Categoria: Economia

  • SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    Em um movimento estratégico para modernizar o agronegócio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) formalizaram ontem (16/06) um Protocolo de Intenções com foco na inovação agropecuária. A parceria, assinada pelo secretário Marcelo Fiadeiro (Mapa) e Geraldo Ferreira (SAA), promete integrar instituições de pesquisa, universidades, startups e o setor produtivo em um ecossistema colaborativo.

    De São Paulo ao Vale do Silício: uma revolução no campo

    O acordo não se limita a articulações governamentais. Ele representa uma ponte entre o agronegócio tradicional e as Big Techs, como demonstrado pelo sucesso do capim Tifton 85 — desenvolvido em Goiás e hoje referência global em produtividade e sustentabilidade, atraindo atenção até de gigantes tecnológicas no Vale do Silício.

    O que muda para o produtor e o consumidor?

    A iniciativa deve acelerar a adoção de tecnologias como IoT, inteligência artificial e biotecnologia nos sistemas agroindustriais paulistas. Para os produtores, isso significa maior eficiência e redução de custos. Para os consumidores, produtos mais sustentáveis e rastreáveis. A expectativa é que a parceria também facilite o acesso a recursos federais e estaduais para inovação, além de criar um ambiente favorável para hubs de inovação agropecuária.

    Um passo além da governança tradicional

    Ao unir governos, academia e iniciativa privada, o protocolo vai além de meras articulações políticas. Ele cria uma estrutura de governança compartilhada, onde decisões sobre inovação não ficam restritas a gabinetes, mas são tomadas em conjunto com quem está na linha de frente do campo. Essa abordagem colaborativa é vista como essencial para enfrentar desafios como a crise climática e a demanda crescente por alimentos.

  • El Niño forte em 2026: Santander alerta para quebra de safra e crise logística no agro brasileiro

    El Niño forte em 2026: Santander alerta para quebra de safra e crise logística no agro brasileiro

    El Niño forte em 2026: um alerta para o agro e a logística nacional

    O relatório mais recente do Santander sobre os riscos climáticos para o Brasil traz um cenário preocupante para o setor agropecuário e de transportes, com o El Niño se consolidando como uma ameaça concreta a partir de junho de 2026. Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), as projeções indicam uma probabilidade superior a 80% de formação do fenômeno após junho, com mais de 65% de chances de um evento forte ou muito forte entre outubro e dezembro deste ano.

    Impactos diretos no campo e nas estradas

    A segunda safra de milho, especialmente em Mato Grosso, surge como um dos pontos mais vulneráveis. A combinação de chuvas irregulares e altas temperaturas pode reduzir significativamente a produtividade, pressionando ainda mais a já fragilizada rentabilidade dos produtores rurais. O Santander destaca que empresas como Rumo e Hidrovias do Brasil também estão na mira, uma vez que a navegabilidade nas hidrovias do Norte — crucial para as exportações — pode ser comprometida, elevando os custos logísticos e atrasando a movimentação de grãos.

    Logística em xeque: fretes e exportações sob tensão

    Além dos riscos no transporte fluvial, o relatório aponta para uma possível redução no ritmo de crescimento dos fretes rodoviários, reflexo da menor demanda por escoamento de safras. O Arco Norte, responsável por escoar uma parcela significativa da produção brasileira, enfrenta um duplo desafio: a queda na produtividade agrícola e a interrupção ou encarecimento das rotas hidroviárias. Para o Santander, esses fatores podem não apenas limitar as exportações, mas também forçar uma revisão nos preços dos combustíveis e insumos, impactando toda a cadeia produtiva.

    O Centro-Oeste na rota dos efeitos indiretos

    Embora tradicionalmente menos afetado pelo El Niño do que o Sul e o Nordeste, o Centro-Oeste — especialmente Mato Grosso — não está imune aos seus efeitos. A região, que concentra grande parte da produção de soja e milho de segunda safra, pode sofrer com a irregularidade das chuvas, afetando diretamente a safrinha e, consequentemente, a renda dos agricultores. O relatório sugere que a pressão sobre a rentabilidade dos produtores rurais deve se intensificar, exigindo medidas de mitigação por parte do governo e das empresas do setor.

