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  • Câmara proíbe embargos ambientais apenas com imagens de satélite: a revolução jurídica que pode redefinir o campo brasileiro

    Câmara proíbe embargos ambientais apenas com imagens de satélite: a revolução jurídica que pode redefinir o campo brasileiro

    A Câmara dos Deputados selou, nesta quarta-feira (20), uma mudança paradigmática na fiscalização ambiental rural ao aprovar o Projeto de Lei 2.564/2025, que proíbe embargos ambientais baseados unicamente em imagens de satélite. A proposta, considerada histórica pelo setor agropecuário, mantém o monitoramento remoto como ferramenta de alerta, mas exige fiscalização presencial e direito à defesa antes de qualquer sanção.

    Do alerta à punição: como o projeto reescreve as regras do jogo

    Desde 2004, o Prodes — sistema de monitoramento do desmatamento por satélite do Governo Federal — tem sido a principal ferramenta de combate ao desmatamento ilegal. No entanto, a ausência de fiscalização humana em casos de ‘falsos positivos’ levou a uma série de embargos questionáveis, onde produtores rurais tiveram suas propriedades bloqueadas sem chance de apresentar documentos ou esclarecer irregularidades.

    O novo projeto estabelece que, embora imagens de satélite continuem sendo usadas para identificar possíveis focos de irregularidade, o embargo só poderá ser imposto após: (1) vistoria presencial por órgãos competentes; (2) abertura de processo administrativo com direito a contraditório e ampla defesa; e (3) decisão fundamentada em relatório técnico.

    A reação do mercado: crédito rural e insegurança jurídica sob os holofotes

    A medida já acendeu alertas em instituições financeiras e ambientalistas. Para o setor bancário, a proibição de embargos automáticos pode aumentar a burocracia em operações de crédito rural, já que muitas instituições utilizam o Prodes como critério para concessão de empréstimos. Segundo dados do Banco Central, cerca de 30% das propriedades rurais brasileiras têm restrições ambientais que impactam diretamente no acesso ao crédito.

    Já ambientalistas, como a deputada federal Marina Silva (Rede-SP), alertam para o risco de retrocesso na fiscalização. ‘Essa proposta fragiliza a fiscalização ambiental e pode abrir brechas para a impunidade’, afirmou em entrevista ao Cenário & Fatos. A ex-ministra do Meio Ambiente também destacou que o Prodes não é o único sistema de monitoramento: ‘O Brasil possui tecnologias avançadas, como o Deter, que já combinam imagens de satélite com alertas rápidos, mas que também exigem fiscalização presencial para evitar erros’.

    O peso dos ‘falsos positivos’: casos que impulsionaram a mudança

    O debate ganhou corpo após casos emblemáticos de produtores embargados por erros do sistema. Em 2023, um produtor de soja em Mato Grosso teve sua propriedade embargada após o Prodes identificar uma suposta área desmatada. Uma vistoria presencial, no entanto, revelou tratar-se de uma sombra projetada por nuvens, que o satélite confundiu com desmatamento. O caso só foi revertido após recursos judiciais, mas deixou prejuízos financeiros e jurídicos.

    Outro exemplo veio do Pará, onde um pecuarista teve sua fazenda embargada por suposto desmatamento em área de reserva legal. A fiscalização presencial, entretanto, constatou que a área em questão já havia sido regularizada anos antes. ‘São situações que minam a credibilidade do sistema e geram prejuízos irreparáveis para pequenos e médios produtores’, declarou o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), relator do projeto.

    O que muda para os produtores rurais?

    Para o setor agropecuário, a principal mudança é a segurança jurídica. Produtores terão garantido o direito de apresentar documentos, laudos ambientais ou esclarecimentos antes de qualquer penalidade. Além disso, a medida pode facilitar o acesso ao crédito rural, já que muitas instituições financeiras bloqueiam operações em propriedades com embargos automáticos, mesmo que estes sejam revertidos posteriormente.

    No entanto, especialistas alertam que a implementação da lei exigirá maior agilidade nos órgãos ambientais, que já enfrentam falta de recursos e pessoal. ‘O Brasil tem um passivo ambiental enorme. Se a fiscalização presencial não for ágil, o sistema pode se tornar moroso e ineficaz’, avalia o advogado ambientalista Ricardo Abramovay, professor da USP.

