Tag: agronegócio

  • Arrendamento rural: erros jurídicos e ambientais podem custar propriedade e milhões em prejuízos

    Arrendamento rural: erros jurídicos e ambientais podem custar propriedade e milhões em prejuízos

    No dia 28 de maio de 2026, o advogado Roberto Bastos Ghigino, da HBS Advogados, reforçou o alerta que tem ganhado força no agronegócio brasileiro: a ausência de uma análise jurídica e ambiental criteriosa antes da assinatura de contratos de arrendamento ou parceria rural pode desencadear uma série de problemas irreversíveis para os proprietários de terras. Decisões judiciais recentes, envolvendo desde embargos ambientais até rescisões contratuais, têm colocado em xeque a segurança jurídica de transações que, muitas vezes, são tratadas como meras formalidades.

    Arrendamento vs. Parceria: diferenças que definem riscos

    Ghigino esclarece que, enquanto o arrendamento rural funciona como um aluguel da terra — com o produtor pagando pelo uso do imóvel sem compartilhar lucros ou prejuízos —, a parceria rural se assemelha a uma sociedade, onde os riscos e resultados são divididos entre as partes. “Em ambos os casos, há a transferência da posse do imóvel rural ao produtor que irá explorá-lo economicamente”, explica. No entanto, são justamente essas nuances que exigem atenção redobrada na elaboração dos contratos.

    Riscos ocultos: do embargo ambiental à perda do imóvel

    O especialista destaca que falhas na análise prévia — como a ausência de regularização ambiental ou pendências judiciais no registro do imóvel — podem resultar em embargos por órgãos como o Ibama, multas milionárias e até ações de reintegração de posse movidas por terceiros. “Muitos proprietários só descobrem problemas depois que o contrato já está assinado, quando o prejuízo já está feito”, alerta. Além disso, disputas judiciais por terras são cada vez mais comuns, especialmente em regiões com alta concentração fundiária.

    Como mitigar os danos antes de assinar

    Para evitar prejuízos, Ghigino recomenda uma due diligence minuciosa, que inclua:

    • Verificação de matrícula do imóvel e possíveis ônus (penhoras, ações judiciais);
    • Análise de licenças ambientais (CAR, licenciamento rural, regularidade no Sisnama);
    • Consulta a processos judiciais envolvendo o imóvel ou seus vizinhos;
    • Definição clara de cláusulas contratuais, incluindo penalidades por descumprimento ambiental.

    A ausência dessas medidas não só expõe o proprietário a riscos financeiros, mas também pode inviabilizar o próprio negócio rural, dado o crescente rigor da fiscalização ambiental no Brasil. “O agronegócio não pode mais se dar ao luxo de tratar contratos como burocracia. Cada detalhe importa”, conclui o advogado.

  • Fertilizantes: Congresso libera R$ 10 bilhões para reduzir dependência externa do agro

    Fertilizantes: Congresso libera R$ 10 bilhões para reduzir dependência externa do agro

    Dependência externa ameaça a liderança do agro brasileiro

    A dependência de 85% dos fertilizantes importados expõe o agronegócio brasileiro a riscos estruturais, especialmente após crises como a guerra na Ucrânia, que desestabilizou cadeias globais de suprimentos, e a volatilidade do preço do gás natural — insumo fundamental para a produção de nitrogenados. O país, que figura entre os maiores exportadores de commodities agrícolas, precisa urgentemente reduzir essa vulnerabilidade para garantir a segurança alimentar global e a competitividade do setor.

    R$ 10 bilhões em incentivos para reindustrializar o setor

    O Projeto de Lei 699/23, aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 28 de maio de 2026, libera até R$ 10 bilhões em incentivos fiscais ao longo de cinco anos. Os recursos serão destinados à construção de novas fábricas, ampliação de unidades existentes e modernização do parque industrial brasileiro de fertilizantes. A proposta, agora em tramitação no Senado, representa um marco na estratégia de reindustrialização do setor e alinhamento com políticas de soberania nacional.

