Categoria: Agro

  • Serena, a búfala brasileira, quebra recorde mundial com 40,25 kg de leite em um dia

    Serena, a búfala brasileira, quebra recorde mundial com 40,25 kg de leite em um dia

    Um marco na pecuária bubalina

    Em 27 de junho de 2026, durante a Expass Agro 2026 em Passos (MG), a búfala Serena, de Thiago Quirino Mansfeld, quebrou seu próprio recorde mundial ao produzir 40,250 kg de leite em duas ordenhas. O feito superou os 39,820 kg alcançados pela mesma propriedade em 2024, quando outro animal do criador havia ultrapassado a marca de 37 kg, então recorde mundial, pertencente a um exemplar do Paquistão. A vitória reforça o protagonismo brasileiro no setor.

    Genética e manejo: o segredo do sucesso

    Nascida em 27 de fevereiro de 2022, Serena integra o plantel da Fazenda Búfalas da Mantiqueira, em Piquete (SP). Segundo Mansfeld, o novo recorde é resultado de um trabalho coordenado: “Foi uma combinação quase perfeita. Não digo perfeita porque ainda podemos alcançar outros resultados. Melhoramos a nutrição, o manejo e também apostamos em um animal com potencial maior”. A participação da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) na competição sublinha a relevância do evento para o setor.

    Impacto e perspectivas para o agronegócio

    O recorde de Serena não apenas redefine os limites da produção bubalina global, mas também projeta o Brasil como referência em inovação e eficiência no segmento. Com investimentos em genética e nutrição, criadores brasileiros vêm consolidando a búfala como alternativa econômica viável, especialmente em regiões com clima favorável. A Expass Agro 2026, ao abrigar a competição, reforça o papel de Minas Gerais como polo de difusão tecnológica no agro.

  • Pós-colheita da soja: planejamento e cercamento eficiente são a chave para manter recorde de produção

    Pós-colheita da soja: planejamento e cercamento eficiente são a chave para manter recorde de produção

    Solo, vazio sanitário e cercas: a tríade do sucesso na próxima safra

    Nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, o Brasil começa a colher os frutos do planejamento da safra de soja que se inicia agora. Com o término do ciclo 2025/2026, os produtores rurais se debruçam sobre três pilares para assegurar a produtividade no próximo plantio: a manutenção do solo, o cumprimento do vazio sanitário — obrigatório e regulado pelo Ministério da Agricultura — e a revisão das cercas, muitas vezes negligenciadas, mas críticas para a operação.

    Cercamento eficiente: o elo invisível da produtividade

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve atingir um recorde de 358 milhões de toneladas na safra 2026. Para sustentar esse patamar, o cercamento das propriedades rurais ganha status de estratégia central. Danilo Moreira, analista de mercado agro da Belgo Arames, destaca que o pós-colheita é o momento ideal para reparos: “As condições climáticas e a disponibilidade de mão de obra facilitam intervenções que evitam paradas operacionais no pico da safra”.

    Fatores como reparos inadequados, falta de manutenção preventiva ou soluções improvisadas podem gerar prejuízos diretos. Desde a entrada de animais invasores até interrupções no transporte de máquinas, as falhas no cercamento têm impacto imediato na eficiência das fazendas.

    Vazio sanitário: mais que uma regra, uma necessidade

    O Ministério da Agricultura estabeleceu calendários rígidos para o vazio sanitário, período em que não pode haver cultivo de soja na área. Em 2026, o intervalo varia entre 60 e 90 dias, dependendo da região. Produtores que descumprirem as datas enfrentam multas e, pior, a disseminação de pragas como a ferrugem asiática, que pode dizimar lavouras inteiras.

    A combinação de solo bem preparado, vazio sanitário respeitado e cercas impecáveis não é apenas uma questão de conformidade, mas a base para que o Brasil mantenha sua posição como líder global na produção de soja.

  • IPCF recua 0,4% em junho: commodities em baixa e ureia despenca 15%, mas dólar ameniza impactos na safra 2026

    IPCF recua 0,4% em junho: commodities em baixa e ureia despenca 15%, mas dólar ameniza impactos na safra 2026

    Commodities em queda livre: petróleo e grãos pressionam insumos

    O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) de junho de 2026 registrou 1,55, uma leve retração de 0,4% em relação a maio, impulsionada pela queda de 6% nas commodities. Entre os principais vilões, o petróleo liderou as baixas ao recuar 18%, reflexo da sobreoferta global e do enfraquecimento da demanda em economias-chave. No front interno, a colheita recorde da safra de soja — com queda de 7% nos preços — e o início da colheita do milho safrinha (3% de desvalorização) exerceram pressão adicional sobre os custos dos fertilizantes.