    Próximos passos: Senado pode redefinir o jogo

    Agora, o projeto segue para análise do Senado Federal, onde deve enfrentar resistência de setores ambientalistas e de órgãos como o Ibama e o MMA. A relatora da matéria na Casa, senadora Kátia Abreu (PP-TO), já anunciou que deve promover audiências públicas para ouvir todos os atores envolvidos.

    Enquanto isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já comemora a vitória na Câmara. ‘É um passo fundamental para corrigir injustiças e dar previsibilidade ao produtor rural’, afirmou o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da FPA. Para ambientalistas, no entanto, a batalha está longe de terminar: ‘A proposta não resolve o problema do desmatamento, apenas transfere a responsabilidade para a fiscalização presencial, que já é deficitária’, critica o engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

    A votação no Senado promete ser acirrada, com potencial de redefinir as relações entre desenvolvimento rural, fiscalização ambiental e segurança jurídica no campo brasileiro.

  • CAE adiia votação de crédito rural: governo trava batalha por convergência no Congresso

    CAE adiia votação de crédito rural: governo trava batalha por convergência no Congresso

    A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou, nesta quarta-feira (20), a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe uma linha especial de crédito para produtores rurais atingidos por eventos climáticos ou impactos econômicos de conflitos internacionais. A decisão veio após pedido do Ministério da Fazenda, que buscava mais tempo para costurar um acordo com parlamentares sobre o texto.

    Negociações em alta após pressão do Palácio do Planalto

    O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou o adiamento após receber “reiterados telefonemas” do ministro da Fazenda, Dario Durigan, pedindo uma última tentativa de conciliação. Segundo Calheiros, o governo propôs novas alterações no relatório para incorporar emendas e, em seguida, solicitou um diálogo direto com a equipe econômica.

    — Nós estamos transferindo essa votação para após a reunião com o ministro da Fazenda — declarou o senador, destacando que o processo legislativo flui melhor pela negociação do que pela imposição. Uma reunião foi marcada para as 14h no Ministério da Fazenda, onde se espera um desfecho para o impasse.

    O que está em jogo? Conflito entre desenvolvimento rural e restrição fiscal

    A proposta, apresentada pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de superávits de outros fundos do Ministério da Fazenda para financiar produtores rurais em crise. O texto prevê taxas de juros reduzidas, prazos de até dez anos com carência de três anos e critérios flexíveis para enquadramento de agricultores, cooperativas e associações afetados por calamidades ou perdas produtivas.

    No entanto, o adiamento reflete a tensão entre a necessidade de injetar liquidez no campo e as restrições fiscais do governo. O Ministério da Fazenda, que já enfrenta pressões para conter o déficit, vê no projeto um risco de desequilíbrio em suas contas, enquanto parlamentares do agro defendem a urgência da medida.

    Consequências para o agronegócio: entre a sobrevivência e a burocracia

    A postergação da votação mantém incerto o destino de milhares de produtores rurais que dependem do crédito para recuperar perdas. Sem a aprovação do PL, o acesso a recursos emergenciais segue restrito aos programas já existentes, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), cujos limites e condições nem sempre atendem às demandas dos pequenos e médios produtores.

    Para o setor, a proposta representa uma oportunidade de aliviar os prejuízos causados por secas, enchentes ou conflitos como a guerra na Ucrânia, que elevaram os custos de insumos e reduziram a competitividade. Já para o governo, trata-se de um desafio orçamentário em um ano de metas fiscais apertadas, especialmente após a flexibilização das regras do Arcabouço Fiscal.

    Próximos passos: o que esperar da reunião no Ministério da Fazenda?

    A expectativa agora é que a reunião desta tarde entre o relator, parlamentares e a equipe econômica defina o rumo do texto. Fontes ouvidas pela reportagem sugerem que o governo pode propor um substitutivo com fontes de financiamento alternativas ou até mesmo um sistema de garantias públicas para viabilizar os empréstimos.