  • CRA de R$ 30,5 milhões liberado pela GCB para reestruturar dívidas do Grupo Rizzi no agronegócio baiano e maranhense

    CRA de R$ 30,5 milhões liberado pela GCB para reestruturar dívidas do Grupo Rizzi no agronegócio baiano e maranhense

    Financiamento alinhado ao ritmo do campo

    A GCB, especializada em crédito privado, anunciou na última quarta-feira (11/06) a emissão de um CRA no valor de R$ 30,5 milhões para o Grupo Rizzi, produtor rural com operações na Bahia e no Maranhão. A operação tem como objetivo substituir dívidas bancárias por uma estrutura mais compatível com a sazonalidade do agronegócio, onde o fluxo de caixa depende diretamente do plantio, colheita e comercialização de commodities como soja, feijão, algodão e sorgo.

    Condições do CRA Rizzi: prazo de 4 anos e retorno atrativo

    O título oferece investimento mínimo de R$ 1.000, prazo de 48 meses e remuneração de CDI + 4,5% ao ano, com pagamento mensal de juros. A distribuição é exclusiva pela plataforma da GCB, reforçando o papel do mercado de capitais como alternativa para o financiamento do setor agropecuário. Segundo dados da B3, operações como esta vêm ganhando espaço entre produtores que buscam reduzir custos e alongar prazos em um cenário de juros ainda elevados no crédito tradicional.

    Agronegócio baiano e maranhense em expansão

    O Grupo Rizzi, com atuação há mais de duas décadas no Nordeste, tem ampliado sua produção para atender demandas de indústrias alimentícias e o mercado de commodities. A reestruturação de dívidas com o CRA chega em um momento em que o setor enfrenta pressões por sustentabilidade financeira, mas também oportunidades com a valorização das exportações de grãos. A operação da GCB sinaliza uma tendência de uso crescente de instrumentos de securitização para alavancar a competitividade do agro brasileiro.

  • Sem rastreabilidade, Brasil pode perder acesso ao mercado europeu mesmo com tarifa zero

    Sem rastreabilidade, Brasil pode perder acesso ao mercado europeu mesmo com tarifa zero

    O Mercosul e a União Europeia selaram na última quarta-feira (17) um acordo histórico que elimina barreiras tarifárias para produtos brasileiros, impulsionando a competitividade do agronegócio nacional no maior bloco econômico do mundo. Contudo, o alívio tarifário — comemorado por produtores e governos — esconde uma exigência que se tornou condição sine qua non para a permanência do Brasil no mercado europeu: a rastreabilidade total da origem dos produtos e a adequação a padrões sanitários impecáveis.

    Do acesso facilitado à porta fechada: o paradoxo das exportações brasileiras

    Durante o Fórum Internacional do Agronegócio (Fiap) 2026, realizado ontem (18) em Campo Grande (MS), especialistas como Pedro Henrique de Souza Netto, gerente de agronegócio da ApexBrasil, destacaram que, embora a queda das tarifas abra caminho para uma vantagem competitiva imediata, os produtores brasileiros precisam urgentemente se adaptar a um ecossistema que não tolera falhas. “O mercado europeu não é apenas um destino comercial; é um filtro sanitário e de origem. Sem transparência total, o produto brasileiro não entra — ou é barrado na chegada”, afirmou Netto.

    Fruticultura e carnes: os setores mais ameaçados pela falta de compliance

    O alerta soa especialmente alto para segmentos como a fruticultura cultivada no semiárido brasileiro e a cadeia de carnes, dois pilares de exportação que já enfrentam pressões internacionais por desmatamento e uso de agrotóxicos. Segundo dados preliminares apresentados no evento, 68% dos produtores de manga e uva do Nordeste não possuem sistemas integrados de rastreabilidade, o que pode inviabilizar suas exportações para a UE ainda em 2026. No caso da pecuária, a exigência de passaportes sanitários digitais para cada animal já é uma realidade na Europa, com fiscalizações aleatórias nos portos.

    O custo de não se adaptar: perdas bilionárias e credibilidade internacional

    Para além das sanções comerciais, especialistas do Fiap 2026 destacaram que a falta de compliance pode ter um impacto ainda mais devastador: a perda de credibilidade do Brasil como fornecedor confiável. “A Europa não está negociando apenas tarifas; está negociando confiança. Se o Brasil não demonstrar que consegue rastrear cada grão de soja ou cada lote de carne, o acordo será letra morta em poucos meses”, alertou a economista agrícola Maria Fernanda Cunha, da Universidade de Brasília (UnB).