    Ureia despenca 15%, mas dólar e fosfatados ajudam a conter o estrago

    As matérias-primas seguiram a tendência de baixa, com recuo médio de 4%. A ureia, insumo crítico para a agricultura brasileira, registrou a maior queda: 15% no período. O superfosfato simples também cedeu 7%, enquanto o cloreto de potássio subiu 2% e o fosfato monoamônico avançou 1%, amenizando o impacto negativo. A desvalorização do dólar frente ao real (2,5% no mês) contribuiu para reduzir a pressão sobre os preços no mercado interno, mas não foi suficiente para evitar o alerta para os custos da safra 2026.

    Atrazo nas compras e incertezas globais: o que vem por aí

    O recuo nos preços dos fertilizantes, embora benéfico para o bolso do produtor no curto prazo, esconde riscos para a próxima safra. O atraso nas compras — motivado pela expectativa de novos ajustes nos preços — pode resultar em escassez de insumos nos momentos críticos, como o plantio. Além disso, a volatilidade das commodities e a dependência de fatores externos, como o preço do petróleo e a safra global de grãos, mantêm os produtores em estado de alerta. Para o agronegócio, que já enfrenta margens apertadas, a combinação de preços instáveis e demanda crescente pode redefinir estratégias de plantio e aquisição de insumos.

  • Circuito Nelore de Qualidade bate recorde em Barra do Garças com 3.005 animais avaliados

    Circuito Nelore de Qualidade bate recorde em Barra do Garças com 3.005 animais avaliados

    A edição 2026 do Circuito Nelore de Qualidade chega a Barra do Garças (MT) nos próximos dias 18 e 19 de junho, consolidando a cidade como um dos principais polos de avaliação da raça no país. O evento, que será realizado na unidade local da Friboi, contará com a análise de cerca de 3.005 animais, segundo dados preliminares da organização.

    Um recorde em 2025 e expectativas para 2026

    Em 2025, a etapa de Barra do Garças entrou para a história ao registrar o maior público já visto no Circuito, com mais de 4 mil animais avaliados. O feito destacou não apenas a força dos pecuaristas da região, mas também a qualidade da pecuária mato-grossense, que vem se destacando nacionalmente pela adoção de tecnologias e práticas sustentáveis. Victor Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), já antecipa otimismo para esta edição: “Esperamos repetir o sucesso e demonstrar a evolução contínua da pecuária local”.

    Parcerias estratégicas impulsionam o evento

    A realização do Circuito Nelore de Qualidade em Mato Grosso é fruto de uma parceria entre a ACNB, a Associação dos Criadores de Nelore do Mato Grosso (ACNMT), a Matsuda Sementes e Nutrição Animal e a Friboi, que cede sua unidade na cidade para o evento. A iniciativa reforça o compromisso do setor com a melhoria genética da raça Nelore, uma das mais relevantes para o agronegócio brasileiro.

    Com a crescente demanda por animais de alta performance e qualidade, o Circuito Nelore de Qualidade se consolida como uma vitrine essencial para pecuaristas, investidores e empresas do setor. A expectativa é de que a edição de 2026 mantenha o ritmo de crescimento, atraindo ainda mais participantes e consolidando Mato Grosso como um dos principais polos de inovação na pecuária nacional.

  • Maratona Rincon: genética Angus e Brangus batem recorde com vendas de R$ 8 milhões e exportação para Bolívia

    Maratona Rincon: genética Angus e Brangus batem recorde com vendas de R$ 8 milhões e exportação para Bolívia

    A liquidação Rincon 30 anos, maior leilão de gado de elite da história dos rebanhos gaúchos, supera expectativas ao fechar R$ 8 milhões em vendas nos primeiros lotes e reforça um mercado aquecido para genética Angus e Brangus no segundo semestre de 2026. Segundo o leiloeiro Fábio Crespo, a demanda por ventres — sinal de reposição de matrizes no Sul do país — tem impulsionado a liquidez da maratona, com clientes de pelo menos cinco estados brasileiros e exportadores interessados.

    Exportação recorde para a Bolívia

    Na última quarta-feira (3/6), durante o Rincon Pack, a cabanha concretizou a venda de oito ventres Angus PO para um criador boliviano. O negócio marca a expansão da Rincon para além das fronteiras nacionais, em um momento em que a pecuária brasileira consolida sua posição como fornecedora de genética de alto valor no continente.

