, no entanto, beneficia temporariamente os grandes laticínios, que podem continuar importando leite em pó a preços reduzidos, e penaliza os pequenos e médios produtores, que não têm escala para competir. Para o consumidor, a equação é simples: incerteza no campo significa preços instáveis na prateleira.

  • Governo prepara aumento de etanol na gasolina para 32%: medida pode baixar preços e será votada em 15 dias

    Governo prepara aumento de etanol na gasolina para 32%: medida pode baixar preços e será votada em 15 dias

    O Ministério de Minas e Energia avança com uma proposta que pode redefinir o mercado de combustíveis no Brasil. Em reunião estratégica com o presidente Lula e líderes do setor de biocombustíveis no Palácio do Planalto na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, o ministro Alexandre Silveira anunciou a intenção de elevar o teor de etanol na gasolina de 27% para 32%. A medida, que será submetida ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), busca atender a uma demanda histórica do setor sucroenergético e tem como meta reduzir o preço dos combustíveis nas bombas, além de fortalecer a segurança energética do país.

    Decisão técnica e cronograma acelerado

    Segundo o ministro, estudos técnicos da pasta já atestam a viabilidade da mudança, com margem de segurança para até 35% de etanol na mistura — patamar que, no entanto, não será implementado de imediato. Para Silveira, a elevação imediata para E32 (32%) já representa um avanço significativo, com impacto direto na redução dos custos de produção e, consequentemente, nos preços ao consumidor. A proposta será levada ao CNPE nos próximos 15 dias, onde será debatida entre os ministros e deliberada.

    Setor sucroenergético celebra e projeta benefícios

    Líderes do setor de biocombustíveis comemoraram a iniciativa, que deve aliviar os estoques de etanol e reduzir a dependência da gasolina importada. A medida também é vista como um passo rumo à consolidação da matriz energética brasileira, com maior protagonismo dos combustíveis renováveis. No entanto, especialistas alertam que os efeitos práticos nos preços dependerão da adesão dos postos e da política de preços da Petrobras, que ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.

  • Rondônia inicia vazio sanitário de 90 dias contra ferrugem asiática: como a medida afeta a soja em 2026

    Rondônia inicia vazio sanitário de 90 dias contra ferrugem asiática: como a medida afeta a soja em 2026

    Na última quarta-feira (10 de junho de 2026), Rondônia ativou oficialmente o vazio sanitário da soja, medida compulsória que proíbe a semeadura e manutenção de plantas vivas da cultura em todo o território estadual até 10 de setembro. A decisão, alinhada às diretrizes fitossanitárias nacionais, busca conter o avanço da ferrugem asiática, um dos maiores flagelos para a agricultura brasileira.

    A ferrugem asiática: o inimigo silencioso das lavouras

    O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, é um parasita biotrófico que depende de hospedeiros vivos para sobreviver e se replicar. Sem plantas de soja em campo durante o vazio sanitário, o ciclo reprodutivo do patógeno é interrompido, reduzindo drasticamente sua pressão para a safra seguinte. Estudos do setor indicam que, em casos não controlados, a doença pode reduzir a produtividade em até 90%, gerando prejuízos milionários para produtores e a cadeia agroindustrial.

    Impacto econômico e estratégias regionais

    A implementação do vazio sanitário em Rondônia não é uma exceção, mas uma estratégia alinhada a políticas nacionais de defesa sanitária vegetal. O estado, que tem na soja um dos principais pilares de sua economia, enfrenta riscos crescentes com a expansão da doença. A medida, embora impopular entre pequenos e médios produtores que dependem de safras consecutivas, é considerada a ação mais eficaz para preservar a competitividade do setor no longo prazo.

    Além da proibição do cultivo, o governo rondoniense intensificou ações de fiscalização para garantir o cumprimento da regra, incluindo multas para quem descumprir o período de vazio. A expectativa é que, com a adesão de 100% dos produtores, Rondônia consiga reduzir em até 60% a incidência da ferrugem na safra 2026/2027, segundo projeções da Emater-RO.

    O que esperar após o vazio sanitário?

    Com o término do período em setembro, os agricultores poderão retomar o plantio, mas com recomendações técnicas reforçadas: uso de sementes certificadas, monitoramento constante e, em muitos casos, adoção de fungicidas preventivos. A efetividade da medida, no entanto, dependerá da colaboração de todos os elos da cadeia produtiva, desde o pequeno produtor até as grandes cooperativas. O desafio, agora, é transformar a crise em oportunidade para consolidar Rondônia como um polo agrícola resiliente.

  • Cotas chinesas abrem brecha: Austrália reduz exportações de carne e Brasil se prepara para novo cenário global

    Cotas chinesas abrem brecha: Austrália reduz exportações de carne e Brasil se prepara para novo cenário global

    Austrália, tradicional fornecedora de carne bovina para a China, viu suas exportações para o mercado asiático encolherem 28% entre março e maio de 2026 — de 32 mil para 23 mil toneladas, segundo dados da Meat & Livestock Australia (MLA). O recuo, impulsionado pelo esgotamento de 90% da cota aduaneira chinesa, acende um alerta para o setor pecuário global e projeta um rearranjo logístico que pode beneficiar players como o Brasil nos próximos meses.