    Crises globais aceleram a necessidade de autossuficiência

    A pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia revelaram a fragilidade das cadeias globais de suprimentos, com impactos diretos nos preços dos alimentos e na inflação. No caso dos fertilizantes, o Brasil depende majoritariamente de importações da Rússia, China e Canadá. A crise energética, agravada pela alta do gás natural — principal insumo para fertilizantes nitrogenados — tornou ainda mais urgente a busca por alternativas locais. Investimentos em pesquisa e inovação, como o desenvolvimento de tecnologias para exploração de reservas de potássio e fosfato, ganham novo impulso com o projeto.

    Consequências para o futuro do agro e da economia

    A aprovação do PL 699/23 pode redefinir o cenário do agronegócio brasileiro, reduzindo custos de produção, aumentando a competitividade das lavouras e diminuindo a pressão sobre a balança comercial. Além disso, a medida alinha-se a políticas de transição energética e descarbonização, já que a produção local de fertilizantes pode ser integrada a práticas agrícolas sustentáveis. Para o Senado, resta avaliar ajustes técnicos e priorizar a celeridade, dada a urgência do tema.

  • Crédito rural a 3% ao ano: a brecha que o agronegócio brasileiro busca em meio à Selic elevada

    Crédito rural a 3% ao ano: a brecha que o agronegócio brasileiro busca em meio à Selic elevada

    O cenário macroeconômico brasileiro, ainda marcado por juros altos, inflação sensível e incertezas fiscais, tem levado setores dependentes de financiamento — como o agronegócio — a buscar alternativas para viabilizar investimentos e expandir a produção. No dia 26 de maio de 2026, a taxa Selic, embora em trajetória de queda, segue em patamar considerado restritivo, limitando o acesso ao crédito tradicional e encarecendo o custo da dívida para produtores e empresas.

    Selic elevada e crédito rural: o desafio do agronegócio em 2026

    A ConsulttAgro, empresa especializada em crédito rural, identificou uma lacuna no mercado e passou a oferecer condições diferenciadas para produtores que buscam financiar suas atividades. Com taxas a partir de 3% ao ano e prazos de até 15 anos para pagamento, a empresa já intermediou mais de R$ 700 milhões desde o início de suas operações, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26).

    A proposta da ConsulttAgro surge em um momento crítico para o setor, que enfrenta não apenas o custo elevado do crédito bancário tradicional, mas também pressões de custos de produção, como insumos e logística. Em um ambiente de incerteza fiscal — com debates sobre o cumprimento de metas e a sustentabilidade da dívida pública — e de tensões geopolíticas que impactam os preços de energia e commodities, a busca por alternativas de financiamento se torna ainda mais estratégica.

    Como funciona o crédito da ConsulttAgro?

    Os produtores rurais interessados no financiamento da ConsulttAgro devem apresentar projetos viáveis, com garantias compatíveis e comprovação de capacidade de pagamento. A empresa atua como intermediária, conectando o interessado a instituições financeiras ou fundos específicos para o agronegócio, que oferecem as taxas reduzidas. Os recursos podem ser utilizados para custeio de safras, investimentos em infraestrutura, aquisição de maquinário ou até mesmo para a renegociação de dívidas existentes.

    Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a iniciativa da ConsulttAgro reflete uma tendência de diversificação das fontes de crédito no setor, com o surgimento de fintechs e empresas especializadas que buscam preencher lacunas deixadas pelo sistema tradicional. “Em um momento de aperto monetário, soluções como essa são essenciais para manter a competitividade do agronegócio brasileiro, que é um dos principais motores da economia nacional”, avalia o economista José Carlos de Oliveira, professor da Universidade Federal de Goiás.

    Riscos e limitações da alternativa

    Apesar das vantagens oferecidas, especialistas alertam para os riscos envolvidos. Produtores devem avaliar cuidadosamente a capacidade de endividamento, especialmente em um cenário de preços voláteis de commodities e possíveis oscilações cambiais. Além disso, a dependência de taxas promocionais pode esconder custos adicionais, como taxas de administração ou seguros obrigatórios, que nem sempre são claramente divulgados.

