Tag: agropecuária

  • Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    O mercado de proteínas animais assiste a uma reviravolta em maio. Enquanto as cotações do frango registram leve alta, as concorrentes suína e bovina ganham vantagem competitiva, invertendo uma dinâmica que vinha favorecendo a avicultura brasileira nos últimos meses.

    Preços em movimento: o frango sobe, mas a competitividade afunda

    Na Grande São Paulo, o preço médio do frango inteiro resfriado atingiu R$ 7,31/kg na parcial de maio, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O valor representa um aumento de 1,6% frente a abril, impulsionado pela demanda interna aquecida e pelo bom desempenho das exportações de produtos avícolas — que já haviam registrado recorde em 2023.

    No entanto, a euforia tem curta duração. Desde a segunda quinzena de maio, a liquidez do frango no atacado vem recuando, forçando ajustes negativos nos preços. Se a tendência se confirmar até o fim do mês, o valor do frango inteiro resfriado pode não apenas estagnar como até retroceder, segundo analistas ouvidos pelo Cepea.

    Suínos e bovinos roubam a cena: onde o frango perde participação

    Enquanto o frango tenta se manter, as outras carnes ganham espaço no bolso do consumidor. Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína é comercializada a R$ 1,38/kg abaixo do preço do frango, enquanto a carcaça casada bovina apresenta um valor médio de R$ 7,31/kg acima. A vantagem relativa das proteínas concorrentes já começa a se refletir nas prateleiras e nos hábitos de compra.

    Segundo o Cepea, a estabilidade nos preços da carne bovina — que mantêm patamar elevado, mas sem grandes variações — e a queda nos suínos criam um cenário inédito: pela primeira vez em meses, a carne de frango não é a opção mais econômica no comparativo entre as três principais proteínas animais do Brasil.

    Exportações salvam o mês? O que esperar para os próximos dias

    O bom desempenho das vendas externas de produtos avícolas tem sido um dos principais pilares para o aumento dos preços internos do frango. Em abril, as exportações brasileiras de carne de frango bateram recorde, com embarques de 473,5 mil toneladas — alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    No entanto, o mercado interno segue como termômetro crucial. Com a liquidez em queda e a concorrência mais acirrada, os produtores e processadores de frango precisam agir rápido para evitar uma queda ainda mais pronunciada nos preços. A pressão sobre as margens de lucro já é sentida por parte do setor, que teme um cenário de superoferta no curto prazo.

    Para especialistas, o equilíbrio dependerá de dois fatores: a manutenção do ritmo de exportações e a reação da demanda interna, que tem sido influenciada pela queda no poder aquisitivo dos brasileiros nos últimos meses.

  • Boi gordo derrete: arroba cai abaixo de R$ 350 e frigoríficos ditam o jogo no mercado brasileiro

    Boi gordo derrete: arroba cai abaixo de R$ 350 e frigoríficos ditam o jogo no mercado brasileiro

    O mercado do boi gordo vive um dos momentos mais tensos dos últimos meses. Enquanto os frigoríficos mantêm suas escalas de abate confortavelmente preenchidas, os pecuaristas se veem pressionados a ceder nas negociações, com os preços da arroba recuando para patamares abaixo de R$ 350/@ em diversas regiões do país. A combinação de fatores internos e externos está transformando a dinâmica do setor, deixando os produtores em uma posição defensiva.

    Escala de abate cheia e consumo fraco: a pressão dos frigoríficos sobre os preços

    O cenário atual é marcado por uma liquidez extremamente baixa no mercado físico do boi gordo. Segundo dados do Cepea/Esalq, os frigoríficos já preencheram suas escalas de abate para os próximos 8 a 15 dias, reduzindo drasticamente a urgência por novas compras. Essa situação dá aos frigoríficos um poder de barganha inédito, permitindo que pressionem os preços para baixo.

    A queda no consumo doméstico de carne bovina, especialmente na segunda quinzena de maio, agravou ainda mais o desequilíbrio. A Agrifatto destaca que, das 17 praças monitoradas, cinco registraram recuos nas cotações: Acre, Goiás, Maranhão, Minas Gerais e Tocantins. Rondônia, no entanto, foi uma exceção, com valorização.

    Pastagens degradadas e oferta excessiva: o cenário que afunda os preços

    A chegada do outono-inverno em várias regiões produtoras acelerou a degradação das pastagens, forçando muitos pecuaristas a antecipar a venda dos animais. Essa maior oferta de bois terminados no curto prazo intensificou a queda dos preços, especialmente em praças como São Paulo, onde a arroba chegou a operar próximo de R$ 340/@ no início da semana.

