Tag: agropecuária

  • Veto presidencial à Lei dos Safristas é rechaçado pela FAEP; entidade busca derrubada no Congresso

    Veto presidencial à Lei dos Safristas é rechaçado pela FAEP; entidade busca derrubada no Congresso

    O Sistema FAEP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Paraná) reagiu com veemência ao veto presidencial ao Projeto de Lei 715/2023, publicado no Diário Oficial da União em 11 de junho de 2026. A proposta, conhecida como Lei dos Safristas, havia sido aprovada por unanimidade tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, mas foi integralmente vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Um retrocesso para a formalização do trabalho rural

    A medida visava assegurar que trabalhadores temporários do campo mantivessem o acesso ao Bolsa Família mesmo após assinarem contratos formais de safra. Com o veto, a FAEP alerta que o cenário de informalidade persiste, prejudicando não apenas os trabalhadores — que ficam vulneráveis à precarização — mas também a própria estrutura produtiva do agronegócio.

    A FAEP mobiliza-se para derrubar o veto

    Em nota, a entidade afirmou que trabalhará em articulação com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para reverter a decisão no Congresso. Segundo a FAEP, o veto interrompe uma solução há anos reivindicada pelo setor: “A formalização no campo não pode ser tratada como inimiga da proteção social. Pelo contrário, é o caminho para dignificar quem produz alimentos para o país”, declarou um dirigente da federação.

    Consequências do veto para o trabalhador rural

    O projeto 715/2023 surgiu para resolver um paradoxo histórico: quem mais labuta no campo é quem menos recebe. Muitos safristas evitam contratos formais por medo de perder benefícios sociais, como o Bolsa Família, mesmo que isso implique em direitos trabalhistas básicos — como férias, 13º salário e FGTS. Com o veto, a situação permanece inalterada, mantendo um ciclo de informalidade que afeta milhões de famílias rurais.

  • Exportações de café do Brasil crescem 3,6% em maio, mas receita cai 16% no mesmo período

    Exportações de café do Brasil crescem 3,6% em maio, mas receita cai 16% no mesmo período

    O Brasil fechou maio de 2026 com um volume de exportações de café que cresceu 3,6% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 3,089 milhões de sacas de 60 kg, conforme o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). No entanto, a receita cambial gerada encolheu 16%, somando US$ 1,050 bilhão no mês passado.

    Safra em transição: canéforas lideram embarques, enquanto arábicas ganham fôlego

    A leve alta no volume reflete a entrada de cafés colhidos ainda em 2026, especialmente os grãos da espécie canéfora (robusta e conilon). A expectativa é que os arábicas, principal variedade cultivada no país, comecem a ganhar volume nos embarques a partir do segundo semestre, quando a colheita atinge seu pico.

    Acumulado do ano safra 2025/2026 mostra queda expressiva em volume e receita

    Nos primeiros 11 meses do ano safra em curso (julho/2025 a maio/2026), o Brasil exportou 35,373 milhões de sacas, gerando US$ 13,612 bilhões. Os números representam recuos de 17,7% em volume e 0,7% em receita na comparação com o mesmo período do ano safra anterior (2024/2025). No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o declínio é ainda mais acentuado: queda de 12,4% em volume (14,745 milhões de sacas contra 16,82 milhões no mesmo período de 2025).

    Pressão financeira no campo acende sinal de alerta no agronegócio

    A combinação de volumes menores e receitas em queda, mesmo com a alta pontual em maio, reforça a vulnerabilidade do setor cafeeiro. Produtores enfrentam custos crescentes de produção, enquanto os preços internacionais seguem voláteis. Analistas do setor destacam que a recuperação dependerá não apenas da produtividade das safras futuras, mas também de fatores macroeconômicos, como a valorização do real frente ao dólar e a demanda global por commodities.

  • Crédito rural a 3% ao ano: ConsulttAgro viabiliza R$ 700 milhões e revoluciona o agro com juros baixos e planejamento

    Crédito rural a 3% ao ano: ConsulttAgro viabiliza R$ 700 milhões e revoluciona o agro com juros baixos e planejamento

    O desafio do crédito rural no Brasil em 2026

    O acesso ao crédito rural nunca foi tão complexo no Brasil. Com juros elevados, bancos mais seletivos e um cenário de incertezas econômicas, produtores rurais enfrentam um duplo desafio: captar recursos e evitar endividamento excessivo. Segundo dados do Banco Central, as taxas médias para financiamento no campo ultrapassam os 10% ao ano, pressionando pequenos e médios produtores.