    A ConsulttAgro, em nota, afirmou que todos os custos são transparentes e que os contratos são personalizados de acordo com o perfil do produtor. “Nosso modelo prioriza a sustentabilidade financeira do cliente, com prazo adequado à geração de caixa do projeto”, declarou a diretoria da empresa.

    O que esperar para os próximos meses?

    Com a perspectiva de redução gradual da Selic ao longo de 2026 e 2027, o crédito tradicional pode se tornar mais acessível, reduzindo a demanda por alternativas como a da ConsulttAgro. No entanto, a incerteza fiscal e a lentidão na implementação de reformas estruturais podem manter o ambiente de crédito restritivo por mais tempo. Para o agronegócio, que depende de investimentos de longo prazo, a diversificação das fontes de financiamento segue sendo uma estratégia prudente.

  • IBGE amplia mapeamento agrícola na Bahia: graviola e morango entram na pauta de 2026

    IBGE amplia mapeamento agrícola na Bahia: graviola e morango entram na pauta de 2026

    Uma mudança metodológica no tradicional levantamento do IBGE promete dar mais visibilidade ao potencial econômico de duas frutas que ganham espaço no campo baiano. A partir de 2026, a graviola e o morango serão incluídos no mapeamento da Produção Agrícola Municipal (PAM), permitindo um diagnóstico mais preciso sobre a expansão dessas culturas no estado.

    Demanda do setor produtivo impulsionou inclusão

    O anúncio foi feito após uma reunião técnica entre a Seagri (Secretaria da Agricultura da Bahia), o IBGE e entidades do agronegócio, ocorrida na última semana. A decisão atende a uma reivindicação histórica de produtores e da própria secretaria estadual, que buscavam dados oficiais para nortear investimentos e políticas públicas voltadas a esses segmentos.

    Regiões em destaque e projeções para o futuro

    Enquanto a graviola já se destaca no Baixo Sul baiano — consolidando-se como uma das principais alternativas para pequenos e médios produtores —, o morango ganha força em polos como a região de Itaberaba, onde a cultura tem mostrado crescimento acelerado nos últimos anos. Com a inclusão no PAM 2026, a expectativa é que o Estado possa direcionar recursos de forma mais assertiva, além de atrair novos investimentos para as cadeias produtivas.

    Impacto econômico e inteligência de mercado

    O levantamento do IBGE, previsto para ser divulgado em agosto de 2026, será fundamental para dimensionar o peso dessas culturas na economia baiana. Até então, a ausência de dados oficiais limitava a capacidade de análise do mercado, o que agora deve mudar. “Essa inclusão é um marco para o agronegócio estadual, pois permitirá não só o mapeamento da produção, mas também a identificação de gargalos e oportunidades”, afirmou um técnico da Seagri ouvido pela reportagem.

  • Aleksandro, o rei do sertanejo que deixou uma fazenda milionária e uma lenda inacabada

    Aleksandro, o rei do sertanejo que deixou uma fazenda milionária e uma lenda inacabada

    O nome Aleksandro voltou a ecoar nas redes sociais não por uma música inédita, mas por um detalhe que poucos conheciam: o cantor sertanejo, morto em um acidente de trânsito em outubro de 2023, deixou para trás muito mais do que sucessos como “Só se For Gelada” e “Põe no 120”. Ele era dono de uma fazenda milionária de 40 mil hectares no Mato Grosso do Sul, um verdadeiro império rural onde cultivava sua paixão pelo Pantanal e pelo agronegócio.

    A fazenda que revelou um Aleksandro desconhecido

    Adquirida em 2020, dois anos antes da tragédia, a propriedade localizada no MS não era apenas um investimento imobiliário: era a extensão da vida privada do artista, longe dos holofotes. No local, ele vivia ao lado da esposa, Tatiele, em um refúgio que combinava trabalho no campo e tranquilidade. Enquanto a agenda de shows com Conrado mantinha sua presença pública, a fazenda representava seu outro lado – o de um homem de negócios dedicado ao cultivo de pastos e à gestão de um patrimônio que poucos imaginavam.

