Mais do que THC 0,3%, o desafio brasileiro é econômico
A regulamentação da cannabis no Brasil, que permite o cultivo com até 0,3% de THC, abriu uma janela para uma indústria promissora. No entanto, o cerne da questão não é a capacidade técnica de produção, mas sim o custo para manter a conformidade sem inviabilizar economicamente o setor.
O Brasil consegue produzir — mas a que preço?
Estudos recentes, como os apresentados pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), confirmam que o país tem condições de cultivar cannabis dentro dos limites legais. O problema, entretanto, está nos custos operacionais, logísticos e de conformidade regulatória que podem encarecer o produto final, afastando investimentos e mantendo os preços altos para os pacientes.
Indústria nacional vs. dependência de importações
A expectativa da regulamentação não é apenas autorizar o cultivo, mas criar uma cadeia produtiva competitiva. Para isso, é preciso equilibrar custos com escala, tecnologia e mão de obra qualificada. Caso contrário, a indústria brasileira pode se limitar a um mercado de nicho, sem atingir o potencial de reduzir a dependência de medicamentos importados — que hoje dominam o acesso à cannabis medicinal no país.
O que está em jogo até 19 de junho de 2026
Enquanto o debate público se concentra nos limites de THC, a viabilidade econômica da produção nacional de cannabis segue em aberto. Sem soluções para os custos, o Brasil corre o risco de repetir o erro de outras indústrias reguladas: criar regras que, na prática, mantêm o mercado nas mãos de poucos players — ou pior, mantêm os preços inacessíveis para a maioria dos pacientes.

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