    Demanda por fêmeas reforça tendência de reposição

    A procura exacerbada por ventres — destacada pelo leiloeiro — reflete uma estratégia defensiva dos pecuaristas: a reposição de matrizes em um setor que ainda enfrenta desafios climáticos e econômicos. A Rincon, que já é referência em genética no Rio Grande do Sul, vê na maratona um termômetro do setor, com lotes sendo disputados em ritmo crescente.

    Perspectivas para o segundo semestre de 2026

    Com a segunda metade da maratona Rincon 30 anos em andamento, o mercado projeta um cenário de alta liquidez, impulsionado pela busca por animais de elite e pela confiança dos investidores. A estratégia de comercialização — que inclui leilões presenciais e online — amplia o alcance da cabanha, atraindo compradores de diferentes regiões do Brasil e do exterior.

  • Quatro touros do Canchim ILMA são selecionados em prova de avaliação e dois já têm destino garantido nas maiores centrais de inseminação do país

    Quatro touros do Canchim ILMA são selecionados em prova de avaliação e dois já têm destino garantido nas maiores centrais de inseminação do país

    A última Prova de Avaliação de Desempenho da ILMA (PCAD ILMA), realizada em maio de 2026, consolidou o Canchim ILMA como referência no melhoramento genético da raça canchim. O evento, que avaliou desempenho, carcaça, funcionalidade e adaptação, resultou na seleção de quatro touros com características superiores — dois deles já incorporados aos catálogos das principais centrais de inseminação do Brasil: a Genex e a CRV Lagoa.

    Touros selecionados ganham espaço nas principais centrais de genética

    Entre os animais destacados, o touro 14412 foi contratado pela Genex, enquanto o 14351 foi adquirido pela CRV Lagoa. Ambos foram avaliados não apenas por sua performance reprodutiva, mas também por sua capacidade de transmitir características desejáveis para a pecuária moderna, como eficiência alimentar e rusticidade.

    Canchim ILMA reforça estratégia de seleção baseada em ciência e mercado

    Adriano Lopes, responsável pelo Canchim ILMA, destacou que o objetivo da iniciativa é justamente identificar animais equilibrados, com DEPs (Diferença Esperada na Progênie) assertivas e adaptados às demandas do setor. “A prova não é apenas um teste, mas uma vitrine para conectar criadores a centrais de genética que buscam reprodutores de alto valor agregado”, afirmou.

    Impacto na pecuária brasileira: genética que entrega resultados

    A PCAD ILMA tem se tornado um marco anual para a raça canchim, reunindo produtores, técnicos e empresas do setor. A seleção criteriosa desses touros não apenas impulsiona a qualidade dos rebanhos, mas também atende à crescente demanda por animais mais produtivos e adaptados ao clima tropical. Com dois exemplares já integrados a projetos de melhoramento genético de ponta, a expectativa é que os outros dois touros também despertem interesse no mercado nos próximos meses.

  • Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    A colheita da segunda safra de milho 2025/26, iniciada em maio, já começa a reverberar no mercado brasileiro. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a operação está concentrada em Mato Grosso e Paraná, principais estados produtores, mas os preços já recuam frente à expectativa de aumento da oferta.

    Pressão sobre os preços: queda de até 11% em comparação com 2025

    Nas regiões de Sorriso (MT) e Norte do Paraná, as médias parciais do grão em maio (até 28/05) registraram quedas de 11% e 8%, respectivamente, em termos nominais, em relação ao mesmo período de 2025. A retração reflete a ausência de demanda no mercado spot, onde compradores aguardam sinais mais claros de preços antes de fechar negócios.

    Expectativas para junho: mais oferta e influência externa

    Pesquisadores do Cepea indicam que, com o avanço da colheita a partir de meados de junho, a pressão sobre os preços deve se intensificar. Além disso, o bom desempenho da safra de milho nos Estados Unidos — principal produtor global — tem impactado os futuros da commodity, reforçando o cenário de baixa no curto prazo.

    O recuo nos preços, no entanto, pode trazer alívio para setores dependentes do grão, como a pecuária de corte, que utiliza o milho como insumo na engorda de animais. Contudo, produtores brasileiros já sinalizam cautela, especialmente em regiões onde a safra local enfrenta atrasos ou problemas climáticos.