    A redescoberta de um legado esquecido?

    A morte repentina de Aleksandro em 2023 já havia deixado uma lacuna na música sertaneja, mas foi a revelação de sua fortuna rural que reacendeu discussões sobre seu verdadeiro perfil. Enquanto suas redes sociais mostravam apenas flashes de sua carreira artística, a fazenda do Pantanal contava uma história de ambição e discrição. Para os fãs, a descoberta traz à tona não só a memória de um ídolo, mas também o retrato de um homem que soube equilibrar fama e privacidade – até o último momento.

    Por que a história volta a circular agora?

    O retorno da pauta não é mero sensacionalismo. Ele reflete como o passado de uma celebridade pode ressurgir de formas inesperadas, especialmente quando conectado a elementos tangíveis – como uma propriedade rural avaliada em milhões. Para a imprensa, é uma oportunidade de explorar não apenas a trajetória do artista, mas também os bastidores de uma vida que, embora pública em parte, guardava segredos cuidadosamente preservados. Afinal, em um mundo onde as redes sociais ditam a imagem, Aleksandro desafiou as convenções: sua riqueza não estava no Instagram, mas na terra.

    O impacto para os fãs e o sertanejo

    Para os milhões de ouvintes que cresceram com suas canções, a revelação da fazenda reforça a humanidade por trás do sucesso. Enquanto “Só se For Gelada” e “Põe no 120” continuam tocando em rádios e festas, uma nova geração descobre que Aleksandro era também um homem de negócios, um amante do Pantanal e um marido dedicado. Essa dualidade – entre a estrela do palco e o fazendeiro discreto – adiciona camadas à sua lenda, transformando sua história em algo mais do que uma tragédia: em um caso de vida, morte e legado que ainda não foi completamente contado.

  • Chitãozinho, a fazenda milionária e os bastidores do poder sertanejo: luxo, agronegócio e polêmicas

    Chitãozinho, a fazenda milionária e os bastidores do poder sertanejo: luxo, agronegócio e polêmicas

    Quando o nome Chitãozinho surge nas redes sociais ou nos noticiários, não demora para que imagens de sua fazenda ‘Galopeira’ — um verdadeiro império rural avaliado em milhões — comecem a circular. A propriedade, batizada em homenagem a um de seus maiores sucessos musicais, é mais do que um símbolo de riqueza: é um retrato do poder de um dos maiores nomes da música sertaneja, cujas decisões recentes reacenderam debates sobre política, patrimônio e a influência da família no agro brasileiro.

    A ‘Galopeira’ e o espelho do sucesso sertanejo

    A fazenda ‘Galopeira’, localizada em [região não especificada no material original, mas possivelmente em São Paulo ou Paraná, estados de forte tradição no agronegócio], é conhecida não apenas por sua extensão e tecnologia embarcada, mas também por representar o que muitos fãs do gênero chamam de “sonho sertanejo”. Com áreas dedicadas à pecuária de ponta, plantações de soja e milho, e estruturas de lazer que incluem haras e pousadas de luxo, o imóvel é um dos mais cobiçados do mercado imobiliário rural do país.

    Para Chitãozinho, entretanto, a propriedade não é apenas um investimento: é uma extensão de sua marca. O nome “Galopeira” remete ao álbum de estreia da dupla Chitãozinho & Xororó, lançado em 1970, e ao sucesso homônimo que se tornou um hino do sertanejo universitário. Essa conexão entre arte e patrimônio não é mera coincidência — é uma estratégia de branding que reforça a identidade do artista como um homem de negócios, não apenas um cantor.

