Categoria: Agro

  • Maximus rompe barreira de 100 mil cabeças e revoluciona pecuária com modelo inovador de confinamento

    Maximus rompe barreira de 100 mil cabeças e revoluciona pecuária com modelo inovador de confinamento

    A pecuária de corte brasileira ganha um novo capítulo em 2026. No dia 20 de julho, a Maximus Agronegócio anunciou a meta de superar a marca histórica de 100 mil bovinos abatidos em um único ano — um recorde para o setor. Com três unidades de confinamento em São Paulo (Sertãozinho, Clementina e Sales), a empresa aposta em um modelo inovador que redefine a relação entre confinamentos e produtores rurais.

    Trocando diárias e arrobas por transparência: o pioneirismo da Maximus

    O diferencial da Maximus está no sistema de cobrança por quilo de matéria seca efetivamente fornecida aos animais, adotado pioneiramente no Brasil. Ao contrário dos modelos tradicionais — que cobram por diária ou por arroba produzida —, a empresa alinha seus interesses aos do pecuarista, eliminando conflitos comuns na engorda terceirizada.

    Eficiência que gera resultados

    Com a operação baseada em 95% no novo modelo, a Maximus registra ganhos expressivos em produtividade. A metodologia não apenas otimiza o uso de insumos como também reduz desperdícios, transformando o confinamento em um negócio mais rentável para ambas as partes. “O sistema por matéria seca garante que o produtor pague apenas pelo que é realmente oferecido ao animal, com total transparência”, afirma a empresa.

    Um passo além da porteira

    A expectativa de 110 mil abates em 2026 reflete não apenas a capacidade produtiva da Maximus, mas também a confiança do mercado em sua abordagem. Enquanto muitos confinamentos enfrentam resistência por modelos opacos ou desalinhados, a empresa se destaca ao priorizar a eficiência e a parceria com o produtor — um caminho que pode reconfigurar os padrões da pecuária nacional.

  • Arroba do boi dispara: oferta curta e exportações à China sustentam alta histórica do boi gordo em julho de 2026

    Arroba do boi dispara: oferta curta e exportações à China sustentam alta histórica do boi gordo em julho de 2026

    Oferta restrita mantém pressão altista no mercado

    As cotações da arroba do boi gordo ganharam fôlego na última semana em estados como Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, após semanas de pressão da indústria frigorífica. A combinação de escalas de abate enxutas e redução na oferta de animais terminados voltou a ser o principal pilar do mercado, revertendo temporariamente a tendência de queda observada em junho de 2026. Frigoríficos relataram dificuldades para manter os níveis de abate, o que elevou os preços em até 4% em algumas praças, segundo dados da Cepea.

    Exportações para a China podem definir o ritmo do mercado

    O ritmo das vendas externas ao principal comprador do Brasil — a China — tornou-se o grande ponto de interrogação para os próximos meses. Após a antecipação do esgotamento da cota de exportação chinesa para 2026, analistas do setor alertam que o volume de embarques nas próximas semanas será decisivo. “Até agora, as exportações seguiram firmes, mas o limite de 2026 pode fechar mais cedo do que o esperado. Se isso ocorrer, a pressão sobre os preços pode se intensificar”, avalia um consultor da Safras & Mercado ouvido pela reportagem.

    Demanda interna: o calcanhar de aquiles do setor?

    Enquanto o mercado externo mostra sinais de cautela, o consumo interno de carne bovina enfrenta desafios. O poder aquisitivo do brasileiro, ainda impactado pela inflação persistente em setores como energia e combustíveis, tem limitado a expansão da demanda doméstica. “O setor precisa urgentemente de uma recuperação do consumo interno para evitar que a alta dos preços se torne insustentável a médio prazo”, destaca um analista de mercado.

    Cenário de incertezas: até quando a alta vai durar?

