No dia 17 de julho de 2026, enquanto máquinas dominam fazendas e estradas do mundo, quatro culturas mantêm viva uma tradição que transformou a humanidade: o uso indispensável do cavalo. Na Mongólia, nas planícies argentinas, nas fazendas brasileiras e nas montanhas do Quirguistão, esses animais ainda são sinônimo de sobrevivência, trabalho e identidade.
A Mongólia: os nômades que ainda viajam com os cavalos
A cultura nômade mongol mantém o cavalo como extensão do corpo humano. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), cerca de 30% da população mongol ainda depende diretamente desses animais para pastoreio, transporte e até como fonte de alimento. Em comunidades como as do deserto de Gobi, a relação com os cavalos — que compõem cerca de 3 milhões do rebanho nacional — é tão profunda que a nação elegeu o cavalo como símbolo de orgulho nacional, presente até na bandeira.
Os gaúchos argentinos: pastores a cavalo de um império pecuário
Na Argentina, berço da criação de gado, o cavalo é tão essencial quanto o próprio boi. No dia 17 de julho de 2026, estima-se que 80% das fazendas de pecuária bovina ainda utilizem cavalos para manejar rebanhos de milhões de cabeças. A província de Buenos Aires, por exemplo, abriga a maior concentração de cavalos de trabalho do mundo, com raças como o criollo, adaptado para longas jornadas em pampas abertos. A tradição, que data do século XVI, é tão forte que até os dias atuais, a figura do gaúcho — montado em seu cavalo — é um ícone cultural.
O sertão brasileiro: vaqueiros que não largam a montaria
No sertão nordestino, a vaquejada é mais do que um esporte: é uma forma de vida. Dados da Confederação Brasileira de Hipismo indicam que cerca de 500 mil cavalos são usados anualmente apenas em atividades rurais no Brasil, com destaque para o Nordeste. Na última quarta-feira (16/07/2026), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que destina R$ 50 milhões para fomentar a criação de cavalos de trabalho no semiárido, reconhecendo sua importância econômica e cultural. A raça mais usada, o sertanejo, é resistente ao clima árido e fundamental para o manejo do gado nelore, que sustenta uma das maiores cadeias produtivas de carne do planeta.
O Quirguistão: onde o cavalo é rei e a vida é nômade
Nas montanhas do Quirguistão, o cavalo não é apenas um animal de trabalho — é um parceiro espiritual. A cultura quirguiz, que remonta ao século V, considera o cavalo sagrado, presente em lendas, canções e até na culinária tradicional (o kumys, leite fermentado de égua, é um símbolo nacional). Em 2025, o governo local implementou um programa de preservação de raças autóctones, como o cavalo quirguiz, que é capaz de sobreviver a invernos rigorosos com mínimas condições de sobrevivência. Especialistas estimam que 60% das famílias rurais do país ainda dependem desses animais para locomoção e subsistência.
Para o geneticista dinamarquês Eske Willerslev, cujas pesquisas foram popularizadas na série Equus: Story of the Horse, a domesticação do cavalo há cerca de 6.000 anos foi tão revolucionária quanto a invenção do automóvel. “Sem os cavalos, impérios como o mongol não teriam se expandido, e a agricultura moderna teria enfrentado barreiras intransponíveis”, afirmou em entrevista exclusiva ao Cenário & Fatos em maio de 2026. Hoje, enquanto o mundo discute transição energética e automação, essas culturas demonstram que algumas inovações — como a parceria com os cavalos — nunca saem de moda.

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