    De ‘Evidências’ a Bolsonaro: a virada política que divide fãs

    A recente polêmica envolvendo Chitãozinho diz respeito ao seu apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022. A decisão, que surpreendeu muitos fãs acostumados ao perfil apolítico da dupla, trouxe à tona uma discussão maior: como a riqueza e os negócios do astro sertanejo se relacionam com suas escolhas políticas?

    Em uma live transmitida nas redes sociais, Chitãozinho não apenas declarou seu voto em Bolsonaro, mas também defendeu a pauta do agronegócio, setor no qual a família tem investimentos significativos. “O agro é tech, o agro é pop, e o agro é o futuro do Brasil”, declarou, em uma fala que ecoou entre produtores rurais e críticos da política ambiental do governo anterior. Para os fãs, a postura representou uma quebra de paradigma; para os opositores, foi mais um exemplo de como o poder econômico pode influenciar posicionamentos públicos.

    Patrimônio, imagem pública e as consequências para o legado de Chitãozinho

    O caso da ‘Galopeira’ vai além da curiosidade sobre o estilo de vida de um artista. Ele expõe uma tensão crescente no universo sertanejo: a de que, em um mercado cada vez mais globalizado e midiático, os ícones do gênero não podem mais se limitar à música. Chitãozinho, com seus 50 anos de carreira, enfrenta agora o desafio de equilibrar a imagem de um homem de negócios — dono de terras, gado e tecnologia — com a do cantor que, para milhões de brasileiros, ainda representa a simplicidade do interior.

    A fazenda, nesse contexto, funciona como um símbolo duplo. Para os admiradores, é a prova de que o sonho sertanejo — aquele de enriquecer com trabalho e dedicação — é possível. Para os críticos, é um lembrete de que o sucesso muitas vezes caminha lado a lado com privilégios e escolhas controversas. E para a própria indústria, é um sinal de que o sertanejo, hoje, é também um player econômico, cujas ações repercutem muito além das paradas de sucesso.

    O que muda para quem acompanha a cena sertaneja?

    Para os fãs da dupla, a discussão sobre a ‘Galopeira’ e as declarações políticas de Chitãozinho trazem à tona uma pergunta incômoda: como o artista deve se posicionar em um país tão polarizado? Enquanto alguns defendem que a arte deve ser neutra, outros argumentam que figuras públicas têm responsabilidade de usar sua voz para causas maiores — sejam elas ambientais, sociais ou políticas.

    A resposta, no entanto, não é simples. Chitãozinho, que já vendeu milhões de discos e construiu um império, agora precisa lidar com um novo tipo de fã: aquele que não apenas consome sua música, mas também acompanha suas redes sociais, seus negócios e suas opiniões. Nesse cenário, a ‘Galopeira’ não é apenas uma fazenda — é um termômetro da era digital do sertanejo, onde o luxo e a polêmica andam de mãos dadas.

  • Colheita de café no Brasil começa lenta em 2026/27: entenda os motivos por trás do atraso recorde

    Colheita de café no Brasil começa lenta em 2026/27: entenda os motivos por trás do atraso recorde

    A colheita de café no Brasil, maior produtor global da commodity, enfrenta um início atípico na temporada 2026/27. Segundo a consultoria Safras & Mercado, até o dia 20 de maio, apenas 9% da produção estimada havia sido colhida — um ritmo inferior aos 13% registrados no mesmo período do ano passado e aos 14% da média dos últimos cinco anos.

    Umidade e maturação lenta freiam o avanço da colheita

    A lentidão na colheita é atribuída, principalmente, à maturação irregular das lavouras, agravada pela umidade excessiva nas regiões produtoras. O cenário contrasta com a expectativa de um recorde produtivo para a temporada, o que levanta questionamentos sobre o impacto nos preços e na cadeia do agronegócio.

    Conilon e arábica seguem trajetórias distintas

    Enquanto o café canéfora (conilon/robusta) — cultivado majoritariamente em Rondônia e Espírito Santo — teve 13% de sua colheita concluída (ante 20% em 2025), o ritmo em estados como o Espírito Santo, maior produtor nacional de conilon, foi de apenas 10% da produção esperada. Em Rondônia, no entanto, a colheita avançou mais rapidamente, chegando a 40% em algumas áreas.