    No interior paulista, a diferença entre o boi comum (R$ 345/@) e o chamado “boi-China” (R$ 355/@) — destinado ao mercado chinês — reflete a estratégia dos frigoríficos de priorizar exportações, onde as margens são mais atrativas. A Scot Consultoria aponta que o animal consagrado para o mercado asiático ainda mantém certa estabilidade, mas o cenário geral segue pessimista.

    China como salvação? A esperança dos pecuaristas depende de um acordo comercial

    Diante do cenário doméstico desfavorável, a atenção do setor se volta agora para as negociações entre Brasil e China. O país asiático é o maior importador de carne bovina brasileira, e qualquer sinal de flexibilização nas barreiras comerciais poderia reverter o atual quadro de preços baixos. No entanto, analistas do setor alertam que, sem um acordo concreto, a pressão baixista deve persistir.

    Ainda assim, há quem aposte em uma recuperação nos próximos meses. “Os produtores estão resistindo, mas a queda nos preços é inevitável enquanto o consumo interno não reagir e enquanto não houver uma sinalização clara da China”, afirmou um consultor do mercado pecuário, que preferiu não ser identificado.

    O que esperar para os próximos dias?

    Os próximos leilões e as cotações da arroba nos próximos dias serão determinantes para definir se a pressão baixista vai se estender ou se o mercado finalmente encontrará um ponto de equilíbrio. Enquanto isso, pecuaristas e frigoríficos seguem em uma batalha silenciosa, com os produtores tentando segurar as negociações e as indústrias aproveitando o momento para reduzir custos.

    Uma coisa é certa: o atual cenário exige cautela. Com margens cada vez mais apertadas e incertezas sobre a demanda externa, o setor precisa de ações concretas para evitar um colapso ainda maior.

  • Brasil assume a liderança global da carne bovina: como o país vai suprir a escassez mundial com produtividade e estratégia

    Brasil assume a liderança global da carne bovina: como o país vai suprir a escassez mundial com produtividade e estratégia

    O mercado global de carne bovina enfrenta uma crise silenciosa, mas profunda. Enquanto países tradicionalmente produtores, como os Estados Unidos e a Austrália, registram quedas históricas em seus rebanhos comerciais, o Brasil não apenas mantém sua posição como o maior produtor mundial, mas também amplia sua vantagem competitiva. Dados apresentados pela Friboi, marca da JBS, durante a Apas Show 2026, revelam que o rebanho bovino global está em um patamar semelhante ao de 1965 — uma redução drástica que contrasta com o crescimento contínuo do consumo de proteínas, puxado principalmente pela Ásia.

    O paradoxo da pecuária global: menos gado, mais fome por carne

    O rebanho bovino comercial global encolheu drasticamente nos últimos anos, impulsionado por fatores como a seca prolongada em regiões produtoras, o aumento dos custos de produção e a pressão por substituição de pastagens por culturas agrícolas. Enquanto isso, a demanda por carne bovina segue em trajetória ascendente: segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o consumo global deve crescer cerca de 2% ao ano até 2030, impulsionado pelo crescimento econômico na China, Índia e Sudeste Asiático.

    Nesse contexto, o Brasil se destaca não apenas por possuir o maior rebanho bovino do mundo — com aproximadamente 192 milhões de cabeças, ante 87 milhões nos EUA e 52 milhões na Argentina — mas também por sua capacidade de aumentar a produtividade sem ampliar significativamente a área de pastagem. Enquanto outros países lutam para manter seus estoques, o Brasil consegue produzir mais carne com menos animais, graças a avanços tecnológicos e gestão sustentável do rebanho.

    A Friboi e a JBS: o Brasil no centro da estratégia global

    Durante o evento, o diretor-executivo de Originação da Friboi, Eduardo Pedroso, enfatizou que poucos países têm condições de suprir o déficit global nos próximos anos. “O Brasil não é apenas o maior produtor, mas também o único com potencial real de expandir sua produção de forma competitiva”, declarou. A afirmação não é exagero: segundo dados da Friboi, o país já é o maior exportador de carne bovina há mais de uma década e, recentemente, ultrapassou os Estados Unidos na produção total da proteína.

    Mas como o Brasil consegue conciliar o crescimento das exportações com a manutenção do abastecimento interno? Segundo Pedroso, a resposta está na revolução silenciosa que transformou a pecuária brasileira nos últimos 20 anos. “Hoje, produzimos 30% mais carne do que há duas décadas, com um rebanho 15% menor. Isso significa que aumentamos a produtividade em mais de 50%”, explica. A combinação de genética avançada, manejo nutricional e adoção de tecnologias como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) permitiu ao país dobrar sua produção sem derrubar uma única árvore adicional.