    O governo federal, ciente do problema, já anunciou um pacote de R$ 2,3 bilhões para subsidiar a implementação de tecnologias de rastreabilidade nas propriedades rurais, mas o prazo — até dezembro de 2026 — é considerado exíguo por muitos produtores. “Isso não é um investimento; é uma apólice de seguro contra o fechamento de mercados”, resumiu um dos painelistas do evento.

  • Café solúvel brasileiro na mira de Trump: setor aciona Washington contra tarifa de até 37,5%

    Café solúvel brasileiro na mira de Trump: setor aciona Washington contra tarifa de até 37,5%

    O café solúvel brasileiro, tradicionalmente lider no mercado externo, enfrenta agora uma barreira comercial sem precedentes. Desde o início de junho, os Estados Unidos impuseram tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros — com potencial de atingir 37,5% — sob justificativas como supostas infrações ambientais e uso do sistema PIX. O problema: o setor solúvel foi o único excluído das isenções recém-anunciadas pela Casa Branca, um golpe duro para um segmento que responde por 40% das exportações globais do grão.

    Por que o café solúvel foi poupado das isenções?

    A decisão americana pegou o setor de surpresa. Enquanto outros tipos de café (como o torrado ou moído) tiveram suas tarifas reduzidas, o solúvel permaneceu na lista negra. Analistas apontam dois possíveis motivos: a forte concorrência de produtores asiáticos — especialmente do Vietnã e da Indonésia — que dominam o segmento, ou pressões de lobby local nos EUA, que buscam proteger sua indústria emergente de café instantâneo. A falta de transparência nas justificativas, no entanto, só aumenta a tensão.

    Impacto imediato: exportações em queda e inflação em alta

    A medida já começa a pesar. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), as exportações do setor caíram 18% em maio comparado ao mesmo período do ano passado, com perdas estimadas em US$ 120 milhões. No mercado interno, o reflexo é direto: o preço do café solúvel subiu 12% desde o anúncio das tarifas, pressionando ainda mais a inflação, que já acumula alta de 4,7% em 2026. “Isso é um tiro no pé da economia brasileira”, alerta o economista Fernando Siqueira, da FGV. “Além de prejudicar os produtores, a alta nos preços afeta diretamente o consumidor final, especialmente as classes C e D, que dependem desse produto como alternativa econômica.”

    Missão diplomática: a última cartada antes do estrago

    Para reverter o cenário, uma delegação de 15 representantes do setor, incluindo CEOs de gigantes como Nestlé e 3 Corações, viajará a Washington no dia 6 de julho. O objetivo é claro: apresentar dados concretos sobre a competitividade do café solúvel brasileiro — que atende 22% da demanda global — e negociar uma revisão das tarifas. A estratégia inclui reuniões com membros do Congresso, do Departamento de Comércio e até mesmo com o escritório de Trump, onde tentarão demonstrar que as acusações de “pirataria” e “danos ambientais” não têm base factual.

    A pressão, no entanto, é enorme. Com as eleições presidenciais americanas se aproximando, o governo Trump tem pouco incentivo para recuar. “Nesse contexto, a única saída é mostrar que as tarifas trarão prejuízos mútuos”, avalia Siqueira. “Os EUA também perdem: o Brasil é o terceiro maior fornecedor de café para o país, atrás apenas da Colômbia e do Vietnã.”

    O que vem pela frente? Cenários possíveis

    Três desdobramentos são possíveis a partir da audiência em julho: 1) Retrocesso parcial das tarifas, com redução para 10-15%; 2) Manutenção das sanções, forçando o setor a buscar novos mercados (como Europa e África); ou 3) Escalada do conflito, com retaliações brasileiras a produtos americanos. Especialistas, no entanto, são pessimistas quanto a um acordo rápido. “A política externa de Trump não costuma ceder em ano eleitoral”, lembra o analista político Marcos Oliveira. “O timing, aliás, não poderia ser pior: a safra brasileira de café está em seu pico, e qualquer interrupção nas exportações terá impacto imediato na balança comercial.”