  • ATR abaixo de R$ 1,00: especialista alerta para piora nos preços da cana-de-açúcar em 2026

    ATR abaixo de R$ 1,00: especialista alerta para piora nos preços da cana-de-açúcar em 2026

    O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um novo alerta de queda nos preços pagos pela cana-de-açúcar. Segundo o engenheiro agrônomo e produtor rural Felipe Stelutti, o valor do ATR (Açúcar Total Recuperável) — principal indicador para a remuneração dos fornecedores — deve registrar valores abaixo de R$ 1,00 ao longo da atual safra, que se estende até 2026.

    Pressão nos fundamentos: o que explica a queda do ATR?

    Stelutti baseia sua análise nos fundamentos do mercado internacional de açúcar, que já apresentam sinais de superoferta e demanda enfraquecida. A combinação de estoques elevados em países como Índia e Tailândia, além da concorrência acirrada no mercado global, tem pressionado os preços para baixo. No Brasil, a situação é agravada pelos altos custos de produção, que incluem insumos, mão de obra e logística, reduzindo a margem de lucro dos produtores.

    Crise sistêmica: o setor sucroenergético em xeque

    O ATR serve como referência para calcular o valor pago pela cana aos fornecedores, e sua queda representa um golpe duro para a cadeia produtiva. “Eu queria muito dizer que o ATR vai subir, mas a realidade é que, pelos dados que tenho, o cenário é de manutenção ou piora nos preços”, afirmou Stelutti em suas redes sociais. A perspectiva de preços abaixo de R$ 1,00 reacende o debate sobre a viabilidade econômica de muitos fornecedores, especialmente os pequenos e médios, que já enfrentam dificuldades para cobrir seus custos.

    Etanol em segundo plano: o que esperar para os próximos meses?

    Embora o etanol tenha ganhado espaço como alternativa ao açúcar, a baixa no ATR afeta diretamente a rentabilidade da cana como matéria-prima para combustível. Stelutti destaca que, mesmo com o aumento da demanda por etanol, os preços baixos do ATR tornam a produção menos atrativa. “O setor precisa urgentemente de um plano de recuperação que inclua medidas de apoio aos produtores e estímulo à diversificação”, avalia.

    Perspectivas para o futuro: há solução?

    A médio prazo, especialistas do setor sinalizam que a recuperação do ATR depende de fatores como a redução da oferta global, o aumento da demanda internacional e a implementação de políticas públicas que garantam competitividade ao produtor brasileiro. Enquanto isso, a incerteza paira sobre o setor, que já acumula prejuízos e demissões nos últimos anos.

  • Água gelada no cocho: O segredo que derruba o ganho de peso do gado e aumenta os custos do produtor

    Água gelada no cocho: O segredo que derruba o ganho de peso do gado e aumenta os custos do produtor

    Nos confins do Brasil Central, onde o inverno transforma pastos em lençóis de geada e as madrugadas beiram os 5°C, os produtores rurais enfrentam um inimigo silencioso — e gelado. A água dos bebedouros, quando atinge temperaturas próximas ao ponto de congelamento, não apenas desafia o gado a beber menos: ela trava um dos motores da pecuária moderna, o ganho de peso.

    A matemática do gelo que derrete lucros

    Um estudo conduzido pela Embrapa Pecuária Sudeste revelou que, em condições de frio intenso, bovinos reduziram em até 30% o consumo de matéria seca quando expostos a água gelada. A razão? A fisiologia do rúmen, ambiente onde bactérias transformam fibras em energia, depende de uma temperatura estável próxima a 39°C. Quando o animal ingere água a 5°C, seu organismo direciona energia para reaquecer o líquido — energia que deixa de ser convertida em carne ou leite. O resultado é um Ganho Médio Diário (GMD) reduzido em até 18%, segundo dados compilados pela Associação dos Criadores de Gado Nelore do Brasil (ACNB).

    O mito do ‘água quente engorda’ e a ciência do conforto térmico

    Contrariando teses populares que circulam em fóruns de pecuária, especialistas são categóricos: fornecer água fervendo ao gado não apenas é desnecessário como pode causar lesões no trato digestivo. O equilíbrio está na temperatura ideal de consumo, entre 10°C e 20°C, faixa em que o animal mantém a ingestão voluntária sem gastar energia excessiva para regular sua temperatura corporal.