    Os concorrentes definham enquanto o Brasil avança

    Enquanto o Brasil comemora seus números, os principais concorrentes internacionais enfrentam cenários desanimadores. Nos Estados Unidos, a seca histórica no Meio-Oeste reduziu o rebanho para níveis não vistos desde 1951, forçando os frigoríficos a reduzir a capacidade de abate em até 15% em algumas regiões. Na Austrália, os incêndios florestais de 2019-2020 e a subsequente seca dizimaram milhões de cabeças, e a recuperação tem sido lenta. Já na União Europeia, a pressão por redução de emissões de gases de efeito estufa levou a uma queda de 8% no rebanho bovino nos últimos cinco anos.

    Essa conjuntura coloca o Brasil em uma posição única: não apenas como fornecedor, mas como regulador de preços no mercado global. Com estoques estáveis e capacidade de resposta rápida a aumentos de demanda, o país se tornou o “player” que pode evitar uma crise alimentar nos próximos anos.

    O desafio da sustentabilidade: o Brasil pode liderar sem sacrificar o meio ambiente?

    Apesar do otimismo, a expansão da pecuária brasileira não está isenta de críticas. Organizações ambientais, como o Greenpeace e o WWF, alertam que o crescimento do setor pode estar associado ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, especialmente em regiões onde a fiscalização é frágil. No entanto, a Friboi e outras grandes empresas do setor afirmam que o futuro da pecuária brasileira passa pela sustentabilidade comprovada.

    “Hoje, mais de 90% da carne exportada pelo Brasil vem de propriedades com algum tipo de certificação ambiental ou rastreabilidade”, explica Pedroso. Além disso, o setor tem investido em programas como o Projeto ABC Cerrado, que promove a recuperação de áreas degradadas e a adoção de práticas de baixo carbono. “O consumidor global não quer apenas carne barata; ele quer carne ética e sustentável. E o Brasil, aos poucos, está entregando isso.”

    O que esperar nos próximos anos?

    Se as projeções da Friboi se confirmarem, o Brasil deve consolidar sua posição como fornecedor estável e estratégico do mercado global de carne bovina. Até 2030, a empresa projeta um crescimento de 25% na produção brasileira, com foco em mercados asiáticos e africanos — regiões onde a demanda por proteína animal deve crescer mais de 40% até lá.

    Para os consumidores brasileiros, por enquanto, a notícia é positiva: com o aumento da produtividade, os preços internos devem se manter estáveis, mesmo com o crescimento das exportações. Já para os concorrentes internacionais, a mensagem é clara: o Brasil não é apenas uma opção, mas a única solução viável para evitar uma crise na cadeia global de carne bovina.

  • Brasil deve colher recorde de 66,7 milhões de sacas de café em 2026, aponta Conab

    Brasil deve colher recorde de 66,7 milhões de sacas de café em 2026, aponta Conab

    A produção de café no Brasil deve atingir um marco histórico na safra 2026, com uma colheita estimada em 66,7 milhões de sacas, um salto de 18% em relação ao ciclo anterior. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse volume superaria em 5,74% o recorde anterior, registrado em 2020 (63,08 milhões de sacas), consolidando o país como o maior produtor global da commodity.

    A bienalidade positiva e o clima impulsionam a safra recorde

    O crescimento projetado é sustentado por três fatores determinantes: o ciclo natural de bienalidade positiva do café arábica — que alterna anos de alta e baixa produtividade —, a expansão de 3,9% na área plantada (chegando a 2,34 milhões de hectares) e as condições climáticas favoráveis nos principais estados produtores. A produtividade média nacional também deve se recuperar 13%, alcançando 34,4 sacas por hectare, conforme o 2º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado nesta quinta-feira (21).

    Arábica lidera o crescimento, enquanto conilon registra estabilidade

    Para o café arábica, a Conab prevê uma produção de 45,8 milhões de sacas, um aumento expressivo de 28% em relação à safra anterior. Esse volume representa a terceira maior colheita da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018. A alta é atribuída à bienalidade positiva, à ampliação de áreas dedicadas ao grão e ao clima favorável, especialmente nas fases críticas de floração e granação.

    Já o café conilon, embora registre um crescimento modesto de 0,8% (20,9 milhões de sacas), enfrenta desafios. A queda de 3,5% na produtividade média nacional (53,9 sacas/hectare) é compensada pelo aumento de 2,5% na área plantada, que deve atingir 388,22 mil hectares. Especialistas destacam que a estabilidade do conilon depende de políticas públicas para mitigar os efeitos de pragas e variações climáticas.

    Minas Gerais: o gigante da cafeicultura nacional

    O estado de Minas Gerais, responsável por mais de 50% da produção nacional de café, deve colher 33,4 milhões de sacas na safra 2026 — um crescimento de 29,8% em relação ao ciclo anterior. O desempenho é impulsionado pela bienalidade positiva, pela distribuição equilibrada de chuvas nos meses chaves e pelo clima favorável até março, que garantiram uma boa granação dos grãos. Outros estados como São Paulo, Espírito Santo e Bahia também apresentam incrementos significativos, embora em menor escala.

