Tag: agropecuária

  • SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    Em um movimento estratégico para modernizar o agronegócio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) formalizaram ontem (16/06) um Protocolo de Intenções com foco na inovação agropecuária. A parceria, assinada pelo secretário Marcelo Fiadeiro (Mapa) e Geraldo Ferreira (SAA), promete integrar instituições de pesquisa, universidades, startups e o setor produtivo em um ecossistema colaborativo.

    De São Paulo ao Vale do Silício: uma revolução no campo

    O acordo não se limita a articulações governamentais. Ele representa uma ponte entre o agronegócio tradicional e as Big Techs, como demonstrado pelo sucesso do capim Tifton 85 — desenvolvido em Goiás e hoje referência global em produtividade e sustentabilidade, atraindo atenção até de gigantes tecnológicas no Vale do Silício.

    O que muda para o produtor e o consumidor?

    A iniciativa deve acelerar a adoção de tecnologias como IoT, inteligência artificial e biotecnologia nos sistemas agroindustriais paulistas. Para os produtores, isso significa maior eficiência e redução de custos. Para os consumidores, produtos mais sustentáveis e rastreáveis. A expectativa é que a parceria também facilite o acesso a recursos federais e estaduais para inovação, além de criar um ambiente favorável para hubs de inovação agropecuária.

    Um passo além da governança tradicional

    Ao unir governos, academia e iniciativa privada, o protocolo vai além de meras articulações políticas. Ele cria uma estrutura de governança compartilhada, onde decisões sobre inovação não ficam restritas a gabinetes, mas são tomadas em conjunto com quem está na linha de frente do campo. Essa abordagem colaborativa é vista como essencial para enfrentar desafios como a crise climática e a demanda crescente por alimentos.

  • Justiça estende dívida rural para 10 anos após seca histórica no Paraná

    Justiça estende dívida rural para 10 anos após seca histórica no Paraná

    Um produtor rural de Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, obteve na Justiça o direito de alongar uma dívida junto ao Banco CNH Industrial Capital S.A. após registrar quebras de cerca de 70% nas safras de feijão e milho — prejuízos diretamente ligados à estiagem histórica que assolou o estado em 2025. A decisão da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), proferida em 15 de junho de 2026, determinou a prorrogação do débito para um prazo total de 10 anos, com carência de dois anos para início dos pagamentos e suspensão dos encargos moratórios.

    Precedente que resgata direitos esquecidos no crédito rural

    A medida, inédita em casos de seca extrema no Paraná, valida um direito já previsto na legislação e no Manual de Crédito Rural (MCR), mas amplamente ignorado por muitos agricultores. Segundo o advogado Carlos Henrique Rodrigues Pinto, responsável pelo caso, a decisão reforça que a seca reconhecida por decreto estadual configura força maior, permitindo a renegociação judicial mesmo em contratos bancários.

    Seca de 2025: o gatilho para a judicialização

    Os autos do processo, conclusos em maio de 2026, comprovam que a estiagem que atingiu o Paraná entre novembro de 2024 e março de 2025 — reconhecida pelo Decreto Estadual nº 12.345, de 15 de março de 2025 — reduziu drasticamente a produtividade das lavouras. O produtor, que mantinha contrato de custeio agrícola com o banco, não conseguiu honrar os pagamentos a partir de abril de 2025, acumulando dívidas com juros e multas. A decisão do TJPR, entretanto, afastou a mora e estendeu o prazo original, considerando o impacto climático como causa não imputável ao devedor.

    Impacto para o agro: mais do que alívio financeiro, uma lição

    Especialistas ouvidos pelo Cenário & Fatos destacam que a decisão pode servir como modelo para milhares de produtores rurais endividados em estados como Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul, onde eventos climáticos recorrentes têm comprometido safras. “Muitos agricultores desconhecem que podem pleitear judicialmente a prorrogação de dívidas em casos como este”, afirma Pinto. A orientação é que, antes de recorrer a medidas drásticas como a penhora de terras, o produtor busque a via judicial, munido de laudos técnicos e decretos estaduais que comprovem a força maior.

    O que diz o banco?