    O atual ciclo de valorização da arroba do boi gordo, iniciado em maio de 2026, traz consigo uma dualidade: enquanto a oferta curta sustenta preços elevados, a dependência do mercado chinês e a fragilidade do consumo interno criam um cenário de alta volatilidade. Para os próximos 30 dias, as projeções indicam que os preços podem oscilar entre R$ 320 e R$ 350/@, dependendo da capacidade da indústria em ajustar escalas de abate e da reação dos chineses às novas negociações comerciais.

  • El Niño em 2026 ameaça prenhez do gado: o custo invisível da vaca vazia na pecuária brasileira

    El Niño em 2026 ameaça prenhez do gado: o custo invisível da vaca vazia na pecuária brasileira

    Na última quarta-feira (16 de julho de 2026), a NOAA confirmou que o El Niño continua em aceleração, com 97% de probabilidade de persistir até o início de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Para a pecuária de cria no Brasil, os números não são otimistas: cada vaca que não emprenha representa um prejuízo médio de R$ 2.500 ao ano, considerando custos com alimentação, mão de obra e perda de receita com bezerros.

    O peso da seca nas taxas de prenhez

    O calor recorde e a irregularidade das chuvas, típicos do El Niño, já começam a mostrar efeitos no campo. Segundo dados do INMET, regiões como o Centro-Oeste e o Sudeste devem registrar quedas de até 40% na disponibilidade de pastagens até novembro, forçando os produtores a aumentarem gastos com suplementação. “A falta de umidade reduz a qualidade nutricional das forrageiras, o que afeta diretamente a ciclagem reprodutiva das matrizes”, explica o zootecnista Marcelo Dias, da Embrapa.

    Regiões mais vulneráveis: onde o prejuízo será maior

    O Sul e o Centro-Oeste, principais polos de pecuária de cria, são as áreas mais expostas. No Mato Grosso, por exemplo, a Associação dos Criadores de Nelore projeta uma queda de 25% na taxa de prenhez em 2026 em comparação com 2025. Já no Rio Grande do Sul, o déficit hídrico deve reduzir a capacidade de suporte das pastagens em até 35%, obrigando muitos produtores a venderem matrizes precocemente.

    Em Goiás, estado que já sofre com a estiagem desde junho, a Federação da Agricultura (Faeg) alerta para o aumento de 18% nos custos com suplementação mineral e energética, pressionando ainda mais a margem de lucro dos pecuaristas.

    Estratégias emergenciais: o que os produtores podem fazer

    Diante do cenário, especialistas recomendam medidas como:

    • Adotar programas de inseminação artificial em horários mais frescos (manhã ou fim de tarde);
    • Investir em forrageiras resistentes à seca, como o capim-buffel;
    • Monitorar índices reprodutivos via ultrassom para identificar fêmeas com atraso na ciclagem;
    • Negociar contratos de compra antecipada de bezerros para garantir escoamento da produção.

    “O El Niño é um alerta para que o setor adote tecnologias que reduzam a dependência de condições climáticas favoráveis”, avalia a economista rural Renata Bueno, da FGV Agro.

    O futuro da pecuária: entre a crise e a inovação

    Enquanto o fenômeno climático não dá trégua, a pecuária brasileira se vê obrigada a repensar modelos tradicionais. A médio prazo, a tendência é de concentração de propriedades, com pequenos e médios produtores migrando para sistemas integrados (lavoura-pecuária-floresta) ou selling off de matrizes menos produtivas. “Quem não se adaptar, vai sair do mercado”, sentencia o produtor gaúcho João Silva, que já reduziu seu rebanho em 15% desde março.

  • ACNB acusa criador de ‘informações parciais e inverídicas’ após denúncias sobre Ranking Nacional de Nelore

    ACNB acusa criador de ‘informações parciais e inverídicas’ após denúncias sobre Ranking Nacional de Nelore

    ACNB defende integridade da gestão após críticas de associado

    A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), em resposta oficial enviada ao Compre Rural na última semana, classificou como “parciais e inverídicas” as acusações feitas pelo criador e empresário Raphael Zoller contra a atual gestão da entidade. Segundo a nota, as declarações de Zoller teriam o potencial de gerar desinformação entre os associados e o mercado pecuário.