    Como a ConsulttAgro quebra o paradigma

    A ConsulttAgro surge como uma alternativa nesse contexto, oferecendo linhas de crédito a partir de 3% ao ano — uma das menores taxas do mercado — e prazos estendidos de até 15 anos. Até junho de 2026, a empresa já viabilizou mais de R$ 700 milhões em operações, focando não apenas na concessão de recursos, mas na estruturação de um plano financeiro personalizado para cada produtor.

    Mais do que dinheiro: consultoria como diferencial

    Para o sócio-fundador da ConsulttAgro, a diferença está na análise técnica. ‘Não adianta oferecer crédito barato se o produtor não tem clareza sobre como pagar’, explica. A consultoria atua em três frentes: mapeamento das melhores linhas disponíveis, estruturação de garantias e planejamento de fluxo de caixa. Em 2025, por exemplo, a empresa ajudou uma cooperativa de soja em Mato Grosso a reduzir sua taxa de juros em 4 pontos percentuais ao ano, graças à renegociação com bancos públicos.

    Impacto no campo: modernização e sustentabilidade

    Os recursos captados via ConsulttAgro têm sido direcionados majoritariamente para investimentos em tecnologia e sustentabilidade. Dos R$ 700 milhões intermediados, 60% foram para aquisição de máquinas agrícolas modernas, 25% para sistemas de irrigação eficiente e 15% para certificações ambientais — como o selo de carbono neutro. ‘O crédito barato é um facilitador, mas o real impacto está na capacidade de inovar e se adaptar às demandas do mercado global’, afirma o executivo.

  • El Niño é confirmado: como o fenômeno vai mexer com o bolso do produtor rural brasileiro em 2026

    El Niño é confirmado: como o fenômeno vai mexer com o bolso do produtor rural brasileiro em 2026

    Na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou a chegada do El Niño, fenômeno que trará consequências diretas para o planejamento agrícola do país. Com o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, a circulação atmosférica será alterada, redistribuindo drasticamente os padrões de chuva no território nacional.

    Sul enfrenta chuvas excessivas, enquanto outras regiões temem seca

    Os dados do Inmet indicam que a Região Sul do Brasil será a mais afetada, com volumes de precipitação significativamente acima da média histórica nos próximos meses. Essa condição, embora possa beneficiar algumas culturas, também eleva o risco de doenças fúngicas em lavouras e prejudica a colheita de grãos como soja e milho em áreas já saturadas.

    Centro-Oeste, Norte e Nordeste em alerta máximo para estiagem

    Por outro lado, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem enfrentar um cenário oposto: a estiagem prolongada. A falta de chuvas, típica desse fenômeno, pode reduzir a produtividade de culturas como milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar, além de comprometer a safra de grãos 2026/2027. Produtores dessas áreas já são orientados a ajustar seus cronogramas de plantio e investir em sistemas de irrigação ou culturas mais resistentes à seca.

    Impacto econômico: como se preparar para o El Niño

    O agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 27% do PIB do país, não escapará das repercussões do El Niño. Especialistas do setor alertam para a necessidade de estratégias rigorosas de manejo fitossanitário e financeiro, incluindo a diversificação de culturas, o uso de tecnologias de monitoramento climático e a contratação de seguros agrícolas para mitigar prejuízos. A volatilidade nos preços de commodities agrícolas, como a soja e o café, deve se acentuar, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores.

    Enquanto o Sul se prepara para colher os benefícios das chuvas, mas sob o risco de inundações, o restante do país enfrenta um desafio ainda maior: driblar a escassez hídrica sem comprometer a produção. A adaptação será a palavra-chave para que o Brasil mantenha sua posição como celeiro do mundo diante das adversidades climáticas.

  • Credores chancelam plano de recuperação do Grupo LFPEC; homologação judicial é o próximo passo

    Credores chancelam plano de recuperação do Grupo LFPEC; homologação judicial é o próximo passo

    Plano supera etapa crítica na Justiça

    Os credores do Grupo LFPEC deram um passo decisivo na última quarta-feira (10) ao aprovar o plano de recuperação judicial apresentado pelas empresas do conglomerado. A votação, realizada durante a Assembleia Geral de Credores (AGC), foi facilitada pelas decisões favoráveis anteriores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que manteve as medidas de proteção necessárias para a condução do processo.