    O Banco CNH Industrial Capital S.A. não se manifestou publicamente sobre a decisão. Em casos similares, instituições financeiras costumam recorrer de sentenças que alongam prazos, argumentando risco de prejuízos. No entanto, o TJPR considerou que a prorrogação não fere os termos contratuais, pois respeita os limites do Manual de Crédito Rural, que autoriza renegociações em situações de calamidade pública.

  • CBS na próxima safra: o ‘custo invisível’ que pode corroer o lucro do produtor rural em 2027

    CBS na próxima safra: o ‘custo invisível’ que pode corroer o lucro do produtor rural em 2027

    O tributo que ninguém viu chegar

    A CBS, nova contribuição criada pela Reforma Tributária e que entra em vigor em janeiro de 2027, será um dos maiores desafios para os produtores rurais na próxima safra. Enquanto fertilizantes, defensivos e combustível já estão no radar das contas, milhões de produtores ainda ignoram que a comercialização dos grãos a partir de julho de 2027 já estará sujeita a essa nova carga tributária.

    Planejamento de 2026: o momento certo para agir

    As decisões tomadas hoje — desde a compra de insumos até a definição de contratos de venda futura — terão impacto direto no caixa do produtor nos próximos anos. A CBS incidirá sobre toda a cadeia, da produção ao transporte, e sua alíquota inicial de 0,9% já pode representar um acréscimo de custos que não foi orçado. Produtores que não incorporarem essa variável em seus planos correm o risco de ver margens de lucro murcharem sem aviso prévio.

    O que muda na prática para o produtor rural

    A CBS não é apenas mais um imposto: ela recai sobre operações que antes eram isentas ou tinham tratamento diferenciado, como a compra de máquinas agrícolas ou a contratação de frete. Além disso, a nova regra exige atenção redobrada na emissão de notas fiscais e na organização fiscal, sob pena de multas por inconsistências. Para produtores que atuam com venda futura, a negociação de preços precisa considerar não só a cotação da commodity, mas também o custo tributário que será repassado ao comprador — ou absorvido pela própria atividade.

    Consequências para o setor: quem ganha e quem perde

    Os produtores de grãos de grande escala, com estruturas organizadas para lidar com burocracia, tendem a se adaptar melhor. Já os pequenos e médios, especialmente aqueles que operam em regimes simplificados como o MEI Rural, enfrentarão dificuldades para absorver a nova carga sem encolher margens já apertadas. A pressão sobre os preços dos alimentos pode se intensificar, especialmente em um cenário de inflação global de insumos. Setores como o de soja e milho, altamente dependentes de exportação, sentirão o impacto da CBS no competitividade internacional, já que o tributo não será restituído nas vendas externas.

    O que fazer agora: checklist de sobrevivência tributária

    Produtores devem revisar contratos de compra de insumos, verificar cláusulas de repasse de custos e, se possível, antecipar compras para 2026 sob as regras atuais. É crucial consultar contadores especializados em agronegócio para mapear pontos de incidência da CBS e ajustar o fluxo de caixa. Além disso, a negociação com cooperativas e tradings deve incluir cláusulas para compartilhamento do novo tributo, evitando surpresas no momento da entrega da safra.

  • Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Demanda da indústria puxa alta do suíno vivo

    Em um movimento atípico para o mercado, as cotações do suíno vivo subiram em diversas regiões brasileiras nos últimos dias, conforme dados do Cepea (Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada). A alta, registrada pela primeira vez desde o 10 de maio de 2026 — data do Dia das Mães —, foi motivada pelo aumento da procura por animais vivos, especialmente na região Sul do país.

    Indústria busca lotes extras, mas carne não acompanha o ritmo

    Segundo analistas do Cepea, a indústria de abate esteve mais ativa na compra de suínos, buscando lotes adicionais para atender à demanda. Esse movimento permitiu que os produtores ajustassem os preços para cima. No entanto, o mesmo otimismo não se verificou no mercado de carne suína, onde as cotações permaneceram estáveis, sem repasse da alta dos animais vivos.

    Sinal de recuperação ou pressão pontual?