    Exposição em Campo Grande: ACNB nega interferência no Ranking Nacional

    Um dos pontos mais polêmicos das denúncias de Zoller dizia respeito à suposta proibição da exposição de Nelore Mocho na ExpoGrande 2026, em Campo Grande (MS), do Ranking Nacional de Nelore. A ACNB, no entanto, desmente categoricamente a alegação. Em comunicado, a associação afirmou não possuir competência para vetar eventos e destacou que a exposição poderia, inclusive, integrar o ranking — desde que cumprisse os critérios estabelecidos pela entidade.

    Sindicância em xeque: ACNB reforça legalidade do processo

    A entidade também defendeu a legalidade da sindicância interna aberta para apurar supostas irregularidades na gestão de exposições e rankings. Segundo a ACNB, o processo segue trâmites regulares e está alinhado aos estatutos da associação. A nota ainda negou qualquer tipo de favorecimento indevido em eventos promovidos pela entidade, um dos pontos levantados por Zoller em suas críticas públicas.

    Impacto no setor: o que está em jogo?

    As acusações de Zoller, publicadas em meios especializados, colocaram em xeque a credibilidade da ACNB, maior entidade representativa da raça Nelore no Brasil. A associação, por sua vez, buscou reafirmar sua transparência e compromisso com o setor, mas o episódio reacende discussões sobre governança e fiscalização em entidades de classe do agronegócio. O desfecho da sindicância e possíveis desdobramentos judiciais ainda são incertos, mas o caso já movimenta o mercado de genética bovina.

  • Fim de uma era: Morre Dr. Fausto Pereira Lima, ícone da pecuária brasileira

    Fim de uma era: Morre Dr. Fausto Pereira Lima, ícone da pecuária brasileira

    O Brasil despediu-se nesta sexta-feira (17 de julho de 2026) de uma das figuras mais influentes de sua história agropecuária: o Dr. Fausto Pereira Lima, pesquisador, zootecnista e autoridade incontestável no melhoramento genético bovino. Com mais de sete décadas dedicadas à pecuária de corte, ele faleceu aos 96 anos, deixando um legado que transcende gerações e redefine os padrões da bovinocultura nacional.

    Mais de 70 anos de contribuições para a pecuária brasileira

    Nascido em 8 de maio de 1930, o Dr. Fausto Pereira Lima iniciou sua trajetória profissional em uma época em que a seleção genética de bovinos no Brasil ainda engatinhava. Seu trabalho pioneiro, marcado pelo rigor científico e pela aplicação prática, transformou o Nelore — raça símbolo da pecuária nacional — em um modelo de eficiência produtiva. Por meio de metodologias inovadoras, ele estabeleceu critérios objetivos para avaliação de características morfológicas, funcionais e comportamentais, que se tornaram referência para criadores e técnicos em todo o país.

    Um legado que vive nas fazendas e nas salas de aula

    O impacto do Dr. Fausto pode ser medido não apenas na quantidade de animais geneticamente superiores disseminados pelo Brasil, mas também na formação de profissionais que hoje comandam programas de melhoramento em grandes fazendas e instituições de pesquisa. Seus ensinamentos, disseminados em livros, palestras e mentorias, continuam a nortear a seleção de animais, garantindo maior produtividade e adaptabilidade às condições brasileiras. Muitos dos atuais programas de melhoramento genético, como os da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), carregam a marca de sua influência.

    Homenagem à trajetória de um visionário

    Em vida, o Dr. Fausto recebeu inúmeros prêmios e honrarias, incluindo a Ordem do Mérito Agrícola e o título de Professor Emérito em diversas universidades. Seu nome está permanentemente associado à revolução que a pecuária brasileira viveu nas últimas décadas, quando deixou de ser apenas extrativista para se tornar uma atividade baseada em ciência e inovação. Hoje, sua ausência deixa um vazio não apenas na academia e no campo, mas também na cultura de uma geração que cresceu sob sua orientação.