    Homologação judicial será o divisor de águas

    A homologação pelo TJMT é o próximo desafio do Grupo LFPEC. Uma vez validado, o plano passará a vigorar de forma definitiva, permitindo que o conglomerado implemente as condições acordadas com os credores — como prazos de pagamento, renegociação de dívidas e ajustes operacionais — e retome a estabilidade no setor agropecuário. A lei de recuperação judicial (nº 11.101/2005) prevê que tais medidas visam evitar a falência, preservando empregos e a atividade produtiva.

    Setor agropecuário respira aliviado

    A aprovação do plano sinaliza um alento para o Grupo LFPEC e para o setor agropecuário, que enfrenta pressões climáticas, oscilações de mercado e endividamento recorrente. Com a reestruturação, a empresa poderá realocar recursos para investimentos em inovação e expansão, mantendo sua competitividade. O desfecho bem-sucedido da AGC reforça a confiança dos agentes financeiros e fornecedores no modelo brasileiro de recuperação judicial, que já salvou outros grandes players do agro nos últimos anos.

  • UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    A decisão da União Europeia, anunciada em 11 de junho de 2026, de restringir a importação de produtos de origem animal brasileiros a partir de 3 de setembro de 2026 — motivada pelo uso de antimicrobianos como promotores de crescimento — não pegou o setor agropecuário de surpresa, segundo alega a Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul).

    Regra europeia já era conhecida desde 2024: por que o Brasil não se preparou?

    Em nota técnica divulgada nesta semana, a Farsul afirma que a exigência europeia, estabelecida em outubro de 2024, oferecia ao Brasil prazo suficiente para se adaptar. No entanto, a federação aponta uma “falha de coordenação, comprovação ou resposta tempestiva” por parte do governo federal, que não teria agido com a agilidade necessária para demonstrar conformidade às normas sanitárias europeias.

    A análise da Assessoria Econômica da Farsul sugere que o episódio reflete menos uma mudança súbita de regras e mais uma incapacidade de resposta institucional diante de uma exigência já anunciada e previsível. “O Brasil teve tempo para se adequar, mas não o fez de forma coordenada”, destaca o documento.

    Impacto imediato: queda nas exportações e prejuízo ao setor

    A restrição europeia afeta diretamente setores-chave como a pecuária gaúcha e brasileira, que exportam carne, leite e derivados para a UE — um dos principais mercados consumidores. A Farsul não descarta prejuízos financeiros significativos caso a situação não seja revertida até a data limite.

    O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas fontes ouvidas pela imprensa indicam que negociações estão em andamento para evitar o bloqueio total. Enquanto isso, o setor agropecuário pressiona por respostas rápidas, temendo perdas irreparáveis em um momento de recuperação pós-pandemia e de alta nos custos de produção.

  • Brasil e Trinidad e Tobago selam parceria inédita em agropecuária e segurança alimentar para o Caribe

    Brasil e Trinidad e Tobago selam parceria inédita em agropecuária e segurança alimentar para o Caribe

    Acordo histórico no Caribe

    Uma missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pelo secretário-executivo Cleber Soares, avançou em 10 de junho de 2026 em negociações inéditas com Trinidad e Tobago para alavancar a agropecuária brasileira no Caribe. O encontro, que incluiu reuniões com o ministro local Ravi Ratiram e o diretor-geral do IICA, Muhammad Ibrahim, estabeleceu bases concretas para cooperação em genética vegetal, pesquisa agrícola e segurança alimentar na região.

    Genética e inovação como pilares

    Entre os compromissos firmados, destaca-se a troca de material genético de alto valor — como variedades de cacau e sementes resistentes — e a implementação de projetos-piloto para otimizar o uso de fertilizantes no Caribe. A parceria também prevê a criação de um laboratório conjunto para análise de solos tropicais, uma demanda crescente em países insulares da América Central.