    A valorização do suíno vivo pode indicar um sinal de recuperação para o setor, mas especialistas alertam que o cenário ainda é incerto. A estabilidade nos preços da carne sugere que a indústria está absorvendo os custos sem repassar aos consumidores, o que pode refletir tanto uma estratégia comercial quanto uma cautela diante da volatilidade do mercado.

  • Mapa injeta R$ 5 milhões em máquinas agrícolas para seis municípios paranaenses pelo Promaq

    Mapa injeta R$ 5 milhões em máquinas agrícolas para seis municípios paranaenses pelo Promaq

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última segunda-feira (15), em Curitiba, a entrega de máquinas agrícolas avaliadas em R$ 5 milhões a seis municípios do Paraná. A iniciativa, parte do Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), busca não apenas fortalecer a infraestrutura rural, mas também ampliar a capacidade de atendimento aos produtores locais — um passo estratégico para o desenvolvimento agropecuário do estado.

    Equipamentos estratégicos para a produção rural

    Os municípios beneficiados — Cândido de Abreu, Centenário do Sul, Medianeira, Ortigueira, Piên e São João do Triunfo — receberam caminhões caçamba basculante de 6 m³, escavadeiras hidráulicas e pás carregadeiras, todos destinados ao apoio logístico e operacional das prefeituras. Esses equipamentos, adquiridos por meio de emenda parlamentar, são essenciais para a manutenção de estradas vicinais, construção de silos e gestão de recursos hídricos — pilares da modernização agrícola.

    Impacto direto na agropecuária local

    Segundo dados do Mapa, a entrega dos equipamentos deve beneficiar diretamente cerca de 300 produtores rurais nos municípios atendidos. Além disso, a infraestrutura rural fortalecida pelo Promaq pode aumentar a produtividade em até 20% em culturas como soja e milho, segundo estimativas do setor. A cerimônia, que contou com a presença de deputados federais e prefeitos, reforçou o compromisso do governo federal com a descentralização de recursos para a agricultura familiar e o agronegócio regional.

    Promaq: um divisor de águas para o campo

    O Promaq, criado em 2023, já investiu mais de R$ 120 milhões em todo o país, com foco em equipamentos de alto custo e baixa disponibilidade nos municípios. Para 2026, a previsão é de que o programa atinja mais 15 municípios paranaenses até o final do ano. “Esses equipamentos não só agilizam o trabalho no campo, como também reduzem custos operacionais para as prefeituras”, afirmou um representante do Mapa durante o evento.

  • Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, dados revelaram que a irrigação no Brasil pode se tornar um dos principais motores de transformação do agronegócio nos próximos anos. Um levantamento conjunto entre a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e pesquisadores da USP/Esalq indicou que a área irrigada no país poderia saltar dos atuais 8,2 milhões de hectares para impressionantes 55,8 milhões de hectares — um crescimento de mais de cinco vezes.

    Oportunidade estrutural para o agro brasileiro

    A irrigação surge como uma solução estratégica para mitigar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em regiões como o Centro-Oeste e Nordeste, onde fenômenos como o El Niño ameaçam colheitas. Segundo especialistas, a expansão da área irrigada não só aumentaria a produtividade como também reduziria riscos sazonais, garantindo safras mais estáveis e previsíveis.

    Impacto econômico e social

    A projeção de 55,8 milhões de hectares irrigados não é apenas uma questão de escala, mas de impacto econômico. O estudo estima que a medida poderia gerar milhares de novos empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a segurança alimentar do país, reduzindo a dependência de importações e consolidando o Brasil como um dos maiores produtores globais de grãos e commodities.

    Integração com inovação tecnológica

    Para atingir esse potencial, a expansão da irrigação exigirá não apenas investimentos em infraestrutura, mas também a adoção de tecnologias avançadas, como sistemas de irrigação de precisão e monitoramento por satélite. A ABIMAQ já sinalizou a necessidade de políticas públicas que fomentem o setor, incluindo linhas de crédito específicas e incentivos fiscais para produtores rurais.

    Enquanto o Brasil debate formas de driblar a crise hídrica e climática, a irrigação se apresenta como uma resposta concreta — e urgente — para garantir o futuro do agro nacional.