    Riscos e desafios: preços internacionais e sustentabilidade

    Apesar do otimismo, o setor enfrenta incertezas. A superprodução pode pressionar os preços internacionais do café, que já estão em queda desde 2022. Além disso, a dependência de condições climáticas favoráveis e a necessidade de investimentos em tecnologias sustentáveis — como o uso de ozônio no tratamento de água, que pode reduzir em 95% o uso de produtos químicos — são temas urgentes na agenda dos cafeicultores. “O Brasil precisa equilibrar volume e qualidade para não comprometer a imagem do café nacional no mercado global”, avalia um analista do setor.

  • Ministro André de Paula firma agenda histórica na China: parcerias agropecuárias e redução de dependência química ganham destaque

    Ministro André de Paula firma agenda histórica na China: parcerias agropecuárias e redução de dependência química ganham destaque

    A primeira viagem internacional do ministro André de Paula à China não foi apenas simbólica, mas um marco na diplomacia agropecuária brasileira. Em Pequim, o titular do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou uma missão intensiva de diálogos com o Ministério do Comércio (MOFCOM) e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais (MARA), consolidando acordos que prometem redefinir as relações comerciais entre os dois países.

    Do discurso à ação: como o Brasil se posiciona como fornecedor estratégico da China

    No MOFCOM, André de Paula destacou a escolha da China como destino prioritário de sua gestão, justificando que o gigante asiático não é apenas o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro, mas também um interlocutor indispensável para o futuro da agropecuária nacional. “Esta missão reflete o compromisso do governo brasileiro em fortalecer uma relação que já é histórica, mas que agora ganha novos contornos de cooperação técnica e inovação”, declarou o ministro.

    O vice-ministro chinês Jiang Chenghua não poupou elogios ao Brasil, classificando o país como o principal fornecedor de carne, soja, algodão, açúcar e frango para a China. Além disso, ele destacou o crescente protagonismo de empresas chinesas no Brasil, especialmente em setores como infraestrutura, melhoramento genético de sementes e tecnologias agrícolas. “Nos últimos dois anos, vimos um salto qualitativo na participação chinesa em feiras e exposições brasileiras, o que reforça a confiança mútua”, afirmou.

    Tecnologia e sustentabilidade: o novo eixo da parceria Brasil-China

    Um dos pontos altos da agenda foi a discussão sobre soluções inovadoras para reduzir a dependência de produtos químicos na agricultura. Durante as negociações, representantes brasileiros e chineses exploraram alternativas como o uso de ozônio no tratamento de água para irrigação, que poderia reduzir em até 95% o uso de agrotóxicos — uma pauta alinhada às metas globais de sustentabilidade.

    Segundo informações preliminares, a China também se comprometeu a ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento conjunto, com foco em culturas como soja e milho, além de fortalecer as cadeias de proteína animal. “A cooperação técnica será um divisor de águas para o agronegócio brasileiro, especialmente em um momento em que a demanda chinesa por alimentos segue em trajetória ascendente”, analisou um especialista ouvido pela reportagem.

    Diplomacia de décadas: como a relação Brasil-China evoluiu sob Lula e Xi

    No MARA, o ministro André de Paula reafirmou que a parceria Brasil-China é fruto de mais de 50 anos de diplomacia, desde o estabelecimento das relações em 1974. Ele citou o papel decisivo dos presidentes Lula e Xi Jinping na elevação do diálogo a um novo patamar de confiança e integração.

    O ministro chinês Zhang Zhu, por sua vez, enfatizou a importância da recente visita de Lula à China, que resultou em uma agenda bilateral ambiciosa, incluindo acordos de cooperação científica e comercial. “O Brasil e a China não são apenas parceiros comerciais; somos aliados estratégicos na busca por segurança alimentar global”, declarou.

    O que muda agora? Impactos para produtores brasileiros e consumidores chineses

    Para o setor produtivo brasileiro, os desdobramentos da missão incluem:

    • Abertura de novos mercados: Produtos como carne bovina e suína devem ter barreiras sanitárias reduzidas, facilitando exportações.
    • Investimentos em inovação: Empresas chinesas poderão aportar recursos em startups e cooperativas brasileiras, especialmente na região Centro-Oeste.
    • Sustentabilidade como diferencial: A adoção de tecnologias limpas, como o ozônio, pode se tornar um ativo comercial, atraindo compradores dispostos a pagar mais por produtos eco-friendly.

    Do lado chinês, a prioridade é garantir suprimentos estáveis e de alta qualidade para uma população de 1,4 bilhão de habitantes, cada vez mais exigente em segurança alimentar. “A China precisa diversificar suas fontes de importação, e o Brasil é a resposta mais confiável”, resumiu um analista do setor.