    Enquanto isso, o adiamento da CAE deixa o setor agropecuário em estado de alerta. “Sem esse crédito, muitos produtores não terão como se reerguer”, afirmou um representante de cooperativa de Mato Grosso, estado que tem sofrido com a seca nos últimos meses. A pauta deve retornar à comissão após a decisão do Palácio do Planalto, mas o tempo urge para milhares de famílias que dependem da safra.

  • Fertilizantes em xeque: conflitos globais e burocracia brasileira ameaçam safra de soja do Brasil

    Fertilizantes em xeque: conflitos globais e burocracia brasileira ameaçam safra de soja do Brasil

    A guerra no Oriente Médio e o conflito Rússia-Ucrânia não apenas redefiniram os mapas geopolíticos da última década, mas agora ameaçam o futuro da agricultura brasileira. Com o plantio da soja — principal commodity do país — previsto para setembro, o mercado de fertilizantes enfrenta uma crise silenciosa que pode derrubar as projeções de safra recorde. Segundo a Sindiadubos-PR, a entrega de insumos no Paraná, um dos maiores polos agrícolas do Brasil, deve cair ao menos 10% em comparação com anos anteriores, uma redução que, se concretizada, jogaria por terra as expectativas otimistas do setor para 2026/2027.

    O peso da geopolítica nos custos do campo

    A escassez de fertilizantes não é um fenômeno novo, mas os conflitos internacionais agravaram o problema. O presidente do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz, alerta que a combinação de fatores — desde a taxação de PIS/COFINS sobre insumos agrícolas até a tabela do frete mínimo — já está reduzindo o uso desses produtos nas lavouras. “Dificilmente chegaremos ao recorde de produção da safra passada”, declarou Schwartz, destacando que a safra de soja 2025/2026 já deve registrar queda em relação aos níveis anteriores.

    Os números são preocupantes: atualmente, apenas 50% dos fertilizantes necessários para a próxima safra foram negociados — um patamar abaixo dos 60% históricos para esta época do ano. O atraso nas compras, segundo o sindicato, é resultado da alta de preços e da incerteza sobre a rentabilidade das lavouras. “O produtor está esperando uma queda nos valores, mas o risco é não encontrar o produto quando precisar”, explica Schwartz.

    Ameaça logística: filas de navios e juros em disparada

    O cenário se complica ainda mais quando se analisam os gargalos logísticos. Historicamente, os meses de junho a agosto concentram o pico de chegada de fertilizantes aos portos brasileiros. No entanto, neste ano, as compras antecipadas não estão acontecendo. “Se a demanda explodir de última hora, os portos podem enfrentar filas de até 60 dias para atracação”, alerta Schwartz. Para efeito de comparação, no ano passado, os tempos de espera giravam entre 10 e 15 dias — um reflexo do que pode vir a ser a realidade em 2024.

    As empresas distribuidoras, por sua vez, evitam assumir compromissos de compra antecipada devido a dois fatores críticos: a volatilidade dos preços e os custos financeiros. “Os juros para financiamento de estoques podem chegar a 20% ao ano, além dos gastos com armazenagem”, conta o presidente da Sindiadubos-PR. Essa combinação de incertezas torna o cenário ainda mais volátil para os agricultores, que correm o risco de pagar mais caro pelo produto ou simplesmente não encontrá-lo quando a hora da aplicação chegar.

    Três riscos iminentes para o produtor rural

    Schwartz elenca os principais perigos que os agricultores enfrentarão caso não se antecipem na compra de fertilizantes:

    • Preços estratosféricos: A demanda reprimida pode levar a um novo ciclo de alta nos valores, corroendo a margem de lucro do produtor.
    • Falta de produto no momento certo: Embarcações paradas em filas de atracação e estoques esgotados podem deixar as lavouras sem adubo na época crítica de plantio.
    • Perda de competitividade: A redução na aplicação de fertilizantes diminui a produtividade por hectare, impactando diretamente a posição do Brasil no mercado global de soja.

    O alerta é claro: a safra 2026/2027 já está em risco, e as decisões tomadas nos próximos meses serão determinantes para o futuro do setor. Enquanto o governo federal discute medidas para mitigar os impactos — como possíveis renegociações de tributos ou incentivos à importação —, o tempo corre contra os produtores rurais.