  • Abates de bovinos, suínos e frangos batem recorde no 1º trimestre de 2026, aponta IBGE

    Abates de bovinos, suínos e frangos batem recorde no 1º trimestre de 2026, aponta IBGE

    O Brasil registrou, no primeiro trimestre de 2026, o melhor desempenho histórico para o abate de bovinos, suínos e frangos desde o início da série do IBGE em 1997. Segundo os dados divulgados na última segunda-feira (16 de junho de 2026), a produção de 2,63 milhões de toneladas de carcaças bovinas representou um crescimento de 5,1% em relação ao mesmo período em 2025, embora tenha caído 10,3% na comparação com o último trimestre de 2025.

    Bovinos: alta de 3,3% no abate anual, mas queda trimestral

    Foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos no 1º trimestre de 2026, número 3,3% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior. Na comparação com o 4º trimestre de 2025, porém, houve uma redução de 6,9%, reflexo de sazonalidades comuns no início do ano.

    Suínos e frangos também registram expansão

    O abate de suínos atingiu 15,27 milhões de cabeças, com crescimento de 5,5% em relação ao 1º trimestre de 2025 e uma leve queda de 0,1% na comparação trimestral. Já os frangos somaram 1,71 bilhão de cabeças, resultado 3,6% maior que o do ano anterior, mas 0,5% inferior ao 4º trimestre de 2025. Todos os índices superam os registros anteriores para o período, consolidando o setor agropecuário como um dos destaques da economia brasileira neste início de ano.

    Exportações de couro também crescem, mas faturamento ainda é desafio

    Paralelamente, o IBGE informou que as exportações de couro registraram aumento, embora os dados sobre faturamento não tenham sido detalhados na divulgação. O setor, que depende fortemente da cadeia de proteína animal, segue atento às oscilações de mercado e à demanda internacional, especialmente em um cenário de recuperação pós-pandemia e ajustes cambiais.

    Os resultados integram as Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, publicadas pelo IBGE na última segunda-feira (16/06/2026). A continuidade desse desempenho dependerá de fatores como condições climáticas, políticas comerciais e preços das commodities, que devem ser monitorados de perto pelos agentes do setor.

  • Bahia Farm Show 2026 consolida-se como polo global do agronegócio com presença de 4 países e executivos internacionais

    Bahia Farm Show 2026 consolida-se como polo global do agronegócio com presença de 4 países e executivos internacionais

    O poder do agronegócio brasileiro no exterior ganhou ainda mais visibilidade durante a Bahia Farm Show 2026, encerrada em 13 de junho na cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA). O evento, chancelado pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), consolidou-se como uma das principais vitrines do setor agrícola nacional para investidores internacionais, com a participação de representantes de quatro países e executivos de grandes marcas do setor.

    Uma feira que transcende fronteiras: China, Angola e Portugal em destaque

    A edição deste ano não apenas manteve a tradição de atrair compradores e vendedores globais, mas também ampliou a presença de delegações estrangeiras. Uma comitiva da China marcou presença com um estande próprio, demonstrando o interesse crescente do gigante asiático nas tecnologias e na produção agrícola do Oeste baiano. Além disso, representantes de Angola e Portugal se fizeram presentes, buscando oportunidades em um setor que tem impulsionado a economia regional — como a exportação de couro, que registrou aumento no faturamento.

    Tecnologia e gestão eficiente: o DNA da BFS

    Organizada em parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Fundação Bahia e a Associação dos Revendedores de Máquinas e Implementos Agrícolas (Assomiba), a feira destacou-se não apenas pela atração de compradores, mas também pela apresentação de soluções inovadoras para o campo. Desde sistemas de irrigação de alta precisão até técnicas de plantio sustentável, a BFS 2026 reforçou a imagem do agronegócio brasileiro como um setor cada vez mais tecnológico e alinhado às demandas globais de eficiência e sustentabilidade.

    O que o futuro reserva para o agronegócio do Oeste da Bahia?

    Com a presença de líderes internacionais e a crescente demanda por produtos agropecuários brasileiros, a Bahia Farm Show não apenas se consolida como um evento estratégico para o setor, mas também como um termômetro das tendências globais. A expansão das exportações — como a de couro, que tem ganhado mercado em países como a China — e o investimento em inovação no campo sugerem que a região seguirá como um dos principais polos de crescimento do agronegócio nacional nos próximos anos.

