A discussão sobre a presença de proteínas animais na alimentação escolar ganhou contornos polêmicos na última semana, durante a Feicorte 2026, realizada em Presidente Prudente (SP). A nutricionista clínica Letícia Moreira, com 22 anos de atuação na área, protagonizou um debate ao defender que iniciativas como a ‘Segunda sem Carne’ — implementadas em escolas públicas brasileiras — podem acarretar prejuízos irreversíveis ao crescimento infantil.
Carne na dieta infantil: um direito ou um privilégio?
Moreira argumentou que a privação sistemática de carne na merenda escolar, especialmente durante a fase de desenvolvimento, compromete a ingestão de nutrientes essenciais como ferro, zinco e vitamina B12. ‘Para mim, fazer a segunda sem carne é um grande crime. A gente tem que evitar e cada vez mais falar sobre isso para que não tire a carne da alimentação das crianças’, declarou a profissional, que atua no ramo desde 2004. Sua fala ecoa estudos recentes do Global Nutrition Report, que destacam a dependência de crianças brasileiras de programas como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) para o acesso a proteínas de alto valor biológico.
O Brasil no radar das políticas alimentares globais
Enquanto o debate ganha força no país, nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration) revisita suas diretrizes alimentares para 2026, após pressão de setores ligados à pecuária. A nutricionista lembra que a carne bovina, por exemplo, contém todos os aminoácidos essenciais em proporções equilibradas, além de ser fonte de creatina — composto fundamental para o desenvolvimento muscular e neural. ‘É uma questão de saúde pública, não de ideologia’, afirmou Moreira.
Críticas ao ‘Segunda sem Carne’ e o papel do Estado
As políticas de restrição à carne na alimentação escolar são alvo de críticas de especialistas há anos. Em 2025, o Ministério da Saúde publicou um relatório indicando que 30% das crianças brasileiras entre 6 e 12 anos apresentavam deficiência de ferro — um dado que, segundo Moreira, poderia ser reduzido com o acesso irrestrito a proteínas animais. ‘O Estado não pode negligenciar sua responsabilidade de garantir uma alimentação completa para nossas crianças’, defendeu. A nutricionista também citou casos internacionais, como o da Dinamarca, que recentemente reviu suas políticas de redução de carne após quedas nos índices de desenvolvimento infantil.
Em meio à polarização do tema, a Feicorte 2026 se posicionou como um espaço de diálogo, reunindo produtores rurais, pesquisadores e gestores públicos. ‘Precisamos de soluções baseadas em ciência, não em modismos’, concluiu Moreira.

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