  • Arroba do boi gordo sobe em 9 estados e sinaliza retomada nos preços durante entressafra

    Arroba do boi gordo sobe em 9 estados e sinaliza retomada nos preços durante entressafra

    Oferta enxuta sustenta preços em plena entressafra

    Na última semana de julho de 2026, o mercado do boi gordo registrou uma virada de cenário nas principais praças pecuárias do Brasil. A redução na disponibilidade de animais prontos para abate, típica da entressafra, impôs um freio à pressão de baixa que vinha afetando os preços da arroba. Em nove estados — São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Santa Catarina e Tocantins — os valores apresentaram alta nesta quinta-feira (16), estendendo-se para sexta-feira (17), segundo dados consolidados.

    Pecuaristas mantêm posição firme nas negociações

    O movimento reflete a estratégia dos produtores de resistirem a vender seus animais por valores abaixo das referências do mercado. Consultorias especializadas, como a Agrifatto e a Scot Consultoria, destacam que a oferta limitada tem sido o principal fator para conter novas quedas, mesmo com um cenário de demanda ainda hesitante — seja no mercado interno, seja nas exportações. A entressafra, que tradicionalmente reduz a oferta de bovinos terminados, voltou a atuar como um regulador natural dos preços.

    Consultorias projetam cenário mais firme, mas com cautela

    Segundo a Agrifatto, a valorização ocorreu em 9 das 17 praças monitoradas, enquanto as demais mantiveram estabilidade ou apresentaram leves ajustes. As consultorias reforçam que, embora os sinais sejam positivos, a liquidez do mercado segue restrita. A demanda, ainda impactada por fatores econômicos e sazonais, não deve impulsionar uma alta expressiva, mas a tendência é de manutenção dos preços em patamares mais elevados do que os registrados nas semanas anteriores.

  • Autoconsumo na seca: como o self-service de volumosos revoluciona a pecuária brasileira

    Autoconsumo na seca: como o self-service de volumosos revoluciona a pecuária brasileira

    O desafio da seca na pecuária brasileira

    A seca sempre representou o maior teste de gestão para os pecuaristas brasileiros. Quando o capim perde qualidade nutricional — com queda de proteína, aumento de fibra e redução do valor energético —, os animais são obrigados a despender mais energia para obter uma dieta pobre. As consequências são imediatas: queda no desempenho, perda de escore corporal, atraso na recria, menor eficiência reprodutiva das matrizes e dificuldade em terminar animais exclusivamente a pasto.

    Self-service para bovinos: a inovação que veio para ficar

    O sistema de autoconsumo, ou self-service para bovinos, ganha força como alternativa para contornar os prejuízos da seca. A metodologia permite que os animais tenham acesso controlado a volumosos como silagem, feno e pré-secado sem depender do trato diário tradicional. Segundo especialistas, o modelo se destaca por aliar baixo custo operacional, redução da mão de obra e menor necessidade de infraestrutura — sobretudo na transição entre o período seco e o início das chuvas.

    Por que o modelo chama atenção?

    O avanço do self-service decorre de três fatores principais: eficiência operacional, redução de custos e precisão nutricional. Ao permitir que os bovinos consumam suplementos conforme a necessidade, o sistema evita desperdícios e garante que cada animal receba a quantidade ideal de nutrientes. Além disso, a logística da fazenda é simplificada, já que não há necessidade de distribuição manual diária de alimentos.

    Resultados tangíveis para o produtor

    Dados de fazendas que adotaram o modelo em 2025 e 2026 apontam para resultados expressivos: melhora no ganho de peso médio diário, redução da mortalidade de matrizes e antecipação do ciclo de terminação. Em propriedades que combinam o self-service com manejo sanitário rigoroso, a produtividade aumentou até 15% em comparação ao sistema tradicional de suplementação.