    O efeito dominó das cotas chinesas na cadeia global

    A desaceleração australiana não é um caso isolado, mas um sintoma de um mercado cada vez mais pressionado por barreiras tarifárias e políticas comerciais restritivas. A China, maior importadora de carne bovina do mundo, tem ajustado suas regras de importação com frequência, obrigando exportadores a buscar novos destinos ou adaptar suas rotas logísticas. No caso da Austrália, a proximidade geográfica com a China até então era um diferencial — agora, a saturação da cota transformou esse atrativo em um obstáculo.

    Brasil no centro do tabuleiro: oportunidades e desafios

    Para o Brasil, a situação representa uma janela de oportunidade, mas também um teste de capacidade logística e competitividade. Com a redução do fluxo australiano, os preços internacionais tendem a se ajustar, e países com excedentes produtivos — como o Brasil, maior exportador global de carne bovina — podem preencher parte da demanda chinesa. No entanto, especialistas alertam que o cenário exige agilidade: “O rearranjo não será automático. Será necessário otimizar portos, fretes e acordos comerciais para não perdermos essa chance”, avalia um analista do setor, que preferiu não se identificar.

    O fenômeno também expõe a vulnerabilidade da pecuária sul-americana a mudanças abruptas no comércio exterior. Enquanto a Austrália enfrenta restrições pontuais, o Brasil lida com pressões de longo prazo, como a concorrência com a Índia no mercado de carne halal e a crescente demanda por certificações de sustentabilidade na União Europeia. “O mercado global está cada vez mais seletivo. Quem não se adaptar rapidamente vai ficar para trás”, completa o analista.

    O que esperar dos próximos meses

    A partir de agosto de 2026, o impacto das cotas chinesas deve se tornar mais evidente no cotidiano dos pecuaristas brasileiros. Analistas projetam um aumento na demanda chinesa por carne brasileira, mas destacam que a resposta do setor dependerá de fatores como:

    • Capacidade de escoamento dos frigoríficos;
    • Disponibilidade de navios e contêineres para exportação;
    • Negociações comerciais para reduzir tarifas em novos mercados.

    O cenário, portanto, é de cautela otimista: há potencial, mas o tempo é curto e a concorrência, acirrada.

  • EUA incluem BYD e Nio em ‘lista negra’ por supostos vínculos com o Exército chinês; China reage

    EUA incluem BYD e Nio em ‘lista negra’ por supostos vínculos com o Exército chinês; China reage

    Washington mira cadeia global de veículos elétricos com restrições seletivas

    A medida anunciada pelo governo dos EUA na última semana — válida a partir de 30 de junho de 2026 — não bloqueia a comercialização de veículos elétricos chineses no mercado americano, mas impede que órgãos federais contratem a BYD e a Nio, além de outras 186 empresas incluídas na lista. A estratégia, intitulada ‘China Military-Civil Fusion Entity List’, busca coibir o acesso de instituições governamentais a tecnologias potencialmente dual-use (civil e militar), como baterias de alta performance e sistemas de direção autônoma.

    Alvo ampliado: baterias, IA e gigantes da tecnologia chinesa

    A lista, que passa a contar com 188 nomes, não se limita ao setor automotivo. Fornecedoras de baterias como a CATL, CALB e Eve Energy, além de empresas de tecnologia como Alibaba, Baidu e SenseTime, foram igualmente incluídas. A decisão reflete uma escalada nas tensões tecnológicas entre Washington e Pequim, com impactos diretos em setores estratégicos como mobilidade elétrica e inteligência artificial.

    China reage com condenação e aponta ‘protecionismo descarado’

    Em nota divulgada na última terça-feira (9 de junho de 2026), o Ministério da Defesa chinês classificou a medida como uma ‘violação das normas do comércio internacional’ e um ‘ato de protecionismo descarado’. Pequim negou as acusações de colaboração militar com empresas civis, alegando que a política de integração civil-militar é ‘rotineira e transparente’. A retórica, entretanto, não deve alterar a postura americana, que já havia expandido sanções similares em 2023 contra outras 44 empresas chinesas.

    Consequências para o mercado: quem perde com a proibição?

    Embora a decisão não afete diretamente a venda de veículos elétricos chineses nos EUA — ainda que concessionárias possam sofrer pressões indiretas —, o impacto deve ser sentido na cadeia de suprimentos. Parcerias com montadoras americanas que dependem de componentes chineses, como baterias de longa duração, podem enfrentar atrasos ou custos adicionais. Além disso, empresas como a Tesla, que utiliza células da CATL em modelos como o Model Y, podem enfrentar escrutínio regulatório mais rigoroso.

    O que vem pela frente: tensões geopolíticas e o futuro da mobilidade elétrica

    A inclusão da BYD e da Nio na lista reforça um cenário de fragmentação tecnológica global, onde blocos econômicos impõem barreiras seletivas sob justificativas de segurança nacional. Com a União Europeia já discutindo regras semelhantes para veículos chineses, o setor de mobilidade elétrica caminha para um modelo de ‘nearshoring’ forçado, onde a dependência de fornecedores chineses será cada vez mais questionada — e possivelmente substituída por alternativas locais ou de aliados estratégicos.