  • ABIOVE projeta recorde histórico: Brasil processará 62,5 milhões de toneladas de soja em 2026

    ABIOVE projeta recorde histórico: Brasil processará 62,5 milhões de toneladas de soja em 2026

    O salto industrial que redefine o complexo soja brasileiro

    A ABIOVE anunciou nesta semana a revisão de suas projeções para o esmagamento interno de soja, elevando as estimativas para 2026 a um patamar recorde de 62,5 milhões de toneladas. O volume representa não apenas um crescimento expressivo frente às previsões anteriores, mas também um marco na trajetória de consolidação do Brasil como potência agroindustrial. Os dados, atualizados em março de 2026, mostram um processamento de 4,995 milhões de toneladas no terceiro mês do ano — alta de 25,8% em relação a fevereiro e de 5,9% na comparação anual ajustada pelo percentual amostral.

    Derivados em alta: farelo e óleo impulsionam a cadeia

    O reflexo direto do aumento do esmagamento é a ampliação da oferta de produtos de maior valor agregado. A produção estimada para 2026 inclui 48,1 milhões de toneladas de farelo de soja e 12,55 milhões de toneladas de óleo de soja. No acumulado do ano até março, o processamento totalizou 12,840 milhões de toneladas, um avanço de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a ABIOVE, esses números evidenciam a resiliência e o amadurecimento da indústria nacional, que tem concentrado esforços em agregar valor à produção agrícola com eficiência técnica e estabilidade operacional.

    Exportações mantêm liderança global do Brasil no complexo soja

    No front externo, o Brasil reforça sua posição como maior exportador mundial de soja em grão, com projeção de 114,1 milhões de toneladas para 2026 — um crescimento modesto de 0,4% em relação às estimativas anteriores. Nos coprodutos, as vendas externas de farelo devem atingir 24,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações de óleo de soja crescem para 1,6 milhão de toneladas. Esses dados reforçam a importância estratégica do agronegócio brasileiro não apenas para o suprimento alimentar interno, mas também para a transição energética global, dada a crescente demanda por biocombustíveis e óleos vegetais.

    Safra robusta e demanda aquecida: os pilares do crescimento

    A base do otimismo da ABIOVE está na combinação entre uma safra nacional estimada em 180,13 milhões de toneladas — conforme dados da Conab — e a crescente demanda interna e externa por derivados de soja. As importações projetadas para 2026 são de 900 mil toneladas de grão e 125 mil toneladas de óleo, valores que refletem a dependência estratégica de insumos em momentos de pico produtivo. A entidade destaca que o dinamismo industrial é fundamental para assegurar previsibilidade ao mercado, reduzindo oscilações de preço e garantindo segurança alimentar.

  • China acelera abertura para carne brasileira: 33 novos frigoríficos brasileiros na fila para exportação em 2026

    China acelera abertura para carne brasileira: 33 novos frigoríficos brasileiros na fila para exportação em 2026

    Em um movimento que pode redesenhar o mapa das exportações brasileiras de proteína animal, o Ministério da Agricultura formalizou nesta semana, em Pequim, o pedido para habilitar 33 novos frigoríficos nacionais junto à administração chinesa. A lista, entregue durante audiência entre o ministro André de Paula e a ministra Sun Meijun (GACC), inclui 20 plantas especializadas em carne bovina, 11 em aves e duas em suínos — todas já aprovadas em conformidade técnica e sanitária, segundo protocolos chineses.

    O passo diplomático que pode destravar bilhões em exportações

    O envio do portfólio não é apenas mais uma rodada de negociações comerciais. Trata-se de um acordo de intenções com lastro institucional: as unidades constam no sistema *single window* da China, plataforma digital que integra os trâmites de importação. O encontro entre os ministros serviu como selo político necessário para que o processo de credenciamento avance rumo à efetivação das compras ainda em 2026. “Esse é um passo estratégico para diversificar nossos parceiros e reduzir a dependência de mercados tradicionais”, afirmou uma fonte do ministério ouvida sob condição de anonimato.