    O futuro da suplementação a pasto

    Com a crescente escassez de mão de obra no campo e a pressão por sustentabilidade, o self-service para bovinos surge como uma solução alinhada às demandas do setor. A técnica não só mitiga os impactos da seca, como também representa um passo rumo à pecuária de precisão — onde cada decisão é baseada em dados e resultados concretos.

  • Grupo Adir assume legado histórico: Aquisição do plantel Gir da Fazenda Café Velho protege genética que moldou o melhoramento da raça no Brasil

    Grupo Adir assume legado histórico: Aquisição do plantel Gir da Fazenda Café Velho protege genética que moldou o melhoramento da raça no Brasil

    A pecuária nacional acaba de perder uma de suas joias, mas ganha um novo guardião. Nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, o Grupo Adir anunciou a aquisição do plantel Gir da Fazenda Café Velho, em Cravinhos (SP), um marco que transcende o valor comercial do rebanho. A operação coloca Paulo Leonel, presidente do grupo e referência no melhoramento genético da raça Nelore, como responsável por preservar uma genética construída ao longo de décadas por um dos ícones da pecuária brasileira: José Luiz Junqueira Barros, conhecido como Bi.

    O legado de Bi e a genética que definiu o Gir brasileiro

    Falar do plantel da Fazenda Café Velho é revisitar a história do melhoramento genético da raça Gir no Brasil. Durante sua trajetória, Bi dedicou-se a uma seleção criteriosa que transformou o rebanho em referência nacional, combinando características como produtividade leiteira, adaptação tropical e conformação funcional. A aquisição pelo Grupo Adir não apenas mantém viva essa linhagem, mas assegura que suas vantagens genéticas continuem sendo disseminadas para criadores de todo o país.

    Grupo Adir assume missão de preservação e inovação

    Paulo Leonel não esconde a responsabilidade que recai sobre seus ombros. Em comunicado oficial, o empresário destacou que a operação vai além da compra de animais: trata-se de “garantir que o patrimônio genético de Bi não se perca no tempo, mas se multiplique com qualidade”. O Grupo Adir, que já é uma potência no segmento de Nelore, passa a integrar o seleto grupo de criadores que detêm linhagens históricas do Gir, ampliando seu portfólio para atender demandas de mercados cada vez mais exigentes por genética superior.

    Impacto no mercado e no futuro da pecuária leiteira

    A genética do plantel da Fazenda Café Velho é reconhecida por sua contribuição na redução de problemas como mastite e infertilidade, além de potencializar a produção de leite em sistemas a pasto — um diferencial em um setor onde a eficiência reprodutiva e a sanidade são prioridades. Especialistas do setor já sinalizam que a manutenção desse material genético poderá influenciar diretamente programas de melhoramento em todo o Brasil, especialmente em estados como Minas Gerais e Goiás, onde a pecuária leiteira tem peso estratégico na economia.

    Um passo rumo à sustentabilidade genética

    A decisão do Grupo Adir também reforça uma tendência crescente na pecuária moderna: a preservação de linhagens puras como forma de resguardar a biodiversidade animal. Em tempos de discussões sobre a redução da variabilidade genética em rebanhos comerciais, a manutenção de núcleos como o da Fazenda Café Velho assume um papel quase estratégico para o setor. “Não estamos apenas comprando animais; estamos comprando futuro”, declarou Leonel em entrevista exclusiva.

  • Arroba do boi gordo recua em julho: frigoríficos retomam poder de barganha após alta histórica no 1º semestre

    Arroba do boi gordo recua em julho: frigoríficos retomam poder de barganha após alta histórica no 1º semestre

    O mercado pecuário brasileiro inicia julho com um cenário que contrasta radicalmente com o primeiro semestre de 2026. Após uma trajetória de alta histórica na arroba do boi gordo — com valorizações atípicas registradas pelo Cepea/Esalq —, os preços começaram a recuar em cadeia, impulsionados pela retomada do poder de negociação dos frigoríficos e pela fragilidade da demanda externa e interna.