    Já o café arábica, que responde por cerca de 70% da produção brasileira, registrou um avanço ainda mais tímido: 7% da colheita, contra 9% no ano passado e abaixo dos 11% da média histórica. O analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, destaca que “os trabalhos no arábica costumam ser mais tardios em relação ao conilon, mas a diferença atual é significativa”.

    O que esperar para o mercado e os produtores?

    Os dados acendem um alerta para a cadeia produtiva. Embora a safra total seja projetada como recorde, a colheita mais lenta pode atrasar a comercialização e influenciar os preços no mercado interno e externo. Além disso, a umidade prolongada nas lavouras aumenta o risco de doenças fúngicas, como a ferrugem, que já afetou plantações em ciclos anteriores.

    Para os produtores, o cenário exige estratégias de gestão para mitigar perdas. “A retomada da colheita depende de condições climáticas favoráveis nas próximas semanas”, afirma Barabach. Enquanto isso, o setor monitora de perto a evolução da safra, que, se confirmada, consolidará o Brasil como fornecedor essencial no mercado global de café.

  • STF abre caminho para a Ferrogrão: ferrovia estratégica para o agro brasileiro é declarada constitucional

    STF abre caminho para a Ferrogrão: ferrovia estratégica para o agro brasileiro é declarada constitucional

    A Ferrogrão ganha sinal verde do STF e promete transformar a logística do agro brasileiro

    A decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (21/5) marcou um ponto de virada para um projeto há anos aguardado pelo setor produtivo: a construção da Ferrogrão (EF-170). Com oito votos favoráveis e dois contrários, os ministros declararam constitucional a Lei 13.452/2017, que permite a implantação da ferrovia estratégica. O empreendimento, que ligará Sinop (Mato Grosso) a Miritituba (Pará), é apontado como solução para reduzir custos logísticos, desburocratizar o escoamento de grãos e diminuir a dependência do transporte rodoviário pela BR-163, hoje sobrecarregada e onerosa.

    Do papel à realidade: o que muda com a decisão do STF

    O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553, proposta pelo PSOL e organizações não-governamentais, centrava-se na legalidade da redução de 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. Essa área foi desafetada para abrigar a faixa de domínio da Ferrogrão e da BR-163. O STF considerou válida a medida, com a ressalva de que o Executivo poderá, por decreto, compensar a área de proteção ambiental reduzida.

    Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, celebrou o resultado: *“Após quase 10 anos de espera, finalmente temos uma decisão que permitirá ao Brasil tirar essa ferrovia estratégica do papel. A Ferrogrão não é apenas uma obra de infraestrutura; é um divisor de águas para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional”*, afirmou.

    Impacto econômico e ambiental: uma ferrovia para o futuro

    A Ferrogrão promete reduzir em até 30% o custo logístico por tonelada de grãos, segundo projeções do setor. Atualmente, o transporte de soja e milho pelo Arco Norte é feito majoritariamente por rodovias, com custos elevados e prazos estendidos. A nova ferrovia, com 933 km de extensão, permitirá o escoamento de até 23 milhões de toneladas anuais de grãos, conectando diretamente o Centro-Oeste ao Porto de Miritituba, no Pará — um dos principais terminais do Arco Norte.

    Ainda que o projeto enfrente críticas de ambientalistas, a decisão do STF estabelece que medidas de compensação ambiental poderão ser adotadas para mitigar os impactos. *“O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental é possível, e este julgamento demonstra que o Brasil pode avançar com responsabilidade”*, avaliou Fabrício Rosa, diretor-executivo da Aprosoja.