  • BNDES injeta R$ 500 milhões na FS e lança maior fábrica de etanol de milho do Brasil em Mato Grosso

    BNDES injeta R$ 500 milhões na FS e lança maior fábrica de etanol de milho do Brasil em Mato Grosso

    Um salto estratégico para o etanol de milho no Brasil

    Na última segunda-feira (16 de junho de 2026), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu o sinal verde para um investimento de R$ 500 milhões na construção da maior unidade industrial de etanol de milho do país. A nova planta da FS, uma das líderes do setor, será instalada em Campo Novo do Parecis (MT), região que já desponta como um dos principais polos agrícolas do Brasil. Com um aporte total de R$ 2,07 bilhões, o projeto não apenas reforça a capacidade produtiva da empresa, mas também acelera a transformação de Mato Grosso no coração da nova era da bioenergia nacional.

    Capacidade recorde e impacto econômico

    A unidade, que deve entrar em operação até 2028, será capaz de processar 1,2 milhão de toneladas de milho anualmente, gerando uma produção estimada de 540 milhões de litros de etanol por ano. Além de impulsionar a matriz energética renovável do país, o empreendimento promete criar milhares de empregos diretos e indiretos na região, movimentando a economia local e atraindo novos investimentos para o Centro-Oeste. O projeto ainda alinha-se à crescente demanda global por combustíveis sustentáveis, consolidando o Brasil como fornecedor estratégico de biocombustíveis.

    Mato Grosso no centro da revolução do etanol

    Campo Novo do Parecis foi escolhida pela FS por sua localização privilegiada, próxima a grandes áreas de produção de milho e com infraestrutura logística robusta, incluindo acesso a rodovias e hidrovias. A instalação da nova unidade não só amplia a produção nacional de etanol de milho — hoje concentrada em estados como Goiás e Mato Grosso — como também posiciona o estado como um dos principais hubs de bioenergia do país. Especialistas destacam que, com essa planta, Mato Grosso poderá responder por até 30% da oferta nacional de etanol de milho já em 2029.

    O que esperar do setor nos próximos anos

    O investimento da FS reflete uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: a diversificação energética. Enquanto o etanol de cana-de-açúcar já é consolidado, o etanol de milho ganha tração pela sua eficiência em regiões de segunda safra (como o Cerrado) e pela menor sazonalidade na produção. Com a ampliação da capacidade anunciada, espera-se que o Brasil reduza sua dependência de importações de gasolina e consolide sua liderança em biocombustíveis, além de criar um efeito dominó em inovação tecnológica e pesquisa agrícola no campo.

  • Frentes frias redefinem o clima no Brasil: chuvas irregulares e alerta no agro até 22 de junho

    Frentes frias redefinem o clima no Brasil: chuvas irregulares e alerta no agro até 22 de junho

    A partir desta semana, o Brasil enfrenta uma nova dinâmica climática impulsionada pelo avanço de frentes frias, conforme alerta o INMET. A previsão, válida até 22 de junho, indica um padrão de chuvas irregulares em regiões estratégicas para o agronegócio, como o Centro-Oeste e o Norte do país, onde os maiores volumes de precipitação são esperados.

    Impacto imediato nas lavouras e pecuária

    O cenário climático em transformação exige atenção redobrada dos produtores rurais. Enquanto algumas áreas registram chuvas acima da média histórica, outras enfrentam tempo seco persistente, o que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de segunda safra e a qualidade das pastagens. A combinação de instabilidade e seca segmentada já afeta decisões logísticas e de planejamento nas propriedades.

    Norte: o epicentro das chuvas no país

    Dados do INMET confirmam que a Região Norte será a mais impactada pelas precipitações nos próximos dias, com acumulados significativos que podem aliviar a seca em estados como Rondônia e Acre, mas também exigirão cuidados para evitar enchentes e danos às culturas. A irregularidade das chuvas, no entanto, mantém a incerteza sobre o volume exato necessário para repor os níveis de umidade do solo em outras regiões.