    ‘O problema não é o calor ou o frio em si, mas a variação brusca’, explica o zootecnista e consultor Ronaldo Lucas, da Nutripec Consultoria. ‘Em regiões como o Sul do país ou áreas de altitude elevada, onde geadas são frequentes, o uso de bebedouros aquecidos ou isolados pode ser a diferença entre um lote que engorda 1,2 kg/dia e outro que mal atinge 0,9 kg/dia’.

    Tecnologia simples, resultados comprovados

    A solução não exige revoluções tecnológicas. Desde sistemas de aquecimento solar passivo — que aproveitam a incidência de luz para manter a água em temperaturas amenas — até bebedouros com resistências elétricas de baixo consumo, o mercado oferece alternativas acessíveis. Em uma propriedade no Paraná, a adoção de bebedouros com controle térmico elevou o GMD de 0,8 kg/dia para 1,1 kg/dia em um lote de 200 animais, segundo relato do produtor João Batista Silva.

    ‘Antes, os animais evitavam ir ao cocho nos dias frios. Agora, eles consomem água com a mesma regularidade do verão’, conta Silva. ‘O investimento se paga em menos de um ano com a redução no tempo de abate’.

    O custo da ignorância térmica

    Para além do prejuízo imediato no ganho de peso, a água gelada afeta a saúde do rebanho. Animais desidratados têm maior predisposição a problemas metabólicos, como acidose ruminal, e reduzem a eficiência reprodutiva. ‘Um touro que bebe menos água ejacula menos volume de sêmen, e uma vaca com desidratação prolongada pode ter ciclos estrais irregulares’, alerta a veterinária Fernanda Mendes, da Universidade Federal de Lavras.

    Em um cenário de margens cada vez mais apertadas — onde o preço da arroba oscila entre R$ 300 e R$ 350 e os custos com ração e mão de obra pesam no bolso — detalhes como a temperatura da água podem significar a sobrevivência de um negócio rural.

    O futuro: Automação e dados para driblar o frio

    Startups brasileiras já desenvolvem sensores que monitoram em tempo real a temperatura da água nos bebedouros e alertam o produtor sobre quedas bruscas. Em parceria com a Embrapa, a AgTech BoiTech testou um sistema que, ao detectar temperaturas abaixo de 10°C, aciona automaticamente aquecedores de baixo consumo. ‘É a pecuária de precisão aplicada ao básico: dar ao animal o que ele precisa, na hora certa’, afirma o CEO da empresa, Gustavo Almeida.

    Ainda há quem aposte em soluções low-tech, como a pintura de bebedouros de preto para absorver calor solar ou a utilização de palhas como isolante térmico. ‘Não importa o método: o que vale é entender que o conforto do animal é o primeiro passo para a lucratividade’, resume Lucas.

    Enquanto o debate sobre aditivos, genética e suplementação segue acalorado, uma verdade se impõe: em um país tropical, o frio pode ser o maior vilão invisível da pecuária. E a água, um recurso tão simples quanto estratégico, pode ser a chave para virar o jogo.

  • Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Na segunda quinzena de maio, período tradicional de queda no ritmo de vendas de ovos, o mercado vem surpreendendo ao manter as cotações estáveis na maioria das regiões brasileiras. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a combinação entre estoques controlados nas granjas e uma demanda já enfraquecida tem evitado recuos mais expressivos nos preços.

    Ajuste fino entre oferta e procura sustenta o mercado

    O equilíbrio observado não é mera coincidência. Enquanto as vendas desaceleram naturalmente com o avanço do mês, os estoques nas granjas são mantidos em níveis estratégicos para evitar excessos que possam pressionar as cotações para baixo. Essa dinâmica reflete uma estratégia setorial de gestão, segundo analistas do Cepea.

    Frente fria acende alerta no setor

    Em paralelo, pesquisadores do Cepea destacam que a atual onda de frio que atinge algumas das principais regiões produtoras de ovos no Brasil tem gerado preocupação quanto aos possíveis impactos na produção. A queda de temperatura pode afetar o desempenho das aves, reduzindo a oferta e, consequentemente, pressionando os preços em caso de escassez. No entanto, até o momento, os estoques controlados têm sido capazes de absorver eventuais perdas.

    Perspectivas para os próximos dias

    Para os próximos dias, a expectativa do setor é de que o ritmo das vendas continue desacelerando, alinhado ao comportamento histórico de maio. No entanto, a estabilidade dos preços dependerá não apenas da manutenção dos estoques, mas também da evolução das condições climáticas. Caso a frente fria se prolongue, o impacto sobre a produção poderá se tornar mais evidente nas próximas semanas.