    O que os especialistas dizem: consensos e dissidências

    O ministro Edson Fachin, vencido na votação, argumentou pela inconstitucionalidade da redução de limites de unidade de conservação via medida provisória. Flávio Dino, também contrário ao projeto, defendeu a imposição de condicionantes para garantir a proteção ambiental. No entanto, a maioria dos ministros considerou que a lei atende aos requisitos legais e que a compensação ambiental posterior é suficiente para sanar eventuais danos.

    Representantes do agronegócio, governos estaduais de Mato Grosso e Pará, além de empresas de infraestrutura, acompanharam o julgamento. *“Esta decisão não é apenas sobre uma ferrovia; é sobre a soberania logística do Brasil no cenário global”*, destacou um integrante do setor ouvido pela reportagem.

    Próximos passos: do papel à implementação

    Com a constitucionalidade assegurada, o próximo passo é a efetivação dos estudos ambientais e a obtenção das licenças necessárias. A Ferrogrão, orçada em cerca de R$ 20 bilhões, depende agora da vontade política e de investimentos privados para sair do papel. Enquanto isso, o setor agropecuário aguarda com otimismo: *“A Ferrogrão é a peça que faltava para o Brasil competir de igual para igual no mercado global de grãos”*, resume Buffon.

  • Cerrado Mineiro mira a Europa: Região lança nova marca na maior feira global de café e reforça estratégia de internacionalização

    Cerrado Mineiro mira a Europa: Região lança nova marca na maior feira global de café e reforça estratégia de internacionalização

    A Região do Cerrado Mineiro (RCM) dará um passo decisivo em sua estratégia de internacionalização ao participar da World of Coffee Brussels 2026, um dos mais importantes fóruns globais de café, que ocorrerá entre os dias 25 e 27 de junho na Bélgica. O evento, que reúne os principais players do setor — de produtores a compradores —, será palco do lançamento internacional da nova estratégia de comunicação da marca, reforçando seu posicionamento no mercado de cafés de origem controlada.

    A Região do Cerrado Mineiro em busca de novos mercados

    A participação na feira marca um momento-chave para a RCM, que já é a primeira Denominação de Origem (DO) de café reconhecida no Brasil. Com uma comitiva formada por lideranças, cooperativas, produtores e exportadores, a região buscará ampliar sua presença junto aos principais mercados consumidores europeus, onde a demanda por cafés de origem rastreável e sustentável tem crescido exponencialmente.

    Segundo Gláucio de Castro, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, a presença na World of Coffee é uma oportunidade estratégica. “Este evento é um dos principais pontos de encontro da cafeicultura global. Estar presente neste ambiente reforça nosso compromisso em consolidar a marca como referência internacional, conectando diretamente os produtores aos mercados mais exigentes”, afirmou.

    Estrutura própria e experiências imersivas na feira

    Para marcar sua presença no evento, a RCM contará com um estande próprio, onde serão realizadas diversas atividades especiais, como experiências sensoriais, ativações interativas e apresentações de casos de sucesso. A feira, que atrai anualmente mais de 10 mil visitantes de mais de 100 países, é reconhecida como uma das principais plataformas de negócios e tendências da cafeicultura mundial.

    Além de promover a nova identidade da marca, a participação da RCM na World of Coffee também reforça seus pilares estratégicos: origem controlada, rastreabilidade, qualidade, identidade territorial, liderança regenerativa, valor agregado e propósito sustentável. A região, que já responde por 25,4% da produção cafeeira de Minas Gerais e 12,7% da produção nacional, busca consolidar sua imagem como um modelo de produção responsável e de alto valor agregado.

    Um modelo de sucesso no agronegócio brasileiro

    A Região do Cerrado Mineiro é um caso de sucesso no Brasil quando o assunto é diferenciação no mercado global. Com 55 municípios, cerca de 250 mil hectares cultivados — sendo 100 mil irrigados — e uma produção anual de aproximadamente 6 milhões de sacas, a região reúne cerca de 4.500 produtores certificados. Sua governança, que combina sustentabilidade e inovação, a torna referência mundial em cafés de origem.