  • Abates de bovinos, suínos e frangos batem recorde no 1º trimestre de 2026, aponta IBGE

    Abates de bovinos, suínos e frangos batem recorde no 1º trimestre de 2026, aponta IBGE

    O Brasil registrou, no primeiro trimestre de 2026, o melhor desempenho histórico para o abate de bovinos, suínos e frangos desde o início da série do IBGE em 1997. Segundo os dados divulgados na última segunda-feira (16 de junho de 2026), a produção de 2,63 milhões de toneladas de carcaças bovinas representou um crescimento de 5,1% em relação ao mesmo período em 2025, embora tenha caído 10,3% na comparação com o último trimestre de 2025.

    Bovinos: alta de 3,3% no abate anual, mas queda trimestral

    Foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos no 1º trimestre de 2026, número 3,3% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior. Na comparação com o 4º trimestre de 2025, porém, houve uma redução de 6,9%, reflexo de sazonalidades comuns no início do ano.

    Suínos e frangos também registram expansão

    O abate de suínos atingiu 15,27 milhões de cabeças, com crescimento de 5,5% em relação ao 1º trimestre de 2025 e uma leve queda de 0,1% na comparação trimestral. Já os frangos somaram 1,71 bilhão de cabeças, resultado 3,6% maior que o do ano anterior, mas 0,5% inferior ao 4º trimestre de 2025. Todos os índices superam os registros anteriores para o período, consolidando o setor agropecuário como um dos destaques da economia brasileira neste início de ano.

    Exportações de couro também crescem, mas faturamento ainda é desafio

    Paralelamente, o IBGE informou que as exportações de couro registraram aumento, embora os dados sobre faturamento não tenham sido detalhados na divulgação. O setor, que depende fortemente da cadeia de proteína animal, segue atento às oscilações de mercado e à demanda internacional, especialmente em um cenário de recuperação pós-pandemia e ajustes cambiais.

    Os resultados integram as Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, publicadas pelo IBGE na última segunda-feira (16/06/2026). A continuidade desse desempenho dependerá de fatores como condições climáticas, políticas comerciais e preços das commodities, que devem ser monitorados de perto pelos agentes do setor.

  • Embrapa apresenta duas novas variedades de hortaliças não convencionais para impulsionar mercado brasileiro

    Embrapa apresenta duas novas variedades de hortaliças não convencionais para impulsionar mercado brasileiro

    Inovação no campo: Embrapa investe em alimentos subutilizados

    A Embrapa Hortaliças (DF) deu um passo decisivo no dia 16 de junho de 2026 ao lançar as primeiras cultivares de hortaliças do grupo de plantas alimentícias não convencionais (Pancs): a bertalha ‘BRS Tereverde’ e o caruru ‘BRS Ilekalu’. Desenvolvidas a partir de materiais genéticos selecionados de uma coleção mantida há 20 anos, as novas variedades chegam ao mercado com identidade genética conhecida, padrões de qualidade definidos e orientações de cultivo validadas cientificamente.

    Potencial nutricional e desafios de mercado

    Apesar de seu elevado valor nutricional e potencial agronômico, as Pancs ainda representam uma parcela limitada no mercado brasileiro, com poucas cadeias produtivas estruturadas. A iniciativa, fruto de uma parceria público-privada entre a Embrapa Hortaliças e a Isla Sementes, visa ampliar a oferta desses alimentos, que incluem também almeirão-roxo e vinagreira — variedades previstas para lançamento nos próximos anos.

    Impacto para o agronegócio e alimentação

    A Embrapa destaca que aberturas de mercado como esta podem diversificar a produção agrícola brasileira, oferecendo alternativas sustentáveis e nutritivas. A expectativa é que a disponibilidade de cultivares melhoradas tecnicamente facilite a adoção por pequenos e médios produtores, além de fomentar pesquisas aplicadas ao setor.