    Próximos passos: quando os acordos virarão realidade?

    Embora os resultados concretos ainda dependam de assinaturas formais, a expectativa é que os compromissos sejam formalizados até o final de 2024. O ministro André de Paula já anunciou que uma comitiva chinesa visitará o Brasil em setembro para acompanhar a implementação das medidas. “Este é apenas o começo de uma nova era na relação agropecuária entre nossos países”, afirmou.

  • Brasil abre 3 novos mercados no agro: caqui na Costa Rica, ração no México e amendoim na Nicarágua

    Brasil abre 3 novos mercados no agro: caqui na Costa Rica, ração no México e amendoim na Nicarágua

    O governo brasileiro consolidou na última semana três novas aberturas de mercado para o agronegócio nacional, abrindo portas para caqui, ração animal e amendoim sem casca nos mercados da Costa Rica, México e Nicarágua. Os acordos, fechados entre o Ministério da Agricultura (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), representam mais um passo na estratégia de internacionalização do setor, que já acumula 616 negociações facilitadas desde janeiro de 2023.

    O pioneirismo do caqui na Costa Rica: um mercado de US$ 137 milhões

    A primeira grande conquista veio da Costa Rica, onde o Brasil obteve autorização para exportar caqui — uma fruta até então não comercializada no país centro-americano. Em 2025, as exportações brasileiras de produtos agropecuários para a Costa Rica superaram US$ 137 milhões, com destaque para carnes, lácteos e sucos. A abertura do mercado para o caqui, além de diversificar a pauta de exportações, sinaliza uma tendência de aproximação comercial entre os dois países, que já mantêm acordos em setores como medicamentos e tecnologia.

    Ração para aves ornamentais e tartarugas: o México como principal parceiro agro do Brasil

    No México, maior parceiro comercial do Brasil no setor agropecuário, as negociações resultaram na liberação para exportação de ração para aves ornamentais e tartarugas. Em 2025, o fluxo comercial entre os dois países atingiu US$ 3,1 bilhões em produtos agro, com destaque para soja, milho, carne bovina e café. A nova autorização, embora represente um nicho específico, reforça a confiança mútua e pode abrir caminho para novos acordos em segmentos de alto valor agregado.

    Segundo dados do Mapa, o México é o segundo maior destino das exportações brasileiras de produtos agropecuários, atrás apenas da China. A diversificação de produtos, como a ração para animais de estimação, alinha-se à crescente demanda global por alimentos premium e produtos diferenciados.

    Amendoim sem casca na Nicarágua: um salto de US$ 73 milhões em exportações

    A Nicarágua, que em 2025 importou mais de US$ 73 milhões em produtos brasileiros — com foco em milho, arroz, sementes e produtos florestais —, agora passa a receber amendoim sem casca. A abertura desse mercado é estratégica para o Brasil, que busca reduzir a dependência de compradores tradicionais e explorar novos destinos na América Central.

    O amendoim, além de ser um produto com alta demanda global, tem potencial para ser transformado em óleo, pasta ou mesmo ingrediente para rações animais. A autorização para exportação sem casca facilita o processo logístico e reduz custos, tornando o produto mais competitivo no mercado nicaraguense.

    616 aberturas desde 2023: a política externa do agro em números

    Os três novos mercados elevam para 616 as aberturas de mercados internacionais conquistadas pelo Brasil desde o início de 2023. Segundo o Mapa, esses acordos abrangem desde frutas exóticas até carnes premium, passando por insumos agrícolas e tecnologias de produção. A estratégia tem como pilares a redução de barreiras sanitárias, a diversificação de parceiros comerciais e a adoção de certificações internacionais.

    O trabalho conjunto entre o Mapa e o MRE tem sido fundamental para agilizar as negociações. “Cada abertura representa não apenas um ganho econômico, mas também uma aproximação política e comercial com países-chave”, afirmou um técnico do ministério, que preferiu não ser identificado. Os acordos recentes, por exemplo, foram fechados em menos de seis meses, graças a missões técnicas e diálogos constantes com as autoridades locais.

    O que esperar para o futuro do agro brasileiro?

    Com esses novos mercados, o Brasil reforça sua posição como maior exportador de commodities agrícolas do mundo, mas também avança na exportação de produtos com maior valor agregado. A tendência é que as negociações continuem aceleradas, especialmente em setores como fruticultura, lácteos e bioenergia.

    Para os produtores, as oportunidades são imediatas: a diversificação de destinos reduz riscos de dependência de um único mercado e pode aumentar a margem de lucro em produtos específicos. Já para o governo, o desafio é manter a agenda de negociações ativa, mesmo em um cenário de tensões geopolíticas e barreiras protecionistas.