    Cotas chinesas e o risco de ‘tudo ou nada’ para o boi

    Embora o otimismo domine o setor, especialmente entre os criadores de gado, a recente implementação de cotas de importação para carne bovina pela China — anunciada neste ano — impõe um cenário de incerteza. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que os novos credenciamentos podem não se traduzir automaticamente em mais exportações. “A China opera com um teto rígido. Se liberar novas plantas, é provável que descredencie ou suspenda temporariamente outras já autorizadas. É uma equação de substituição”, explica um analista de mercado de São Paulo.

    O setor de aves, menos pressionado pelas cotas, vê com otimismo a inclusão de 11 novas plantas na lista. “A China é o maior consumidor global de frango, e a demanda só cresce. Com mais unidades credenciadas, o Brasil pode ganhar espaço frente a concorrentes como Tailândia e Estados Unidos”, avalia um executivo de uma grande cooperativa do Sul do país.

    Quem são os 33 frigoríficos na mira da China

    A relação encaminhada a Pequim abrange desde cooperativas regionais até grupos multinacionais. Entre os destaques estão:

    • Marfrig e JBS: gigantes globais com plantas em Mato Grosso, Goiás e São Paulo, responsáveis por grande parte do volume atual de exportações para a China;
    • Frigoríficos menores do Centro-Oeste: como os grupos BRF (com unidades em Mato Grosso e Paraná) e Seara, que buscam ampliar sua participação no mercado asiático;
    • Plantas regionais de aves: como as do grupo Perdigão no interior de Santa Catarina, tradicional polo produtor.

    Segundo dados do Ministério da Agricultura, a China já é o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne bovina, atrás apenas dos Estados Unidos. No caso de aves, o país asiático é o principal comprador mundial do produto brasileiro. “A habilitação desses frigoríficos é um sinal de que o Brasil está disposto a investir em compliance e qualidade para manter sua posição de liderança”, declarou um representante da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    2026: o ano-chave para o agronegócio brasileiro na Ásia

    O cronograma chinês para a efetivação dos credenciamentos ainda não foi divulgado, mas o mercado projeta que as primeiras autorizações devem ocorrer no primeiro semestre de 2026. A pressa se justifica pela necessidade de os frigoríficos cumprirem prazos de adequação logística e contratos já firmados com compradores asiáticos.

    “Se tudo correr como esperado, podemos ver um aumento de 15% a 20% no volume de carne bovina exportada para a China nos próximos dois anos”, projeta um economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Já para as aves, o crescimento pode ser ainda maior, dado o apetite chinês.”

    No entanto, a sombra das cotas e a possibilidade de descredenciamentos forçados mantêm o setor em estado de alerta. “O Brasil precisa mostrar que consegue ser eficiente e confiável. Caso contrário, corre o risco de perder espaço para concorrentes como Austrália ou Nova Zelândia”, adverte um consultor de comércio exterior.

  • Quadrilha que roubava 259 cabeças de gado no interior de SP é desarticulada pela Polícia Civil

    Quadrilha que roubava 259 cabeças de gado no interior de SP é desarticulada pela Polícia Civil

    A Polícia Civil de São Paulo desarticulou uma quadrilha especializada em abigeato — furto de gado — no noroeste do estado, após uma operação que revelou um esquema milionário de comercialização ilegal de bovinos. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, os criminosos teriam furtado pelo menos 259 cabeças de gado em propriedades rurais de Ilha Solteira, Guaraçaí, Mirandópolis e Dirce Reis, causando prejuízos estimados em milhões de reais aos pecuaristas da região.

    O esquema criminoso: como funcionava a quadrilha de abigeato no interior paulista

    De acordo com a polícia, o grupo atuava de forma estruturada, dividindo tarefas entre seus integrantes. Os criminosos invadiam propriedades rurais durante a madrugada, separavam os animais mais valiosos e os transportavam em caminhões boiadeiros. Após o furto, o gado era levado para fazendas em Andradina, Cedral e Potirendaba, onde os animais furtados eram misturados a rebanhos legais antes de serem revendidos ilegalmente.

    A operação que desmantelou a quadrilha e resgatou parte do gado furtado

    Um dos casos mais recentes ocorreu em 29 de janeiro de 2026, quando 80 bovinos foram furtados de uma propriedade em Ilha Solteira. Após investigações, forças de segurança e a Polícia Militar Ambiental localizaram parte dos animais em fazendas nas cidades de Andradina, Cedral e Potirendaba. Até o momento, dois suspeitos foram presos, enquanto outros quatro permanecem foragidos. As apurações já esclareceram seis ocorrências de abigeato na região.