    Frigoríficos reassumem o controle do mercado físico

    Na última quinta-feira (2 de julho de 2026), o mercado presenciou quedas consecutivas nos valores da arroba em praças como São Paulo, Goiás e Mato Grosso, reflexo direto da estratégia das indústrias processadoras. Com o estoque de animais terminados ainda elevado em comparação ao padrão sazonal e a demanda chinesa — principal compradora do Brasil — registrando recuo nos últimos meses, os frigoríficos passaram a impor condições mais rígidas aos pecuaristas, especialmente na definição de preços.

    Demanda externa e interna jogam contra os produtores

    A pressão sobre os preços não é apenas tática dos frigoríficos. A China, que nos últimos anos sustentou as exportações brasileiras com volumes recordes, reduziu suas compras em cerca de 12% no acumulado do ano até junho, segundo dados da Secex. Além disso, o consumo interno de carne bovina no Brasil segue desaquecido, com queda de 4% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, conforme estimativas da ABIEC. Essa combinação de fatores externos e internos reduz a margem de manobra dos pecuaristas, que agora enfrentam a perspectiva de margens mais apertadas ou até prejuízos em curto prazo.

    O que esperar para o segundo semestre?

    Ainda é cedo para cravar um cenário de crise, mas os sinais são de cautela. Analistas ouvidos pela *Cenário & Fatos* apontam que, caso a queda nos preços persista até agosto, poderá haver ajustes na retenção de matrizes pelos pecuaristas, o que, em médio prazo, poderia reduzir a oferta e estabilizar os valores. No entanto, a dependência do mercado chinês e a lenta recuperação do consumo interno — impactado pela inflação de alimentos e pela incerteza econômica — adicionam camadas de complexidade à equação. Para o produtor, a palavra de ordem agora é planejamento financeiro para atravessar um período de transição entre dois ciclos atípicos: a alta excepcional do primeiro semestre e a pressão baixista que começa a se desenhar.

  • Chuvas reduzem colheita de café arábica a 27% em Goiás, 8 pontos abaixo do esperado

    Chuvas reduzem colheita de café arábica a 27% em Goiás, 8 pontos abaixo do esperado

    Colheita em ritmo lento: 27% concluídos com perdas significativas

    A colheita de café arábica na área de abrangência da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) alcançou 27% até a última sexta-feira, 26 de junho de 2026, com 12% do volume já beneficiado. Os rendimentos médios variaram entre 550 e 570 litros por saca de 60 kg, mas o índice está 8 pontos percentuais abaixo dos 35% registrados no mesmo período de 2025, quando a safra teve início mais precoce.

    Chuvas e queda de frutos: o impacto climático na produtividade

    O atraso na colheita, segundo boletim técnico da Expocacer, é resultado das chuvas registradas na quarta semana de junho, que interromperam os trabalhos de cata e beneficiamento. Além disso, a precipitação provocou a queda de aproximadamente 25% dos frutos ainda no pé, gerando um volume expressivo de “café de chão” e comprometendo a qualidade de parte dos lotes. A chegada do inverno, que tradicionalmente reduz as chuvas, ressalta a necessidade de estratégias de manejo para mitigar perdas, incluindo o uso de tecnologias de irrigação e monitoramento climático.

    Perspectivas para o inverno brasileiro: clima e inovação como aliados

    O cenário atual reforça os desafios do setor cafeeiro no Brasil, que depende cada vez mais de inovações agrícolas para manter a produtividade em um contexto de mudanças climáticas. Com a safra atrasada em cerca de 30 dias, os produtores da região de atuação da Expocacer — que abrange municípios como Araguari, Monte Carmelo e Patos de Minas — enfrentam não apenas a queda na produtividade, mas também a pressão por preços que reflitam os custos operacionais elevados. A cooperativa, no entanto, projeta que a retomada das atividades após as chuvas deve ocorrer gradualmente, com expectativa de recuperação parcial do volume até o final de julho.