    Enquanto isso, setores como o do caqui — ainda pouco explorado na exportação brasileira — ganham novo fôlego. “O mercado centro-americano é promissor, especialmente para frutas que não são produzidas localmente”, afirmou um analista de mercado ouvido pela reportagem. A Costa Rica, por exemplo, importa 90% de suas frutas, o que abre espaço para produtos brasileiros de qualidade comprovada.

  • Conab projeta safra recorde de café em 2026: 66,7 milhões de sacas e alta de 18% no volume

    Conab projeta safra recorde de café em 2026: 66,7 milhões de sacas e alta de 18% no volume

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima sua projeção para a safra brasileira de café em 2026, anunciando um volume recorde de 66,7 milhões de sacas de 60 kg. O número representa um incremento de cerca de 500 mil sacas em relação à estimativa divulgada em fevereiro deste ano, consolidando as expectativas de um ano de superávit no setor.

    O motor por trás do crescimento: bem mais do que clima favorável

    A estatal atribui o salto de 18% na produção anual a um tripé de fatores decisivos. O primeiro deles é o ciclo de bienalidade positiva, fenômeno natural que alterna anos de alta e baixa produtividade nas lavouras de arábica, principal variedade cultivada no país. Em 2026, o ciclo estará em sua fase de alta, com plantas mais vigorosas e maior frutificação.

    Além disso, novas áreas entram em produção: a área total destinada à cafeicultura deve expandir 3,9%, totalizando 2,34 milhões de hectares — um recorde histórico. A incorporação de terras anteriormente não cultivadas, especialmente em estados como Minas Gerais e Espírito Santo, contribui para o aumento da capacidade produtiva nacional.

    As condições climáticas mais favoráveis também desempenham papel crucial. Após anos de adversidades como secas e geadas, a normalização das chuvas na principal região produtora — o Cerrado mineiro — e a ausência de eventos extremos permitem que as plantas expressem todo o seu potencial genético. A produtividade média das lavouras, por sua vez, deve atingir 34,4 sacas por hectare, um patamar superior à média histórica.

    Divisão por variedades: arábica lidera, mas robusta ganha espaço

    O café arábica, responsável por cerca de 69% da produção nacional, será o grande protagonista da safra. A Conab projeta 45,8 milhões de sacas, enquanto os canéforas (conilon/robusta) — cultivados majoritariamente no Espírito Santo, Rondônia e Bahia — devem render 20,9 milhões de sacas. Essa distribuição reflete a diversificação dos plantios brasileiros, com expansão acelerada do robusta em regiões antes dominadas pelo arábica, impulsionada pela demanda global por cafés de menor custo e blends mais acessíveis.

    O que muda para o mercado e os produtores?

    O anúncio da Conab não é apenas um dado estatístico: ele traz implicações imediatas para três elos da cadeia. Para os produtores rurais, a expectativa de maior rentabilidade pode acelerar investimentos em tecnificação e sustentabilidade, ainda que os custos de produção permaneçam elevados devido ao uso intensivo de insumos. A indústria de torrefação se prepara para um cenário de estoques mais folgados, o que pode pressionar os preços internacionais do café no curto prazo. Já os exportadores brasileiros ganham fôlego para disputar mercados como Estados Unidos e Europa, onde a demanda por cafés de qualidade premium segue em alta.

    Por outro lado, a bienalidade positiva é um lembrete de que o ciclo pode se inverter em 2027, quando a produção tende a cair novamente. Especialistas ouvidos pela Reuters destacam a necessidade de planejamento estratégico por parte dos cafeicultores, que devem aproveitar os anos de bonança para construir reservas financeiras e diversificar suas lavouras, reduzindo a dependência de um único produto.

    Brasil consolida liderança global sob olhares atentos

    Com a projeção da Conab, o Brasil reforça sua posição como maior produtor e exportador mundial de café, respondendo por cerca de 35% da oferta global. O país já domina o mercado de arábica, mas o crescimento do robusta ameaça a hegemonia de nações como Vietnã e Indonésia. A política agrícola brasileira, no entanto, segue como um ponto de atenção: enquanto a Conab aponta para um futuro promissor, setores ligados à reforma agrária e ao trabalho rural cobram mais investimentos em sustentabilidade e direitos trabalhistas. O debate ganhou novo fôlego nesta semana, com a tramitação no Senado de um projeto que visa modernizar as leis do trabalho no campo — tema que divide opiniões entre modernizadores e defensores de garantias históricas.

  • RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) alerta para a baixa adesão à Declaração Anual de Rebanho, que até maio registrava apenas 29,86% das 358 mil declarações esperadas para 2024. Com o prazo se encerrando em 30 de junho, o estado corre contra o tempo para evitar prejuízos à sanidade agropecuária — fundamental para a exportação de carnes e lácteos, setores-chave da economia gaúcha.