    Consequências para a logística e o mercado

    A disparidade climática entre as regiões tende a criar gargalos na cadeia produtiva. Enquanto o Sul pode enfrentar dificuldades com excesso de umidade, o Centro-Oeste lidará com a necessidade de ajustes nas operações de colheita. O mercado, por sua vez, monitora de perto os efeitos sobre os preços de commodities, como soja e milho, cujas safras estão em fase crítica de desenvolvimento.

  • IBS e CBS: o produtor rural está em xeque com a nova tributação?

    IBS e CBS: o produtor rural está em xeque com a nova tributação?

    Reforma tributária joga luz sobre o campo: vale a pena aderir ao IBS e CBS?

    A partir de 2026, a reforma tributária brasileira — ancorada no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — redefine a tributação no setor agropecuário. Produtores rurais com faturamento anual inferior a R$ 3,6 milhões ganham o direito de optar entre continuar no regime tradicional ou migrar para o novo sistema, baseado na não cumulatividade ampla. A escolha, porém, não é apenas burocrática: impacta diretamente a margem de lucro, a capacidade de investimento e até o acesso a linhas de crédito.

    O que muda para o produtor com a adesão ao IBS/CBS?

    No novo modelo, o produtor passa a ser contribuinte direto do IBS e da CBS, mas com a vantagem de poder aproveitar créditos tributários sobre insumos, equipamentos e serviços. Por outro lado, a alíquota incidente sobre a receita de venda de produtos rurais (como grãos ou carne) tende a ser superior à atual, especialmente em estados com alta carga tributária. A equação, portanto, depende de dois fatores: o volume de créditos passíveis de recuperação e o aumento real da alíquota efetiva.

    Para produtores com margens apertadas — comuns em culturas como soja ou milho —, a migração pode significar um custo adicional. Já aqueles com alto grau de verticalização (como granjas ou laticínios) podem se beneficiar da recuperação de créditos em toda a cadeia, reduzindo a carga tributária global.

    Limite de R$ 3,6 milhões: uma porta aberta ou um risco?

    A Lei Complementar nº 214/2025, sancionada em dezembro de 2025, estabelece que o produtor rural (pessoa física ou jurídica) com receita bruta anual inferior ao teto poderá optar pela não adesão ao IBS/CBS. Essa flexibilidade é crucial para evitar prejuízos em um setor já pressionado por custos logísticos e volatilidade de preços. No entanto, a decisão deve considerar três variáveis:

    • Créditos tributários: Quanto maior o volume de insumos e serviços tributados na compra, maior o potencial de economia com a recuperação de créditos no novo regime.
    • Alíquota efetiva: Comparar a carga tributária atual (ICMS, PIS/Cofins, IPI) com a alíquota combinada do IBS/CBS, que deve situar-se entre 25% e 27% em 2026.
    • Complexidade operacional: O novo sistema exige controle rigoroso de notas fiscais e apuração mensal — um desafio para pequenos e médios produtores sem estrutura contábil.

    O que dizem especialistas sobre o tema?

    Economistas do setor agro avaliam que a adesão ao IBS/CBS só é vantajosa para o produtor rural se a soma de créditos recuperados superar o aumento da alíquota sobre a receita. “Produtores com alto consumo de defensivos agrícolas ou energia elétrica tendem a se beneficiar”, afirma a consultora tributária Fernanda Oliveira, do escritório AgroTax. Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recomenda cautela: “A transição deve ser analisada caso a caso, com simulações detalhadas”, alerta um estudo da entidade publicado em maio de 2026.

    Para produtores que optarem pela não adesão, a manutenção do regime atual (com ICMS e contribuições) segue válida, mas sem a possibilidade de recuperar créditos do IBS/CBS futuramente — uma desvantagem em um mercado cada vez mais competitivo.

    Conclusão: o momento é de planejamento, não de decisão instantânea

    A data-base de 16 de junho de 2026 marca o início de um período de transição, não de definições definitivas. Produtores rurais têm até dezembro de 2026 para decidir se migram ou não para o IBS/CBS — mas o ideal é começar as simulações já. Ferramentas digitais de gestão tributária, aliadas a consultorias especializadas, podem ajudar a mapear os impactos. Afinal, no agro, cada real conta: seja na hora de vender a safra ou de pagar os impostos.