    O rastro financeiro: como o dinheiro do crime era lavado

    As investigações apontaram que o dinheiro obtido com a venda irregular do gado passava por uma empresa atacadista de roupas em São José do Rio Preto, suspeita de auxiliar na movimentação financeira da quadrilha. Entre os investigados estão moradores de Pereira Barreto, Andradina e São José do Rio Preto. Segundo a polícia, os suspeitos de Pereira Barreto seriam responsáveis pelos furtos nas fazendas, enquanto outros integrantes atuavam na logística e comercialização clandestina dos animais.

    O impacto no setor agropecuário e o alerta para novos casos de abigeato

    A alta da arroba do boi — preço pago por arroba de gado — tem acendido o alerta para o aumento de casos de abigeato no interior de São Paulo. O setor agropecuário, já pressionado por custos elevados e questões climáticas, enfrenta agora mais um desafio: a segurança das propriedades rurais. A Polícia Civil recomenda que os pecuaristas reforcem a vigilância noturna e adotem medidas de controle, como identificação individual dos animais e parcerias com forças de segurança locais.

  • Missão em Oregon abre portas do mercado americano para o agronegócio brasileiro

    Missão em Oregon abre portas do mercado americano para o agronegócio brasileiro

    A missão comercial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em Oregon, nos Estados Unidos, entre 13 e 14 de maio, marcou um avanço estratégico para o agronegócio brasileiro. Com oito empresas de setores como café, açaí, cachaça e carnes, a iniciativa buscou consolidar a presença de produtos brasileiros no terceiro maior destino das exportações agropecuárias nacionais.

    Oportunidades em um mercado de US$ 200 bilhões

    Os Estados Unidos importaram US$ 11,4 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, segundo dados oficiais. O estado de Oregon, em particular, destaca-se pelo mercado de alimentos especiais, que movimenta mais de US$ 200 bilhões anualmente. Produtos com identidade, origem e diferenciação — como café, açaí, cachaça e chocolate — encontram espaço em redes varejistas, restaurantes e distribuidores regionais.

    Rodadas de negócios e visitas técnicas em Portland

    A delegação brasileira participou do Fórum Econômico Brasil-Oregon, além de rodadas de negócios e visitas a redes varejistas locais. As empresas tiveram a chance de conhecer o perfil dos consumidores americanos e discutir estratégias para inserção de seus produtos nas prateleiras. A programação incluiu ainda uma visita ao Porto de Portland, onde foi apresentada a estrutura logística do Terminal 6, principal terminal de contêineres do estado.

    Cachaça e café brasileiros ganham destaque

    Entre os destaques da missão, a visita à única torrefação de café brasileira em operação em Oregon serviu como exemplo de como o Brasil pode fortalecer sua presença no mercado local. Produtos como cachaça e açaí também foram alvo de interesse por parte de compradores e distribuidores, que buscam diferenciação em um setor cada vez mais exigente.

    A coordenação da missão e o papel do Mapa

    A missão foi coordenada pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, com a participação da adida agrícola do Brasil nos EUA, Ana Lucia Viana, e do coordenador-geral de Promoção Comercial, Péricles Mendes da Silva. O apoio da cônsul honorária do Brasil em Oregon, Daniela Andrade, reforçou a importância do diálogo entre os setores público e privado.

  • Conab abre leilões de R$ 61 milhões para escoar borracha natural: quem pode participar e como funciona

    Conab abre leilões de R$ 61 milhões para escoar borracha natural: quem pode participar e como funciona

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) retoma nesta quarta-feira (20) os leilões do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), voltados ao escoamento de 61,32 mil toneladas de borracha natural cultivada na safra 2025/26. As operações, que começam às 9h, ocorrerão na modalidade cartela do Sistema de Comercialização Eletrônica (Siscoe), com abrangência em nove estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Tocantins.