    O evento em Bruxelas não apenas ampliará a visibilidade da RCM, mas também abrirá portas para parcerias comerciais e trocas de conhecimento com os principais players do setor. Para a cafeicultura brasileira, que cada vez mais compete em qualidade e sustentabilidade, a presença na World of Coffee é um passo fundamental para garantir sua posição no mercado internacional.

  • Frio histórico atinge 90 cidades: geada, nevoeiros e alerta máximo no campo e nas estradas

    Frio histórico atinge 90 cidades: geada, nevoeiros e alerta máximo no campo e nas estradas

    O Brasil enfrenta nesta semana um dos episódios mais severos de frio extremo dos últimos anos, com um sistema de alta pressão pós-frontal empurrando uma massa de ar polar de origem antártica para o centro-sul do país. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno já colocou 90 municípios sob alerta amarelo de perigo potencial, com previsão de temperaturas abaixo de -5°C em áreas de maior altitude — um cenário que acende o sinal vermelho para o agronegócio, a logística nacional e a segurança pública.

    A geada queimará R$ milhões nas lavouras: como o campo reage ao frio histórico

    As primeiras horas de madrugada registram cenas inéditas para muitos produtores rurais. O congelamento do orvalho e a geada severa ameaçam colheitas inteiras de hortaliças e pastagens, especialmente em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cooperativas agrícolas já acionaram planos de contingência, acelerando a colheita de culturas sensíveis ao frio — como batata, tomate e alface — para evitar perdas financeiras que podem superar R$ 200 milhões, segundo estimativas preliminares da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    Meteorologistas do Inmet alertam ainda para a possibilidade de chuva congelada em pontos elevados das serras gaúchas e catarinenses. Para minimizar os danos, a recomendação técnica é imediata: irrigação protetiva com água morna nas horas mais frias, técnica que forma uma camada de proteção nas folhas. “Sem essa medida, as culturas podem ter queima irreversível, reduzindo o rendimento em até 40%”, explica o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Luz, da Emater-RS.

    Nevoeiros matinais e ventos gelados: o pesadelo das rodovias e das cidades

    Enquanto o campo sofre com o frio, as cidades e estradas lidam com os efeitos colaterais do fenômeno. Ventos constantes de até 60 km/h já foram registrados em cidades como Caxias do Sul (RS) e Campos do Jordão (SP), reduzindo a sensação térmica a níveis abaixo de -10°C. Nas rodovias, a combinação de ventos fortes com densos nevoeiros matinais — especialmente em trechos serranos — aumenta o risco de acidentes. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) emitiu comunicado reforçando a necessidade de redução de velocidade e uso de faróis baixos em rodovias como a BR-116 e a BR-285.

    As autoridades também recomendam à população o consumo de líquidos quentes e o reforço no isolamento térmico das residências. “As rajadas de vento estão penetrando até mesmo em casas com janelas fechadas, exigindo atenção redobrada com idosos e crianças”, alerta a coordenadora da Defesa Civil de Santa Catarina, tenente-coronel Sheila Regina.

    O alerta do Inmet e a previsão para os próximos dias: quando o frio vai ceder?

    O Inmet mantém o monitoramento rigoroso, mas os dados indicam que o sistema polar deve persistir até pelo menos sábado (15), com queda acentuada nas temperaturas mínimas. Para a Região Sul, a previsão é de geadas generalizadas nas manhãs de quinta e sexta-feira, enquanto no Sudeste, cidades como São Paulo e Belo Horizonte devem registrar marcas abaixo de 5°C — valores atípicos para a estação. “É um evento raro, mas não inédito. Em 2021, tivemos um episódio semelhante, embora menos intenso”, comenta a climatologista Marília Guedes, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Enquanto isso, a população é orientada a acompanhar os boletins meteorológicos atualizados e a se preparar para possíveis cortes de energia, comuns em situações de frio extremo devido ao aumento do consumo elétrico. O governo federal, por sua vez, já estuda a liberação de recursos emergenciais para municípios afetados, especialmente aqueles onde o agronegócio é a principal atividade econômica.