    O peso da declaração: por que 30% não são suficientes?

    A Declaração de Rebanho não é mera burocracia: ela mapeia a saúde animal no estado, permitindo à Seapi rastrear doenças como febre aftosa, brucelose ou tuberculose. Sem dados atualizados, o RS pode enfrentar barreiras comerciais, já que mercados internacionais exigem certificados sanitários baseados nesses registros. A baixa adesão, especialmente em regiões como a Supervisão de Alegrete (apenas 9,95% via digital), expõe fragilidades na fiscalização e na conscientização dos produtores.

    A disparidade regional: onde a adesão avança — e onde trava

    Enquanto a Supervisão de Palmeira das Missões lidera em entregas (37,37%), Vanini se destaca como único município com 100% de cumprimento. A diferença reflete desde a estrutura de assistência técnica local até o acesso à internet no campo. A Seapi, no entanto, comemora o crescimento do Produtor Online — 9,95% das declarações já usam o canal digital, um salto frente aos 5% do ano passado. “A modernização do sistema é irreversível”, afirma um técnico da secretaria.

    O desafio do campo: burocracia ou descaso?

    Para o produtor rural, o processo envolve mais do que preencher formulários. São horas dedicadas a detalhes como tipo de manejo, classificação da propriedade e áreas de pastagem. “Muitos não entendem a importância da declaração até serem multados”, explica um pecuarista de Bagé, que só regularizou a situação após uma fiscalização. A Seapi oferece tutoriais e atendimento presencial, mas a resistência persiste — especialmente entre pequenos produtores, que alegam falta de tempo ou de conhecimento técnico.

    Riscos além das multas: o impacto na economia gaúcha

    O RS é o 4º maior produtor de carne bovina do Brasil, com exportações que superam US$ 1 bilhão anuais. A baixa cobertura da declaração pode comprometer certificados sanitários, paralisando embarques para a União Europeia ou China. “Sem dados precisos, o estado corre o risco de ter que testar todo o rebanho antes de exportar, gerando custos extras e atrasos”, alerta um analista do setor. A Seapi já estuda penalidades mais rígidas, como restrições para acesso a programas de incentivo.

    Como declarar antes do prazo — e evitar dores de cabeça

    A declaração pode ser feita online pelo Produtor Online, com ou sem assinatura digital. Quem preferir o método tradicional preenche formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias da Seapi. Para quem precisa de ajuda, a secretaria disponibiliza tutoriais e suporte técnico nas unidades regionais. “O ideal é não deixar para a última hora”, recomenda um servidor da Seapi, após registrar um aumento de 20% nas solicitações de auxílio na última semana de maio.

  • Cerrado em risco: 96% dos frigoríficos negligenciam desmatamento e expõem fragilidade regulatória

    Cerrado em risco: 96% dos frigoríficos negligenciam desmatamento e expõem fragilidade regulatória

    O Cerrado brasileiro, considerado a savana mais biodiversa do mundo e responsável por abastecer 11% da produção global de alimentos, enfrenta um colapso silencioso na governança ambiental. Um estudo inédito do Radar Verde, obtido pelo Valor Econômico, expõe que 96% dos frigoríficos atuantes no bioma — o equivalente a 216 das 225 plantas de abate avaliadas — operam com níveis ‘muito baixos’ de controle socioambiental. Das nove empresas restantes, nenhuma atingiu sequer um patamar ‘intermediário’, consolidando um fracasso sistêmico na rastreabilidade da carne produzida na região.

    O diagnóstico que escancara a hipocrisia do setor pecuário

    Os dados revelam uma contradição brutal: enquanto empresas do setor anunciam metas ambiciosas de ‘desmatamento zero’ ou compromissos ESG (sigla em inglês para critérios ambientais, sociais e de governança), a realidade no campo é diametralmente oposta. O Cerrado, que já perdeu 50% de sua cobertura original para a expansão da agropecuária, não conta com instrumentos de fiscalização tão robustos quanto os da Amazônia, onde pressões internacionais e acordos como o Moratória da Soja (2006) e o TAC da Carne (2009) impuseram limites mínimos.

    Por que o Cerrado é o ‘ponto cego’ da pecuária sustentável?