    A diferença entre Pepro e PEP: como cada prêmio funciona

    No primeiro pregão, os produtores rurais, cooperativas ou associações poderão participar do Pepro, que exige comprovação de produção, venda e escoamento do produto conforme o Aviso nº 25/2026. A partir do saldo remanescente da operação anterior, a Conab realizará os leilões de PEP, destinados a usinas de beneficiamento e comerciantes. Nesse caso, o prêmio é concedido após a compra do produto pelo preço mínimo e o escoamento seguindo as regras do Aviso nº 26/2026.

    Exigências para participar: o que o produtor precisa providenciar

    Os interessados devem estar inscritos em uma Bolsa de Mercadorias, além de regularizados no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab e no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados (CADIN). Também é obrigatório possuir cadastro no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican) e situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), entre outras exigências previstas no edital.

    Impacto da medida para o setor da borracha

    A ação, autorizada pela Portaria Interministerial, visa garantir preços mínimos e escoamento da produção, reduzindo perdas para os produtores diante da volatilidade do mercado. A borracha natural, matéria-prima essencial para diversos setores, enfrenta desafios de competitividade frente à borracha sintética, e iniciativas como essa buscam fortalecer a cadeia produtiva nacional.

  • Nahyla Macedo: A magia das pistas que transformou o JBJ Ranch em um espetáculo inesquecível

    Nahyla Macedo: A magia das pistas que transformou o JBJ Ranch em um espetáculo inesquecível

    Entre os recordes históricos, negociações milionárias e a genética de elite que marcaram a 5ª temporada do JBJ Ranch & Família Quartista, em Nazário (GO), um nome brilhou ainda mais: Nahyla Macedo. Conhecida como uma das pisteiras mais icônicas do Brasil, ela não apenas cumpriu seu papel tradicional, mas se tornou uma das protagonistas emocionais do evento, que encerrou com incríveis R$ 257 milhões em vendas.

    Uma parceria que emocionou o público

    Nas três noites de evento, Nahyla e Georgia Adriano Batista — uma das figuras centrais do JBJ Ranch — formaram uma dupla inesquecível. Juntas, elas conduziram lotes milionários, especialmente nos momentos decisivos da modalidade Rédeas, transmitindo ao público muito mais do que números: uma paixão genuína pelo universo do cavalo Quarto de Milha.

    O carisma que virou marca registrada

    A trajetória de Nahyla Macedo dentro das pistas é construída sobre uma base simples, mas poderosa: autenticidade. Com um estilo espontâneo, sorriso contagiante e personalidade intensa, ela se consolidou como uma referência feminina nos grandes leilões do agronegócio equestre brasileiro. O que antes era visto como um diferencial — e até alvo de críticas — hoje é reconhecido como sua maior força.

    De críticas a inspiração: a trajetória de uma estrela

    Em uma das falas mais emocionantes sobre sua própria história, Nahyla relembrou os desafios enfrentados desde a infância. Um depoimento que ressoou entre criadores, investidores e apaixonados pela raça, mostrando como a resiliência pode transformar críticas em combustível para o sucesso. “Quanta honra e emoção que não sei descrever, pode até se comparar com o infinito e além…”, declarou, emocionada, durante o evento.

    O legado de Nahyla no JBJ Ranch 2024

    Mais do que uma apresentadora de lotes, Nahyla Macedo se tornou um símbolo de emoção, profissionalismo e conexão humana dentro de um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro. Sua participação não apenas enriqueceu o espetáculo, como também reforçou a importância de figuras carismáticas em um setor tradicionalmente dominado por números e estatísticas.

    Enquanto o JBJ Ranch 2024 ficará marcado por seus recordes, é inegável que Nahyla deixou uma marca ainda mais profunda: a lembrança de que, por trás de cada negócio milionário, há pessoas — e histórias que merecem ser celebradas.

  • Porco influencer que ‘fala’ via botões desafia ciência e revoluciona bem-estar animal

    Porco influencer que ‘fala’ via botões desafia ciência e revoluciona bem-estar animal

    Sacramento, Califórnia — O que começou como um experimento de treinamento cognitivo com um filhote de porco se transformou em um fenômeno digital capaz de mexer com as estruturas da ciência animal e da agropecuária global. Merlin, um suíno de 82 quilos, não apenas acumulou 1,2 milhão de seguidores no Instagram em menos de um ano — quebrando o recorde do Guinness Book como o animal com maior engajamento nas redes — mas também colocou em xeque séculos de crenças sobre a inteligência e a capacidade comunicativa dos porcos.