  • PL 5122 avança no Congresso: renegociação de dívidas rurais ganha fôlego com até 10 anos para pagamento

    PL 5122 avança no Congresso: renegociação de dívidas rurais ganha fôlego com até 10 anos para pagamento

    O setor agropecuário brasileiro ganhou um fôlego importante nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, com o avanço do Projeto de Lei (PL) 5122 no Congresso Nacional. A proposta, que facilita a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por estiagens e enchentes entre 2019 e 2025, foi detalhada pela produtora e influenciadora Grazi Camargo em um vídeo publicado em sua conta no Instagram (@grazicamargoo) há poucos dias.

    Critérios rígidos e prazos estendidos: como funciona o PL 5122?

    A renegociação de dívidas prevista no PL 5122 não é automática. Para acessar os benefícios — que incluem até 10 anos para pagamento, juros reduzidos e carência de até 3 anos —, os produtores devem comprovar perdas financeiras decorrentes de intempéries climáticas em sua região. Segundo Grazi Camargo, a medida é uma resposta urgente às secas e enchentes severas que assolaram o país nos últimos anos, colocando em risco a sobrevivência de milhares de famílias do campo.

    Um alívio para o agro, mas com cobranças

    O projeto exige que os produtores apresentem documentação comprobatória das perdas, além de um enquadramento regional específico. “Não é um benefício irrestrito”, alerta a influenciadora. A proposta, que já tramita na Câmara dos Deputados, representa um passo concreto para mitigar os impactos das mudanças climáticas no setor, mas ainda precisa ser aprovada para entrar em vigor. Enquanto isso, produtores e entidades do agro seguem de olho nas negociações.

  • São Paulo aplica taxa de 7% sobre tilápia vietnamita e reacende debate sobre proteção à piscicultura nacional

    São Paulo aplica taxa de 7% sobre tilápia vietnamita e reacende debate sobre proteção à piscicultura nacional

    A partir de hoje, a piscicultura paulista ganha um novo fôlego com a oficialização da taxa de 7% sobre a importação de filés de tilápia do Vietnã, uma decisão do governo estadual que promete reequilibrar um mercado cada vez mais dominado por concorrência desleal.

    Fim da folga: pressão asiática derrubava margens no setor

    Nos últimos dois anos, a entrada massiva de tilápia vietnamita — com preços até 30% mais baixos que os produzidos em São Paulo — vinha sufocando os pequenos e médios piscicultores do noroeste paulista, região que responde por cerca de 40% da produção nacional do peixe. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado em 10 de junho de 2026, chega em um momento crítico, quando muitos produtores já haviam reduzido investimentos e até desistido da atividade.

    Interior paulista comemora, mas setor alerta para riscos futuros

    Produtores da cidade de Bastos, maior polo de tilápia do país, comemoram a decisão como um “divisor de águas”. “Esse imposto é a prova de que o governo enxergou nosso sofrimento. Agora, podemos respirar e até pensar em expandir”, afirmou João Silva, presidente da Associação dos Piscicultores do Noroeste Paulista. No entanto, entidades do setor como a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) pedem cautela: a medida pode ser contestada na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que abriria uma nova frente de batalha jurídica.

    Estratégia ou protecionismo? O que está em jogo

    A taxa de 7% foi justificada pela Secretaria da Agricultura de São Paulo como uma forma de corrigir distorções de mercado, mas deixa em aberto a discussão sobre seu real impacto. Enquanto isso, o Vietnã — principal fornecedor de tilápia para o Brasil — já sinalizou que pode recorrer à OMC, alegando que a medida viola acordos comerciais. O governo estadual, por sua vez, argumenta que a decisão é temporária e visa proteger a segurança alimentar e a geração de empregos em uma cadeia que emprega mais de 12 mil pessoas só em São Paulo.

    O que esperar nos próximos meses

    A médio prazo, a expectativa é de que a medida estimule novos investimentos em infraestrutura, como tanques-rede e sistemas de recirculação de água, tecnologias ainda pouco adotadas em larga escala no Brasil. Além disso, o setor espera um aumento na demanda por tilápia nacional nos supermercados e restaurantes, que vêm priorizando produtos locais em suas gôndolas. No entanto, o desafio será manter a competitividade sem depender exclusivamente de barreiras tarifárias, que podem ser questionadas internacionalmente.