    Segundo o engenheiro ambiental Amintas Brandão Jr., coordenador do estudo, três fatores explicam a vulnerabilidade do bioma:

    • Legislação branda: Enquanto a Amazônia exige que proprietários rurais preservem até 80% de suas terras, no Cerrado a lei permite a conversão de até 80% da área para pastagem ou agricultura. Essa flexibilidade, aliada à menor fiscalização, cria um ‘paraíso de impunidade’ para os pecuaristas.
    • Falta de TACs específicos: Diferentemente da Amazônia, onde acordos do Ministério Público Federal com frigoríficos (como os TACs da Carne) impõem sanções, no Cerrado nenhum TAC foi firmado nos últimos 15 anos. “O setor age como se o bioma não existisse”, critica Brandão Jr.
    • Desinteresse do mercado internacional: Compradores globais, como redes de fast-food e supermercados europeus, concentram suas exigências de sustentabilidade na Amazônia, ignorando que o Cerrado fornece 70% da soja e 40% da carne bovina brasileira. “É um efeito mancha: a culpa é empurrada para a floresta, enquanto o Cerrado queima”, analisa o pesquisador.

    As consequências para o Brasil e o mundo

    Os impactos vão além da destruição ambiental. Especialistas alertam para três riscos imediatos:

    1. Perda de mercados: A União Europeia já estuda incluir o Cerrado na lista de ‘zonas de alto risco’ para desmatamento, o que poderia levar à proibição de importação de carne brasileira — um golpe de até US$ 2 bilhões anuais no setor.
    2. Aumento do desmatamento ilegal: Sem fiscalização, áreas de proteção ambiental no Cerrado são convertidas em pastos a cada ano. Em 2023, o bioma registrou um aumento de 43% no desmatamento em relação a 2022, segundo o INPE.
    3. Crise de imagem para o agronegócio: O Brasil, que se vende como ‘celeiro do mundo’, corre o risco de ser associado a práticas ambientais predatórias, afastando investimentos em ESG. “Investidores já começam a questionar se o país é confiável para projetos verdes”, diz a economista Sofia Lima, da FGV.

    O que falta para mudar o jogo?

    Para reverter o cenário, especialistas apontam três frentes urgentes:

    • Criação de TACs do Cerrado: O Ministério Público Federal já estuda replicar os acordos da Amazônia, mas esbarra na resistência de governos estaduais como Mato Grosso e Goiás, onde a pecuária é a principal atividade econômica.
    • Rastreabilidade obrigatória: A tecnologia de blockchain, já adotada por algumas empresas, precisa ser ‘democratizada’ para todos os frigoríficos, permitindo rastrear a origem do gado até a fazenda de nascimento.
    • Pressão internacional: Organizações como a Global Canopy e a Trase já mapeiam cadeias de fornecimento de carne brasileira. A pressão por transparência deve aumentar, com possíveis ‘boicotes seletivos’ a frigoríficos identificados em áreas críticas.

    Enquanto isso, o Cerrado continua a arder — não em manchetes, mas em silêncio. E o setor pecuário, que lucra com a degradação, ainda não apresentou um plano concreto para deter o fogo.

  • Bois gordos sob pressão: clima seco eleva oferta e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

    Bois gordos sob pressão: clima seco eleva oferta e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

    O mercado de boi gordo enfrenta um dos momentos mais tensos dos últimos meses. A combinação de clima seco, pastagens degradadas e uma queda brusca na demanda tem gerado um cenário de estagnação nas negociações, com reflexos imediatos nos preços e na relação entre pecuaristas e frigoríficos.

    A seca que aperta os cochos e os bolsos

    Desde o final de abril, a redução nas chuvas e as temperaturas mais baixas aceleraram a degradação das pastagens em várias regiões produtoras. Com menos forragem disponível, os animais ganham peso mais lentamente, mas a oferta de boi gordo aumenta justamente pela necessidade de desocupar as pastagens antes que a seca piore. O resultado é uma pressão adicional sobre os preços, que já acumulam queda de 2,72% no indicador CEPEA/ESALQ na parcial de maio, atingindo cerca de R$ 340 por arroba.

    Negociações travadas: escalas alongadas e baixa liquidez

    Pecuaristas consultados pelo Cepea relatam que muitos estão fora do mercado após cumprirem escalas de entrega já preenchidas, que agora variam de 8 a 15 dias. Enquanto isso, os frigoríficos, cientes da conjuntura, mantêm posturas reticentes nas cotações, aguardando uma possível queda maior nos preços antes de fechar novos negócios. Em São Paulo, principal polo de comercialização, o volume de transações segue contido, sem sinais de recuperação a curto prazo.

    O que esperar para os próximos meses?

    A depender da evolução do clima, a oferta de boi gordo pode se intensificar ainda mais, especialmente se as chuvas não retornarem em volume suficiente para recompor as pastagens. Nesse cenário, a tendência é de manutenção da pressão baixista nos preços, com possíveis reflexos na rentabilidade dos pecuaristas e nos custos da indústria frigorífica. A falta de liquidez, no entanto, pode dificultar a realização de negócios, mesmo com preços atrativos, devido à incerteza sobre a continuidade da seca.