    O treinamento que virou linguagem: como botões transformaram um porco em ‘influencer’

    Por trás da fama de Merlin está uma metodologia científica de condicionamento operante, desenvolvida pela tutora Mina Alali. Desde os três meses de idade, o animal foi exposto a um painel com mais de 30 botões sonoros, cada um emitindo palavras ou comandos distintos quando acionados pelas patas ou focinho. O que parecia um mero truque de adestramento revelou-se algo muito maior: Merlin não apenas memorizou combinações de botões, mas passou a estruturar intenções complexas.

    Em vídeos virais, o porco seleciona alimentos específicos (‘maçã’), chama pelos tutores (‘Mina’ ou ‘Chris’) ou até mesmo expressa estados emocionais (‘feliz’, ‘com fome’). Essa capacidade de combinar símbolos para formar mensagens coerentes — um comportamento conhecido como comunicação simbólica — é rara no reino animal e aproxima os suínos de espécies como primatas e golfinhos em termos de cognição.

    Cérebro de porco: o que a ciência diz sobre a inteligência suína?

    Estudos da etologia moderna já haviam demonstrado que os porcos possuem estruturas cerebrais comparáveis às de cães e gatos em complexidade, mas as pesquisas de Alali vão além. Testes de memória de longo prazo e resolução de problemas aplicados a Merlin revelam um desempenho compatível com o de uma criança humana entre três e cinco anos de idade.

    A neurocientista Dra. Lori Marino, especialista em senciência animal e cofundadora do Kimmela Center, argumenta que projetos como o de Merlin são essenciais para desconstruir mitos históricos sobre os suínos. ‘Historicamente, os porcos foram retratados como animais de utilidade descartável na cadeia alimentar. Hoje, vemos que eles têm capacidade de raciocínio abstrato, empatia e até mesmo um senso de identidade própria’, explica. A pesquisadora destaca ainda que os avanços na comunicação interespécie não apenas enriquecem a vida dos animais em cativeiro mas também podem redefinir padrões éticos na indústria.

    O impacto no agronegócio: da fazenda ao laboratório

    A popularização de Merlin não é apenas um fenômeno de internet — é um divisor de águas para o setor agropecuário. Empresas de tecnologia agrícola já sinalizam interesse em adaptar painéis de comunicação para porcos criados em larga escala, buscando melhorar o bem-estar animal e, consequentemente, a produtividade. ‘Se um porco consegue expressar desconforto ou preferências, isso pode reduzir o estresse e evitar doenças’, afirma o zootecnista Dr. Rafael Oliveira, consultor em bem-estar animal.

    Paralelamente, a União Europeia revisa normas de manejo suíno, enquanto organizações como a Humane Society International pressionam por leis que reconheçam a senciência desses animais. Nos Estados Unidos, a discussão ganha força após a divulgação de imagens de porcos confinados em condições precárias, contrastando com a imagem de Merlin interagindo de forma quase humana com seu público.

    Críticos, no entanto, alertam para o efeito Merlin: a tendência de romantizar a criação de suínos para consumo. ‘É fundamental que o debate não se resuma à viralização de um animal excepcional, mas que abranja a milhões de porcos que ainda vivem em condições desumanas’, pondera a ativista Laura Braga, da ONG Veganos Brasil.

    O futuro: comunicação interespécie ou apenas mais um viral?

    O caso de Merlin levanta uma questão incômoda: até onde podemos — ou devemos — ir na interação homem-animal? Para a tutora Mina Alali, o objetivo nunca foi transformar o porco em um ‘robô falante’, mas sim demonstrar que a senciência suína é subestimada. ‘Merlin não é um fenômeno de mídia, é uma prova de que precisamos repensar nossa relação com os animais’, defende.

    Enquanto o Guinness Book oficializa seu recorde e a ciência corre para estudar os limites da cognição porcina, uma coisa é certa: Merlin já cumpriu seu papel. Ele não apenas provou que os porcos podem ‘falar’ — ele forçou a sociedade a escutar.