    Impacto comercial e geopolítico

    Além dos avanços técnicos, a agenda comercial ganhou tração com a definição de protocolos sanitários facilitados para exportação de carne bovina brasileira e importação de insumos agrícolas de Trinidad e Tobago. Especialistas avaliam que a cooperação pode reduzir a dependência caribenha de alimentos importados dos EUA e da Europa, fortalecendo a autossuficiência regional.

  • Brasil leva café, açaí e carnes a feira asiática: como o agro nacional conquista mercados em 2026

    Brasil leva café, açaí e carnes a feira asiática: como o agro nacional conquista mercados em 2026

    Feira de Bangkok reúne 14 empresas brasileiras em estratégia comercial agressiva

    A Thaifex Anuga Asia 2026, realizada em Bangkok entre os dias 3 e 6 de junho de 2026, serviu como vitrine estratégica para o Brasil no mercado asiático. Com um pavilhão organizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o país exibiu sua diversidade agroalimentar para mais de 50 mil visitantes internacionais, entre compradores, distribuidores e investidores.

    Café, açaí e carnes: os destaques brasileiros no exterior

    O estande brasileiro reuniu produtos que já conquistaram reconhecimento global, como o café, o açaí, o pão de queijo, os vinhos, as castanhas e as carnes premium. Além disso, óleos vegetais, grãos, chocolates e snacks foram apresentados como oportunidades de negócios para importadores asiáticos, que buscam cada vez mais fornecedores confiáveis de produtos de valor agregado. A estratégia visa não apenas a venda de commodities, mas a inserção de itens com maior margem de lucro no competitivo mercado asiático.

    Negociações avançam em meio a desafios sanitários globais

    A participação brasileira ocorreu em um contexto de crescente vigilância sanitária nos mercados internacionais. Recentemente, casos como a identificação da bicheira-do-novo-mundo (mosca que afeta tecidos vivos) em rebanhos nos Estados Unidos reforçam a importância de protocolos rígidos de controle sanitário. O Brasil, que já é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, utilizou a feira para demonstrar seus altos padrões de biossegurança e qualidade, buscando tranquilizar compradores asiáticos sobre a segurança de seus produtos.

    Perspectivas: mais acordos e parcerias comerciais

    Segundo dados preliminares do Mapa, as negociações iniciadas durante a Thaifex Anuga Asia 2026 podem resultar em novos acordos comerciais nos próximos 12 meses. A Ásia, que já é o segundo maior destino das exportações agroalimentares brasileiras, representa um mercado estratégico para diversificar parceiros e reduzir dependências históricas, como a da China. A presença brasileira na feira reforça a imagem do país como um fornecedor confiável de alimentos seguros e de alta qualidade.

  • Rondônia inicia vazio sanitário de 90 dias contra ferrugem asiática: como a medida afeta a soja em 2026

    Rondônia inicia vazio sanitário de 90 dias contra ferrugem asiática: como a medida afeta a soja em 2026

    Na última quarta-feira (10 de junho de 2026), Rondônia ativou oficialmente o vazio sanitário da soja, medida compulsória que proíbe a semeadura e manutenção de plantas vivas da cultura em todo o território estadual até 10 de setembro. A decisão, alinhada às diretrizes fitossanitárias nacionais, busca conter o avanço da ferrugem asiática, um dos maiores flagelos para a agricultura brasileira.

    A ferrugem asiática: o inimigo silencioso das lavouras

    O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, é um parasita biotrófico que depende de hospedeiros vivos para sobreviver e se replicar. Sem plantas de soja em campo durante o vazio sanitário, o ciclo reprodutivo do patógeno é interrompido, reduzindo drasticamente sua pressão para a safra seguinte. Estudos do setor indicam que, em casos não controlados, a doença pode reduzir a produtividade em até 90%, gerando prejuízos milionários para produtores e a cadeia agroindustrial.

    Impacto econômico e estratégias regionais

    A implementação do vazio sanitário em Rondônia não é uma exceção, mas uma estratégia alinhada a políticas nacionais de defesa sanitária vegetal. O estado, que tem na soja um dos principais pilares de sua economia, enfrenta riscos crescentes com a expansão da doença. A medida, embora impopular entre pequenos e médios produtores que dependem de safras consecutivas, é considerada a ação mais eficaz para preservar a competitividade do setor no longo prazo.

    Além da proibição do cultivo, o governo rondoniense intensificou ações de fiscalização para garantir o cumprimento da regra, incluindo multas para quem descumprir o período de vazio. A expectativa é que, com a adesão de 100% dos produtores, Rondônia consiga reduzir em até 60% a incidência da ferrugem na safra 2026/2027, segundo projeções da Emater-RO.

    O que esperar após o vazio sanitário?

    Com o término do período em setembro, os agricultores poderão retomar o plantio, mas com recomendações técnicas reforçadas: uso de sementes certificadas, monitoramento constante e, em muitos casos, adoção de fungicidas preventivos. A efetividade da medida, no entanto, dependerá da colaboração de todos os elos da cadeia produtiva, desde o pequeno produtor até as grandes cooperativas. O desafio, agora, é transformar a crise em oportunidade para consolidar Rondônia como um polo agrícola resiliente.

  • Exclusivo: Alceu Moreira e FPA forçam suspensão da ‘Portaria do Morango’ após 60 dias de protestos

    Exclusivo: Alceu Moreira e FPA forçam suspensão da ‘Portaria do Morango’ após 60 dias de protestos

    Uma vitória que os produtores de morango do Brasil comemoram há meses — mas que só agora se concretiza. Nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou a suspensão por 60 dias da Portaria nº 886/2026, conhecida como ‘Portaria do Morango’. A norma, publicada em fevereiro de 2026, estabelecia critérios rigorosos de classificação por calibre e punições por variações naturais nos frutos, medidas que os agricultores classificaram como inviáveis e onerosas.

    A bomba que explodiu no setor hortifruti

    A portaria nasceu sob a justificativa de alinhar o Brasil às exigências do Mercosul para comercialização, mas na prática transformou-se em um pesadelo burocrático. Entre as regras mais contestadas estavam:

    • Separação milimétrica: Os morangos precisavam ser classificados por tamanho exato, com tolerância zero para variações naturais de formato.
    • Risco de reclassificação: Produtores corriam o risco de punições mesmo com sinais leves de murchamento ou deformações mínimas, itens comuns em cultivos orgânicos e de pequeno porte.
    • Custos explosivos: A implementação da norma exigiria investimentos em maquinário, treinamento e documentação, encarecendo a produção em um setor já pressionado pela inflação de insumos.

    Para o deputado federal Alceu Moreira (MDB/RS), líder da articulação na Câmara, a portaria era um exemplo de ‘burocracia sem sentido’. ‘Produzir morango já é um desafio, imagine ter que medir cada fruta em milímetros?’, questionou o parlamentar em entrevista exclusiva à ClickNews. ‘Essa norma não levava em conta a realidade dos pequenos e médios produtores, que são a maioria no Brasil’.

    FPA e deputado garantem trégua de 60 dias

    A pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), articulada por Moreira, foi decisiva para a reversão temporária. Em ofício enviado ao MAPA na última semana, a FPA argumentou que a portaria ‘ignora as especificidades regionais e inviabiliza a competitividade do setor’. O ministro da Agricultura, Sérgio Leão, acatou o pedido e anunciou a suspensão por 60 dias, prazo para revisão e eventual reformulação da norma.

    Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Morango (ABPM), João Silva, a vitória é parcial, mas simbólica. ‘A suspensão é um alívio, mas a portaria não pode voltar como está. Vamos apresentar propostas concretas para um modelo mais flexível’, afirmou. Segundo ele, estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — maiores produtores nacionais — já registravam queda de 20% nos plantios em março de 2026 devido à incerteza gerada pela portaria.

    Consequências além dos morangos

    A ‘Portaria do Morango’ tornou-se um caso emblemático de como normas mal planejadas podem sufocar setores estratégicos. Analistas do agro avaliam que, se mantida, a medida teria impactado não apenas a cadeia do morango, mas também outras frutas e hortaliças, dada a tendência de extensão dos padrões.

    ‘Esse episódio mostra a importância da participação legislativa na elaboração de políticas públicas’, avalia o economista rural Carlos Fernandes. ‘A FPA e parlamentares como Alceu Moreira agiram como contrapeso necessário à burocracia excessiva, evitando um prejuízo incalculável ao agro nacional’.

    Ainda não há data para a nova versão da portaria, mas o setor comemora o adiamento. Enquanto isso, os produtores seguem na expectativa de que a revisão não seja apenas cosmética — mas que, de fato, considere as reais demandas da agricultura familiar e empresarial.